Bella se encontrava deitada em sua cama enorme e macia. Hoje, em especial, ela não conseguia dormir, sua mente teimava em repassar os acontecimentos de quatro anos atrás. Lembrava-se de quando seu casamento andava em crise e ela pensava em terminar com Edward indo cada um para o seu lado, foi quando ela também se descobriu grávida pela terceira vez.

Edward prometeu mudar, disse que se tornaria um pai mais presente e amoroso, que seria outro homem, e ela jurou começar a dar mais atenção aos seus filhos. Tudo estava indo bem, eles estavam mudando e as coisas começavam a dar certo, o bebê dela crescia bem e Edward estava ansioso com essa gravidez, ele tinha se tornado um pai amoroso com as crianças e babão com a sua barriga.

Quando estava com três meses, ela recebeu uma visita. Era uma mulher bonita, mas extremamente vulgar, ela tinha uma barriga saliente que mostrava sua gravidez de poucos meses, mas já perceptível, seu nome era Tanya e ela disse que estava esperando um filho de Edward. Essas palavras quebraram Bella em pedaços. Ela achou que era mentira, só podia ser mentira, mas a expressão de Edward, quando ele viu aquela mulher na sala deles, deixou claro que não era. Eles tinham tido um caso, foram poucas vezes e, antes deles decidirem mudar e recomeçar, foi duro engolir essa traição.

Edward ficou louco e queria um exame de DNA, ela disse que faria assim que a criança nascesse. Para Bella, não importava mais, aquilo tinha acabado com toda a confiança dela, ela queria matar Edward, mas no final o perdoou. Eles tinham decidido recomeçar depois que ela descobriu a gravidez, e até então ele não a tinha traído, isso ele jurava. A gestação foi tranquila, Edward estava ansioso com o nascimento da filha mais nova, e Bella tinha esperança que, apesar de tudo, eles voltariam a ser a família que ela sempre quis.

Tanya vivia se intrometendo em seu relacionamento, era claro o desejo que ela sentia por Edward e a ambição dela, já que, desde o dia em que ela contou da gravidez, fez Edward alugar um apartamento e arcar com todas as despesas dela e da criança, mas Bella não ligava, ela estava preocupada demais cuidando de tudo para a chegada de sua bebê. Já sonhava em pega-la no colo, tinha escolhido o nome, mas só falaria a Edward quando o bebê nascesse, apenas três pessoas sabiam o nome que ela havia escolhido, ela e mais duas amigas a quem ela confidenciava tudo.

Quando Bella completou oito meses, ela tinha ido até o escritório de sua arquiteta: estava terminando o quarto de sua bebê. Por incrível que pareça, naquele dia ela não saiu com os seguranças, na verdade, ela não gostava de sair com eles, mas Edward achava necessário. Enfim, ela foi até o estacionamento pegar seu carro e, quando foi abrir a porta, pode sentir uma coisa gelada tocar a sua cintura. Ela sabia o que era e não foi preciso se virar para saber quem estava apontando aquela arma pra ela.

Tanya era doente, mas, naquele dia, ela ultrapassou todos os limites, a obrigou a entrar no carro dela — estava sobre o efeito de substâncias químicas — e a última coisa que Bella queria era colocar a vida da sua bebê em risco, então fez o que ela pediu e entrou no carro. Tanya arrancou com tudo.

A loira falava que estava disposta a matar Bella, que não a deixaria ficar com Edward e com todo o luxo que ele dava a ela. Bella tentava contornar a situação, pedindo para Tanya se acalmar e pensar nos bebês que elas carregavam, porém, Tanya não escutava, a única coisa que fazia era xingar Bella e o bebê que ela esperava.

Ninguém sabia pra onde Tanya levava Bella, na verdade, ela não sabia nem se ao menos tinha um destino certo na mente daquela psicopata. Já havia cerca de uns trinta minutos que Bella estava naquela situação, rodando com Tanya em alta velocidade pelas ruas do Rio de Janeiro. O caminho que Tanya pegou demonstrava que elas estavam saindo da cidade, isso fez Bella gelar e pedir ainda mais para que Tanya parasse o carro, ela gritava xingamentos para Tanya, que gritava de volta dizendo que iria matá-la e que a odiava.

Foi rápido, mas o suficiente para Bella enxergar o clarão em sua frente. Ela via o carro capotar e sentia seu corpo ser jogado, era como se tudo passasse em câmera lenta, mas ela não conseguia controlar seu corpo, ela estava no modo automático e a única coisa que fazia era rezar pela vida de sua filha. Em meio à confusão, ela soltou um grito chamando pelo nome de sua Kaila e logo depois apagou.

O que aconteceu a seguir, Bella nunca soube. Ela se lembra de pequenas cenas, de momentos em que ela estava meio consciente e meio inconsciente, mas de uma coisa ela se lembrava bem: do momento em que o médico tirou sua filha de dentro dela, da marca que a filha carregava na pequenina coxa e de seu choro forte. Não conseguia entender como sua filha morrera depois daquilo, ainda podia sentir o desespero que sentiu quando acordou um mês depois do acidente e Edward lhe disse que sua pequena bebê tinha morrido, ou pior, que tinha nascido morta. Acreditara que era mentira, sua bebê tinha nascido viva, ela tinha escutado seu choro, porém, quando disse isso a Edward, ele afirmou que ela poderia ter sonhado, que o médico tinha dito a ele que o bebê nascera morto.

A dor que Bella sentira era cortante, a rasgava e a destruía por dentro, entretanto, nada se comparou a dor que sentiu quando soube que Tanya estava viva junto com a criança dela, que o bebê daquela maldita tinha sobrevivido, enquanto a sua tinha morrido e ela não teve a chance nem ao menos de vê-la. Foi pior ainda quando soube o nome que Tanya tinha dado a filha: KAILA. Ela se lembra de ter surtado naquele dia, aquilo era para castigá-la, dar o nome da sua filha que morreu a filha dela era torturá-la demais.

Edward já havia feito o exame de DNA e tinha dado positivo. Daquele dia em diante, a vida de Bella só piorou, seu relacionamento com Edward voltou a ser como era antes, ou pior, ela não conseguia cuidar dos próprios filhos, então se agarrou ao seu trabalho e isso vinha a consumindo a cada ano que passava.

Bella foi despertada de seus pensamentos ao ouvir passadas rápidas misturadas com um barulho de choro alto. Logo ficou alarmada, sabia que era uma das crianças, mas se surpreendeu quando viu sua filha abrir a porta de seu quarto de vez e se jogar em seus braços. De início, Bella não teve reação, jamais tinha visto a filha naquela situação, e a sua primeira reação foi apertá-la em seus braços. O corpo da menina tremia tamanha era seu desespero no choro.

— Filha, o que aconteceu? – os olhos de Bella já se enchiam de lágrimas, ela começava a ficar assustada. Seu primeiro pensamento foi em Pietro e logo em Edward, será que algo teria acontecido com eles? Sua pergunta foi respondida quando Pietro apareceu na porta, ele não estava como a irmã, pelo contrário, ele agia como se nada demais tivesse acontecido.

— Ele...bateu...ela...ela... – Julia não conseguia falar e toda hora era interrompida pelos próprios soluços, seu rostinho estava vermelho e o rosto completamente molhado. Percebendo que a filha não iria conseguir falar nada, Bella se virou para Pietro.

— O que aconteceu Pietro? – o menino não respondeu a mãe, apenas ficou lá, parado, olhando para a irmã e a mãe. – Vamos Pietro, me responda! – Bella estava começando a ficar alterada.

— Nada demais, minha mãe, Julia gosta de fazer drama – dizendo isso, Pietro deu as costas e saiu correndo. Bella sabia que a filha não era de fazer drama, por isso se levantou, carregando-a no colo, que ainda estava agarrada a ela.

Desceu a escada indo para sala, se Pietro não queria falar, alguém tinha que o fazer. Chegando a sala, encontrou Ângela e Antônia, elas pareciam assustadas, Ângela tinha lágrimas em seu rosto, mas tratou de limpar rápido quando avistou a patroa, o que não passou despercebido por Bella.

— Alguém pode, por favor, me dizer o que está acontecendo? – Bella já estava furiosa, por que diabos todo mundo parecia assustado e choroso ali? As babás se entreolharam, tinham medo de seu patrão ficar furioso por falarem a Bella e acabarem demitidas, ou até coisa pior. Todo mundo sabia que Edward era um mafioso perigoso e se tornava pior ainda quando algo envolvia Bella, mas também sabia o quanto furiosa a mulher que estava a sua frente era e que ela também era perigosa quando irritada. No final das contas, Bella acabaria sabendo mesmo, então Antônia decidiu contar tudo.

— Nós não sabemos exatamente o que aconteceu, sabemos que as crianças estavam brincando e, de repente, Pietro apareceu dizendo ao senhor Cullen que a pequena Kaila tinha o empurrado e ele acabou caindo, fazendo um pequeno arranhão que saiu um pouco de sangue. O senhor Cullen ficou furioso, ele acabou gritando muito com a filha, ele a sacudia e falava coisas do tipo "você não serve pra nada", "é uma inútil, como a sua mãe". Kaila pediu pra ele não falar da mãe dela e ele deu um tapa no rosto dela, na frente de todo mundo...

— E com muita força — Ângela concluiu a fala da amiga. Bella arfou. Conhecia o jeito de Edward e sabia como ele era quando ficava furioso, ele não media seus gestos, mas estava horrorizada. Como Edward tinha coragem de dar um tapa na cara de uma criança? Ainda mais sendo sua própria filha! Agora entendia o porquê de Julia estar tão assustada, o pai era grosso com ela e com todo mundo, mas nunca agressivo. Bella teve que sentar para digerir o acontecido. Onde merda ele estava com a cabeça? Por um momento pensou em Pietro, será que ele estava machucado?

— O Pietro está machucado?

— Não, foi um arranhão apenas, saiu um pouco de sangue, mas logo parou — Antônia respondeu, Bella ficou aliviada, porém, pensativa. Conhecia o filho que tinha e sabia que Pietro era mimado demais.

— Onde a garota está? — Bella se recusava a chamar Kaila pelo nome.

— Ninguém sabe, ela saiu correndo, nós saímos da casa do senhor Cullen e ele tinha colocado os seguranças atrás dela, e o resto do pessoal ficou procurando-a também. O Senhor Edward mandou a gente vir embora.

Bella assentiu e apertou a filha mais em seus braços, beijando seu cabelo. Ficou preocupada com a menina, não era seguro uma criança de quatro anos solta por essas ruas. Ela se sobressaltou quando ouviu a porta ser aberta, por ela passou um Edward com o semblante preocupado e cansado, ele a encarava e Bella o encarava de volta, ela estava com raiva dele por ser tão estúpido e perverso. Por Deus a criança era filha dele e, mesmo que não fosse, era uma criança. As babás, sentindo o clima do ambiente, se retiraram.

— Bella... — Edward falava indo em direção a mulher, mas parou quando viu Júlia se remexer e apertar os braços no pescoço da mãe em uma clara demonstração de medo. Aquilo apertou o coração daquele homem, não queria Julia com medo dele.

— Nós conversaremos depois Edward, agora eu vou colocar a minha filha na cama — Bella falou de forma fria e subiu as escadas. Aconchegou Julia na cama, tirou seu vestido e seus sapatos, a menina ainda tinha o rosto molhado de lágrimas, que logo foi seco pelas mãos da mãe. Ela sentou-se ao lado da filha que estava deitada, queria saber tudo sobre essa história e, se tinha alguém que poderia contar a ela, era Julia.

— Filha, me conta o que aconteceu, a menina empurrou o Pietro por quê? – Bella logo entendeu que tinha alguma coisa que não se encaixava quando Julia abaixou o olhar.

— Eu não sei mamãe – Julia sussurrou sem encarar a mãe. Se tinha uma coisa que Julia tinha puxado da mãe, era o fato de mentir mal.

— Julia, eu sei que você está mentindo, fale a verdade para a mamãe.

— Eu não posso mamãe – Julia já estava chorosa novamente.

— Por que não? – Sussurrou a mãe.

— O Pietro vai me bater – Logo Bella entendeu, sabia que o filho tinha um dedo podre no meio dessa história.

— Ele não vai te bater, se ele triscar em você, você pede para alguém me ligar ou vem me falar que eu vou conversar com ele. Agora, me conte, por favor, o que foi que seu irmão aprontou? – Julia ainda ponderou, mas ela sabia que, se havia uma coisa que a mãe tinha, era palavra, então, decidiu contar logo tudo.

— A Kaila estava no balanço e o Pietro queria brincar lá. Quando a gente chegou, ele tirou ela do balanço pelos cabelos e a jogou no chão, ela ia sair, mas ele fez mesmo assim, depois ele quebrou a boneca dela e a chamou de bastardinha, ela o empurrou e ele tropeçou nas pedras caindo, foi aí que arranhou a cabeça dele. Ele correu para contar ao papai e ainda disse que não tinha feito nada pra Kaila, aí o papai xingou ela e deu um tapa no rosto dela, foi horrível. – Julia desabou a chorar e Bella tinha a boca aberta. No que Edward tinha transformado o seu filho e onde ela estava para deixar isso acontecer?

— Tudo bem querida, é melhor você ir dormir, está tarde – Bella cobriu a filha que se virou fechando os olhos, deu um beijo em seu pequeno rostinho e passou a mão em seus lindos cachos se levantando em seguida. Quando Bella estava na porta, ela parou, ouvindo Julia a chamar.

— Mamãe?

— Oi, meu bem.

—Você acha que a Kaila ainda vai querer vir aqui pra casa de novo? – Bella se surpreendeu. Não sabia que Julia era tão próxima da irmã.

— É claro que vai, princesa – Bella não tinha certeza disso, mas não poderia dizer a filha o que achava, a menina ficaria mais triste e chateada com o pai. Apagou as luzes e encostou um pouco a porta, agora era hora de descontar toda sua fúria no irresponsável do seu marido.

Seguiu para o seu quarto, sabia que ele estaria lá ou no escritório, e não foi surpresa quando percebeu que estava certa. Edward estava sentado na cama com seu celular na mão, aparentemente ele ligava para alguém, mas a pessoa não atendia. Bella bateu a porta do quarto para chamar a atenção do marido, que suspendeu a cabeça a olhando.

— Que merda você fez Edward? – Bella perguntou, tinha um rosto de nojo e raiva direcionada a ele, que levantou passando as mãos pelo cabelo e caminhou de um lado a outro.

— Eu não sei Bella, eu não queria, droga! Quando eu vi, já tinha feito – Ele parecia agoniado.

— VOCÊ NUNCA QUER, É IMPRESSIONANTE! – Bella se lembrou do dia que descobriu a traição dele e ele tinha a falo a mesma coisa. – VOCÊ É UM IDIOTA EDWARD CULLEN.

— EU SEI, MERDA! – Edward gritou de volta. – Agora a avó dela não me atende.

— Você a achou?

— Achei, achei não, na verdade, a avó dela me ligou dizendo que ela tinha chegado em casa.

— Como assim? Ela tem quatro anos, como ela saiu da casa dos seus pais, uma casa cercada de segurança e foi parar do outro lado da cidade?

— Eu não sei Bella, a avó dela só me disse isso e bateu o telefone na minha cara, aquela velha desgraçada. Aí eu ligo e ela não me atende, mas que merda, caralho! – Edward estava furioso.

— Porque você não vai lá?

— Tá maluca? Eu não vou naquele lugar – Bella revirou os olhos, ele não iria porque era um bairro bem pobre, praticamente dentro de uma favela.

— Você é um ridículo!

— Para de me xingar, merda!

— Eu te xingo o quanto eu quiser, vai fazer o quê? Bater na minha cara? – Bella sabia como atingir Edward e ela atingiu. Ele olhava para ela com o semblante dolorido, abaixou os olhos e se sentou na cama. Ela tinha ali uma visão que ninguém nunca tinha tido além dela: Edward Cullen vulnerável, mas ele tinha que ouvir mais, o que ele fez fora monstruoso e, se ela não o fizesse ouvir tudo o que ele devia, ninguém mais faria. – Eu fico me perguntando onde aquele garoto por quem eu me apaixonei se perdeu, porque com certeza não é você.

— Eu me descontrolei, ela empurrou Pietro sem motivo algum, ele estava chorando e sangrando – ele tentou se justificar, mas sabia que aquilo não era o suficiente para fazer Bella entender. No fundo, ele sabia que aquilo não era motivo suficiente nem pra ele ter feito o que fez.

— Você é tão ridículo que não sabe nem o motivo dela ter empurrado ele, aliás, você é tão ridículo que não conhece nem os próprios filhos.

— O que você quer dizer com isso?

— Não quero dizer nada, a única coisa que eu tenho para lhe dizer é que estou me cansando disso tudo, me cansando desse casamento, me cansado desse seu jeito e dessa minha vida, e quando eu me cansar, Edward, você pode se preparar – Bella saiu porta afora, não iria dormir na mesma cama que Edward hoje de jeito nenhum. Foi em direção ao quarto da filha novamente, amanhã teria uma conversa séria com Pietro, tinha que dar um jeito no filho antes que fosse tarde demais. Deitou-se na cama da filha a abraçando e a garotinha, mesmo dormindo, se aconchegou ao corpo da mãe.

O dia amanheceu quente, era uma manhã de domingo. Bella descia as escadas com a filha, elas estavam indo tomar o café da manhã, na mesa já se encontravam Edward e Pietro. As duas chegaram em silêncio, Bella se sentou à direita de Edward que estava na ponta da enorme mesa. Quando Julia passou por Edward, o mesmo fez menção de segura-la, queria conversar com a filha, pedir desculpa pela cena e dar uma explicação, mas a garota se esquivou e grudou nas pernas da mãe, em um claro sinal de medo e rejeição. Aquele gesto doeu em Edward, mas do ele achava que doeria, então decidiu conversar com ela depois.

O silêncio reinava na mesa, até Bella decidir se prontificar.

— Pietro, depois eu quero ter uma conversa com você – o menino olhou a mãe e desviou o olhar para a irmã, sabia que ela tinha falado algo, e pagaria por isso. Julia não encarou o irmão, sabia que ele deveria estar furioso, olhou para mãe e sua expressão era de medo, mas sua mãe sorriu pra ela, a tranquilizando, e ela retribuiu o sorriso.

— Sobre o quê? – se tinha algo que Edward gostava, era de estar a par de tudo o que acontecia em sua casa e com sua família, até mesmo com Kaila.

— Sobre o acontecido de ontem – Bella falou olhando para Edward e logo desviando o olhar para o filho que não parecia nem um pouco preocupado. Em sua cabeça, ele já arquitetava uma história para falar a mãe e ela acreditaria, como todo mundo acreditava em tudo o que ele falava.

— Deixe isso pra lá Bella, não tem o que conversar – Edward falou cabisbaixo, queria por hora esquecer esse assunto. Precisava fazer algo para entrar em contato com Kaila, hoje mesmo mandaria um motorista buscá-la.

— Não vou deixar nada pra lá, eu e ele vamos ter uma conversa séria – Bella protestou.

— Afinal, o que ele fez demais? – Edward perguntou, não estava entendendo nada, até onde ele sabia, Kaila tinha empurrado Pietro.

— Vamos lá Pietro, diga ao seu pai o que você fez. – Bella dizia, olhando para o filho.

— Eu não fiz nada mãe, eu juro, aquela garota me empurrou e eu cai – Pietro era bom ator, isso tinha puxado do pai.

— Pietro, se você não falar a verdade agora mesmo ao seu pai, eu vou falar e o seu castigo vai ser pior, porque vão ser por quatro motivos ao invés de dois, além do que você fez, por mentir para mim e para o seu pai e por me desobedecer. Então, você escolhe ou você fala a verdade ou eu falo – Bella falava tudo pausadamente para que o filho entendesse. Pietro arregalou os olhos, nunca ninguém tinham falado com ele daquele jeito, virou o rosto para o seu pai, esperando que ele dissesse algo, mas Edward apenas ergueu a sobrancelha. Pietro olhou para os dois lados procurando uma saída e, quando não achou uma única opção, foi correr, ele só não esperava que seu pai fosse mais rápido e o agarrasse pelo braço assim que desceu da cadeira para correr.

Aquilo foi o suficiente para Edward se dar conta que tinha muito mais naquela história do que ele sabia. Ele não era um homem de muita paciência, então começava a ficar irritado.

— O que você tem a me falar Pietro? – o garoto tinha medo, sabia que o pai ficaria bravo com ele, mas sabia que o pai nunca faria nada a ele, era sempre assim: ele ficava bravo, mas nunca fazia nada, então, decidiu falar a verdade.

— Eu e os meninos queríamos brincar no balanço da casa do vovô e a Kaila não queria sair dele, então... — Pietro foi interrompido pelo grito da irmã.

— Mentira! Seu mentiroso, ela ia sair, você puxou o cabelo dela – Julia estava furiosa, ela ficava irritada com facilidade, uma característica do pai. Ver o irmão mentindo daquele jeito a enfurecia.

— CALA A BOCA SUA PIRRALHA! – Pietro gritou, assustando a todos na mesa. Os olhos de Julia se encheram de lágrimas e ela se encolheu na cadeira.

— VOCÊ NÃO GRITA COM A SUA IRMÃ, NESSA MERDA DE CASA. As únicas pessoas que gritam aqui sou eu ou a sua mãe, então você baixa o tom de voz! – Edward gritou de volta com sua voz grossa e imponente, Pietro tinha os olhos arregalados e engoliu em seco. – Continue e agora me fale a verdade senão, eu vou até a casa do seu avô e vou olhar as câmeras do jardim e, se eu descobrir, Pietro, que você mentiu pra mim, eu vou colocar você no primeiro vôo pra França e, como endereço, o melhor colégio interno de lá.

— Tá bom, eu vou contar – Pietro se soltou do braço do pai voltando a se sentar. Ele falou tudo ao pai, dessa vez toda a verdade, e tremeu quando Edward se levantou e começou a andar de um lado a outro, passando as mãos no cabelo, sabia que agora ele liberaria sua fúria.

— Mas... que... porra… você… fez? – Edward respirava pesado, ele falava entre dentes, duro e raivoso. Pietro se encolheu. – Agora me diz Pietro, o que faço com você? Porque, se eu faço o que eu estou com vontade de fazer agora, eu sei que vou me arrepender depois – Bella apenas olhava, pensando se interferia ou só olhava. Edward tinha que aprender a estabelecer limites em Pietro, porque ele também era o culpado do garoto ser assim. – Ela é sua irmã.

— ELA NÃO É MINHA IRMÃ, A MINHA IRMÃ MORREU POR CAUSA DELA! – Dessa vez, foi Edward e Bella que arregalaram os olhos. Os dois adultos trocaram um olhar confuso, aquele era um assunto que ninguém tocava e, por mais que Pietro tivesse cinco anos na época do acidente, era praticamente impossível ele lembrar.

— Quem te falou isso? – Bella perguntou.

— Ninguém, eu sei.

— Quem te falou isso Pietro, vamos diga! – Bella se exaltou, queria saber quem estava tocando nesse assunto, principalmente na frente de seus filhos.

— Eu ouvi a vovó Esme falando – Pietro abaixou a cabeça, sussurrando. Bella olhou para Edward com raiva nos olhos, o mesmo se abaixou na altura do menino, segurou seus braços e começou a falar.

— Nunca acredite em nada que não seja eu ou sua mãe que lhe fale Pietro, você conhece a sua avó, sabe que ela fala pelos cotovelos, e Kaila é sim a sua irmã, assim como Julia. Eu não quero você gritando com elas e muito menos batendo nelas, Kaila não tem culpa nenhuma do que aconteceu e eu não quero você e nem ninguém tocando mais nesse assunto, eu fui claro? – Pietro apenas assentiu, seu pai falava sério olhando nos olhos dele. – Termine de comer.

Bella ficou boquiaberta. Como assim? Sem nenhum castigo? Como que ele iria aprender que não podia fazer isso novamente? Irritada com o marido, Bella se prontificou.

— Você vai ficar um mês sem sair, sem vídeo game e sem celular Pietro, pode começar me passando ele – Bella estendeu a mão para o filho, que a olhou com os olhos arregalados e assustados.

— Não, mãe.. – ele tentou justificar, mas não surtiu efeito.

— Agora Pietro, vamos – Bella disse firme, sem dar chances ao filho para se justificar, Pietro tirou do bolso seu celular e entregou a mãe, emburrado.

— Mas que saco – ele disse com a boca formando um bico.

— E não reclame se não eu aumento para dois meses. Isso é pra você aprender a respeitar suas irmãs, nunca mais mentir ou inventar mentira pra qualquer pessoa que seja e nunca mais bater em ninguém – Bella pontuou cada motivo para que o filho entendesse tudo certinho. Edward olhou para Bella como se dissesse que aquilo não era necessário, mas ela suspendeu a sobrancelha e Edward sabia o significado daquele gesto, sabia que se ele discordasse, sofreria as consequências depois, então não disse nada.