Villain

22 Capitulo 21 – Fotos na parede


Notas iniciais
Bem gente, aqui estamos, afinal. Este é o meu presente de Natal atrasado pra vocês: Os dois últimos capítulos+epílogo+agradecimentos+E agora? Bem, como estamos na fase final, preparei algumas playlists pra cada capitulo. É bem simples. Cada Playlist tem de entre 4 e 5 músicas que eu achei apropriadas para cada capitulo. Eu sugiro que escutem se quiserem sentir a magia que eu senti quando escrevi, então. Boa leitura.

LEIAM AS NOTAS INICIAIS!

http://www.youtube.com/watch?v=ECewrAld3zw

http://www.youtube.com/watch?v=DzD12qo1knM

http://www.youtube.com/watch?v=00rXC_8GeH4

http://www.youtube.com/watch?v=YOzT-_KnSuY

És um senhor tão bonito

Quanto a cara do meu filho

Tempo, tempo, tempo

Lílian moveu-se rapidamente para o banheiro. Molly continuava ali, as mãos apertadas firmemente as de Hermione; todas as luzes da casa estavam acesas, vez ou outra piscando. Sirius Black e Remo Lupin estavam lá também, mas se colocaram no andar de baixo e não havia quem os tirasse de lá.

– Puxe o ar, Hermione. – Aconselhou Molly Weasley.

– Eu não consigo, Molly! – Afirmou fungando. O rosto estava vermelho e repleto de lágrimas.

– Eu consegui sete vezes, Hermione Johnson. Definitivamente você consegue também! – Exigiu.

– Dói!

– É claro que dói! Estranho seria se não doesse! – Lílian Potter respondeu dessa vez colocando um pequeno pano molhado sobre sua testa. – Se lembre de respirar, Hermione. Vamos lá. – Fechou os olhos com força puxando o ar para os pulmões. – Isso. Puxa pelo nariz, solta pela boca. – Orientou. Ela o fez, com dificuldade. – Puxa pelo nariz, solta pela boca. – Lílian se posicionou entre as pernas da mais nova. – Agora empurra. – Hermione prendeu o ar, empurrando com força; as contrações a estavam matando desde manhã quando acordara. – Empurre! – Ordenou Lílian novamente. Ela o fez mordendo o lábio inferior. O gosto de sangue invadindo seus lábios. – Agora respire. Do jeito que te falei. Puxe o ar pelo nariz, solte pela boca. – Indicou. Hermione o fez, aliviada. O ar invadindo seus pulmões espalhando-se pelo corpo inteiro. Era uma onda de energia, tudo o que precisava para voltar a empurrar. E o fez. – Estamos quase lá, ok?! Empurre. – Garantiu Lílian. – De novo. – E Hermione o fez. O grito alto rasgando-a a garganta. Nem sequer sabia que tinha tanta voz. – Agora respira. – Hermione apertou os lábios; o gosto salgado das lágrimas e suor misturando-se ao gosto de sangue em sua boca. – Respire, Mione. – Pediu. Ela o fez, mas não parecia ter energia novamente. – Vamos lá, Mione, estamos quase, ok?! Eu juro dessa vez, mais uma vez e vamos tê-lo aqui! – Garantiu.

– Eu não consigo.

– É claro que consegue, Hermione! Pense em pegá-lo! – Incentivou. – Em tê-lo em seus braços, huh?! Não quer pegá-lo? Seu filho? – Ela assente. – Então empurre. – Pediu. Hermione puxou o ar com força para em seguida gastá-lo com mais um grito que rasgara sua garganta com a força. – De novo. – Outra vez. – De novo. – Outra vez. – Mais uma vez, Mione. – Outra vez e fechou os olhos, puxando o ar. O grito agudo invadiu o ambiente e não existia mais nada. Nada nunca existiria se comparado àquilo. – E conseguimos. – Lílian sussurrou. A criança em seu colo enrolada em panos que já foram brancos, mas agora tinham a coloração vermelha. – Ele tem um pulmão inacreditável. – Murmura se colocando ao lado de Molly.

– E é tão... Corado! – Molly diz, maravilhada.

– Lily... – Hermione está com as mãos esticadas para a criança em seu colo.

– É claro que você o quer, não é?! – Murmura o entregando. Não há mais som algum senão o choro agudo da criança; a boca banguela a mostra enquanto grita em plenos pulmões. Hermione morde o lábio inferior novamente e suspira. Leva-o ao seio e o silêncio domina o lugar. Nada precisa ser dito. Nem por ela, nem por ninguém. Agora ao redor de Hermione existe uma bolha que a protege e isola de todo mundo. Só há ela e o bebê. Seu bebê.

Os petiscos sobre a mesa foram magicamente coloridos, porém cozinhados pelas mãos mágicas (e reais!) de Molly Weasley. Ela os trouxera de casa para ajudar Hermione. Fred e George Weasley estavam, por surpresa, em silêncio na sala disputando cartas com Harry e Ronald. Percy e Carlinhos estavam sentados no jardim com os mais velhos: Arthur, Remo, Sirius e James. Lílian, estava, para variar, com o bebê. Sempre que podia, estava grudada a ele com a cara mais fofa do mundo. Molly às vezes passava a chance. Talvez já tivesse visto bebês demais para uma vida inteira. Hermione certificou-se de que os quartos e o porão estavam trancados. Sabia que os Potter tinham lá seu contato com ele, a última coisa que queriam era perguntas de por que ela e Tom Riddle tinham fotos juntos; ou de porque haviam memórias e uma penseira em seu porão.

– Rapazes, querem alguma coisa? Cerveja amanteigada? – Hermione perguntou se colocando do lado de fora.

– Cerveja amanteigada, por favor. – James diz.

– Duas. – Sirius completa. Hermione assente caminhando para o lado de dentro da casa puxando dois copos sem muito animo.

– Parabéns, Sra. Johnson. – Hermione sorri encarando o homem mais alto que ela ao seu lado.

– Hermione, Sirius... Me sinto uma velha quando fala assim. Ainda dou um caldo. – Brinca rindo em seguida. – E obrigada. Já o viu? Ele é tão lindo! – Diz maravilhada.

–É, ele é. – Concorda. – Vim te ajudar. – Explicou-se.

– Não precisa. Posso levar dois copos pro lado de fora.

– Não comigo aqui. – Ele diz pegando os dois copos.

– Obrigada, Sirius. – Ele concorda caminhando em direção a saída.

– E só pra constar. – Ele diz antes de sair atraindo a atenção da mulher apoiada sobre a bancada. – Você dá um jantar inteiro. – Completa saindo em seguida. Hermione sente as bochechas queimarem. Podia apostar que estava parecendo um pimentão agora.

– Hm... – Hermione encara Molly Weasley encostada à parede do outro lado da cozinha. – Sirius Black, huh?!

– Molly! Você estava ai, hm, o tempo todo?

– Claro que sim. Você que não reparou. Estava muito ocupada admirando Sirius-incrivelmente-sexy-Black. – Hermione ri revirando os olhos.

– Não estava não. – Hermione defendeu-se.

– Tudo bem, Hermione-um-jantar-inteiro-Johnson! – Molly riu. – Ah, por favor! – Ela se aproxima sorrindo. – Todas nós sabemos que Sirius Black é um homem muito, mas muito lindo mesmo!

– Eu não acho!

– É claro que acha! – Acusa rindo em seguida. – Admita que acha Sirius gostoso e te poupo de Lílian. – Hermione abre e fecha a boca seguidas vezes.

– Isso é chantagem.

– Sim, é! Agora admita!

– Tudo bem, Sirius é... Charmoso!

– Lílian! – Molly chama desaparecendo da cozinha. – Lílian, venha até aqui ouvir o que Hermione Johnson disse sobre seu velho amigo! – Hermione bufou. Como ainda podia cair nos truques de Molly?! Sentou-se sobre a bancada suspirando.

Todos estavam ali, mas não era o suficiente. Tudo bem, ela e Lílian tinham se tornado boas amigas; Sirius Black – que vamos todas admitir, não é um homem que se jogue fora – estava claramente a paquerando; Molly a ajudava no que precisava; Arthur conseguira um emprego para ela no Departamento de Feitiços; os meninos Potter – e os Weasley – a adoravam, mas não era o suficiente. Não seria o suficiente enquanto Abraxas continuasse desaparecendo durante um mês inteiro sem dar notícias. Não enquanto Abraxas continuar sendo um Comensal, sua mente a corrigiu.

– Sirius. – Ele se virou passando a mão pelo cabelo na altura dos ombros e sorriu. Hermione sorriu em retorno sentindo as bochechas arderem. – Quero te fazer uma pergunta.

– Claro, Hermione. Pode mandar. – Ele disse sem deixar de sorrir.

– Tem notícias de Abraxas? – Perguntou de uma vez sem parar de mover a criança em seus braços. Sirius a encarou por longos minutos surpreso. – Por favor, Sirius. Somos amigos há muito tempo. Estou preocupada. – Ele suspirou.

– Sabe que não me meto muito nas coisas do meu pai, não é?! – Ela assente. Sirius ergue uma mão passando-a delicadamente pelo rosto da criança no colo de Mione. – Está em Azkaban. – Hermione prende o ar. – Ele não foi preso. – Completa. – Foi tirar algumas pessoas de lá. Alguns comensais.

– E isso vai dar certo?

– Leva tempo, ok?! – Explicou. – Ele passou esse ultimo mês lá dentro. Azkaban é enorme. E tem tudo em rúnico e... Bem, não é uma tarefa fácil tirar alguém de lá. Com todos aqueles dementadores e tudo mais.

– E... Quando ele volta? Você sabe?

– Bella disse que ele volta hoje. Mas talvez ele leve mais tempo para vir vê-la. As coisas estão um pouco pesadas com meu Pai. Ele surtou nas ultimas semanas. Principalmente com Abbie. Revirou a Malfoy Manor procurando alguma coisa que nem ele sabe o que é. – Confessou. – As coisas estão um pouco estranhas, mas não se preocupe, ok?! O Abbie, ele sabe se defender. – Ela assente.

– Obrigada, Sirius.

– Por nada, Mione. Se precisar... – Ela assente voltando a caminhar em direção à casa.

Os cachos caíam loucamente em frente ao seu rosto pálido. Bellatrix Lestrange nunca esteve mais linda; as vestes negras caindo lentamente pelo corpo muito bem esculpido. Todos ao redor não pareciam querer encará-la. Bella vestia seu habitual sorriso sádico.

– Você, Bellatrix Lestrange, responde pelo assassinato de Abraxas Malfoy? – Bartô Crouch jogou.

– Respondo! E se respondo! – E sorriu. Sirius se manteve em silêncio pelos longos minutos que se seguira enquanto Bartô Crouch fazia as “honras”. Um favor, ele estava fazendo um favor a Bella mandando-a para Azkaban. Quantas pessoas tentariam matá-la por esse ato? James, com certeza; Lucius e Cissa, definitivamente; Mione, sem nem pensar duas vezes. Ele próprio tentaria.

Levantou-se caminhando em direção a saída. Devia aproveitar enquanto não tentavam matá-lo por ser filho dele, apesar das defesas de Dumbledore. As vezes as pessoas pensavam que ele era igual ao pai e não as culpava. Era um tanto quanto mau encarado, às vezes. Caminhou sem ânimo algum à zona de aparatação e o fez sem pensar duas vezes. Em um segundo estava parado em frente à casa dela. Provavelmente ela já sabia, mas ele mesmo queria falar. Ele queria ser honesto. Fora ele quem prometera que Abraxas voltaria a salvo.

Ele bateu na porta levemente e a observou abrir. Os olhos vermelhos, inchados; o rosto avermelhado, o cabelo num coque desarrumado sobre a cabeça. Uma folha de jornal em mãos.

O PROFETA DIÁRIO

PROFESSOR DE HOGWARTS É MORTO POR COMENSAL DA MORTE EM BECO DIAGONAL

Já tinha lido essa matéria. Mais de uma vez.

O professor Abraxas Malfoy foi morto pela Comensal Bellatrix Lestrange durante um ataque ao Beco Diagonal. Malfoy estava ajudando trouxas a se esconderem quando foi morto. Bellatrix Lestrange foi presa e condenada pela morte de Malfoy e de mais de quatrocentos bruxos e trouxas somente em Londres e região.

Ela fungou, suspirou profundamente e o abraçou, chorando.

– Eu sinto muito, Hermione. – Sussurrou. Ela assentiu ainda chorando. Estava terrível. Deus, como não estaria. Ela e a Abraxas... Ele não sabia o que os dois tinham, mas era íntimo o suficiente para ela dar o nome dele ao seu filho. Não era qualquer um que a cativava assim, tão fácil. – Eu juro, tentei protegê-lo, mas...

– Eu sei, Sirius. Acredito em você. – Sussurrou. – Entre. – Ofereceu, limpando o rosto. Sirius entrou; Observando atentamente. Lílian estava sentada no sofá e o tinha nos braços, como de hábito.

– Oi, Lily.

– Sirius. – Ela cumprimentou sorrindo.

Sentou-se a mesa em silêncio a encarando. Parecia terrível! Terrivelmente cansada, desanimada, deprimida. Deus! Nem sequer parecia a mesma mulher. As olheiras fundas coloriam o rosto agora pálido e ela, com certeza perdera peso. O cabelo caía seco e sem brilho sobre o rosto igualmente fraco; os lábios secos estavam dobrados numa linha trêmula entre a dor e o pranto. Passou a ponta dos dedos levemente pelas maçãs do rosto e a viu encará-lo; os olhos castanhos repletos de lágrimas.

– Você parece horrível. – Ele diz. Ele força um sorriso.

– Eu estou horrível! Pode dizer... – Ela responde, rindo sem ânimo.

– Como ele pôde permitir? Eram amigos há mais tempo que se lembram! Jesus, como ele pôde permitir que o matassem assim?! – Sussurra.

– Prefiro acreditar que ele está tão terrível quanto nós agora, Sirius.

– Você não o conhece. Ele não se importa com ninguém! – Dito isso, ele soca a mesa encarando os próprios punhos. – Pensei que se importava com Abraxas, mas estava errado. Ele nem ligava. – Um longo estrondo de um relâmpago enche o ambiente, para em seguida uma chuva forte bater contra as janelas.

– Precisa descansar, Sirius. – Ela diz num suspiro pesado. – Só precisa de uma longa e confortável noite de sono. – Ele concorda.

– E você também. – Rebate.

– Eu tenho um filho. Minhas longas e confortáveis noites de sono ficaram para trás.

– Sabe, eu poderia passar essa noite aqui. – Diz a encarando. – Nos revezávamos em niná-lo a noite.

– Não quer voltar para a casa, não é?!

– Definitivamente, não. Antes aqui com você e seu filho do que em um bordel qualquer, bêbado, cercado de prostitutas e acumulando dividas das quais nunca pagarei. – Hermione ri baixinho. – Olha só como sou um cara legal. Até te faço rir! – E sorri minimamente em retorno.

– É! Você é... – Ela concorda. – Vou arrumar a cama do quarto de visitas e ainda preciso fazer o jantar. Pode ficar na sala com ele?

– Ele... Não vai chorar né?! Não sirvo pra isso, Mione.

– Ele está dormindo, Sirius. Não se preocupe. – Tranquiliza se levantando e caminhando em direção à sala. Lílian está jogada sobre o tapete com os olhos fechados e a criança agarrada a suas mãos esticadas. Hermione o pega no colo, aconchegando-o próximo aos seios, delicada. – Está vendo? – Sussurra ao lado de Sirius. Ele encara, em silêncio. – É assim que deve segurá-lo. – Orienta. Ele assente freneticamente quando em seguida ela o coloca em seus braços.

– Não posso deixá-lo levitando?

– Não ouse! – Alerta agora abaixada ao lado de Lílian; as mãos sobre os ombros e cabeça. – Lily. – Chama, delicada. – Lily, é hora de ir pra casa.

– Oi? O quê? Ainda posso ficar com ele mais um pouco se precisar.

– Lily, precisa ir pra sua casa, com o seu marido, passar um tempo com os seus filhos. E de preferência descansar. Tenho abusado muito da sua boa vontade nos últimos tempos.

– Não. Eu posso...

– Tudo bem, Lílian. Nós nos viramos, ok?! – Ela assente, sonolenta.

– Okay. – E levanta-se, caminhando em direção a porta, correndo, em seguida, em direção a própria casa.Hermione respira profundamente se virando para Sirius sorrindo.

– Agora o Jantar. Deve estar com fome. – Ele assente. – Vou deixar algumas coisas no fogo, entende pelo menos um pouco de cozinha, estou certa?! – Ele assente novamente. – Então sabe o que fazer se começar a sentir um cheiro de queimado. – Ele fica em silêncio nos minutos seguintes, a encarando. – Você desliga o fogo, Sirius!

– Ah! Claro!

– Não se preocupe, volto antes que qualquer coisa queime. – Garante com um sorriso mínimo caminhando em direção às escadas.

Hermione passou a ponta dos dedos delicadamente pelo rosto corado sorrindo minimamente para em seguida voltar a comer. Já tinha falado alguma coisa sobre ele ficar a observando, mas, ele tinha, sinceramente, parado de ouvir depois da segunda palavra.

– Você tem mãos boas para a cozinha. – Diz depois de alguns minutos após dar a ultima garfada no prato. – Se importa se eu repetir? – Ela balança a cabeça negativamente sem deixar de encarar o próprio filho. – Sabe, Hermione. Você é incrível! – Ela ergue os olhos até ele sorrindo de canto. – Estou falando sério! – Ele deixa o prato, agora cheio novamente, sobre a mesa e a encara. – Quero dizer, meu Deus, Hermione! Você é uma trouxa no mundo bruxo no meio de uma guerra, sozinha com um filho... Eu não saberia o que fazer!

– Você nunca sabe o que fazer, Sirius. – Ele ri baixinho e dá uma garfada em sua comida.

– Isso é verdade. – Ela ri deixando o prato de lado para dar atenção ao próprio filho. Sirius está sentado mais próximo agora; na verdade, seus pés se encostam com os dela por debaixo da mesa da minúscula cozinha. – Assim como também é verdade o que eu disse sobre você.

– Obrigada, Sirius. – Sussurra. – Você também é... Legal.

– Legal, huh?! Isso já é alguma coisa, né?!

– É! Já é uma evolução. – Sussurra. O silêncio fica no ar nos minutos que se seguem; Hermione está centrada em seu filho e Sirius está centrado nela. Ela mantém a ponta dos dedos nele e pode sentir toda a palma da mão dele em seu rosto. Quente, áspera, forte e delicada. Sirius é a soma de vários opostos, ela pensa e, sem querer, verbaliza. – É, eu sou. – Ele ri a encarando. – Minha mãe era louca, mas, ela o amava tanto! Deus, ela sempre foi louca por ele! Totalmente apaixonada! Um amor incondicional! – Confessa. Fica em silêncio por alguns segundos e solta uma risada nasalada. – E ele... – Ele ri novamente. – Ele nem sequer foi ao enterro dela. – Diz. – Ele nem se importava com ela; nem comigo. – Completa. – Pelo menos não tenho o Riddle. – Ele ri revirando os olhos.

– Você não é como ele, Sirius. – Hermione diz. Sua cabeça está girando. Ninguém além dela e Abbie conheceu o verdadeiro Tom e talvez, agora com a morte dele, ninguém nunca o conheça de verdade. – Posso te contar um segredo, Sirius?

– Pode.

– Seu pai não é o monstro que dizem, sabia?! – Ele a encara. – Ele... Ele se transformou nesse monstro. Ele é um homem... Um homem que vale a pena lutar. – Suspira pesadamente. – Ou já foi um dia. – Completa baixinho. Sirius continua em silêncio.

– E eu?

– Não seria preciso lutar por você, Sirius. – Ela sorri. – Não se luta pelo que se pode ter com calma. – Ele está esticado sobre a mesa; uma mão sobre o rosto dela, a outra usada como apoio. Os olhos estão fixos um nos outros. Preto no castanho; podem sentir as lufadas de ar um do outro. Tão estupidamente próximos; ele continua se aproximando. Pode ouvir um jato, algo cortando o vento – uma vassoura, provavelmente – e alguém aparatando, e sabe que ela também ouviu, mas ambos querem. Eles querem.

É tudo tão rápido. Em um segundo estão somente eles, seus lábios colados, a respiração ofegante, colados a parede da sala e não sabem nem como chegaram lá; mãos, apertos, arranhões, toques e no segundo seguintes, estão cada um em um extremo da sala escura revezando entre se encarar e encarar a janela quebrada ou o sofá em chamas. O grito agudo da criança invade toda a casa e ele sabe que ela vai correr até ele; sem sua varinha, saltar de corpo livre a parede de fogo para salvar seu filho.

– Não! – Ele grita. – Ele está comigo, Mione! – Ele pôde vê-la através da parede de fogo. Está em desespero; os olhos lacrimejados, o rosto coberto de cinzas. Também está sem sua varinha, a deixou no quarto no andar de cima.

– Sirius! – Ele ergue os olhos, puxando o ar com força e a encara. A adaga pressionada sem delicadeza alguma contra o pescoço dela; o sorriso sádico enfeitando o rosto cansado.

– Então conseguiram te livrar de Azkaban?! – Ela ri e assente.

– Eu sempre sou aceita de volta, Sirius... – Ela sorri mais. – Eu sou a melhor.

– O que quer?

– Não é você, queridinho! Não se preocupe! Mas depois do que vi aqui, hm... Você está na corda bamba com seu pai, Sirius... – Ela ri. – Uma trouxa. Uma trouxa nojenta! – E ri novamente. – Vamos fazer uma troca, Sirius, querido. – Ela mantém a adaga contra a garganta de Hermione, mas ergue a outra mão mostrando a varinha. – Aguamenti. – A água saí da ponta de sua varinha até a grande parede de fogo finalmente ser inexistente. – Eu te entrego a trouxa e você me dá o bebê. – Propõe.

– Por que o quer?

– Oh... – Ela força um biquinho. – Você sabe do meu fraco por bebês.

– Sei... Provavelmente o jogaria para Greyback sem pensar duas vezes.

– É uma troca justa, hein?! Com ela pode fazer outro bebê. – E ri histericamente. Sirius a encara, realmente pensando em fazê-lo. É uma criança, uma criança que nem sequer era seu filho, por ela. E então ele a encara. Os olhos cheios d’água numa súplica silenciosa. Tire-o daqui! Mantenha-o seguro! Ele assente para Hermione.

– Não vou entregá-lo a você, sua louca! – Ela ergue as duas sobrancelhas sorrindo pressionando mais a lâmina contra a pele. Sirius pode ver o filete de sangue escorrendo até a clavícula, no espaço entre os seios e colorindo a camisola branca. – Eu não... – Suspira pesadamente. – Vai ter que se esforçar mais, Bella. – Ela rosna caminhando até a janela destruída. Seus dedos se enrolam nos fios castanhos e bruscamente ela a joga para fora da janela. Sirius pode ver todos eles agora. Karkaroff está com Hermione do lado de fora da casa. – Vamos levá-la logo. – E aparataram. Simplesmente aparataram. Ele sabia pra onde iam, o que fariam e como fariam, mas não podia simplesmente ir. Comprimia-o contra o peito e podia apostar que eram as batidas irregulares que o estavam enlouquecendo.

Deus! O que faria com ele?

– Hermione?! – Ouviu as batidas fortes contra a porta. – Hermione! – Lílian! Sempre correndo pra meter o nariz onde não era chamada se havia alguém em perigo. – Hermione! Eu vi fogo e ouvi gritos. Você está bem? – Puxou o ar com força, se sentia absurdamente fraco. – Tudo bem?

– Lílian! – Chamou rouco.

– Sirius? Ainda está aí? Onde está o bebê?

– Aqui comigo. – Caiu de joelhos, apertando-o mais contra o peito. – Lily! – Chamou novamente. – Me...Ajuda! – E caiu de costas sem o mínimo de forças.

Abriu os olhos encarando a claridade sobre a sua cabeça; gemeu de dor coçando os olhos, puxou o ar com dificuldade e em seguida tentou limpar a garganta.

Minha garganta está seca.

Ergue o tórax encarando o ambiente claro. Pode ouvir um tilintar calmante que o faz querer deitar e dormir mais uma eternidade, mas ele se levanta. Passa a mão pelo próprio peito; queimado. Coça os olhos, tudo ainda parece embaçado demais para fazer o mínimo de sentido. Pode ver tudo melhor agora. Molduras de fotos presas na parede, brinquedos coloridos espalhados pelo chão, um berço num canto do quarto claro; é de lá que vem o tilintar. Ele também é um aviso claro de “não acorde o bebê!”; coça os olhos de novo. Ainda está na casa de Hermione. Sabe disso por que pode ver o jardim da janela. Se aproxima do berço, ele está lá, olhos fechados, cobertor apertado contra o peito, bico largado na metade do caminho; suspira.

Tudo não passou de um sonho, afinal?

Ele ergue os olhos para a porta e pode vê-la. Lílian. Os fios ruivos presos num coque desajeitado sobre a cabeça, o rosto estupidamente cansado; James está ao seu lado, e também parece cansado. Sirius quer falar, até abre a boca, mas está focado demais no porta retratos preso a parede ao lado deles.

Ele dá um passo e outro logo em seguida até por fim estar de frente a parede. Pode vê-la; o sorriso maior do que ele já vira em qualquer momento. Nesta mesma casa, há anos atrás. Anos mesmo. Décadas. Antes mesmo dele nascer. Está grávida; tão grávida quanto estava quando se conheceram; pode reconhecê-lo. Está sem a barba ali e parece estupidamente mais jovem. Enfiado em um uniforme do ministério e com olheiras. A casa ainda está macabra atrás deles, mas eles não ligam; está prostrado sobre ela, sobre sua barriga. Os lábios dobrados num meio sorriso e num biquinho. A está beijando. Na barriga. Bem ali sobre o umbigo estufado. E então ele deduz o óbvio: Ele é o pai.

– Mas que...! – E soca a parede. Soca outra vez e outra; suas mãos estão queimadas e enfaixadas, mas está com raiva demais pra se importar. – Morto, não é?! – Ele encara Lílian. Não está surpresa, é claro. Já vira aquilo no dia anterior quando o deixara ali. O grito agudo invade o cômodo. – Ah! Que ótimo! – Joga irrita. – Inferno! – Grita. As faixas em suas mãos estão ensanguentadas, mas o bebê gritando ocupa mais sua mente que o sangue. – Lílian? – Ela ainda não se move. Está parada na porta. – Pode me ajudar, por favor? – Ela continua em silêncio o encarando. – Lily? – Ela dá um passo decidido para trás. O quê?! Está se recusando a chegar perto dele? É um bebê! – Lílian, você só pode estar brincando comigo!

– Não vou tocar no filho dele... – Sussurra.

Eu também sou filho dele! – Sirius arfa para em seguida caminhar em direção ao berço pegando-o no colo; está surtando. Surtando. – Do que está com medo? É um bebê... Só um bebê. – Diz mais baixo. Os olhos fixos nos dele. Ia fazer como prometeu. Não ia entregá-lo. Ia deixá-lo num lugar seguro. Seguro o bastante dele. Para que pudesse viver em paz. Diferente de como ele próprio havia vivido. – O que eu vou fazer com você? – Sussurra.

– Precisa ver uma coisa lá em baixo, Sirius. – James disse mais baixo. – Precisa mesmo. – Concluiu.

Os gritos agudos ocupavam toda a Malfoy Manor e graças à Merlin, Cissa e Lucius tinham abandonado aquele lugar antes de se tornar aquele covil de cobras. Estavam mais fracos, mas isso já era de se esperar depois da longa noite que havia se passado.

– Podemos acabar com isso, Hermione. – Ele sorri. Um sorriso até amigável e passa a mão pelo cabelo desgrenhado. É uma cena rara de se ver, mas Hermione já o havia visto assim antes. Antes de tudo. – É só responder minhas perguntas. – O silêncio toma conta do lugar. – Quer que eu as repita? – Silêncio. – Bella.

Crucio. – Os gritos voltam a encher o local repleto de homens e mulheres em trajes negros como num concerto macabro.

– Já chega. – E volta a encará-la, sua calma habitual. – Vamos à casa, que tal? É uma boa chance de nos conhecemos melhor, hein?! Eu adoraria conhecer seu filho. – Os olhos estão fixos nos dela. – Um encontro, então?! Eu e você, somente. – Está próximo dela agora, as mãos apertadas fortemente aos braços dela. A encarou nos olhos; castanhos, cheios de lágrimas. – Eu adoro crianças, não é mesmo, Bella?! – Ela sorriu minimamente assentindo. – Então vamos, Sra. Johnson. – E no segundo seguinte estavam parados em frente à casa; o silêncio habitual de Godric’s Hollow. Tom empurrou a porta observando. – Você fez um trabalho incrível na casa, huh? É impressionante o que uma mulher consegue fazer. – Ainda estava apertado ao braço dela, forçando-a a caminhar. – Principalmente uma mulher com magia.

– Por favor... – Implorou, rouca. Não era surpresa ela estar rouca; foram os gritos dela que ele escutara a noite inteira.

– E Sirius? – Perguntou simplesmente. – Não te protegeu? Sirius não costuma abandonar seus affairs por aí. Ah! Mas olha só! É realmente uma sala muito confortável! E lá em cima? O que temos? O quarto do seu bebê? O seu quarto? O que acha de irmos ver se o filhinho da mamãe está em casa?!

– Por favor, não o machuque... – Repete com os joelhos fraquejando.

– Me responda, então.

– Por favor... É só uma criança! Por favor... – Ela está no chão; seus joelhos parecem simplesmente não suportá-la mais. O cansaço, a fome, o desespero. Tudo está mandando-a para o chão. – Por favor, não o machuque. – Ela aperta suas mãos o encarando; os olhos cheios d’água transbordando bem a sua frente. Todo o seu desespero refletido numa única imagem. Se encaram por longos minutos.

– Levante-se e vamos vê-lo! – Ele murmura, mas ele mesmo o faz colocando-a de pé e arrastando-a para o andar superior. – Olha só... Quadros, fotos... Por toda a parte! Quer manter a memória dele intacta nessa casa não é?! – Com a mão livre ele pega uma das fotos presas na parede observando-a. O silêncio preenche toda a casa, os corredores, quartos, salas, banheiros e cozinha. Tudo não passa de um silêncio pertubador enquanto ele observa a si mesmo na foto; quem fora há anos atrás; enfiado ainda em seu uniforme de Hogwarts. Um sorriso maior que a cara ao lado de Abraxas, Mary Jolene, Augustus Lovegood, Charlus Potter e com o braço repousado sobre os ombros dela. Nem Calidora, nem Bellatrix. Ela. A mesma trouxa caída a seus pés em prantos.

Notas finais
Reviews?