Vidas Atadas
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Esse cap. vai dedicado a Dark_Josy pela recomendação perfeita que fez e me deixou super contente, mto obrigada :)
O cap. ta grandinho e espero que curtam ;)
-Ei, bebê. Pare de gritar. Ssh... Está bem. Mamãe está aqui... Ssh.
Sofia continuou chorando pela quarta hora consecutiva... Não comeu, não dormiu, não tinha a fralda suja, nem assadura pela fralda, não tinha febre, não vomitou, não tinha gases, não tinha diarréia... E Renesmee não sabia por que chorava assim, fazia com que se sentisse como uma mãe horrível.
Teve que deixar o trabalho antes do meio-dia porque Sofia não deixava de chorar. Tentou pô-la no balanço, na cadeira de balanço, tentou balançá-la e cantar e ler, deu um banho tranquilizador aromatizado com ervas calmantes... Nada funcionou.
Em um impulso, Nessie colocou Sofia em seu assento do automóvel e dirigiu para a cidade. Usualmente os sons rítmicos estalando no caminho cheio de buracos faziam que Sofia dormisse imediatamente... Hoje não fez. Sofia chorou todo o caminho até a cidade, os completos cinquenta quilômetros.
Nessie estacionou diante de sua loja, fazendo malabares com o portador de bebê… Ocupada com uma bebê contrariada e chorona… A bolsa de fraldas e sua carteira.
Caminhou com pesar para dentro. Foi uma das únicas vezes que agradeceu que a loja estivesse vazia.
Sofia gritou quando Renesmee colocou a cadeira no piso.
Claire logo apareceu...
-O que acontece? Por que está aqui no meio de um dia de trabalho? Sofia está doente?
-Não sei. Não para de chorar. — Nessie deixou cair tudo o que segurava onde estava parada. -Tenho feito tudo o que me pôde ocorrer e cheguei ao final porque nada está ajudando.
-Pois bem, é uma pequena alma em pena hoje, Srta. Sofia? Que tal se a tia se encarregar por algum momento, hm? Mamãe necessita um descanso?
Ela observou enquanto Claire tirava a zangada bebê da cadeira e tentava apaziguá-la.
Sofia não se importava com nada disso.
Seu coração apertou ao ver que seu bebê continuava desconsolada.
-Talvez seja algo sério. Deveria levá-la ao doutor?
-É sua decisão, irmã. É seu bebê. Você deveria saber.
Renesmee se pôs a chorar.
-Mas não sei! Sou a pior mãe no planeta! — sabia que não era justo incomodar a pobre Claire, obrigando-a a tratar com uma mãe histérica e uma bebê irritada, mas não tinha a quem recorrer.
O que há a respeito de Jacob?
O pensamento de chamá-lo, confessando sua inépcia com sua filha, deixando ver que tãocompletamente perdida estava… Bem, chorou ainda mais ao pensar em expor esse defeito, quandoele já pensava que ela tinha suficientes outros defeitos.
Essa era outra coisa... Por que Sofia não chorava assim quando estava com ele? Não é queele tivesse estado ali durante as últimas duas noites, e maldição, ela sentia saudade.
Fungou e os soluços seguiram saindo.
Claire estava fazendo ricochetear brandamente Sofia em seus braços, mantendo um olho sobre Renesmee cautelosamente.
-É o que? Estou chorando.
-Você nunca chora.
-Nunca faço um montão de coisas que deveria fazer. Estou tão cansada de que todo mundo pense que sou uma espécie de robô, de que todo mundo pense que posso lidar com tudo... — ela começou a gritar mais forte. -Não posso! Como fazem as mulheres que tem bebês contrariados e trabalhos exigentes e relações confusas e se encarregam de um lar por elas mesmas sem ficarem loucas?
-Não sei, mas estou me perguntando se um gole forte de uísque não seria o melhor que pudesse fazer agora mesmo.
Isso fez que Nessie risse através de seus soluços e dos gemidos de Sofia.
-Grande conselho vindo de uma alcoólica.
Ela sorriu zombeteiramente.
-Pelo menos não sugeri que cheire uma linha de coca...
Um forte golpe soou na porta... Uma voz amortecida perguntou:
-Claire? Está bem?
Claire abriu a porta e Kim Black entrou.
-Ouvi um pranto de bebê.
-Choro... Por não dizer algo pior.
-Pobrezinha... — Kim olhou Nessie. -Está bem?
-Frustrada.
-Imagino... Se importa se eu a segurar?
-Nem um pouco... – Claire resmungou, e passou Sofia.
Kim colocou uma mão sob a cabeça e o pescoço de Sofia e a outra no traseiro do bebê.
-Uma cara tão zangada em uma garota tão bonita... O que acontece preciosa? Só passando um mau dia?
-Não sei o que acontece. Tentei tudo. E eu… — mais lágrimas caíram. Queria gritar miseravelmente junto com Sofia.
-Estou segura que fez... — Kim acariciou com o nariz a bochecha de Sofia. -Sim, bebê doce, ela é um grande mamãe para você, verdade?!
-Ela não está muito contente com sua mamãe hoje.
-Algumas vezes aquelas pessoas que mais felizes nos fazem também podem nos fazer as mais desgraçadas. – Kim disse. -São os prós e contras.
Essa observação surpreendeu Renesmee.
Claire disse:
-Sofia está desgastada agora mesmo. Olha como está tremendo.
Um olhar prudente cruzou a face de Kim.
-Renesmee, se importa se tento algo com ela?
Nessie enxugou os olhos e sacudiu a cabeça.
-Por favor. Se pode ajudá-la…
-Verei o que posso fazer. — Kim sentou em uma cadeira e deitou Sofia sobre seu colo, com a barriga para cima. Segurando sua cabeça com uma mão, esfregou o polegar da base do crânio do bebê até o final de seu pescoço. Massageou o lado esquerdo e o direito, falando suavemente enquanto continuava esfregando delicadamente, e Sofia continuava gritando.
Depois de vários compridos minutos, os que pareceram toda uma vida para Renesmee enquanto sua preciosa bebê chorava, os gritos foram diminuindo para converter em gemidos. Os gemidos terminaram em soluços. Estes foram amainando o suficiente até que se ouviu Sofia suspirar profundamente.
Renesmee sentiu esse suspiro claramente até a medula de seus ossos.
Claire olhou fixamente à criatura.
-É um milagre. O que fez?
Kim ruborizou.
-Nada, realmente. Massageei seu pescoço. Ensinaram que quando os bebês estão aprendendo a segurar suas cabecinhas, pode criar pressão adicional nos tendões em seus pescoços, quando ficam muito tensos, contraem principalmente em seus pescoços, onde têm as cordas vocais. Gritam, dói e gritam mais forte.
-Obrigada. – Renesmee disse. -Me sinto como uma idiota... Não sabia isso... Há muitas coisas que não sei.
-Ei, eu não teria sabido se não tivesse ido à escola de massagens terapêuticas... Confia em mim, minha irmã teve os mesmos problemas com seus três meninos, assim não é algo que só aconteceu com você.
Palavras doces. Kim era a mulher mais doce do mundo.
Kim continuou esfregando o pescoço de Sofia e as largas pestanas da bebê foram fechando.
-E já que estamos aqui… Tenho um assunto pendente com você, Renesmee. – esses olhos prateados estavam fixos nos dela. -Por que não me disse que Sofia é a bebê de Jacob? Todo este tempo e não tive nenhuma pista de que estava gerando uma Black?
Oh. Não era tão doce agora.
-Nem sequer Jacob sabia. – Claire assinalou.
-Aposta seu traseiro que ele não sabia, porque não há forma de que Jacob tivesse deixado passar pela gravidez e o parto sozinha. Conheço-o de toda a vida e ele não é esse tipo de homem. Jared me disse que a única razão pela que Jacob aceitou esse trabalho no norte do país foi porque parecia despedaçado por uma mulher. Nunca imaginei que a mulher fosse você.
Renesmee reprimiu a réplica... Eu nunca imaginei que ele faria passar por seu irmão gêmeo e me deixaria grávida, tampouco.
-E se tivesse se incomodado em nos dizer a qualquer de nós que estava grávida, nós teríamos assegurado de que ele recebesse a mensagem.
-Vou ter que defender minha decisão com toda a família Black durante o resto da vida de Sofia?
-Provavelmente. — Kim endireitou a roupa de Sofia. -Todos estamos encantados porque teve uma menina Black.
-Sarah mencionou isso. — a mãe de Jacob ligou algumas vezes para conversar depois de que Jacob levou Sofia para que conhecesse sua avó. Sarah era uma verdadeira fera. Deduziu que tinha que ser rude para sobreviver estando casada com um selvagem homem Black e criando a dois mais bagunceiros Blacks. Nessie sentiu uma simpatia instantânea com Sarah, ainda quando se sentia intimidada em fazer perguntas a respeito de Jacob e sua infância, porque não queria parecer curiosa.
-Minha cunhada espera que o próximo Black que transpasse o canal, por assim dizer... – Kim sorriu descaradamente. -Seja da variedade sem caule.
-E você, Kim? Querendo ter uma menina também? – Claire brincou.
-Deus, não! Jason é suficiente por agora... Além disso, Jared e eu só nos casamos em dezembro, estamos criando cavalos agora...
O ruído de passos ecoou do cômodo de trás. Uma profunda voz masculina perguntou:
-Claire? Viu minha mulher? – Jared Black atravessou a soleira.
Renesmee ficou olhando. Meu Deus, todos os malditos homens Black eram tão pecaminosamente bonitos? Nenhuma dúvida de que este homem estava relacionado com o Jacob… O mesmo cabelo escuro, os mesmos vívidos olhos negros.
Mas Jared só tinha olhos para Kim... Olhos famintos.
-Ei, boneca. Eu estava te procurando.
-E me encontrou.
-Aparentemente você encontrou a forma de chegar a um bebê outra vez... — ele murmurou e inclinou sobre o ombro dela para examinar Sofia.
-Não o posso evitar. Não é a coisa mais doce?
-Sim, é. Ao menos isso é o que diz seu papai... — os olhos de Jared encontraram os de Renesmee, quase em uma provocação.
O olhar zombador de Nessie devolveu o desafio.
-Jake tem debilidade por ela. Já prometeu comprar um pônei.
-Imagino que sim. – ele esticou a mão. -Te vi por aqui, e conheço Claire, mas nunca nos apresentamos. Jared Black.
Ela apertou sua mão.
-Renesmee Cullen. Todos os primos e irmãos Black se parecem?
-Os gêmeos são surpreendentes, entretanto, eu não nos vejo parecidos, mas outras pessoas o fazem... Imagino que todos devemos ter nossas etiquetas de identificação amanhã, assim não nos confundirá.
-O que vai acontecer amanhã?
-O grande rodeio. Jacob e Jared estarão competindo. Todo mundo está falando disso... Imaginei que você estaria ali para que Jacob pudesse brilhar com a bebê.
-Ele não o mencionou, mas esteve muito pouco em casa durante os últimos dias.
Um momento incômodo seguiu.
-Bom, estou seguro de que Jake contará sobre isso quando encontrar tempo. – Jared colocou sua mão no ombro de Kim e o apertou. -Vim para lembrar que temos que ir procurar Jason logo.
Kim ficou de pé e entregou a bebê adormecida a sua mãe.
-Obrigada por fazer que meu bebê melhore... Até amanhã.
Enquanto o casal saía ouviu-se Kim ofegar e uma baixa risada masculina respondeu. A porta se fechou de repente.
-Esses dois... Juro que sempre estão fazendo em seu escritório. Penso que é a única ocasião que têm para estar sozinhos sem o bagunceiro Jason debaixo de seus pés.
-As crianças têm uma forma de danificar os melhores planos.
-Parece como se tivesse alguma experiência com isso?
Em vez de responder, Nessie perambulou. Estava muito inquieta para ficar sentada... Seus pensamentos vagaram para o Jacob.
Por que não contou a ela sobre o rodeio? Porque planejou levar Sofia, mas não ela? Porque ele esperava que quando chegasse ao sábado ela recusasse seu intrigante oferecimento e essa parte de sua relação terminaria? Então seriam amigos como os pais de Sofia e nada mais? Esse pensamento a fez sentir um pouco mal.
-Nessie? Está bem?
-Não realmente. Algo esteve me perturbando e necessito uma opinião honesta.
-Diga.
-Acredita que sou controladora?
-Refere-se a ter o controle, ou a manipular aos outros?
-Ter o controle. — Nessie falou.
-Sim, tem o controle total, em todo momento, de todas as coisas.
-Isso é mau?
Claire encolheu os ombros.
-Não necessariamente. A menos que esteja disposta há delegar um pouco, para relaxar de vez em quando. Ambas sabemos que isso não está em sua personalidade, especialmente tendo em conta suas relações anteriores com homens babacas... Por que perguntou isso?
-Jacob mencionou que ele acredita que tenho tudo sob controle.
-Tem razão.
O fato de que Claire desse razão ao Jacob deixou Nessie irritada.
-Está ficando do lado dele?
-Nunca tomaria partido contra você, irmã. Nunca. Estou realmente orgulhosa de que seja uma grande mamãe, inclusive embora esteja surpreendida de que não seja mais controladora no que se refere à Sofia.
-O que?
-Honestamente estava assustada de que poderia converter em uma dessas mães obcecadas sobre cada pequena coisa.
O estômago de Nessie se retorceu.
-Está dizendo que não me importa?
-Não. Ama Sofia ferozmente, mas não é um amor controlador... Como geralmente você é.
-Realmente sou assim?
-Com a maioria das coisas, especialmente com seu negócio...
-Eu…
-Me deixe terminar. Sei que pondera os prós e contras de cada ângulo concebível. Que nunca salta de cabeça dentro de nenhuma situação. – Claire se ergueu e a desafiou. -Quantos livros sobre bebês leu quando estava grávida?
Quarenta.
-Onde está a relevância dessa pergunta?
-Pediu uma opinião, estou dando a minha. Assim conhecendo-a como é, como sempre foi, realmente me surpreendi quando Jacob retornou a sua vida e confiou nele com Sofia desde o começo... Sem questionar suas habilidades como pai... Sem exigir que aprove um “período de teste” para você ou sua filha. Simplesmente o aceitou imediatamente.
Essa foi uma reação atípica dela, e Nessie admitia:
-Ele tomou a paternidade de uma maneira que simplesmente não esperava. É genial com ela. Melhor do que eu às vezes. — como hoje.
-Então, como surgiu o assunto de que é controladora com Jacob? Tem a ver com Sofia?
-Não. É mais… Pessoal.
Os olhos da Claire estreitaram.
-Está deitando com ele?
-Quer dizer compartilhar uma cama? Ou…
-Sabe o que quero dizer, Nessie.
-Sim. Estou me deitando com ele.
-Ele pediu que se casasse com ele outra vez?
Surpreendida, Nessie disse:
-Como soube isso?
-Quando estive em sua casa, eu... ah… O interroguei a respeito de algumas coisas, ele disse que pediu isso e que você disse que não.
-Pois bem, a única razão pela qual ele me pediu em casamento é por Sofia.
-Ele pediu várias vezes?
Renesmee assentiu com a cabeça.
-Está cem por cento segura de que a única razão pela que Jacob Black está com você é por sua filha?
-Muito provavelmente.
-Ah! Eu penso que está errada. E aqui é aonde vou te desagradar muito... Você está utilizando Sofia como uma desculpa. Depois de toda a merda que ocorreu com os homens, não acha que nenhum homem a quereria sem um motivo oculto.
Renesmee explodiu...
-Me perdoe, mas esse foi o caso em cada condenada relação que tive.
-Jake sabe sobre Nahuel?
-Realmente pensa que quero compartilhar essa humilhação com ele?
-Não, mas ele precisa saber... — Claire suavizou seu tom. -Realmente seria tão mal se abrir com o Jacob? Confiar nele? Baixar a guarda? E sim, deixar ter um pouco de controle em sua relação?
Pela primeira vez desde o nascimento de Sofia, Nessie se perguntava se ela alguma vez poderia quebrar essa parede de cristal que ela mantinha entre si mesma e o resto do mundo. Por que a parede de defesa que ela construiu parecia como uma prisão em lugar de auto-proteção?
-Irmã? – Claire disse.
-Me aterroriza pensar em dar o controle a Jake, inclusive temporariamente. Uma parte de mim está preocupada de que ele ficará com isso e eu nunca o recuperarei... Já estive nessa situação, Claire. Nunca cometerei esse engano outra vez.
-Mas está cometendo outro engano, talvez um pior, por não dar a Jacob uma justa oportunidade de demonstrar que ele não abusará de sua confiança... Privando a si mesma do que poderia ser o melhor que alguma vez te aconteceu. — Claire assinalou Sofia e voltou sua atenção ao rosto de Renesmee. -Oh, sei que diz que Sofia é o melhor que alguma vez te ocorreu, mas sem Jacob não existiria Sofia. Assim, que eu acredito que isso o torna no melhor que aconteceu. Pense nisso.
O jogo de sinos tilintou na porta frontal e Claire saiu.
*****************
O sol do entardecer brilhava, ricocheteando na cerca de metal atrás do curral. Passou uma eternidade desde que Jacob trabalhou nas rampas e no celeiro atrás do Ninho de Porcos. Parecia toda uma vida desde que ele considerou este lugar sua casa.
Seu irmão e seu primo estiveram muito ocupados nos últimos doze meses... Retirando equipamento quebrado, substituindo cercas, pintando os estábulos. O velho lugar se parecia com um rancho, em vez de um tugúrio rural.
-Conseguiu liderar o jogo, primo.
-Jared, isso é uma condenada merda. Inclusive outra semana de prática não nos ajudaria tampouco. — Jacob gritou sobre o posto.
-Deixa de lamentar. Observa a barreira esta vez.
Embry gritou de alegria...
-Cavalheiros vão a seus cavalos! — e deixou cair à corda laranja. O bezerro saiu disparado fora da rampa em um borrão vermelho, Jared e Jacob seguiram.
A terra voou, as celas de montar chiaram, as cordas retorceram no ar quente e poeirento. Ambos os homens soltaram suas cordas ao mesmo tempo; Jacob tentou pela cabeça; Jared pela parte traseira.
Cada corda alcançou a meta e o bezerro sacudiu até parar. Os cavalos conheciam o exercício, dando marcha atrás em direções opostas até que a corda estivesse tirante e o bezerro ficasse estirado entre eles.
Jacob limpou o suor de sua testa enquanto esperava os quatro segundos que o bezerro tinha que estar embaixo para igualar a recontagem.
-Tempo!
Embry correu dentro do curral e desatou o bezerro.
-Sete ponto oito segundos. Não está mau.
Jared enrolou a corda depois de que Embry soltou o bezerro.
-Ao menos não quebramos a barreira.
-Ao menos apanhamos a maldita coisa. – Jacob disse. -Esse foi um extremamente pobre tempo, não vamos ganhar nenhuma moeda de dez centavos amanhã.
-Não se trata de dinheiro.
Jacob entrecerrou os olhos a Jared.
-Por que diabos estamos competindo então?
-Pela honra. — Jared cuspiu um montão de tabaco de mascar.
-Pelo amor de Deus, Jared, essa é a mais estúpida maldita coisa que ouvi alguma vez. Estou um pouquinho grande para estar defendendo minha honra, e muito menos a sua.
-Jake tem um ponto.
-Cale a sua condenada boca, Embry... — expressou Jared com um sorriso. -Talvez não me referisse tanto à honra como a que não quero me pôr em evidência...
-Se pôr em evidência com quem?
-Quinn e Bennett estarão competindo.
-E? Eles estiveram viajando com a equipe de circuito de rodeio sobre uma base regular. – Embry disse.
-Bom. Mas isso não significa que não tenham estado praticando juntos no extremo sul do rancho, quando nós estivemos aqui trabalhando em nossas diferentes seções. Se recordarem, eles golpearam nossos traseiros durante um bom tempo a última vez. – Jacob comentou.
-Isso foi a uns malditos sete anos... Portanto, trata da honra. A honra de chutar os lamentáveis traseiros de nossos primos diante de todo o condado. – Jared afirmou.
Jacob afrouxou seu controle sobre as rédeas e deu uns tapinhas ao velho cavalo de rodeio.
-Pensou que talvez a família termine rindo de nós em seu lugar?
-Não, porque vamos ganhar e fazer que eles se afoguem com nosso próprio pó.
Embry assoviou.
-Sabe que Trevor e Cash estão competindo? E ambos são vaqueiros de rodeio profissional. Se alguma equipe tiver vantagem, são eles.
-Como disse, trata-se da honra.
Jacob resolveu não insistir mais.
-A única forma em que vamos ganhar destes caras é se nos mantemos praticando.
-Está bem para mim. Traz outro bezerro, Embry. — Jared incitou seu cavalo a retornar à rampa e Jacob retornou ao seu lado.
Depois que a equipe de rodeio praticou, Embry perturbou Jacob um pouco... Mas nenhuma das brincadeiras de nenhum de seus loucos parentes convencia a Jacob para que subisse no lombo de um touro no rodeio de amanhã.
Duas horas mais tarde, poeirentos, machucados e cansados, Jacob, Embry e Jared estavam sentados nas portas traseiras de suas caminhonetes, bebendo chá gelado em latas de conservas. O sol estava pendido baixo no céu púrpura.
A conversa passou da competência de rodeio ao gado do rancho e depois às mulheres. O bate papo não era nem de perto tão retorcido como foi anos atrás. Jacob não sabia se era porque não beberam, ou porque todos cresceram.
-Vai levar essa sua bebê ao rodeio? – Embry perguntou.
-Sim.
-Mamãe diz que todos vão estar ali.
-Não me surpreende. — ocorreu que Renesmee não falou com ele a respeito de nada durante os últimos dois dias. Talvez ela não quisesse passar tempo com seus parentes no rodeio. Depois de seu ultimato “eu-controlo-todo-o-sexo-e-você-me-dará isso-de-qualquer-forma-que-eu-queira”, talvez ela não quisesse seguir com ele.
Sua consciência levantou a voz... Pode culpá-la?
Afastou a um lado esse pensamento de culpa. Ele estava tratando de ajudar Renesmee a descobrir uma parte dela mesma que a assustava. Estava tentando dar a ambos uma oportunidade de verdadeira intimidade sem barreiras. Ele nunca faria uma maldita coisa para machucá-la e ela sabia. Ela simplesmente estava sendo teimosa... E controladora.
-Houve realmente uma explosão de crianças por aqui.
-O nome Black não vai extinguir por agora. – sorriu. -Exceto para nossa linha, dado que eu tenho uma garota.
-Como é ter um filho? – Embry perguntou.
-É estranho. Fantástico. Fantástico como o inferno, na verdade. Sofia é muito divertida. Está crescendo cada maldito dia, o que é maravilhoso para observar. Mas dá uma boa quantidade de trabalho, alimentando, trocando... Em sua maior parte isso não se sente como um trabalho. Eu gosto de fazer. Quando me olha quero fazer todo o possível para protegê-la e fazê-la feliz. — que engraçado, também é assim como ele se sentia a respeito de Renesmee.
Apesar de tudo, diante dessa honesta admissão, Jacob preparou a si mesmo para que seu irmão e seu primo o gracejassem, mas eles não fizeram nenhum comentário sarcástico.
De fato, Jared, disse:
-Vamos ouvir sinos de casamento logo?
-Não vão soar por mim. — bebeu o resto de seu chá e passou o recipiente vazio a Jared. -Até mais tarde.
Subiu em sua caminhonete e foi para casa.
**************************
A casa estava tranquila. Renesmee não o esperou para jantar, apesar de que deixou um prato no refrigerador, era essa maldita doçura que produzia um curioso comichão no peito. Comeu a carne e o purê de batatas frio, não saboreando. Comendo malditamente sozinho. Se acostumou à companhia de sua família nas últimas três semanas.
Jacob tomou uma ducha. Checou a bebê e foi para baixo. Renesmee dormia no sofá. O monitor do bebê estava sobre a mesinha de centro e a TV zumbia no fundo. Por alguma razão, uma estranha sensação de paz o encheu diante da cena doméstica. Pegou o controle remoto e sentou no chão, não querendo perturbar seu descanso.
Uma hora mais tarde Renesmee se moveu atrás dele.
-Ei. Quanto tempo faz que chegou em casa?
-Algumas horas. Antes que pergunte, ela está bem. Ainda dormindo.
-Sou tão previsível, hein?!
-Não, só pensa nela primeiro. É uma boa mamãe, Nessie.
-Não diria isso se tivesse visto mais cedo.
Jacob girou. O rosto de Nessie estava cheio de manchas. Seus olhos usualmente brilhantes tinham uma borda vermelha e triste.
-Por quê? O que aconteceu?
-Sofia chorava. Quero dizer que ela realmente chorava. Literalmente por horas. Não sabia o que fazer... — Renesmee explicou com supremo detalhe... Ela terminou com: -Quando a alimentei justo antes de colocá-la na cama, essa doce bebê simplesmente me olhou com esses grandes olhos, como se… Estivesse desiludida comigo por ser uma mamãe tão má.
Um pequeno soluço acentuou seu desassossego.
-Ah, querida. Vêem aqui. — ele engatinhou ao mesmo tempo no sofá, colocando-a em seus braços. Renesmee apertou seu corpo junto ao dele e chorou brandamente. Ele permitiu, ainda quando rasgava seu maldito coração. Depois que ela se acalmou, ele roçou os lábios sobre sua cabeça. -Lamento que tenha tido um dia árduo.
Ela assentiu com a cabeça contra seu peito.
Quando Jacob passou as mãos de cima para baixo por sua coluna vertebral, ele percebeu que Renesmee não deu muitas oportunidades para simplesmente contê-la, para apaziguá-la... Ela não mostrava seu lado vulnerável... Nunca. Agora que ela finalmente baixou sua guarda, sua demanda mais cedo de sua total submissão sexual o fez sentir como um fodido canalha. Talvez se ele não o mencionasse outra vez, ela se esqueceria do assunto, deixando domá-la como ele faria com um cavalo assustadiço. Oh, ele ainda desejava seu suculento corpo de nove maneiras diferentes até o domingo, não cabia dúvida disso, mas queria seu coração também.
E isso levava seu tempo.
Era uma boa coisa que Jacob fosse um homem paciente.
Fechou os olhos e respirou profundamente, igualando suas exalações às dela e flutuando para o sono.
Umas horas mais tarde um grito soluçante os sobressaltou a ambos. Renesmee grunhiu.
-Calma, irei vê-la. — Jacob alimentou Sofia e a balançou até ela voltar a dormir. Ele não podia reunir a energia necessária para subir as escadas, assim a deitou no Moisés. Depois se aconchegou atrás de Renesmee no sofá, cobrindo-os com uma manta. Esperava que Nessie despertasse e protestasse, mas ela só se aconchegou mais profundamente contra seu corpo e suspirou.
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Renesmee despertou com um sobressalto.
-Se acalme. — o corpo quente a seu lado se moveu. O muito duro e muito quente corpo masculino.
-Que… Jacob? — ela piscou diante do sol que entrava através das cortinas de renda. –Por que estamos na sala de estar?
-Devo ter adormecido.
-Você… Nós estivemos aqui juntos? Toda a noite?
-Em sua maior parte, sim. Não estou surpreso de que não recorde. Estava bastante esgotada ontem à noite quando cheguei em casa.
Renesmee recordou se sentir só e inepta depois de retornar para casa... Chorando até ficar adormecida no sofá, tendo saudade de Jacob como louca, perguntando por que seguia afastando ao homem quando ela o queria perto. Quando despertou e viu Jacob, sentiu-se tão aliviada que soltou cada sórdido detalhe de seu mau dia com Sofia. Surpreendendo-a, Jacob foi assombrosamente doce, sem julgá-la. Fez se sentir segura. E competente. E cuidada. Quase… Amada.
Então, como ela pagou sua doçura? Choramingando sobre o pobre homem e se agarrando a ele toda a noite para que não pudesse escapar a sua própria cama.
Suas bochechas ruborizaram e ela tratou de tentar se esquivar dele.
-Ei, qual é a pressa? — a voz dele estava rouca pelo sono. -Tenho que admitir que eu gosto de despertar com você em meus braços, Nessie. Senti falta nestes últimos dois dias.
Uma pausa grave perdurou entre eles, como se ele estivesse esperando algo dela... A verdade, provavelmente.
Depois de tudo o que este homem tem feito por você, merece sua honestidade.
Ela relaxou nele e simplesmente disse:
-Eu também senti saudade. – o sentiu sorrir contra a parte superior de sua cabeça.
-É bom saber.
Ficaram abraçados em um tranquilo silêncio durante um bom momento.
A mão de Jacob preguiçosamente acariciava-a.
-Então, a que horas vai ao rodeio hoje?
-Que rodeio?
-O Rodeio da Torre do Diabo, nos subúrbios... Já sabe, onde Jared e eu formamos uma equipe de laço. Parece que toda minha família vai estar ali, e todo mundo está um pouco ansioso por conhecer Sofia... Chegou a ser uma espécie de grande loucura com uma reunião familiar.
-Então, por que esta é a primeira vez que ouvi falar disto, Jacob Black?
Sua mão congelou.
-Merda. Não disse?
-Não.
-Está certa?
Renesmee o olhou.
-Sim. Não esteve por aqui exatamente durante os últimos dois dias para me dizer nada.
-Ah inferno, querida, não quis. Estou malditamente constrangido.
-Eu também. — ele poderia ler entre linhas e compreender que ela sentia por todas as coisas que foi mal entre eles?
-Entenderia se não quiser ir tão em cima da hora.
Sua face vermelha de calor esmagou a intenção de continuar zombando dele.
-Sorte que a senhorita Sofia e eu não tenhamos nada mais que fazer, assim que ela pode fazer sua estréia na família Black, não?
O alívio alagou seu rosto.
-Uma grande sorte então.
-Você estará por perto?
-Um pouco. Por quê?
Nessie não podia pensar com o cacarejo ecoando em sua cabeça. A verdade era que podia ser totalmente segura quando se trata de levar adiante seu negócio, mas esta situação social a petrificava absolutamente, especialmente quando ela ouviu rumores a respeito da selvagem e buliçosa família Black. Também temia que fizessem um círculo em torno dela, atacando, exigindo uma resposta para a mesma pergunta que Kim expôs: por que não disse a Jacob que estavagrávida?
-Querida? O que acontece?
Essa molesta voz "seja honesta" apareceu outra vez.
-Estou nervosa, certo? Não sei nada sobre grandes famílias e se você não for estar ali provavelmente me assuste e então as pessoas pensarão que sou uma espécie de pirada…
Jacob afogou seus protestos com um suave beijo.
-Tudo estará bem, vou estar perto sempre que possa... Dito isso, não vou mentir, minha família é um pouco avassaladora, vão fazer todo tipo de perguntas pessoais que, francamente, não é da maldita conta deles, mas vi você em ação, Nessie, pode lidar com tudo isso.
-Tudo menos você, parece... — murmurou. Sem pensar, ela riscou o escuro crescimento da barba em sua mandíbula, seus dedos desviaram para delinear seus lábios cheios. -Tem uma boca intrigante. Inclusive quando está me franzindo o cenho.
-Sim?
-Sim. Sei que pensa que é só mais um desses homens Black tão populares nos três condados de Wyoming, mas é diferente, Jake... De Embry... De seus primos... Inclusive seus genéticos olhos negros intensos são mais atrativos... Realmente me atraem... Alguém que não possa ver as diferenças é um tolo. — por que eu não vi? Por que agi como uma tola?
-Nessie…
Sofia gritou uma vez. Duas vezes. Mais forte pela terceira vez.
-Ui, nosso relógio despertador. — salva de aprofundar mais embaraçosas admissões sobre as virtudes dele, ela rodou fora do sofá. Impulsivamente inclinou e beijou a testa de Jacob. -Obrigada pelo de ontem à noite.
Ela o sentiu olhá-la enquanto segurava seu bebê e se preparou mentalmente para o grande dia.
Notas finais
Mto, mto, mto obrigada por todos os reviews :)
Comentem :)
Bjs
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