Vidas Cruzadas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tris
Sai do escritório depois de mais um dia de trabalho, não aguento mais ver códigos em minha frente, quando comecei a trabalhar com isso não imaginava que me sentiria assim em tão pouco tempo. Sempre quis ser jornalista, queria fazer a diferença no mundo, mas por pressão dos meus pais para que eu tivesse uma profissão de verdade e com a qual eu pudesse me sustentar, acabei me formando em engenharia de softwares, já que sempre fui muito boa com computadores.
No caminho da minha casa encontrei com minha professora do colegial, ela sempre foi a minha professora preferida, passávamos muito tempo depois das aulas conversando, ela era jornalista e dava aulas gramática. Ao descobrir que me tornei engenheira de softwares ela ficou decepcionada, pois sempre achou que eu tinha talento para o jornalismo, mas ainda acreditando em meu talento ela me ofereceu uma oportunidade. Como ela é professora da universidade da Califórnia, me disse que caso eu tivesse interesse ela poderia me conseguir uma indicação para eu cursar jornalismo.
Vê-la me fez lembrar de quando meu sonho era ser jornalista e perceber que o verdadeiro motivo para eu estar infeliz era por não estar fazendo o que tanto amava.
Passei uma semana pensando na conversa que tive com ela e depois de muitas discussões internas decidi que iria cursar jornalismo na universidade da Califórnia, o único problema é que eu morava em Seattle e teria que abandonar tudo, mas valeria a pena pela minha felicidade.
Falei com Tori, minha professora, que queria cursar a faculdade e com a indicação dela, que por sinal é muito influente, e as minhas boas notas do colegial consegui entrar.
Mudei de estado para cursar a faculdade que eu queria e claro que minha família não ficou nada feliz, afinal, larguei uma vida estável para me aventurar em algo que eu não fazia ideia se daria certo ou não. Mas já tinha os deixado decidir muita coisa na minha vida, não o faria mais.
Com o dinheiro que eu tinha juntado nesses anos de trabalho dava para pagar a faculdade e me manter por um tempo até conseguir um emprego.
Tobias
Mais um dia de trabalho no escritório de advocacia do meu pai, quer dizer meu, já que ele está aposentado e me deixou cuidando dos negócios.
Não pretendia ser advogado, mas sou filho único e se não fosse eu não teria para quem passar a empresa, então abandonei meu sonho de ser fotógrafo para assumir os negócios da família.
Se não bastasse passar o dia trabalhando em algo que não gosto, quando chego em casa ainda tenho que aturar a minha ex mulher, isso mesmo ex mulher, nos separarmos já faz dois meses, mas ela sempre insiste em aparecer de surpresa na minha casa para tentar uma reconciliação e depois que eu dou um fora nela ela começa a fazer barraco e criar problemas. Hoje não foi diferente.
Cheguei em casa depois de uma audiência, muito cansado, tudo que eu queria era tomar um banho e descansar, mas a campainha toca. Não me surpreendo ao ver Nita na porta com um vestido vermelho e uma garrafa de Champanhe nas mãos.
– O que você quer Nita? – Falo sem paciência.
– Ora, não está vendo? Quero comemorar. – Ela responde levantando a garrafa de Champanhe.
– E comemorar o que, exatamente?
– Não sei se você lembra, mas hoje faz dez anos que nos conhecemos. Quer motivo maior para comemorar? – Ela fala com um sorriso e colocando uma das mãos em volta do meu pescoço.
– Para ser honesto não lembrava Nita, mas mesmo assim, não estamos mais casados, então não há motivos para comemorar nada. – Falo tirando sua mão do meu pescoço.
– Por que você está sendo grosso assim comigo.
– Não estou sendo grosso com você, só estou cansado e sem paciência. Acho melhor você ir para casa e me deixar descansar. – Já estou começando a ficar irritado.
– Se quiser eu faço uma massagem em você. – Ela fala com um olhar sedutor, mas para a infelicidade dela, não caio mais em seus joguinhos.
– Olhe Nita, ainda não fui grosso com você, mas se você continuar aqui pode ter certeza que eu serei.
– Calma Tobias, só queria te fazer companhia e comemorar como nos velhos tempos, mas se você vai ficar se comportando assim, então acho melhor eu ir embora. — Ela fala com uma falsa voz de choro. O que só aumenta a minha impaciência.
– Nita, ponha uma coisa em sua cabeça nós já assinamos os documentos do divórcio e tudo o que eu quero agora é paz, entendeu? Você não é mais a minha mulher e seria melhor para todos se você parasse de agir como se ainda fosse.
– Você ainda vai se arrepender de ter se separado de mim, vai perceber que eu sempre serei a mulher ideal para você. – Ela fala e vai embora.
Fecho a porta e vou tomar banho, quando saio do banho vejo que tem uma chamada perdida. Zeck, meu melhor amigo, retorno a ligação. Ele atende no primeiro toque.
– Que bom que você retornou a ligação, Quatro. – Ele fala antes mesmo de eu dizer alguma coisa.
– Fala logo o que você quer Zeck. – A visita de Nita me tirou toda paciência.
– Calma meu irmão, quero te fazer um convite irresistível, eu você, duas gatas e sem hora para voltar para casa. – Não estou com vontade de sair.
– Zeck, foi mal, mas hoje não vai rolar, quero ficar em casa e descansar.
– Tá ficando velho é maninho? Vamos você vai se divertir e eu já estou a caminho da sua casa. – Conhecendo Zeck como eu conheço sei que ele vai ficar me enchendo até eu aceitar.
– Tudo bem, eu vou.
– É assim que se fala, daqui a pouco estou aí. – Fala e desliga o telefone.
Talvez seja bom sair com Zeck ele sempre acaba me animando, mas não gosto quando ele fica me arrumando esses encontros, geralmente são mulheres do gosto dele, que não tem nada a ver com o meu.
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