Vingador Vol. II
22 21. Cordas, velas e uma bala.
Notas iniciais

Dois meses depois, costa de Santorini, Grécia.
Sakura achava a Grécia muito linda, mas ainda não era seu ideal de paraíso, preferia a costa fria e nebulosa da Escócia, o castelo, as pradarias de um verde escuro.
Meio que sentia-se como uma princesa escondida num distante castelo, a espera do príncipe.
Apesar que o seu estava mais para um antagonista revoltado...
Sentada na beirada do enorme iate e bem distante da costa, sem outros barcos ao redor, ela já estava cansando de ficar esperando sob tanto sol e luz. A sensação de boiar sobre um monte de água tampouco era a mais relaxante para ela.
— Por quê não dá um mergulho? – 87 sugeriu, vestindo a coisa mais casual de todas, bermuda caqui e uma camisa de linho branca aberta. Pensando bem, ele era uma pessoa muito bonita, de uma forma sisuda, claro, mas tinha ficado bem mais extrovertido em torno dela assim como os outros.
— Eu nem sei nadar direito. E se tiver tubarões?
— Eles certamente iriam preferir presas maiores...
Sakura ficou calada sem saber se isso era pra ser motivador.
87 olhou a hora e então jogou seus olhos cinzentos para o estonteante céu azul anil da Grécia.
— Parece que vai haver um atraso, hein? De qualquer forma, você tem mesmo coisas mais importantes para resolver. – Ele se abaixou e se sentou ao lado dela. — Como, por exemplo, seu aniversário daqui três dias, sabe que a casa grega não lhe fez o convite por pura gentileza, certo?
— Uh, sim, sei...
— Eles querem sondar você, quem vier, virá para fazer o mesmo. Tenha em mente que deve estar alerta o tempo todo, e atenta a suas perguntas, mesmo as mais banais.
— Entendo.
— Estarão traçando um perfil seu, e ele não deve ser diferente do que você mesma traçou. Seja a criança sincera e teimosa que é, só não deixe eles saberem que não está do lado deles.
— Certo! Como uma agente dupla!
— Pode-se dizer...
Sakura se levantou, satisfeita consigo mesma, iria esfregar na cara de Sasuke que ela podia sim ser uma boa mentirosa tanto quanto ele.
Animada, seguiu para a cabine de pilotagem passando a fazer manha para conseguir pilotar o iate um pouquinho.
Não conseguiu por que disseram que um erro seria o bastante para partir a coisa toda ao meio igual ao Titanic e ela seguiu para um dos luxuosos quartos que o iate dispunha.
Só então 87 notou uma aeronave pequena passar acima deles e olhou para o horizonte vendo um paraquedas branco mergulhar na água.
Pensou em mandar um barco inflável a motor para diminuir o tempo do cara até ali, mas sinceramente, talvez tivesse pegado gosto por dificultar a vida do irmãozinho de Itachi.
Tampouco duvidava que em seu lugar o Uchiha não faria o mesmo, então esperou pacientemente Sasuke nadar mais de quinhentos metros até a embarcação arrastando quilos de tecido e uma bolsa cilíndrica impermeável.
— Não tem uma porra de bote nessa lata velha? – Sasuke grunhiu, escalando entre ofegos.
— Achei que daria conta...
Sasuke o fitou, sentado no deque com uma cara azeda. Bufou e se libertou do colete do paraquedas assim como da bolsa, usava uma roupa de paraquedismo preta e irritantemente apertada, mas estava mais satisfeito com a infiltração bem sucedida em Santorini e também em ter conseguido se manter fora de vista por dois meses.
Mas sabia que não podia contar com essa sorte o tempo inteiro.
Se levantou, abrindo o zíper das costas da roupa.
— Onde ela está? Nadando? Tomara que tenha virado petisco de tubarão.
— Ela não se arriscaria a tanto, deve estar lá embaixo, tivemos de ameaçar que isto se tornaria Titanic se a deixássemos pilotar.
— É claro que viraria, ela tem tanto senso de espaço quanto um surdo-perneta-vesgo teria.
87 tinha o pressentimento de que Sakura já fora muito mais subestimada na vida do que se imaginava, então talvez dar-lhe um pouco de confiança em vez de enchê-la de precauções fosse o certo a se fazer para que isso desse certo.
Ainda assim, tendo sido tão subestimada, ela ainda estava sempre sendo otimista, indo em frente e até tomando a fronte de batalha.
Quanto a Sasuke subestimá-la, ainda restava confirmar se ele só estava sempre se chocando com a força dela e por isso não desistia de tentar freá-la, ou se acabou sendo essa a forma que ele conseguia ser zeloso com ela sem sair do próprio pedestal.
Mas eis que ela estava sempre dizendo “Sasuke vai ver como eu consigo” e também “ Sasuke é realmente incrível por conseguir tal coisa”.
Ela o venerava e tentava chegar até ele, de modo que, talvez a grande verdade era que, Sasuke, no fim, embora não admitisse, apreciava isso tanto, que na verdade a estava incentivando, a seu modo.
— Tem comida nesse lugar, certo? Eu disse para só virem me buscar daqui três dias e não posso nem pisar um dedo na costa. – Sasuke avisou.
— Temos um bom estoque sim, e podemos ir até mais longe em mar aberto, a previsão do tempo é favorável. Então só existe o risco de afundar se deixar a Koyosegi pilotar.
— Eu sou ateu, mas isso vale um “Deus me livre”.
Sasuke seguiu até a sombra, onde havia um bar com algumas bebidas. Catou uma latinha de cerveja e mandou para dentro afim de se livrar do gosto do sal marinho.
— Kakashi e os outros?
— Despachados para Porto Rico, a loira está num hotel da costa, sobre a moça ruiva, nada ainda, mas entrei em contato com alguns lixeiros e nenhum deles descartou alguém com o perfil dela naqueles dias.
— Hm, interessante... Conseguiu contatar Gaara?
— Ele aprendeu bastante sobre o sistema para se esconder bem dele...
Sasuke imaginava que Gaara o estava evitando por temer pela segurança de sua filhinha, e não poderia culpá-lo.
— O francês já morreu? Quero uma notícia boa.
— Voltou para Paris, para manter as coisas sob os panos por um tempo.
— Ou seja, todo mundo está de férias e tudo em prol do meu rabo sendo usado como alvo.
— Ah, você voltou! – Sakura exclamou, aparecendo nas escadas.
Sasuke catou uma garrafa de tequila, um limão e o pote de sal.
— E isso me lembra que tenho contas a acertar com você, rata.
— Awn. – Ela gemeu, frustrada, já dando a volta e fugindo de volta para dentro.
Sasuke passou a apreciar a ideia de vir encontrá-la em alto mar.
Ratos eram os primeiros a abandonar o navio mas se esse exemplar que ele tinha fosse tão esperto, ela já teria saltado fora a anos.
Azar dela.
— Volte aqui, tampinha. – Avisou, já descendo. 87 se sentou no bar, abriu o mini freezer e preparou uma boa margarita para si, 32 e 33.
***
— Por que estou amarrada de novo? – Sakura lamuriou, mexendo os pulsos atados a cama.
— Chama isso de amarrar? É no máximo contenção, agora pare de se mexer ou vai espalhar a tequila.
— Use um copo!
Sasuke riu, lambendo os lábios lentamente enquanto segurava seu quadril no lugar com uma mão e derramava a tequila no estomago dela.
Sakura se empertigou e remexeu, inquieta com a sensação da bebida na pele e depois da língua dele sugando tudo devagar.
— Ah, isso me lembra de umas férias em Ibiza, ótimos tempos.
— Você foi sempre tão pervertido?!
— Não seja tão chata. Tem que agradar seu homem de todas as formas, não ensinam isso na igreja? – Ele resmungou, lambendo bem mais além do que o local que a bebida estivera.
— Claro que não!
— Mais um motivo para a religião ser uma perda de tempo...
Sasuke se sentou sobre os joelhos, entre as pernas dela, bastante á vontade como se tivesse todo o tempo do mundo enquanto sua presa se retorcia com as cordas, só pensando em como escapar dele antes que chegasse a pensar numa nova forma de judiar dela.
— Por que você tem que usar nós tão difíceis?
— Não é como se você fosse ser capaz de desatar um nó de cadarço, esses são só para treinar.
— Pare de me subestimar!
— Oh? Então desate esses, amor.
— Ugh. Eu vou conseguir! Saia daqui!
— E por que eu deveria? – Sasuke se deitou, pegando a garrafa de tequila ao pé da cama, encheu um copo e ficou observando-a remexer os dedinhos inutilmente entre as cordas.
Olhou para os pés dela, pequenos e avermelhados nas solas, as unhas pintadas de um azul pastel.
— Sasuke... Aquilo sobre termos bebês, você estava falando sério? – Sakura disse.
— Eu não disse nada sobre ter uma criança, mas sobre tentar. Você não vai engravidar, não pode. – Assumiu, cruamente.
Sakura nada disse, virando o rosto, mas as bochechas denunciaram.
Sasuke puxou a ponta do dedo mindinho de seu pé.
— Você quer isso mesmo? Como é tola, como alguém poderia apreciar a ideia de cuidar de uma criatura dependente até para usar o banheiro? Babam tudo, quebram, e ainda saem caros.
— Se seus pais pensassem assim, você nem teria nascido. – Ela replicou.
— Há quem diga que aí está o erro. – Sasuke ironizou.
— Eu não me importaria se for nosso bebê. – Sakura resmungou.
— Tão tediosa...- Ele bufou, encarando o teto. — E muito pretenciosa. Acha que é a única que já se ofereceu pra cuidar desse material? – Sasuke ronronou, literalmente apertando o material sobre a calça e Sakura debateu as pernas, chutando seu copo para o tapete, furiosa. — Hey, hey...
— Seu grande... Sujo! Cafajeste! Eu que não quero mais! Nada daí! Nada! Saia daqui! Me solte! – Guinchou.
Sasuke riu, segurando as pernas dela separadas e se deitado suavemente sobre ela.
— Tão vermelhinha, sua rata sensível. – Sorriu na cara dela. E Sakura virou o rosto, irritada e inconformada. Ele beijou e mordiscou sua orelha. — Fica tão engraçadinha irritada... É um tesão.
— Não-não encoste em mim...- Resmungou, mesmo ele desatando as cordas. Sasuke seguiu aos beijos em seu rosto e maxilar.
— Farei muito mais. Quer ter um bebê, amor? Mas pra fazê-lo seguiremos minha receita, sim?
— Hmmm. – Ela reclamou contra sua boca. Sasuke puxou a roupa para baixo, tirando-a por suas pernas.
Sakura puxou sua camisa para cima e ele negou, sorrindo maliciosamente.
— Agora não, querida. Sente-se. – Virou-a de costas para si, massageando seus ombros e beijando suavemente o pescoço.
Sakura permaneceu quieta, apenas sentindo suas ações, não ficou realmente surpresa dele pegar novamente a corda.
Sasuke acariciou as pontas do cabelo dela, sentindo o perfume e a textura dos fios.
— Ainda prefiro eles longos, mas... Não há como negar, que te deu um ar bem atraente.
— Atraente?
— Hm... – Gentilmente passou a corda nos pulsos dela. — Mais... Adulto.
— Eu sou adulta. – Sakura reclamou, aborrecida.
— Mais sexy então. Mais... Desinibida. – Ele ronronou beijando o centro de suas costas. Sakura se mexeu, arrepiada. Ele passou a atar seus braços, nós e nós, habilidosamente.
Envolveu o tronco dela também, passando as linhas entre os seios e formando praticamente uma roupa, o processo foi lento pelo nível de complexidade, pois ele movia os dedos com total segurança.
Sem distração, só quem se distraía era ela, com seus beijos e palavras molhadas, com seus dedos e palmas alisando-a a cada pequena oportunidade ou pausa.
— Perfeito. – Sasuke concluiu. — Confortável?
— Não sei se sim... Mas não acho que não.
— Isso é muito claro.
— Desculpe? – Sakura se moveu um pouco, testando a contenção, não estava exatamente muito apertado, mas a corda não tinha uma textura das mais agradáveis, era um pouco áspera contra sua pele.
Sasuke acariciou suas costelas com o dorso dos dedos, suavemente, ocasionando uma leve cócega.
— Gostaria de desenhar você assim...- Ciciou.
— Desenhar-me...?
Sasuke beijou-a no pescoço, um chupão mais profundo, e deslizou as mãos para as pernas dela, uma palma alcançando seu sexo, Sakura retesou e em seguida relaxou e ansiou contra o toque.
— A sensação é boa? Está amarrada, mas não é verdade que se sente mais livre ainda? – Ele enfeitiçou-a, circulando o polegar em seu ponto mais sensível, um gemido claro e longo escapou dela e deixou a cabeça rolar para trás, sobre o ombro dele.
Sasuke puxou seu joelho para o lado, introduzindo um dedo mais fundo, arremeteu contínua e lentamente, deixando-a despejar sua doçura em sua palma.
Quase lá, ele até a teria impedido, mas ela estava tão bonita e desinibida quanto sedenta para o ápice. Só poderia dar e assistir.
Sakura tremeu e caiu para a frente, afundando o rosto no travesseiro, choramingou com as cochas apertadas.
Sasuke puxou a mão, endireitando-a contra o colchão, segurou a ponta da corda perto dos pulsos dela, e puxou suas pernas separadas.
Se inclinou beijando sua nuca, e Sakura gemeu contra a fronha, contorcendo-se com a lenta invasão do pênis dele.
— Você está tão molhada assim? Que pervertida.
— Não estou...- Ela miou.
— Eu posso sentir. – Sasuke ronronou em seu ouvido, e estocou mais forte. — Posso ver também. – Provocou, sempre adorando aquela pele sagrada se tornando rosa de pudor e prazer.
Apertou a cintura dela, até o traseiro, indo cada vez mais profundo e duro.
O puxão na corda ajudou a marcar a pele dos braços dela, formando um belo padrão de marcas, ele talvez conseguisse amarrar as pernas dela também. Como uma sereia.
— Está tão quente, amor. Você vai me dar isso? – Ofegou.
Ela não tinha opção, mas ele assistiria sua inútil luta para não gozar tão rápido.
Sakura estava tão excitada, ela sequer conseguia o dar trabalho agora.
Ela gozou sôfrego, as mãos se contorcendo, querendo algo para agarrar e as cochas estremecendo tanto que ele segurou-a no lugar, pelo quadril, para que não escapasse até o fim. Até despejar-se nela satisfatoriamente.
Deixou-a esticar as pernas e se deitou ao lado dela, arquejando. Sakura o encarou, meio rosto afundado no travesseiro, meio rosto semi coberto pelo cabelo úmido.
— Pervertido.
Sasuke espanou os fios do rosto dela, e apertou seu nariz de leve.
— Dois orgasmos do caralho. De nada.
Ela escondeu todo o rosto no travesseiro até ficar sem respirar.
***
54 chegou com um ipad em mãos, 87 o pegou e foi deslizando pelas fotos.
— É, como esperado. Todos morderam a isca.
— Isso não é tudo. – O assassino de cabelo longo e crespo afirmou. Mostrou a ele a foto que tinha no próprio celular.
— Ah...- 87 abaixou o ipad e segurou o telefone, muito mais interessado nele agora. — Isso sim é um presente de aniversário digno.
— Melhor se reunir logo com eles?
87 devolveu os aparelhos, negando bastante tranquilo.
— Não... Não agora. Deixe eles em paz.
54 não objetou, dando de ombros, olhou para as águas que o iate cortava agora com média velocidade, enquanto 87 olhou para a cabine de comando. De onde podia ver Sakura segurando o timão, eufórica e também com medo de errar, Sasuke estava logo atrás dela, guiando-a, óculos escuros no rosto e o sorriso de que logo acabaria com a alegria dela fazendo-a achar que afundaria o iate.
Ainda tinham alguns dias, então deixaria o casal apreciar o tempo, assim quem sabe até Sakura estaria mais segura para enfrentar a Folha numa festa.
***
Três dias depois, Vila Megalochore, Masion Sophia.
O bairro era calmo, bastante tradicional e pitoresco, com mansões bem antigas, brancas e bem reservadas entre altos muros edificados para proteger dos antigos piratas que atacavam a ilha. Com uma bela vista para a Caldera, a mansão Sophia foi escolhida a dedo, por ser bem tradicional, gozar dos artifícios modernos, e bem discreta para a festa oferecida a Sakura.
A piscina e salão estavam decorados de forma quase temática, os convidados usavam branco, folhas verdes e flores de tons fortes comuns na ilha enfeitavam o centro da mesa e caras porcelanas repousavam a espera, a segunda cor predominante era o azul claro, celeste, a terceira, o dourado.
Então era o que decorava o pequeno bolo de aniversário, Sakura não poderia se entristecer menos por estar sem a companhia familiar, como esteve no ano passado, estaria satisfeita mesmo se só pudesse soprar um cupcake sentada no tapete da sala do apartamento em Birdcage.
Coisas tão antigas, mas que ela podia fechar os olhos e ver claramente.
Assim então, fez exatamente isso, ao soprar a vela, afugentando a visão daqueles estranhos ao redor da mesa, a estudando como águias, sorrindo como amigos.
Imaginou um cenário mais agradável e acolhedor, Sasuke lá, até mesmo o vovô Sarutobi.
Ah, como sentia falta de uma mão paternal sobre a cabeça.
Mas, a realidade era que devia mantê-la erguida não importava o que houvesse.
Então assim que sentiu o cheiro de queimado da vela, abriu os olhos, se ergueu, e sorriu, usando aquelas lembranças como combustível.
Eis que ela era a jovenzinha ingênua completamente feliz com a companhia, com a festa, os presentes caros e genéricos.
— Obrigada! Obrigada! – Agradeceu, fitando o casal Liakos e Bella Sarantos, atuais cabeças da casa grega. Pareciam um típico casal rico de meia idade, loiros, bronzeados, muito simpáticos e atraentes. De certa forma, a lembravam um pouco Mikoto e Fugaku.
Se eles eram um casal de tipo sombrio e refinado, o casal grego era o inverso sorridente e receptivo.
Sakura não podia negar a própria natureza e dizer que não simpatizou e sentiu-se acolhida por eles de cara, e que isso até a deixou mais segura para encarar esse evento. Mas sabia que se firmar nessa impressão inicial era um “tiro no próprio rabo”, exatamente como Sasuke diria.
Deixou a mesa, e os garçons cuidaram de distribuir o bolo, que pouca gente estava realmente interessada em comer, na verdade, até ela fora aconselhada a evitar, por poder haver veneno.
Que bela festa de aniversário...
Então apenas pegou uma taça do tradicional vinho vinsanto da região e voltou a ir cumprimentar os convidados. Sorrindo e olhando em torno sutilmente, localizou 87 num canto, que apenas sorriu suavemente erguendo a taça em incentivo.
Bem, parecia que ela não estava indo tão mal, ao menos.
Depois de mais amenidades que Sakura até estava acostumada, por ter ido a muitos eventos do tipo com Veena (apesar que neles não haviam pessoas querendo matá-la na mínima oportunidade, ou ela esperava que não), afastou-se para a área externa, evitando um pouco do charme e afetividade dos seis filhos homens do casal Sarantos.
Todos tinham entre e dezessete e trinta anos, e mesmo o mais novo, parecia realmente interessado na ideia de casar com ela.
87 havia avisado que era pela casa grega ser bastante pequena em questão de poder, apesar de quase tão tradicional quanto a antiga Kuran e tão numerosa quanto a casa italiana, com a qual mais rivalizava.
Então Sakura deveria esperar por mais investidas, e essa talvez fosse a parte mais dura de tudo isso.
Ela não sabia flertar, como saberia dispensar uma pessoa? E como, o pior de tudo, poderia afasta-los e ao mesmo tempo dar-lhes uma pequena esperança?
Ela não sabia fazer nem um, nem outro, muito menos o meio termo!
Gostava muito menos da ideia de parecer uma “jogadora”, na verdade, aprendera muito cedo que brincar com homens podia ser perigoso, quando eles, em sua maioria, viviam numa cultura em que o corpo de uma mulher era seu para fazer o que quiser, até mesmo quando sequer a conhecia, quando sequer trocaram algumas palavras...
Para ela, flertar com estranhos, era o mesmo que brincar com um tipo de perigo que... Ela nunca estaria pronta para encarar novamente.
Mas infelizmente, também era incapaz de fazer como Sasuke obviamente aconselharia, e “enfiar uma faca no olho deles se tentarem ao menos beijar sua mão”.
Talvez, ela fosse menos capaz de ir adiante com isso do que imaginou, e isso a deprimia.
Realmente, o tempo em que sua única responsabilidade era guardar as armas de Sasuke e fingir que ele era apenas um tutor era muito mais fácil.
Mas mentiria para si mesma, se negasse que desgostava estar finalmente fazendo algo de verdade por eles, e no mesmo caminho que ele, ao lado dele.
— Não se descuide, elas estão vindo. – Ino sussurrou ao seu lado, a estava sempre seguindo por que tinha medo de algo lhe acontecer, como temiam ter acontecido com a srta. Karin.
Sakura apreciava a companhia dela, apesar de ela ter ficado no hotel durante os dias em que esteve com Sasuke no iate.
Sakura se virou, prestando atenção nas três mulheres que se aproximavam de ambas.
Duas delas, eram praticamente o mesmo retrato, rostos de arrogância angelical, Sakura já sabia que eram irmãs do sr. D’Amico, mas a dama entre elas, já fitando-a com desdém e agressividade, nunca vira.
Ela lembrava uma cigana, pele oliva, cabelos escuros encaracolados, olhos castanhos oblíquos e venenosos e um corpo voluptuoso que fazia questão de exibir um vestido vermelho sangue.
— Então você é que é Sakura Haruno.
Sakura nunca sentira tanto veneno num tom, diria que até um leve toque de descontrole mental.
Se ela era uma assassina treinada, ou uma criança mimada do meio, não havia como saber de cara, mas certamente parecia ter capacidade para tirar uma vida.
Ela estendeu a mão, resolvendo não sorrir, no entanto. Esse tipo de pessoa, transformava sua gentileza em fraqueza para te derrubar de qualquer maneira.
— Uchiha, na verdade, e sua graça seria?
As três se entreolharam, rindo entre si com um tom quase guinchado, Ino pensou em dar o fora e ir chamar 87 ou alguém. Mas temia deixar Sakura sozinha contra três.
Bem, ela fizera defesa pessoal, mas mesmo sendo contra uma trinca de piranhas, era inegável que era uma desvantagem.
— Mas é um disparate mesmo, realmente anda por aí, assumindo um sobrenome de tal peso, quando não é nada para esta família?
— Bem, o “nada”, nesse caso pode é bastante subjetivo...- Sakura começou. — Pode ser nada, para você, que eu tenha vivido dois anos sob os cuidados e afeição direta da grande e honorável Bishamonten, do senhor Fugaku, a quem tenho como pai. Mesmo o carinho fraterno que desenvolvi por Itachi e Izumi, e Izuna, e Shisui, pode lhe ser um nada, que o sr. Madara tenha sido o tio que me ensinou tanto sobre a família, ou que tio Obito me ensinou a dirigir meu primeiro carro, que ele me deu. Tudo isto pode ser um nada a senhorita-que-sequer-já-ouvi-falar mas... Para mim, isto é tudo, e tenho certeza que significou muito para eles. Ainda mais sendo que me tornei Sakura Uchiha, por desejo deles. Mas...- Sakura pegou outra taça, agora de champanhe, que um garçom veio oferecer e só então sorriu, com elegante condescendência para elas. — Isso não importa agora, não é? Srta...?
Ino engoliu em seco, isso quase foi audível, dado o silêncio mortal que se sucedeu.
A voluptuosa cigana rangeu os dentes e mordiscou os lábios tão forte que quase poderia haver sangue em seus lábios pintados de vermelho.
— Angeline Kalitch, sobrinha do cabeça da casa cigana. – Praticamente rosnou.
— Oh, muito prazer, srta. Kalitch, saiba que admiro muito a cultura cigana.
— Obrigada... Sasuke também admirava. – Angeline cantarolou.
Sakura ergueu as sobrancelhas, atenta e Ino acenou freneticamente para um garçom vir até ali.
— E-está quente, hein? Que tal mais umas taças? Os macarons não estavam deliciosos?!
Foi plenamente ignorada.
— Oh, sim? Não sabia...- Sakura deu de ombros, tomando um gole.
— Sasuke ama qualquer coisa que o ponha na estrada, antes, meu clã, era um clã de assassinos nômades, depois que entramos para a Folha, viajávamos menos, mas estas coisas estão além sangue, entende? São de espírito. Sasuke é assim, tem espírito cigano. Deve ter percebido. Não é? Afinal, sei que nesses dois anos que você esteve sob a asa da honorável Veena, sequer o havia visto uma única vez.
Sakura inspirou, baixando os olhos, quase deprimida, e então os ergueu de novo e sorriu, displicentemente.
— Eu não poderia lamentar mais, por não ter continuado assim. Protegida por Veena-sama, protegida dele. Mas, ele nunca poderia deixar-me em paz...- Lamuriou falsamente e fitou Ino, buscando apoio e nervosa, a loira esfregou seu ombro, sorrindo amarelo.
— Po-pobrezinha, não é?
Sakura suspirou dramaticamente.
— Queria tanto que isso tivesse um fim... Poder orgulhar meus queridos pais Uchiha, reiniciar a Kuran dignamente, apagar essa mancha que Sasuke foi para a história da família...
— Como ousa falar isso dele, sua...
— Não entendo como ainda pode haver alguém que o defenda, depois de tudo o que ele fez...- Ela meneou a cabeça, decepcionada, e fitou as gêmeas com um olhar julgador. — Vocês também? O que seu irmão pensaria disso?
Ambas se empertigaram, nervosamente.
— Não é bem isso...
— Achamos apenas que algo está mal apurado...
— Não deem ouvidos a essa qualquer. Não passa de uma farsante! Você foi apenas colocada aí como joguete de um homem morto! Mas saiba bem. – Angeline decretou, olhos fumegantes de insanidade, apertou a unha do indicador contra o centro do colo de Sakura que fitou de volta friamente. — Quando Sasuke voltar, e ele irá, quando o fizer, irá me procurar por que sou sua informante preferida, eu o ajudarei a matar você e todos esses ratos que estão tentando usurpar o lugar dele como herdeiro, e mandaremos você para o inferno, para o lado de Itachi e aquela vadia da Izumi, entendeu?
Sakura afastou sua mão com um tapa, olhando-a com o desdém que um adulto oferece a uma criança birrenta.
— Eu devia matá-la aqui e agora. Mas vou esperar a hora de saborear isso, assim como vou saborear quando ele vier me visitar, igual fez em Madri... Menos de um ano atrás.
— Puuta merda... – Ino guinchou baixinho, encarando a reação nula de Sakura.
— Visitar todas nós, certo? — A gêmea da esquerda disse, com ar libidinoso.
— Talvez façamos uma festinha para ele, as três. – Angeline continuou cantando.
Sakura suspirou novamente e mais profundamente, entregou a taça para Ino.
— Não soa meio... Lamentável? Ele nunca precisou de três para fazer o trabalho de uma, quando estava comigo...- Deu de ombros, e por fim as costas, deixando quatro mulheres em silêncio absoluto.
Ino logo correu atrás dela, até por que temia ser feita de bode expiatório, pois absolutamente, aquela cigana maluca parecia que iria explodir.
Sakura cruzou o salão com pressa, direto para um dos quartos da casa.
— Tudo bem? – 87 indagou, abordando-a.
— Mate o desgraçado você mesmo. – Ela cuspiu, antes de entrar e bater as portas atrás de si.
Ino quase teve o nariz achatado por elas e recuou, o encarando de olhos esbugalhados.
— Quem ela quer que eu mate?
— Aquele que não deve ser mencionado.- Ela disse, baixinho, depois claramente. — Mas ignore, ela vai querer mata-lo ela mesma.
— Ah, tudo bem.
***
— Menos. De. Um. Ano. — Sakura socava o travesseiro, finas plumas de aves nobres escapavam e flutuavam no ar, grudando em seu cabelo — Cafajeste! Pervertido! Bundão! Vulgar! – Tentou rasgar a fronha de uma vez, gritou de raiva e frustração, não conseguiu. Gritou de novo, e apenas abriu a boca da fronha, jogando as penugens fora de uma vez. — Idiota! Idiota! Idiotaaaa!
— Aham, sim. Faça como o planejado. Exato, até mais. – 87 instruía alguns colegas pelo telefone, e Ino se aproximou, o fitando meio preocupada.
— Não é melhor ajudar ela?
— Hm? Ah, claro. – Ele deu a volta e foi até a cama, mexendo no bolso.
Sakura continuava a socando inutilmente o travesseiro, debatendo as pernas, descabelando-se e chorando de raiva.
Ela fora magnífica afastando aquelas cobras, mas o veneno ainda teve seu efeito... Como fazia parte do acordo manter o mínimo de contato possível com o dito cujo, não era como se ela pudesse ligar e pedir satisfações, ou mesmo quisesse isso ainda.
— Koyosegi-sama? – 87 chamou.
— O quê?!
— Aqui, pode ajudar. – Ele ofereceu-a um canivete.
— Ah, obrigado. – Ela sorriu, soltou a lâmina e afundou-a no travesseiro repetidamente. — Bundão! Bundão! Mentiroso! Cafajeste! Te odeio! Não quero! Não vou! Nunca vou ter bebês com você! Nunca fará bebês!
Ino fitou o grandalhão com enfado.
— Grande ajuda.
87 encolheu os ombros.
— Ela precisa extravasar... De qualquer forma, foi melhor assim. Angeline é perigosa e instável, sua obsessão por Sasuke já é bem conhecida. Foi sorte ela não ter tentando nada contra Sakura. E isso nos ajudou um pouco, graças a ela, podemos por ao menos a casa cigana em cheque.
— Como assim?
— Angeline é mais uma informante do que assassina, sua instabilidade já atrapalhou muito seu clã. Agora ela declarou praticamente em praça pública que apoia Sasuke, um extraviado que ameaça o sistema. Isso pode por toda a casa dela em risco de cair, eles irão beijar os pés da Koyosegi para mudar isso.
— Que vadia burra.
— Mulheres...
— Não nos ponha no mesmo prato, cara. – Ela brigou e ele concordou, rindo.
— Babaca! Mentiroso! Dizendo que eu estava bonita! Até deixei ele me amarraaaar! – Sakura arquejou, chorando, a cama estava completamente coberta de penas brancas e ela soluçou, também vítima de todo o álcool que bebeu na festa. Fungou e esfregou os olhos. — Eu odeio ele... Sr. 87, venda ele, inteirinho, não só a cabeça, venda por cinquenta, não, oitenta, não, duzentos milhões.
— Sim senhora...- Ele brincou, e sinalizou para que Ino fosse ajuda-la e ir dormir.
Ino suspirou, sentindo-se meio que uma babá, mas compreendia a pobre Sakura, assim como infelizmente, compreendia Sasuke. Que só esteve brincando com a cadela Angeline, para que ela soltasse a língua na época em que ele ainda procurava por Sakura.
Ele visitou muitos informantes, assim como interrogou muitos dos assassinos que vieram em seu encalço a mando da própria família. E eles todos foram formas de desvia-lo de Sakura, até que ele cansasse e aceitasse voltar para família por vontade própria e ganha-la como recompensa.
A mulher louca foi só mais um dos meios, uma ferramenta que ele usara friamente para chegar a seus objetivos.
Assim como havia usado Karin uma vez, como usaria e jogaria fora qualquer pessoa que entrasse em seu caminho até esta garota que dormira choramingando em seu colo.
Realmente, Sasuke não era certo, e nem bom, seus métodos tampouco seriam corretos ou honestos. Armas, informações, sexo, ele e essas pessoas usavam tudo para chegar aonde queriam.
Que mundo insano, sombrio e cruel ela e Sakura foram se meter...
***
Utakata era especializado em infiltração. Se ele tinha que matar, faria de dentro. Armas brancas, venenos imperceptíveis, silenciadores, fazer parecer um acidente. Mandar a vítima ao inferno sem que ela sequer percebesse, era isso que ele fazia.
Mas, em se tratando do seu alvo atual, o elemento surpresa não poderia mais vir de tão perto.
Então ele teria de fazer do jeito antigo, de longe, um tiro de duzentos metros, único, certeiro, dar o fora.
Estava ali sem a carta branca ou conhecimento da casa grega, então independente de quem matasse, se tornaria um alvo para eles, além dos sem nome também virem em seu encalço na mesma hora.
Não poderia contar que eles iriam primeiro enterra-la antes de vir vinga-la, pois ela era uma arma para eles e eles para ela.
Deitou-se na laje da casinha branca que alugou, numa colina alta voltada para a costa, a iluminação não atrapalharia sua mira e podia ver claramente uma das janelas da masion Sophia.
A cabecinha rosa que ele tantas vezes afagara e medira, o pescoço delicado que estudara, que sabia que poderia quebrar com um aperto mínimo e os grandes olhos verdes entre os quais trataria de finalmente enfiar uma maldita bala.
E assim, se encerraria sua função como tutor, sua tola aprendiz, nem sofreria.
Engatilhou a arma, mantendo a mira entre os olhos dela, a parte de trás da cabeça viraria um oco de ossos fragmentados e massa encefálica, mas o rosto, os olhos, permaneceriam absolutamente perfeitos até serem devorados pelas vermes ou pelo fogo crematório.
Era o tiro perfeito, de misericórdia e tanto ele quanto Sakura estariam livres um do outro.
Depois de morta, ela pararia de assombra-lo.
Esfregou o dedo suavemente no gatilho.
Bem entre os olhos, entre eles, uma perfuração pequena, manter seu fodido rosto perfeito intacto.
Uma bala.
Intacto.
— Quanta relutância.
A voz disse, logo atrás dele, o cano da arma esfregou gelado em sua nuca.
Utakata começou a achar que além de persistente em não morrer, Sakura dava azar.
Tirou o dedo do gatilho e baixou a cabeça, rindo.
Girou, deitando sobre as costas e fitou a pessoa que o encarava de pé.
— Puta merda, sério mesmo?
— Azar o seu.
— É, e ponha azar nisso.
O seu novo obstáculo ignorou seu acesso de bom humor e jogou os olhos na direção da casa Sophia, com uma mini luneta, olhou ele mesmo para a janela.
Sua pele estava visivelmente áspera e queimada de sol, usava apenas jeans, uma camiseta branca velha, coturnos e a barba por fazer, Utakata reparou tudo, assim como a arma que ele levava nas costas e uma bolsa pesada num dos ombros.
— Deite sobre o estomago e ponha as mãos nas costas. – Ordenou. — Se fizer uma gracinha, te estouro os miolos, seu merda.
— Certo, certo, continua impaciente.
— E você era melhor de óculos e boca fechada.
Utakata mordiscou a bochecha por dentro, deitando-se como ele ordenou e esperando as algemas.
Ele suspirou, guardando a luneta no bolso e pegando as algemas para ir prender Utakata.
—Bem, agora seremos nós dois. Mas o mais injusto, é nós irmos pra um moquifo de merda enquanto ela toma chazinho com ovos e torradas...
— Devo concordar...- Utakata disse, assim que ele o puxou de pé, algemado e mantendo arma apontada para sua nuca.
— Mas, um de nós vai se vingar... Aquela gazela não me escapa.
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