– olá de novo? Oi?- Ana perguntou e todos nos olhavam.

– Hum, digamos que hoje de manha a gente se cruzou no parque aqui perto. Já agora Afonso prazer.

– Mariana, prazer- sorri

– Então tu vieste de manha para aqui?- Ana perguntou a Afonso.

– Sim, tive de ir resolver uns assuntos da bolsa e mais ao fim da tarde fui correr. Foi então que eu me cruzei com a Mariana. Quer dizer, na verdade eu estava a descansar um pouco, estava a olhar o rio e quando olhei para cima reparei que alguém me olhava.

– Oh desculpa, eu não estava a olhar á muito para ti foi mesmo no momento em que o teu olhar se levantou e os teus olhos fizeram prender o olhar. Esse azul para mim é fascinante. Não foi minha intenção fazer te sentir desconfortável – Disse ainda corada

– Não fiques envergonhada, não tem qualquer mal. Sempre que quiseres estás a vontade- Sentou-se junto de Ana e sorriu-me.

– Bem meninos, apresentações feitas então. E Mariana, espero que te sintas melhor aqui, já conheces a minha família do porto- Ana sorriu e deu-me um abraço.

– Obrigada, Ana- Sorri

– Há uma coisa, podes me tratar por xana. Ana é apenas para conhecidos e tu és uma amiga portanto.

– Oh obrigada querida – Disse sentindo-me um pouco mais aliviada.

– Bem, meninos eu vou ter de vos deixar pois ainda tenho de desfazer as malas. As aulas já começam amanha portanto é melhor ir me despachar. Até amanha beijinhos- Barbara despediu-se.

– E eu vou aproveitar, e vou também com ela – Disse Maria

No jardim fiquei eu, Ana ou quer dizer Xana, Henrique e Afonso. Henrique estava a contar algumas piadas, ele fazia-me lembrar Rui era divertido, não me fazia sentir a mais pois na verdade eu era a única que não pertencia ao grupo, e mesmo assim estava a sentir me bem. Falaram das ferias deles e tentaram saber um pouco mais de mim, fiquei a saber no meio de tudo que Henrique e Afonso eram irmãos o que me surpreendeu bastante, eu não os achava nada parecidos a não ser o facto de ambos terem os olhos azuis, mas de parecenças nada mais conseguia encontrar. Além da simpatia claro.

Após uma hora de conversa Henrique e xana decidiram ir fazer a sua ceia, deixando me no jardim apenas com Afonso. Inicialmente fiquei desconfortável com a situação, na verdade eu não o conhecia e tinha ficado um pouco colada de mais no seu olhar era normal que ele me achar fora do normal. Mas na verdade, eu não consegui ficar com este pensamento por muito mais tempo, ele logo se chegou para a minha beira e começou a falar.

– Então tu és de onde?

– De lisboa- respondi

– Lisboa? Não pode ser- Disse-me

– Não? Então porquê?

– Porque és demasiado simpática para ser de lá- Sorriu

– Oh , isso que dizem é relativo. É igual a todo o lado, á gente simpática e gente que não é. Lisboa não é exceção. E obrigada pelo elogio, mas acredita que não é bem verdade.

– Sim tens razão, mas digamos que na sua maioria não são simpáticos. Mas é bom ser se exceção. E é verdade sim, não me acredito que não o sejas e não vamos discutir isso. O que estudas?

– Educação Básica

– hum, educação básica então vais ser do curso da xana?

– Sim. E da mesma turma também

– Gosto, acho que vais ser uma mais valia para ela.

– Vou? Como assim?

– Eu vou te contar, porque ela já me falou de ti.

– Já, interrompi?

– Sim, ela ligou-me hoje de tarde e falou que a sua nova colega de quarto era muito simpática e bonita. E acredita que não errou mesmo. ( corei assim que ele disse isto). A xana é como uma irmã mais nova para mim, tento sempre protege-la porque embora não pareça ela deixa-se ir abaixo com facilidade, basta uma pessoa ser fria com ela que ela já não sabe o que fazer. Nós conhecemo-nos desde sempre, andamos juntos desde o 8º ano e desde aí que criamos um laço inquebrável. Eu já vi várias fases dela, mas a pior foi a do ano passado. Como podes ver nós somos um grupo unido mas antes eramos um grupo muito maior, com amigos daqueles que julgavas ser para a vida e a pessoa que menos aceitou a separação foi ela. E ainda hoje ela sofre, de certeza que ela já te falou de nós mas nunca da Iris por exemplo. Iris era a sua melhor amiga, mas desde o 11º ano que elas quebraram a ligação, essa Iris fez-lhe coisas do pior que nem vale a pena falar. E abreviando, ela apartir daí apenas passou a contar-me a mim as coisas, e á coisas que deves imaginar que ela não me conta.

– Eu não sabia de nada, ela não me falou. Também é normal conhecemo-nos hoje apenas. Mas tu disseste que ela apenas conta contigo, mas e a Barbara e a Maria?- Questionei

– Elas são grandes amigas, mas a Barbara e a Maria têm as suas coisas onde a xana não entra entendes?

– Sim, ela não se sente tão á vontade para lhe contar as coisas?

– Talvez. E eu acho que a tua chegada a vai ajudar, porque as amizades começam mesmo assim. E vocês estão a partilhar o mesmo quarto, estão no mesmo curso e então isso pode ajudar

– Sim, e sinceramente eu espero. Eu acho ela simpática, e desde que eu cheguei ela tem me ajudado imenso

– A minha xaninha, sempre foi assim- Sorriu-me

– E tu, o que estudas?

– Turismo pequena. – Sorriu-me

– Hum, tinha um amigo meu que tentou turismo para aqui. Só que infelizmente não entrou…- Disse e pequenas lágrimas inundaram os meus olhos.

– Amigo? Ou algo mais?

– Amigo, melhor amigo.

– Não fiques triste pequena, vais acabar por te habituar a isto.

Estava prestes a agradecer-lhe mas xana e Henrique chegaram á nossa beira ás risadas. Já era tarde, estava na hora de todos irmos dormir. Despedimo-nos todos e dirigimo-nos aos nossos dormitórios.

Já la dentro, eu e xana arranjamos as nossas pastas para amanha que seria o nosso primeiro dia de aulas, vestimos os nossos pijamas e fomos para as nossas camas. Já deitadas e apenas com uma luz de presença acesa ficamos a conversar sobre os seus amigos.

Após algum tempo de conversa acabamos por adormecer.