Bella pov

Sentada em minha mesa, eu repassava todo o horror que vivi há quatro anos atrás, na verdade todo o horror que vivi a minha vida toda, até parecia que tinha nascido para sofrer. Em minha mente, eu revivia o pior dia da minha vida, o dia em que perdi meu bebê e a chance de ter mais filhos, o dia em que aquela desgraçada matou a minha pequena, tudo por dinheiro, por luxo. Meu ódio por Tanya era tanto que tinha vontade de matá-la com minhas próprias mãos.

Admito que não sou a melhor pessoa do mundo, sou esposa de um mafioso e sei de muitos podres dele, o que me torna também sua cúmplice. Não sou a melhor mãe do mundo, nem de perto, sempre fui ausente e nos últimos quatro anos só piorou, meu trabalho consumia toda parte de mim quase sempre, mas se tinha alguém que eu amava mais que a mim mesma eram meus filhos, Pietro e Julia.

Meu marido é um dos homens mais ricos do mundo, dono de uma rede de tecnologia e, por trás disso, dono do maior crime organizado de todos os tempos. Edward e eu não tínhamos uma vida normal de casados há anos, todos sabem disso, desde o dia em que uma vadia apareceu na minha porta dizendo que estava grávida dele, há cinco anos atrás.

Quando dei por mim, já era hora de ir pra casa. Levantei-me, sai do escritório e segui para o estacionamento, o pessoal se encarregaria de fechar a loja. Quando entrei no carro, escutei meu celular tocar, era um dos organizadores do meu desfile; passei uns trinta minutos falando com ele sobre alguns problemas, esse também foi o tempo de chegar em casa. De longe, os seguranças reconheceram meu carro e abriram o portão de ferro. Eu estava exausta, meu dia fora cheio e eu só queria tirar aqueles saltos e relaxar na hidro tomando um bom champanhe.

Quando abri a porta, a casa estava tranquila como sempre, nem parecia que viviam crianças ali, o silêncio reinava sempre assim. Claro que o todo poderoso Edward Cullen odiava barulho, então me perguntei se ele já teria chegado, mas isso também não me importava. Quando fui subindo as escadas, minha pergunta anterior foi respondida assim que escutei a voz grossa e imponente de Edward soar atrás de mim.

— Isabella, se arrume que hoje terá um jantar na casa dos meus pais e nós vamos — era sempre assim. Ele achava que era dono do mundo e todos deveriam obedecê-lo, mas ele também sabia que, comigo, essa autoridade nunca funcionou. Acho que por isso Edward se casou comigo, em todo o mundo, eu era a única com coragem suficiente para desafiá-lo.

— Não vou — fui curta e grossa.

— Por quê? — ele perguntou me olhando.

— Não gosto da sua mãe, você não me avisou antes e estou exausta — seguir em direção ao nosso quarto e ele veio atrás de mim.

— Não seja ridícula, Bella — ele retrucou.

— Ridícula? Você sabe que eu e sua mãe não nos damos bem, eu não gosto de ir a casa dos seus pais e ainda por cima você vem me avisar desse tal jantar agora, por favor, Edward.

— Você vai Isabella, isso é um assunto encerrado — nós já estávamos gritando, e eu estava ficando mais estressada.

—Tá bom Edward, eu vou, já estou lá — disse para encerrar o assunto, seguindo para o meu closet e tirando minhas jóias. Ele veio atrás de mim, sabia que eu não iria e que estava sendo irônica.

— Meus pais querem a presença dos netos lá, sem contar que meus irmãos chegaram hoje para esse jantar — eu ri. Não, eu gargalhei quando ouvi isso vindo de Edward.

— Me poupe Edward, seus pais não gostam dos meus filhos e nem de mim, e em relação aos seus irmãos, você pode muito bem ir, não estou lhe impedindo — quando ele viu que não tinha mais argumentos, saiu do quarto batendo a porta. Abri a porta novamente e gritei Joana, a governanta da casa, que logo apareceu.

— Joana, peça para alguém trazer um champanhe para mim e apronte minha hidromassagem, por favor.

— Certo senhora, com licença — Voltei para o meu closet e comecei a me despir, joguei um robe de seda por cima e sai do quarto. Decidi passar pela cozinha e comer alguma coisa e, ao chegar lá, dei de cara com Ângela e Edward conversando, na verdade, ele gritava com ela e ela se encolhia.

— Não venha me encher com besteiras dessa menina, eu estou ocupado e tenho mais com o que me preocupar, ela está querendo chamar a atenção — Ângela, uma das babás das crianças, parecia que iria chorar a qualquer momento. Decidir intervir para saber o que estava acontecendo.

— Qual o problema Ângela? — perguntei chamando a atenção dos dois que, até então, não tinham notado a minha presença.

— Nada de mais senhora — Ângela se encolhia como uma gatinha assustada.

— Me diga logo, Ângela, aconteceu alguma coisa com a minha filha? — perguntei novamente, já estava começando a achar que era algo sério e o fato dela não me responder também estava me irritando.

— Não senhora, é que a pequena Kaila sumiu e ninguém a encontra — Kaila, ouvir esse nome apertava meu coração e me fazia ter lembranças dolorosas.

— Como uma criança de quatro anos pode ter sumido em uma casa cheia da segurança e funcionários? — perguntei. Não era da minha conta, já que Kaila era filha de Edward com a vadia da Tanya e ele fazia questão de me deixar bem longe da criança, na verdade, se eu a vi, foram umas duas vezes, nunca parei para observá-la, era dolorido demais olhar pra ela. Ainda assim, era no mínimo estranho alguém passar despercebido pelos seguranças da casa, ainda mais uma criança.

— Ela vive se escondendo, aquela peste gosta de chamar a atenção, logo ela aparece — Edward debochou. Olhei para Ângela que apenas balançou a cabeça afirmando.

— Ângela, onde está Pietro e Julia?

— Pietro está na sala de jogos e Julia na biblioteca, senhora — antes que eu pudesse dizer algo, o grosso me interrompeu.

— Ângela, você já pode sair, e que fique claro que não deve me incomodar com besteiras.

— Sim senhor, com licença — Ângela saiu apressada e eu fiquei olhando pra Edward, indignada, ele era um grosso mesmo. Dei meia volta para sair da cozinha.

— Bella, você vai comigo nesse jantar — e lá íamos nós de novo naquele assunto.

— Edward, me deixe em paz, por favor – eu já estava de saco cheio daquela insistência toda. – Eu não vou querido, chega, não insista!

— Mulher desgraçada você viu! – Ele retrucou e eu gargalhei. Edward tinha uma maldita boca porca, e eu já estava mais que acostumada, na verdade, nem ligava mais.

Segui para minha hidromassagem e meu champanhe já se encontrava lá. Me despi ficando apenas de biquíni e entrei, era como se todos os meus músculos relaxassem automaticamente.

Narrador pov

Kaila Cullen é a filha caçula de Edward Cullen. Kaila não tem um bom relacionamento com os pais, é criada pelos avós maternos que são pessoas pobres financeiramente, mas com um rico coração, enquanto a mãe vive pelo mundo gastando a pensão que o pai manda pra filha.

Kaila, no momento em que procuravam por ela, estava escondida dentro de uma casinha que tinha no fundo do enorme jardim da mansão do pai. Ela estava encolhida com sua inseparável boneca nos braços, seu rosto estava molhado de lágrimas e seu coração ainda estava acelerado. Ela não gostava de ir para a casa do pai, sabia que ele não gostava dela e nem os irmãos, na verdade, Pietro vivia batendo nela, mas não tinha como não vir quando o pai mandava o motorista buscá-la.

Não queria ir pra casa de Esme e Carlisle, era claro que os avós não gostavam dela e a avó vivia dizendo que ela se vestia como uma favelada, mas, para ela, seus vestidos eram lindos, sua própria vózinha que os costuravam especialmente para ela. Iria ficar ali até amanhã, assim não precisaria ir pra casa dos avós com o pai.

Infelizmente, seus planos foram interrompidos quando Ângela a encontrou.

— Por Deus Kailinha, eu estava ficando preocupada! Vamos, está na hora de você tomar um banho – Ângela era um amor de pessoa e Kaila a amava, era a única que a tratava bem ali.

— Por favor Ângela, eu não quero ir, por favorzinho – Kaila juntou as mãos como se implorasse, voltando a chorar.

— Você sabe que eu não posso fazer nada, são ordens do seu pai. Se eu não cumprir, ele me coloca na rua, princesa – o coração de Ângela se apertava ao ver o desespero da pequena, sabia o quanto aquela menina já tinha sofrido naquela família. Por fim, conseguiu tirar Kaila de dentro da casinha. O céu estava nublado e já anunciava uma chuva grossa que vinha por aí, então atravessou a casa correndo com ela no colo, precisava dar banho nela e depois em Julia.

Edward andava de um lado a outro em seu escritório, seus dedos apertavam o copo com whisky enquanto mil palavrões passavam em sua mente. Porra, Isabella era uma maldita mesmo, não sabia como ainda amava tanto aquela mulher e parecia que a cada dia só a amava mais.

Deixou o copo em cima do bar que tinha no canto do escritório e seguiu para o quarto do filho. Chegando perto, podia ouvir os gritos do filho com a babá, abriu a porta e viu o filho apenas de cueca, gritando ordens.

— Eu não vou vestir essa droga de roupa, não foi essa que eu escolhi, sua estúpida – Pietro tinha nove anos de pura arrogância e egoísmo. Ele sabia que seu pai era um dos homens mais poderoso do mundo e, em sua pequena mente, ele achava que todos deveriam fazer exatamente o que ele queria, até mesmo o pai, principalmente o pai. A única pessoa que não fazia o que ele queria era a mãe, e ela também era a única pessoa de quem ele tinha medo, assim como o próprio pai.

— O que está havendo aqui? – a voz grossa e irritada de Edward soou como um trovão no quarto. Os olhos da pobre babá, que se chamava Antônia, se arregalaram, mas foi Pietro quem respondeu.

— Esta estúpida não quer me deixar vestir a roupa que eu escolhi, quer que eu vista essa blusa ridícula – Pietro falava com raiva e soltava ofensas para a babá dele, enquanto a mesma abaixava a cabeça e respondia timidamente.

— Desculpe senhor, eu apenas achei essa mais apro... – antes que ela terminasse, Edward a interrompeu.

— Você não tem que achar nada, sua infeliz, se ele não quer usar a roupa, ele não vai usar e pronto. Agora, suma da minha frente. vá atrás da babá das meninas e diga que quero elas prontas em até dez minutos, nem um segundo a mais, vá, suma!

Antônia saiu apressada, estava com o coração na mão, morria de medo do patrão e tê-lo gritando com ela a assustava. Seguiu para o quarto de Julia, sabia que Ângela estaria lá. Entrou ofegante no lindo quarto da menina, Ângela se encontrava penteando os cabelos de Julia.

— Ângela, o senhor Cullen disse que quer as meninas prontas em até dez minutos – Antônia deu o recado.

— Tudo bem, você pode terminar de arrumar os cabelos de Julia? Preciso ir atrás de Kaila, você sabe como ela é – Antônia riu concordando, já conhecia bem a pequena e sabia que ela vivia sumindo pela casa. Pegou a escova das mãos de Ângela enquanto a mesma saia do quarto, se posicionou atrás de Julia e começou a escovar os cabelos dela. Julia tinha seis anos, era uma menina solitária e quieta, na verdade, essas eram características das duas filhas de Edward. Julia era um doce de menina, mas era influenciada muito facilmente pelo irmão mais velho, no fim, acabava fazendo tudo o que ele queria e isso incluía maltratar e excluir a mais nova.

— Ansiosa Julinha para o jantar? – a menina suspendeu os olhos, desviando sua atenção de seu tablet para a babá, e apenas negou com a cabeça, novamente voltando a atenção para o tablet.

— Porque? – insistiu a babá.

— Não gosto de ir na casa do vovô, apenas isso – Julia era de poucas palavras e muito inteligente para uma criança de seis anos.

— Mas lá vai ser divertido, seus tios vão estar lá, junto com os seus primos – Antônia tentou animá-la, mas não teve muito efeito.

— A mamãe não vai, ouvir ela e o papai discutindo, ela disse que a vovó não gosta da gente. Disso eu já sabia e não queria ter que ir – Julia tinha os olhos cheios de lágrimas, o que cortou o coração da babá. Antônia se abaixou em frente a pequena garota, segurando suas mãozinhas.

— Porque você não fala para sua mãe que não quer ir? Eu tenho certeza que ela não deixaria você ir contra a sua vontade.

— Ela não liga, nunca liga, eu já estou até vendo a vovó dando presente a todos os meus primos e eu olhando, é sempre assim. Eu odeio ela.

— Não diga que a odeia, se seu pai escuta isso, ele fica muito bravo. E você tem a Kailinha para brincar e ao seu irmão também, assim o tempo passara rápido e logo você estará de volta.

— O Pietro não vai brincar comigo, você sabe, ele só me bate e eu não brinco com a Kaila, ela não é minha irmã e eu não gosto dela. O Pietro disse que ela não passa de uma intrusa na família, eu não quero mais você falando dela pra mim.

— Tudo bem, vamos descer, Ângela já deve estar lá em baixo – Antônia não iria discutir sobre isso novamente, já cansara de falar com Julia sobre Kaila, mas a manipulação do irmão sobre a pequena era muito grande, não sabia mais o que fazer.

Ao chegar a sala, Edward se encontrava em pé com Pietro ao seu lado, Ângela já se encontrava com Kaila. Ao ver que Julia chegara, Edward se pronunciou.

— Vamos, não quero chegar atrasado – ele seguiu pra fora com Pietro em seu encalço, seguido por Julia e depois de alguns empurrõezinhos da parte de Ângela, Kaila seguiu atrás da irmã.

Como de costume, Edward foi em um carro com as crianças enquanto as babás iam em outro logo atrás dele. Ao chegar a casa dos pais, o motorista abriu a porta e Edward desceu, com seu ar de todo poderoso, as crianças desceram logo em seguida, as babás logo se juntaram a elas. Kaila segurou a mão de Ângela a apertando, era visível o medo da criança, a babá apertou de volta como se dissesse que estaria ali. Logo pode-se escutar o barulho do salto agulha batendo no chão e a imagem altiva e fútil de Esme Cullen chegando.

Esme era uma mulher da alta sociedade, nascida em berço de ouro que nunca soube o que é trabalhar. Casada com Carlisle Cullen, gastava o dinheiro do marido em roupas e luxo, tinha quatro filhos, Edward, Emmett, Jacob e Alice. Edward sempre foi o seu favorito, e ela fazia questão de demonstrar isso, mas o fato dele ter se casado com uma mulher pobre não a agradava de forma alguma.

— Boa noite mãe – Edward cumprimentou a mãe de modo frio, ele sempre era assim.

— Boa noite meu querido – Esme falou toda “doce”, para não dizer enjoativa, segurando o braço de Edward e o puxando para dentro, ignorando todos os outros que estavam atrás dele, principalmente os netos. Pietro revirou os olhos, achava a avó uma chata com todo esse dengo com o pai dele, mas logo se esqueceu dela entrando na casa atrás dos primos, Julia correu para o jardim atrás das tias e dos tios, enquanto Antônia ia atrás de Julia e Ângela atrás de Pietro.

Kaila ficou sozinha na enorme sala da casa da avó, olhou para todos os lados e apertou sua boneca contra seu pequeno corpinho, decidiu ir para o jardim ficar brincando com Lola, sua inseparável boneca, não iria ficar ali no meio da sala correndo o risco de alguém chegar e destratá-la.

Por fim, sentou-se em um dos balanços que tinha no enorme jardim, ali era perfeito pra ela, afastado de todos os outros. Aquelas pessoas não gostavam dela, aquilo a deixava triste, seu coraçãozinho doía muito quando pensava nisso, não sabia o porquê de ser assim, mas não gostava de vir visitar o pai e muito menos os avós. Seu avô nunca tinha falado com ela, era um homem fechado e sempre vivia na dele, porém, nunca a tinha destratado como a avó. Kaila estava louca para voltar pra casa, ela começou a se balançar, o céu estava bonito ali, ela gostava de olhar para ele, olhar as estrelas brilhando.

Ela estava entretida pensando em uma roupa bem bonita para a sua boneca quando escutou muitos passos vindo em sua direção. Assim que abaixou sua cabeça, deu de cara com seus irmãos e seus primos, eles pararam de correr quando viram ela ali sentada. Pietro foi na direção de Kaila que automaticamente se encolheu.

— Sai daí nojenta, a gente vai brincar aí agora – Pietro falava ameaçadoramente. Ele viu que Kaila ia levantar, mas, como os primos estavam todos olhando, ele tinha que mostrar que mandava ali, então pegou a irmã pelos cabelos e puxou fazendo-a cair no chão. Kaila sentiu os joelhos e as mãos arderem, seus olhos se encheram de lágrimas e logo sentiu as bochechas molhadas, Lola caiu longe de suas mãos, mas ela se levantou e, chorando, foi pegar a boneca. Antes que conseguisse alcança-la, Pietro já tinha pegado-a do chão. – Olha só pra essa boneca, essa coisa feia – ele debochava da boneca e Kaila se irritou, amava aquela boneca como se fosse gente, era uma das poucas amigas que ela tinha e era sua companheira inseparável desde sempre. Irritada, Kaila gritou.

— Me devolve ela Pietro! – Bravo pela irmã estar gritando com ele, coisa que ninguém nunca fazia, Pietro puxou a cabeça da boneca, o choro de Kaila se intensificou se transformando em soluços altos. Vendo toda aquela confusão, Julia decidiu se prontificar.

— Pietro, já chega, para com isso, devolve a boneca dela – Julia não tinha a menor proximidade com a irmã, mas se tinha uma coisa que ela sabia era que aquela boneca era importante, ela mesma tinha uma igual, mudava apenas a roupa. Aquelas bonecas tinham sido dadas pelo pai delas no dia das crianças, há três anos atrás, e não era do feitio de Edward dar presentes diretamente a elas, geralmente as babás ou, no caso dela, a mãe, faziam isso.

— Cala a boca Julia, ela gritou comigo, essa bastardinha. Quem ela pensa que é?! – Pietro estava furioso, era visível, mas Kaila também estava e, ao ouvi-lo dizer isso, ela o empurrou para trás, foi rápido e ninguém esperava essa reação. Atrás de Pietro, tinha um caminho de pedra, ele tropeçou e caiu, e as pedras acabaram cortando um pouco seu couro cabeludo. Não era nada demais, saiu pouco sangue, mas a fúria dele era tanta que ele se levantou.

— Sua desgraçada, eu vou falar tudo ao meu pai, vou fazer ele te dar a maior surra da sua vida – Pietro saiu correndo em direção as mesas onde se encontravam os adultos, os primos o acompanharam. Kaila estava assustada, sabia que o pai ficaria enfurecido e isso fez seu choro piorar. Ao se virar, deu de cara com a irmã a olhando, já estava preparada para ouvir mais xingamentos e gritos, mas não foi isso que aconteceu, Julia se abaixou e pegou a cabeça da boneca e logo mais ao lado o corpo e estendeu para a irmã. A mais nova relutou em aceitar, não era normal a irmã ser gentil com ela, só ficou parada olhando para Julia.

— Eu sinto muito, o Pietro é exagerado – Kaila não sabia o significado da palavra exagerado, mas também não queria saber.

Mais a frente, a família Cullen estava reunida, todos falavam entre si, menos Edward. Ele ainda estava irritado por Bella não ter ido com ele, aquela mulher tinha um poder sobre ele fora do normal. Outra pessoa teria feito o que ele mandou e pronto, mas ela não, ela tinha que ser teimosa. Ele bufou, irritado, coisa que não passou despercebido pelo seu irmão Jacob que logo tratou de soltar uma piada.

— Algum problema Edward? Irritado por estar no meio da gente? – Jacob era assim, não perdia a oportunidade de jogar suas ironias para cima do irmão, na verdade, eles viviam se engalfinhando desde pequenos, piorando quando Edward começou a se envolver com Bella. Era óbvio que Jacob era interessado na sua mulher, na visão de Edward, Jacob sempre quis tudo que ele tinha e ele agradeceu pelo irmão ter ido morar na França há quatro anos atrás, ou um dos dois já estaria morto. Antes que Edward pudesse responder a ironia do irmão, ouviu os gritos de Pietro, olhou para trás e viu o filho vindo correndo em sua direção, se alarmou quando percebeu que ele chorava, indo de encontro ao mesmo.

— O que aconteceu? – Pietro chorava desesperadamente como se o mundo estivesse se acabando e aquilo assustou Edward.

— Kaila! Ela me empurrou, eu juro que não fiz nada, tá saindo sangue, papai! – Edward virou o filho vendo o pequeno corte, a fúria subiu a cabeça dele, junto a irritação. Agora Kaila também estava dando dor de cabeça.

— Onde ela está?

— No fundo do jardim, eu levo o senhor lá, vamos – Edward saiu atrás de Pietro, pisando fundo. Era visível a sua raiva, vendo isso, o resto da família também o seguiu. Ao chegar ao lugar onde as meninas estavam, Edward avistou Kaila, se abaixou na altura da menina e a segurou pelos ombros.

— Você é louca, sua peste? – Ele sacudia Kaila enquanto gritava com ela, olhava a garota nos olhos e tinha um rosto furioso. Todos se assustaram pelo modo como ele falou com ela, afinal, era uma criança de quatro anos. Não satisfeito, ele continuou: – Mas será que você não pode parar de me dar dor de cabeça, mas que porra, você só presta pra me fazer passar raiva, sua inútil, você é uma parasita! Igual a puta da sua mãe – os olhos de todos ali se arregalaram, Julia estava chorando, agarrada às pernas de Antônia, que já tinha chegado até a confusão junto com Ângela e assistia tudo aquilo com o coração nas mãos. Furiosa por ver o pai falar da mãe, Kaila retrucou.

— Não fala da minha mãe! – Kaila gritou com o pai, deixando-o mais furioso. Em uma reação instantânea, Edward deu um tapa no pequeno rosto da criança que logo foi ao chão, tamanha a força e o susto, susto esse que todos tomaram. Kaila estava jogada no chão, com um pouco de sangue saindo do canto de sua boca, ela olhava para o pai com um ódio que Edward nunca tinha visto na face de ninguém, e aquilo o despertou para o absurdo que ele tinha feito. Quando deu um passo para frente, Kaila levantou e saiu correndo.

— Chega Edward – todos se viraram quando a voz do todo poderoso Carlisle Cullen soou. Ele era um cara neutro quase sempre, e ouvi-lo gritar daquela forma chamou a atenção de todos. – Chega! Acabou por hoje, não quero mais saber de jantar nenhum e você, é bom não repetir nunca mais essa cena que vi hoje ou você não gostará das consequências. – Carlisle deu as costas e saiu, o silêncio reinou, só era possível ouvir os choros das crianças e os soluços altos que vinham de Julia.