Vidas Cruzadas
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Tobias
Após passar um tempo com o Theo, meu filho lindo, uma enfermeira veio me avisar que a Tris já havia sido transferida para um quarto, me despedi do meu menino e fui vê-la.
Quando cheguei ao quarto a Tris ainda estava dormindo, mas parecia em paz, lhe dei um beijo na testa e me sentei na cadeira ao lado da sua cama, segurando a sua mão.
Após algum tempo senti uma leve pressão na minha mão e logo depois vi a Tris abrir os olhos bem devagar.
— Bem vinda de volta. — Lhe disse com um sorriso retribuindo a pressão na minha mão.
— Oi. — Foi tudo o que ela respondeu ainda com a voz fraca e logo em seguida vejo a sua expressão assustada.
— Tobias, o Theo! — Ela fala assustada e com as mãos na barriga tentando se levantar. Me inclinei sobre ela para impedir que ela se mexesse.
— Calma, meu amor, o Theo já nasceu e está bem, felizmente vocês dois estão bem. — Sinto seu corpo relaxar e me afasto um pouco.
— Cadê ele? Onde está o nosso filho? — Ela pergunta com os olhos cheios de expectativa. Nesse momento a Mia entrar no quarto checando o prontuário da Tris.
— O Theo é um bebê bem forte e está bem, mas como nasceu antes do tempo vai precisar passar um tempo na incubadora, logo, logo você vai poder ver ele. — Diz a Mia ajustando a medicação dela.
— Por que eu não posso ver agora? — Ela pergunta com uma voz triste.
— Porque a senhorita acabou de sair de uma cirurgia complicada, onde seu coração parou por alguns segundos e não está em condições de sair por ai andando e como o Theo, apesar de forte, ainda precisa de cuidados especiais, nenhum dos dois pode sair de onde está agora. A Tris, que estava prestando atenção no que a Mia estava dizendo, se vira para mim.
— Você já viu ele? — Apenas balanço a minha cabeça confirmando. — Como ele é? — Mas uma vez seus olhos estão cheios de expectativa, apesar de também haver um pouco de tristeza.
— Lindo, perfeito. Sabe? Ele se parece muito comigo, tem os mesmos olhos azuis, mas o cabelo é loirinho igual ao seu. — Digo enquanto seguro a sua mão, seus olhos se enchem de lagrimas.
— Eu quero ver ele. — Ela chora e eu lhe dou um abraço para lhe confortar.
— Calma, amor, primeiro você tem que se recuperar, o importante é que os dois estão vivos e bem. — Minhas palavras parecem não acalmá-la e ela continua chorando.
— Isso mesmo, Tris, você precisa ter calma. Trate de se recuperar primeiro e em breve estará com seu filhinho nos braços, eu prometo. — A Mia tenta acalmar a Tris, mas também não adianta, ela continua chorando. — Tris, você precisa se acalmar, você acabou de passar por uma cirurgia grave, precisa se acalmar ou vai piorar o seu estado e não vai sair daqui tão cedo. — A Mia diz, claramente preocupada.
— Não tem nada que possamos fazer? — Pergunto, pois, não aguento ver a Tris desse jeito e também quero muito que ela veja o nosso filho.
— Eu tenho uma ideia. — A Mia sai do quarto e eu continuo tentando consolar a Tris.
— Calma, amor, logo, logo você vai vê-lo, basta ter um pouco de paciência. — Digo, enquanto a abraço e acaricio os seus cabelos.
— Você fala isso porque já viu ele. É meu filho, Tobias, eu quero vê-lo. — Ela continua chorando e a Mia entra no quarto com uma cadeira de rodas.
— Aqui, eu vou te levar para ver o Theo, mas só se você prometer que depois vai ficar quietinha e vai fazer tudo o que eu te disser. — Os olhos da Tris se iluminam e ela para de chorar.
— Sim, sim, eu farei tudo que você mandar, se isso significa que eu poderei ver meu filho. — Carrego a Tris com cuidado e a coloco na cadeira de rodas, Mia ajeita os medicamentos da Tris e seguimos para a Ala neonatal.
Quando chegamos lá a Tris está tão empolgada, que mais parece uma criança no natal prestes a receber o presente pelo qual esperou o ano inteiro. Empurro sua cadeira de rodas até a incubadora do Theo e a enfermeira novamente abre um dos lados. Os olhos da Tris já estão cheios de lagrimas, ela estende a sua mão pequena e começa a acariciar o rostinho do Theo, com muito cuidado e eu posso jurar que vi um leve sorriso no rostinho do Theo, mesmo com a Mia me dizendo que isso é impossível, pois ele ainda é muito pequeno para sorrir.
Já também com lagrimas nos olhos coloco a minha mão dentro da incubadora, por cima da mão da Tris, que está tremendo. Nós dois nos olhamos, mas não precisamos dizer nada, o momento fala por si, estamos aqui, nós três, uma família completa, e ambos estamos chorando, mas não mais de desespero e sim de alegria, uma alegria que já não cabe em nós.
— Ele é lindo, Tobias, nosso menino é lindo e é a sua cara mesmo. — A Tris sussurra, como se estivesse me contando um segredo, com a voz embargada pelo choro de felicidade. — Pego a minha mão livre e entrelaço na da Tris que me olha com muita felicidade e nesse momento não parece que há mais ninguém a nossa volta e estamos só nós três nesse momento que é nosso, só nosso.
— Claro que ele é lindo, nós quem o fizemos. — Retribuo também sussurrando, um pouco convencido, mas agora eu posso ser, minha família está bem estamos todos bem.
Ficamos mais um tempo ali dentro do nosso universo particular, acariciando nosso filho até que a Mia nos interrompe.
— Proto, Tris, agora já é hora de ir, você já se cansou demais, tá na hora de descansar. — A Tris franze a testa e olha séria para Mia. Provavelmente chateada por a Mia ter rompido a nossa bolha.
— Mas eu acabei de chegar, eu não quero ir embora, eu quero ficar com o meu filho. — Ela diz fazendo manha.
— Nada disso, senhora, lembra do nosso acordo? Você já viu o Theo, agora vai ter que me obedecer. — Mia me olha como quem diz: Vamos lá faça o seu trabalho. E eu não tenho escolha, começo a empurrar a cadeira de rodas mesmo com os protestos da Tris. Quando chegamos ao quarto somos surpreendidos por nossos amigos que estão lá. O Zeck segura um bolo pequeno com algumas velas em cima e as garotas seguram balões escritos feliz aniversário. Com tudo o que aconteceu já tinha me esquecido que hoje era meu aniversário.
Caminho até a cama da Tris e, delicadamente, a ponho deitada lá, em seguida sou cumprimentado por meus amigos que me abraçam e me dão as felicitações.
— Pensou que a gente tinha esquecido? — Pergunta Zeck com o bolo nas mãos. — Não podemos cantar parabéns, pois, estamos em um hospital, então vamos pular direto para a parte que você faz o pedido e apaga a velinha. — Ele diz estendendo o bolo na minha direção. Cuidadosamente me sento na cama ao lado da Tris e seguro a sua mão.
— Não preciso fazer nenhum pedido, já tenho tudo o que quero. — Digo e dou um beijo carinhoso no topo da cabeça da Tris.
— Ai, que lindo. — Diz a Christina. — E por falar em lindo, eu já vi meu afilhado e ele é o bebê mais bonito do berçário, não tem pra ninguém.
Ficamos ali comendo o bolo, menos a Tris é claro, e conversando sobre como o Theo é uma criança linda, é incrível como uma criaturinha tão pequena quanto um bebê pode render tanto assunto. Passado algum tempo a Mia volta para o quarto.
— Eu odeio acabar com a festa, mas já está na hora de vocês sairem, a paciente precisa descansar, amanhã vocês podem voltar no horário de visitas. — Todos começam a se levantar e o Zeck vem na minha direção com uma sacola que eu não tinha percebido que estava com ele.
— Como eu sei que você não vai sair daqui tão cedo, eu trouxe essas roupas para você, comprei na lojinha que tem aqui na frente mesmo e pode ser que não caiba direito em você, mas é melhor do que ficar com essas que você está. — Só então eu percebo que minha roupa ainda está manchada com o sangue da Tris. Pego a sacola na mão do Zeck e me despeço dele, aproveito que as meninas ainda estão se despedindo da Tris e vou para o banheiro trocar de roupa. Quando saio do banheiro a Tris já está sozinha, caminho até a sua cama e me sento ao seu lado.
— Acabei não te entregando o seu presente de aniversário, não foi? — Ela pergunta me olhando nos olhos. Como ela pode se preocupar com uma coisa dessas?
— O que você quer dizer com isso? Você me deu o melhor presente que eu poderia sonhar, me deu o Theo, me deu uma família. Nenhum presente na face da terra se compara a ter vocês dois comigo. — Me inclino e lhe beijo bem suavemente nos lábios. — Eu tive tanto medo de te perder, de perder vocês dois, passei as horas mais angustiantes da minha vida sem saber se vocês dois sobreviveriam, você não imagina como eu me senti. — Digo roçando o meu nariz em seu rosto.
— Tobias, o que aconteceu? Como aquela cobra foi parar lá? — Não queria ter que tocar nesse assunto com ela, principalmente agora, mas, conhecendo a Tris, sei que ela não vai deixar pra lá. Respiro fundo e me preparo para responder a sua pergunta.
— Foi a Holly, quem a pôs lá. — Vejo a confusão no rosto da Tris.
— Como assim? O que ela estava fazendo na nossa casa? — Já posso sentir um pouco de raiva em sua voz. Conto para ela o que aconteceu.
— Como você pôde deixar aquela vadia entrar na nossa casa, Tobias? Como você pôde depois de tudo o que ela fez? — Realmente não tenho palavras para responder a Tris, pois eu não posso responder isso nem para mim mesmo, fui um idiota em ter acreditado novamente na Holly e isso quase custou a vida da minha família.
— Eu sei que fui idiota, mas eu realmente acreditei que ela estava arrependida e nunca passou pela minha cabeça que ela poderia fazer algo desse tipo. — Vejo o olhar severo da Tris sobre mim e abaixo a minha cabeça por causa da culpa e da vergonha. Sinto a mão pequena, e nesse momento fria, da Tris em meu queixo e ela levanta meu rosto, encontro seus olhos e vejo que eles já estão mais suaves.
— Ei, não precisa se sentir assim, eu já te disse uma vez, o problema é que você as vezes é muito inocente e não percebe a verdadeira intenção das pessoas. — Mesmo fraca ela me puxa para um abraço e eu me deixo levar pela suavidade desse ser que Deus colocou na minha vida, como é possível alguém fazer você se sentir tão bem apenas com um abraço? — Mas pode acreditar em uma coisa, a Holly vai pagar caro por isso. — Nesse momento não posso e não quero discutir com ela sobre isso, também quero que a Holly pague pelo que fez e dessa vez não vou pegar leve, o que a Tris quiser fazer eu vou estar ao lado dela.
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