Villain
20 Capitulo 19 – O espelho de Ojesed
Notas iniciais
Capitulo 19 – O espelho de Ojesed
“Não são nossos atos que definem quem somos, mas sim nossas escolhas.”
As coisas estão dando certo, cada vez mais certo. É o ultimo dia em Hogwarts, o ultimo dia no que foi seu lar. Hermione permanecia em silêncio, observando atentamente todo o castelo, visto de Hogsmeade.
Tom parecia concentrado em falar animadamente com Abraxas e Mary Jolene, os únicos que não sairiam de Hogwarts, já que Abraxas ganhara a vaga de professor de Defesa contra as Artes das Trevas, graças a suas habilidades com magia negra. Realmente, estava tudo decidido. A vida de todos estava decidida. Malfoy arrumara um casa menor que seu quarto na Malfoy Manor em Hogsmeade e não parecia incomodado com tal. Na verdade, nem ele, nem Mary passariam muito tempo ali, afinal, Mary iria fazer o que fazia de melhor: Jogar quadribol. Realmente, como dissera Dumbledore um dia antes, estavam todos encaminhados.
Mary iria para o Montrose Magpies, como batedora; Hermione para o quinto nível do Ministério juntamente com Tom: Departamento de Cooperação Internacional em Magia; e Abraxas ficaria em Hogwarts, dando aulas – e diga-se de passagem que alguns primeiranistas grifinórios já não gostaram da ideia.
Tom havia se desfeito totalmente dos antigos “amigos”; nem mesmo se olhavam, pra falar a verdade. Talvez Avery se tornasse o grande líder do grupo de bruxos das trevas e talvez a guerra fosse acontecer de qualquer maneira, mas Tom não parecia disposto a causá-la. Tinha um quarto no Beco Diagonal incomodamente próximo à Travessa do Tranco, local onde seus antigos amigos tinham o hábito de frequentar, mas prometera a Hermione ser temporário e que logo, teriam uma casa de verdade, longe daquilo tudo. Era perfeito. Perfeito demais. Tudo o que ela sempre quis. Seus amigos estavam a salvo, Tom e ela estavam juntos, o mundo estava tranquilo e em alguns meses, Dumbledore derrotaria Grindewald e as coisas ficariam da maneira que realmente deveriam ser.
Estavam no Três Vassouras bebendo e não eram os únicos, a maioria dos alunos do sétimo ano estavam ali. Nessa época sempre estava abarrotado de alunos que não queriam se despedir de Hogwarts.
– Suas coisas já estão aqui, Abbie? – Tom jogou, dando um último gole em sua cerveja amanteigada. Abraxas assentiu de boca cheia. Engoliu tudo de uma vez para poder falar.
– Pedi nosso elfo doméstico para trazer. Não precisou nem de duas viagens. Trouxe tudo em duas malas e voltou pra casa. – Disse bebendo o resto de seu copo.
– Ainda tem um elfo doméstico, Abraxas? – Hermione jogou, cruzando as pernas em baixo da mesa. Já estava sem seu uniforme e enfiada num vestido vermelho que ganhara de Mary Jolene.
– Não me venha com essa, Hermione! É apenas um elfo, eu não o trato mal. Nos damos até bem!
– Abraxas!
– Sem essa, não vou soltá-lo. Não sou nem senhor dele mais! – Bufou. – Ah! Cale a boca e peça uma cerveja amanteigada logo! – Bufou procurando para alguém que enchesse seu copo. – Bem, o bom disso é não estou me despedindo de casa. – Completou animadamente.
–Sorte sua, não sabe como é difícil dizer adeus a esse lugar. – Diz Tom num suspiro pesado. – Não tem ideia de como era horrível sair daqui e ir para Wools. – Suspira. – Aquele quarto minúsculo naquela merda de bairro.
– Bem, agora, você vai para seu quarto minúsculo na Travessa do Tranco, uma excelente melhora não é?! – Jogou Mary Jolene rindo em seguida. Tom riu juntamente com ela. Realmente, trocou seis por meia dúzia.
– Como você é cruel, Mary... – Hermione riu baixinho enlaçando as mãos as de Tom embaixo da mesa. Ele sorriu minimamente e com a mão livre levou o copo de cerveja amanteigada aos lábios dando o gole final. – Vamos a Dedosmel. – Sussurrou. – Tenho que comprar doces para alguém. – Tom assentiu levantando-se.
– Malfoy, você é o rico entre nós. Estourei minhas economias com o quarto, não vai te matar pagar a conta. – Disse com o braço ao redor dos ombros de Hermione.
– Fala sério, é assim que me fala que vai procurar um canto vazio pra se agarrar com minha melhor amiga?! – Tom riu.
– Quer que eu seja mais direto?
– Por favor.
– Vamos a Dedosmel. – Jogou andando.
– Ei! Se agarrar na Dedosmel não é uma boa ideia! – Gritou vendo-o perto da porta. – Tem crianças lá!
– Vá à merda, Abbie! – Tom jogou antes de sair.
Enlaçaram as mãos novamente. Andavam frequentemente assim, de mãos juntas, e, às vezes, com mais do que mãos juntas. Andavam frequentemente juntos. Fazendo não-sei-o-quê quando ninguém olhava.
– Para quem tem que comprar doces? – Perguntou quando atravessaram a entrada da loja. As crianças do primeiro ano tinham sacolas e mais sacolas de doces nas mãos.
– Varinhas de chocolate... Diabinhos de canela... Feijõezinhos de todos os sabores... – Hermione pensou alto olhando o grande livro de doces. – Abacaxis cristalizados... Penas de açúcar... Gotas de unicórnio... – Tom riu. Fingir que não estava ouvindo. Típico dela.
– Ei, noiva... – Passou os braços ao redor do corpo dela pressionando-a contra a bancada colorida. – Estamos comprando doces pra quem? – Hermione riu e roubou um pequeno abacaxi cristalizado do mostruário colocando-o na boca. – Ah... Saquei. É feio falar de boca cheia, né?! – Hermione concordou e fez uma careta em seguida. – Uma pena ter pegado um dos poucos doces que tenho certeza que vai odiar. – Tom riu da careta. Hermione engoliu o doce rapidamente. – Vai, qual é, me fala.
– Que coisa horrível. – Reclamou.
– Não seja reclamona. – Ralhou Tom contra o pescoço dela. A loja estava cheia, com certeza, dois adolescentes não chamariam tanta atenção. – Me fala, vai... Pra quem vamos comprar doces?
– Quero penas de açúcar... – Reclamou. Tom riu. – E gotas de unicórnio... E sapos de chocolate!
– Me fala que eu compro.
– Não posso mais dar doces pro meu bebê em paz?! – Tom ficou em silêncio por longos minutos; a frase estava ecoando em sua mente. – Tom?
– Só um minuto... – Pediu. – Estou tentando me lembrar como se respira. – Puxou o ar fortemente e fechou os olhos repetindo a frase mais uma vez.
– Tom?
– Isso é verdade? – Ele sorria. Um sorriso maior que a cara; os olhos claros brilhando mais que nunca.
– É... – Passou os braços ao redor de Hermione afundando o rosto em seu pescoço. Hermione podia sentir as lágrimas quentes contra a sua pele.
– Eu te amo. Eu te amo muito mesmo. – Sussurrou. – Eu amo vocês.
– Nós também te amamos, Tom. – Sussurrou em retorno, passando os braços fortemente ao redor do corpo dele.
– Em alguns meses, nós vamos sair daquele quarto, vamos comprar uma casa em... Não sei, onde você quiser! – Hermione riu baixinho sem soltá-lo. – E vamos ter um quarto pra ele, ou pra ela. E eu vou trabalhar o dia inteiro e voltar pra casa pra ver vocês e, enfim, nós vamos ser uma família, ok?
– Ok. – Concordou escondendo o rosto em seu peito. – Eu te amo.
– Eu também te amo. Muito. Pra caralho.
SETE MESES DEPOIS...
– Fala sério, Riddle. Isso é horrível. – Mary Jolene jogou. Estava enfiada em um vestido caríssimo e com óculos de sol.
– Horrível é você! – Tom rebateu puxando uma parte desgastada do papel de parede.
– Como pôde vir pra esse moquifo, Hermione? – Jogou encarando a mulher a sua frente.
– Não é tão horrível assim, Mary. – Rebateu Hermione defendendo-se.
– Não é? É terrível! – Jogou encarando uma infiltração no teto.
– Mary, pare de ser chata. É uma boa casa. – Mafoy disse. Tinha nas mãos um livro grosso sobre dementadores e Azkaban e na cara, um óculos de meia-lua.
– Obrigada, Abbie. – Hermione disse rindo.
– É só trocar os papéis de parede, concertar os encanamentos, a cerca e o jardim e pronto! – Deu de ombros. – Nada que um movimento de varinhas não faça! É Godric’s Hollow, ninguém vai se surpreender com isso, aqui.
– Realmente, ninguém vai. – Disse Tom movendo levemente a varinha concertando um grande pedaço do papel de parede que insistia em soltar. O papel se prendeu a parede novamente.
– Mas e todo o resto? A mobília, o quarto do bebê, tudo! Abbie...
– Nem ouse! – Hermione cortou. – Temos nosso dinheiro!
– Estão morando em Godric’s Hollow! – Disse mimada. – Tom, por que não comprou a casa livre em Largo Grimmauld?
– Era perto da casa dos Black e não queria Hermione esbarrando com Calidora por aí.
– E nem você quer esbarrar com o Sr.e Sra. Black, não é?! Principalmente com sua nova noiva!
– Não tenho problemas com os Black, Mary. Só não quero Hermione esbarrando com Calidora. Sabe que ela é maluca! Godric’s Hollow é um bom lugar também.
– É muito longe de nós!
– Mary, qualquer lugar é longe de Hogsmeade! – Mary Jolene fez uma careta e mostrou língua.
– Nossa casa é linda!
– A nossa também. – Jogou Hermione ofendida. Passava as mãos pela barriga inchada; vez ou outra chutava, mas era raro. Normalmente, só o fazia na presença do pai. – Ou pelo menos vai ser uma hora... – Completou mais baixo.
– Hermione! Nosso afilhado não pode morar num projeto de casa como esse! – Jogou irritada.
– Contenha-se, Mary. A casa e o filho são deles. Eles que decidem!
– Mas a Malfoy Manor está aberta se quiserem.
– Não, obrigada! – Jogou Hermione. Tom, que já estava em silêncio há alguns minutos, continuava movendo a varinha lentamente concertando papeis de parede desbotados. – Eu até ofereceria algo, mas acho que Mary não quer comer na minha casa! – Jogou Hermione, dramática.
– E também por que a cozinha não está pronta. – Riu Tom sem parar o que fazia. Mary bufou.
– Tom, posso pelo menos mandar um elfo doméstico pra te ajudar a montar a casa? Você e Hermione passam o dia no ministério. Desse jeito o bebê vai nascer e vocês ainda não vão ter terminado. – Sugeriu Malfoy. – Dobby é um bom elfo. Vai fazer o que puder para ajudá-los!
– Não queremos elfos domésticos em nossa casa, Abbie. – Jogou Hermione.
– Hermione! – Reclamou. – Ele não vai trabalhar para vocês, vai apenas ajudar a terminar essas coisas na casa! Você sabe que não vão conseguir!
– De jeito nenhum!
– Hermione!
– Não!
– Pode mandá-lo, Abbie! Mas ele só pode ficar na casa quando estivermos fora. – Alertou Tom.
– Tom!
– Hermione, uma ajuda não faz mal. Temos três meses para terminar a casa inteira antes do bebê. Isso não é exatamente muito tempo!
– Mas, um elfo doméstico?!
– Sim. Um elfo doméstico. Não vamos nem vê-lo.
– Mas ele vai vir.
– Hermione...
– Abraxas tem que libertá-lo se quer que ele venha nos ajudar!
– O quê?! Não! Dobby é um ótimo elfo! – Reclamou Abraxas.
– Abraxas, é só um elfo. Sua família tem vários deles!
– Mas...
– Por favor... Não consigo nem sequer pensar em fazer alguma coisa quando volto do trabalho!
– Tudo bem, tudo bem, mas sabem que se eu o libertar terão de pagá-lo se ele vier aqui, não é?!
– Sabemos e vamos! – Jogou Hermione irritada. Tom bufou guardando a varinha.
– Não fique brava, amor. É só por um tempo. – Pediu tom num biquinho.
– Isso não é legal. – Tom riu baixinho e beijou o pescoço da noiva.
– É sim. Você precisa descansar. As coisas estão uma loucura no ministério. A prisão de Grindewald não foi o final. Ainda temos que procurar seus aliados. Você tem trabalhado mais do que eu, até. Precisa de um tempo. Não pode chegar em casa e trabalhar mais. Daqui a pouco, nosso filho nasce conjurando feitiços de prisões para os aliados de Grindewald e pintando paredes. – Hermione riu baixinho se encolhendo contra os braços de Tom, agora ao redor de seu corpo. – Quero te abraçar, mas... – Ele para pensando. – Tem algo entre nós... – Hermione ri mais alto. – Não consigo explicar! Algo grande! – Hermione continuava rindo. Pôde sentir a criança inquieta em seu corpo, mas não parou de rir. – E olha: até se mexe! – Tom riu juntamente com ela. – Eu te amo, ok?! – Hermione sorri em retorno, acariciando a barriga para sentir os chutes. – E você também. – Diz, agora, encarando a protuberância entre os dois. – Preciso ir a Travessa do Tranco buscar algumas coisas no quarto. Volto logo, ok? – Hermione assente. – Quer algo?
– Doces... – Murmura corando.
– Ok. Doces. – Diz antes de caminhar em direção às escadas. – Volto logo, querida. – Diz já no ultimo degrau. Uma chuva fina caía do lado de fora. – Trago o jantar! – Sua voz é um eco agora. Hermione pensa em responder, mas talvez ele já tenha até aparatado.
Senta-se em algum canto acariciando a barriga enquanto conversa com Mary Jolene. Abraxas continua prendendo papéis de parede soltos pela casa através de magia.
─∞─
Abriu os olhos quando o clarão iluminou toda a casa por um segundo. Tinha pegado no sono depois das uma da manhã. Levantou-se do colchão jogado no chão lentamente tocando a barriga inchada. Puxou o ar profundamente encarando a chuva forte do lado de fora.
– Tom? – Chamou lentamente, na esperança de que ele já estivesse por ali.
– Abbie saiu para procurá-lo depois que você dormiu. – Pôde ouvir a voz de Mary Jolene no escuro.
– Isso há quanto tempo?
– Meia hora, talvez quarenta minutos. – Hermione suspirou. – Está tudo bem, Mione. Nada de terrível deve ter acontecido.
– Ou talvez tenha... – Arfou.
– Você precisa descansar, Herms. Nada aconteceu, ok?! – Tentou Mary outra vez. Hermione levantou-se; as mãos apoiadas na parede e em seguida colocou-se de frente a uma janela observando a chuva do lado de fora. Nada poderia tranquilizá-la agora. Mary soube disso, afinal, era Hermione! Ela se preocupava com tudo e todos! Principalmente quando se tratava de Tom.
Encarou a escadaria quando ouviu o som da porta sendo aberta e em seguida fechada.
– Mary! – Era Abraxas. Estava de volta. – Desça aqui! – Gritou novamente.
– Herms, fique aqui, tudo bem?! – Hermione assentiu, levando as mãos ao rosto. – Prometo que volto o mais rápido que conseguir. – E desapareceu na saída, mas em seguida o silêncio se instaurou na casa. Sabia que ela e Abraxas estavam conversando baixo no andar de baixo e teve certeza de que algo estava errado.
─∞─
– Her... Mione... – Gemeu outra vez. – Her...
– Estou aqui, Tom... – Murmurou em retorno. Sabia que ele não podia ouvi-la, mas mesmo assim o respondia.
Atacado por seguidores de Grindewald. Quase morto em uma cama do St. Mungus há três semanas. Quantos motivos para desistir e nenhum havia sido suficientemente forte para fazê-la desistir dele.
– Hermione... – Ela encarou os fios loiros a sua frente. Vinha sempre que podia. Mas Hogwarts parecia sempre cheia demais para deixá-lo sair. – Tem alguém que quer vê-la. – Abraxas apontou a porta. – Não se preocupe. Eu fico com ele. Chamo se alguma coisa acontecer. – Hermione assentiu e levantou-se lentamente. Abbie passou um braço ao redor de seus quadris caminhando até a porta com ela. – Não se preocupe, Mione. – Murmurou. – Tudo vai melhorar. – Completou. Ela assentiu e levou a mão à maçaneta.
– Eu sei... – Respondeu antes de sair. Fechou a porta atrás de si e o encarou. A este ponto, a barba já estava maior e poderia jurar que se parecia cada vez mais com o Dumbledore da primeira vez que o viu. Ele não sorriu. – Professor... – Cumprimentou fungando em seguida.
– Uma vez eu disse a Tom que isso aconteceria. – Disse simplesmente.
– Ser atacado por seguidores de Grindewald? Não... Isso não deveria acontecer. – Fungou novamente. – Ele não deveria ser atacado por ninguém. É um dos maiores bruxos que conheço.
– Foi um dos maiores bruxos que conheceu, Srta. Granger.
– Não se refira a ele no passado, Dumbledore! Ele não vai morrer! – Passou a blusa de mangas longas pelo rosto encharcado.
– Assim esperamos todos.
– Eu não espero! Eu tenho certeza! – Fungou pela terceira vez em prantos.
– Granger, você sabe que ele vai sobreviver, e sabe como.
– Eu não posso. Não assim, Dumbledore. Não agora.
– Você é Hermione Granger. Pode o que quiser. Se não quer que essa certeza desapareça, sabe o que deve saber.
– Preciso de ajuda.
– Seu amigo com certeza vai entender. – Hermione puxou o ar fortemente tentando debilmente conter as lágrimas. – Você sabe que as coisas serão diferentes de agora em diante. Em quanto tempo os seguidores de Grindewald foram pegos no seu tempo? Duas, três semanas?! Há quanto tempo estão os procurando agora? Seis meses? – Hermione ficou em silêncio, absorvendo as palavras do professor a sua frente. – As coisas estão saindo do nosso controle, Srta. Granger. – Hermione assentiu. – Enquanto você estiver aqui, um não poderá ficar a salvo juntamente com o outro. Independentemente do que façamos, algum dos dois sairá morto desta história. Não importa quantas vezes você o Riddle voltem no tempo. – Hermione fungou.
– Nos vemos em Hogwarts em dois dias. – Murmurou. – É tudo o que preciso. – Dumbledore assentiu. Levantou-se olhando por um segundo pelo vidro da porta antes de voltar a caminhar lentamente em direção à saída. Era hora. Hermione deu um passo adiante empurrando a porta. – Abbie, preciso que venha comigo. Temos que fazer muita coisa ainda. – Abraxas se levantou. – Eu sei como resolver isso. – Assentiu.
– Vai voltar, não é?! – Hermione assentiu. – E nós vamos apagá-la desse tempo... – Concluiu em seguida. Assentiu novamente.
– Vai ser como se eu nunca tivesse existido. – Concordou.
– Eu ainda vou poder me lembrar? – Assentiu. – Como vai voltar?
– Não sei... – Abbie concordou fungando em seguida. Passou os braços ao redor de Hermione delicadamente.
– Você é minha melhor amiga, Mione. – Estava chorando. – Eu te amo. E quando você voltar eu ainda vou estar aqui, tudo bem?! – Hermione assentiu.
DOIS DIAS DEPOIS...
Hermione o encarou, os fios loiros estavam maiores e estava enfiado em vestes negras; balançava sua bengala Malfoy de um lado para o outro. O rosto pálido estava um pouco avermelhado. Soltou as mãos dela quando ela deu um passo adiante. Encarou a gigantesca moldura e em seguida, o próprio reflexo ali.
Não mostro seu rosto, mas o desejo em seu coração.
O espelho de Ojesed. Hermione encarou-se; pôde vê-lo. Tom. Parado ao seu lado. Um sorriso iluminando o rosto com uma barba rala. Do outro lado, Abraxas, sorrindo também. Os fios loiros passando pelos ombros e parando nas costas; Harry parado ao seu lado, em toda a felicidade de seus onze anos, ao seu lado, Ronald Weasley sorria em retorno. Dumbledore estava ali, e também sorria, pôde vier Lílian e Tiago Potter parados ao lado de Arthur e Molly Weasley, e Sirius ao lado de Snape. Todos ali. Todos que ela queria que continuassem juntos. Pôde até mesmo reconhecer um Charlus Potter enrugado atrás de Harry. Instintivamente, esticou as mãos até o vidro. Primeiro, sentiu a textura gelada para em seguida, sentir o líquido e as mãos do outro lado. Fechou os olhos pensando em voltar, e lembrou-se de Tom, deitado em uma cama quase morto e deu um passo adiante abrindo os olhos. Pôde ver Abraxas um ultimo segundo antes de atravessar o vidro. Respirou fundo levando as mãos à barriga inchada encarando todo o local.
Hogwarts. Dumbledore parado a sua frente, da mesma maneira que o vira da primeira vez, tão velho quanto deveria ser. Ao seu lado, reconheceu Abraxas. Os fios loiros caíam até a metade de suas costas enquanto ele erguia uma sobrancelha. Tinha uma barba rala surgindo em seu queixo e tinha olheiras roxas contrastando com o rosto pálido. Os olhos azuis cintilavam e ele sorriu.
De volta a seu tempo.
1991. O ano em que entrou em Hogwarts.
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