Eu começo a trabalhar hoje, acordei cedo como faço todos os dias, e caminhei até a loja de doces. Quando cheguei lá, a dona do lugar me disse meus horários, já havia me dito do salário no dia em que fui contratado e disse também meus companheiros de trabalho, era Magali, que já estava no local, apresentei-me a ela, ela me ensinou umas coisas. Ela disse que não era certo ela trabalhar numa loja de doces, porque ela gostava muito de comer de tudo, vendo aqueles doces durante o período de trabalho dava a ela mais fome ainda. Oh, e minha outra companheira era Mônica, que ainda não havia chegado.

Sim, não era muito fácil fazer doces, muitos eram bem trabalhados e digo até “enfeitados”. E tinha uma encomenda feita para um casamento. Seria difícil acredito.

— Olá Maga, e oi você! – ela veio me cumprimentar, era a mesma menina da igreja. Deu ênfase na palavra “você”, porque quando me viu acredito que reconheceu que eu era o homem que estava desenhando na igreja. – Então o louco da igreja agora está trabalhando aqui? – perguntou ela.

— Olá – respondi e dei um sorriso com o seu comentário, não era muito extrovertido, preferia ficar sozinho, admito. Na maioria das vezes lendo!

Ela pegou seu uniforme, daqueles uniformes que parecem roupa de cozinheiro, a qual todos que trabalhavam no local usavam, junto daqueles chapéus também de cozinheiro. Quando voltou olhou para mim, mas eu que estava olhando para ela a pouco desviei o olhar. Continuei a fazer o doce que estava em minha mão, sim, tinha muitos doces a fazer e eu aqui perdendo a concentração porque uma menina também estava fazendo doces. Pelo menos ela estava e eu não, Mônica o nome dela. A menina que me tirava do sério!

Na pausa que fizemos para comer alguma coisa, sentamos-nos à mesa, Mônica, Magali e eu. Conversamos sobre muitas coisas, até Mônica mexer em seu cabelo, novamente eu tinha minha concentração tirada. O que era isso?

— Cebola? – disse Magali, que havia perguntado algo que eu não havia ouvido enquanto prestava a atenção em Mônica. – De onde vem esse seu “nome”? – ela perguntou.

— Não sei – eu disse ainda meio desconcentrado.

Logo nosso horário de “lanche” havia acabado, realmente olhar comida por horas e não comer nada dava fome. Voltamos ao trabalho. Quando chegou meio-dia, me despedi das meninas e fui para meu apartamento, depois de tanto fazer doces, no meio de tudo aquilo, o único doce que me agradara era Mônica, que era um doce de pessoa e sem ao menos conhecê-la direito pude me apaixonar, porque perder a concentração a todo o momento com uma pessoa, se ela não for irritante como a Denise só pode significar amor. É isso o que disse Do Contra há muito tempo atrás, quando eu era mais jovem, porém não com essas palavras ele dissera.

Não havia nada mais a ser dito, e a amava? Se amava, amo... O problema é meu, e ninguém precisa saber.

Mônica! Sonhos vêm a minha cabeça quando penso nela, meu coração acelera. Não é possível que alguém se apaixone por uma pessoa que nem conhece.

À noite na Villa, novamente corria em forma de lobo e via enfim que o que sentia por ela não era paixão e sim atração. Jamais colocaria os lobos em perigo, por mais que não gostasse tanto dessa “raça” a qual eu mesmo pertencia. Desliguei me por alguns segundos e quase fui atropelado por um bando de lobos famintos, mas antes que isso acontecesse vi um homem correndo distante de mim pelo fato de eu estar em forma de lobo e ele estar fugindo dos mesmos, desse modo já imaginava o que vinha atrás de mim.

Os pensamentos invadiam minha mente, em pouco tempo estava confuso. Lobos, Mônica, Mônica, lobos... Humanos, era só isso que conseguia pensar. Somente. E queria, ou devia esvaziar minha mente de uma vez, a situação já ficara insuportável e repetitiva.