Vingador Vol. II

3 2. Homem serpente, Garota hamster e Garota In Flore


Notas iniciais
Yuhuuu, mamis voltou ♥

Sakura se olhou no espelho mais uma vez, mexeu nos cabelos, alisando-os entre os dedos, mas logo desistindo, eles pareciam que quanto mais tentasse domar, mais rebeldes ficavam.

E ainda havia aquela mecha mais curta entre as longas, quase no topo de sua cabeça que só atrapalhava mais. E bem também havia aquela cicatriz marcando um lado de sua tez. Não a incomodava, realmente, era apenas um pouco desconfortável quando encaravam muito.

Ela inspirou e ajeitou o vestido vermelho tentando desamassar as dobras, e o cinto, olhou as pernas ainda incerta sobre as meias semitransparentes escuras e com bolinhas pretas, mas este era um daqueles dias meio quentes meio frios, abafados. Ela não conseguiria vestir nada mais fechado ou mais aberto.

Às vezes era desconfortável estar de vestido, mas quando descobriu que era apenas quando estava perto de estranhos, Sakura tentou refrear isso sozinha.

Era uma Uchiha, ou quase, mas já carregava a responsabilidade de parecer sempre impecável.

Queria também parecer inatingível, mas já havia se conformado que esta parecia uma característica exclusiva de quem tinha o sangue, o não somente o nome da família.

Sakura inevitavelmente encarou o anel em seu dedo, e lembrou que, um dia ela teria uma criança que seria um Uchiha.

A circunstância não era assustadora por não apreciar a família, era assustadora porque não fazia ideia de quem era a pessoa que faria isso com ela.

— Está pronta? – Ela se virou espantada, já havia se acostumado com a sutileza do resto das pessoas da casa, mas desta vez estivera realmente distraída e Shisui percebeu.

— E-estou, gomennasai.

Ele a observou primeiramente, e encarou seu anel, ela se sentiu repentinamente boba e intimidada por ter sido pega olhando a peça.

— Nervosa? – Ele indagou, calmamente.

Sakura poderia dizer que sim, mas não era como se fosse adiantar, ela aceitou aquele anel em seu dedo já fazia quase um ano e meio, era um pouco tarde para recuar, não?

Não sabia se esperava que sim, ou não, sinceramente.

— Não, estou bem.

— Claro, o carro a está esperando, Utakata vai estar lá e vai traze-la de volta, então, aprecie o programa.

Alguém da idade dele apenas diria “Hey, divirta-se” mas ela já estava acostumada com a polidez eles.

Acenou com a cabeça, pegou a bolsa pequena e também vermelha e seguiu para a sala, Veena não estava em casa, por isso ela foi até o mais velho e primeiro na linha de liderança da família.

— Estou indo, Itachi-san— Anunciou, beijando sua mão direita, enquanto com a outra ele segurava um tablet e via algum gráfico econômico, e então se afastando, Sakura acenou ao restante dos homens na sala — Até mais, pessoal.

Ninguém respondeu com mais que um aceno, mas isso não era incômodo, eles eram pessoas que mais observavam que se moviam e se o faziam era de forma sempre ágil e sutil, por isso, um aceno da cabeça era até uma conquista, considerando que mostrava que estavam realmente atentos a sua saída.

Sakura desceu os degraus saltitando, e entrou no Rolls Royce preto, o motorista fechou a porta com um aceno polido e mecânico, e então ela estava indo ao Museu Tate Modern.

֍

Um dia, ela fora uma linda princesa de um castelo cor de rosa, hoje orgulhava-se de ter conseguido deixar essa fase para trás.

Beca Stanford caminhou majestosamente pelo aeroporto de Dublin, e quem sabe assim convenceria a si mesma que não estava remoendo um pé na bunda.

Um mês que o caso mais tórrido e empolgante que já tivera na vida, simplesmente, sumiu da face da terra.

Ela deveria ter levado à sério quando ele, Aiden Ferrari, disse que ela não precisava mais voltar, mas havia se convencido de que ele não a trataria como uma prostituta de esquina.

Ledo engano, assim como veio, ele se foi.

Ela só sabia seu nome, e o que dizia fazer, um arquiteto misterioso e quente, que a aqueceu nas noites frias da Suíça, ou pelo menos na metade delas.

Mas o que ela poderia fazer afinal? O sujeitinho tinha evaporado, e estranhamente, quando buscou notícias dele, simplesmente não havia nada.

Nenhum Aiden arquiteto, o cartão de contato dele dava em um número mudo, e o endereço quando jogado no Google, em uma loja de roupas de bebê em Atlanta, de onde ele dizia-se ser.

O que claramente denotava duas coisas, ou o cara tinha terror de ser seguido por uma ficante obcecada, ou, era um tipo de golpista.

Mas a segunda opção não fazia sentido, ele nunca roubou nada dela, e nada foi surrupiado do Hotel em que estavam, Beca passou duas semanas vigiando as notícias pra localizar alguma sobre um golpe o roubo, mas se Aiden era mesmo esse tipo, ele soube esconder bem, ou quem ele ia roubar ou passar trás, não queria que soubessem disso.

Ela sabia que, mesmo que ele tivesse sido um amante incrível, não teria ficado tão irritada mais. No entanto esse mistério todo que cercava-o, deixava-a sem dormir, e ainda mais consciente do quanto ele era bom.

E agora ela tinha que voltar ao serviço, mudar de local de trabalho, e se conformar que Aiden seria apenas um mistério não solucionado, quem sabe servisse ao menos para ensinar as suas filhas e netas que não se deve apaixonar por tipos como aquele.

Eles não serviam pra isso.

Beca caminhou rumo ao balcão de informação, sua vida agora direcionava-se para saguão de embarque, sua próxima parada agora era Londres, ela era uma supervisora de uma grande rede de hotéis, e iria para uma das filiais chutar as bunda dos incompetentes de lá.

Ela parou por um momento para verificar a passagem até que algumas pessoas passaram por ela e desviou, antes de seguir em frente, sentiu uma trombada pelas costas e quase caiu para o lado. Foi segura e olhou para cima vendo ninguém mais que Aiden, ele soltou seu ombro tão rápido quanto segurou, e seguiu olhando pra frente, muito focado em seu caminho.

Ele usava um sobretudo de cor caqui e textura de camurça, e ela teve bastante sorte de reconhece-lo de cara, talvez por que estivesse pensando nele.

Agora ele usava uma barba mais espessa e cheia, não algo por fazer como antes, seu cabelo estava bem mais alongado em vez de cortado baixo.

Puxava uma mala apenas e parecia usar um terno por baixo do sobretudo, ela nunca o vira de terno. Estava sempre de jeans e camiseta conseguindo ser muito mais elegante que qualquer mauricinho de gravata.

Beca estava tão chocada que só o seguiu, automaticamente, parou a poucos metros da fila onde ele entrara e ficou ainda mais chocada em vê-lo sorrir de forma tão amigável na direção da garotinha no colo da mulher a sua frente.

Ela se aproximou o vendo olhar o passaporte pouco antes de chegar sua vez, respirou fundo, e foi até ele, puxou o objeto e o encarou.

— Mas olha quem temos aqui! – Sorriu, ele sorriu de volta, mas não foi um sorriso de reconhecimento, parecia automático e como se acabasse de vê-la. Além de um outro chute em seu ego, isso foi meio assustador.

Ela voltou os olhos para o passaporte aberto e leu.

— Não acredito que estamos no revendo de novo... Damon...? Kon-...stan-...tinidis?

Beca voltou a vista para ele o viu puxar o passaporte de volta e andar na fila.

— Parece que não estamos nos revendo... – Ela balbuciou, e ele a puxou pelo braço, Beca sentiu a garganta arder em imaginar o que ele poderia fazer e ficou calada enquanto ele mexia em sua bolsa e tirava sua passagem.

Aiden, ou seja lá quem fosse, olhou a passagem e finalmente a encarou.

— Olha só, que legal, bela desconhecida, nós estamos indo para o mesmo lugar, não é interessante? Vou até ver se dá pra trocarmos as poltronas.

Ele mesmo entregou as passagens e a puxou rumo a fila de embarque. Beca sabia que poderia gritar a qualquer momento, mas sentia que seria a coisa mais burra que faria.

Os dois embarcaram e ele realmente conseguiu as poltronas para os dois.

O voo prosseguiu em silêncio, ela estava congelada em seu acento enquanto ele lia algo em um tablet, ouvia música e retribuía as cantadas baratas das comissárias de bordo.

Beca não sabia, realmente, para onde estava indo mesmo o avião seguindo direto para Londres.

Quando eles desembarcaram, havia um mustang preto parado esperando, ele entrou depois de jogar suas malas sem lá muita educação dentro e ela entrou respirando fundo e o fitando com cinismo.

— Então, parece que teremos uma temporada longa, hein? Aiden, ou Damon?

Ele ligou o carro e a encarou, havia cinismo em seus olhos negros, mas ela finalmente viu que ele não a machucaria, poderia tê-la arrastado pra qualquer outro lugar afinal.

Agora em terra britânica, sua empresa já sabia que ela tinha vindo e com certeza daria sua falta e chamaria as autoridades, o aeroporto tinha câmeras, ele seria identificado facilmente.

Ele por fim, riu de maneira amarga até, e deu partida.

— Você vai se arrepender de ter se metido nessa.

Beca engoliu qualquer resposta afiada e se preocupou em refletir suas palavras.

Ela poderia não ser ferida ou morta por esse estranho tipo de golpista, mas talvez aquilo no que ele estava trabalhando a matasse.

Ou talvez apenas estar do lado dele, e sendo quem ele parecia ser, e agindo como parecia agir em relação a ela, isso sim fosse faze-la se arrepender.

— Eu tô perdendo o jeito mesmo – Foi o que ele pareceu ter resmungado.

֍

— Ah, ela chegou.

— Finalmente.

Sakura acenou um pouco encabulada, e seguiu até a duas jovens com quem estudava, colegas, e hum, talvez amigas?

Ela não sabia bem como se definia uma amizade, as três estudavam literatura, eram do mesmo círculo social, mesma idade e geralmente iam aos mesmos lugares, ou quase, Sakura não tinha exatamente a mesma liberdade de frequentar os mesmos ambientes que elas, que iam desde a festas em boates a fins de semana no litoral ou fora do país.

As famílias delas eram rígidas como a de Sakura, mas Louise e Robin sabiam contornar isso muito bem.

Louise era loira, magra e alta, como uma modelo, até fazia trabalhos assim, herdeira de uma rede de restaurantes de alto padrão e culinária refinada, mas como era a terceira filha, não tinha obrigação de seguir o negócio que já era basicamente dos irmãos, um era chefe e o outro, administrador. Era gentil, e bem humorada, e amava literatura.

Robin, era quase da altura de Sakura, cabelos castanhos e curtos, roupas de grife que qualquer um detectava de longe e um humor bastante ácido, além de um estranho senso de radar para homens atraentes e endinheirados. Ela não parecia “combinar” com o curso, mas não era como se precisasse de um emprego, era herdeira de um banqueiro, trabalho nunca esteve em sua lista ou vocabulário.

— Perdão, foi o trânsito, perto daqui está bem caótico.

— Claro, oh, seu robô tutor não veio? – Robin indagou, olhando em volta.

— Utakata-san já está aí, pelo o que eu soube...

— Ótimo, quem sabe eu consiga algo desta vez.

— Oh.

Louise revirou os olhos e puxou Sakura pelo braço, as três dirigiram-se para a entrada do grandioso Tate.

— Esqueça essa louca e as investidas fracas dela, o Uta—sei-lá-quê nunca que vai dar bola pra essa pirralha, né Sakura? – A loira cantarolou, Robin bufou.

— Erm, eu não sei, eu nem posso imaginar que tipo de garota ele pode gostar...

— Sinceramente, começa a ficar difícil sequer imaginar se ele gosta de garotas...

— Oh?!

— Para de jogar azar, ô garota. – Robin resmungou. — Espero encontrar algum pintor gato, rico e quente, quem sabe eu deixe finalmente alguém fazer um nu artístico meu.

— Que horror!

— Engraçadinha.

֍

Ele estava no banho, Beca se aproximou da cama, e abriu a mala, tateou algumas roupas, ainda muito temerosa de revirar tudo, só precisava encontrar alguma pista.

Além de camisas bem passadas e calças havia uma pequena bolsa retangular, abriu o zíper e encontrou um grosso maço de notas de dinheiro.

Guardou tudo no lugar, e foi até a bolsa perto da cabeceira, abriu-a e encontrou além do novo passaporte, uma pequena agenda, abriu-a e sentiu algo escorregar para fora, mas na pressa, pegou e encarou a agenda, não haviam nomes, haviam números de telefone e endereços, depois de estranhos códigos.

E mais adiante haviam apenas o que pareciam ser apelidos.

“Corvo em Kiev” e se seguia um número, “— 15”.

“Garça em Montenegro — 18”

“Harpia e Kofoku em Porto Rico — 18”

“Izanami em Bruxelas — 14”

“Giseng em Bali” – 15”

“Gruta em Nova York – 4”

“Angeline em Madrid – 2”

Beca virou a página, havia mais nomes, de animais, e outros títulos estranhos, em outras línguas até, todos estavam seguidos número, mas frequentes eram “15”, “14” ou “18”.

Ela não sabia o que achar sobre isso, ou se queria saber.

Mas a última linha a deixou atordoada.

“Miele em Adelboden – 14”

Seguiu rapidamente até as últimas páginas escritas e só encontrou, na última um nome circulado no centro da folha.

“Hamster em Londres – 15-6. ”

— Hamster? – Proferiu, com incredulidade. A foto em sua mão foi puxada e ela saltou para o lado, gritando e sentindo-se tremer por inteira.

Aiden a fitou com a sobrancelha arqueada como se achasse estranha sua reação.

— Vai enfartar ou quê? – Ironizou, dando as costas e retornando até o criado, pareceu olhar a foto por alguns momentos e a enfiou dentro da gaveta do criado.

Seguiu até a mala e abriu, tirando algumas roupas.

— Vai olhar isso o dia todo e nunca vai entender – Desdenhou, ela sentiu os ombros relaxarem um pouco mais, parecia que ele não a mataria, sem graça, enfiou a agenda de volta na bolsa.

— Eu percebi... Ou você gosta de animais, ou tem uns amigos muito estranhos...

Ele tampouco respondeu, ela sabia que ele não estava interessado em nada que ela pudesse imaginar, por isso saiu do quarto logo, estavam no hotel que ela deveria trabalhar, e ela teria que trabalhar logo, quem sabe pudesse esquecer por um momento, que havia se metido numa encrenca pra lá de estranha.

Quando ela saiu, o telefone dele tocou, pegou-o e enxugando o cabelo encarou a mensagem.

“Hamsters gostam de arte moderna”

Ele soltou o aparelho que quicou sobre a cama e riu.

— Arte moderna? Porque não só dão um livro de desenhos pra ela?

Mas não se importaria, até que era bom.

Porque o Hamster estava fora da gaiolinha agora mesmo.

Uma ótima refeição para uma serpente esfomeada.

֍

Beca o encarou desconfiada enquanto saía de seu mustang preto.

Aiden saiu do veículo e se direcionou para o museu com toda aquela pompa de como se fosse dono do lugar.

— O que você quer num museu?

— Te dizer para quê? É mais divertido te ver tentando descobrir – Ele ironizou.

Ela bufou se arrependendo de tê-lo seguido, deveria era estar trabalhando, mas aproveitou as horas que tinha de folga para tentar encher o saco dele.

Mas pelo visto, quem seria a perturbada seria ela.

Os dois adentraram o ambiente, ele não fazia muita questão de espera-la ou de estar próximo, isso alfinetou seu ego, mais uma vez.

— Damon! — Uma bonita morena exclamou, vindo ao encontro dele, Beca cruzou os braços e o viu sorrir de maneira quase tão alegre quanto a mulher.

— Lavínia! – Respondeu, abraçando-a — Perdão pela demora, querida, estava me organizando no Hotel.

— Eu entendo, apesar que disse claramente que poderíamos cuidar disso pra você.

— Ah, você sabe, gosto de fazer as coisas com minhas próprias mãos – ele disse, cheio de charme, que fez os olhos castanhos da mulher brilharem.

Beca tossiu falsamente, e os dois voltaram-se para ela.

— Oh, namorada?

— Nem pensar – Beca cuspiu, porque estava irritada, agora se arrependia.

— Uma conhecida, nos conhecemos no avião.

— Ah, entendo, agora vamos? Sua exposição está pronta!

— Ótimo!

Aiden seguiu com a morena, braços dados e tagarelando com ela. Beca seguiu atrás entediada com as jogadas de charme da mulher, e embasbacada com a capacidade dele de ser tão falso.

Ou estava sendo falso com Lavínia, ou fora falso com Beca. Ou era falso com todos, bem, ele era apenas falso.

Tanto que assustava.

Seguindo-os, Beca foi levada a uma ala do museu cheia de quadros realistas, que mais pareciam fotografias, pessoas elegantes com taças de champanhe apreciavam as obras, e davam seus pitacos sobre a visão do artista.

Ela caminhou até uma escultura de argila bem clara, tinha cerca de cinquenta centímetros e retratava uma mulher ou uma garota sentada no chão, as penas flexionadas, um braço apoiado no solo, os longos cabelos jogados para frente, tocando o chão, o braço livre apoiado no ombro, tocando a nuca, e seu olhar vinha por cima do braço, e parecia penetrante.

Os detalhes eram incríveis, embora nua, sua privacidade estava conservada pela posição.

— Este é o meu preferido! – Ela ouviu Lavínia exclamar, mandando um olhar extasiado para um quadro, Beca se endireitou, e observou a tela que ela apontava, era grande, e retratava uma cama, num cenário preto, mas salpicado de pontinhos que faziam parecer que a cama flutuava no espaço.

No centro dela, havia uma menina sentada e abraçada as próprias pernas, seu vestido era branco, e tão luminoso que não dava para ver sua feição direito, apenas mechas claras e longas e membros de constituição delicada.

Era definitivamente como uma foto e ela não acreditava que pudesse ter sido realmente pintado.

— Ah, “A jaula do Universo” – Aiden disse, encarando a tela com satisfação — É uma das minhas favoritas também.

— É tão bonita, tão cheia de... nossa.

— Hn.

— Uma pena ela não encarar, sua modelo é muito tímida – Ela cutucou, bem-humorada.

— Até demais, ela está sempre com medo.

— Você bem que comentou isso... Por quê? Aliás, porque chama de Jaula?

Ele deu de ombros, os braços cruzados, encarando a tela fixamente, parecendo viajar para dentro dela.

— Ela tem o universo ao seu redor... tudo gira em torno dela, tudo se resume nela... Mas ela tem medo demais do que está além da cama, então ela prefere ficar lá, mesmo que sozinha...

Beca se aproximou o encarando desconfiada enquanto a mulher tinha os olhos brilhando de fascínio.

— Espera... Você fez isso? – Indagou.

Ele deu de ombros, voltando ao seu jeito convencido.

— Incrível, não é? – Gabou-se e outra mulher riu.

— Tudo aqui é de Damon, querida, as esculturas e os quadros. – Lavínia declarou, Beca olhou em volta, descrente.

— Não brinca...

— Damon é um pintor hiper-realista, ele também trabalha com esculturas mas como vê, pintura a óleo é o forte dele.

— Eu gosto de mexer com argila, só não de me sujar – Ele disse, e se dirigiu até a pequena escultura que Beca havia admirado ainda a pouco. — Eu adoro ela, é a minha favorita.

— É da exposição “ Garota In Flore” certo? – Lavínia — Foi com elas que você começou, ela é realmente uma graça, seu olhar é tão real...

Ele se curvou encarando a peça e assentiu, com um olhar um pouco pesado.

— É a minha mulher... Nua, crua... E Indefesa.

— O coffeebreak já vai ser servido, que tal? – A mulher chamou e ele se ergueu, concordando todo simpático.

— Vamos lá.

Beca os acompanhou ainda observando cada quadro, sua maioria ou era cenas fantasiosas com uma modelo sem rosto ou apenas paisagens que pareciam fotografias.

Seguiram para uma sala com comida onde havia, em sua maioria, móveis conceituais e pessoas transitando entre esculturas enormes e quadros de outros artistas.

Aiden pegou uma bala e começou a passear entre as pessoas, sendo cumprimentado e apresentado a elas.

Beca cumprimentou algumas, e tentou manter o olhar nele, mas foi como se, em segundos, ele sumisse entre as pessoas.

֍

Sakura encarou, encarou, e encarou.

Ela decidiu que não tinha qualquer tato para entender a arte moderna.

Aquilo só lhe parecia um monte de massa retorcida...

Suspirou e deu a volta, seguindo para outra obra.

— Eu não to entendendo nada, vamos noutro lugar? – Robin reclamou, e puxou ela e Louise dali.

— Drogaaa, eu estava achando aquilo tão bonito – A loira reclamou, Robin revirou os olhos e Sakura preferiu ficar calada.

Elas seguiram para outras alas do museu. Robin logo se encantou e as trocou por um rapaz muito bonito que tirava fotos perto de uma escultura. Louise e Sakura chegaram onde haviam mais quadros.

— Hey, o que é aquilo? – Ela disse, vendo uma espécie de cama grande, redonda e fofa num dos cantos da sala, acima havia uma armação com um espelho, e as pessoas deitavam, conversavam, ou apenas tiravam fotos.

As duas seguiram para lá e se deitaram, apenas as pernas do joelho em diante, ficando de fora, Sakura encarou o espelho e Louise riu.

— Isso é algo para uma autorreflexão?

— Talvez sim?

Robin logo reapareceu e deitou em outra extremidade, as cabeças das três apenas topando.

— Pra quê isso?

— Ainda estamos tentando descobrir...

— Me sinto num motel com essa coisa aqui em cima, e cara, se eu quisesse ser vista deste ângulo, eu iria para lá, ué.

— Credo! – Louise reclamou, se levantando, Sakura riu, um pouco constrangida e Robin seguiu a loira apenas para atazana-la.

— O que? A dona santa nunca foi ao motel? Oh, perdãoooo.

— Não me enche!

Quando as duas saíram, Sakura suspirou e voltou a se encarar, o espelho era o único lugar em que parecia capaz de se enxergar, por dentro e por fora.

Porque por dentro só havia um reflexo do que podia ser por fora. Por dentro só havia branco, um espaço vazio.

֍

Ele caminhou e caminhou, sorrindo tanto que seu queixo já doía, os olhos perscrutando todo o ambiente e rostos.

— Ela vai ficar lá, pra sempre? – Disse uma garota de cabelos escuros e maquiagem um pouco forte.

— Ah, deixe-a... – Pediu, uma bonita loira de vestido floral — E você não ia atrás de seu pintor?

— Humpf.

As duas foram se afastando entre as pessoas, desviando com suas taças de bebida.

— Ela vai dormir lá, estou dizendo, que mico!

— Hahaha, sabe como a Sakura é...

Ele girou sobre os calcanhares, enquanto a bala passeava por sua língua, seguiu as cabeças das duas garotas, até quase alcança-las, elas pararam encarando um ponto, mais adiante, balançaram as cabeças de forma negativa e seguiram em frente.

Olhou na direção, no canto do salão, havia apenas uma cama redonda, com uma armação, um teto com espelhos.

Ele a viu.

Ela vestia vermelho, seus fios estavam espalhados pelo entorno de seu corpo miúdo.

A balinha parou de dançar em sua boca, mas foi por pouco tempo, tudo nele se moveu.

Tudo em direção ao ela.

Ao centro de tudo.

Seu centro.

Notas finais
IIIIIIIH, será que chegou o grande momento?! HUASHAUSHAUSA Eu tinha escrito até além dessa parte, mas acabei cortando e jogando pro próximo cap, sorry pela filhadaputagem. E quanto aos códigos que a Beca descobriu? Fazem algum sentido? Confesso que bati cabeça bolando essa, mas no fim, pelo menos pra mim nem vai ser tão incrivel quando descobrirem como funciona, maaas, acho q tá valendo se for pra vcs se roerem um pouco kkkkkkk Atéee Demais novidades, sigam a page > https://www.facebook.com/Kinester-Fanfictions-811027559003374/