Villa Lobos

8 Morango e chocolate.


Dias se passaram e minha convivência com Mônica tornara-se cada vez mais especial. Eu a amava sim, mas esse amor não seria correspondido, ou anunciado.

Encontrava-nos todos os dias a partir de então, no trabalho é claro, mas alguns dias em outros lugares, os explorávamos! Os lobos não sabiam que eu estava a ponto tão grande de sair com ela para passear somente, e se soubessem não sei o que seria de mim.

Porém, eu voaria com ela se não fosse a estúpida gravidade. Tinha de me conter, essa amizade não podia tornar-se algo mais, para atrapalhar tudo.

Andávamos um dia destes pela cidade, nos divertíamos, já não a via como algo mais que amiga, porém cada minuto que eu passava com ela dizia que devíamos ficar juntos para sempre.

Novamente na hora do trabalho, enquanto a chefe não estava ali, Mônica e eu pegamos morangos e mergulhamo-los no chocolate, com uma das mãos Mônica pegou um dos morangos mergulhados e colocou o na boca. Isso com certeza deixava-a mais atraente! Ela foi se aproximando de mim, deixou o morango em cima da mesa, fechou os olhos, mas eu já imaginava o que ela iria fazer, por isso coloquei meu dedo em seus lábios impedindo-a, ela rapidamente abriu os olhos e me fitou, virou-se para eu não vê-la, mas por um reflexo, vi as lágrimas saindo de seus olhos. Abracei-a e a virei de frente para mim, limpei seus olhos, e numa sincronia perfeita, nossos lábios juntaram-se, eu já não pensava, só meu coração mandava em mim.

Na janela do local onde trabalhávamos, um raio de formou, e pude ver sua forma perfeita, logo depois veio o barulho, Mônica se assustou e olhou para a janela, assustou-se pelo fato de que aquele dia fazia um imenso sol, o tempo não podia ser tão flexível. Quando Mônica chegou perto da janela falou:

— Ai, cortei meu dedo. – o que? Olhei-me no reflexo, meus olhos não eram mais os mesmos, eram olhos de lobo, meus dentes caninos afiavam e ficavam maiores. Eu era resistente ao cheiro de sangue, o que acontecera agora? Saí do local e Mônica tentou me seguir. Andei o mais rápido que pude, sem onde ir, mas esquivando-me do cheiro, que apesar de distante ainda permanecia perto.

— Fugindo do sangue? – perguntou-me... Adivinhem, era Denise! Ela percebera que estava com a cabeça fora do lugar, e que quase me transformava em lobo. Quando ela falou, em um segundo virei meu rosto para ela. – Está assustador seu rosto. – ela disse rindo, coloquei as mãos na cabeça, porque uma dor se aproximava. – imagine se algum humano vê isso, estamos perdidos. – ela estava certa, mas não me contive em transformar-me de vez em um lobo para poder atacá-la, ela me enfraquecia com suas palavras maldosas. Em pouco tempo ela também se transformou em lobo.

Lobos eram mais fortes que humanos, por esse motivo aquele dia eu ganhara dela, ou escapara dela. Porém, hoje eu estava desordenado, e ela em sua forma de lobo era forte. Fizera em mim ferimentos, tirou-me sangue.

— Meu Deus – disse alguém em uma voz fraca, reconhecível. Denise e eu olhamos para a pessoa. Era Mônica, que ainda seguia-me. – Calma lobos, por favor não me ataquem – dizia ela com medo e se afastando de Denise que se aproximava da garota, calmamente.

Corri e fiquei em frente de Mônica, Denise não a machucaria enquanto eu estivesse lá para protegê-la. Novamente Denise e eu começamos a brigar, logo eu machuquei-a com uma extrema força que ela correra para a Villa, ou para um lugar onde pudesse se recompor. Transformei-me em humano novamente, mas dessa vez na frente de Mônica, que eu já esquecera que estava ali.

— Cebola? – ela disse se afastando de mim.

— Mônica, eu sei que deveria ter te contado mas eu não podia.

— Não fale mais comigo, entendeu? Você quase colocou a minha vida em risco, aquele lobo podia ter me matado. – depois de falar isso, ela correu. Mas eu deixei-a ir. Sabia que se corresse atrás dela, colocaria a vida dela em maior perigo. Devia me afastar seriamente daquela garota.