Vidas Cruzadas
2 Capitulo 02
Notas iniciais
Tris
Na minha primeira faculdade, lá mesmo em Seattle, não me mudei para um dormitório, a faculdade era próxima a casa dos meus pais, então não houve necessidade. Pensei em morar em um dos dormitórios, mas nunca dividi quarto com ninguém e a ideia não me agrada, então decidi alugar um apartamento.
Encontrei um apartamento bem legal, não é muito grande, mas para uma pessoa ele serve muito bem.
Acabei de me mudar e ainda não conheço a cidade, nunca tinha vindo para Los Angeles, para falar a verdade, nunca sai de Seattle. Depois de arrumar minhas coisas em meu novo apartamento decido explorar a cidade.
Sem dúvidas Los Angeles é muito diferente de Seattle, pra começar dá para ver o sol, todas as pessoas são bronzeadas, contrastando comigo que quase pareço uma folha de papel de tão branca. Tudo aqui é diferente, parece mais vibrante, mas vivo, ou talvez seja eu quem esteja me sentindo assim.
Já anoiteceu e a noite aqui é tão linda quanto o dia, o céu está estrelado e a lua brilha no céu. Em Seattle é quase impossível ver as estrelas, o céu está quase sempre coberto por nuvens. .
Estou com fome e meus pés já estão doendo. Passei a tarde inteira andando e não comi nada além de sorvete. Decido comprar algo para comer em casa. Vejo um restaurante bem simples, desses que ficam abertos vinte e quatro horas, e entro. Chego no balcão e peço o cardápio, um garçom muito simpático me entrega e logo faço o pedido. Macarrão com queijo e café para viagem.
Vou bebendo meu café e olhando a cidade, já estou perto de casa, quando em frente a uma boate e alguém esbarra em mim e sinto meu café sendo derramado em minha roupa. Olho para a frente para repreender quem esbarrou em mim.
– Cuidado por onde anda. — Olho para cima e vejo um homem bonito, alto cabelos castanhos curtos, mas não tão curtos, olhos azul escuro. O rosto é lindo, mas tem algo errado ele parece... bêbado, é isso mesmo ele está bêbado, mal está se sustentando de pé.
– Me...me desculpe. – Ele fala de forma arrastada. Ele está muito bêbado.
– Você está bem? – Pergunto enquanto tento limpar a minha blusa.
– Estou só..só..só preciso achar meu carro. – O quê? Ele vai dirigir nesse estado? Ele é louco?
– Você não pode dirigir desse jeito vai causar um acidente. – Ele parece não me ouvir.
– Onde está meu carro? – Quase não entendo o que ele fala.
– Você não vai dirigir assim, onde você mora? Eu vou chamar um taxi para você. – Ele parece não me entender, apenas fica me olhando sem parecer realmente me ver. Fico esperando uma resposta, mas não acho que receberei nenhuma. Depois de algum tempo ele finalmente fala.
– Meu carro. – Ele aponta para o carro e tenta andar em direção a ele. Eu não posso deixar ele dirigir assim, com certeza vai causar um acidente. Mas o que eu faço? Fico na frente dele tentando o impedir de chegar ao carro, não é muito difícil já que ele mal consegue andar.
– Onde você mora? Me diz para eu chamar um taxi. – Ele parece pensar, mas não consegue me dizer nada. Ótimo ele está tão bêbado que nem se lembra onde mora. Não posso deixar ele tentar dirigir e ir para casa. Só me resta uma solução.
– Minha casa fica perto daqui vou te levar comigo. – Falo enquanto apoio seu braço no meu ombro, nossa ele é muito pesado e está jogando boa parte do seu peso em mim. Ainda bem que minha casa fica perto daqui. Ainda não acredito que estou levando ele para a minha casa, mas não posso simplesmente deixa-lo aqui se algo acontecer com ele eu serei responsável.
Fiz o caminho para a minha casa em trinta minutos, em uma situação normal eu faria esse caminho em cinco minutos, mas carregando todo esse peso, ficou muito mais difícil.
Chegamos ao meu prédio e agradeço silenciosamente a quem inventou o elevador, não conseguiria subir todas essas escadas com esse peso todo. Moro no sexto e último andar.
Saímos do elevador, entramos no apartamento e logo jogo ele no sofá. Ele já está praticamente dormindo, tento falar com ele e já não responde mais. Tiro seus sapatos e o ajeito no sofá, pego um cobertor no quarto e o cubro. Fico o observando durante um tempo e depois vou tomar banho, me olho no espelho e vejo que minha blusa está completamente destruída, o jeito vai ser jogar no lixo. Depois do banho tranco a porta do meu quarto e vou dormir.
Tobias
Acordo com a cabeça doendo, estou deitado no sofá de uma sala que não reconheço. Tento me levantar, mas isso piora a dor, tento lembrar o que aconteceu e leva um tempo até alguma imagem voltar a minha memória.
Lembro de discutir com a mulher que Zeck levou para me acompanhar no encontro, ele já tinha saído com a sua acompanhante, ainda bem que não deixei ele me dar carona preferi ir no meu carro, pois já conheço meu amigo e sei que ele vai embora com sua acompanhante e me deixará lá. Dessa vez não foi diferente, fiquei com minha acompanhante, mas ela não fazia meu tipo e além do mais era muito superficial e fútil, já estava irritado e acabei me irritando mais, ela foi embora e fiquei por lá enchendo a cara. Depois disso nada está muito claro, me lembro de ter saído depois de algumas horas, mas tudo é um borrão.
A tentativa de lembrar o que aconteceu só fez piorar a minha dor de cabeça. Volto minha atenção para o ambiente na tentativa de descobrir onde estou. É uma sala pequena com paredes brancas não tem muita mobilha, uma TV grudada na parede, uma estante com muitos livros, uma mesinha de centro com mais alguns livros empilhados, seja lá quem for o dono da casa deve gostar muito de ler. Ouço um barulho e levanto a minha cabeça, atrás do sofá está a outra parte do apartamento que é a divisão da sala com a cozinha. Vejo uma garota, eu acho, vestindo um short rosa com uma camiseta, por esse angulo ela é pequena e não posso deixar de notar que tem um corpo muito bonito, cintura fina e o restante do corpo proporcional ao seu tamanho, tem cabelos compridos e com cachos grossos um tom de loiro que deve ser natural. Ela está apoiada na bancada que divide a sala de costas para mim. Ela se vira me vê e anda em minha direção com um copo na mão. Se de costas ela é bonita, de frente é maravilhosa. Tem um rosto pequeno, olhos azul bem claro redondos com cílios longos e sua boca, nossa que boca. Acho que me lembro dela, mas seu rosto está meio borrado nas minhas lembranças.
– Bom dia, como está se sentindo? – Ela pergunta com uma voz doce que combina perfeitamente com a dona.
– Minha cabeça parece que vai explodir. Onde eu Estou? E como vim parar Aqui? – Falo colocando a mão na cabeça.
– Toma. – Ela estende para mim o copo com água e um comprimido e eu aceito. Tomo o remédio e entrego o copo para ela novamente.
– Bem, essa é uma boa história. – Ela me olha com divertimento e senta no braço do sofá. – Ontem você esbarrou em mim tão bêbado que mal conseguia se equilibrar e ainda por cima queria dirigir, aí te trouxe aqui para casa. – Ela me trouxe bêbado para a casa dela, essa garota é maluca?
– Você trouxe um homem bêbado que você não conhece para a sua casa? – Pergunto incrédulo.
– Bem, não poderia deixar você dirigir daquele jeito, tentei chamar um taxi para te levar para casa, mas você não sabia me dizer onde morava, não tive escolha era isso ou deixar você dirigir naquele estado o que com certeza provocaria um acidente. – Ela fala isso como se fosse algo que qualquer pessoa faria, me surpreendo com isso.
– E por que você se importa?
– Por que me importo? Tenho um lema na minha vida “Faça pelos outros o que você gostaria que fizessem por você." Não que isso um dia possa acontecer comigo, mas se algum dia eu estiver bêbada e querendo dirigir eu sinceramente gosto de pensar que alguém faria o mesmo por mim. – Mais uma vez ela fala com simplicidade.
– Mas você não ficou com medo de trazer um desconhecido bêbado para a sua casa? – Ela tem que ter algum sendo de auto preservação.
– Bem. – Ela morde o lábio inferior, o que me deixa com muita vontade de beijá-la. – Você estava tão bêbado que acho que mesmo que você quisesse não conseguiria fazer nada, mas por precaução eu tranquei a porta do meu quarto. – Ainda bem, pelo menos algum senso de auto preservação ela tem.
– Muito obrigada,... como é seu nome mesmo?
– Beatrice. Mas pode me chamar de Tris – Ela estende a mão para mim. Eu seguro sua mão e a cumprimento. Ela tem mãos pequenas e suaves que encaixam perfeitamente nas minhas. – E o Seu?
– Me chamo Tobias, muito prazer. – Ainda estou segurando a sua mão e honestamente não tenho a mínima vontade de soltá-la.
– O prazer é meu, Tobias. – Meu nome parece ter uma sonoridade diferente em sua voz. Ela solta a minha mão, se levanta e volta em direção ao balcão da cozinha.
– Acho melhor ir embora. – Falo, me esforçando para levantar. Ela se vira para mim novamente.
– Não quer tomar café da manhã?
– Acho melhor eu ir, já te dei muito trabalho. – Falo, mas não quero realmente ir embora.
– Bem, se for pelo trabalho, o café já está pronto, você decide se quer ou não. – Caminho em direção a cozinha e vejo a mesa posta para dois, a comida aprece boa e decido ficar.
– Acho que vou ficar. – Ela se senta na cadeira com uma pernas cruzadas em cima da cadeira e é uma das coisas mais lindas e sensuais que já vi. Nunca vi ninguém ser tão linda e tão simples ao mesmo tempo. Me sento na cadeira e comemos em silêncio, ela preparou panqueca com recheio de morangos e está uma delicia. Seu celular toca e ela se levanta para atender.
– Bom dia, mãe, como você está?
– Eu estou bem.
– Não, mal cheguei a cidade.
– Eu sei, mas ontem a noite tive um imprevisto e não deu para ligar pra senhora, mas como pode ver, estou bem.
– Certo, falo com a senhora mais tarde. Beijo.
Ela desliga e volta a sentar na mesa.
– Você não é daqui?
– Não, eu sou de Seattle. — Ela fala e coloca mais um pedaço de panqueca na boca.
– Isso explica. — Falo sem perceber.
– Explica o quê?
– Você é muito branca para ser daqui. — Sorrio e como mais um pedaço da panqueca, já mencionei que está uma delícia?
– É. Notei isso quando sai ontem, todos aqui são bastante bronzeados.
Voltamos a comer em silêncio. É estranho como me sinto confortável em sua presença, parece que já a conheço. Olho para o relógio e já são quase nove, tenho uma audiência importante as dez e meia. Infelizmente tenho que ir.
– Mais uma vez agradeço sua ajuda, mas agora tenho que ir. As panquecas estavam maravilhosas. – Me levanto para ir embora.
– Obrigada e por favor, tente não beber mais daquele jeito e tentar ir pra casa de carro. – Ela me acompanha até a porta.
– Tudo bem, mas só se você me prometer que não vai trazer mais estranhos para a sua casa.
– Prometo a não ser que eles estejam bêbados, sem lembrar onde moram e querendo dirigir. – Ela sorri e eu sorrio também. Nos olhamos em silêncio por um longo momento.
– Mais uma vez obrigada e agora vou deixar você em paz. – Me viro e vou embora. Ouço a porta fechar atrás de mim.
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