Vidas Atadas
8 Capítulo 7
De certa forma, durante a seguinte semana Sofia se estabeleceu dentro de uma rotina, o que deixou Jacob feliz... Mas ele e Renesmee se reacomodarem dentro de uma rotina não o deixou feliz. Nem um pouco.
Mas não era esse o motivo pelo qual ele se mudou? O que queria?Não. Não assim.
Cada noite era igual. Deitavam Sofia. Renesmee escapulia para dentro do quarto de hospedes, se despia e o esperava. Faziam amor cuidadosamente, só de frente, só na escuridão absoluta, só na cama.
Enquanto estavam nesse momento, era malditamente bom. Mas depois, quando Renesmee imediatamente levantava e se vestia, ele questionava por que ela perdia o tempo em uma relação sexual com ele. Depois que ambos gozavam, ela desapareceria, deixando-o… Sozinho. Ao deitar, ela ficava em sua parte da cama e ele na dele. Tomavam turnos levantando por Sofia. Tudo seguia igual. Nessie provavelmente não via nada de mal na maneira em que as coisas estavam indo entre eles.
À medida que a semana progredia Jacob começou a se sentir frustrado pela situação com Renesmee e por sua própria incompetência para mudá-la. Ou por sua habilidade para ser completamente honesto quanto ao que ele necessitava de parte dela. Teve suficiente sexo vazio em sua vida… Bem, como para toda uma vida. Queria mais com ela… Pelos dois.
Durante anos, Jacob agiu da mesma maneira em que fazia Nessie agora, confundindo sexo com intimidade. Agora que ele aprendeu que havia uma diferença, esperou levar sua relação ao seguinte nível, além de companheiros de paternidade e de colchão.
Assim qual era o problema?
Até onde ele podia dizer Renesmee não estava interessada em se intimar em qualquer nível.
Aproveitaram as horas em que Sofia dormia para passar o tempo falando, além do bate-papo básico? Não. Abraçaram-se no balanço dianteiro do alpendre para contemplar as estrelas e a lua? Não. Ficaram no sofá para ver televisão? Não. Inferno, ele teria estado feliz como um porco na merda limpando a maldita casa e se ocupando da lavanderia.
Não faziam nenhuma das coisas normais de casal. Permitia tocar seu corpo dentro de certos parâmetros, mas nunca se aventurava além da superfície.
Em algum ponto, Jacob percebeu que seu irmão acertou no alvo com sua observação sobre o comportamento de Renesmee. Ele tragou sua vergonha e pediu emprestado o moderno livro de psicologia de que falaram e isso terminou de confirmar suas suspeitas.
Isto estava relacionado com a necessidade de controle de Nessie. No referente à sua relação, ela controlava onde, quando, e quanto tempo passavam no quarto... E, ela controlava a quantidade de tempo que passavam fora do quarto. Ela controlava… Tudo. Isso não o surpreendia muito porque era uma bem sucedida mulher de negócios onde tudo em sua vida estava organizado... Programado. Ele estaria condenado se eles programariam o sexo. Ou se ele fosse simplesmente outra coisa que ela pontuaria em sua lista de “tarefas pendentes”.
Em seu mundo ordenado Sofia era um aviso constante das consequências por pular de cabeça à piscina?
Talvez Jacob pudesse usar essa forma de pensar em seu próprio benefício.
Sofia gritou... Ele estudou sobriamente esses grandes olhos. Seu coração se desabava quando ela o olhava dessa maneira.
-Me tem envolvido ao redor de seu dedo mindinho, garotinha, e sabe.
Ela pestanejou.
-E tal mãe tal filha, né?
Ela parecia estar escutando, assim ele seguiu falando.
-Te conquistei, e vou conquistar sua mamãe também. Pode dar por feito. Acha que a tia Claire tem razão quando diz que o que não arrisca não ganha? Não? Eu tampouco. Mas sua mamãe não vai gostar de nada que a impulsione um pouquinho, assim terei que agir excessivamente cuidadoso. Para grandes males, grandes remédios. E entre nós, coisinha doce, estou desesperado por fazer que essa mulher seja minha... Corpo, coração e alma. Só para tornar mais interessante, acredito que começarei primeiro com o corpo.
*************
Na última semana Jacob esteve passando pela loja em seu caminho para casa. Renesmee se encontrou esperando, com antecipação, ouvir sua voz rouca ricocheteando no teto.
Hoje ele entrou e paquerou com Ana, jogou um jogo rápido com Josie e com as crianças da creche, falou sobre cavalos com Suze, e olhou o alternador no caminhão de Vickie. Tentou envolver Nadia na conversa, mas ela se esforçou para evitá-lo.
Jacob era muito educado com Renesmee, nunca sugerindo nada que não seja o laço de paternidade que existia entre eles, diante de seus empregados, que é o que ela quis.
Então por que ela em segredo desejava uma demonstração pública de afeto? Que esse bonito vaqueiro entrasse e a beijasse loucamente? Ou que a arrastasse para dentro de seu escritório, varresse tudo fora da mesa e fodesse ridiculamente sobre sua agenda? Provavelmente porque ela estava sofrendo de falta de sonho. A paixão desse tipo só ocorria nos filmes. A vida real para ela era folhas de cálculo, fraldas, noites sem dormir e, se tinha sorte, um encontro rápido de sexo antes que a bebê despertasse.
Ela nunca teve muita vida sexual, assim o fato que ela estivesse tendo algum amante regular a deveria fazê-la desmaiar como uma donzela nervosa. Então por que diabos chateava que o sexo se tornou… Rotineiro? E isso era muito a dizer, vindo de alguém como Renesmee que passava bem com a rotina. Não era só que ela fosse muito covarde para arriscar a iniciar o sexo com Jacob, ela temia que ele pudesse ver seu flácido corpo pós-parto e terminasse todo contato sexual. Mantinha todos os encontros nus na escuridão, calculando que um sexo “meio-médio” era melhor que nenhum sexo, verdade? Engano. A sensação ruim de que algo faltava fora do quarto não ajudava a seu estado de ânimo porque não contava com um marco de referência para uma situação como esta… Sexualmente ou pessoalmente. Pela primeira vez em muito tempo, não tinha um plano de ataque, nem nenhuma idéia de como começar a programar mudanças.
Nessie deixou o escritório e se dirigiu para casa. A grande tela de TV na sala de estar não estava ligada. Jacob não estava escancarado no sofá. A bebê não estava no Moisés. Rastreou Jacob até a cozinha onde ele estava curvado contra a porta traseira e falando em seu celular.
-Não sei se é uma boa idéia... Porque passou condenadamente muito tempo desde que fizemos isso... Ah foda, não esqueci como fazer.
Ela congelou. Com quem ele estava falando?
-Bem. Não me importa uma merda o que as pessoas falam de nós tampouco. Amanhã, então? Ótimo. Estarei ali.
Jacob deslizou o telefone celular em seu bolso e girou ao redor com um olhar culpado.
-Ei.
-Ei você. — seu olhar esquadrinhou a cozinha. -Onde está Sofia?
Seus olhos se ampliaram com um horror simulado.
-Merda. Não sei. Suponho que devo tê-la deixado no celeiro junto ao balde dos pregos oxidados, ao cavalo zangado e à escopeta carregada.
-Que engraçado.
-Não pensaria assim se fosse eu quem constantemente perguntasse onde está nossa filha.
Droga. Ele estava um pouco bravo.
-Sinto muito. Hábito.
-Um que espero que deixe. — Jacob arrastou uma mão através de seu cabelo e se deixou cair em uma cadeira. -De qualquer maneira, ela está adormecida. Há ensopado na cozinha se tiver fome.
-Cozinhou?
-Não. Mamãe enviou de casa comigo, assim já sabe que é comestível e não tem Chili.
Outra vez. Realmente bravo.
Renesmee se serviu. Sentou em frente dele e comeu em silêncio. Enquanto enxaguava sua tigela, Jacob envolveu um braço ao redor de sua cintura. Tirou o clipe que segurava seu cabelo desordenado e deixou cair às ondas através de seus ombros, enterrando o rosto em seu cabelo.
-Sempre cheira tão malditamente bem.
-Me alegro que pense assim.
-Seu cabelo é belo. Nunca corte. Eu gostaria de senti-lo caindo através de meu corpo enquanto está me montando. Parece como seda sobre minha pele. — ele inclinou a cabeça e a beijou no pescoço.
Imediatamente os comichões correram seu corpo.
-Renesmee. Desejo-a desesperadamente.... Deixe-me te ter.
O homem a fez molhar com apenas essas palavras.
-Vamos para cima.
-Não. Aqui mesmo na cozinha. Estendida sobre este balcão assim posso me deleitar com o sol da tarde brilhando sobre seu atrativo cabelo.
-O que está mal se for em uma cama?
-Nada... — as mãos de Jacob se curvaram ao redor de seus quadris. -Vamos querida. Seja espontânea. Seja aventureira. Estamos mais perto do creme de chocolate aqui, eu gostaria de ver isso em seu lugarzinho especial e fazer minha sobremesa do dia.
Ela envolveu os braços ao redor de seu pescoço.
-Talvez outro dia. Me leve para cama, vaqueiro.
-Não... — Jacob deu um passo atrás, muito atrás, deixando que seus braços caíssem a seus lados. -Por que insiste tanto em que faça amor só em uma cama?
-Por que insiste tanto em fazer isso na cozinha a plena luz do dia?
-Qual é o problema com isso? Jogar os pratos no piso e fazer travessuras com você sobre a mesa?
O primeiro pensamento dela foi: Aleluia! Um homem que importa o suficiente para decifrar o que quero... Mas esse pensamento logo foi substituído por seu paranóico pensamento habitual: De maneira nenhuma! Há luzes brilhantes aqui dentro e terminaria enojado com minhas coxas de requeijão e minha barriga de geléia.
-Não há nenhum problema com isso se você gostar desse tipo de coisas.
-E a você não? — ele perguntou. -Fazer amor só se supõe que deve fazer na escuridão, de noite, na posição de missionário?
-É esse o assunto? Está descobrindo que não sou sexualmente suficientemente aventureira para você? Ou o suficientemente espontânea?
O sorriso dele aberto em resposta não era particularmente prazeroso.
-Não, o assunto real não é sobre mim ou o que eu quero. O assunto real é que você está com medo de perder o controle para conseguir o que você quer, querida.
Seu coração começou a martelar. Maldição. Jacob realmente chegou a conhecê-la tão bem em tão pouco tempo? Quando nenhum outro homem se incomodou realmente em vê-la? Cavar debaixo da superfície, para olhar mais à frente do tamanho de seu vestido e de sua conta bancária? Dar conta que sua estupenda eficiência era uma fachada?
-Jake…
-Posso ver que dá medo perder o controle com todo mundo, não só comigo. Olha, estou bastante seguro de que pensa em nós fodendo sobre esta mesa. Fazendo no chão da sala de estar até que fiquemos machucados pelas queimaduras do tapete. Pensa em pôr de joelhos e me mamar. Ou em que eu a imobilize contra a parede da ducha e foda cegamente enquanto estamos molhados e escorregadios. Ou que a incline sobre o corrimão do alpendre, e me invista dentro de você de trás. Pensa como seria fazer um sessenta e nove comigo no sofá. Ou o pervertido que se sentiria me ter em seu traseiro. Ou que utilize brinquedos sexuais com você. Ou que te ate. Pensa em mim fodendo de todas as formas em que nunca deixou algum outro homem fazer.
Com cada frase acentuada, Jacob se aproximava sigilosamente.
-Mas sabe o que penso na realidade?
Ela negou com a cabeça.
-Que não quer pensar. Que deseja que assuma o controle de todas as situações sexuais assim você não teria que se preocupar por sua resposta. Conseguir experimentar pura satisfação sexual sem culpas. Fazendo o que digo, sabendo de que amará cada maldito minuto disso. Porque sabe dentro de seu coração, que eu nunca faria nada para machucá-la ou humilhar. Nem em privado nem em público. Deseja essa sensação de perda de controle, Nessie. Eu posso dar isso. Posso dar tudo o que alguma vez quis na cama e fora dela. Tem que tomar a oportunidade e confiar em mim, querida. Tem que tomar a oportunidade de deixar ir seu condenado controle de ferro e se dar a mim sem ataduras.
Jacob a beijou com uma brutal amostra de posse masculina, de frustração, de absolutamente pura atração animal, de um homem escolhendo sua companheira e marcando.
Essa primitiva intensidade a atraiu como uma droga. O último afrodisíaco. Renesmee o beijou com igual abandono, até que ele liberou sua boca e se afastou dela.
-Seus dias de controlar nossos encontros sexuais terminam agora. – ele disse.
-Mas…
-Ah-ah-ah. Não terminei. Se me disser que sim me dá o controle completo sobre todas as decisões referentes ao sexo, não pode mudar de idéia... E sem dúvida alguma não pode dizer que não, em nenhum ponto, a nada do que eu diga que faça uma vez que iniciemos isto.
-Está brincando.
-Não senhora, nunca fui mais sério em minha vida.
Renesmee o olhou, quase como se nunca o tivesse visto antes. O Jacob Black que ela conhecia nunca faria demandas como estas.
Talvez não o conhecesse tão bem como pensava. Talvez não conhecesse a si mesma tão bem como pensava se estiver considerando por um só minuto dizer que sim a esta maluquice.
Desejava que a voz afetada e decorosa em sua cabeça fosse dar um passeio. Ainda assim, suas demandas a assustavam muitíssimo. Talvez ela pudesse obrigá-lo há retroceder um pouco.
Suavemente, ele disse:
-Não funcionará.
-O que?
-O brilho em seu olhar... Como a de um cão... A careta feminina. Não há meio termo para nenhum de nós, Nessie. É tudo ou nada.
Um pouco brava, ela perguntou:
-Então o que? Se eu disser não a ser sua escrava sexual nos deixará?
Ele se aproximou, cheio de instinto masculino.
-Não vou. Sofia é minha filha e quero estar em sua vida. Ponto. — inclinou a cabeça, deixando que seu fôlego quente soprasse em seu ouvido. -E você está tentando mudar meu enfoque para algo que não seja o fato de que você não está negando que desfrutaria muitíssimo sendo minha escrava sexual?
Merda Santa. Ela não negou. E por que só a sensação de sua boca tão perto de sua pele a fazia tremer os joelhos e aturdia o cérebro?!
-Não espero que mude por completo seu enfoque para a intimidade agora mesmo. Darei alguns dias para refletir sobre isto... Deixando-me saber sua resposta no sábado, esse tempo deverá ser suficiente.
Quando ela não respondeu, ele brincou...
-Decepcionada porque não estou me dobrando e tomando-a da forma em que quero fazer agora mesmo?
Sim.
-Só tentando compreender por que me bombardeia com imagens retorcidas que me deixam… — desejando o que e quem poderia ser com você. -… Surpreendida e depois, Jacob Black, cavalheiro vaqueiro, inclina seu chapéu branco diante de mim enquanto vai dar um passeio fora?
-Nunca disse que ia jogar limpo.
-Assim que eu simplesmente sou um jogo para você?
Jacob negou com a cabeça.
-Isto é sério. Isto é para sempre, Renesmee. E só para que saiba o tão sério que sou, mudei minhas coisas de seu quarto ao quarto de hóspedes por agora. Também pus uma lâmpada nova no lustre vazio e nos abajures da cabeceira.
Merda. Ela deveria ter sabido que ele se daria conta. Foi uma tática tola de qualquer maneira e estava surpreendida de que tenha funcionado durante tanto tempo.
-Me levantarei por Sofia durante a noite... Comprei outro monitor de bebês para meu quarto assim posso ouvir. Mas você deverá querer saber que não estarei de retorno até tarde das seguintes noites.
Pergunte aonde vai.
Como o inferno. A antiga Renesmee teimosa se impôs e assinalou que não estavam casados. Jacob poderia fazer o que quisesse e maldito ele seja por não estar satisfeito com ela nem na cama nem fora dela. Mas não era isso simplesmente a história de sua vida?
-Alguma outra coisa?
-Não. — ele assinalou a sala de estar. -A menos que queira ir para cima para ver um pouco de televisão comigo agora que deixamos esta discussão longamente esperada fora do caminho?
Frustrada com ele, mas em sua maior parte consigo mesma, ela meio grunhiu, meio resmungou enquanto furiosa subia as escadas... Escutou Jacob dizer:
-Suponho que devo tomar isso como um não.
Notas finais
Muito obrigada a todos que tem comentado :)
Comentem :)
Bjs
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