Vidas Atadas

3 Capítulo 2


Estupendo. Uma olhada em sua filha recém-nascida de quase sete quilos e o grande e rude vaqueiro desmaiou. Renesmee balançava Sofia de um lado ao outro, esperando que Jacob voltasse a si por ele mesmo. Dava um pouco de medo reanimá-lo.

Finalmente ele grunhiu.

-O que aconteceu?

-Desmaiou.

Jacob levantou sobre seus joelhos.

-Pode me culpar? Não é sempre que um homem se inteira de que é papai.

Nossa! Nenhuma postura machista. Nenhuma desculpa para seu desmaio. Isso a surpreendeu.

-Está bem?

-Suponho. É uma boa coisa que tenha a cabeça dura. — rodou sobre seus pés e tirou o chapéu. -Como se chama?

-Sofia.

-Sofia o que? Qual é seu sobrenome?

-Cullen.

-Como o inferno. Essa é a primeira coisa que vai mudar.

-Jacob…

-Me dê um segundo para pensar.

Quanto mais tempo Jacob perambulava e resmungava para si mesmo, mais nervosa Renesmee ficava.

Repentinamente ele parou.

-Estupendo. Temos um bebê. Pode mudar o nome dela ao mesmo tempo em que troca o seu. Casaremos.

-O que?!

-Nos casar. Com você e eu formulando os votos assim que seja possível. — ele olhou para baixo ao rosto de Sofia e a dura linha de sua boca suavizou. -Ela necessita de uma mãe e um pai e felizmente os tem a ambos.

-Isso não significa que vamos casar Jacob.

-Por que não? — Jacob levantou os olhos, esses olhos idênticos aos de sua filha.

Seu escuro olhar parecia perfurar um oco em sua determinação.

-Porque você não pode entrar aqui e formular ordens. Pode funcionar tentar sem contemplações o gado e os cavalos, mas isso não terá efeito comigo. Nem sequer nos conhecemos.

-Inferno que não.

-Pensa nisso... O que tivemos? Uma dúzia de encontros? Não nos vimos durante um ano. Basicamente somos estranhos.

-Estranhos? Fizemos um bebê juntos. Isso nos converte em muitíssimo mais que estranhos.

-Não estou de acordo.

-Me importa um caralho se estiver de acordo ou não. Esta pequena menina... — assinalou com um grosso dedo a escura cabeça de Sofia. -Não vai ser uma estranha para mim durante mais tempo. Pode ser que tenha razão. Não me conhece. Assim me deixe dizer algo... Não vou me afastar dela. Nunca. Cuido do que é meu. Ponto.

-O que se supõe que significa isso?

-Não quer que nos casemos? Bem. Vamos chegar a nos conhecer melhor em primeiro lugar, já que isso é o que te preocupa, pensar que somos estranhos... — fez uma pausa. -De fato, vai ser melhor de todos os modos.

-O que?

-Simplesmente mudarei com você. Veremos como nos levamos primeiro.

Badaladas de alerta soaram em sua cabeça.

-Oh, não. Absolutamente não.

Silêncio.

Jacob suspirou.

-Olha. Seja razoável. Não se trata de você e eu, pelo que fomos ou não, nem do que seremos no futuro. Trata-se dela. Sei que não é fácil ser um pai solteiro. Vi meu primo fazendo isso. Você teve que passar a gravidez e por todas estas coisas do bebê por sua conta e por isso estou realmente triste, Nessie. Não posso mudar o passado. Mas estou aqui agora. Serei um pai em tempo integral, não para dar uma mão, mas sim porque quero estar na vida de minha filha todo o tempo, não só como um papai de fim de semana. Assim, por agora, seria melhor se não ficássemos passando ela de ida e volta entre nós até que eu conheça Sofia onde você e ela se sintam cômodas. E isso é em sua casa, sob seu atento olhar, para que eu não possa fazer algo estúpido ou equivocado.

Ele sorriu com acanhamento.

-Para ser realmente honesto não sei nada sobre garotas. Especialmente sobre bebês.

Quando Jacob a olhou assim, recordou como terminou grávida em primeiro lugar. O homem gotejava uma ardente sexualidade que ainda tinha um poder incrível. Evidentemente o tempo longe de seus intensos olhos e de seu diabólico sorriso não a fez imune a seus consideráveis encantos porque se encontrou aceitando.

-Está bem.

Sofia se retorceu e emitiu um grito de descontentamento.

Em vez de se afastar de seu grito, Jacob meigamente tocou a gordinha bochecha de Sofia.

-Ei, garotinha linda. Por que se queixa? Tem fome?

Renesmee derreteu um pouquinho diante de sua imediata aceitação e interesse por sua filha.

-Sempre tem fome quando está acordada.

-Imagino. — continuou acariciando o rosto de Sofia, olhando com uma expressão parecida com o assombro.

-Quer segurá-la?

-Nem imagina o quanto.

-Segurou um bebê antes, não é?

-Não por muito tempo. E nunca a minha.

Nessie deslocou para um lado e brandamente colocou Sofia em seus braços.

Jacob ficou rígido.

-Relaxe. – ela sussurrou.

-Estou fazendo bem? — seu olhar procurou o dela. -Ou a estou apertando muito?

-Está fazendo muito bem, papai. Só assegure de segurar a cabeça. — Nessie brincou com a manta de Sofia e murmurou. -Gosta de estar aconchegada perto de seu corpo.

-Assim?

-Sim. — estudou seu rosto absorto, boquiaberta pela crua emoção que não se incomodava em ocultar. -Tome cuidado. Está retorcendo.

-Não pesa muito, não é?

-Não vai dizer isso quando tiver estado caminhando de um lado a outro com ela toda a noite porque não deixa de chorar. Os quase sete quilos se sentem como cem.

Ele sorriu e roçou com o polegar a bochecha gordinha de Sofia.

-Mal posso esperar. Mal posso esperar para fazer tudo. Meu Deus, é tão linda.

Não era a resposta que Nessie esperava.

-Vou esquentar uma mamadeira.

Ele a olhou aterrorizado.

-Vai me deixar sozinho com ela?

-Vou estar na parte de trás se necessitar algo.

Depois de agarrar uma mamadeira da mini geladeira, Nessie esquentou uma panela com água sobre o aquecedor. Considerou a sugestão de Jacob de ir viver com elas. Não só podia beneficiar com sua ajuda, mas também ela nunca quis negar a Jacob o contato com Sofia.

Surpreendeu-se muito pela inesperada aparição da mãe dele na loja esta manhã, e esteve pensando nisso... Perguntando como reagiria quando o visse de novo.

Renesmee recordava cada detalhe da última vez que o viu, nessa abafadiça noite no verão passado, a tristeza por uma tragédia familiar esteve pesando sobre ele. Estiveram a caminho para jantar e o pesado silêncio em sua caminhonete chegou a ser muito para que ela pudesse suportar.

Disse:

-Acreditará que estou sendo condescendente se disser que estou preocupada com você?

-Não. Seria agradável que alguém se preocupe comigo, para variar. –ele falou, com umolhar tímido. -Eu sinto. Estou desanimado. Nunca pensei que chegaria aos trinta e um anos,solteiro e vivendo outra vez na casa dos meus pais, me perguntando se meu futuro era sombrio como pareceagora.

Parecia envergonhado por essa admissão quando estacionou afastado do restaurante.

-Espera. Darei a volta e ajudarei a descer. A maldita luz interior está quebrada. Estáespantosamente escuro aqui fora e pode tropeçar com esses sapatos de quebrar os tornozelos.

Ele abriu a porta. Renesmee se virou para sair, mas hesitou.

-O que? — ele apertou as mãos sobre sua cintura.

-Parece que viria bem um abraço. — ela envolveu os braços ao redor de seu pescoço.

Inclinando para frente, ela apanhou os quadris dele com seus joelhos, o que os deixou pélvis contra pélvis e quase boca contra boca.

-Nessie.

-Shh. Está bem. — ela beijou-o, querendo afastar sua melancolia. Ele relaxou contra ela como setivesse dado exatamente o que necessitou.

Era tão doce. Tão grande, sólido e robusto. Tão contrastante com seus famintos beijos e seustoques. E cheirava como um milhão de dólares. Se ela pudesse engarrafar esse perfume viril, seria imensamente rica. Ele tinha sabor de tabaco e pasta de dente e Nessie decidiuque poderia ficar justo ali, apertada contra seu firme corpo, segura em seus braços fortes, toda anoite.

O beijo intensificou. As ásperas mãos deslizaram para cima de suas coxas. Ela não afastousuas mãos errantes. Nem protestou quando tomou os seios e acariciou com os polegares seusduros mamilos.

Ele seguia tocando-a. Beijando-a. Deus. Estava morrendo para que desse a sua boca um bomuso em todas as partes sobre seu corpo. Os lábios rastreavam úmidos beijos ao longo dasensível linha de sua garganta.

O material elástico de sua camiseta cedeu quando ele puxou. Seus seios ficaram livres comum golpe sobre o fechamento frontal de seu sutiã. Sua pele nua era massa nas mãos tãohábeis dele. Chupou os mamilos, um depois do outro até que ela não pôde pensar mais.

Em meio de tentadoras dentadas em sua boca e garganta, ele esfregou a face sobre seupescoço e seio, marcando com seus chupões e a aspereza da barba.

A contra gosto, ele se afastou um pouco para roçar os lábios através de seu cabelo.

-Sinto por te atacar. Mas é tão condenadamente sexy que me faz perder a cabeça. Dê-meum segundo para limpar e entraremos, de acordo?

-Não quero entrar.

Sua cabeça levantou.

-Então, o que quer?

-Você. Desejo. Agora mesmo. Assim. – ela sussurrou. -Por favor. Toque-me. Não pare destavez.

Ele beijou-a profundamente, enquanto a deitava sobre o assento e deslizava a saia de seda até acurva de seus quadris. Colocou a mão entre suas coxas e a encontrou empapada, grunhiu de prazer.

-Quero minha boca em você.

-Da próxima vez.

-Não. Agora. Agora mesmo.

Nunca um homem foi tão poderoso, tão exigente de sua submissão. Nunca sonhou quea ela... Gostaria de se submeter.

Retorceu a calcinha em seus dedos e puxou a um lado o débil algodão. Sua úmida língua lambia sua fenda de cima para baixo. Curvando. Fazendocócegas. Degustando. Lambeu sem descanso, obstruindo profundamente dentro de sua vagina,retornando para serpentear a ponta da língua através de seu clitóris até que todo seu corpo estremecia.Quando finalmente chupou esse pedacinho de carne proeminente, ela gozou em uma palpitanteonda contra sua boca.

Quando tentou recuperar a prudência, soprava insuportáveis beijos suaves na parte superiorde suas coxas. Respirava profundamente e murmurava contra sua pele escorregadia.

Renesmee ergueu sobre os cotovelos e olhou para baixo, sua escura cabeça acariciando-a.

Seu quente olhar encontrou o dela através das capas de roupa ao redor da metade de seucorpo.

-Se não conseguir entrar em você ficarei louco.

-Então será melhor que vá depressa, não?

Em tempo recorde ele desabotoou a calça e baixou o zíper, arrastando seu jeansaté a parte superior de suas botas e alavancado sobre ela.

Renesmee envolveu as pernas ao redor de sua cintura e inclinou à pélvis para que entrasse maisfácil e mais rápido.

Cravou os dedos em seu musculoso traseiro.

Presenciar o êxtase em seu rosto enquanto lentamente afundava em seu interior até a raizfoi uma das coisas mais sexy que viu.

Ele pressionou a testa contra a sua.

-Sabe como é perfeita? Apertada. Toda nata úmida, suave e quente para mim...Sabe quanto tempo estive desejando estar com você desta maneira?

-Oh, assim agora quer falar, Black? Quando estamos nus?ela se pôs a rir.-Falaremos mais tarde. Faça-me algo interessante primeiro. Beije-me. Deus, seus beijos medesfazem.

Jacob beijou-a com o mesmo vigor com que a penetrava. O calor na caminhonete expandiu,provocando um acoplamento mais pegajoso, quente e intenso, e ainda assim, mantendo oequilíbrio de comodidade que ambos necessitavam.

Seus impulsos começaram a fazer mais frenéticos. Mais profundos. Mais rápidos. Separou desua boca para sussurrar:

-Nessie. Me leve com você desta vez. — ela elevou ainda mais alto os quadris e o bombeouem seu interior três vezes mais.

Quando gozou em uma série de suculentas ondas, ele enterrou o rosto em seu pescoço,repetindo seu nome.

Renesmee franziu o cenho voltando à realidade. Agora que pensava, ela não disse seu nome... Esteve chamando-o de Black em seus encontros prévios. Dentro de uma hora depois deles terem se entregado daquele jeito, soube a verdade a respeito de quem era ele na realidade.

Engano. Seu nome pôde ter sido diferente, mas o homem era o mesmo.

Sofia gritou, trazendo Nessie de volta ao presente.

Jacob entrou na pequena sala.

-Já está pronta essa mamadeira?

Maldição. Esteve tão perdida em suas vívidas lembranças dele, deles, do calor, do sexo, da necessidade e da luxúria, que esqueceu por completo da mamadeira. Introduziu dentro da panela.

-Quase pronta.

Ele deu uma olhada a suas bochechas acesas e a seus olhos brilhantes e de algum jeito soube que esteve revivendo seu breve… Mas glorioso… Encontro passado.

Desafiante, ela levantou o queixo.

-O que?

O olhar de Jacob continha mais vapor que a panela de água fervendo.

-Penso nisso todo o tempo também. Alguns dias é em tudo o que posso pensar.

-Quer dar de comer a ela? – ela tentou disfarçar.

-Mais tarde. Será melhor que volte para casa de meus pais e empacote minhas coisas. A que hora vai chegar a casa?

-Perto das cinco e meia.

-Estarei ali antes que isso.

-Espera. Vai necessitar uma chave. — ela tirou a chave do pesado anel de chaves que pendurava na porta dianteira e a pôs sobre o mostrador.

Renesmee observou enquanto Jacob beijava a testa enrugada de Sofia e murmurou:

-Até mais tarde, bebê doce. – ele a aconchegou novamente nos braços de Nessie.

Depois fez a coisa mais estranha: beijou a testa de Nessie e sussurrou:

-Até mais tarde, bebê doce. — pegou a chave e saiu.

Ela suspirou e se instalou na cadeira de balanço.

-Está aqui agora, bebê. Vamos ver quanto tempo dura nesta atuação de pai.

Mas parte dela sabia que Jacob Black não era o tipo de cara de curto prazo. Ele era do tipo dos que ficam por muito tempo.

Isso a assustou muito mais do que se ele não se aproximasse absolutamente.

*************

A vinte milhas de Moorcroft, Jacob saiu da estrada principal por um caminho de cascalho. Passou de frente a um edifício de aço gigante, notando um portão aberto que dava ao estacionamento.

Passou através de outro portão totalmente aberto que separava a fábrica Nessie Blue da residência privada de Renesmee. A velha casa do rancho estava bloqueada à vista por uma fileira de árvores esquálidas.

A diferença da maioria dos residentes de Wyoming, sua porta estava fechada com chave.

Jacob pôs suas malas junto à escada no escuro e fresco vestíbulo. Olhou as fotografias que recobriam o corredor, era uma mistura de paisagens, obras de arte e grupos de fotos em antigos tons sépia de um século passado.

Os elementos da parede de frente eram mostras familiares costuradas à mão. Mini colchas bordadas, toalhas de mesa delicadas, tudo obra exigente de trabalho manual feminino fechada em vidro. Não teria associado o gosto decorativo de Nessie como à antiga, do oeste e caseiro.

Não bisbilhotou mais à frente para verificar os quartos e o andar principal. As coisas de bebê estavam na mesa lotada da sala de jantar antiga. Não parecia que Nessie fizesse muito para se entreter, o que o encheu de uma estranha sensação de alívio.

O ambiente formal da sala, sofás floreados, pesadas cortinas de veludo, almofadas, mesas antigas de borda esculpida, estava completamente dominado por mais parafernália de bebê. Um balanço. Um carrinho. Uma coisa com forma de meio barril camuflado com um dossel de renda. Montões de roupa de cores pastel empilhadas na mesa de centro junto a cada livro de bebê imaginável.

Jacob se encolheu quando por fim viu o diminuto televisor empurrado ao canto pelo piano coberto de pó. Depois de um ano sem televisão, uma tela grande seria sua primeira contribuição ao lar.

Em um impulso pegou uma roupa rosa pálida de uma só peça, com colchetes de acima abaixo sem os buracos para os pés. O odor de sabão e talco para bebê elevou e apertou o estômago. Cheirava a Sofia, limpa, suave e com aroma de talco doce. Por muito que amou sustentá-la, não podia esperar para fazer todas as coisas bregas, como contar os dedos das mãos e pés, soprar bolhas em seu estômago e balançá-la para dormir.

Seu celular vibrou no seu bolso da camisa. Ele já sabia quem era.

-Ola, vovó. Olha, sei que você quer ver Sofia, mas tem que nos dar tempo para trabalhar algumas coisas primeiro. — sustentou o telefone longe para evitar bolhas na orelha. -Não, não sei quanto tempo. Vou ir e vir do rancho todos os dias a partir de segunda-feira. É obvio que não. Embry e papai podem dirigi-lo durante alguns dias sem mim, porque fui um ano e fizeram bem... Três dias a mais não fará nenhuma diferença. Manterei contato. — desligou a chamada. Ela estaria muito ocupada falando a respeito de sua neta a todo o condado para devolver a chamada, pelo menos por um dia, e triste era dizer, poucos tinham seu número.

Deu uma olhada no relógio de pêndulo. Nessie e Sofia estariam em casa em aproximadamente duas horas. Recolhendo uma manta jogada retornou à cozinha.

Jacob colocou a manta sobre a mesa e colocou a bolsa de dez quilos de batatas vermelhas no centro... Olhou durante um momento antes de suspirar e envolveu a lã ao redor dela.

-Maldição, espero que nada me aconteça.

O bebê de batata não respondeu.

Suavemente, Jacob pegou o pacote e colocou no oco do braço. Passeou pelo primeiro andar de uma sala a outra, sustentando o bebê de batata, balançando, movendo. Realizando todos os movimentos que viu fazer às mulheres com seus filhos, exceto cantarolar uma canção de berço. Sentia como um maldito tolo, escorregando por aí, abraçando uma bolsa de plástico que cheirava a terra, mas estava decidido que Nessie não soubesse como era novato quando se tratava de carregar bebês.

Um forte golpe lá fora, no celeiro, o surpreendeu. Tropeçou no tapete do vestíbulo e justo antes de cair no chão, seu “bebê” escapou de seus braços como uma barra de sabão escorregadio. A bolsa arrebentou e as batatas voaram por toda parte.

Maldição. Esse não era um bom presságio. Ardia o rosto de vergonha enquanto recolhia as batatas. O primeiro que faria seria confessar sua inépcia em matéria de bebês, era melhor do que arriscar a fazer mal a Sofia por seu estúpido orgulho.

Uma hora mais tarde a porta da rua fechou de um golpe. Passos retumbaram pela entrada. Antes de dar a volta, uma voz zangada de mulher perguntou:

-Que caralho está fazendo na casa de minha irmã?

Jacob jogou uma lata de feijões na panela esmaltada.

-Estou fazendo o jantar.

-Acha que é divertido?

Ele encolheu os ombros.

-Quem demônio é você?

Jacob girou, dando uma olhada em sua acusadora. Definitivamente uma mulher impressionante apesar de sua pouco natural cor escarlate nas pontas do cabelo negro. Apesar da postura furiosa e seu sapateado zangado de botas de combate. O movimento sacudiu as correntes unidas a sua minissaia de couro arroxeada. Seu olhar percorreu seus braços de cores. Droga. Era essa tatuagem rodando seu pulso uma serpente de cor da pele? Ou um muito grande, muito erguido pênis?

-Quem é você?

Ele encontrou seu enojado olhar.

-Sou Jacob Black.

Ela cambaleou para trás um passo.

-Merda. É o pai de Sofia.

Ele assentiu com a cabeça, notando que as orelhas arqueadas da mulher estavam perfuradas, igual a seu nariz e seu lábio inferior. Ambas as orelhas estavam carregadas com uma variedade de pedras faiscantes e pendentes de aro brilhantes.

-Ela se parece com você.

-Sim. A vi hoje pela primeira vez.

-Pela primeira vez? Ela tem mais de três meses!

-Sim, me inteirei.

-Você se inteirou? Como pode abandonar minha irmã grávida, inútil pedaço de merda?

-Em primeiro lugar, nada mais de xingamentos. — ordenou apesar do olhar teimoso da mulher. -Em segundo lugar, quem é você?

-Claire, a irmã de Nessie. — Claire cruzou os braços sobre seu colo. -Nessie sabe que está aqui?

-Quem acha que me deu uma chave? — os olhos de Jacob estreitaram. -Você vive aqui?

-Agora não. Morei enquanto Nessie estava grávida, já que o idiota perdedor que a engravidou desapareceu e alguém tinha que manter um olho nela, aqui no meio de um nada.

-Antes de seguir destroçando meu caráter, me permita assegurar que eu não sabia que ela estava grávida. Se tivesse sabido, de maneira nenhuma a teria deixado. De maneira nenhuma.

-Então, onde esteve que não podia ligar e contar as notícias a respeito de seu pão-doce no forno? — zombando com doçura perguntou. -Na prisão?

-Graciosa.

-Não, sério, o que estava fazendo?

Claire era uma intrometida, mas Jacob apreciou que estivesse protegendo Nessie.

-Trabalhando em um rancho. Compramos novas terras de pasto a uns sessenta quilômetros ao noroeste de nossa casa. Campo acidentado. Sem telefone, nem internet, nem televisão por satélite. A metade do tempo não há eletricidade na cabana. A cidade mais próxima está a oitenta quilômetros mais ao norte das montanhas, e o caminho que leva a ele é quase malditamente intransitável do final de outubro ao fim de março. Ofereci para ficar para ver se era fácil nos manter ali durante todo o ano. Voltei para casa faz dois dias depois de ir por um ano. Hoje me inteirei que Nessie e eu temos um bebê.

Claire ficou olhando durante mais tempo.

-Disse que seu sobrenome é Black?

-Sim.

-É parente de todos os Black que vivem nos arredores de Sundance?

Ele resistiu à tentação de negar.

-Sim.

-Esses homens Black têm reputação de homens selvagens e mulherengos, bêbados e briguentos e não posso acreditar que minha puritana irmã se enredou com um deles.

A história de sua vida.

-Meu primeiro pensamento quando Nessie se converteu em mãe solteira, foi que ela estava envergonhada de quem a deixou grávida, por isso não queria que ninguém soubesse.

Muito neutramente, Jacob disse:

-Você perguntou quem era o pai?

-Repetidamente. Não posso dizer que a culpasse de guardar silêncio. Não fiz nenhum segredo de que eu planejei perseguir o maldito para golpeá-lo até deixá-lo com uma polegada de sua vida.

-Aí vai com o do sobrenome outra vez.

-Sim era um estímulo. — sorriu maliciosamente. -Até onde eu sei, tampouco disse a ninguém. Nem sequer sabia que esteve saindo com alguém, assim que sua gravidez foi uma surpresa total.

-Diabos, eu nem sequer tive tempo para me acostumar à gravidez, tenho que me acostumar à idéia a respeito de meu bebê. – Jacob suspirou. -E como disse, minha família tem bastante reputação. Talvez se sentisse envergonhada. Não posso dizer que a culpe, já que não estava por aqui.

-O que foi que realmente aconteceu entre vocês dois? — Claire mudava a cada descoberta.

Sua nervosa energia punha Jacob com os nervos em pé.

-Fiz uma tolice, ela terminou quando descobriu e não me deixou explicar, e terminei indo devido a isso. Eu não estava feliz, mas ela não me deixou outra opção que deixá-la ir.

-Ela é boa afastando às pessoas.

-Já entendi. – disse Jacob secamente.

-Diga. Se o mal entendido entre vocês dois esclarecesse, teria ido? — ele negou com a cabeça. -Ela sabe?

-Ainda não.

-Quando planeja dizer?

-Quando for o momento adequado.

-Você joga suas cartas muito perto do colete, Black.

Jacob pensou que era melhor que levar seu coração na mão.

Um momento incomodo seguiu.

-Bem. — Claire elevou as mãos. -Joga esse lixo de vaqueiro forte e silencioso. Então, o que acontecerá agora?

-Se está perguntando se minhas intenções para sua irmã são honoráveis, pedi que se casasse comigo hoje.

-Ela imediatamente disse que não, certo?

Ele franziu o cenho.

-Sim. Como suspeitou?

-Porque esteve... — Claire negou com a cabeça. -Porque não acredito que tenha um osso espontâneo em seu corpo... Ela sempre foi assim... Assim, além de toda sua pré-condição de afastar às pessoas, Nessie sobressai em atrasar uma eternidade para tomar uma decisão, qualquer decisão. É meticulosa.

-Grandioso. — ele a olhou entreabrindo os olhos e desafiou. -Não soa como que você goste muito.

Os olhos azuis de Claire ficaram quase negros de ira.

-Eu a adoro, dou tudo no mundo por ela.

Jacob levantou as mãos.

-Sinto muito.

-Renesmee e eu somos pólos opostos, mas isso não muda o fato de que ela é a pessoa mais maravilhosa do mundo e é uma mãe excepcional.

-Entendi... Inclusive, se ela não está de acordo em se converter em minha esposa, estou me mudando para ajudar a cuidar de Sofia.

-Seriamente?

Ele assentiu com a cabeça.

Outra pausa encheu o ar. A seguir Claire sorriu como uma boba.

-Isso é incrível. Não se casará com você, então, você simplesmente aplainou seu caminho para ser seu companheiro de quarto?

-Mais ou menos.

-Me surpreende que ela tenha permitido.

-A mim também. Nessie pode ser reservada, mas estou malditamente decidido a seguir meu caminho nisto, Claire.

-Posso ver. Já que te dei muitas informações sobre ela, também devo advertir que Nessie está acostumada a estar à frente de tudo.

-Eu também.

-Sim? Então deveria ser interessante ver se vai deixar ser pai de Sofia.

-Me deixar? Eu sou o pai de Sofia. Não estou dando opção. Estou aqui para sempre. É melhor que Sofia se acostume a isso. É melhor que Renesmee se acostume a isso. — Jacob deu à irmã de Nessie um sorriso meio ameaçador. -Será melhor que você se acostume a isso também.

-Por favor. Não me assusta vaqueiro. Me ocupo de bêbados e drogados todo o maldito dia. Mais uma coisa que minha irmã e eu temos em comum... As duas somos lutadoras... Cabeças duras. Sua decisão não vai ser fácil. Para nenhum de vocês.

Ele não mordeu o anzol. Tampouco ia recuar.

-Nada que valha a pena é fácil.

Claire considerou sem malícia.

-Sem dor não há benefício, hein?

-Não é a frase que escolheria, mas sim, suponho que se ajusta.

-Boa sorte, porque, homem, vai precisar.

Jacob sorriu.

-Oh, não necessito sorte. Tenho algo inclusive melhor.

-E o que é?

-Um forte jogo de cordas, uma vontade de ferro e toda a paciência do mundo.

Notas finais
Fiquei mto feliz com os reviews que recebi, me alegra saber que estão gostando da fic :)
Nesse capítulo as coisas já avançaram neh? Vamos ver como será agora com Jake e Nessie morando juntos... kkk
Se comentarem bastante amanhã mesmo posto mais um cap. ;)
Bjs