Villain
11 Capitulo 10 – Chorando
Notas iniciais
Lumus
Eu juro solenemente não fazer nada de bom
As conseqüências de nossos atos são sempre tão complexas, tão diversas, que predizer o futuro é uma tarefa realmente difícil.
Alvo Dumbledore
Mary Jolene havia desistido de consolá-la quando passou das duas; era uma boa amiga, mas simplesmente não sabia o que fazer nessas situações. Sentou-se na cama e encarou a janela aberta enquanto Malfoy continuava desesperadamente tentado fazê-la parar. Mary Jolene buscara água e cortara o cabelo dela de forma uniforme e realmente, não ficara assim tão ruim. Não estava totalmente parecida com um menino, mas ainda sentia falta dos cachos longos.
– Hermione, não fique assim... – Pediu Abraxas baixinho. – Por favor, Herms, fico péssimo te vendo assim. – Disse delicadamente. – Não se preocupe, Mione, você está linda! – Incentivou.
– Não me importo com o cabelo, Abbie! Ele apenas não podia ter feito isso! – Cuspiu irritada. – Me sinto tão... Incapaz.
– Você fez o que era certo, Mione. Se contar a alguém eles ficarão do seu lado! – Incentivou Abraxas encarando-a. – Por favor, pare de chorar, Herms. Você fica linda quando sorri. – Hermione riu baixo secando o rosto vermelho. – Viu só?! – Ela riu mais alto e conseguiu ouvir Mary Jolene suspirar aliviada do outro lado do quarto. – Mary, me desculpe não ter ido ao seu jogo. – Disse se virando para encarar a garota sentada em algum canto do quarto. Ela ergueu as sobrancelhas e deu de ombros.
– Não tem problema, Mione. Pode me ver derrotar o Potter no próximo jogo. – Hermione riu baixinho. Não importava se eram amigos ou não; sonserinos e grifinórios sempre teriam uma rixa. – Nós ganhamos. Nós sempre ganhamos, Mione. – E Mary Jolene sorriu animada. E então Hermione encarou os tufos de cabelo no chão e pensou em chorar outra vez, mas então encarou a garota a sua frente; os cabelos igualmente repicados como os dela. Sorriu mais. Mary Jolene havia cortado o cabelo também. – Ei! Pare de encarar! – Pediu envergonhada. – Só achei bonito... – Disse dando de ombros. Realmente, Mary era como Abraxas tinha dito em uma conversa com Hermione: Ela simplesmente não conseguia expressar como se sentia. E talvez fosse bom ficar com uma amiga tão pouco afrescalhada. Com Mary Jolene as coisas nunca se complicavam demais. Ela cortara o cabelo simplesmente para chamar mais atenção que Hermione para que ela não se sentisse deslocada e nem intimidada e, deu certo.
– Obrigado, Mary. – Hermione se levantou caminhando até a garota do outro lado do quarto. – Abraço? – Ofereceu. Mary Jolene definitivamente não gostava de muito contato físico. Ela esticou a mão numa careta. Normalmente as coisas eram assim. Esse era o máximo de contato físico que tinham.
– Por nada, Hermione. Vai para as aulas da tarde? – Hermione esbugalhou os olhos. – Pois é, é hora do almoço...
– O quê?! Eu passei a manhã inteiro enfurnada aqui? – Mary Jolene assentiu e ergueu uma sobrancelha. – Que tipo de pergunta é essa, Mary Jolene? É claro que eu quero ir para as aulas da tarde! – Mary Jolene riu juntamente com Abraxas; mas em seguida ele se calou apertando fortemente o punho direito fechando os olhos. Hermione sabia o que aquilo significava.
– Tudo bem, Malfoy? – Ele assentiu em silencio ainda pressionando fortemente o braço.
– Preciso ir... – Sussurrou. Mary Jolene deu um passo adiante agarrando fortemente o pulso do loiro.
– Definitivamente, você não está bem, Malfoy! – Disse puxando o tecido escuro do uniforme para cima. Ela encarou a marca movendo-se lentamente deixando um vestígio vermelho na pele clara. – O que é isso, Malfoy? – Mary Jolene tirou a varinha da barra da saia tocando-a na marca. Quase que imediatamente se calou vendo as imagens passarem como flashes em sua mente; a torre de astronomia, um aluno sozinho. Tom Riddle. Afastou-se ofegando. – O que é isso, Malfoy? – Ela apontou a varinha assustada para o loiro. – É semelhante ao que Grindewald usa para se comunicar com seus seguidores. O que é isso?! – Jogou irritada.
– Não sou um seguidor de Grindewald, Craster. – Cuspiu.
– É seguidor de quem, então? – Jogou ainda com a varinha ainda erguida.
– Infernos, Craster, não pode simplesmente me ajudar?
– O que é isso? – Jogou novamente. Hermione passou os braços ao redor dos ombros de Mary Jolene puxando-a lentamente para trás.
– Não se preocupe, Mary, não é nada demais. – Disse ainda encarando-o sem emoção. – Vá, Abbie, não quero que se encrenque com ele... – Disse baixinho. Abraxas assentiu ignorando tudo o que ela parecia saber sobre Tom, com certeza havia aprendido muito com a “lição” que ele lhe dera. Caminhou apressadamente em direção a torre de astronomia. Seu braço simplesmente não parava de doer. O que deixava Tom tão desesperado?!
Esbarrava em todos pelo caminho e parecia realmente não se importar com os grifinórios reclamando dos sonserinos. Tocara a varinha na marca, dizendo que estava indo, diversas vezes, mas simplesmente não parava de doer. Mantinha a manga erguida assim que entrou na parte pouco movimentada do castelo, como se aquilo fosse aliviar a dor e ardência. Ao redor da marca estava um vergão roxo e o braço vermelho com as veias saltando. Aquela marca nunca doera tanto. Alguma coisa estava acontecendo e, definitivamente, não era bom.
─ ∞ ─
Era uma terça-feira e Hermione estava enfiada no vestido verde que Mary Jolene chamava de o vestido de jogo. Tinha uma cobra de pelúcia ao redor do corpo, bem como, Lovegood ao seu lado usava um leão enorme na cabeça. Finalmente, Sonserina contra Grifinória.
Não falara muito com Abraxas desde aquele dia, mas ele não estava andando com Tom, nem com Calidora e nem ia as aulas. Ele comprovou as teorias dele quando mandou uma carta falando que estava fora da escola fazendo um favor a Tom.
Mas ficou surpresa quando o viu no jogo de quadribol; estava no grupo em que costumava ficar: ao lado de Tom, Calidora, Gus e Gail e, é claro, Theodore Nott. Naomi Black não costumava ficar muito próximo deles, gostava de andar no grupo de Mary Jolene, mas ainda era irmã de Calidora, e dissera que Abraxas não fora fazer nada que pudesse realmente prejudicá-lo, mas mesmo assim, Hermione não pode deixar de se preocupar. Continuou encarando-o de longe, até por fim, ele virar-se para ela. Tinha o rosto impassível, mas entendeu o que ela quis dizer. Negou com a cabeça sem que ninguém ao redor reparasse o movimento. Ela sabia o que aquele movimento significava; algo muito semelhante a um “prometo te dizer tudo mais tarde”. Mas pôde ver Tom tocar o braço de Abraxas de forma controlada e voltou o olhar para Hermione; não um olhar qualquer, não o olhar que sempre a dirigia. Era diferente. Ele parecia tentado a encarar o cabelo agora tão curto quanto dele; ela percebeu e baixou os olhos sentindo as lágrimas se formarem em seus olhos – Valerie Potter tentara a convencer a ir a ala hospitalar pedir uma poção para que o cabelo crescesse de volta, mas obviamente que não a ganharia só por que resolveu mudar o corte e Abraxas a fizera prometer que não falaria nada sobre Tom. Nem mesmo para Dumbledore. Ele disse que ele mesmo queria falar com o amigo –, mas em seguida sentiu um braço magro ao redor de seus ombros. Encarou o garoto loiro ao seu lado, os olhos azuis cintilando por trás dos óculos para ver zonzóbulos. Hermione conteve as lágrimas encarando-o uma última vez ante de sorrir para o Lovegood ao seu lado.
– Gostei do novo estilo, Mione. – Disse simplesmente. – Ficou bonita. – Hermione sorriu minimamente. Abraxas a pediu para não contar para muitas pessoas; disse que ele mesmo falaria com Tom sobre aquilo. – Parece que seus olhos são maiores. – Disse sorrindo. Hermione riu. – E seu rosto... Ele fica... Diferente... Não sei... – Gaguejou.
– Ei, Lovegood. – Hermione virou o rosto antes do loiro observando o rapaz a sua frente mover o punho adiante num soco rápido. Gritou. Quase como imediatamente, o rapaz ruivo se colocou ao seu lado com Charlus Poter enrolado numa serpente de pelúcia. Hermione se encolheu quando ele deu um passo adiante, mas em seguida, Septimus se colocou entre os dois encarando Riddle atentamente.
– Por que bateu nele? – Riddle riu como se achasse a voz um pouco aguda do rapaz hilária. – e realmente, era hilária. – Não estou brincando, Riddle!
– Septimus, não exagere, ok?! – Disse Valerie Potter ao lado do irmão. Quando foi que ela chegara? – Não dá pra entender esses sonserinos... Você sabe como essas cobras são! – Cuspiu encarando-o. A esse ponto Hermione já havia secado o rosto vermelho e se abaixado ao lado de Lovegood. – Sem ofensa, Mione. Você sabe que é muito melhor que esses sonserinos. A Grifinória te adora!
– Não estou nem aí para a Grifinória, Valerie! – Jogou irritada. – Augustus, tudo bem?
– Zonzóbulos... Zonzóbulos ao meu redor... – Murmurou. Encarou o nariz torto escorrendo o líquido vermelho e espesso.
– Está quebrado. – Disse tocando lentamente e vendo o garoto se retrair ao toque.
– Concerte, oras. – Jogou Abraxas ao lado de Tom. Quando foi que ele chegara?
“E Mary Jolene captura o pomo! A Sonserina ganhou!”
– Mas o que é que está acontecendo aqui? – Jogou Minerva chegando irritadíssima. – Vou contar ao Dumbledore! – Alertou.
– Riddle bateu em Augustus! – Acusou Septimus.
– Isso é verdade?! – Hermione riu internamente, McGonagall nunca mudaria mesmo. Tom rosnou irritado. – Bem, sinto muito Sr. Riddle, mas vou ter que contar para o professor Slugorn.
– Pode contar o que quiser a ele. – Cuspiu. Aquilo estava virando uma confusão e em seguida Mary Jolene apareceu, mas em seguida, foi chamada pelo professor Dumbledore e então, de repente, tudo virou um silêncio completo. Como se todos esperassem o que viria a seguir. Como se todos soubessem o que viria a seguir. E Hermione viu Mary Jolene abrir a boca em resposta, mas em seguida fechá-la e largar a vassoura e levar as mãos ao redor dos ombros como se se abraçasse, mas em seguida levou a mão ao rosto e os joelhos falharam; e ela foi ao chão chorando. Se havia algo que Hermione nunca imaginaria na vida, era ver Mary Jolene chorando.
Notas finais
Nox
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