Villain
12 Capitulo 11 – Confissão
Notas iniciais
Esse capitulo foi bem gostoso de escrever e cheio de surpresinhas, então, preparem os coraçõezinhos...
Lumus
Eu juro solenemente não fazer nada de bom
Esse capitulo é, especialmente, dedicado à Karol McCullen que recomendou a história e com toda certeza, merece uma dedicação. Eu adorei a recomendação, Karol. Muito obrigada mesmo!
Tom Riddle, Abraxas Malfoy, Hermione Granger e Mary Jolene estão lhe mandando beijinhos e uma cartinha via Edwiges. ;)
“São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades.”
Alvo Dumbledore
Hermione continuava em silêncio encarando a garota a sua frente. Os olhos verdes fixos no pio escuro; passara todos aqueles dias deita e não dissera uma palavra sequer. Devia ter dormido por algumas poucas horas, mas Hermione sabia que grande parte daqueles oito dias foram passadas em branco; comera tão pouco quanto dormira e tinha agora um aspecto doentio. Hermione a deixara se refugiar em seu quarto naqueles dias. Ela parara de ir aos treinos de quadribol da sonserina também e Theodore Nott a tirara do time por excesso de faltas. Agora Calidora era a nova apanhadora do time da sonserina. Hermione tentou argumentar, mas Nott não quis ouvi-la.
Não falara com Abraxas também desde aquele incidente na quadra e ele passava grande parte do tempo sozinho em algum canto escuro das masmorras perto da entrada do salão comunal; ela falava com Charlus e Augustus, e também ficara muito intima de Valerie e Minerva, mas mesmo assim se sentia um pouco solitária. Abraxas era, realmente, um grande amigo e sentia falta dele; e Mary Jolene também era uma grande amiga e Hermione sentia-se péssima por ainda não saber o motivo de sua tristeza dela. Nunca vira alguém tão triste na vida.
Depois daquele dia do jogo, Hermione gritara com Riddle, e ele gritou com ela também e a deixara mais assustada do que nunca. Depois daquele dia não voltou a revê-lo. Andava sempre com o mapa – agora o deixara em homenagem aos amigos mortos – para evitar vê-lo em algum corredor e estava dando certo.
Era um sábado e estava amanhecendo e Hermione podia ouvir Mary Jolene chorando na outra cama, mas ela não se levantara e nem bebera água, apenas chorou, como sempre fazia.
– Mione? – Sussurrou fraca. Hermione se levantou ficando zonza no momento seguinte como sempre acontecia quando ela se levantava rápido e estava sonolenta. Colocou-se em frente a cama observando a garota a sua frente. Os olhos verdes cintilavam por trás da espessa camada de lágrimas. Tocou o rosto da amiga delicadamente e ergueu as sobrancelhas incentivando-a a falar. – Já perdeu alguém muito importante? – Sussurrou. Hermione suspirou.
– Eu perdi tudo, Mary. – Respondeu sinceramente. O silêncio voltou a dominar o quarto. Hermione acariciou carinhosamente os cabelos curtos da amiga e continuou. – O que houve, Mary? – Mary Jolene fungou e passou a mão, agora excessivamente ossuda, pelo rosto.
– Eu a perdi, Mione... – Sussurrou. Hermione a encarou confusa. – Eu vim de um vilarejo na Irlanda. Um desses típicos lugares onde as pessoas nunca crescem realmente. Minha mãe sempre foi e sempre vai ser tudo o que tenho, Mione. E agora ela está morta. – Hermione secou o rosto delicadamente. – O vilarejo onde ela vivia foi atacado pelos seguidores de Grindewald; não há nenhum trouxa vivo. – Sussurrou. – Depois daqui, eu não tenho mais para onde ir, Mione. Minha mãe era minha família. Eu não tenho mais nada. Eu não sou nada.
– Não diga isso, Mary. – Sussurrou carinhosamente. – Eu sei como se sente, mas você tem a mim... – Incentivou. – E Charlus e Valerie... Eles te adoram! E o Augustus e Naomi! – Incentivou. – Nós não vamos te abandonar, Mary...
– Mas eu não tenho para onde ir. Não tenho parentes no mundo bruxo...
– Já disse que tem a mim, Mary. – Repetiu Hermione. – É nosso ultimo ano. Podemos depois daqui, viver no mundo bruxo... Eu sei que não posso dizer nada, Mary, mas, por favor, tente ficar bem. Me sinto horrível te vendo assim... – Confessou. – Você é minha melhor amiga, Mary. Não posso suportar te ver assim.
– Eu não sei o que fazer... – Confessou. A engenhosa Mary Jolene, a apanhadora maravilhosa do time da Sonserina, a “rainha do álcool”, a dona das melhores festas, a monitora da Sonserina, uma das melhores alunas de Hogwarts, não sabia o que fazer.
– Eu sei... Vamos ficar bem, Mary. Vamos pelo menos tentar... – Sugeriu. Naquele momento, Hermione jurou que poderia ficar ali para sempre, por que depois de oito dias chorando, sem dormir e comendo pouco, Mary Jolene sorriu. Não o sorriso habitual que ela costumava dar. Um sorriso diferente, como uma criança que viveu sempre na miséria, mas que se agarra a um ultimo fio de esperança. Mary Jolene era essa criança, e Hermione era seu ultimo fio de esperança. Mary sentou-se na cama e secou o rosto. – Poderíamos enterrá-la aqui no mundo bruxo e você poderia visitá-la sempre que quisesse. – Sugeriu. Mary Jolene assentiu. – E então, você poderia recuperar seu posto de apanhadora da Sonserina e escolher o que quer fazer depois de Hogwarts. – Mary Jolene concordou com a cabeça e levou a mão a barriga; passou a língua pelos lábio grossos e secos. Era de se esperar, estava faminta. Hermione sorriu o mesmo sorriso de Mary Jolene, por que também era uma criança com o feixe de esperança.
─ ∞ ─
Hermione sorriu minimamente e depois sorriu mais ao vê-lo sair do canto escuro e se colocar a frente delas; era a primeira vez que Abraxas saia dali e falava com alguém, mas ele não exatamente falou. Apenas se aproximou de Mary Jolene, passou os braços ao redor do corpo dela e colou os lábios finos aos dela e quando se separou, voltou a aperta-la forte contra o corpo escondendo o rosto no vão do pescoço dela.
– Por favor, Craster, nunca mais faça isso comigo! – Implorou baixinho. Hermione viu Mary Jolene passar os braços ao redor do corpo do Malfoy sussurrando algo em retorno. Ao lado dela, Gus e Gail encaravam a cena. Hermione encarou Gail, confusa. Gail deu de ombros.
– Eles se gostavam no primeiro ano, sabe, quando entraram juntos no vagão do Expresso Hogwarts e tudo mais e depois foram para a mesma casa e tudo mais, mas então, Abraxas ficou amigo de Tom e ele o convenceu a se afastar de Mary Jolene. – Hermione sabia o porquê. Mary Jolene era uma nascida trouxa. – No quinto ano namoraram escondidos por um tempo, mas Tom ficou simplesmente furioso com Abraxas. Os dois ficaram praticamente o ano letivo inteiro sem se falarem, até que por fim, Abraxas e ela brigaram por alguma coisa que envolvia Calidora e os dois voltaram a conversar. Depois disso, eles simplesmente não se falaram mais. Craster fica no canto dela com os amigos dela e Malfoy no dele, com os amigos dele, mas toda Hogwarts sabe e até mesmo Dumbledore gosta de ficar comentando, Malfoy e Craster simplesmente se amam desde o incidente no quarto ano... – E deu de ombros. – Acho que até demoraram a voltar a se falar.
–O que aconteceu no quarto ano?
– Craster caiu da vassoura e deslocou alguns ossos do lugar por causa de uma azaração de Calidora e o Weasley ficou todo de chamegos com ela. Abbie ficou puto! E então, Gus e eu lhe dissemos a verdade, não que já não fosse óbvia para todos. – Gus sorriu. – Ele gostava da Craster e estava com ciúmes por que Weasley podia se dar ao luxo de confessar isso.
– Longa história.
– Bem longa... – Concordou Gail. – Só acho bom Tom não ver isso. Ele ficaria realmente irritado.
─ ∞ ─
As coisas estavam se normalizando aos poucos, ou quase. Abraxas ainda andava sozinho por aí e depois do acontecido na entrada do salão, andava se encontrando às escondidas com Mary Jolene por aí. Tom aparecera diversas vezes no grupo de Hermione procurando por ele e saía furioso por não encontrá-lo. Abraxas dissera que os dois discutiram e não queria falar com ele, somente isso. Dissera que todo o resto não era importante. Calidora Black começara a, subitamente andar mais com Theodore Nott, e os gêmeos Lestrange, estranhamente, se tornaram bons amigos de Hermione. Gus até chegara a se desculpar por seu comportamento e por Calidora, que, aliás, havia “terminado” seu relacionamento inexistente com Tom outra vez. Mary Jolene não conseguira o posto de apanhadora novamente, mas não parecera ficar triste com aquilo e suas notas ficaram mais altas do que já eram, empatando com as de Minerva, Hermione e Tom Riddle.
Dumbledore viera procurar Hermione um dia, dizendo que ainda não havia encontrado uma forma de mandá-la para seu tempo, mas ela não se sentiu incomodada com aquilo. Sentia-se bem ali, como se sempre tivesse pertencido àquela época. Quase não soube do que Dumbledore falava. Sentiu que não queria voltar para casa.
Augustus Lovegood acidentalmente confessara que gostava dos olhos de Hermione e que a achava legal simplesmente por não chamá-lo de idiota pelo fato dele sempre falar de zonzóbulos e quando foi se despedir a beijara sem querer. E no minuto seguinte corria gritando aterrorizado pelos corredores. E quando Hermione dissera a Mary Jolene, ela bufara e dissera algo sobre esquisitices, mas não quis saber, por que Abraxas estava vindo e isso era mais importante que Augustus Lovegood a beijar acidentalmente.
E Hermione entrou para o grupo especial de Slugorn e iria ao baile de natal dele desacompanhada, por que Charlus tinha sido convidado por Naomi Black, Abraxas iria com Mary Jolene e Augustus surpreendentemente tinha sido chamado por Murta – que ainda não tinha sido atacada pelo basilisco.
– Ei, Gail... – Hermione chamou com um ar amável.
– Sou o Gus, Mione e o que você quer falando com essa voz? – Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado.
– Gus, não me deixaria aparecer no baile do Slugorn sozinha, deixaria? – Ela sorriu delicada.
– Abbie vai com Mary? – Hermione assentiu. – Tudo bem, mas não se acostume, tudo bem?! Não vou a todos os bailes de Slugorn com você! – Jogou. Hermione sorriu se jogando ao lado do loiro animada.
– Obrigada, Gus! – Disse animada.
─ ∞ ─
Hermione riu baixinho e jogou uma mecha mais longa do cabelo castanho para trás da orelha. Depois de um tempo, ele já tinha começado a crescer e estava num tamanho razoável agora, mas Mary Jolene optara por deixá-lo curto. Disse que Abraxas gostava dele assim. Gus estava enfiado num paletó escuro contando histórias sobre ele e o irmão na infância.
– E você, Lestrange? Se divertindo? – Gus olhou para o professor esbugalhando os olhos.
– Hm, claro, professor. Está realmente divertido. – E bebeu um pouco de água pigarreando em seguida. Não demonstrara, mas estava ficando um pouco intimidado com os olhares que recebia de Tom a todo segundo. Passara tanto tempo longe dele que até se esquecera que ele também era do grupo especial de poções, aliás, Slugorn o adorava.
– Aposto que achava que não era tão divertido! – E riu. Gus riu também, sem graça. Realmente, há um dia, apostaria dez galeões com o irmão de como a festa seria um saco. – Agora tem uma boa razão para melhorar suas notas, hum?! – Gus assentiu.
– Vou melhorá-las professor. – Prometeu. Slugorn piscou.
– Se quiser ficar com Hermione, realmente tem que melhorá-las. – Alertou. Tom engasgou-se com sua águas e revirou os olhos bufando em seguida. Gus ficou rígido ao lado de Hermione.
– Somos apenas amigos, professor. – Disse Hermione corando. – Só o chamei para me acompanhar aqui. – Gus concordou. Abraxas foi o primeiro a se levantar irritado e caminhar para fora do jantar. Não dissera uma palavra sequer desde que chegara com Mary Jolene e fora alfinetado por Calidora pelo menos umas cinco vezes; ninguém, além de Hermione vira a troca de olhares rápidos entre ele e Tom. Estava visivelmente incomodado de estar ali.
– Com licença, professor. – Mary Jolene se levantou em seguida.
– Mary. – Hermione chamou. – Posso conversar com o Abbie? – Pediu se aproximando da amiga.
– Não o que há de errado com ele, Mione. Não é a primeira vez que faz isso! – Sussurrou irritada. – É bom ser rápida! – Pediu se sentando novamente.
Hermione caminhou para fora do salão de jantar encarando o loiro recostado observando a neve. Se colocou ao lado dele em silêncio.
– Tudo bem, Abbie? – Ele a encarou. O rosto vermelho.
– Eu não posso mais fazer isso, Hermione... – Disse secando o rosto irritante. – Me sinto horrível! – Cuspiu. – Estou dividido entre meu irmão e ela! – Jogou. Hermione não ficou surpresa, por que já sabia que era aquilo que ele e Tom eram. Irmãos. Queria dizer que ele não precisava escolher entre os dois, mas ele precisava. – Eu não consigo lidar comigo mesmo, Hermione. – Sussurrou. – Me sinto culpado! E com razão!
– Você não fez nada, Abbie. – Disse tirando um lenço do bolso.
– Éramos eu, Theo, Calidora e Naomi naquele vilarejo, não seguidores de Grindewald. – Confessou enfim baixando o rosto. – Tom não pôde ir no ultimo momento por que o professor Dumbledore estava em cima dele, mas nós fomos... – Sussurrou. – E nós matamos todas aquelas pessoas... – Abraxas negou mordendo o lábio. – É por isso que estou me mantendo afastado, Hermione. Não posso mais... E Mary, ela... Ela me matará lenta e dolorosamente com a adaga egípcia da coleção da mãe dela. Pior! Ela nunca mais vai olhar pra mim! E eu nunca mais vou olhar pra Tom. E provavelmente vou me matar por que vou enlouquecer desse jeito! Eu não posso abandoná-la e não posso abandoná-lo também... Eu a amo e ele é meu irmão. – Jogou. Hermione queria chorar, ou sair correndo dali, mas ficou na ponta dos pés e passou os braços ao redor de Abraxas num abraço apertado.
– Então não seja seu seguidor, seja seu amigo. – Sussurrou vendo Abraxas se encolher e chorar baixo com o toque. Era impressionante como Abraxas poderia ser parecido com Draco em situações como aquela.
Notas finais
Malfeito Feito
Nox
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