Villain
18 Capitulo 17 – Harry Potter
Notas iniciais
Lumus
Eu juro solenemente não fazer nada de bom
“Coisas terríveis aconteceram a bruxos que voltaram no tempo”
Alvo Dumbledore
Abraxas estava em silêncio. Os braços calmamente repousados ao redor dos quadris dela. Pareciam duas peças de um mesmo elemento: Encaixe perfeito! Estavam sentados em silêncio vendo Augustus Lovegood dançar sobre eles atirando balaços para todo lado. Pôde ver Hermione do outro lado do campo. E estava falando com ele.
– Está pronta? – Ela assentiu. Tom parecia decidido a fazê-lo. Passou a mão carinhosamente pelo rosto dela colocando uma mecha castanha para trás da orelha. Se abaixou colando os lábios aos dela e os múrmuros começaram a ser audíveis. Mas aquilo não era nada. As pessoas apontariam e fofocariam e Calidora provavelmente gritaria e choraria como uma criança. E os comensais... Ah! Eles iriam cair em cima dela como se fosse uma caça! – Vamos lá! – Cruzou a mão com a dela e deu um passo adiante puxando-a para frente. Pelo visto, a intenção dela era ficar parada como uma estátua, mas não deu muito certo.
Hermione se encolheu sentindo os braços dele ao redor de seus ombros e respirou fundo tentando assimilar todo o acontecido.
– Não fale com os grifinórios. – Pediu. Hermione pensou em retrucar, mas então os viu. Estavam enfiados em trajes caros e escuros; sentados em um grupo calado atrás de Abraxas e Mary Jolene. Naomi estava entre eles, mas parecia levemente incomodada.
Chegaram a arquibancada e Abraxas a encarou, incrédulo. A esse ponto, os comentários já eram mais altos que a torcida. “Aposto que foi por isso que ele é Calidora terminaram!”, “Que nada! Riddle com toda certeza fez algo que a convenceu a largar o Lovegood!”, Tom não disse nada. Apenas se sentou ao lado dela em silêncio.
– Bom dia, Mione. – Mary Jolene cumprimentou estendendo um sapo de chocolate. Hermione sorriu em retorno – pelo menos ainda podia falar com Mary Jolene – e instintivamente se aninhou no corpo de Tom quando Calidora passou pelos dois. Ela não disse nada. Nem sequer lhes dirigiu o olhar. Abraxas se levantou num salto gritando alto quando Charlus Potter foi atingindo por um balaço e escorregou da vassoura.
Não foi o único a fazê-lo. A plateia quase inteira estava de pé. Todos curiosos para ver se Charlus Potter ainda estava vivo. Charlus Potter segurou-se na ponta da vassoura balançando de um lado para o outro; a vassoura voou descontroladamente de um lado para o outro.
– Alguém o está azarando. – Disse encarando Mary Jolene. No momento seguinte, Charlus estava despencando de trinta metros de altura. Hermione impulsionou o corpo para frente, mas em seguida sentiu os braços de Tom ao redor de seu quadris. O encarou em desespero. – Ele vai se machucar! – Implorou. – Tom!
– Se fizer isso, todo nosso plano vai abaixo. – Sussurrou no ouvido dela. – É Avery. – Delatou. Mas já era tarde, o apito da juíza soou alto enquanto todos os professores levantavam-se das cadeiras encaminhando-se para o campo. Charlus Potter já estava espatifado no chão inconsciente, talvez morto.
─ ∞ ─
Tom continuou em silêncio encarando as duas garotas debaterem baixo no canto do salão comunal. Estavam lá desde que os alunos foram dispensados e o jogo cancelado. Mary Jolene estava enchendo Hermione de perguntas das quais ainda não tinha resposta. Como seu súbito aparecimento incrivelmente romântico com Tom na frente de todos os seus seguidores malignos, ou o porquê de ela não ter salvo Charlus se soubesse um feitiço para tal ou pelo menos cortado o contato visual de Avery. Alguns segundos teriam sido o suficiente para que ele se agarrasse mais a vassoura – e o pomo.
Mas Abraxas não precisara perguntar. Não precisara falar nada. Já sabia como Tom estava pensando. Sabia que era um grande exagero não deixá-la salvá-lo, mas pela primeira vez, estava se importando com alguém além de se próprio. E ninguém poderia proteger algo melhor que Tom Riddle. Abbie apenas estendeu um sapo de chocolate com uma foto de Merlin – um dos maiores sonserinos de todos os tempos – e o deixou ficar preocupado sozinho.
Tom engoliu o sapo, enfiou a figurinha de Merlin no bolso – era a última que faltava para completar a coleção, uma figurinha um tanto quanto rara – e começou a roer as unhas. Quando já não tinham mais unhas para roer, brincou de aumentar e diminuir as chamas na lareira até Mary Jolene perder a paciência.
– Meu Merlin, Riddle, pare com isso! – Berrou mudando o foco da atenção.
– Engorgio. – A encarou. – Reducto. Já acabaram?
– Como pôde fazer isto, Hermione? Se sabia como evitar que ele se machucasse, como pôde deixar que ele caísse só por que quer que as coisas deem certo entre vocês dois! Quando ficou tão terrível?! – Jogou erguendo as sobrancelhas.
– Pega leve, Mary. – Abraxas disse encarando a chama da lareira. – Está sendo cruel. Disse a ela um monte de vezes para lutar pelo que quer. Lutas requerem sacrifícios e Hermione terá que abdicar de algumas companhias se quiser ficar com Tom. Ele também está desistindo de coisas por ela.
– Como o quê?! Ele não abriu mão de nada até agora! Você é tão egoísta, Riddle! – Cuspiu. Tom deu de ombros. – Se algo acontecer a Charlus, é exclusivamente culpa sua, Hermione! E mais: Vou procurar o diretor Dippet se mais casos como esse acontecerem! Esse grupo já foi longe demais! – Jogou caminhando apressadamente para o quarto.
– Vou falar com ela. – Tom assentiu ainda encarando a lareira. Hermione se sentou ao lado dele observando o fogo queimar lento.
– Acha que ele vai ficar bem? – Tom ficou em silêncio. Ela sabia o que aquilo significava.
– Devia ter te deixado ajudá-lo. Lamento. – Hermione continuou em silêncio. Deitou a cabeça no ombro de Tom e fechou os olhos; precisava espairecer; Harry seria perfeito nesse momento. Ele saberia o que falar a ela, mas muito provavelmente, com todas as decisões que tinha tomado por Tom naquele tempo, ele podia muito bem, nem mesmo vir a nascer. – Quer que eu pegue o seu diário? – Sugeriu Tom. Ele estava fazendo de novo. Odiava quando o fazia, mas ele ofereceu exatamente o que ela queria. Tom sempre saberia exatamente o que ela queria.
– Ele acabou. Não tem mais páginas. – Sussurrou. – E não adiantaria. – Completou. – Não seria como ter Harry aqui. – Acrescentou. – Sinto tanta falta deles, Tom... – Confessou. – Abraxas é um ótimo amigo, mas nós, – Harry, Ronald e eu – passamos a vida inteira juntos. E tudo o que passamos... Nós enfrentamos a morte juntos. – Tom continuou em silêncio. – Agora, eu já nem lembro os rostos dele... –Tom suspirou.
– Harry Potter era um garoto franzino, órfão, usava óculos de meia-lua e tinha cabelos escuros. Parecidíssimo com Charlus, assim como James Potter foi um dia. Ele era seu melhor amigo. – Murmurou. Sabia de onde ele estava tirando isso. Dela. Da cabeça dela. Das memórias que nem mesmo ela lembrava mais. Pela primeira vez, foi reconfortante tê-lo em sua cabeça. – Ronald Weasley, bem... Ele era um Weasley, os mesmos cabelos ruivos, comia como um porco, era mais alto que você – mas quem não é? – e você sempre foi e sempre será apaixonada por ele – mesmo comigo em sua vida. – Hermione queria negar. Dizer que era mentira, mas não era. Ron errara, é claro que errara, mas no final, seus erros foram menores que seus acertos. Ron era um bom rapaz. Agora, ele estaria eternizado na memória dela. Perfeito, como da primeira vez em que ela se notou apaixonada por ele. Mas Tom, ele era cheio de defeitos. Um dia, já foi tudo o que ela abominou. Poderia ainda errar mais com ela. – Acho que deveria descansar, Mione. Teve um dia cheio.
– Não quero que vá embora. – Sussurrou. Tom assentiu. – Vai ficar?
– Vou. – Hermione agarrou-se aos braços dele caminhando lentamente para o próprio quarto. Tom sentou-se na cama passando os braços ao redor do corpo dela, como num manto protetor.
– Eu gostaria de pelo menos me lembrar um pouco mais. Do que somos. Do que éramos. – Encarou o pequeno caderno de capa de couro e tranca sobre o criado mudo. Incomodamente semelhante ao seu. Esticou a mão puxando o pequeno caderno e abrindo-o.
– “Estou na Câmara Secreta, me escondendo do mundo. – Hermione o encarou por longos segundos e então encarou a foto do escrito em sangue sobre Gina Weasley em Hogwarts no ano em a câmara secreta fora aberta. – Harry não gosta daqui. Diz que esse lugar lhe lembra Voldemort, o basilisco... Gina. Disse que foi um dos momentos mais assustadores de sua vida vê-la a mercê da morte nas mãos de Riddle. Disse também que ficou desapontado, pois viu em Riddle, um amigo, quando, na verdade, ele era seu inimigo. Ficou triste por isso e mais triste ainda por tudo o que aconteceu com Gina. Sei como Harry se sente. Ele está triste, magoado e enciumado. Assim como eu. Gina e Dino, Ron e Lila. Estamos enfiados em becos sem saída. – Hermione suspirou minimamente. – Mas aqui, na Câmara, é como se estivesse fora de Hogwarts, em algum lugar mais especial, quieto, calmo, pacífico e ainda mágico. As vezes, continuo imaginando o basilisco escorregando pelos canos e não sei se fico maravilhada ou aterrorizada. Harry me diz para ficar aterrorizada. Diz que não durariam dois dias sem mim, que da ultima vez, foi assustador me ver congelada. – Tom deu uma pausa absorvendo tudo. Ainda não sabia que tinha congelado Hermione. – Murta não vem aqui, ela prefere se lamentar no andar de cima, onde morreu. Me pego imaginando se ela era tão chata em vida, pois se era, Tom Riddle teve mais motivos além de seu preconceito para matá-la.” – Hermione riu baixinho e Tom concordou após um minuto absorvendo a imagem de uma murta fantasmagórica no banheiro do segundo andar. Riu junto com ela. – Agora já sabe... – Hermione riu mais.
– Vamos matá-la outra vez. – Propôs. Tom esbugalhou os olhos e riu. – Estou brincando. – Disse após um segundo rindo.
– “Harry ainda passa alguns dias triste. Eu ficaria também em sua posição. Os Dursley são tão cruéis. James e Lílian cuidariam de Harry como ninguém, mas aquela Petúnia, ela é tão má. Tão invejosa! Eu gostaria de fazer algo por Harry, mas agora, com Sirius morto, Harry está desolado. Eu sinto tanto por ele. Me pego pensando, em algumas ocasiões, que se não fosse Voldemort e algum outro acontecimento ocasional que tivesse ceifado a vida dos Potter, Harry seria como ele. Ele se voltaria contra o mundo. Se voltaria contra tudo. Mas foi ele, e mesmo que tudo fosse melhor com os Potter e Sirius vivos, o atentado de Voldemort contra os Potter, o fez uma pessoa boa. Se o mundo tivesse sido melhor com ele, talvez Tom Riddle pudesse ter sido uma pessoa melhor.” – O silêncio reinou no quarto. Tom suspirou pesadamente. Depositou um beijo rápido em uma das bochechas dela. – Tem razão. – Sussurrou. – Sinto muito pelo que fiz a seus amigos. E a você. – Completou. Hermione assentiu. – Quer que eu continue?
– Por favor. – Ele virou a página observando os recordes de jornal.
– “O Profeta Diário: Hermione Granger tem uma queda por bruxos famosos?” – Hermione riu ruidosamente. Sabia que um dia ainda daria risadas daquilo. – “Ao que parece a bruxa anda soltando charmes para ‘o menino que sobreviveu’ Harry Potter e dizem as más línguas que seu novo alvo é o húngaro Viktor Krum que também está competindo no torneio tribruxo.” – Riu mais uma vez. – Você e Harry...?
– O quê?! Não! No dia da primeira tarefa, quando Harry teve que pegar o ovo de dragão, invadi a barraca. Estava aterrorizada. Achei que ele ia morrer! Então fui lá desejar boa sorte e Rita Skeeter teve certeza absoluta de que eu estava tentando seduzi-lo. – Riu. – Mas quanto a Viktor Krum... Nós nem sequer conversávamos. Ele apenas ia para a biblioteca e me via estudar. – Riu. Tom bufou. – Olha só a foto! – Disse passando a página e exibindo a foto animada de Hermione abraçando Harry. – E as más línguas eram a forma animaga ilegal de Rita Skeeter. – Tom riu.
– Existiam animagos ilegais?
– Rita Skeeter e seu besouro, James Potter e seu cervo, Sirius e seu cão e Pedro Petigrew e seu rato. – Hermione deu de ombros. – Depois da guerra, apenas dois deles restaram. Pedro Petigrew e Rita Skeeter.
– Estavam do lado certo não é?
– Estavam do lado que venceu. Não do lado certo. – Hermione deu de ombros com a careta de Tom. – Continue.
– “O Profeta Diário: Aquele-que-não-deve-ser-nomeado voltou?! O terrível torneio tribruxo que ocorreu em Hogwarts e acarretou na morte do jovem bruxo Cedrico Diggory tem gerado dúvidas. O ministro Fudge contraria Harry Potter que afirma que Você-sabe-quem voltou dos mortos. Alvo Dumbledore, diretor de Hogwarts afirma que Harry Potter e Cedrico Diggory eram excelentes amigos e que as teorias de que Harry Potter teria matado Diggory para vencer o Torneio Tribruxo são absurdas. A prisão de Barto Crouch Jr, filho do ex-ministro da magia, morto na Floresta Proibida – dentro do território de Hogwarts – nos arredores de Hogwarts também deixou dúvidas, sendo Bartô um seguidores assíduo de você-sabe-quem. Apesar das frequentes afirmativas dos professores sobre a segurança de Hogwarts, as dúvidas rodeiam a escola de magia.” – Silêncio. Tom pensou em passar de página e continuar lendo, mas tinha certeza quase absoluta que ela queria falar algo.
– Eu gostava de Cedrico... – Murmurou simplesmente. – Se Harry não estivesse no torneio, torceria para ele. – Tom a encarou até que por fim ela suspirou e fechou os olhos. No segundo seguinte um longo suspiro pesado saiu de seus lábios entreabertos. Cansada o suficiente para fechar os olhos e dormir.
─ ∞ ─
Abraxas continuou encarando atentamente seu livro. Estava sentado sozinho em sua cadeira. Era aula conjunta com a Grifinória, mas sua dupla não estava lá. As aulas não foram canceladas pelo acidente com Charlus, mas todos estavam comentando. E Valerie Potter não tinha ido as aulas. Todos estavam comentando. Valerie Potter nunca faltava as aulas.
Mary Jolene ainda estava furiosa com Tom, com Hermione e com Abraxas, mas parecia um pouco mais calma. Até mesmo voltara a falar com ela.
Ninguém tinha ido a ala hospitalar. Fora proibida a entrada de qualquer aluno lá e os que se machucavam eram mandados a um cômodo largo, escuro e úmido nas masmorras que estava servindo como enfermaria enquanto Charlus Potter estivesse na enfermaria. Minerva McGonnagal também tinha faltado às aulas como amiga de Valerie, mas se ainda haviam aulas, é por que ainda haviam esperanças para Charlus Potter, ou por que, talvez não quisessem grupinhos e mais grupinhos de tietes de Charlus Potter chorando pelos cantos.
– Não sei o que houve. O time de quadribol também não treinou hoje, as vassouras ficaram guardadas até! – Murmurou Hagrid. Hermione encarou a mesa em silêncio. – Minerva disse que Valerie passou o dia na ala hospitalar e que o estado de Charlus é grave. Mesmo se ele se recuperar... Ele nunca mais vai jogar quadribol.
– Pare de falar sobre isso, gigante! – Disse Tom virando-se para trás e encarando todos. – Não está vendo que todos estão preocupados com Potter?! Falar isso só vai deixá-los mais angustiados! – Hagrid encarou os grifinórios espalhados pela sala. Todos observando os próprios livros, ou encarando lugares vazios esperando uma resposta de algo.
– Ele tem razão, Hagrid. – Septimus o encarou. – Pare de falar sobre isso. Estamos preocupados com Charlus e isso não ajuda nem um pouco. – Admitiu. – Fale para Hermione sobre aquele hipogrifo que você viu na Floresta Proibida. – Sugeriu. Hagrid se calou, o silêncio dominou a sala. O som do giz enfeitiçado escrevendo no quadro negro dominava a classe.
Um garoto magrelo do primeiro ano da Lufa-lufa entrou correndo na sala sussurrando algo para o professor. Ele concordou e por um longo segundo baixou a cabeça escondendo o rosto contra as mãos largas. Novamente encarou a sala. O rosto parecia incomodamente mais pálido.
– Estão liberados. – Disse mais alto. Todos continuaram o encarando por alguns minutos. – As aulas do dia foram canceladas, mas durante o almoço, todos devem estar no salão principal para uma mensagem do diretor. – Explicou. O movimento era lento, como um filme que era pausado e recomeçado. Tom enlaçou as mãos com as dela e a encarou. Ninguém poderia dizer ao certo o que era aquilo, mas todos tinham uma ideia.
Minerva McGonnagal passou com um grupo de alunos do primeiro ano da Grifinória a seguindo. O rosto incomodamente vermelho. Alguns passos atrás, Naomi Black passou. O rosto escondido atrás do cabelo escuro. Tom soltou Hermione e caminhou até ela, Abraxas e Mary Jolene logo atrás. Hermione pensou em ir até ela, mas não eram assim tão amigos. Aquele era um momento de amigos. Naomi precisava só dos amigos e de mais ninguém.
Minerva já tinha aparecido. Naomi já tinha aparecido, mas nada de Valerie Potter. Mas haviam duas pessoas ali. Uma mulher loira acompanhada de um homem de óculos de meia-lua e terno.
– São o Sr e a Sra. Potter. – Hermione encarou o rapaz ao seu lado. Avery Lestrange. – Vieram aqui para ver o filho e quem sabe levar a filha de volta para casa. Talvez Hogwarts não seja segura o suficiente para os Potter. Podem mandá-la para Beaubatonx. – Hermione não queria responder. Não gostava de Avery Lestrange. – Confesso, Granger, achei que iria ajudá-lo. Aresto Momentum. Essas duas palavrinhas e tudo continuaria como sempre. Dumbledore tentou, mas três segundos não foram o suficiente e você, você nem se mexeu. – Murmurou. – Talvez você seja uma das nossas, afinal. – Dito isso, Avery se misturou com o fluxo constante de alunos indo e vindo de um lado para o outro. Hermione assistiu o casal desaparecer em direção a Ala Hospitalar juntamente com Dumbledore. Sentiu os braços de Tom ao redor de seu corpo.
– Vamos para o dormitório. – Sussurrou. Ninguém disse nada no caminho; andaram de mãos dadas e quando finalmente estavam no dormitório, Tom a encarou por longos segundos antes de finalmente falar algo. – Charlus Potter está morto. – Tom não estava triste com a morte de Charlus, mas sabia que Hermione ficaria. Por sua ligação indireta com Charlus. Mas ela não disse nada, nem sequer reagiu. Durante todo o caminho, pensara no que Avery tinha dito sobre ela ser um deles. Não! Ela não era um deles! Nunca seria! Tudo isso era por Tom. Por ela e Tom. Por eles. Mas aquelas quatro palavras despertaram um novo pensamento nela. Se Charlus Potter estava morto... – O que está fazendo? – Tom perguntou vendo-a se levantar e abrir o pequeno diário. – Hermione? – Levantou-se vendo-a encarar o diário atordoada. Viu bem a tempo. As imagens de Harry Potter desaparecerem aos poucos das fotos, os artigos sobre ele tornarem-se pergaminhos em branco assim como todo e qualquer rastro que ele tenha existido. Hermione puxou o longo pergaminho tocando-o com a varinha.
– Eu juro solenemente não fazer nada de bom. – Sua voz parecia levemente embargada. Nada. Hermione suspirou pesadamente sentindo as lágrimas rolarem pelo rosto. Não podia ser real. Nunca desejou tanto que fosse um sonho. – Eu juro solenemente não fazer nada de bom. – Repetiu soluçando. – Por favor... – Tom entendia agora. Passou os braços ao redor do corpo dela afundando o rosto em seus cabelos. Hermione sentiu os joelhos falharem e depositou todo o peso do corpo contra Tom. Agora fazia sentido. O fato da imagem de Harry desaparecer, dos artigos sobre ele sumirem, sobre o mapa não ser criado. Se Charlus estava morto, Harry Potter nunca nasceu.
Notas finais
Reviews?
Malfeito feito
Nox
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