Vingador Vol. II

2 1. Dia de Jardim e Tela branca.


Notas iniciais
Yooooooooo!

Ela gostava do quarto que ganhou, era espaçoso, e Sakura sentia que poderia viver nele para sempre se tivesse comida e uma TV disponíveis lá.

Veena-sama havia deixado que ela mesma escolhesse como queria seu quarto, e, embora não fizesse ideia de qual seu antigo gosto, ela apreciou muito ter essa individualidade manifestada. Teve a ajuda de um especialista em decoração, e mesmo que não quisesse gastar nas escolhas, foi meio que impossível quando só lhe ofereciam o melhor do melhor como opção.

De qualquer forma, Sakura orgulhava-se de que seu canto fosse bem diferente da opulência do resto da mansão, simples, delicado e arejado.

Arejado demais, aliás, tinha grandes janelas voltadas para o jardim e uma área de vidro semicircular onde o sol poderia bater certeiramente em sua cama. Ela sempre mantinha as cortinas fechadas, também as janelas, sentia que apreciava mais o frio ar do aparelho de ar condicionado do que a brisa natural, e as janelas abertas deixavam tudo lá fora menos... Opressor.

Ela era uma péssima amiga do meio ambiente.

Mas, sempre chegava alguém para impedir, a empregada chegava abrindo as cortinas, já sabendo que só o despertador não era o bastante para pô-la disposta a acordar na hora em alguns dias.

E foi assim naquela manhã também.

Sakura se esticou e apertou os olhos com um gemido sôfrego ao sentir a famigerada luz solar atingir-lhe o rosto e o som das cortinas abrindo-se.

— Bom dia, milady, o seu café está pronto, sir Utakata disse que tem a manhã livre hoje e que pode desfruta-la na propriedade – Danica avisou, seriamente, mas cordial, Sakura se sentou esfregando os olhos e encarou a bandeja sobre a ponta da cama, os ovos mexidos a atraíram, o café e o chá também, ela imediatamente substituiu o gemido de tristeza por um esfomeado e engatinhou até lá, capturando um pedacinho de ovo com as pontas dos dedos.

Ao menos em seu quarto, e na presença da empregada, ela não precisava sentar-se educadamente, selecionar um dos talheres e comer com calma, contando cada mastigar.

Danica ocupou-se de ir até o closet e abri-lo.

— Milady, vai para fora? Talvez prefira reservar as próximas horas estudando ou lendo?

Sentar com um bom livro lhe parecia uma boa ideia, mas, Sakura já estudava algo que lhe proporcionava muita leitura, mas a ideia de dar uma volta em torno da casa ou até mesmo ainda lhe era a menos entusiasmante, comparada a dormir o resto do dia, ou ver TV. No entanto, sua aversão a sair não era muito bem aceita sempre.

— Hum, acho que vai ser um dia bom lá fora, pelo menos está ensolarado...- Comentou, um pouco triste com a luz toda em cima de si.

Danica voltou com um bolo de cabides com vestidos, embora as vezes Sakura não se importaria nem um pouco com o que vestisse, as vezes ficava completamente arrasada com a falta de identidade.

Apreciava que ela lhe deixasse ter a escolha final. E por isso, enquanto comia, observou cada vestido ser apresentado, vez por vez.

Escolheu um vestido branco, longo e um pouco largo, o tecido se assemelhava a camadas de folhas, com ondulações escuras por todo ele.

Ela calçou um par de sapatos de bico fino e saltos baixos e depois de domar o cabelo, o prendeu numa trança embutida, finalmente deixou o aposento.

A casa tinha uma decoração moderna apesar de ser uma das mais antigas, havia passado por reformas, mas ainda ostentava muito do ar de realeza e opulência de sua juventude vitoriana.

Também era refinada e silenciosa como seus donos.

Sakura cruzou longos corredores apenas sob o olhar de quadros antigos, e evitando encara-los, ela se sentia perturbada com eles, alguns tinham uma expressão tão profunda que parecia real, que a encaravam.

E as histórias que Izuna lhe contava sobre a casa ser mal-assombrada não ajudavam muito.

Sakura seguia até a sala, um pouco aliviada por se livrar dos corredores, mas um pouco desconsolada por estar tão sozinha, mesmo que na maioria das vezes quem estivesse na casa não lhe fizesse muita companhia, ela ainda apreciava que houvesse ao menos alguém.

Ao dobrar para entrar na sala, seu nariz bateu contra uma superfície dura, e revestida de tecido caro, perfume masculino e discreto inundou seu nariz, e ela recuou arregalando os olhos e encarando a parede em sua frente.

— O-oh? – Piscou completamente surpresa, e só desviou o olhar para olhar atrás dele, ficou ainda mais surpresa, mas, logo em seguida sorriu radiante e juntou as mãos alegremente — Okaeri! – Cumprimentou.

Não passaria o resto do dia sozinha, nada poderia deixa-la mais alegre, pelo menos no momento.

֍

The Cambrian Hotel, Adelboden, Alpes Suíços, nove e vinte três da manhã.

Chegou ao quarto ainda sentindo as vistas arderem e a cabeça latejar de ressaca, as costas doíam e o cheiro feminino e refinado que empesteava o quarto só o deixou mais mal-humorado e nauseado.

Seguiu até a cama e puxou as cobertas onde a mulher ressonava enroscada.

— Levanta – Resmungou jogando-as no chão e puxando o travesseiro, tirando a fronha e largando no tapete.

Ela se remexeu preguiçosa e nua e se enrolou num dos lençóis.

— Onde você estava, hein? Porque sumiu? Te esperei a noite toda.

— Tanto faz, vaza, eu quero dormir.

— Hmmm, dormir pra quê? — Ronronou, puxando-o pela camisa, ele se desvencilhou e puxou de volta o lençol de seu corpo, largando no chão.

— Cai fora, estou com sono, dolorido, e com ressaca.

— Mas que droga, Aiden! Qual o seu problema?!

Ela viu que era tolice perguntar, porque ele encarou de novo com o olhar preto, que dizia com cinismo, que o único problema era ela, enchendo seu saco, e cobrando algo que ele nunca havia oferecido.

Odiava esse olhar e como ele a fazia se encolher de vergonha de si mesma, levantou-se e agarrou o vestido largado no chão, vestindo-o e saindo.

Odiando-se por sentir-se atraída por um homem que era capaz de trata-la como algo tão incômodo, que trocava as cobertas da cama para dormir depois que ela saia.

Nunca desejando que nada o marcasse, nada o tingisse, apenas uma tela branca, mas para ela, a mais fascinante de todas.

— Mais uma coisa – Ele disse, antes que ela chegasse a porta, sem se preocupar se ela o ignoraria e apenas sairia, ele se largou no colchão do jeito que estava sem nem ao menos tirar o blazer, cobriu a vista e inspirou profundamente.

Ela se odiou de novo por que cada ação dele a fascinava demais, e era sedenta de mais de cada palavra sua para tentar desvenda-lo.

— Não precisa mais voltar, estou indo embora.

E ela ficaria sem ele, de uma vez por todas, e querendo ou não.

Ele era mesmo intangível, inatingível, sombriamente inalcançável.

Aiden Ferrari, e ela duvidava que mesmo esse charmoso nome fosse dele mesmo.

A porta bateu, e ele girou para o lado, abraçando o travesseiro e se entregando ao último sono pesado que teria em semanas e tentando ignorar o latejar da ferida recém-aberta em seu flanco direito.

Haviam chegado até ele, mas seria até divertido.

Depois que saísse dessa.

Seria a vez dele de se aproximar.

Tateou a gaveta do criado até abri-la e puxou dela uma foto, virou de novo apenas para encarar a imagem, e suspirou, encarando o teto. Deixou a foto de lado e voltou a afundar o rosto no travesseiro.

Pelo menos o cabelo ainda estava longo.

Ficaria um “pouco” mais puto se tivessem mexido nele.

Mas ele logo conferiria se o resto também estava como deixara.

֍

— A confirmação chegou. – Izuna disse, ao entrar no escritório. Shisui, sentado numa das poltronas, segurava uma caixa quadrada e achatada, preta em veludo, ergueu os olhos para ele, quando fechou a caixa, o reflexo da peça sob a luz, sumiu de seus olhos, tornando-os mais escuros novamente.

Jogou o olhar para a janela, fitando as costas dele, uma das mãos enfiada no bolso, na outra girando uma bala de prata para arma 50.

— E Miele? – Shisui indagou, sabendo bem o que ele observava atentamente.

Izuna se aproximou com um olhar sombrio.

— Foi tarde, ele é um SA-4 agora.

Os dois homens voltaram-se para ele.

Shisui inspirou, profundamente.

— Não conseguiram pegar o rumo desta vez?

Izuna ia bufar, aborrecido.

— Não acho que seja preciso – Ele proferiu pela primeira vez.

— Tem certeza, Itachi?

Itachi manteve os olhos no jardim, observando-a caminhar entre os canteiros de flores, atualmente precisando serem cuidados, as plantas escapavam de seus espaços espalhando-se pelo calçamento que serpenteava por eles, os arbustos maiores que o aceitável, transformando o jardim inteiro em um labirinto sem o devido controle.

E controle era o que iriam precisar focar ainda mais, de agora em diante, tinha certeza.

— Não tem como ter certeza, Miele caiu, mas não significa que tenha caído alguma informação – Izuna contestou. — Ele era cuidadoso.

— Todos somos – Itachi pontuou, se afastando da janela e puxando a cortina, fechando-a. — Mas ele, ele é traiçoeiro. – Completou, enquanto atravessava a sala rumo a porta. — Traiçoeiro, mas não tão paciente, e já foi muito paciente.

Izuna e Shisui trocaram olhares e encararam suas costas, Itachi parou antes de atravessar a porta e se virou de lado, jogando o relógio de bolso que segurava, na direção de Shisui que ergueu a mão, o capturando.

— Tem certeza? – Indagou.

— Sim, chame-a, e também chame um jardineiro, esse jardim está saindo do controle, cheio de lacunas, e não precisamos disso agora.

— Onde você vai? Acabou de chegar.

— Onde todos vamos, almoçar lá fora.

— Hã?!

Mesmo que o jardim não estivesse impecavelmente podado e limpo de folhas secas ou recolhido ao seu espaço, sua forma natural e livre, não era desagradável de se vislumbrar.

֍

Estava um pouco frio demais, mas ela poderia considerar-se com sorte de ainda não ter chovido, pelo menos.

Sakura tocou as pétalas de uma das rosas de tom vinho, quase roxo com um leve sorriso.

Se Veena-sama visse em que estado estava todo o jardim, provavelmente ficaria bastante aborrecida, ela estava fora a alguns meses e nada mais que os empregados da casa, apresentavam-se ali, e mantinham tudo em ordem por dentro. Afinal, cuidar da casa não era como se fosse sua função, embora ela não se importasse de fazer, caso lhe fosse delegado.

Até sentia certo prazer em arrumar tudo, e seu quarto só não era arrumado por si mesma sempre, porque Danica era muito ágil e sutil para ela competir.

A brisa fria acariciou seu ombro nu e ela suspirou o ar cheirando a plantas. Olhou para cima encarando o céu meio cinzento, disputando espaço com um sol já mais brilhante.

Sakura, podia sentir aquela parte que se encolhia embaixo de uma coberta, tentando desviar a atenção da grandiosidade do espaço. Mas a calmaria do ambiente, tornava a sensação um pouco menos presente.

Ela caminhou alguns passos, desviando dos galhos e espinhos das roseiras e de pequenas poças de água acumulada da chuva, sofrera um escorregão certa vez, e não fora muito agradável.

Passou por baixo de um arco formado por dois arbustos e de onde estava, pôde observar a toalha que fora deixada sobre o gramado, onde ela passara a manhã sentada e lendo.

— Perdeu o gosto pela leitura? – Sakura sorriu, e se virou.

— Nem se eu quisesse, ou já teria desistido da universidade!

— Soube que está indo muito bem – Itachi comentou, e ela o seguiu com as bochechas coradas de alegria.

— Obrigada! É mais exaustivo do que pensei, mas ainda é melhor que fazer cálculos! – Brincou, lembrando que praticamente todo mundo desgostou de sua escolha, afinal, eram todos especializados em números e contas, e ela mal preferia ler e escrever.

— Hn, imagino.

Os dois seguiram até a toalha, onde ela pegou o livro, um título de Jane Austen. Danica se aproximou, recolhendo a toalha e dobrando, voltou-se para eles.

— O almoço está perdido, como pediu, senhor.

— Certo, vamos – Sakura o seguiu, um pouco curiosa e surpresa de o tempo ter passado tão rápido. Sabia que ele, Itachi, e Izuna estavam ocupados em uma reunião no escritório desde que chegaram, ou talvez apenas descansando de suas viagens. A família Uchiha tinha negócios em muitos ramos, principalmente em investimentos e fusão de empresas, algo que ela definitivamente não entendia, só sabia que viajavam o tempo todo para verificar pessoalmente seus negócios.

Eles contornaram uma parte da casa, chegando perto de onde o chafariz, cercado por uma rasa piscina de água verde escura, ficava.

Sakura piscou, no mínimo muito surpresa, quando deparou-se com uma mesa redonda de ferro e tampa de vidro sobre o gramado, coberta com uma toalha e preparada para uma refeição, o vento frio sacudia a barra dela e os guardanapos tentavam escapar.

Shisui mordiscava um pãozinho, enquanto encarava o entorno com tédio e Izuna fazia uma careta tanto para o guardanapo que voou em seu rosto, quanto para quando seu próprio cabelo entrava na frente.

Ela não conseguiu disfarçar o sorriso que encheu seus lábios embora muito incrédula ainda, e fitou Itachi.

— O-o que é isso?

Ele deu de ombros.

— Apenas entediado de comer enfurnado lá dentro, já estive enfurnado o bastante num avião por oito horas. Com fome?

Sakura assentiu, muito mais empolgada que com fome, e correu para a mesa.

— Eu adorei o lugar! – Declarou, sentando-se e achando maravilhosa a sensação de comer assim, a visão e a companhia faziam todo e qualquer sentimento de opressão em relação ao ambiente aberto, praticamente sumirem de sua mente.

— Espero que goste de comer embaixo de chuva também – Izuna resmungou, arrancando o terno e a gravata que sacudiam.

Ela riu pondo o livro de lado.

Itachi sentou entre Shisui e Izuna e inspirou, apenas empurrando o longo rabo de cavalo, para longe dos olhos e focando no prato.

— Bom, pelo a menos a comida não deve sair voando – Shisui comentou, dando de ombros e dando um peteleco numa pétala de flor que caíra na borda de sua taça, a pétala foi parar no rosto de Izuna e ele bufou jogando-a fora. Sakura gargalhou o observando, e quando ele a encarou feio, ela fechou os lábios e desviou os olhos.

O rapaz bufou, e desdobrou o guardanapo que voou de seu colo, mal o pusera. Shisui e Itachi observaram o pano ser levado até cair na água do chafariz. E Sakura pôs as mãos contra os lábios, forçando ao máximo a engolir as risadas, sentindo os olhos arderem.

Izuna respirou profundamente, e então, pegou outro guardanapo.

— Você não estava com fome, gazela?

— Izuna! – Ela resmungou, voltando-se para o prato com as bochechas infladas, mas que não conseguiu manter por muito tempo.

Era um dia maravilhoso demais para não poder sorrir.

Era quando sentia-se mais próxima da certeza, que estava no lugar certo.

Notas finais
Só eu to sentindo cheirinho de moreno totoso? (e não me refiro a todos os machos delicias que moram com a Sakura :v) Casa e jardim dos Uchiha (quando tá bem cuidado :v) > http://i.imgur.com/tp18tJT.jpg Quarto da Sakura (diferente do que ela tinha antes nem?hushausa) > blob:http://imgur.com/4335427f-8778-4eec-afe6-d3379823c3b1 Demais novidades sigam a page > https://www.facebook.com/KinesterFanfictions/ E mais uma vez ressaltando pra quem chegar aqui mais todo perdido, é necessário ler o primeiro volume de Vingador pra poder manjar das coisas aqui huashaushauhuahu Ja ne!