Villain
21 Capitulo 20 – Ao “primeiro” encontro
Notas iniciais
“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.”
(William Shakespeare)
Abraxas sorria; as mãos sobre a barriga inchada; sentia a criança chutar vez ou outra. Estava sentada em frente a mesa do professor comendo um grande sanduíche com todos os tipos de folhas a patês que Abbie encontrara.
– Você entrou esse ano em Hogwarts. – Disse tranquilo. – Foi para a Grifinória e como eu sabia que faria, está se saindo muito bem até agora. Todos os professores gostam de você, exceto um dos padrinhos de Harry.
– Você disse padrinhos? No plural? – Disse após engolir o ultimo pedaço do sanduíche. Abraxas suspirou.
– Muita coisa mudou, sabe... – Suspirou. – Desde a sua ida andei fazendo algumas pesquisas sobre viagens no tempo. – Confessou. – O que Dumbledore disse faz algum sentido agora. Se você continuasse lá, a guerra nunca aconteceria e você nunca viajaria, mas, enfim, por alguma razão, você Hermione Granger de quase vinte anos que sobreviveu à guerra e voltou no tempo se separou da Hermione Granger de onze anos em Hogwarts. Você parece até diferente. Sei lá, seu rosto, seu cabelo. Tem alguma coisa diferente em você. Mas, bem, eu preciso colocar alguns pontos no is. – Respirou fundo e puxou um pequeno caderno de couro de um fundo falso numa gaveta em sua mesa. – Seu diário. Coloquei algumas fotos novas aí, achei que gostaria de se informar depois de todos esses anos, mas não se preocupe. Vou responder tudo o que conseguir. – Hermione pega o caderno sorrindo e assente. – Depois de apagarmos a memória de todos que conviveram com você, incluindo os comensais, tudo voltou a ser como antes. Realmente, foi como se você nunca tivesse existido. Exceto por algumas coisas. Charlus se lembrava de quando Tom o salvara da queda, e Tom também, só não se lembrava a razão. Apesar dos desentendimentos iniciais, Tom e Charlus viraram bons amigos e Tom foi e ainda é padrinho de James Potter. Ninguém da família Potter se bandeou para os lados das trevas, mas James fala com o padrinho às escondidas de vez em quando e Tom o adora. Resumindo, os Potter nunca foram assassinados e, portanto, Harry ainda tem os pais e é um bom amigo de Draco, ao contrário do que você disse que era na sua época. Lucius nunca se aliou aos comensais e eu o criei diferente de como você disse que eu o criaria. Então, acabamos ficando bem amigos da família Weasley.
– Ainda somos amigos?
– Sim, vocês são, mas você não gosta de Draco. – Hermione riu como quem se desculpa. – Continuando. Graças ao que houve, ou melhor, não houve com os Potter, Sirius Black nunca foi preso e Petro Petigrew nunca os traiu. Acidentalmente, acabei descobrindo alguns animagos irregulares ao redor de Londres, mas nunca os denunciei para o ministério. Remo Lupin também está bem; infelizmente não pude evitar com que fosse mordido pelo lobisomem, mas nada que algumas poções de Snape não possam resolver.
– Então está tudo bem? – O sorriso erguia-se involuntariamente em seu rosto cansado.
– Não. – Abbie suspirou e uma longa explosão ecoou há milhas do castelo. – A guerra está acontecendo. Tom continua tentando entrar em Hogwarts.
– E o Basilisco?
– Foram preciso doze homens para matá-lo. – Suspirou. – Foram anos difíceis sem você, Mione. Foi como voltar no tempo. Voltar pro antigo Tom. – Abraxas passou as mãos pelo rosto levemente envelhecido. – Eu não aguento mais, Mione. – Suspira pesadamente. – Não aguento mais... Ficar aqui. – Hermione o encara; as mãos levemente pousadas sobre a barriga inchada. – Por favor, diga-me que agora que voltou tudo vai ficar bem. Que essa guerra vai finalmente acabar. – Hermione toca-o no rosto, compreensiva. – Ele está pior do que nunca. Faz coisas que... Meu Merlin! É aterrorizante, Mione!
– Ficaremos bem, Abbie. Eu prometo.
─∞─
Hermione tocou o papel de parede claro. Com os anos, ele já estava desbotado, solto e falho, mas exatamente do jeito que tinha deixado. Suspirou pesadamente levando a mão o ventre inchado.
– Se lembra daqui, não é? – Sussurra para sua barriga inchada. É claro que se lembrava. Para eles, não passaram nem uma semana longe dali.
– Tem certeza que quer ficar aqui? – Hermione o encara. – Tenho uma casa legal na Irlanda. Poderia ficar por lá. É longe o suficiente da guerra. Tom tem se cansado dos trouxas irlandeses.
– É a minha casa, Abbie. – Diz num sussurro. – Quero ficar aqui.
– Mione... – Tenta novamente. – Não escutou uma palavra do que eu disse? – Ele suspira. – Todos estão apavorados! Estão entregando todos os trouxas que podem! E estamos em Godric’s Hollow! Não sabe como Tom costuma vir aqui! Se souber que você... – Ele se retém. – Ele não se lembra de você, Mione. – Relembra. – Te mataria sem peso nenhum na consciência.
– Por que ele costuma vir aqui?
– Os Potter. Moram na casa em frente. – Hermione encara a janela. Já é noite e está chovendo, mas pode ver as luzes da casa a frente acesas. – E Charlus está enterrado aqui em Godric’s Hollow. Sempre que pode, Tom vem aqui.
– Eu vou ficar. – Repete. – É a minha casa, Abbie!
– Tudo bem, tudo bem. Mas vai tomar cuidado, não é?! – Ela assente. – Quer que eu traga... tudo? – Ela assente novamente. – As fotos, álbuns, tudo?! – Ela confirma. – Tudo bem. Não sei quando vou trazer. Não tenho saído muito de Hogwarts. Dumbledore tem me prendido lá.
– Tudo bem, Abbie. – Ele a abraça delicadamente. – Vai ficar tudo bem, Abbie. – Afirma. Ele concorda antes de se soltar e desaparecer.
– Cuide-se. – Diz um segundo antes de aparatar do lado de fora.
Hermione está deitada sobre seu colchão fino, encarando a chuva do lado de fora. Se sentia tão cansada. Fechou os olhos, como quem dorme, mas aquilo ainda não era o suficiente. Nada seria o suficiente para fazê-la ter uma boa noite de sono.
Ela pega o pequeno diário. Agradecia tanto a Abbie por ele. Todos aqueles anos pensando em mantê-la informada. Para que nada a faltasse.
Hermione se foi a um dia e tudo já parece que vai desmoronar. Apagá-la desse tempo, significa abrir mão de muitas coisas. Mary é a única que se lembra de Hermione e graças à Merlin não tenho que carregar esse peso todo sozinho!
Ela veio hoje com as coisas da Mione. As fotos, as cartas, tudo que pudesse remeter a sua existência. E, é claro, o diário. O que mais indica sua existência aqui.
Como ambos sabíamos que ele faria, Tom voltou a sua “grande causa” e talvez tudo o que um dia a trouxe aqui volte a acontecer. Talvez estejamos entrando num círculo vicioso. No qual Tom lhe tira tudo e você volta para nós. Isso é perverso. Eu espero que não.
Abraxas Malfoy
Faz-se três meses que nem sequer toco neste caderno. O que estou fazendo com Mione, afinal? Me lembro todas as noites de não me esquecer dela e mesmo assim minha mente me prega peças. Desde a ida à Wools, as coisas não são mais as mesmas. Aquelas imagens me atormentam. Noite e dia.
Eu preciso me centrar, preciso sair. Perdoe-me, Mione, mas preciso fazê-lo por Mary. Quero dizer, seremos uma família agora! Preciso cuidar dela! Protegê-la dessa loucura que se instalou na Londres bruxa.
Tudo está uma loucura. Com Tom matando crianças órfãs trouxas por aí e Mary grávida e eu dividindo meu tempo ente Hogwarts, a causa e Mary. Estou surtando!
Preciso dar um fim nisso. Antes que seja tarde.
Abraxas Malfoy.
Hermione sorriu. Mary Jolene grávida. A vida de Abbie estaria...
Uma merda! Uma grande merda! Minha vida nunca poderia estar pior!
Culpa minha. Culpa, exclusivamente, minha. Eu tinha que ser tão descuidado! Como eu simplesmente pude sair e deixá-la lá?! À mercê de qualquer maluco que pudesse...
Logo ele! Tantos malucos por aí! As coisas não são mais as mesmas entre nós. Eu e meu melhor amigo, meu irmão. E talvez nunca voltem a ser. O Tom que eu conheço talvez nunca volte e eu tenho que me conformar.
Hermione encarou a letra garranchada atípica de Abbie – provavelmente estava bêbado e chorando quando escreveu – para em seguida encarar a matéria de capa colada na folha.
O PROFETA DIÁRIO
BATEDORA DO MONTROSE MAGPIES É ASSASSINADA EM HOGSMEADE.
A grande onda do Montrose Magpies acabou de forma trágica nessa ultima terça feira. A batedora Mary Jolene de vinte anos foi encontrada morta em sua residência em Hogsmeade; conforme os vizinhos, na segunda feira a noite um grupo de homens afirmam que viram três homens de vestes negras entrando na residência durante a parte da noite e que em seguida, os gritos ouvidos pelos vizinhos foram silenciados para sempre.
Mary Jolene era batedora do Montrose Magpies há dois anos desde sua saída de Hogwarts e o time estava passando por uma excelente onda de melhoras nas ultimas temporadas, mas estava afastada nos últimos meses devido a gravidez. Mary Jolene estava grávida de seis meses do marido e professor de Hogwarts Abraxas Malfoy.
O Sr. Malfoy se recusou a ceder algumas palavras ao Profeta Diário e conforme o diretor Dippet, ele está profundamente abalado com a morte da esposa.
Os Comensais da Morte – como são chamados pelos alunos de Hogwarts – são os principais suspeitos da morte da batedora. O grupo de bruxo das trevas tem atacado trouxas ao redor de toda a Inglaterra incluindo figurões do Ministério e aurores. O Ministro Bartô Crouch já exigiu a busca imediata de todo esse grupo intitulado Comensais da Morte e de seu líder, conhecido como Lord Voldemort.
Hermione encarou a foto de Mary Jolene em seguida. Os olhos verdes cintilando num sorriso que se abria, fechava, para em seguida voltar a se abrir. Encarou a imagem ao lado; as portas da casa de Abbie escancaradas e o rosto lívido de Mary Jolene deitada no chão. Morta. Não podiam mostrar isso, podiam? Uma grávida morta. Bem, podendo ou não, eles fizeram. E era aterrorizante.
Hermione passou as páginas. Não havia mais nada escrito por Abraxas. Ele parara de escrever no diário a partir daquele momento. Só havia recortes e reportagens a partir dali. Nada além disso. Hermione encarou as reportagens incrédula, sentindo os rosto se contrair contra a sua vontade e as lágrimas rolarem livres pelo rosto.
Fechou os olhos e tentou, mesmo que não conseguisse, dormir.
─∞─
Hermione moveu a varinha em seguida vendo a planta desabrochar. Quanto tempo havia passado desde que lera o diário? Duas, três semanas? Encarou a entrada triunfal que fizera. A cerca branca, o jardim, as janelas todas concertadas, a porta de madeira semi aberta.
– Huh. Com licença? – Hermione tirou os olhos de suas plantas para encarar a mulher a sua frente. O vestido branco movendo-se lentamente com o vento, juntamente com os fios ruivos. – Acabou de se mudar, não é?! – Hermione assente. – Eu notei. – Sorriu amigável. – Fez um belo trabalho com a casa. – Disse encarando o jardim. – Era realmente macabro antes. Os meninos morriam de medo. – Diz, agora ao lado de Hermione. – Sou Lílian Potter. Somos vizinhas de porta. – Explica. Hermione sorri e estende a mão.
– Hermione... – Merlin! Lílian é mãe de Harry que já é amigo de uma Hermione Granger. – Johnson. – Apresenta-se. – É um prazer, Sra. Potter.
– Só Lily, por favor. – Pede sorrindo. – Me sinto uma velha chata quando me chamam assim. Você não?! – Hermione assente. Não sabia de verdade. Nunca tinha sido chamada de senhora, até agora.
– Não quer entrar? – Oferece, educada. Queria mesmo convidar alguém para entrar, agora que finalmente fizera a casa de seus sonhos. Seus sonhos com Tom.
– Eu ia te oferecer agora, na verdade. – Hermione ergue as sobrancelhas, confusa. – Normalmente sou uma vizinha amigável com deliciosas tortas de maçã, mas não tive tempo de preparar. – Desculpa-se. – Mas é aniversário do meu filho, então, minha casa está, digamos, cheia de pestinhas! – Brinca.
– Tem filhos? – Pergunta como quem não quer nada.
– Dois. – Confirma. – Harry e Julian. – Completa.
– Oh! Dois... – Repete surpresa. Ela sorri. – E eu aqui com meu primeiro. – Diz desconcertada.
– Ah sim! Você está tão grávida! Meu Deus! Quantos meses? – Hermione abre a boca para responder. – Não! Me deixa adivinhar! Oito! Quase pra ter, eu aposto!
– É! Em três semanas faço nove!
– Uau! – Lílian sorri de orelha à orelha. – É mágico, não é?! – Hermione sorri e concorda com uma risada.
– Vamos, por favor. Vai ser ótimo pra você conviver com crianças! Principalmente com as minhas crianças, diga-se de passagem! – Lílian ri juntamente com Hermione. – Chame seu marido também!
– Ah! Eu... – Hermione pigarreia. – Eu não, hm, tenho marido.
– O quê? Como não?
– Ele, hm...
– Ele...?
– Morreu. – Inventa. Lílian a encara por longos minutos antes de lhe dar um abraço apertado. – Você sabe... A guerra.
– Eu sinto muito! Sou tão indiscreta, às vezes.
– Tudo bem, Lílian. Eu já... – Hermione suspirou. – Nós já superamos isso. – Diz passando a mão levemente pela barriga inchada.
– Bem, vamos? Vai ser ótimo pra você! – Repete. – Vi você chegar no outro dia. Quando estava chovendo! Depois, você não saiu mais, não pude vir te ver!
– Ah! Eu não saio muito.
– Nem visita os vizinhos? Onde esqueceu sua educação?! – Joga brincando. – Você vai sim, ok?! Vamos! – Hermione se deixa levar por Lílian Potter puxando seus braços gentilmente até a casa a frente. Lílian empurra a porta da frente deixando-a escancarada. Hermione pode ver a mesa sendo organizada pela mulher ruiva gordinha. Molly Weasley. – James, querido.
– Aqui na cozinha! – Responde.
– Molly, isto está simplesmente l-i-n-d-o! Ele vai adorar! – Lílian diz se soltando de Hermione e caminhando à mesa cheia de aperitivos. – Você é incrível! Já te disse isso hoje?
– Acabou de dizer. – Molly diz sorrindo. – Fred, George, deixem o gato da Mione em paz. Não quero estar na pele de vocês quando ela ver isso!
– O que é isso, mãe! – Fred diz.
– Admita que ficou bem mais bonito assim! – George completa erguendo o gato roxo.
– O voltem ao normal agora! E chamem o Arthur aqui! Merlin, me digam que ele não está olhando o carro de novo!
– Ele está. – Os dois afirmam rindo.
– Arthur!
– Ah! Molly! Quase me esqueci. – Lílian diz e ambas voltam-se para Hermione. – Essa é Hermione Johnson. – Apresenta. – Ela acabou de se mudar para a casa em frente.
– A casa macabra? Meu Merlin, mulher! Tantas casas livres e Godric’s Hollow e você vai logo na pior? – Molly ri mas em seguida se estica dando um abraço em Hermione. – Sou Molly Weasley. – Diz sorrindo. – E, sim. Os dois que saíram daqui são meus! Na verdade, tenho mais cinco.
– Tem sete filhos? – Hermione se força a ficar surpresa.
– Mas é claro! Gui, Carlinhos, Percy, Fred, George, Ronald e Ginevra.
– Seis meninos e uma menina?! Nossa! – Diz novamente se forçando a ficar surpresa.
– Nem imagina como é terrível! – Diz e ri em seguida. Estica o corpo e vê Arthur Weasley entrar pela porta dos fundos. – Arthur, querido, venha conhecer a nova vizinha de porta dos Potter. – Arthur caminha até Molly. – Conheça Hermione Johnson!
– Mais uma Hermione! Mas vejam só! – Arthur Weasley sorri amigável e estica uma mão. – Arthur Weasley. Ela já conheceu os meninos?
– Esqueçam! Hermione primeiro vai conhecer os meus meninos. – Diz Lílian puxando Hermione pelos braços sorrindo. – Eles são um amor, não são?! – Ela diz assim que entram na cozinha.
– Com certeza.
– E os filhos dela?! São tão fofos!
– Imagino!
– James, amor. – Ele está concentrado em algo sobre o fogão.
– Querida, acha que está bom? Não sou a Molly, mas... Eu gostei. – Ele estende uma colher. Lílian leva o conteúdo à boca e faz uma careta.
– Muito doce. Coloca mais leite. – Sugeriu. – Mas antes... – James se vira para Hermione sorrindo. Ele está enfiado em uma roupa social suja de chocolate. – Conheça nossa nova vizinha: Hermione Johnson!
– Hermione, huh?! – Ele estende uma mão. – Nome incomum! Só conheço uma!
– Mesmo? Nunca conheci outra Hermione. – Diz sorrindo.
– É uma das amiguinhas de Harry. É também uma excelente aluna!
– Mesmo? Eu era ótima também.
– Mesmo?! – Lílian sorri animada. – Realmente, temos tudo para sermos amigas! Não acha, James?
– Duas mães lindas, inteligentes que moram em Godric’s Hollow. Uau! Vocês estão destinadas a serem melhores amigas! – Zomba. Lílian se limita a mostrar a língua como uma pré adolescente e caminhar em direção à porta dos fundos.
– Precisa ver nosso quintal! – Diz puxando-a delicadamente pelos punhos. Hermione observou o grupo que acabara de aparatar ali. – Sirius! – Lílian diz caminhando animadamente me direção ao homem a sua frente. – Remo! Pedro!
– Lily Potter! Sua grande cretina! – Sirius diz a erguendo no ar. – Como ousa crer que eu não iria vir ao aniversário do meu afilhado! – Lílian ri.
– Seu pai vem?
– Não sei. Ele disse que tentaria.
– Tomara que não! – Lílian joga.
– Também estou na torcida. – Confirma, rindo.
– E sua mãe.
– Ela vem daqui a pouco.
– Régulo?
– Ele anda ocupado no ministério.
– Ah! Queria que Régulo viesse.
– Lamento. – Sirius sorriu para Hermione acompanhado por Remo e Pedro.
– Ah! Essa é Hermione Johnson! Ela acabou de se mudar para a casa em frente. – Sirius esticou a mão. – Este é Sirius Black. Ele é o melhor amigo do James e padrinho dos meninos.
– É um prazer. – Hermione diz sorrindo.
– Este, é Remo. – Continua Lílian. – Ele e Pedro estudara com James e Sirius. São inseparáveis! – Hermione ri juntamente com Lílian. – Olha! Os Malfoy chegaram! Vamos até eles! – Dito isso puxou novamente Hermione pelo pulso. – Lucius, Cissa! – Para a surpresa de Hermione, Lucius abre um sorriso maior que a cara e dá um abraço apertado em Lílian. – Draco, meu amor! Se não fossem Harry e Julian você seria o garoto mais bonito desse mundo! – Draco sorri. Ao topo de seus onze anos é o sorriso mais lindo que Hermione o viu dar. Não parecia forçar nem nada, estava apenas sorrindo. – Mas não deixe o Ron ouvir isso, hein?! – Draco ri e ergue o presente embrulhado. – Oh! Julian e Harry foram jogar quadribol! Trouxe vassoura? – Draco negou. – Bem, você sabe onde fica nosso armário. – Draco assente e em seguida sai correndo. – Lucius, Cissa! Não estão esperando um convite não é? Vocês são de casa!
– Obrigado, Lily.
– Por nada. – Pouco atrás de Lucius e Narcisa, alguém aparada e começa a caminhar. A bengala caríssima no chão. Os fios loiros caindo nos ombros. – Abraxas! – Ele sorri levemente. – Que bom que veio! Com certeza James ficará feliz. Faz tempo que não se veem não é? – Lílian diz se colocando ao lado do loiro.
– É! Faz um tempinho. Não tenho tido tempo. – Lily o repreende com o olhar.
– Bem, agora que todos os Malfoys estão aqui eu já posso apresentar minha nova vizinha de porta...
– Mione? – Hermione ergue os ombros sorrindo. – Finalmente saiu de casa? – Ela ri, mas caminha até o mais velho para um abraço.
– Minha nova vizinha de porta que Abraxas Malfoy já conhece! – Lílian diz rindo. – Lucius, Cissa, essa é Hermione Johnson. Ela se mudou para a casa em frente.
– Eu a trouxe pra cá, Lílian!
– Ah! Era você o homem com ela naquele dia? – Ele assente. – Uau. – As risadas invadiram o ambiente e foi assim pelo restante do dia. Hermione os viu e sorriu como nunca. Seus amigos. Harry, Gina, Ron e até os Lovegood foram a festa. E se viu; com aquele cabelo horrível e os pais.
Hermione estava sentada na varanda juntamente com Abraxas e Sirius conversando sobre Rita Skeeter e suas fofocas quando o silêncio domina o lugar. Hermione continua falando, falando e falando sobre sei ódio mortal pela víbora peçonhenta do Profeta Diário até por fim notar as reações de Abbie e Sirius.
– Pai... – Sirius é o primeiro a falar e se levanta em silêncio. Hermione se vira acariciando a barriga. Ele assente. A barba rala em seu queixo o deixa mais bonito que nunca; os fios negros estão penteados e os olhos azuis reviram o lugar. Está enfiado em roupas negras e Hermione pode ver a varinha em suas mãos. Ele move a cabeça em silêncio estralando o pescoço e a encara firmemente.
– Milord. – É tudo o que Abbie consegue dizer.
– Boa tarde, Abbie. – Tom sorri. O sorriso mais falso e convincente que consegue. – Boa tarde, Sirius. – Diz em seguida. – Boa tarde senhora...?
– Johnson. – Sirius diz antes que Hermione possa responder. – Ela é Hermione Johnson. A nova vizinha de porta dos Potter. – Ele assente.
– Boa tarde, Sra. Johnson. – Diz antes de caminhar para dentro da casa. O silêncio pairou por longos minutos.
– Sirius é filho dele? – Murmura.
– Tem só o nome Black. – Explica. – Pouco depois de você voltar Calidora engravidou. Casou-se com o primo mesmo assim e deu o nome pra ele, mas todos sabem que ele é filho do Tom. Não tem nada do Black. – Confirma. – Tom nunca deu muita bola pro filho. Sirius também nunca deu muita bola pro pai. São afastados.
– Sirius é um comensal?
– Não. Mas Tom costuma vigiá-lo pra saber com quem ele anda. Sabe como ele é com essas coisas.
– Nossa! – Hermione sussurra. – Uau! –Ela encara a barriga. – Me peguei pensando... – Começa. – Se vai se parecer com ele.
– Não pensa nisso agora, Mione. – Diz. – Tenta se acalmar, ok? Tenho que... Entrar. Vai ficar bem? – Ela assente. Abraxas se levanta caminhando em direção a porta e suspirando antes de entrar.
─∞─
Hermione suspirou observando o pouco movimento nas ruas, aos poucos, todos os convidados dos Potter estavam se retirando, e não para menos. Já era hora.
– Que bom que veio, Tom. – Ela observa na entrada a imagem de James Potter e Tom Riddle.
– Por nada, James. – Ele sorriu tranquilo. – Julian está grande, huh?
– Pois é... – James dá de ombros. – E eu estou ficando velho. – Tom nega, sorrindo.
– Eu estou velho.
– James! – O grito de Lílian ecoa pela casa.
– Já volto, Tom. – E em um segundo, James Potter não está mais lá. Tom a encara. As mãos pousadas sobre a barriga inchada encarando o nada.
– Com licença, Sra. Johnson. – Ela continua em silêncio encarando a própria casa. – Sra. Johnson! – Ela vira o rosto encarando-o.
– Está falando comigo?
– É, estou.
– Ah! Perdão! Só Hermione, por favor. – Ele assente.
– Já nos conhecemos? – Ele pergunta. Hermione o encara; aqueles olhos, como ela amava aqueles olhos.
– Não. Sinto muito. Está me confundindo com alguém.
– Devo estar. – Diz como quem se desculpa. – Minha mente está longe. – Ela assente. – Quantos meses?
– Oito. Quase nove.
– Menino?
– Não sei... – Ela ri.
– Não sabe?
– Eu e... Bem, eu e meu noivo queríamos saber na hora. Tipo, uma surpresa, sabe?! – Ele ri.
– Uau!
– Queria que ele estivesse aqui comigo. – Sussurra. – Provavelmente estaríamos decidindo nomes. – Hermione funga, chorosa.
– Lílian me contou. Lamento por seu noivo. – O silêncio domina o ar por alguns segundos. – Que nome pensa em dar?
– Tom. – Diz simplesmente. Por um momento se esqueceu de com quem estava conversando. – Se for um menino, é claro. – Ela passa a mão pelo rosto molhado. – Pra menina talvez... Mary. Não! Mary Jolene. É um ótimo nome! – Sussurra.
– O que disse?
– Era o nome de uma amiga. – Diz aos prantos. – Ela morreu.
– Não! Você não era amiga de Mary Jolene e tenho certeza disso!
– Ela era uma batedora incrível! Quando jogava pra Sonserina não tinha quem ganhasse! – Murmura. – Eu não acredito até hoje!
– O que...?
– Abbie ficou... Terrível!
– Há quanto tempo conhece Abbie?
– Fizemos o ultimo ano em Hogwarts juntos.
– Não! – Discorda. – Não fez mesmo! Quem é você?! – Hermione o encara. Agora, ele está com as mãos em seus ombros apertando-a. Hermione o encara. O que tinha feito? Malditos hormônios! Sempre a faziam falar demais!
– Eu... Eu preciso ir pra casa. – Diz se soltando e caminhando apressadamente em direção a casa do outro lado da rua trancando a porta em seguida. – Merlin! – Sussurra. – Você e sua grande boca aberta, Hermione! – Diz a si mesma.
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