Vidas Cruzadas
41 Capítulo 41
Notas iniciais

Tris
Finalmente chegou o dia do meu casamento e que também é o dia do meu aniversário, vou completar vinte e cindo anos e me sinto uma mulher realizada, tenho tudo o que poderia querer, não sei se conseguiria ser mais feliz.
Todos estão muito ansiosos com o casamento, acho que eu sou a pessoa mais calma, por incrível que pareça.
A pedido da minha mãe o Tobias foi dormir na casa do Caleb, alguma bobagem sobre o noivo não poder ver a noiva no dia do casamento, segundo a minha mãe, dá azar, eu não acredito em nada disso, mas se faz ela se sentir melhor, não custa nada. Além do mais, a partir de hoje eu passarei todas as noites da minha vida ao lado dele.
Levantei cedo e arrumei as coisas que iria precisar durante o dia, amamentei o Theo e fui tomar banho e dar banho nele, quando voltei do banheiro, encontrei o Tobias sentado na cama, fechei a porta rapidamente para a minha mãe não o ver aqui.
— Está louco? A minha mãe vai ter um treco se te vir aqui. — Digo indo em direção a ele, ele se levanta e pega o Theo dos meus braços.
— Ela não precisa saber, além do mais eu estava com saudades de vocês. — Ele me abraça e me dá um beijo ainda segurando o Theo. Me separo dele e vou vestir a minha roupa. Sinto o Tobias me abraçando por trás e levo um susto. — Eu vim aqui só para ver vocês e te desejar feliz aniversário, mas te vendo vestida assim eu não resisto. — Ele afasta meus cabelos e começa a beijar o meu pescoço.
— Mas eu nem estou vestindo nada. — Digo já um pouco ofegante por causa dos seus beijos.
— Exatamente. — Ele me vira para ele e começa a me beijar. Nos assustamos com as batidas na porta.
— Tris, já está pronta? Temos que ir ao salão. — É a minha mãe, por sorte eu tinha trancado a porta. Olho assustada para o Tobias, sei que somos adultos e podemos ficar juntos quando bem entendermos, mas eu não queria decepcionar a minha mãe, ela é muito apegada a essas coisas.
— Estou me vestindo, mãe, só um minuto. — Tobias continua beijando meu pescoço. — Pára Tobias, você tem que se esconder. — Sussurro para minha mãe não ouvir.
— Sério, Tris? Me esconder? — Ele parece estar se divertindo com a situação.
— Isso mesmo, se esconder, você não quer que ela te veja aqui, né? Imagina o quanto ela vai ficar chateada? — Ele me olha e parece me compreender.
— Tá bem, mas me esconder onde?— Ele olha em volta sem ter ideia de onde se esconder.
— Sei lá, em baixo da cama. — Começo a empurrar ele em direção a cama, lhe dou um beijo e ele se esconde lá. Com certeza não deve estar nada confortável lá embaixo. Visto a tolha e vou abrir a porta.
— Filha, ainda não está pronta? — Ela me pergunta ao me ver de toalha.
— Ainda não, acabei de tomar banho, estava arrumando as coisas do Theo. — Ela não parece desconfiar de nada.
— Já arrumou tudo? — Ela pergunta dando uma espiada no quarto.
— Sim, Falta só me vestir e arrumar o Theo.
— Quer ajuda? — Ela diz tentando entrar no quarto.
— Não precisa. — Quase grito e ela me olha confusa.
— Está tudo bem? — Novamente ela dá uma espiada dentro do quarto e eu torço para o Tobias estar bem escondido em baixo da cama.
— Sim, claro. É só que eu ainda preciso amamentar ele, sabe? — Tento disfarçar e parece que ela acredita.
— Tudo bem, estou lá em baixo te esperando. — Ela sai e eu fecho a porta aliviada. Tobias sai de baixo da cama e volta a me abraçar.
— Essa foi por pouco. — Nós dois sorrimos.
— Muito pouco mesmo. Agora me ajuda a arrumar o Theo. — Me separo do seu abraço, pego as roupas que havia separado para o Theo e entrego para o Tobias que vai até o berço, onde ele havia deixado o Theo, e começa a vesti-lo.
Termino de me vestir e vejo que o Tobias ainda não terminou com o Theo, o ajudo a terminar.
— Agora nós temos que ir, né Theo? Dá tchau para o papai. — Brinco sacudindo a mãozinha dele e o Tobias ri. Penso em uma forma de o Tobias sair sem ser visto, já que meu pai vai ficar em casa, e me dou conta de que ele não pode ter entrado pela porta da frente ou meus pais o teriam visto. — Tobias, por onde você entrou? — Pergunto curiosa.
— Pela janela. — Ele fala apontando para a janela. Meu Deus, esse homem é maluco, entrar pela janela. — O Caleb me emprestou uma escada. — Ele apenas dá de ombros e eu reprimo a minha vontade de sorrir.
— Certo, pois trate de tirar ela daí antes que os meus pais vejam, ok? — Ele assente e eu lhe dou um beijo demorado, quando me separo para ir embora ele segura a minha mão.
— Ei, espera só mais um pouco. Eu tenho uma coisa para você. — Ele diz tirando algo do bolso. Uma caixinha comprida. — Esse é o presente de aniversário meu e do Theo e eu gostaria muito que você usasse hoje. — Ele me entrega a caixa e quando eu abro vejo um colar com um pingente redondo com três Ts gravados na frente.
— Tobias é lindo. — Fico tão emocionada que mal consigo falar.
— Abre. — Ele me diz e eu não entendo.
— Mas eu já abri. — Olho para o pingente com mais cuidado e vejo que ele é dividido em duas partes, separo as partes e vejo que dentro tem uma foto minha e do Tobias segurando o Theo. Esse é sem dúvidas o presente mais lindo que ele já me deu. Abraço forte o Tobias e ficamos assim por um bom tempo.
— Te amo, vocês são as pessoas mais importantes da minha vida. — Ele sussurra em meu ouvido.
— Também te amo. — Lhe dou um beijo apaixonado. Que só é separado por batidas na porta.
— Tris, filha, nós temos horário marcado, vamos nos atrasar. — Minha mãe mais uma vez.
— Já estou indo, mãe. — Grito para que ela me escute. — Até mais tarde. — Sussurro para o Tobias e lhe dou um beijo rápido. Ele sai pela janela e eu espero até ele não poder mais ser visto, pego a bolsa do Theo e saio do quarto.
Passamos o restante da manhã no salão de beleza com a Evelyn, que dá opinião sobre tudo, segundo ela, é para que todas nós estejamos impecáveis. Arrumamos o cabelo, maquiagem, unhas, todas essas coisas, o que acabou sendo muito divertido.
Voltamos para casa por volta da uma da tarde e terminamos de nos arrumar.
Fomos para a igreja e eu fiquei esperando na sacristia com a minha mãe, Evelyn e as garotas, Susan, Marlene, Chris, Shauna e Lynn, até tudo estar pronto para a minha entrada.
— Pronta filha? Já está tudo pronto. — Meu pai diz entrando na sacristia e congela ao me ver, vejo seus olhos marejados, ele ainda não tinha me visto vestida de noiva. — Você está linda filha. — Ele diz e me abraça. — Eu sempre imaginei esse dia, quando eu levaria minha princesinha ao altar, eu sinto tanto orgulho do você. — Ele começa a chorar e com isso eu choro também. Ficamos abraçados mais um tempo e quando nos separamos vejo que todas já saíram e estamos apenas nós dois e o Theo, que será o meu lindo buquê. — Vamos? — Meu pai estende o braço para que eu o pegue. Eu estava calma até esse momento, mas de repente sinto o nervosismo tomar conta de mim, acho que finalmente estou me dando conta de que isso é real, eu realmente vou me casar.
— Eu só preciso de um minuto para limpar meu rosto. — Preciso enxugar essas lagrima sem borrar a maquiagem e colocar o colar que o Tobias me deu, ele me pediu para usar, mas se eu colocasse antes minha mãe suspeitaria que ele me viu hoje. Sorrio para o meu pai e ele me dá um beijo na testa.
— Ok, estarei lá fora te esperando. — Ele sai de lá e eu pego o colar no bolso do terninho do Theo e vou para o pequeno espelho, que fica em cima da mesinha na sacristia, ponho o colar e logo depois começo a tentar arrumar a maquiagem. Ouço um barulho e quando me viro para olhar vejo alguém com um capuz ao lado do cesto do Theo.
— Se você gritar eu atiro nele. — Na hora eu reconheço a voz da Nita, vejo que ela tem uma arma apontada para o Theo e entro em pânico.
— Não machuque ele, por favor. — Imploro já com lagrimas nos olhos.
— Eu não vou machucar se você fizer exatamente o que eu mandar. — Ela abaixa o capuz e aproxima mais a arma dele. Eu tenho que tirar essa louca de perto do meu filho.
— O que você quer? E como você entrou aqui? — Ela me olha e sorri.
— Eu tive uma ajudinha. Mas vamos ao que interessa, nós temos pouco tempo e você precisa escrever um bilhetinho para o Tobias. — Ela joga para mim um bloco e uma caneta e eu os pego do chão. — Você vai escrever exatamente o que está aí e sem gracinhas ou já sabe. — Ela pressiona a arma na cabecinha do Theo e ele começa a chorar. Eu sinto ódio e pânico ao mesmo tempo e começo a chorar também, quero pular em cima dela, mas tenho medo de que ela atire nele.
— Não faça nada com ele, por favor, eu vou fazer o que você está mandando. — Pego o bloco, escrevo exatamente o que tem na primeira pagina do bloco e algumas lagrimas molham o papel. — Pronto. — Meu Deus, isso não pode ser verdade.
— Jogue pra mim. — Devolvo o bloco para ela, que lê o conteúdo e joga novamente o bloco para mim. — Destaque a folha e deixe aí em cima. — Faço exatamente o que ela manda. — Agora você vai trocar de roupa, vista isso aqui. — Ela me joga uma sacola com roupas e eu as visto. Durante todo esse tempo ela continua com a arma apontada para a cabeça do Theo. Eu nunca senti tanto medo em minha vida, medo que alguma coisa aconteça com o meu bebê. Eu prefiro morrer a vê-lo machucado. — Pronto, agora você vem comigo. — Ela aponta a arma para mim, isso me deixa mais aliviada, e me manda seguir por uma porta na lateral da sacristia, provavelmente a porta por onde ela entrou.
— E o Theo? — Pergunto ainda apreensiva.
— Ele vai ficar aqui, eu não preciso dele. — Sinto como se um peso fosse tirado do meu peito, pelo menos o Theo não vai ficar perto dessa maluca e não vai mais correr perigo. Dou um beijo na testa dele e ando mais rápido que posso, para afastar logo essa louca do meu menino.
Saímos por uma porta que dava em um corredor onde tinha outra porta no final. A porta nos leva ao fundo da igreja e lá tem um carro nos esperando. Nita me empurra para dentro do carro e vejo alguém no volante, mas a pessoa está virada para a frente e também usando um capuz e não consigo ver seu rosto, quando já estou dentro do carro sou atingida na cabeça e apago.
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