Vidas
3 Cap 3
Notas iniciais
Passado duas horas estava eu de volta á residência, desde ontem que ainda não tinha encontrado os meus “vizinhos” se é que se podem chamar assim. Talvez eles cheguem hoje mais ao fim da tarde ou talvez só amanha. Apenas conhecia Ana que me surpreendeu imenso e que era a minha colega de quarto.
Assim que entrei no meu quarto, Ana já se encontrava lá a mudar umas coisas das suas gavetas.
– Já de volta?- Perguntou
– Sim, e tu não ias ter com as tuas amigas?
– E fui, só que elas hoje tiveram de ir embora mais cedo então eu aproveitei para ver que coisas não vou usar, só para elas não ficarem aqui a ocupar espaço. Olha Mariana, estás a pensar ir jantar onde?
– Bem, para te ser sincera nem tinha pensado nisso. Mas como não posso andar a gastar muito dinheiro acho melhor jantar por aqui mesmo.
– Ótimo, eu também não quero gastar por isso se jantássemos juntas? Poderíamos ir ao supermercado fazer as nossas compras e depois íamos cozinhar.
–Sim, por mim é uma excelente ideia. Acho que me tens é de dizer o caminho até lá porque eu ainda não sei onde fica.
– Oh, claro não te preocupes. É um prazer. Sorriu-me
– Oh muito obrigada mesmo. Se não estiver abusar deixa-me só tomar um banho rápido e depois vamos.
– Claro, o tempo que precisares. Eu também entretanto fico acabar aqui as arrumações.
– Eu preciso só de uns 15 minutos no máximo.
Assim que lhe falei comecei logo á procura de roupa para vestir pois não queria abusar na confiança, ela já estava a fazer muito por mim. Desde que a conheci que me sinto muito melhor, aquela sensação de estar sozinha já não é tão forte. Tomei um duche bastante rápido e logo vesti as minhas calças de ganga com uma t-shirt. Penteei o meu cabelo colocando um pouco de espuma para que os cachos ficassem perfeitos. Assim que terminei fui de volta para o quarto, calcei umas sapatilhas e estava pronta.
Saímos nem 5 minutos depois, andamos algum tempo a pé e então chegamos ao supermercado. Digamos que até comprei bastantes coisas, pois desde ontem que não tinha ido fazer as compras, portanto não tinha nada na minha “casa”. Na hora de pagar até doeu, meu deus como é possível! As coisas estão demasiado caras, agora mais do que nunca eu tinha de aprender a poupar, pois para os meus pais não seria nada fácil manter me aqui a estudar portanto eu teria de dar uma ajudinha. Bom mesmo, era eu conseguir aqui alguma coisa onde trabalhar só para ajudar nas despesas, nem que seja apenas para pagar o quarto e alimentação, já seria o suficiente.
O bom foi que eu e a Ana decidimos dividir algumas coisas que hoje seriam para o nosso jantar. Ela deu a ideia de dividirmos sempre a alimentação, pois cozinhar apenas para uma pessoa era um pouco chato portanto dividíamos as tarefas e seria melhor. E na verdade ela tem razão, só que ela também o faz com os seus amigos ( aqueles que vivem aqui também) e eu não sei o que eles vão achar de eu me meter no meio. No entanto, como sempre ela deixou-me mais calma ao dizer que ainda hoje eu os iria conhecer e que iriamos todos falar.
Compras feitas e estava na hora de voltar a casa para começar a fazer o jantar. Assim que chegamos fomos pousar as carteiras ao quarto e dirigimo-nos com as compras para a cozinha.
Nunca tinha entrado na cozinha, os meus pais foram lá ver quando aqui chegaram mas eu não tive nem vontade, apenas sabia que existiam duas. Mas agora que estava nela, foi surpreendente. Esta cozinha era enorme, ela tinha imensos armarios, duas maquinas de lavar a louça, 2 fogões, 2 frigoríficos e uma arca. Ana levou-me até ao nosso armário, pois o quarto que era de duas pessoas teriam de dividir os armários. Por mim, sem problemas nos colocamos lá todas as nossas bolachas, cereais, arroz e colocamos a carne no frigorifico.
Assim que tudo estava arrumado eu comecei por descascar umas batatas, pois iriamos jantar batatas fritas com arroz e fêveras panadas. Ana estava a preparar o arroz e a panar as fêveras. Assim que terminei as batatas comecei por por os pratos na mesma. Hoje parecia que eramos só as duas a jantar naquela mesa enorme. Segundo Ana, normalmente janta ela e os amigos com mais 2 raparigas das quais ela não tem muito amor. Os outros estudantes que frequentam esta cozinha costumam jantar la para as 22h.
Mas hoje eramos apenas duas portanto eu confesso que até me sentia mais á vontade. Assim que terminamos de cozinhar sentamos a comer e a falar. Arrumamos a cozinhas e fomos ate ao jardim da nossa casa. Por todo o jardim haviam bancos e algumas mesas para o convívio dos moradores.
Decidi pegar no telemóvel e ligar para os meus pais para lhes contar as novidades e ver como eles estavam. Após conversarmos desliguei a chamada e lágrimas escorreram me sem que eu conseguisse controlar. Ana percebeu-se e deu-me um abraço, abraço do qual eu precisava mesmo mas como não a conhecia tao bem não lhe conseguia pedir. O gesto dela surpreendeu-me e só me fez ter ainda mais confiança nela. Ela não deu uma palavra ate deixarmos de nos abraçar após ouvirmos um barulho de gente a entrar na nossa casa. Tive tempo apenas de lhe agradecer e limpar as lagrimas até que alguém veio ao seu encontro abraça-la.
– Miúda que saudades – Xana disse a quem abraçava.
– Eu também senti muito a tua falta. – Alguem lhe respondeu.
Ana cumprimentou as duas raparigas que lá se encontravam e logo me apresentou.
– Meninas, esta é a Mariana Azevedo. Mariana, esta é a Barbara e a Maria.
– Olá Mariana. Prazer. Sou a Barbara Monteiro.-Sorriu-me
– Olá- cumprimentei-a
– Olá eu sou a Maria. Prazer
– Olá- retribuí
–Então e os rapazes?- Perguntou Ana
– o Henrique estava á espera do Afonso. – Barbara respondeu
– Então eles não vieram juntos?- Questionou Ana.
– Não, o Afonso veio hoje de manha teve de ir resolver um assunto á universidade.
– Mariana, então é o primeiro ano aqui?- Perguntou Maria
– Sim, cheguei ontem aqui ao Porto.
– És de onde?
–De lisboa
– Hum.Então já entendi esses olhinhos triste- Maria disse
Sorri tentando disfarçar para que as lagrimas não me invadissem de novo a cara.
– Não te preocupes, tu vais te habituar. Nós não te vamos deixar ficar triste – Disse Maria
– Oh, obrigada. Vocês são mesmo um grupo de amigas simpáticas. A Ana já me tem ajudado imenso e essas palavras também souberam bem- Disse sorrindo
– Somos um grupo de amigos simpáticos- Ouvi uma voz de um rapaz
– Henrique, prazer! – Um rapaz alto, com uns olhos azuis esverdeados e cabelo loiro disse chegando perto de mim para me cumprimentar.
– Olá, Mariana prazer- Disse
– Então, tu és a companheira de quarto aqui da xaninha?
– Sim – respondi sorrindo.
– Hum. Então só por isso já gosto de ti. Porque sei que a minha “maninha” vai ter com quem falar. E tu até pareces fixe. Hum, e muito bonita.- Disse-me
– Muito obrigada- Corei
– Hey , Afonso. Chega aqui temos uma nova amiga.
Todas nós demos uma risada. Espanto foi o meu ao ver entrar um rapaz alto, cabelo castanho escuro e olhos azuis mar. Aquele rapaz, aquele mesmo rapaz da tarde. Aquele que me sorriu talvez porque eu não desliguei o meu olhar do dele.
Ele entrou a sorrir e os nossos olhares se cruzaram. Senti ficar um pouco corada mas ele sorriu-me e veio ao meu encontro.
– Olá de novo. Ou melhor, olá aquele que á pouco não dissemos — Sorriu
– Olá- Corei
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