Villain
13 Capitulo 12 – Câmara do Basilisco
Notas iniciais
Lumus
Eu juro solenemente não fazer nada de bom
"Você meio que começa a pensar que tudo é possível se você tiver nervos suficiente."
J. K. Rowling
Abraxas mantinha-se em silêncio com a mão enlaçada a de Mary Jolene; demorara um pouco para se recompor e voltou para o salão de jantar acompanhado de Hermione. Depois de alguns minutos sentados do lado de fora falando sobre poções; Tom ainda estava lá e Calidora também. Gus depois de um tempo, finalmente fora embora.
Era tarde quando Hermione, Mary Jolene e Abraxas se levantaram para ir. Estavam apenas eles e Tom ainda ali e já passava da meia-noite.
– Mas que...! – Mary Jolene riu alto enquanto Hermione girava em torno de si mesma.
– Hermione Granger falando palavrões... Vê se pode?! – Abraxas riu baixinho.
– O que foi, Herms? – Perguntou apertando mais Mary Jolene contra o próprio corpo.
– Droga! Eu deixei minha bolsa lá. – Disse bufando em seguida. – Podem ir na frente. Vou voltar para buscá-la. – Dito isso deu passos rápidos na direção contrária a que os dois seguiam. Sempre esquecia alguma coisa... Sempre! Gemeu sentindo os pés apertarem nos saltos e olhou para o chão pensando em tirá-los, mas em seguida caiu. A pessoa a sua frente não disse nada . – Meu Merlin, você é um muro? – Jogou irritada tentando se levantar.
– Estava conversando com o professor Slugorn... – Hermione reconhecera aquela voz. Aquela maldita voz sempre impassível. – E vi que deixou algo para trás e resolvi trazê-la para você. – Hermione ergueu os olhos encarando-o. Ele não sorria, mas quando o fazia? Ela, quase como instintivamente, arrastou-se para trás até tocar na parede, mas enfim encarou o pequeno objeto na mão do moreno. Levantou-se ainda com dificuldade e a pegou rapidamente. – É somente isso... – Disse impassível. – Achei que talvez iria querê-la de volta.
– Não olhou, olhou?! – Ele balançou a cabeça negativamente. – Bem, obrigada, Riddle. Com licença... – Disse virando-se de costas para o rapaz e dando um passo adiante.
– Granger. – Chamou. Hermione virou-se rapidamente ainda pensando em fugir. – O que está acontecendo entre você e Gus Lestrange?
– Nada. Gus é meu amigo... – Disse simplesmente e deu de ombros.
– E quanto a Augustus Lovegood? – Hermione ergueu uma sobrancelha, confusa. Queria lhe dar uma resposta atravessada, mas sentia o corpo todo tencionado quando o ouviu falar. Ele a assustava. E muito!
– Augustus? O que há? Somos bons amigos... – Disse simplesmente e virou-se caminhando para longe. Ele parecia não estar convencido da resposta.
– Onde está Abraxas? – Hermione pôde ver um Tom Riddle suado e educado. Vê-lo daquele jeito era estranho.
– Ele e Mary Jolene devem estar se agarrando em algum canto por aí. – Disse simplesmente. Baixou o rosto voltando a caminhar com dificuldade. Depois da queda, os pés doíam bem mais do que antes. Assustou-se ao ver as vestes escuras do seu lado; ele não falou mais nada. Parecia, realmente, se esforçar para aquilo.
– Ouvi sua conversa com Abraxas. – Disse de repente. Hermione continuou em silêncio. Não sabia o que dizer. – Não consigo entender... – Confessou. – Não consigo entender por que ela. – Completou. O silêncio agora era agonizante. – E quanto ao Lovegood? – Jogou novamente.
– Não há nada entre Augustus e eu. Somos amigos. – Disse simplesmente. Gemeu em seguida olhando os próprios pés.
– Não é o que parece...
– E do que te importa? – Jogou pela primeira vez parando e se virando para o rapaz ao seu lado. Ele parou também observando-a.
– Seus olhos parecem maiores... – Disse simplesmente. Hermione ergueu uma sobrancelha. Ele não estava caçoando de Lovegood, simplesmente continuava a encarando com feições confusas. – Seus olhos sempre foram grandes desse jeito?
– É o cabelo! – Cuspiu irritada. Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
– Preciso me desculpar por isso, não preciso?!
– Não adiantaria nada, poupe seu ar. – Jogou irritada. Deu um passo adiante se afastando.
– Sinto muito, Granger. – Disse mesmo assim a acompanhando.
– Me deixe em paz! – Disse ainda encarando o chão enquanto andava.
– Lovegood não é bom o suficiente.
– Quem você pensa que é para decidir quem é bom ou não para mim? – Em seguida deixou a frase do ar. Sentia as mãos dele ao redor de seu rosto e lembrou-se da festa no salão dos monitores. Ele continuou em silêncio, encarando-a fixamente. Nenhum dos dois se moveu. Aquela posição era perfeita. Hermione fungou irritada e pôde vê-lo secar algo em seu rosto. – Não me machuque, por favor. – Tom continuou em silêncio por alguns segundos. Estava absorvendo aquilo. Se afastou em seguida colocando as mãos nos bolsos. Respirou fundo e caminhou apressadamente em direção às masmorras sem olhar para trás um minuto sequer. Se punia internamente por aquele contato e, com certeza, o faria sem parar pelos próximos dias. Precisava de seu melhor amigo de volta.
─ ∞ ─
Mary Jolene riu ruidosamente e deu uma longa golada em sua cerveja amanteigada. Hermione continuou em silêncio, apenas sorrindo. Naquelas duas semanas, as coisas continuavam estranhas. Não com Mary Jolene e muito menos com Abraxas. Ele finalmente voltara a falar com Tom e os antigos amigos e parecia bem melhor que antes. E parara de se agarrar pelos cantos com Mary Jolene para começar a se agarrar com ela em publico.
– O que acha, Mione? – Hermione ergueu os olhos, confusa.
– O quê? Hum, eu não ouvi o que disse, Charlus, sinto muito. – Ele riu e ergueu uma camisa no ar. Encarou a camisa azul onde às costas, um texugo sobre uma vassoura fazia alguma careta, na frente, havia uma cobra verde enrolada ao redor de um gigantesco leão com um pomo de ouro na boca. – Hm, a cor da Corvinal, o texugo da Lufa-lufa, e o leão da Grifinória com a cobra da Sonserina?! Acho melhor esconder isso antes que alguém te mate. – Charlus. – Ficou bonita, Charlus. – Disse honestamente. Realmente gostara da camisa.
– Mione! – Hermione ergueu os olhos encarando o garoto loiro a sua frente. Era a primeira vez que o via sem os óculos para ver zonzóbulos. Augustus Lovegood tinha, oficialmente, os olhos mais lindos do mundo! Ele abriu a boca para continuar falando, mas em seguida a voz de Dumbledore soou por todo o castelo.
– Alunos, por gentileza voltem todos para os quartos imediatamente e evitem passar no segundo andar utilizando as outras passagens da escola. As aulas do período da tarde serão canceladas. – Mary Jolene se levantou irritada.
– Mais alguém foi atacado. – Murmurou esvaziando o copo de cerveja amanteigada. Hermione ergueu os olhos. – O monstro da câmara secreta de Slytherin. Estamos na corda bamba por causa desses ataques do herdeiro de Slytherin. – Disse puxando Hermione pelo punho. – Vamos logo! Não quero ser petrificada! – Jogou. Hermione revirou o salão com os olhos a procura do loiro de olhos acinzentados. O viu em algum canto encarando-as. Aquele olhar comprovou todas as teorias de Hermione.
– Não! – Hermione inverteu os papéis puxando Mary Jolene pelo punho. – Precisamos ir para o banheiro do segundo andar. – Disse quando já estavam no corredor seguindo o rumo contrário dos alunos.
– Do que está falando?
– É lá que fica a entrada da câmara, Mary! – Jogou. – Não podemos deixar que ela morra! – Disse apressando o passo.
– O quê? Como sabe disso? Quem vai morrer? Hermione, não me assuste! – Disse prendendo os pés no chão. E então ela percebeu. Não poderia levar Mary Jolene para a câmara. Seriam três nascidas trouxas para Tom Riddle. Hermione estaria condenando-a. – Vamos para o dormitório, por favor. – Hermione assentiu. E encarou o rapaz loiro atrás dela. Assentiu minimamente para ele e ele concordou.
– Vá você. – E sem esperar uma resposta, correu o mais rápido que pôde, assim que o viu passar os braços ao redor do corpo dela a puxando para trás.
HERMIONE! Me solte, Abraxas. Ela vai para o segundo andar! Abraxas!
Não disse nada. Não havia nada ali. Hermione não era ofidiglota, não poderia abrir a câmara. Precisava apenas encontrar Murta e sair dali se quiser ficar viva.
– Murta? – Chamou baixinho. Sentia a garganta seca. O silêncio daquele lugar lhe permitia ouvir o basilisco no encanamento. – Murta? Você está aqui? – Hermione virou-se ao ouvir passos atrás de si. Encarou-o. Ele não parecia surpreso em vê-la ali. Ela não gritou, nem se afastou. Apenas baixou o rosto. – Por favor, me diga que não cheguei tarde demais. – Murmurou. Tom balançou a cabeça negativamente.
– Murta saiu do banheiro alguns minutos antes do gigante ser atacado. – Hermione o encarou. Sentia os olhos marejados. – Foi isso o que falou com ele daquela vez, não foi? O pediu para jogar o monstrinho dele na floresta negra, assim ele jamais poderia levar a culpa pela morte da garota e ser expulso. – Hermione continuava em silêncio. – Sabia que ela poderia morrer. Como?
– Como soube que eu disse isso a Hagrid?
– Legilimência. – Disse. Hermione revirou os olhos e deixou as lágrimas escaparem. – Quem é você, Granger? – Hermione repirou profundamente e deu um passo para trás e pôde ver parte das escamas gigantescas do basilisco se arrastando atrás de Tom Riddle. – Você é inteligente, Granger. Sabe o que acontece se olhar direto nos olhos de um basilisco. – Em seguida ela apertou os olhos firmemente deixando mais lágrimas escaparem. – Tenho que te agradecer. – Ouviu ele dizer. Conseguia ouvir os sapatos dele batendo contra o chão. Ele estava andando. – Abraxas voltou a falar comigo e me sinto bem melhor que antes. E ele também está diferente. Preciso admitir que a sangue-ruim o deixa mais feliz. – Sussurrou. Ele continuou andando. Os sapatos batendo levemente no piso. Hermione sentiu as costas tocarem na parede. Queria pedir a ele para não machucá-la, mas estava tão assustada. Sentiu as mão dele tocarem seu rosto como da ultima vez; ele enlaçou os dedos nos fios cacheados e não disse mais nada. E Hermione pôde sentir os lábios dele nos dela; e não havia ninguém ali para fazê-lo sentir-se melhor que ela. Eram apenas os dois, a câmara de Salazar e o basilisco. E Murta estava viva, Hagrid na escola e talvez, os Potter não fossem mortos num futuro distante daquele. E naquele momento, não havia com o que se preocupar. Hermione esticou as mãos e pôde sentir o tecido do uniforme dele e puxou-o para mais perto. Riddle pediu passagem com a língua e ela cedeu. Não havia nada além dos dois ali. Ela era dele e ele era dela.
E Hermione pôde vê-lo; o jovem e aterrorizado Tom Riddle abandonado num orfanato, Abraxas Malfoy lhe comprando artigos bruxos e percebeu o quanto o Malfoy significava para Tom e surpreendeu-se ao ver aquilo, mesmo de olhos fechados e aterrorizada.
E Tom pode vê-la também. Viu o jovem Harry Potter, e Ronald Weasley e tempos que foram; a viu ser torturada e a viu fugir, e a viu chorar e comprimiu mais o próprio corpo contra o dela por que sentiu que devia.
Ele era dela. Ela era dele. Eles pertenciam um ao outro, mas nunca diriam, por que ainda havia um mundo lá fora, e ninguém permitira que eles se pertencessem. Mas ali, na banheiro feminino do segundo andar de Hogwarts, na câmara de Salazar, com o basilisco ao redor deles, não havia quem pudesse discutir essa verdade.
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Por favor, saltadores, leiam as notas finais. ;)
Notas finais
Malfeito feito
Nox
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