Villain
23 Capitulo 22 – Tom Abraxas Granger
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http://www.youtube.com/watch?v=Vtp-p7qFI2I
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Aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade
Sirius Black
Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio. Crucio!
Os gritos ecoavam por toda a Malfoy Manor. Não havia ninguém além deles ali. Não havia nenhuma outra palavra a ser dito além daquela maldição e suas perguntas.
– Me responda! – Ele a encarou. O suor escorrendo pela testa e rosto molhado de lágrimas. Os lábios entreabertos numa respiração pesada. – Me diga, me diga, me diga! – Exigiu.
– Por favor... – Sua voz era um sussurro. – Por favor...
– Onde elas estão? Me responda onde estão minhas memórias ou eu juro que vou fazer isso até me cansar!
– Eu não sei... – Murmura, sem voz. As lágrimas escorrendo pelo rosto vermelho. – Eu as deixei no porão.
– E a criança? Onde ele está?
– Eu não sei... Não sei. – Esforçou-se para que sua garganta emitisse um som sequer.
– Sirius?
– Eu não sei.
– Você não sabe de nada! –Gritou caminhando para o lado oposto a ela passando as mãos pelo cabelo; o suor escorrendo do próprio rosto. Flashes, era tudo o que tinham e não eram o suficiente. Nunca seriam o suficiente. Estava se torturando, a torturando.
Podia sentir os lábios dela contra os seus; mãos, toques, beijos. Podia ouvi-la rir, a respiração dela contra seu pescoço enquanto dormiam juntos na sala precisa; conseguia sentir o cheiro dela e o maldito aperto no peito quando ela estava com Augustus Lovegood. Mas ao mesmo tempo não sentia nada daquilo mais.
– Há muito tempo. Numa época distante dessa, Hermione, nós nos amávamos. Mas você demorou demais... Eu já não sinto nada disso mais. – Murmurou mais para si mesmo do que para ela.
─∞─
Colocou o prato no mesmo lugar de sempre, no mesmo lugar de hábito e caminhou novamente em direção à sala. Era onde passava a maior parte de seus dias agora. De lá não podia ouvi-la chorar durante seu sono.
Tão rápido ele sentara-se em sua cadeira na sala, ele chegara no porão da Malfoy Manor. A poeira estava para todos os lados e a luz piscava de forma macabra, mas ele pode reconhecê-la.
– Hermione. – Se aproximou até estar ao seu lado. Colocou sua cabeça sobre seu colo observando-a. – O que ele fez com você? – Murmurou. Passou a mão por seu rosto, pálido, esquelético. Ela estava esquelética. Parecia uma assombração. – Precisa comer, Mione. – Apontou a varinha para o prato vendo-o flutuar até os dois. – Por favor, Mione, coma. – Ela passou as mãos por seu rosto. Barba, cabelos, lábios. Estava chorando.
– Sirius. – E sorriu.
– Sou eu,Mione. – Assentiu fungando. – Por favor.
– Ele está bem? Está a salvo?
– Está. Ele nunca vai encontrá-lo. Mione, por favor...
– As memórias... – Sussurrou. – Você as pegou? As memórias, no porão.
– Peguei. Vou destruí-las, Mione.
– Não. Traga-as aqui. – Implorou.
– Vai devolvê-las? Mione... Ele mudou. Não é o mesmo que você conheceu... Ele... Ele pode ter te amado naquele tempo, mas... Ele não sente mais nada. Por ninguém.
– Traga-as aqui. – Repetiu. Sirius assentiu, mesmo contrariado. – E mantenha-o a salvo. Longe da guerra, dos Comensais, dele.
– Eu vou.
– Agora vá; traga as memórias e suma do mapa. Ele precisa de você, Sirius. – Ele assentiu levantando-se sem pressa. Não queria ir embora. Ir e deixá-la lá, a mercê dele. Mas sabia que ela não iria. Não iria por que o amava e não importa quantas vezes ele dissesse ou ela sentisse na pele. Ela daria uma nova chance a ele a cada novo alvorecer. Ela perdoaria todos os seus erros; se daria pra ele sem pedir nada em troca.
TRÊS DIAS DEPOIS
– Hermione. – Ela moveu o rosto, encarando-o. Os cabelos desgrenhados, uma barba rala crescendo pelo rosto, um sorriso maior que a cara. – Boa garota. – E ergueu três pequenos vidrinhos no ar. Suas memórias. – Tenho uma surpresa pra você! Venha, levante-se! – Ele ergueu a varinha fazendo-o ele mesmo num feitiço não verbal. – Recebi essa visita inusitada hoje e achei que talvez quisesse vê-lo. – Agora estão na sala e tudo o que Hermione consegue ver é o corpo pálido estendido no chão. Agora entende por que ele a trouxe ali. Agora no chão, ela está se arrastando até ele e finalmente pode tocá-lo; o rosto pálido, a barba, os cabelos desgrenhados longos demais, os olhos estão abertos, mas ele está morto. Ele pode ouvi-la chorar contra o corpo lívido dele, está debruçada sobre o peito imóvel dele, chorando ruidosamente. Tom pode ver as lágrimas rolando fervorosamente por seu rosto vermelho. É a primeira cor que vê nela desde que a tirara de sua casa. Volta os olhos para os pequenos frascos em sua mão e abre o primeiro lentamente.
Memórias são adaptáveis; adaptam-se ao ambiente. Podem ser enormes e ocupar toda uma casa ou compactas, do tamanho de uma unha. Têm, normalmente uma cor neutra entre o branco e o azul. Tom observa as próprias memórias flutuarem lentamente em direção ao lugar ao qual pertenciam e nunca deveriam ter saído: sua mente. Ela o domina como uma onda; seus joelhos estão fracos de ver tantas vezes o mesmo rosto, o rosto dela. Lembrava-se de tudo agora. As provocações, as brigas. Deus, como pôde se esquecer dela. Pensou em não abrir os próximos frascos, mas já era tarde. Suas mãos ensanguentadas denunciavam que já era tarde. As memórias já estavam flutuando para sua mente. Estava enlouquecendo. Surtando.
A casa, os empregos no ministério, a gravidez, o casamento, o ataque na Travessa do tranco e a escuridão do semicoma que entrara nos dias seguintes. Conseguia ouvi-los discutindo e, talvez, se Abbie nunca tivesse apagado suas memórias, ele provavelmente se lembraria dessas conversas.
Você tem certeza?
Tenho. É por ele. Pelo bebê. Por Harry. Por todos. Eu... Eu preciso, Abbie!
Não precisa não! Podemos dar um jeito, Mione!
Você ouviu Dumbledore. Não tem outro jeito. Nós ainda vamos nos ver de novo, Abbie. Eu sei disso. Você é... É o meu melhor amigo. Eu te amo.
Eu também te amo, Hermione. Pronta?
Levantou-se num salto. Agora conseguia entender. Agora fazia sentido. Tudo fazia o mínimo sentido. Levantou o rosto encarando tudo ao seu redor. Metros a frente, podia vê-la. Debruçada sobre o corpo, imóvel. Chorara até dormir. Quando tempo se passara até que sua memória retornasse por completo? Cinco minutos, cinco horas?
Caminhou lentamente em direção a ela. A cada passo, se multilava internamente. Deus, ela estava horrível. Nós longos dados nos fios castanhos, a pele pálida, esquelética. Dias, talvez semanas se recusando a comer; os olhos estavam inchados e vermelhos. Deus, o que fizera com ela?
– Hermione... – Chamou num sussurro. – Hermione. – Repetiu, caindo de joelhos ao seu lado. Passou uma mão ao redor de seu corpo magro.
– Você o matou. – Sussurrou. – Você o matou! – Berrou, em prantos. – Como pôde? Ele era seu filho! Como pôde matá-lo?
– Hermione...
– Não toque em mim! – Gritou se afastando. – Eu acredito em você. O Tom que você foi um dia nunca mais vai voltar.
– Sou eu, Mione. Eu estou aqui! Eu sou aquele Tom! Eu não sabia que eu era, mas... Eu sou!
– Fica longe de mim.
– Hermione, por favor. Eu te juro... Eu... Eu te amo!
– Mentira! – As lágrimas estão rolando pelo rosto pálido e magro. – Você não é mais esse Tom... Você não é! – Ela se encolhe; o coração batendo forte contra o peito. Uma tremedeira doida instalando-se em seus pés, pernas e braços.
– Hermione... – Ele se aproxima, passando o braço ao redor de seus ombros num abraço. – Precisa comer. Precisa ficar forte. – Ela continua chorando freneticamente. – Depois disso, eu juro, eu te deixo ir. – Tom passa a mão pelo rosto dela, secando-o. – Essa é a maior prova que eu estou te dando que eu te amo. Você pode ir embora. Pode ver seu filho, montar sua vida e se quiser que seja assim, você nunca mais vai me ver na sua vida. – Estão se encarando agora. – Eu juro.
– T... Tudo bem... – Sua voz não passa de um sussurro.
– Conhece a Malfoy Manor? – Ela assente. – Viemos aqui pouco tempo depois que Abbie conseguiu o emprego em Hogwarts. Continua a mesma coisa. – Ela concorda. – Vá para a sala. – Pede para em seguida encarar o corpo jogado no chão. Encarou-o. Não tinham mesmo nada um do outro. Nada. Abaixou-se para próximo dele e com dois dedos o fechou os olhos. Agora ele está só dormindo. Puxou o ar com força. Em todos aqueles anos, quem tinha se tornado? Quem ele era de verdade, afinal? O Tom que estava com Hermione, que faria qualquer coisa por ela ou o Tom que matara o próprio filho? Quem era ele?
─∞─
Ele continuava em silêncio a encarando. O peito subindo e descendo por debaixo dos grossos cobertores. Era um dia frio e estava perto do Natal. Nada havia realmente melhorado. Nas semanas que passara enfiado com ela na Malfoy Manor, fazendo o possível e o impossível para manter os Comensais afastados dali, procurando-o em todos os cantos que podia. Ele nem sequer o havia visto. Talvez estivesse morto há muito tempo. Hermione o estapeara e começara a chorar quando ele disse isso. Chorar mesmo; nem sequer conseguia respirar direito e depois disso, não se falaram mais.
Precisava encontrá-lo. Precisava desesperadamente encontrá-lo. Por Hermione e por si próprio.
Ergue os olhos por um segundo e move os olhos para o lado observando de esgueira um par de orelhas pontudas da janela e em seguida dois olhos enormes e azuis.
– Avada Kedavra! – Grita num salto apontado a varinha para a janela. Os cacos de vidro enchem todo o quarto e se espalham pelo chão. Ele não está mais ali. Seja quem for, desceu. – Hermione! – Sussurra. – Hermione. – Ele a observa, os olhos abertos o encarando. – Tem alguém na casa. Se esconda e só saia quando eu chamar! – Ela assentiu e enfiou-se em baixo da cama num salto. Era só isso o que fazia desde que os comensais haviam destruído sua varinha em Godric’s Hollow. – Ei! – Ela viu ele se abaixar ao lado da cama. – Encontrei no porão do Abbie ontem, mas você não queria falar comigo. – Ela o encarou. – Era dele em Hogwarts. Acho que agora ele não precisa mais dela. – E estendeu a varinha. – É de mogno e o cerne é pena de Fênix. É bem forte. – Explicou. – Quero que fique com ela enquanto não te compramos outra, tudo bem?! – Ela assente. – Use pra se defender. – Ele se afasta se preparando.
– Tom. – Ele a encara. – Eu tenho sido uma idiota.
– Não... Mione, tudo...
– Mas eu te amo. – Eles se encaram por longos minutos. – Apesar de tudo... Eu ainda te amo.
– Eu também te amo. – Ele puxa o ar com força. Uma onda de vigor tomando conta de seu corpo. Por um momento, chegou a pensar que era mesmo o fim. – Eu não te mereço. Não mesmo. – Ele suspira. – Eu te amo. Nós vamos encontrá-lo, Mione. – Ela assente vendo-o se levantar e caminhar em direção à porta e em seguida desaparecer.
Tom está na beira das escadas; aquilo soou como uma despedida. Por que soou como uma despedida?
– Quem está aí? – Os passos rápidos o faziam apontar a varinha para todos os lados como em seu primeiro duelo. – Estupore! – O corpo minúsculo caiu rolando as escadas em direção ao salão principal. Tom correu seguindo-o.
– Não! Não! Não! Não! Não machuca Monstro! Não machuca Monstro, senhor Riddle. – Tom ergueu as duas sobrancelhas o encarando.
– Monstro?! O que você faz aqui?
– Monstro achou estranho quando o Sr. Black não voltou pra casa. O senhorzinho estava faminto. Monstro não sabia o que fazer. Monstro veio procurar pelo senhor Black mas viu quando o senhor o enterrou. Viu a lápide com o nome do meu senhor.
– Ele está com você, Monstro?! Esse tempo todo esteve com o bebê sabendo que eu o estava procurando!
– Monstro estava apenas cumprindo a ultima ordem de seu senhor! Monstro estava mantendo o senhorzinho seguro! Garantindo que estaria bem, senhor. Monstro o esteve observando, senhor! Monstro viu o que está fazendo pela garota!
– Onde ele está, Monstro?!
– O senhorzinho está na casa Malfoy na Irlanda.
– O que? Os Malfoy tem uma casa na Irlanda?
– Não é dos Malfoy! Era do falecido Malfoy, mas ele a deu para o meu senhor! Não é dos Malfoy! Não é!
– Precisa devolver o bebê, Monstro. Precisa devolvê-lo a mãe dele!
– Monstro tem que seguir a ultima ordem de seu senhor! – Dito isso, se estapeou. – Precisa manter o senhorzinho seguro! Londres Bruxa não é um lugar seguro para o senhorzinho! – E se estapeou novamente.
– Não vai trazê-lo, Monstro? – Ele negou ainda se estapeando. – Então, pode levá-la até lá? Ele precisa dela, Monstro. Pode morrer sem ela. – Explica. – Tem que mantê-lo seguro, não é?! Hermione não vai fazê-lo mal. Precisa levá-la até lá, tudo bem? – Ele assente. – Espere aqui. – E como uma criança, correu pelas escadas, corredores e quartos da Malfoy Manor em gritos animados. – Mione! Mione! – Entrou no quarto a ponto de vê-la se levantar. – Eu o encontrei! – Ela o encarou, com as sobrancelhas erguidas em uma indagação. – Eu o encontrei, Mione! – E a abraçou da forma mais apertada que pôde. – Nosso bebê, Mione. Agora sei para onde Sirius o levou!
– Ele está bem?
– Está com Monstro.
– Monstro? Onde?
– Na Irlanda. Vamos, ele vai te levar até ele! – Ela o abraçou, manteve-se o mais apertada que pôde à ele.
– Agora tudo vai finalmente dar certo, não é?! Agora nós vamos ser uma família, não é?! – Estava chorando. Comprimiu-a contra o corpo, suspirando. Não era o melhor momento, mas ele precisava dizer.
– Eu não vou. As coisas estão uma loucura. Vão me achar. – Murmurou. – Vão vir atrás de mim até o inferno. – Ele a encarou fixamente. – Eu não vou conseguir te proteger... Não vou conseguir proteger vocês. Não de todos eles. O ministério, os aurores, as caçadores de recompensas, os Comensais. Eu não vou conseguir. – Estavam chorando, os dois. – Eu amo você; eu juro, eu nunca mais vou me esquecer disso. Eu amo vocês dois. – Murmurou. – Eu quero estar sozinho quando me encontrarem.
– Eu também amo você. – Respondeu.
─∞─
Hermione encarou o jornal sobre a mesa. Quanto tempo havia se passado desde aquele maldito dia? Onze meses? Um ano, talvez alguns meses a mais. Deus! Ela até havia parado de contar.
Fora isso o que ele fizera quando desaparecera. Mandara cartas anônimas para o ministério dizendo a localização de todos os comensais. Todos estavam presos ou mortos e agora, tudo o que restavam eram as Horcruxes. Eram isso que estavam procurando.
O PROFETA DIÁRIO
Aurores do ministério continuam a procura pelas Horcruxes de Lord Voldemort.
Após a prisão de todos os envolvidos com o Lorde das Trevas e a paz se instalando novamente no mundo bruxo somente as Horcruxes marcam o fim da Era Negra que se instaurou no mundo Bruxo nas ultimas décadas.
– Não faça isso, querido. – Murmurou sorrindo para a criança. Esticou o braço pegando o pequeno guardanapo azul e passando-o pelo rosto da criança. – É de comer, não de brincar. – Ela observa. Os olhos azuis cintilando, os fios escuros sujos sobre a cabeça. Lindo. Exatamente igual ao pai.
– Monstro! – Ele abriu um sorriso maior que a cara. Ao topo de seus quase dois anos, ele o adorava. Vivia puxando suas orelhas.
– Monstro, o que faz aqui? – Ele está parado na porta com as orelhas baixas. – Monstro?
– Senhora devia ver o que tem aqui fora. Acredito que tenha interesse.
– Mais uma festa dos vizinhos? Por favor, Monstro. Sabe que nem sequer falo com eles!
– Ainda acredito que a senhora devia vir aqui fora. – Os gritos agudos, burburinhos, conversas altas demais invadiram a casa. Hermione observou o montinho de pessoas.
Ele está morto? Quem é ele?
– É ele? – Monstro assente. – Alimente-o. – E naquele instante, é como se não houvesse mais ninguém. E não há mais ninguém. Não há nada, nem ninguém. Ele está jogado no chão e ela deduz que ele acabou de aparatar; as roupas ensanguentadas, a respiração falha, mas, graças a Merlin, ele está vivo.
– Her... Her... Mione. – Consciente. Plenamente consciente.
– Eu estou aqui. – Sussurra. – Eu estou aqui, Tom. – Estão se encarando sem desviar o olhar.
– Destruíram todas... – Ele tosse uma, duas, três vezes seguidas. – Me sinto horrível. – Murmura em seguida. O peito subindo e descendo de forma lenta e dolorosa; as pálpebras se forçando para baixo; os lábios entreabertos numa respiração sonora, sangue por toda a parte. Pelo rosto, braços, peito. Os olhos azuis não têm mais a mesma cor. Ele está morrendo. – Estou horrível, amor? – Pergunta.
– Não... – Ela está chorando. Chorando enquanto mantém sua cabeça sobre seu colo. Os olhos fixos nos dele. – Você está perfeito, amor. – Sussurra.
– Eu te amo... – Sussurra. – Eu não posso morrer sem que você saiba disso.
– Eu sei, Tom... Eu também te amo. – Sussurra. – Eu também te amo. – Não estão mais se encarando.Tom está encarando a casa com portas e janelas abertas e em frente, a criança caminhando em direção a mãe. Monstro o soltou propositalmente. Ele sabia que a primeira coisa que ele faria seria caminhar até a mãe. Tom puxa o ar com força e dá uma lufada. E em seguida o silêncio se estabelece. Seu peito não se move mais e os olhos estão abertos em direção à criança. Não há mais batidas contra seu peito, nem mesmo as fracas. Está morto. – Venha aqui, querido. – Sussurra pegando a criança no colo; as lágrimas rolando livremente pelo rosto avermelhado.
─∞─
– Mãe, estou em casa! – Grita atravessando a porta. Tudo em ordem, como deveria ser. Ele apertou a mochila contra os ombros respirando fundo. – Mãe? – Ele encarou a garota logo atrás de si e sorriu minimamente. – Não se preocupe... – Sussurra. – Ela vai te adorar! – Ela sorri minimamente.
– Ah! Você voltou! – No segundo seguinte, ela está abraçada a ele. O sorriso maior que o rosto. – Não é emocionante?!
– É claro que é, mãe! É Hogwarts! – Ele ri minimamente.
– Agora vai passar algum tempo com a sua mãe, não é?!
– Claro que sim! – Diz sorrindo. – Mãe... – Ele olha para trás exibindo a garota logo atrás de si. – Essa é a Violet. Ela, hm, vai passar algum tempo aqui em casa.
– Minha nossa, você é linda! – Ela diz se aproximando. – Minha nossa!
– Obrigada, Sra. Granger... – Ela diz sorrindo envergonhada.
– Hermione...
– Obrigada, Hermione.
– Os pais dela não vão se incomodar dela passar esse tempo aqui?
– Hm... – Ele pigarreia. – Ela não conhece o pai dela e a mãe ela morreu no parto.
– Ah meu Deus, me desculpe Violet. Eu sou meio indelicada as vezes.
– Tudo bem, Sra. Granger... Digo, Hermione.
– Entrem, entrem! Você vai adorar a casa, Violet!
– Mãe... –Ela o encarou. – Vamos guardar nossas coisas primeiro e depois eu mostro a casa pra ela, tudo bem? Estamos um pouco cansados. – Ela assente. – Mas vamos fazer o jantar de boas-vindas, ok?! – Ela assente novamente. – Obrigada, mãe.– Ele abraça-a lentamente. – Eu te amo. – E caminharam em direção às escadas. Ela o observou, ainda estava enfiado em seu uniforme da Corvinal e podia ver a vassoura embrulhada presa magicamente a sua mochila. Seu broche de monitor-chefe preso logo ao lado do escudo. A garota ao seu lado era uma Grifinória.
– E essas fotos? – Perguntou Violet parando em frente a primeira moldura do corredor.
– Ah! Minha mãe gosta de fazer isso. Ela fala que é pra manter a memória deles viva. – Explica se colocando ao lado dela. – Esse aí era o melhor amigo dela e do papai. – Indica. – Ele deu essa casa pro Sirius, que deu pra minha mãe.
– Ele era um Malfoy? – Perguntou apontando para a bengala.
– É. Ele era. Abraxas Malfoy.
– Por isso o nome né?!
– É. Mamãe o adorava. Me contava tudo sobre ele quando eu era menor.
– E esse? – Ela apontou a foto seguinte. – Se parece com você.
– Ele era meu meio irmão, mas eu gosto de pensar nele como um padrinho ou um segundo pai. Assim como o Abraxas. Gosto de pensar nele como um tio.
– Meio irmão?
– Filho do meu pai com uma ex-namorada antes da minha mãe.
– Vocês são mesmo parecidos.
– Nem tanto. – Ele ri baixinho. – Pareço mais com meu pai.
– O Sirius... Ele morreu?
– Pouco antes de eu fazer um ano.
– Lamento. – O silêncio não dura mais que três segundos. – Aquele é seu pai não é? – Diz apontando para a foto a seguir.
– É. – Ela sorri colocando o rosto dele ao lado da foto. – Eu disse.
– Meu Deus! Quantos anos ele tinha nessa foto?
– Dezessete.
– Ah, meu Deus! É até estranho!
– Foi tirada pouco tempo antes dele sair de Hogwarts.
– Minha nossa... E essa?
– São alguns outros amigos dele. Calidora, a mãe do Sirius, Abraxas, mamãe, Augustus, um antigo namorado da mamãe, Charlus e Mary Jolene, a esposa do Abbie.
– Nossa... É sua mãe? – Ela encara a fotografia; a barriga inchada e um sorriso maior que o rosto; Tom em frente a ela, abaixado com um biquinho engraçado. – Nossa... Eles eram perfeitos.
– É... Eles eram mesmo. – Sussurra.
– Vai vê-lo mais tarde? – Pergunta passando os braços lentamente ao redor dele.
– Pretendo. Quer ir?
– Posso?
– Pode. – Ele sorri minimamente. – Mas, por favor, vamos tomar um banho antes, por que estou morto! – Explica rindo em seguida.
─∞─
Ele para em frente a lápide em silêncio, apenas a observando-o. Depois de algum tempo deixara de levar flores. Não sabia se havia alguma coisa depois, mas apenas falava. Falava tudo que achava que ele gostaria de saber.
– Eu só tenho uma lembrança dele, sabe?! – Sussurra. – Só me lembro do dia em que ele morreu. Mais nada. Eu sei, ele não esteve comigo antes disso, mas, eu não queria que ele tivesse morrido. – Completa.
– Há quanto tempo vem aqui?
– Desde os sete. – Ele passa a mão pelas letras. – Eu não podia suportar o que falavam sobre ele nos livros, sabe? As barbaridades que diziam... Eu acreditava que quando vinha aqui e conversava com ele, ele me comprovava que não passavam de mentiras. Que ele era uma boa pessoa... Eu acho que... Acho que ele se perdeu, entende? Ele não conseguiu se localizar, se encontrar... Eu acho que ninguém nunca o entendeu, afinal. Só a mamãe. – Explica, fungando. – Queria ele aqui mais que nunca. – Sussurra. Está chorando. – Ele ficaria orgulhoso, sabe?! Ele ia gostar de saber que a Corvinal ganhou a taça, que me formei com notas excelentes, que ganhamos a taça de quadribol... Ele ia ficar orgulhoso de mim, entende.
– Ele está orgulhoso de você.
– Como pode ter tanta certeza?
– Eu não tenho. – Ele a encara por alguns segundos e força um sorriso.
– Obrigado. – Diz, sem deixar de encarar a lápide.
TOM MARVOLO RIDDLE JR.
PAI E MARIDO AMADO
1926 – 1991
– Quer voltar pra casa?
– Quero. – Sussurra se levantando. Ele passa um braço ao redor dos ombros dela sorrindo minimamente.
– Sabe, ele foi um grande homem. – Diz num sussurro. – Não importa o que os livros digam sobre ele. Ele foi um grande homem. Ele manteve vocês a salvo da guerra. Isso foi um grande feito.
– É... Ele foi um grande homem. – Concorda suspirando em seguida.
– E você também é.
– Eu ainda caso com você, sabia?! – Murmurou sorrindo minimamente. Ele parou observando a porta entreaberta de sua própria casa. O cheiro invadindo suas narinas. – Eu amo a comida da minha mãe! – Diz rindo em seguida. – E já é Natal. – Sussurra observando o próprio relógio. – Feliz natal, Violet.
– Feliz natal, amor. – Esticou-se tocando os lábios com os dele por um segundo para em seguida se afastar.
– Eu te amo.
– Eu também te amo, Tom Abraxas Granger. O meu grande homem.
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