Vikings da atualidade
3 A Jovem Misteriosa
Notas iniciais
A Jovem Misteriosa
– Galera, vocês não sabem o que acabei de encontrar!
Melequento apareceu acompanhada por Dente de Anzol assustando a todos. A uns segundos atrás, Astrid estava contando uma historia de terror, envolvendo cemitério , sangue e médicos psicopatas que gostam de matar seus pacientes! E eu nunca fiquei tão feliz em ver o chato do Melequento!
– Espero que seja importante Melequento! Estou chegando na parte em que ele arranca o coração da vitima e como com seu rato de estimação!
Arrepiei. Melequento disse que tinha encontrado um barco na praia, o que era bastante estrando já que o acampamento era fechado para todo o tipo de turismo. Fomos até lá e encontramos pedaços de madeira e pano rasgado por todo o lado, além de pequenos frascos e um único remo.
– Olá!
Todo mundo se assustou, uma garota bonita com um cabelo esquisito estava em pé perto de uma das arvores. Usava roupas rasgadas e seus olhos estavam vermelhos, ela tremia de medo.
– Quem é você? – Astrid pergunta
– Heather. Meu. Nome. É... Heather!
_ Soluço, é vdd o que o tonto do Melequento disse?
_ O q o tonto do Melequento disse?
_ Que a chata da Heathe vai vir pra cá outra vez?
Demoro um pouco pra responder, na verdade, mais por não saber se deveria contar a verdade ou pelo medo da conversa acabar! Geralmente minhas conversas no whats com Astrid não passava de perguntas sobre a matéria e as coisas que não copiamos em forma de áudios.
_ Sim!
Ela visualizou e começou a digitar e depois parou. Digitou e parou e então não respondeu mais. Era quase duas horas da madrugada e o nosso assunto tinha acabado de uma forma que eu não queria. Na minha cabeça eu imaginava que ficaríamos falando um para o outro “Desliga você” “Não, desliga você” “Não, você primeiro”! mais não rolou isso!
– Soluço! Oh So... Soluço? Aquela é a Heather?
Puxei Cabeça Quente para dentro da loja e entramos no compartimento onde guardo os sacos mais pesados de ração pra cachorro. Cobri sua boca com a mão enquanto a ouvia me chamar e brincar com Banguela.
Depois de alguns minutos ela foi embora. Tirei lentamente a mão da boca da Cabeça Quente, então ela chutou minha canela e saiu da pequena sala. Fomos ate a recepção.
– A Astrid sabe que ela está aqui Soluço?
– Sab...
– Que bom! Por que toda vez que a Heather aparece significa briga! E sabe o que significa briga?
– Coisas que o ser humano faz quando está zangado? E sempre tem aquele lado perdedor que sofre por dias em camas de hospitais?
– Claro que não Soluço! Briga é divertido! É tipo uma grande jogo onde as pessoas se matam e...
– Jogos Vorazes?
– Sim! Jogos Vorazes! Se eu fosse em um Jogos Vorazes eu mataria eu arrancaria até a garga...
– Você sabe que a intenção do livro não é essa né?
– Tem nada não! Só sei que o tal do Peeta é muito lindo e eu quero uma lança para acabar com a...
– Soluço tem razão!
Astrid aparece do nada acompanhada por Tempestade, ela me olha, chega perto o suficiente pra sentir minha respiração e então me beija. Fico com os olhos abertos por um tempo atém entender o que estava acontecendo, coloco a mão em seu pescoço e aprofundo o beijo.
– Solu... Oh!
– Treta!
– Heather? – digo enquanto me afasto de Astrid. E percebo o que aconteceu, mesmo não entendo muito o sentido de tudo.
– Hmmm... Oi! – ela olha para os próprios pés e pergunta se não tenho um minuto para ela. Astrid segura meu pulso e me impede de sair.
– Ele esta ocupado Heather!
E então ela me beija outra vez. Acredite! Sei que estou sendo usado mais não vou deixar de ganhar um beijo da Astrid por causa disso.
– Eu quero ver sangue! Não beijo... Aaah... isso é nojento...
Nem preciso olhara para saber que quem disse isso foi a Cabeça Quente!
Ouço passos e então percebo que estamos sozinhos, se contar com Banguela e Tempestade que estavam cheirando nossos pés. Olhei para meu cachorro que estava com a língua para fora. Eu achava que ele ficava retardado quando fazia isso, mais as meninas achavam lindo! Vai entender...
– Soluço?
– Sei o que você fez Astrid! – digo – E eu queria muito falar que não gostei!
Vou até a bancada e começo arrumar o balcão para mais um dia de expediente, depois do baque que foi os dois beijos minha mente começou a entender o que havia acontecido e o motivo pelo qual realmente nos beijamos. Astrid me olhava de um jeito estranho.
– Soluço...
– Por que?
– Ela gosta de você! – Astrid diz simplesmente – Até mais que eu!
Mais o que isso quer dizer? Pergunto a mim mesmo. Olho em seus olhos e tento ver alguma coisa que me faça entender o que esta acontecendo, será que é uma brincadeira? Mais não temos um encontro? Ela não disse que sairia comigo mesmo se eu perdesse aquela porcaria de competição? Bem, ela não disse tecnicamente isso mais foi que deu para entender. Será que era mais uma daquelas brincadeiras idiotas da televisão? Será que eles estão me filmando e irão passar amanha no telão da escola? Isso seria. Totalmente constrangedor!
Fiquei tanto tempo quieto que ela começou a me olhar de uma forma confusa, alguma coisa em mim estava doendo, profundamente. E eu não estava gostando de sentir essa dor.
– Podia ter me falado isso antes...
– Eu não disse que não gosto de você Soluço! Só disse que talvez não sinta o que você sente por mim...
– Como sabe o que sinto por você?
Agora eu já estava irritado. Peguei alguns pacotes de ração e comecei a encher alguns potes grátis que estavam vazios, Tempestade e Banguela começaram a comer direto do saco.
– Perna de Peixe.
– Claro! – olho para o teto e tento não gritar.
– Soluço, sabe por que eu quero sair com você? Por que eu... eu gosto de você mais as vezes não... não sei explicar...
– Então você gosta de outro?
– Não, eu não gosto de ninguém em particular! Além de você acho... mais não sei se isso é suficiente! Entende isso?
Olho para ela com vontade de... de... nem sei o que fazer! Uma parte de mim queria sair correndo daqui e gritar e outra, infelizmente, queria chorar!
– Não! Você não entendeu! – ela diz se aproximando, fico parado em meu lugar olhando para seus olhos firmes – Eu quero gostar de você Soluço! Não só como o garoto fofo que sempre faz as coisas da forma dele... quero gostar de você como... como...
– Namorados?
– Sim! – ela sorri revelando dois dentes lascados por causa das excursões, Astrid tem machucados por todo corpo, sempre esta na enfermaria, ela diz que é uma forma de testar seus próprios limites, tentando ver até onde consegue chegar! Nunca entendi muito isso – Foi por isso que pedi para que escolhesse o lugar, por que eu quero que você me surpreenda, com ou sem a Heather! Então tudo certo pra hoje?
Uma parte de mim queria dizer não, mais essa parte era tão pequena que eu nem dei muita importância, sorri e disse o sim mais convincente que consegui! Antes de levar Tempestade para fora Astrid me deu mais um beijo. E eu tomei coragem de perguntar antes que ela saísse pela porta.
– O que sentiu?
– Algo. Algo forte!
Sorri ainda mais. Agora sei o que ela sente por mim e sei como contornar a situação, a única coisa que passava por minha cabeça era conquista-la! Conquista-la mesmo!
Por que sei que ela não gosta e repudia o Melequento, e sei que não me beijou somente para fazer ciúmes a Heather! Astrid sente algo por mim, e eu sei como fazer esse sentimento se... prolongar!
– Soluço? – olho para trás e encontro Heather sorrindo e acenando. Seus olhos estavam brilhando de excitação, o por que eu não sei bem!
– Oi Heather!
– Quer ajuda com o encontro com a Astrid?
Hein?
– Você vai me ajudar? Pensei que... bom..
– Que eu gostasse de você? Não! É só coisa da cabeça competidora da Astrid...
– Hmmmm.... – não sei muito bem o que estou sentindo, parece... desapontamento.
– E então?
– Não! Na verdade já esta tudo pronto, obrigada pela oferta! – digo – Eh Heather, deveria conversar com Melequento, ele parece louco por você!
– Até parece Soluço! Tchau Banguela!
Segurei a cesta com mais força para que nada caísse de dentro dela. Olhei para o caminho que teria que percorrer para preparar o meu primeiro encontro com Astrid. Seria uma tarefa complicada. Mais nada muito impossível!
Suspirei, tinha se passado somente três horas, vinte minutos e quinze segundos... bom, agora dezessete... dezenove...
Bati na porta da casa de Astrid e ela atendeu minutos depois com uma roupa confortável, short jeans, camiseta azul e uma mochila. Tempestade estava latindo alto por que sabia que ficaria em casa, assim como Banguela.
Andamos em silencio por todo o caminho, fui à frente desviando os galhos e tropeçando nas raízes altas, Astrid ria toda vez que eu quase caia na terra. Quando chegamos à primeira coisa que fiz foi olhar em seus olhos para ver sua expressão, eles brilhavam e ela sorria feito uma criança!
– Soluço, é perfeito!
Continua....
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