Vida Roubada
2 Capítulo 2
Sentia-se perdida, com raiva, confusa, completamente desesperada, conseguia ver com clareza dois caminhos a sua frente, pelo menos o começo deles, mas, não o percurso completo que iria trilhar, e isso dava um medo tão grande que a assustava, qualquer decisão que escolhesse seria difícil, até porque nesse momento não havia ninguém para segurar sua mão por todo o caminho desconhecido.
As lágrimas caiam silenciosas por sua face, tentando ter forças fechou os olhos e desejou do fundo do coração encontrar a solução certa, mas os minutos passavam, os segundos voavam e a decisão simplesmente não aparecia.
- Rose me contou!
Bem devagar Isabella abriu os olhos encarando a face de sua tia, mas não resistindo o olhar por muito tempo, com certa vergonha abaixou a cabeça. Ângela de forma amorosa deu um leve suspiro e então com passos lentos se aproximou de sua sobrinha.
- Tsc tsc, não mesmo senhorita... – Com a ponta dos dedos no queixo de sua sobrinha fez com que sua cabeça voltasse a ficar erguida – Nunca, jamais deixe que alguém a faça se sentir inferior, você é muito mais do que pode imaginar!
- Tia...! – sussurrou Isabella fracamente antes de se jogar nos braços de sua segunda mãe.
Ângela Webber era irmã gêmea de Renée, olhar para uma, era o mesmo que ver a outra, e nesse momento ter algo tão vivo que lembrasse sua mãe, que lembrasse aquele colo tão sonhado e tão reconfortante era tudo o que ela precisava.
Quando ficou órfã sua tia não hesitou um só segundo, pegou-a e mesmo com toda necessidade financeira que atravessava, levou-a para Forks e a criou sem qualquer distinção em relação a sua filha. A princípio Rosálie era arredia, sentia um enorme ciúme da atenção que sua mãe dava a sua prima, mas com o tempo as duas foram se aproximando e acabaram se tornando grandes amigas, ao ponto de namorarem os inseparáveis amigos, Emmett e Jasper.
Entretanto, com seu tio Ben as coisas pareciam pior com o tempo, e engravidar sem estar casada tornou tudo ainda mais complicado, ao ponto de ameaçar jogá-la na rua antes mesmo da barriguinha começar a aparecer, até porque, querendo ou não os comentários iriam acabar respingando em Rosálie.
Ângela a abraçou e esperou que sua adorada sobrinha se acalmasse.
Quando seus soluços por fim desapareceram, quando as lágrimas por hora se acalmaram, Isabella deitou na cama encolhida, com a cabeça apoiada no colo de sua tia, recebendo um delicado e amoroso carinho em sua face e fios sedosos.
- Não sei se você sabe, eu nunca lhe contei e acho que sua mãe também não, mas quando éramos crianças tinha uma coisa, somente uma coisa que nos faziam, mesmo sabendo que nossos pais iriam brigar, ou até mesmo nos deixar de castigo...
Ângela pouco falava de sua irmã, não porque não tivesse histórias para dividir, mas porque doía falar de um passado sabendo que por mais que quisesse jamais iria chegar a ser a metade do que um dia já foi. Mas sempre que percebia que algo estava afligindo sua sobrinha, ela jogava suas dores de lado para deixá-la melhor. Até porque, quando Renée falecerá, Isabella era somente uma doce e inocente menina, nem teve a oportunidade de passar pela adolescência tendo a atenção e os carinhos da mãe, e conseqüentemente a proteção característica dos pais, afinal, Charlie se matou antes mesmo de a pobre menina aquietar seu coração choroso pela falta súbita de sua referência feminina.
- Fugíamos da casa de onde nossa mãe trabalhava e íamos para frente da igreja... – suspirou saudosa – Sabe, às vezes voltávamos rápido, mas quando tínhamos a sorte de encontrá-la toda decorada para um casamento... Ah, ficávamos ali até o final da cerimônia!
Isabella tentou imaginar a cena, esse tipo de comportamento parecia coisa de uma mulher sonhadora e apaixonada, não de uma pessoa como sua tia que sempre lhe pareceu tão sensata e prática.
- Ao longo dos anos passávamos horas imaginando, idealizando, o casamento dos nossos sonhos, o vestido de noiva perfeito, a flor ideal para decoração, nada passava, queríamos tanto esse momento, tanto...
O entusiasmo na voz de sua tia foi morrendo, com certa curiosidade Isabella levantou-se e encarou-a, podia sentir que iria chegar uma parte que ela talvez não quisesse ouvir. Sua tia colocou uma mecha do cabelo de Isabella atrás de sua orelha e com um sorriso singelo nos lábios deixou os sonhos de lado e falou de realidade.
- Nunca, jamais tivemos a chance de ter aquele casamento dos sonhos... Sua mãe casou fugida com o seu pai e fora morar em Port Angeles e eu... Eu atendi o desejo de seu avô, não cheguei a casar com roupas velhas e gastas como sua mãe, mas casei com um vestido branco que tinha há algum tempo, não tive festa, de convidados somente meus pais e minha irmã e meu cunhado, e o principal, o noivo, nem ao menos tive a chance de escolher...
Ângela se calou por um tempo, como se deixasse suas palavras entrarem na mente e coração de sua sobrinha.
- Mas apesar de sempre esse sonho não realizado fazer parte de mim em algum momento indesejado, mesmo assim, imaginar minha vida sem Ben é doloroso demais... – Deu um sorriso triste – Sei que ele pode não ser perfeito como toda mulher quer, como eu um dia quis, talvez se ele fosse mais carinhoso ou um tio mais presente eu o amasse mais como eu sinto que eu seria capaz de amá-lo... Mas ele é um pai maravilhoso, um homem que nunca deixou faltar nada em casa, que sempre está presente com o pensamento em nossa família, e quando se tem um filho, isso acaba sendo o que vale na vida!
Terminou seu discurso tocando no ventre de Isabella.
As duas ficaram se encarando por um tempo, deixando que as lágrimas e emoções a dominassem.
- A senhora acha que devo aceitar? – perguntou Isabella com a voz carregada pelo choro.
- Eu acho que você deve ouvir seu coração... Pense em seu filho e nesse momento, quando seu coração estiver carregado de amor materno decida o que será melhor para ele, porque eu sei que tomar uma atitude pensando em você nesse momento é a melhor forma que irá encontrar para sofrer... Deixe os sonhos dourados de lado, sua vida requer realidade...
- Eu sei... – suspirou resignada – Mas é que isso tudo me parecesse tão errado, tão longe do que um dia minha vida já foi!
- Oh meu amor, eu sei, deixar que os sonhos passem de realidade para tristes lembranças não é algo fácil, mas a verdade é que apesar de às vezes termos a sensação de a vida ser errada e imperfeita, sofrer para sempre não é a melhor escolha!
Extremamente maternal Ângela lhe deu um beijo carinho na testa e se levantou.
- Tia! – gritou Isabella antes que ela abrisse a porta, fazendo-a se virar e encará-la com os olhos carregados de amor.
- Sim!
- Qualquer decisão que tomar.... – Percebendo o que ela iria dizer, Ângela correu até sua sobrinha e então com seu dedo indicador a calou.
- Entenda uma coisa, sempre estarei com você independente do que decidir, eu sempre estarei com você, e quando digo isso também quero dizer que sempre lutarei por você contra quem for, e em troca disso tudo o que quero é que pense como mãe. Sei que pode ser difícil, você ainda não o tem em seus braços, nem ao menos o sentiu mexer, mas a realidade é que ele vive em você, e querendo ou não, você é tudo o que esse bebê tem!
Carinhosamente limpou as lágrimas que caíram na face da sobrinha, lhe deu mais um beijo carinhoso e longo na testa e então se foi, deixando-a sozinha com seus pensamentos e decisões a tomar.
O tempo passou com certa rapidez, quando Isabella deu por si a noite já havia abraçado a cidade que nesse momento estava calma, todos na casa já estavam dormindo e nela nenhuma decisão havia se manifestado. Cansada de imaginar um possível futuro de acordo com as opções que possuía, ela pensou no presente, no quanto se sentia enclausurada. Respirou fundo e pelo menos tomou uma decisão, nada muito relevante para o futuro, mas algo essencial para o já.
Lentamente, sem fazer qualquer ruído, se levantou de sua cama, olhou sua prima dormindo calmamente e com a iluminação da noite conseguiu se vê no espelho, como não havia trocado de roupa para dormir, somente colocou um casaco para lhe proteger do frio.
Com passos lentos e leves passou por cada canto da casa sem ser pega, e sem olhar para trás seguiu para rua, andando sem ao menos se importar com os perigos que a noite trazia para uma mulher sozinha e desprotegida. Mas esteve com sorte, à maioria das casas estavam com as luzes apagadas delatando que os moradores da pequena cidade estavam dormindo.
Não demorou muito para chegar até o seu destino, sorriu ao pensar assim, ela nem ao menos tinha um destino certo, somente decidiu caminhar, mas ao caminhar e se deparar com a beleza que era a praia a sua frente, teve a certeza que tinha chegado onde queria.
O mar sempre belo e com ondas que produzem sons espetaculares é uma beleza natural que trás uma paz, uma calma interna aqueles que precisam, e isso era o que ela mais necessitava no momento.
Caminhou lentamente e meio que hipnotizada deixou que o som da água a conduzisse, aos poucos seus pés foram molhando, seus joelhos, sua cintura, e então, estava completamente submersa tentando ao máximo se proteger das fortes ondas que queriam derrubá-la e do frio que tentava impedi-la de seguir em frente.
...
- Eu amo esse mar, esse cheiro! – disse Jasper enquanto caminhava pela areia.
- Eu sei o que quer dizer, eu também adoro... Quando vim morar com meus tios a única coisa que me deixou feliz foi saber que iria ficar bem pertinho da praia!
Ele sorriu.
- Eu sei, La Push tem uma praia única! – disse puxando-a para um abraço.
- Eu consigo me ver aqui por toda vida! – falou apertando-o mais contra ela.
Ele se afastou e encarou-a.
- Eu consigo também – deu-lhe um beijo demorado em sua testa – Às vezes eu nos imagino... – Sorriu – Nos dois passando por todas as etapas da vida juntos, as rugas ao redor de seus olhos aparecendo, nossos filhos correndo por essas areias, crescendo felizes, fazendo com que nosso amor cresça cada vez mais através deles, nossos cabelos passando de grisalhos para brancos... – Deu um beijo singelo nos lábios de Isabella, limpou as lágrimas que começaram a cair pela face da amada e então completou – Mas se por acaso nem nos e nem eles possam crescer aqui, nem correr por essa areia, eu não ligo, porque tudo o que me interessa é que você e eles possam estar bem, felizes, no final isso é o que importa o bem estar das pessoas que amamos!
- Eu te amo tanto! – sussurrou ao sentir que braços protetores rodeassem o seu corpo.
Como resposta ele beijou o topo de sua cabeça. – Eu também te amo, e por te amar vou querer sempre o melhor para você.
....
Como se necessitasse de ar desesperadamente como nunca antes, ela emergiu, puxou o oxigênio com toda força e então deu um último mergulho para sair da água gelada e forte que havia lhe chamado de forma tão poderosa antes.
O frio a dominou, mas ela não se importou, de alguma forma ela havia encontrado a resposta, ela tinha tomado uma decisão, uma que acreditava ser a que Jasper apoiaria se pudesse estar ao seu lado por alguns segundos.
Um vento forte a envolveu, ela fechou os olhos e tentou a todo custo evitar que seus dentes batessem, não conseguindo nenhum resultado positivo, abraçou sua barriga um pouco avantajada de quatro meses, como se de alguma forma pudesse proteger seu filho.
Percebendo sua atitude sorriu, e se lembrou de uma das amigas de sua tia comentar uma vez que ser mãe é o mesmo que agir por instinto, deixando o coração guiar, porque aos poucos a experiência maternal seria construída.
Foi então que algo inesperado aconteceu, uma movimentação estranha em seu ventre a fez paralisar. Nunca antes isso havia acontecido! Seus olhos de repente se encheram de lágrimas e como se pudesse dizer “eu te amo” abraçou-se mais forte e permaneceu curtindo o seu momento de mais serenidade e amor dos últimos tempos com verdadeira adoração por alguns minutos.
Tentando não pensar muito nisso desviou seus pensamentos e se sentindo um pouco mais leve por ter tomado a decisão que acreditava ser a correta, começou a caminhar ao rumo de casa, lentamente, sem qualquer pressa, pois apesar do frio ser um incômodo para o seu corpo, a lua que brilhava no céu era reconfortante, pois lhe trazia a sensação boa de que Jasper estava lhe olhando de algum lugar lá do alto, protegendo-a assim como o seu filho.
- Isabella!
Um grito lhe despertou de certa forma.
Estava tão distraída com a bela lua cheia que se assustou ao perceber o que estava acontecendo. Sem ao menos perceber, seu corpo a levou para a casa dos Cullen’s, e ainda mais estranho era o fato de Edward está acordado e gritando o seu nome.
Paralisada no local esperou até que ele abriu a porta da frente e a encarasse.
- Ninguém lhe disse que uma moça caminhando sozinha à uma hora dessas é muitíssimo perigoso. – falou analisando-a – E que andar com roupas molhadas em um frio desse é prejudicial à saúde?
Ela nada disse, continuou olhando para ele um tanto assustada com a coincidência do momento.
- Desaprendeu a falar? – perguntou ele debochado. Isabella ia lhe responder algo afiado, entretanto ela não soube o que dizer e mesmo que soubesse ele não iria lhe dar oportunidade. – Venha, se ficar aqui fora por mais algum tempo será pior! – disse puxando-a pelo braço.
Não sabendo por que, ela se permitiu ser levada com certa facilidade, o que a estranhou. Assim que adentrou a pequena casa dos Cullen’s chegando á sala percebeu que o sofá estava servindo de cama improvisada, no resto tudo estava como sempre foi. Edward deixou-a sozinha por alguns segundos, voltou com uma enorme toalha nas mãos e uma muda de roupa de sua mãe.
- Vá, entre no banheiro, tome uma ducha rápida e troque de roupa, enquanto isso irei preparar algo quente para você beber!
Ele não permitiu que ela nem ao menos agradecesse, a colocou dentro do banheiro e fechou a porta seguindo até a cozinha e esquentando um pouco de leite. Enquanto observava o líquido branco começando a borbulhar um riso irônico formou em seus lábios, mesmo antes de conhecer Isabella, ele sabia exatamente o que iria encontrar ao olhá-la, definitivamente seu irmão era tão previsível que chegava a ser entediante. Um típico casal provinciano, como uma história previsível, se seu irmão não tivesse falecido. Mas algo dentro dele parecia latejar, era como se o inesperado estivesse disfarçado para pegá-lo de surpresas, e ao longo de sua curta vida, aprendeu que surpresas nunca lhe fora muito conveniente.
Entretanto Isabella não soube ao certo o que pensar, retirou a roupa molhada que estava grudada em seu corpo e pela primeira vez acariciou sua barriga nua, sorrindo ao vazio, ainda sensibilizada pelo ocorrido minutos antes. Encostou-se na parede fria do banheiro. “Vou te proteger meu bem, juro que vou” sussurrou. Uma lágrima silenciosa desceu por sua face e encontrou seu sorriso. Como resposta, balançou a cabeça como se pudesse afastar a dor por pelo menos alguns instantes e foi para debaixo do chuveiro. A água era morna, o que amenizou o frio que a envolvia. Deixou que as gotas escorressem pelo seu corpo, e quando começou a se sentir melhor, saiu do banho e arrumou-se o mais depressa que pode.
Quando escutou passos arrastados aproximando-se, ele encheu uma caneca com leite e virou-se para ela, olhando de forma dura, sem demonstrar qualquer emoção.
- Tome! – falou estendendo a caneca.
Ela hesitou por alguns segundos, porém acabou pegando a caneca. Estava com frio, tinha sido irresponsável, concluiu temendo uma gripe, ainda mais agora com um filho que dependia totalmente de sua saúde para estar bem. Assoprou algumas vezes para então tomar o primeiro gole do líquido branco. Apesar de não olhá-lo, ela sentia que tinha sua total atenção. – Obrigada – disse por fim.
- Só espero que não seja costume se arriscar assim todos os dias, esse tipo de aventura não pode fazer bem para o bebê. – comentou analisando o pequeno volume em seu abdômen.
Ela enrubesceu. – Não que eu lhe deva satisfações, mas espero que uma coisa fique bem clara, não sou o tipo de mulher que sai sozinha. O que aconteceu hoje foi uma exceção.
- Que seja, o fato é que foi imprudente. – foi sucinto.
Ela respirou fundo, talvez tenha se enganado afinal, talvez aceitar essa loucura não fosse a coisa certa a se fazer. – É sempre tão grosso e irritante?
- Faço o meu melhor! – retrucou cínico.
- Espera algum prêmio por isso?
Ele olhou firme em seus olhos, tomou um gole longo de leite. – Eu não espero, sempre consigo!
Ela sorriu debochada. – Como você é Jasper podem ser irmãos? Quanto mais eu lhe conheço, mais eu percebo o quanto vocês são diferentes.
Desviou o olhar – Acredite a resposta não é tão difícil de conseguir – respirou fundo e deixou a xícara que estava usando em cima da pia, ficando de costa para ela. – Basta somente pensar um pouco.
O silencio tomou conta do ambiente por alguns minutos. Era nítido o quanto ele se sentiu incomodado ao ser comparado ao irmão. Existia algo na relação deles, ela sempre desconfiou disso, mas naquele momento teve certeza absoluta de que o que quer que tenha acontecido entre os irmãos Cullen’s, tinha deixando a ambos machucados.
- Ele sempre foi e sempre será o amor da minha vida, agora ele não está aqui, mas me deixou um filho, alguém por quem lutar. – comentou com a voz embargada.
- E? – ele a questionou.
- Por mais que eu não consiga visualizar nem um pouco de felicidade no meu futuro, eu me consigo ver lutando por esse alguém...
- Uma das coisas que detesto são rodeios, diga de uma vez o que quer dizer. – cortou-a.
Ela mordeu os lábios, fechou os olhos. “Totalmente irritante” pensou. – Eu aceito sua proposta, me aceito casar com você. É claro que com algumas condições. – Ele nada disse, permaneceu calado, o que a deixou aborrecida. – Não vai dizer nada?
Virou-se e encarou-a, em seus lábios havia um sorriso vitorioso – O quer que eu diga? “Parabéns, tomou a decisão correta”, ou quem sabe algo mais lógico “Eu sabia que chegaríamos nesse momento, afinal que escolha melhor você teria?”
Com lágrimas nos olhos ela levantou-se, com passos rápidos deu as costas para ele e seguiu rumo à saída, entretanto, antes mesmo que tivesse chegado à rua ele a alcançou, pegando-a pelo braço fazendo-a encará-lo.
- Não seja infantil, você não tem mais opção para isso.
- Me solta.
- Você tem condições, estou disposto aceitá-la, mas eu também tenho as minhas e espero que as aceite.
- Mudei de idéia, não quero mais fazer acordo algum com um homem como você. – havia dor nos olhos grandes e castanhos que o afrontava.
Ele pareceu não escutá-la – Terá um quarto somente seu, jamais irei invadir sua privacidade da mesma forma que você não irá invadir a minha, não vou exigir que nos tornemos amigos, mas espero que saiba fingir o suficiente bem para as pessoas que importam que ao menos temos um casamento instável e respeitável, assim como eu o farei. Darei a essa criança tudo o que daria a um filho legitimo. Terá um lar, terá alguém que irá lhe proteger e quem sempre poderá contar para o seu bem estar, mas principalmente para o bem estar de seu filho, e somente por isso, lhe digo novamente, que escolha melhor você teria?
Ficou em silencio, ele estava certo, ela não teria uma escolha melhor, afinal, que vida ela teria condições de dar ao seu filho? Ela nem ao menos era casada, como poderia provar que estava esperando um filho de Jasper? E mesmo se conseguisse, para finalmente receber a pensão que seu filho teria direito, era bem provável que ela tivesse que enfrentar muitas dificuldades até lá, e nesse momento, ela nem ao menos tinha forçar para se desviar de uma pequenina pedra, que dirá escalar o Everest.
- Nenhuma. – disse enquanto suas lágrimas continuavam rolando por sua face.
Ele a largou e ficou tentado a abraçá-la, acalentá-la não poderia ser tão mal afinal, entretanto, seu lado predominantemente fechado acabou ganhando. – Acho melhor levá-la para casa, amanhã irei ao cartório da cidade e então organizarei tudo o mais rápido possível, até porque, não posso me demorar em Forks, preciso voltar ao trabalho.
Ela acenou positivamente e sendo acompanhada por ele, voltou para sua casa.
Da mesma forma que saiu entrou, sem que ninguém tivesse visto ou se dado conta de sua ausência, e por mais que tivesse tomado a decisão correta, sentia que um pedaço de sua ligação com Jasper havia se partido no momento exato em que disse sim a proposta de Edward, ou talvez fosse sua consciência que estivesse começando a aceitar o fato de que ele havia partido para sempre. Chorou por todo o restante da noite, mas assim que o dia adentrou sua janela, ela levantou-se, seguiu ao banheiro e olhou-se no espelho completamente decidida. Nunca mais iria chorar pedindo por ele, o deixaria descansar em paz, essa tinha sido a ultima noite, de agora em diante iria viver pela sorte que teve ao ganhar de seu grande amor o maior e melhor presente que ele poderia ter lhe dado. Seu filho!
Tomou banho e desceu para o café. Ninguém ainda tinha descido, ela era a primeira. Olhou em volta da pequena cozinha e começou a organizar a mesa, preparar o café e esquentar o leite. Fez os ovos com bacon que seu tio Ben adorava, o chá de hortelã que sua tia sempre tomava para fugir do frio e a velha e tradicional torrada com manteiga e geleira caseira de maça que sua prima Rose comia todas as manhãs. Ela bem que tentou comer um pouco enquanto preparava tudo, mas, ficou um pouco enjoada e desistiu de se alimentar pela manhã.
- Será que alguém acordou disposta?
Assim que ela olhou para a porta e deu de cara com sua tia Ângela e seu tio Ben na porta da cozinha, abriu um pequeno sorriso – Acordei cedo, não é trabalho nenhum ajudá-la.
Sua tia se aproximou e lhe deu um beijo na testa, enquanto seu tio olhou-a carrancudo e sentou-se na cabeceira, lugar que lhe pertencia. Serviu-se em silêncio e começou a comer enquanto sua esposa elogiava o chá tentando amenizar o ambiente. Rose não se demorou a descer, pareceu estar um pouco melhor ao ver que a prima tinha enfim saído do quarto. Hoje com toda a certeza iria dar aulas para seus pequenos, um pouco mais aliviada.
- Ontem de madrugada não estava conseguindo dormir, então decidir dar um voltar na cidade. – comentou fazendo a todos paralisaram – Encontrei com o Edward Cullen, e decidi por aceitar sua proposta, ele está vindo aqui essa manhã e juntos iremos marcar o casamento no cartório o mais rápido possível.
Seu tio em resposta largou o café e arrastando a cadeira de modo grosseiro se levantou. – Tente ao menos ir embora o mais rápido possível, do jeito que sua barriga está crescendo é o mais sensato fazer.
Ângela olhou para ele enojada, nem ao menos se despediu de seu marido naquela manhã, e assim que escutou a porta se batendo, olhou para sua adorada sobrinha e esticou as mãos para ela – Está certa disso?
- Sim, é o melhor para o meu filho, então é o melhor para mim. – disse segura.
Rosálie tentou conter as lágrimas, mas acabou permitindo que elas rolassem quando abraçou sua prima junto com sua mãe.
- Espero que saiba, estaremos sempre aqui, por você! – sussurrou Ângela, deixando que o seu amor fosse transbordado para sua menina.
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Os dias passaram rápidos, quando foram ao cartório há dez dias, jamais imaginou que logo chegaria o dia de sua união com o irmão de seu eterno amor. Entretanto, ela agora estava de frente para o espelho, usava um vestido envelope básico de um rosa claro de seda, seu cabelo estava com cachos bem definidos e havia uma rosa branca de tecido em sua cabeça, suas mãos estavam cobertas com luvas brancas e calçava um sapato baixo.
Era sua melhor roupa, já havia sido usada algumas vezes, mas isso não importava muito, não era mais pura, em seu ventre crescia uma vida, não possuía dinheiro e não estava se casando com quem desejava de fato. Qual a necessitada de um vestido branco, de qualquer modo?
Levou suas mãos até sua barriga, ela ainda não estava tão aparente com a roupa que escolhera, mas todos na cidade sabiam, era de conhecimento geral sua gravidez, seu tio não se importou em esconder a vergonha da família. “Prometo-te que logo, logo tudo isso vai acabar” sussurrou para o ser dentro dela.
- Deixe-me olhar para você!
Escutando o pedido de sua tia, ela se virou e a encarou. Ângela estava muito bonita, usava um vestido azul com detalhes em branco que lhe caiu muitíssimo bem, aproximou-se de sua sobrinha e com carinho lhe acariciou a face. – Está linda! – Isabella somente sorriu em resposta, ela não tinha nada mesmo a falar. – Seu tio pediu desculpas, mas ele não poderá ir, então eu lhe levarei ao altar. – disse com uma expressão culpada.
- Tia, por favor, não há necessidades de mentiras, sei bem o quanto o tio Ben não gosta de mim, sei o quanto ele está feliz por me ver longe.
Em resposta Ângela fechou os olhos por alguns segundos para voltar a encarar sua menina – Vamos esquecê-lo sim? Pessoas que não nós fazem bem, o melhor que podemos fazer é esquecê-las.
Isabella sorriu. – Eu amor você tia, vou sentir sua falta.
- Sempre que quiser pode vim me visitar, Edward me garantiu que não irá ter problemas com isso e juro que irei fazer o possível para ir vê-la.
Envolvidas pelo sentimento de amor que ambas sentiam uma pela outra, foi inevitável para elas não se envolverem em um terno abraço.
O casamento foi rápido, o juiz não enrolou e logo os declararam marido e mulher. Como não iriam ter lua de mel ou coisa parecida, assim que saíram do cartório seguiram para o carro, seria uma longa viagem para uma mulher grávida, mas nesse ponto Edward concordava com ela, ambos queriam sair de Forks o mais rápido possível. Com Esme e Carlisle acomodados no banco de trás, Edward dirigindo e Isabella ao seu lado, tiveram uma viagem silenciosa. Ela não levou grande coisa, somente duas malas foram o suficiente para acomodar tudo o que tinha de forma confortável.
Eles praticamente cruzaram o país, e como Carlisle precisava de atenção desdobrada devido a condição delicada em que se encontrava graças aos sucessivos derrames, demoraram dias para enfim chegar à capital Washington D.C.
Era final de tarde, como estavam no final de fevereiro o clima frio dominava a cidade. Isabella olhou através do vidro do carro a cidade nublada e prédios altos e assustou-se, era tudo tão diferente do que estava acostumada. Olhou de relance para Edward e admirou-se, ele passava pelas ruas com um conhecimento que a deixou boquiaberta. Voltou seu olhar para as ruas e tentou afastar essa nova onda de sentimentos que começara a surgir dentro dela sem qualquer aviso.
Aos pouco os grandes prédios foram deixados para trás, e logo chegaram ao bairro de Capitol Hill, onde iriam viver. Edward parou seu carro em frente a uma casa pintada de branco com persianas verdes, a frente possuía um enorme espaço que ela pensou que seria um jardim, na primavera deveria ficar lindo.
Olhando para a entrada da casa viu uma jovem magra, com traços finos e cabelo loiro preso em um coque. Usava uma saia abaixo do joelho e um blazer que estava totalmente fechado. Abraçava uma pasta e em seu braço direito tinha uma bolsa. Edward saiu de seu carro e foi até a jovem, não esboçaram sorrisos, pareciam sérios ao conversarem.
- Acredito que essa deve ser Tanya Denali, secretaria do meu menino, eles andaram se comunicando pelo tempo em que Edward estava conosco em Forks. – comentou Esme ao perceber que Isabella mantinha seu olhar preso nos dois.
Ela permaneceu calada, entretanto o comentário de Esme serviu para que ao menos ela se retirasse do automóvel e ajudasse seus sogros. – Oh meu amor, não precisa. Em resposta ela somente sorriu, mas continuou ajudando-os.
- Deixe, eu mesmo levo meu pai para dentro – disse Edward assustando-a, afinal ela nem ao menos tinha percebido que ele havia se aproximado. – Tanya, ajude minha mãe e Isabella a se acomodarem, deixem as malas por minha conta.
Tomou seu pai pelos braços, e sumiu adentrando a casa.
- Prazer, Tanya Denali. – disse a jovem esticando as mãos para Isabella, que aceitou o cumprimento com certa timidez. – Venham comigo!
Isabella e Esme entraram na casa, a sala estava mobilhada com um jogo de sofá marrom de couro e uma mesa ao centro.
- Sabe onde posso encontra o meu marido? – perguntou Esme, tudo ficava em segundo plano quando se tratava de Carlisle.
- Oh sim, siga o corredor, passe pela cozinha, o quarto de vocês fica a direita. – respondeu a aparente eficiente secretaria.
- Obrigada. – Esme agradeceu se dirigindo ao seu cômodo.
Isabella olhou sua sogra se afastando e encarou a jovem, não sabia ao certo o que dizer, tinha medo que falasse algo que pudesse prejudicar seu agora marido, até porque manter as aparências fazia parte do acordo. Se a jovem loira achou estranho seu pequena barriga avantajada, nada disse e nem demonstrou em sua expressão.
- O Sr. Cullen não disse que havia se casado até alguns dias, fiz o meu melhor, comprei a casa e mobilhei-a como achei que ele gostaria, afinal, não a conhecia, mas tenha certeza que se não gostar de algo ele irá fazer o que estiver ao alcance para lhe agradar.
Isabella sorriu – Não se preocupe com isso, tenho certeza que eu não faria melhor.
- Nos armários e na geladeira encontrará de tudo. No fogão tem uma sopa de legumes que o Sr. Cullen gosta, eu mesma fiz, como a viagem é cansativa acredito que irá lhe facilitar por hoje.
- Obrigada.
- Tanya, pode ir agora, amanhã logo cedo estarei no escritório, acredito que tenho muitos documentos para analisar. Quero o novo relatório do caso Stanley em minha mesa assim que chegar – Mais uma vez ele pegou-a de surpresa. O que tinha esse homem que se movia como um fantasma?
- Não se preocupe, cuidei de tudo como me pediu. Foi um prazer conhecê-la Sra. Cullen – olhou para Edward e o cumprimentou com um aceno de cabeça. Como um cavalheiro ele a conduziu até a porta principal, e assim que ela se afastou voltou-se para Isabella. – Creio que queira se refrescar e descansar antes do jantar – com ajuda das mãos deu a direção que ela teria que seguir – Suba as escadas, vire a esquerda o seu quarto é o primeiro, em alguns minutos estarei levando sua bagagem.
Ela acenou positivamente enquanto mordia seus lábios. Assim que ele saiu da sala, e se viu seguindo ao seu novo quarto, rindo tristemente, afinal, era ridículo esta casada e a secretaria de seu marido saber mais dele do que ela mesma. Isso por si só, já lhe mostrava a merda que seria estar unida a Edward Cullen.
Mas de que isso importa?
Essa união só tinha um objetivo, salvar a honra da criança que esperava e dar a esse pequeno Cullen que estava sendo gerado dentro dela, todo o conforto e a amor do mundo, ela e Edward não eram de fato casados e jamais seriam mais que dois estranhos um para o outro.
Assim que chegou ao aposento destinado a si, abriu a boca diante da beleza. Nunca esteve em um quarto tão lindo. Olhou em volta, era tudo tão claro e arejado, havia uma enorme janela que deixava os raios do sol e o ar adentrarem o ambiente, claro que isso só acontecia quando a cortina bege não estivesse cobrindo a linda abertura. Olhou para a cama de casal, o enorme guarda-roupa e a penteadeira de madeira. Tudo era tão fino e elegante, nem com uma vida de trabalho dela e de Jasper poderiam comprar todas essas coisas, mas com toda a certeza ele poderia muito bem construir objetos tão lindos como os que ela estava vendo.
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Era um daqueles dias milagrosos em Forks, os raios do sol passavam por entre as nuvens conquistando cada pedaço da cidade, como se disse “Posso brilhar, afinal, apareço tão pouco”. Ao som dos pássaros, Isabella estava sentada no banco da praça junto com Rosálie, sua prima estava à espera de Emmett, um jovem carpinteiro, que de acordo com os seus delírios não iria demorar muito para que ambos começassem a namorar.
- Não entendo, já era para ele ter saído do trabalho. – comentou um pouco nervosa.
- Rose, tem certeza?
- Claro que sim, me certifiquei com Dóris.
Dóris era filha do distinto casal George e Elisabeth Taylor, os donos da carpintaria da cidade. O Sr. Taylor era muito conhecido pelo seu bom gosto em criar os moveis, e pela forma de pagamento facilitada. Já sua senhora, era conhecida pela expressão fechada que amedrontava a todos na cidade, talvez por isso nunca deixassem os pagamentos atrasados, temiam que Elisabeth aparecesse em sua porta para a cobrança, algo que certamente, ela não se importaria de fazer.
- Não sei por que confia tanto em Dóris, pelo que sei ela não gosta de se misturar com pessoas sem recursos.
- São boatos, ela foi muito agradável comigo mais cedo.
Isabella revirou os olhos – Se você diz.
As horas passaram e o jovem robusto e encantador que Rosálie tanto esperava não apareceu o que a deixou triste. Foi duro para ela ver as lágrimas nos olhos de sua prima. Assim que ela disse que voltaria para casa, Isabella se dirigiu a carpintaria. O local onde os três ajudantes do senhor Taylor trabalhavam estava aberto, podia escutar o rádio ligado e a barulho de madeira sendo cortada denunciando que o local possuía algo trabalhando.
Timidamente ela adentrou o ambiente, havia somente dois rapazes, ela já os tinha visto antes, mas de nome só conhecia Emmett de tanto sua prima fazer comentários sobre ele. Isabella foi morar com seus tios ainda nova, e por mais que Forks fosse uma pequena cidade, a criação rígida de Ben, não permitia que nem ela e Rose ficassem saltitando sua beleza pelas ruas, por isso, mal conhecia seus vizinhos, imagine o restante dos moradores.
Olhou um jovem negro, magro que a encarava curioso, em seguida viu mais ao fundo, de perfil, um homem loiro que nem se dignou a olhá-la, estava tão concentrado lixando a madeira que nem tinha visto ela chegar.
- Em que podemos ajudá-la senhorita? – perguntou o jovem negro que a olhava curioso e com certo divertimento brincando em seus olhos.
Ela chegou a abrir a boca para dizer alguma coisa, mas sua voz não saiu, o jovem rapaz mais afastado percebendo que havia chegado alguém dirigiu seus olhos para ela pela primeira vez, aqueles lindos olhos azuis.
- Se desejar ajuda para falar é só me dizer, tenho técnicas interessantes. – comentou o jovem moreno se aproximando dela – Se me esperar sair do trabalho, podemos nós ver mais tarde.
Sentindo-se envergonhada e raivosa, deu uma bofetada na face dele e saiu correndo, com lágrimas começando a descer por sua face. Onde ela estava com a cabeça? Nunca deveria ter ido ao um local de trabalho masculino sozinha. Foi quando uma mão forte a segurou pelo braço a fazendo parar.
- Deixe-me, por favor! – pediu chorosa.
Ele não disse palavra nenhuma, somente levou um lenço limpo em suas mãos sujas em direção a face de Isabella e limpou as lágrimas que desciam por sua bochecha. – Confie em mim, jamais irei lhe fazer mal algum.
De fato ele não fizera, e se não fosse por ele, talvez Emmett e Rose jamais teriam ficado juntos, uma vez que seu amigo era tímido demais para tomar qualquer atitude que pudesse fazer com que sua prima notasse o seu interesse.
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- Espero que esteja de seu agrado.
Ela sorriu – É tudo muito bonito, Tanya tem um gosto muito bom.
- De fato, não nega ser de família de “sangue azul”. – Isabella o olhou com as sobrancelhas levantadas – Com a crise de 29 a família Denali acabou perdendo tudo o que tinha, até hoje não conseguiram recuperar o prestígio que possuíam, restou a Tanya somente memórias de sua mãe, ir à luta e trabalhar.
- Imagino o quanto deve ter sido difícil para ela. – comentou.
- Nem tanto, ela é uma mulher de fibra.
Ele comentou de um jeito que acabou despertando uma súbita curiosidade em Isabella, mas ela calou-se, afinal nada tinha haver com a vida de seu marido, isso fazia parte do acordo. – De fato, deu pra perceber o quanto ela é uma pessoa admirável.
O silencio preencheu o ambiente por mais algum tempo. – Suas coisas. Delicadamente ele colocou suas malas ao lado da enorme cama.
- Obrigada.
- Pedi que Tanya montasse um quarto do hospede do outro lado do corredor, lá será o meu quarto e o cômodo a frente do seu ainda não está montado, preferi não comentar o seu estado... E achei que você mesma gostaria de montar o quarto... Do bebê.
Ela percebeu que ele hesitou ao falar do bebê que estava esperando, mas deixou isso guardado dentro dela, ele não tinha obrigação alguma de se sentir a vontade com a criança, era um direito dele. – Obrigada mais uma vez.
- Não tem que agradecer, me propôs a faze isso e sou um homem de palavra.
- Que seja, mas isso não deixa de ser uma atitude louvável, você poderia desistir a qualquer momento, ninguém iria recriminá-lo por isso.
- Eu iria, você era alguém especial para Jasper, isso já é um grande motivo de me fazer manter minha palavra.
Ela sorriu triste – Engraçado, você falando assim até da para acreditar que você e Jazz tinham uma relação amigável.
- E quem disse que não tínhamos? – retrucou.
- Talvez o fato de você ter condições de ajudar a ele e seus pais por todo esse tempo e não ter feito nada, ou quem sabe, a recusa de tanto você como Jasper em falar um do outro. – comentou desafiadora.
- Ele não falava de mim? – sorriu – Sabe minha doce esposa, às vezes não falar de alguém não seja sinônimo de raiva ou repulsa, talvez, evitamos falar de alguém que amamos, porque a lembrança e a saudade podem machucar. – passou as mãos pelo cabelo – Vou buscar minhas coisas que ainda estão na sala e vou descansar um pouco. – suspirou – Nos vemos mais tarde no jantar?
- Sim. – respondeu constrangida, ela estava se sentindo culpada. De fato a saudade e a lembrança machucam, por isso ela não falava dos pais e agora evitava falar sobre Jasper.
- Até mais. – disse e saiu do quarto fechando a porta.
Será que ela conseguiria viver no mesmo teto em que Edward em paz?
Passou as mãos pela face, respirou fundo e adentrou ao banheiro que possuía em seu quarto. Parecia louco ter uma suíte, não esperava por isso. Cansada e se sentindo suja retirou suas roupas tomou um banho rápido mais delicioso, para em seguida, envolvida em um robe de algodão puído de sua mãe deitar-se em sua cama, caindo em um sono calmo e reconfortante.
Não soube ao certo por quanto tempo dormiu, mas assustou-se quando raios de sol bateram em sua face. Assustada abriu os olhos de uma vez, olhou para o relógio e quase teve um ataque, já passavam das sete da manhã. Levou as mãos até seu rosto e suspirou frustrada, havia perdido o jantar. Pensar em comida fez seu estomago roncar. Estava faminta. Sem ter como voltar atrás, levantou-se, foi então que percebeu que algo estava muitíssimo errado, ela se lembrava muito bem de ter se deitado cansada com seu robe velho, mas não se lembrava de ter se coberto com nenhum lençol, imagina cobertor.
Ficou alguns segundos pensativa, tentando ver se encontrava alguma explicação ao fato inexplicável que lhe aconteceu. Ao perceber que não encontraria qualquer resposta, desistiu, afinal seu estomago estava gritando por atenção. Com rapidez fez sua higiene matinal e com certo receio, desceu os degraus com uma delicadeza apressada.
Não demorou muito para chegar á cozinha. Esme estava próximo ao fogão, pelo cheiro delicioso estava preparando café preto. Edward estava sentado, os pratos a sua frente estavam “limpos” com exceção do copo de suco que estava pela metade que ele segurava enquanto lia algo no jornal a sua frente.
- Bom dia! – disse timidamente.
Esme virou e sorriu – Bom dia meu anjo! – Edward abaixou um pouco da folha do jornal e a olhou, não disse nada, somente cumprimentou-a com um gesto simples de cabeça. – Sente-se meu bem, a mesa esta posta. – Disse ela colocando o café em uma caneca. – Vou levar o desejum de Carlisle, ele deve estar quase tendo um ataque, seu horário de se alimentar está em cima da hora.
- Posso ajudá-la se quiser. – disse docemente.
- Irá me ajudar se alimentar-se direito. – disse com uma enorme bandeja nas mãos, enquanto se preparava para levá-la ao quarto que dividia com o marido – E é claro fazendo companhia ao meu filho, já que estarei cuidando de Carlisle.
Ela engoliu em seco. Sentou-se e sem fazer qualquer barulho começou a se servir. – Pedi que Tanya mandasse algumas moças para você escolher. – disse jogando o jornal dobrado no canto da mesa e a olhando de forma intensa.
- E porque eu haveria de escolher uma moça?
- Ora, para que seria? Para fazer o serviço da casa. – disse como se fosse algo obvio que só ela não tenha enxergado.
- Não precisa, eu posso cuidar da casa, sempre ajudei meus pais e minha tia.
- Não me casei com você para que passasse a ser secretaria do lar.
- Como já disse, estou acostumada a esse tipo de trabalho. – insistiu.
Como resposta ele se levantou, fazendo-a acreditar que o assunto estava encerrado quando ele pegou seu terno e começou a se vestir. – Daqui a alguns meses, estará com uma melancia no lugar da barriga saliente que tem agora, e logo estará com um bebê nos braços que irá requer sua atenção constantemente, por isso, escolha uma moça para lhe ajudar, e descanse enquanto pode.
Saiu da cozinha sem dizer mais nada. Em resposta ela fechou os olhos e respirou fundo, em outros tempos sua fome teria passado, mas não demorou muito para que seu estômago chamasse sua atenção, fazendo-a devorar os quitutes que encontrou ao seu alcance.
- Dá uma fome não é mesmo? – disse Esme sentando-se próxima a ela.
- Sim. – sorriu tímida – Nunca tive tanta fome como agora.
- Ah... Meus meninos me fizeram comer como louca, Jasper principalmente. – seus olhos estavam longe, era como se ela estivesse vendo-os.
- Você os ama muito. – comentou Isabella sem querer seus pensamentos.
Esme sorriu – É um amor inexplicável, você entenderá quando sentir essa criaturinha se mexendo dentro de você pela primeira vez ou então quando olhar nos olhinhos de seu filho e carregá-lo nos braços.
Isabella abaixou a cabeça, talvez fosse errado fazer essa pergunta, mas ela tinha que começar a entender um pouco a família que agora fazia parte. – Como eles podem ser tão diferentes?
- Nem tanto, os dois têm suas particularidades, mas ambos têm o amor enraizado dentro deles. – ela viu os olhos de sua sogra brilhar pelas lágrimas – Jasper sempre foi mais emotivo, mas Edward apesar da pose que agora ele possui, sempre foi o mais cuidadoso e amoroso, sempre preocupado com todos... – Isabella levantou as sobrancelhas, escutar isso de Esme parecia estranho e irreal – Até mesmo com você. Ontem ele ficou preocupado porque não tinha descido, então foi vê-la em seu quarto, pensou em acordá-la, mas acabou deixando que descansasse.
Nesse momento, lembrou-se que estranhou o fato de ter um cobertor lhe envolvendo. Será que ele tinha colocado para que ela não sentisse frio?
- Meu bem, estão batendo. – ela nem ao menos teve a chance de pensar sobre o assunto, Esme a trouxe para a realidade rápido demais.
Como resposta sorriu desculpando-se. Levantou curiosa foi ver quem havia chegado.
- Pois não.
- Sou Andy, estou aqui para falar sobre o emprego.
Isabella contou até dez em sua cabeça, forçou um sorriso e com educação pediu que a jovem entrasse, seria um dia muitíssimo tedioso.
FIM DO CAPITULO
Notas finais
espero que gostem e continuem comentando....
bjocas
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