Villain

3 Capitulo 02 – Irritante sabe-tudo


Notas iniciais
Desculpem a demora.

A verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela


Hermione se encarou no espelho. Suspirou mais uma vez. Dumbledore e o diretor Dippet a estavam tratando de modo muito diferente. Não exatamente ruim, mas diferente dos outros alunos. Isso a deixava irritada. Tudo o que ela mais desejou depois do fim da guerra finalmente acontecera, mas não da maneira esperada. A gravata em tons verde e prata lhe deixavam enojada, assim como os olhares dos companheiros de casa em sua direção.



É difícil dizer se você ainda pertence realmente à sua casa de origem, Srta. Granger, ele dissera, Pessoas mudam. Precisamos saber se o chapéu seletor concorda com você. Precisamos saber se você é realmente uma grifinória.



E talvez estivesse certo, afinal. Ela teria mudado tanto assim para ser mandada para sua casa rival?! Teria perdido sua essência durante a guerra?


Dumbledore parecia desapontado em vê-la indo para a Sonserina. Como se ele tivesse mentido para ele.

Ela até mesmo tentara argumentar com o chapéu, mas por fim, lembrou-se de que para Hogwarts e seus instrumentos, tudo têm uma razão e deveria haver uma razão para que o chapéu a mandasse para Sonserina. E por fim, no final, conformou-se. Para qual casa iria não era sua grande preocupação. Ela apenas queria sentir o cheiro da biblioteca de Hogwarts, e visitar a floresta negra, e lembrar-se dos bons tempos e até quem sabe, sentir saudade, mas de uma forma boa. Saudade as vezes pode ser bom.

Colocou uma mecha castanha para trás da orelha e olhou um grupo de garotas cochichando no salão comunal. Estavam falando sobre ela. Era óbvio que estavam, mas ela não se importava muito. Dippet lhe dera um quarto particular. Dissera que ela era um caso especial para Hogwarts. Ela olhou-se novamente no espelho e enfiou um livro pesado em seu colar-bolsa no pescoço. Ainda guardava tudo tão preciosamente. Os bons tempos com seus amigos. Olhou novamente o salão comunal da Sonserina e bufou. Nunca se importara com aquelas cobras asquerosas, por que seria agora que se importaria. Empurrou a pequena porta de madeira e o silêncio tomou conta do salão. Dois rapazes estavam sentados no chão e tinham algo muito parecido com vomitilhas nas mãos. Pareciam realmente dispostos à caçoar de alguém. Lembravam incomodamente Fred e George. Os cabelos loiros escorriam até os ombros e os olhos verdes contrastavam com o uniforme incomodamente comum aos olhos dela. Hermione nunca se acostumaria a usar verde. Vermelho era definitivamente, sua cor favorita.

– Ei, novata! – Chamou um deles sorrindo de forma quase amigável. Ela o encarou sem sorrir. – De onde você é?

– Londres. – Disse simplesmente.

– Ah sim! Somos de Londres também não é, Gus? – E olhou para o outro. Ele assentiu. – O que seus pais fazem? Nossos pais são aurores no ministério.

– Meus pais são dentistas. – Disse simplesmente. O sorriso desapareceu do rosto dele e ele fez uma careta.

– Mas então, como se tornou uma bruxa e não uma... Dentista? – Jogou o outro – Gus – sem nem voltar o olhar para ela.

– Eu recebi uma carta e estudei. – Disse simplesmente.

– Soube que trouxas nunca são bons bruxos. – Jogou uma das garotas sentadas na poltrona.

– Bem, eu temo que eu realmente não importe com essa informação. – Disse simplesmente. – Se me dão licença, eu preciso comparecer ao café da manhã. Soube que Hogwarts tem uma comida excelente! – E caminhou até a saída. Lembrou-se do porquê de não gostar dos sonserinos com apenas alguns minutos de conversa.

Caminhou até o salão principal e ao entrar, deparou-se com sua falta de atenção ao caminhar até a mesa repleta de estudantes de vermelho e dourado; negou-se e deu a volta caminhando até a mesa correta. Dumbledore lhe sorriu amigavelmente da mesa dos professores e voltou a atenção até o diretor, sentado ao seu lado. Quando por fim o salão estava abarrotado de alunos conversadores, Armando levantou-se e disse simplesmente:

– Alunos, antes do café, gostaria de informá-los que recebemos em Hogwarts uma nova aluna transferida da academia de magia Beauxbatons, que após passar por uma seleção particular com o chapéu seletor, fora enviada para a casa Sonserina. Gostaria que recebessem muito afetuosamente a Srta. Hermione Granger. – E voltou-se a sentar-se com um ar cansado após uma salva de palmas. Hermione não levantou. Nem mesmo ergueu o olhar, apenas continuou concentrada em seu café da manhã. Tudo o que queria era algumas aulas e lembrar-se de como era ser a irritante sabe-tudo de Hogwarts. Toda aquela mentira sobre Beauxbatons e tudo mais, aquilo a deixava uma pilha de nervos. Se alguém a perguntasse, ela não saberia nem mesmo pronunciar o nome da maldita escola, quem dirá dizer como era lá.

Não sabia que sangues-ruins estudavam na Beauxbatons. – Disse uma garota propositalmente alto provocando uma série de risadas.

– Sonserinos serão sempre os mesmos malditos sonserinos. Não importa em qual ano estejamos... – Murmurou para si mesma comendo um ultimo pedaço de bolo e levantando rapidamente. Queria ficar em qualquer lugar da escola, exceto na mesa das serpentes peçonhentas. Uma nova onda de risadas invadiu a mesa e Hermione nem sequer parou para observá-los, apenas continuou andando.

– Gostaria também de informá-los sobre os horários de retirada em Hogwarts, principalmente aos monitores-chefes de suas casas. Estamos passando por momentos difíceis e conturbados e o responsável por esses ataques brevemente será pego. – Hermione parou no lugar e então encarou todo o salão comunal. Ataques. Armando Dippet ainda era diretor e estavam ocorrendo ataques. Ela sabia quem estava fazendo isso! Sabia quem estava fazendo, quem morreria e quem levaria a culpa no final! Ela sabia! Hagrid...

Hermione voltou os olhos para mesa da Grifinória observando os mais variados alunos e em algum canto, comendo desesperadamente, ela o viu. Tinha a varinha quebrada e presa com adesivo – como a varinha de Ronald no segundo ano, quando a câmara secreta tinha sido aberta por uma Gina Weasley enfeitiçada – e parecia não notar os outros ao redor. O cabelo mais longo que o normal, batia crespo na metade das costas e em seu rosto, algo como um projeto de barba começava a crescer assim como o corpo assumia formas rechonchudas. Rúbeo Hagrid ainda estava em Hogwarts. Isso significava que... Encarou a mesa da Corvinal vendo um grupo de garotos jogar comida em uma das garotas encolhida num canto. Murta. Murta estava viva! Ele ainda não a tinha matado!

Havia uma chance. Era por isso que estava no passado, por que havia uma chance. Uma chance dela nunca perdê-los. Uma chance de salvá-los. Ela estava no passado para matar Tom Riddle antes que ele matasse todos que ela amava. Agora entendia o motivo. Por que Hogwarts, por que entrara na Sonserina, por que estava naquele ano!

Tudo tinha um sentido e uma lógica. Estava ali para concretizar o que não havia conseguido no futuro. Arfou esperançosa.

Viu que alguns alunos da Sonserina – sua nova casa – encaravam-na curiosamente como se esperassem uma resposta a ofensa. Só então lembrou-se que ainda estava parada no meio do salão principal e os alunos de sua casa não eram os únicos a encará-la. Nas outras mesas, alunos e mais alunos a encaravam curiosamente. Ela suspirou e se recompôs por um minuto em seguida caminhando novamente em direção a biblioteca.

Sentia tanta falta dali, que por um minuto se esqueceu do mundo ao seu redor. Esqueceu-se da época, do basilisco, da Murta, Hagrid, Riddle. Nada mais além de Hogwarts importava. O cheiro dos livros, a textura das capas, as prateleiras altas e imponentes. Definitivamente: Hermione amava aquela biblioteca.

Sorriu para o conhecido exemplar de Hogwarts, uma história. Perdera as contas de quantas vezes o leu. Ouviu um pigarro e olhou pelo canto do olho discretamente, talvez não fosse para ela, afinal.

– Granger, não é? – Ela voltou o rosto para ele. Enfiado no uniforme da Sonserina, ele tinha em mãos um livro que ela não fazia assim tanta questão de olhar. Os olhos negros cintilando em contraste com a pele pálida. Passou a mão meus cachos negros e assentiu. Voltou a olhar o livro, na intenção de deixar claro que gostaria que ele fosse embora. Ele pareceu rir e desapareceu entre as prateleiras da biblioteca. Não queria ser amiga de ninguém daquela casa – e provavelmente também não seria amiga de ninguém da Grifinória. Os sonserinos daquela época eram os piores que já existiram. – Então, você é a trouxa transferida de Beauxbatons? – Ela voltou o rosto para o rapaz agora a sua frente. Os cabelos caíam em cachos em seu rosto novamente. Ele ergueu uma sobrancelha. Hermione assentiu minimamente. – Você não fala muito não é? – Ela deu de ombros ainda olhando o livro. – Calidora Black não concorda com isso. – Hermione o ignorou. – Sabe quem ela é? – Ela negou, em seguida virando uma página do livro. – Deveria. Vocês tiveram um desentendimento antes do café. – Ele deu de ombros. – Não que eu me importe. – E riu. Hermione o encarou e fez uma careta para a gravata verde e prata em seu pescoço – incomodamente parecida com a sua.

– Tenho aula agora, com licença. – E levantou-se guardando o livro e em seguida caminhando em direção a saída.

Como sentia falta de ter aulas. Principalmente uma aula conjunta. Quem sabe os animados alunos em vermelho e dourado a lembrassem de como era bom estar na casa certa.

Depois se preocuparia com Riddle. Precisava voltar a ser quem realmente era antes da guerra. Quem Harry e Gina sabiam que ela era. Quem Hogwarts sabia que ela era. Uma irritante sabe-tudo.

Notas finais
Reviews?