Villain

17 Capitulo 16 – Futuro e passado


Notas iniciais
Um capitulo grandinho por que não sei quando volto a postar...
Lumus
Eu juro solenemente não fazer nada de bom

“Coisas terríveis aconteceram a bruxos que mudaram o passado.” (Alvo Dumbledore)

Tom massageou a têmpora e encarou o grupo a sua frente; todos enfiados em vestes negras e sem emitir um único som.

– Mostrem! – Exigiu. Como se fossem um coral, todos ergueram os braços e mangas exibindo a marca. A serpente dançava por dentro da caveira negra. Tom se levantou tranquilamente passeando ao redor deles. – Theodore. – Tocou os ombros de um dos homens de braços estendidos e capuz negro. – Avery. – Prosseguiu tocando os ombros cobertos. – Macnair. Dolohov. Rockwood. Calidora. Naomi. – Ele parou observando os dois outros rapazes. Parou entre os dois tocando-os. – Lestrange. – Sorriu em seguida. – Que bom que voltaram para a causa. – Disse aliviado por um instante. Tocou a varinha, apontando-a levemente para o rapaz da direita. – Crucio. – Primeiro, os músculos dele se contraíram e ele puxou o braço para o corpo, mas em seguida, ruiu contorcendo-se no chão. O capuz caiu exibindo a pele clara e os olhos azuis cintilando em agonia. Tom baixou a varinha. – Isso foi por me atacar. – Gus Lestrange continuava no chão ofegante. Encarou a garota a sua esquerda e ofegou novamente. – Pensei que talvez a sangue ruim o tivesse agarrado entre as pernas. – Cuspiu sabendo que se arrependeria de tê-lo dito depois. – Pensei até que ela o faria abandonar a causa. Mas veja que bruxo fiel você é... Está aqui de volta lutando conosco para tirar os imundos do mundo bruxo. Você merece estar aqui, Gus Lestrange. E você, Gail, tem sorte de não receber o tratamento que merece por fugir como um covarde traidor de sangue. – Jogou puxando o capuz do outro loiro. Ele continuou em silêncio. – Onde infernos está Abraxas? – Perguntou irritado. – Aquele...

– Milorde? – Ele a observou e sorriu abertamente para a garota. Calidora baixou o capuz encarando-o atentamente. – Creio que Malfoy não virá.

– O quê?! – Jogou incrédulo.

– O ouvi falando com a sangue-ruim.

– Inferno, Calidora. Estamos cercados de sangues-ruins. Qual delas?

– Mary Jolene. – Tom suspirou pesadamente. – Ela sabe sobre a causa, Milorde. Temo que ela possa fazer algo.

– Não se preocupe com isso. Vou cuidar da sangue ruim e do traidor de sangue eu mesmo. – Jogou irritado.

– E quanto a outra sangue ruim, Milorde? – Tom observou Avery Lestrange. Os fios negros caindo pelo rosto pálido. Avery era um rapaz alto de olhos escuros. Típico de um Lestrange. Era primo de Gus e Gail e por muito tempo os azarou na escola, até se unirem a causa. Avery tinha uma repugnância tão grande pelos nascidos trouxas que poderia ele mesmo coordenar a causa se Tom não estivesse ali. Mas, é claro, Avery seria pego com muito menos tempo. Não duraria todos os anos que a causa de Tom durara. Mas Avery poderia com toda certeza ser condenado ao beijo do Dementador por todos os trouxas com os quais se divertiu. Ele era doente. – Granger. – Tom bufou.

– Ela não é um problema agora ou é?

– Ela tem conversado muito com o velhote. O diretor gosta dela e ela não gosta de nós. – Avery ergueu uma sobrancelha. – Se for seu desejo, Milorde, eu mesmo posso resolver. Não precisaria sujar suas mãos com ela. – Tom o encarou desgostosamente.

– Está na corda bamba, Avery. Contenha-se. – Alertou. – Lembra-se como Dippet o alertou não é? O diretor não é um bruxo de blefes. – Explicou. – Além do mais. – Tom riu. – Você é burro como uma porta, Avery. Seria pego antes mesmo de começar a se divertir com ela. – Calidora riu maldosamente. Avery rosnou. Ele a odiava. – Mas não se preocupe, Avery. Quando for a hora, vou guardá-la para você.

– E quando vai ser a hora, Milorde? – Tom encarou Theodore e abriu um sorriso maior que o próprio rosto.

– Depois do casamento, meus seguidores, a causa começará oficialmente. – Anunciou animadamente. – O velho derrotou Grindewald, mas vejam bem, parece que se esqueceu dos seguidores do velho amigo. Temos amigos lá fora e já chega de atacar vilarejos. – Tom encarou Calidora por um segundo antes de depositar um beijo rápido em seus lábios. – Nós atacaremos a Londres trouxa. – Theodore sorriu seu sorriso de dentes tortos. – E meus seguidores fora de Hogwarts estarão conosco!

– Os Blacks. – Disse Calidora sorrindo.

– Os Lestranges. – Completou Avery.

– Os Notts. – Theodore disse esganiçado.

– Os Dolohovs. – Antonio disse erguendo a própria varinha.

– Sim! Sim! Os Blacks, os Lestranges, os Dolohovs, Os Notts, os Karkaroffs, os Snapes! Temos mais de centenas de parceiros fora dessas paredes e todos eles querem eliminar os trouxas desse mundo. – A imagem da marca negra brilhou no centro da torre de astronomia. Os pequenos ataques não significavam nada perto daquele anuncio. Aquele era o inicio da causa que sempre sonharam.

Calidora se aconchegou mais a ele num suspiro pesado. Três, dois, um...

Roooooar.

Definitivamente, Calidora roncava como um urso.

Tom escorregou para longe dela vestindo-se. Ainda era cedo, os alunos ainda estavam pelos corredores. Mas observou um grupo em especial.

Abraxas riu baixinho passando os braços ao redor dos quadris da morena no uniforme verde e disse algo para Hermione. Potter e Weasley estava com eles. E Augustus, é claro. Haviam mais pessoas e pessoas com as quais eles não falavam. E um rebuliço.

– O que está havendo? Eu sou o monitor chefe. Me deem licença! – Ordenou irritado. – O que está acontecendo aqui? Que confusão é essa?

– Augustus... Eu te disse pra não beber... – Alertou ela bufando.

– Granger! – Cuspiu irritado. Não estava fingindo. Tom odiava confusões. Principalmente quando Hermione estava no meio – e ela sempre estava no meio. – O que está acontecendo aqui?

– Isso não lhe diz interesse, Riddle! – Cuspiu. – Suma! – Disse voltando a olhar pelo rapaz loiro recostado na parede. Ele contraiu o corpo.

– Mas nem pensar que você vai vomitar por aqui, Lovegood! – Disse dando um passo adiante conjurando um balde. – Dê seu jeito de chegar ao banheiro! – Ordenou entregando-o.

– Augustus, querido. Vamos até o Slughorn. Com certeza ele deve ter alguma poção restauradora. – Sugeriu Hermione passando a mão pelas costas dele.

– Granger, o que é que está havendo aqui? – Jogou de forma baixa e irritada ao lado da garota.

– Ele só bebeu um pouco mais do que devia. – Hermione atingiu um tom vermelho. Os lábios de Tom se tornou uma linha reta. – Eu disse pra ele não beber... – Explicou-se. – Mas ele não me escutou...

– Como diabos ele arrumou bebida, Granger? – Interrompeu irritado.

– Em Hogsmeade. – Tom bufou outra vez.

– Como saíram do castelo?! Granger, você enlouqueceu?!

– Sinto muito.

– Como saíram? Vou precisar falar disso para Slughorn e Chapman já que eles são os professores titulares da Sonserina e da Corvinal. – Hermione arfou.

– Não! Riddle, você não pode...

– Eu devo! Como?

– Pela passagem na bruxa de um olho só nas masmorras. Dá no porão da Dedos de Mel.

– Como sabia da passagem?

– Um mapa.

– Me entregue. – Tom esticou a mão. Augustus caiu de joelhos vomitando contra o balde. Hermione arfou.

– Eu não posso. – Realmente, não podia. Além de seu diário trouxa, agora sem páginas restantes, aquele mapa era tudo o que tinha restado deles. Seus amigos mortos. – Por favor...

– Me entregue o mapa, Granger. – Os olhos dela se encheram d’água e ela puxou o pergaminho em branco vendo-o abrir. – Granger? – Ela continuou em silêncio. – Granger, sabe que eu vou descobrir. Diga.

– Não. – Tom respirou profundamente tocando a varinha no mapa.

– Revele-se. – Nada. – Revele seu segredo. – Absolutamente nada. – Revele-se. – Pequenas letras surgiram no pergaminho. Tom quase sorriu vitorioso. Quase.

Os Srs. Aluado, Almofadinhas, Pontas e Rabicho apresentam seus cumprimentos ao Sr. Riddle mas pedem para que ele não meta esse nariz redondamente achatado no que não é da sua conta!

O Sr. Almofadinhas acrescenta que já está na hora deste imprestável procurar o que fazer.

O Sr. Aluado concorda com o Sr. Almofadinhas e acrescenta que gostaria de deixar por escrito que não sabe como um idiota desse calibre tem notas tão boas.

Pontas gostaria de acrescentar ainda que esse sabichão procure uma garota que não ronque como um urso!

Rabicho ainda quer dizer que já passou da hora de crianças tão estupidamente tolas estarem acordadas e acredita que já é hora do Sr. Riddle ir para a cama.

– Hermione... – Jogou bufando.

– Por Merlin, o que é que está acontecendo aqui? – Minerva McGonnagal, monitora-chefe da Grifinória chegara acompanhada de Slughorn, Chapman e Dumbledore.

– Ao que parece, Granger e Lovegood resolveram fazer um passeio a Hogsmeade. – Tom falou.

– Mas como saíram do castelo tão tarde? – Jogou Dumbledore.

– Granger tem um mapa. – Tom esticou o pergaminho, novamente em branco, para Slughorn. O professor o observou. Ele abriu a boca. – Tem um segredo que ela é não quer nos revelar. Ofende a quem tenta advinha-lo.

– Srta. Granger. – Slughorn a encarou. – Pontos serão descontados da Sonserina e da Corvinal por esta brincadeira. Diga-me o segredo. – Ordenou. Hermione encarou os próprios pés. As lágrimas rolando soltas pelo rosto. Hermione enfiou as mãos nos bolsos da blusa de frio azul que usava por cima do vestido. – Srta. Granger, creio que não quer prejudicar sua casa não é? Todos os sonserinos trabalharam muito e estão há apenas um passo da taça das casas. – Hermione ergueu a varinha tocando-a no mapa.

Eu juro solenemente não fazer nada de bom. – Tom se colocou ao lado de Slughorn observando o mapa com os professores.

Os senhores Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas

Fornecedores de recursos para bruxos malfeitores

Têm a honra de apresentar

O MAPA DO MAROTO

Tom encarou as letras surgindo disciplinadamente. Nem sequer se parecia com o pergaminho que o ofendera há um segundo atrás que possuíam letras rapidamente rabiscadas como se fossem feitas com raiva.

Querida Hermione,

Se você está lendo isto, é por que as coisas deram errado no final. É claro que este mapa, não lhe será muito útil fora de Hogwarts, mas gostaria que ficasse com ele. Agora, Voldemort deve ter vencido e eu estou morto, mas isso não significa que você deve morrer também.

Esta carta, com toda certeza, não vai amenizar sua dor, por que, se fosse ao contrário e eu perdesse a você e o Ron, não saberia o que fazer. Mas eu não sou você, Mione, você é mais forte que eu. Se você sobreviveu a toda essa guerra, pode sobreviver sem mim.

Ronald se aliou aos comensais. Eu sei. Ele o fez há algum tempo, desde o quinto ano após a morte de Sirius. Não o culpe, Mione. Ele está desesperado, quer evitar de toda forma que Voldemort mate os Weasley. Ele está assustado e cabe a você ficar ao lado dele, por que você o entende melhor que eu. Se as coisas ficarem ruins, Ronald a levará daqui, por que mesmo que eu morra, você tem que viver. Por que você sempre vai saber o que fazer.

E se eu morrer, mas ainda sim vencermos e você está em Hogwarts, eu quero que supere, por que Hogwarts é seu lar, meu lar e lar de todos que a ela recorrem. Hogwarts é nosso lar e mesmo que eu não voe mais em minha Firebolt, não mande feitiços com minha varinha, não seja mais o mais jovem apanhador do mundo bruxo e nem mesmo ocupe mais um quarto na Grifinória, você deve seguir, por que é a bruxa mais brilhante e jovem do mundo e tem todas as possibilidades e por que Hogwarts a está acolhendo de volta e o Mapa do Maroto ainda lhe é útil. Não quero que desista de tudo o que construiu, por que mesmo que Dumbledore esteja eternizado em nossas memórias (e eu na sua), posso afirmar com toda a certeza: Você é a maior bruxa de todos os mundos, a aluna mais brilhante de todas as escolas e a irmã confidente que nunca tive. Obrigado, Hermione.

Com amor, Harry Tiago Potter.

Tom arfou absorvendo tudo. Voldemort. Aquele nome. Aquela carta. Aquele mapa. Foi feito por algum amigo dela. Alguém que ele havia matado. Alguém que a amava como uma irmã, como uma família. Mas algumas coisas não faziam o mínimo de sentido. A história com os Weasley. Não havia o mínimo de sentido. Os Weasley o odiavam. Hogwarts destruída? Não havia o mínimo cabimento. Dumbledore morto? Tom gostaria, mas não. O velho estava vivo. E que maldito Potter era esse? Os Potter tinham apenas um filho e esse filho era Charlus Potter.

Querido Harry,

Você está morto agora. Realmente, nós perdemos e ele destruiu toda Hogwarts, mas de alguma maneira ainda estou aqui. Ainda ando por estes corredores, ainda treino feitiços e estou terminando o sétimo ano. Não entendo como, mas estou fora da nossa realidade. Estou fora de nosso tempo. Numa época onde você ainda não nasceu, onde eu ainda não nasci. Uma época em que ele ainda não te matou, nem a Gina, nem a Neville, nem a Luna, nem destruiu nosso lar.

Aqui, Hogwarts também é o lar dele.

Não se preocupe, aqui ainda há uma chance para ele. Uma chance para que ele não se torne um monstro. Eu vou tentar. Vou tentar não só por você, Harry, vou tentar também por mim, por que o amo. Eu tenho certeza disso. Tive certeza quando, uma vez que Ronald nem sonhava em nascer, era o cheiro dele na minha Amortentia – E o meu na dele.

Você ouviu Dumbledore dizer uma vez e sem querer me disse. Dumbledore havia lhe dito que alguém fruto de uma poção do amor não pode amar, mas até o maior bruxo de todos os tempos se engana. Eu acredito nele, Harry. Eu vou lhe dar quantas chances precisar. Ele é como nós. Por dentro, ele está aterrorizado. Eu estou aterrorizada. Mas Hogwarts me deu essa chance para salvá-lo. E salvar a você, Gina, Neville, Ronald, Luna, Fred, George, Molly, Sirius, Lupin, Tiago, Lílian, Severo, Dumbledore, Minerva, Gui, Carlinhos, Fleur, Cho, Dino, Cedrico, Hogwarts.

Como você me pediu, estou sendo forte. Talvez ainda nos vejamos Harry Potter, o menino que sobreviveu.

Talvez não. Talvez eu morra aqui também, mas estamos juntos, Harry. Meu irmão e amigo confidente.

P.S.: Eu nunca chorei tanto na vida quanto no dia da sua morte e mesmo assim, estou aqui escrevendo um carta para mais um corpo dele. Mas você é mais do que um corpo. Talvez nesse novo futuro, você não tenha que sobreviver a ele.

Com amor, Hermione Jean Granger

Tom arfou novamente puxando o ar novamente e passou a mão pelo cabelo novamente. O que aquilo estava jogando na sua cara? Que ele havia tirado tudo o que ela tinha? Que havia lhe tirado a família, amigos e casa? Era isso o que havia feito? Então Abraxas sempre esteve certo? No final ele só a machucaria. Hermione continuava encarando os próprios pés com o rosto em lágrimas. Então era isso. Aquele mapa era tudo o que restava dos amigos que ele tinha matado.

Mas algo martelava na sua cabeça. Ela não era dali? Era de outro tempo? De uma época onde ele era o monstro de seus pesadelos que lhe tirava tudo? De um futuro distante onde ele conseguia alcançar sua causa? E essa causa custasse todas aquelas vidas? Ele vinha do futuro mesmo? Diabos! Por que o velho não parecia surpreso com isso?! Era assustador de se ler.

Hermione Granger, Harry Potter, George, Ron e Gina Weasley, Luna Lovegood e Neville Longbottom apresentam:

O MAPA DO MAROTO

Em memória da família Potter, da família Weasley, da família Lovegood, da família Longbottom, da família Malfoy, de Sirius Black, Nimphadora Tonks, Remo Lupin, Severo Snape, Dobby – O elfo livre – e Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore – O maior bruxo de todos os tempos.

Dedicado e doado com carinho a Hermione Jane Granger: Coragem, inteligência, carinho e confidência.

As linhas se formaram lentamente junto com as pegadas caminhando ao redor do castelo. Tom encarou o mapa incrédulo. Os criadores do mapa o deram pra Harry Potter e Harry Potter o deu para Hermione Granger para que ela o tivesse mesmo se Hogwarts estivesse destruída. Para que ela pudesse se lembrar de casa. Tom se sentia subitamente culpado pelas coisas que ainda ia fazer, mas sentia raiva. Sentia-se enganado.

Por que ela não o contara a verdade? Ele a contara tudo! Falava sobre as reuniões e sobre o casamento e sobre tudo que o incomodava e ela sorria e lhe dava conselhos, mas por que nunca falava de suas dores. Ela tinha muito mais para falar do que ele, e ele queria ouvir! Por que ela guardou tudo para si mesma? Por que estava carregando esse fardo sozinha? Por que não havia lhe dito o que se tornaria? Por que diabos ela o amava?!

Slughorn olhou para Dumbledore.

– Acredito que é melhor irmos para a sala do diretor. – Sugeriu tranquilamente. – Eu vou lhe entregar o mapa enquanto você procura algo em seu estoque que possa ajudar ao Sr. Lovegood.

– Acredito que devo fazê-lo antes que sua família termine não é?! – Murmurou Slughorn para si mesmo. Augustus a esse ponto, estava largado desmaiado sobre o balde. Slughorn passou os braços ao redor do rapaz que acordou instantaneamente rindo. – Acompanhem Dumbledore, meninos. Estou bem.

– Srta. Granger, não se preocupe. – Dumbledore disse depois que os professores desapareceram carregando Lovegood. – Sei como este pequeno artefato deve ser importante para a senhorita. Farei o que estiver ao meu alcance para que retorne às suas mãos. – Prometeu. Hermione ergueu o rosto secando as lágrimas insistentes.

– Obrigado, professor. – Murmurou rouca. Tom se colocou ao lado dela quando começaram a caminhar em direção a sala do diretor, mas ninguém disse nada, por que ninguém sabia o que dizer. Mas havia muita coisa a ser dita.

Como se fosse a coisa mais certa a ser feita, Tom parou passando os braços ao redor do corpo dela sentindo-a se esconder em seu peito. Os joelhos falhando. Queria prometer alguma coisa, mas não conseguiria falar. Não podia chorar. Ele não era um qualquer. Precisava ser o mais forte que conseguisse. Se ela quisesse, ele não mataria nenhuma daquelas pessoas. Ninguém que ela amasse, mas ela não queria somente isso. Ela queria mais. Ela queria que ele a abraçasse em público e dissesse que a amava; queria acordar ao lado dele quando estivesse nevando ou fazendo calor e ninar uma criança com os olhos dele. Droga! Ela o amava mais do que merecia!

Dippet não parecia nem um pouco surpreso com o mapa. Encarou Tom tranquilamente e até sorriu.

– Srta. Granger. – Hermione o encarou. – Que não venha parar novamente na minha mão. – Ele esticou o pergaminho. – Sugiro que não o use mais. – Hermione assentiu sorrindo animadamente. – O professor está procurando uma maneira, Srta. Granger. Eu lamento, mas não pode ficar e sabe disso não é? – Hermione assentiu.

– O quê?! – Tom jogou pela primeira vez. – Vai mandá-la de volta?

– Sr. Riddle, acho melhor ir descansar.

– Diretor, o senhor não pode. – Eu vou matá-la!, jogou sua consciência. – Há um bruxo das trevas nesse futuro. Ele vai matá-la! Ela não tem ninguém lá! – Jogou como se fosse óbvio.

– Coisas terríveis aconteceram com bruxos que voltaram no tempo, Sr. Riddle. – Disse Dumbledore.

– Eu não dou a mínima se coisas terríveis aconteceram a eles! Coisas terríveis acontecerão a ela se ela voltar! Diretor! – Tom continuava encarando o homem a sua frente.

– Tom. – Dippet se levantou tocando o ombro do rapaz. – Vá para o seu quarto.

– Diretor Dippet. Não pode fazer isso! Ela vai morrer! – Dippet ficou em silêncio. Era a primeira vez o que via daquele modo. Tom tinha os olhos brilhantes como uma criança prestes a chorar. – Diretor, por favor.

– Sinto muito, Tom. É hora de você ir descansar. – Dippet encarou Dumbledore e assentiu por um segundo. O bruxo ergueu a varinha e o corpo do mais novo acompanhou o movimento levitando até a porta.

– DIRETOR!!! – Berrou antes da porta se fechar e trancar. – DIRETOR DIPPET! – Gritou batendo contra a porta. – Alohomorra. Alohomorra! DIRETOR!

Abaffiato. – Dippet encarou Hermione com a varinha erguida. Assentiu.

Hermione encarava tudo trabalhar perfeitamente do lado de fora de Hogwarts. Aquela sala parecia diferente a cada vez que ia ali, mas era a mesma coisa.

A porta se abriu e se fechou. Havia recebido o bilhete, afinal.

Sentiu os braços dele ao redor do próprio corpo e virou-se afundando o rosto no cheiro dele. Tudo aquilo a deixara tão faminta dele.

– Eu pensei que você ia embora, Hermione. – Sussurrou. Sua respiração era descompassada e acelerada. – Eu fique aflito! O que Dippet falou! Eu... Meu Merlin! – Ela parecia tão mais calmo. Hermione não respondeu. – Você não vai embora, vai?

– Dumbledore está procurando uma maneira. – Sussurrou. Tom negou.

– Convença-os de que quer ficar! Eles não podem te obrigar a ir embora, Hermione! Eles não podem! – Hermione encarou o chão. – Você quer ir embora? É loucura, Hermione! Você não pode voltar! Não pode! Eu... Eu vou matar você...

– Eu não quero ir embora, Tom. – Ele voltou a abraçá-la.

– Por favor, não vá. Eu sinto muito. Sinto muito mesmo, Hermione! Pode me dar um soco se quiser. Eu mereço! Eu não vou matá-los, Hermione. Eu não vou ferir nenhum dos seus amigos. Eu... Por favor, fique do meu lado... – Hermione suspirou balançando a cabeça. – Você sabe que eu não vou desistir não é?! – Hermione assentiu. Não falara muito. – Eu sinto muito. – O silêncio pairou no ar por alguns longos minutos.

– Tom... – Ele a encarou. – Temos que parar com isso. – Ele ergueu uma sobrancelha.

– O quê?

– Acabou. Eu não posso mais. Agora que eu sei que não faz sentido... – Tom arfou.

– O quê?! Não...

– Eu não posso ficar por aí me encontrando com você no meio da noite e no dia seguinte sorrir pro Augustus como se tudo tivesse bem e de noite deitar pra dormir pensando que talvez Harry sobreviva junto com.. Junto com todos eles. Não posso fazer isso enquanto você vai se... Casar! Enquanto vai matar trouxas aos montes. Eu vi o que você vai fazer, Tom... Eu... Eu lutei contra você. E... E eu...

– Você perdeu. Você e todos os seus amigos perderam. Eu li, Hermione. Não faça isso! Vocês vão perder de novo! Eu não vou matá-los! Eu não vou destruir Hogwarts! Aqui é minha casa também! Hermione, por favor...

– Eu não posso! Eu não posso continuar com isso. Quer se encontrar com alguém no meio da noite que seja com Calidora. – Hermione encarou as próprias mãos. Um vento gelado cruzou a sala precisa.

– Mas que merda, Hermione! Eu não a amo! Esse é o nosso lugar especial! Eu não a traria aqui, eu não diria nada disso a ela! Droga, Hermione, eu te amo! Se você for embora eu nunca mais vou saber o que é isso! Eu vou ser aquele homem outra vez. Eu vou me tornar ele. Você sabe! Eu não tenho controle sobre isso, Hermione! – Ela o encarou e levou a mão ao rosto dele. Tom gemeu e arfou em seguida tocando o vergão vermelho.

– Escute aqui, Tom Riddle, você é um dos maiores bruxos de todos os tempos. Não ouse dizer que precisa de mim para decidir quem deve ser! – Jogou irritada. Tom a encarou incrédulo. – Não ouse jogar todo esse peso para cima dos meus ombros! Você nem sequer me escuta! – Tom suspirou. Sabia do que ela estava falando. – Você nem sequer se desculpou com Abraxas! Se tivessem conversado, talvez não estivesse assim tão desesperado! Meu Merlin, Tom, Abraxas sabe aconselhá-lo melhor que eu! – Jogou. – Não me peça para ficar e ver você se casar com Calidora e fazer todas aquelas coisas terríveis! Eu já presenciei isso uma vez! Não preciso ver os filhos que terá ou não com ela ou qual rumo sua causa gloriosa vai tomar! – Tom abriu a boca para responder. – Não me diga que estou errada por que sabemos que não estou! E além do mais...

– Hermione! – Ela se calou observando-o. – Hoje, depois do que aconteceu, voltei pro quarto dos monitores. Calidora estava lá e me mandou um monte de perguntas e em seguida, quando sai pro jantar, Nott e todos os outros começaram a falar na minha cabeça, perguntando o que aconteceu e eu estava ficando nervoso e gaguejava e estava parecendo o Cenoura. – Hermione ergueu uma sobrancelha ralhando-o por ainda se referir aos Weasley daquela forma. – E eu gritei com todos eles. Surtei. – Hermione o encarava atentamente. – Isso tem acontecido com mais frequência que antes desde que você chegou. – Hermione sorriu. – Avery estava tentando de toda forma me convencer a deixá-lo te matar e eu estava surtando com esse assunto.

– Avery Lestrange quer me matar? Mas o que há de errado com essa família, afinal?! Já fui torturada, cruciada, quase morta mais uma vez e muito mais apenas por uma Lestrange e aqui quase fui estuprada e querem me matar! O que é isso, afinal? Um complô de Lestranges?

– Foi uma torturada por uma Lestrange? No método trouxa? – Hermione assentiu levantando a manga da camisa. Tom já sabia o que tinha ali, mas nunca teve coragem de perguntar. Era um sonserino não um grifinório. Sabia que ela odiava falar das próprias cicatrizes. – Foi uma Lestrange? – Disse passando os dedos levemente pela cicatriz saliente.

Sangue ruim.

– Bellatrix Lestrange. – E deu de ombros. – Ela era apaixonada por você. – Tom ergueu uma sobrancelha e riu.

– Tenho malucas no meu encalço... – Hermione riu sentindo as bochechas corarem. Tom continuou seu relato. – Acabei gritando com todos eles que você não era um perigo para a causa. Que era a maior chance dela dar certo. Avery não acreditou e acabei contando da aula sobre as maldições imperdoáveis. – Hermione o encarou. Aonde ele queria chegar? – Depois de muita conversa, Avery se convenceu e descobriu por si próprio nosso affair. Mas, ele não quer mais te matar. Não se preocupe. Acho que o ciclo de complô de Lestranges termina aqui. – Hermione riu. – Eu dispensei Calidora. Não vai haver mais casamento, Hermione. Era uma das coisas que eu queria te falar hoje nas aulas, mas você estava tão animada com Abraxas que não quis interromper. Os Black oficialmente me odeiam agora e Calidora provavelmente vai me perseguir pelos corredores até o fim das aulas, mas não haverá mais casamento. Apenas Abraxas e Avery sabem o porquê do fim.

– Você... Não vai se casar?

– Não, não vou. – Ele sorriu minimamente. – Calidora teria que ter os cabelos um pouco mais cacheados pra me agradar... – Hermione sorriu involuntariamente. Queria xingá-lo por lutar tanto para que ela ficasse. – Eu sou meio idiota, Hermione. Você sabe disso, mas eu quero andar de mãos dadas com você e poder dizer a todos que você é minha. Gosto daqui, mas não quero me encontrar escondido com você todas as vezes que quiser te beijar. E droga, eu quero poder ter ciúmes de você em paz sem brigar com meu melhor amigo excessivamente correto por isso! Eu estou me oferecendo para ser seu namorado, não seu affair. – Hermione sorriu. Todos os muros ruíram com a confissão. O plano inicial era acabar com aquilo e vê-lo correr para os braços de Calidora, assim teria uma boa razão para ir embora. Ver a guerra seria melhor que ir ao casamento dele. Mas agora, não tinha mais razões. Poderia passar a vida contando as razões para ficar ali ao lado dele. – Mas preciso que seja um pouco mais sonserina, Hermione. – Ela o encarou, confusa. Tom suspirou. – Foi o único jeito de fazê-los aceitar sem sair da causa. – Confessou. – Hermione, os comensais te veem como parte da causa agora. – Ela fez uma careta. Puro nojo. – Uma segunda via. Uma via de escape, se preferir. Eu recorro a você quando preciso for. – Ele suspirou vendo-a encará-lo de modo incrédulo. – Não precisa vestir um manto negro ou ter a marca no seu braço. Eu não lhe faria isso! Mas preciso que aja como uma sonserina quando eles olharem. Maltrate os novatos, azare os grifinórios, coisas assim.

– Não sou assim.

– Precisa ser!

– Mas não sou!

– Droga, Hermione! Estou fazendo tudo o que posso, mas não vou abandonar isso! Não me peça para abandonar tudo o que eu sempre quis! Não quero te ligar a morte dos seus amigos e não vou, mas eu preciso ficar ao seu lado e foi assim que eu consegui ligar você a minha vida. Pode me ajudar e ficar do meu lado, por favor?

– Você pode fazer mais que isso, Tom. Pode ser até ministro da magia se quiser, está no caminho errado...

– Eu não quero ser ministro, Hermione! Não importa o quanto você tente, só quero que me escute e você sabe que estou certo: Eu vou ser sempre o vilão da história. Eu mereço morrer no final, mas é egoísmo demais querer que seja a única a ficar do meu lado? Eu abri mão de tudo o que a causa estava se tornando. É só um pouco. Até eles te esquecerem. Depois pode voltar a ser a velha Hermione.

– Não gosto disso... – E deixou a frase no ar. Tom sabia o que queria dizer. Ela não gostava, mas iria tentar. Estava se rendendo. Hermione, assim como ele, queria dar uma chance a eles.

– Você está na casa errada, Hermione.

– Eu era uma grifinória. – Jogou. Tom riu. – Não ria. Já até lutei com a espada de Gryffindor! – Tom a encarou perplexo e voltou a rir.

– Então é mesmo uma grifinória!

– Meu amigo Harry matou seu basilisco com ela.

– O quê? Harry matou meu basilisco?! – Tom parou de rir encarando-a irritado.

– E destruiu o diário com a presa.

– Ele... Ele destruiu o diário? Aquilo é... Aquilo é...

– Uma Horcrux. Só fomos saber disso anos depois. – Ela deu de ombros.

– Sabe das Horcruxes?

– O diário, o medalhão de Slytherin, o diadema de Ravenclaw, o anel de Gaunt, Nagini, a taça de Hufflepuff e o próprio Harry Potter.

– Hm, o quê? Acho que não fiz todas essas ainda. O que é Nagini?

– Sua cobra. Ela é aterrorizante. Consegue devorar um homem inteiro. – Tom ergueu uma sobrancelha. – Também foi destruída pela espada de Gryffindor. Neville Longbottom a matou.

– Duas Horcruxes destruídas... – Disse contando nos dedos.

– Nós destruímos todas. – Tom a encarou, perplexo. – Harry só não sobreviveu por que... – Tom a ouvia atento, mas ela parecia não querer falar sobre aquilo. Encarou-o. Os olhos brilhavam. Tom queria saber do próprio futuro. E Hermione podia falar, por que a partir daquele momento as coisas não seriam como antes. – Você matou a namorada dele. – Tom a encarou erguendo uma sobrancelha. – Você não. Rodolfo Lestrange.

– Filho de Avery, presumo.

– Exatamente. – Tom continuou quieto a ouvindo. – Quando Rodolfo a matou, Harry simplesmente ficou desolado no meio de uma guerra. Ele não se localizava. E mesmo assim, você o gritou e o fez se curvar antes de iniciar o duelo. Mas quando os feitiços se encontraram, a varinha dele quebrou. Quebrou não. Ela explodiu em mil pedaços. – Tom ergueu uma sobrancelha. – Harry não era um feiticeiro ruim, mas... Ele não queria atacar você. Ele queria atacar Rodolfo Lestrange. Ele estava perdido. Acho que pensou nela quando morreu. Prefiro pensar assim.

– Como destruíram o medalhão?

– A espada.

– Essa espada...! Mas como é que essa porcaria aparece nessas horas? Ia torná-la uma Horcrux, mas não consegui encontrá-la.

– Ela não pode ser encontrada, Tom.

– E quanto aos Malfoy? – Hermione o encarou. Queria saber isso por Abraxas.

– Abraxas Malfoy teve um filho. Lucius Malfoy e ele adorava desfilar pelo ministério com aquela maldita bengala. – Cuspiu. Hermione, definitivamente odiava Lucius Malfoy. – Soube que você a queimou no fim da guerra já que não haveriam mais Malfoys para herdá-la. Mas, enfim, Lucius Malfoy também teve só um filho. Draco. Ele me odiava e eu odiava, mas isso não significava que ele era uma pessoa ruim. No fim da guerra, pouco antes de Harry morrer, ele mudou de lado.

– O quê? No meio de uma guerra?! O que havia de errado com o garoto?

– Astoria Greengrass. – Hermione sussurrou o nome como se fosse precioso. – Ela estava grávida e estava do lado de Harry.

– E quando ele soube, não hesitou em nos abandonar. – Concluiu Tom.

– Bellatrix o matou de forma rápida. Astoria também morreu de forma rápida. – Tom assentiu. – E depois, quando Narcisa surtou pela morte do filho, você mesma a matou junto com Lucius. – Tom continuou em silêncio.

– Eu matei o filho do Abbie? – Tom parecia não acreditar.

– A este ponto, Abraxas já havia morrido, Tom. A maior parte dos seus seguidores da escola havia morrido. O tempo passa pra todo mundo. Nessa guerra, você foi seguido pelos filhos deles. Mas não se preocupe, eles serão tão ruins quanto os pais. Bellatrix Lestrange era filha de Calidora. Se casou com o filho de Avery. Ela mataria qualquer um que você pedisse.

– Era fiel. – Tom sorriu.

– E Rabicho... Ele cortou a própria mão para trazê-lo de volta. Sem contar Greyback. Aquele lobisomem era assustador! – Sussurrou aterrorizada. – Tinha um gosto pavoroso por crianças recém-nascidas. – Um arrepio lhe subiu a espinha.

– Pare de falar nisso! – Pediu. Ela o encarou. A esse ponto, Tom estava deitado na cama encarando-a com um olhar sério. – Você está pálida, Hermione! Já chega. – Ela o encarou e pegou um espelho. Estava mesmo pálida. E suando frio. – Vamos falar sobre outras coisas. Coisas boas de preferência. Tipo, seu término com o Lovegood. Fiquei feliz quando soube disso! – Hermione riu. – Foi a motivação que eu precisava para dispensar Calidora. – Hermione riu mais. – Devia ter visto o escândalo que ela fez! Chorou feito uma louca! – Hermione gargalhava a esse ponto. Jogou-se na cama ao lado dele ainda rindo. – Sério! Foi assustador! Depois ela começou a gritar coisas esquisitas e saiu correndo chorando! – Hermione riu se aninhando aos braços dela. – E o Lovegood, como ele reagiu?

– Ele riu e disse que era uma excelente ideia. Disse que éramos, realmente, melhores como amigos.

– Aposto que ele está chorando agora no quarto dele. – Tom riu da própria piada vendo o bico de Hermione. – Teve algum namorado no futuro? – Tom riu da frase desconexa.

– Um húngaro jogador de quadribol. Viktor Krum.

– Me lembre de matá-lo daqui há alguns anos quando ele nascer. – Hermione deu um tapa estalado no braço dele. – Ai! Parei... – Disse com os músculos retesados.

As coisas estavam ficando bem agora. Era como se o passado e o futuro se unissem num só e valsassem juntos. Hermione era o futuro e Tom o passado. E agora estavam estupidamente próximos de valsarem juntos na cama da Sala Precisa.

Notas finais
Malfeito feito
Nox
Reviews?