Vida Roubada

3 Capítulo 3


Karen sorriu. – De verdade, eu adoraria ter alguém que se preocupasse dessa maneira comigo, juro não iria reclamar do fato dele me sustentar, sustentar ao meu filho e ainda pagar alguém para cuidar dos serviços domésticos. Acho que esse sempre é o sonho que qualquer garota de recursos limitados deseja alcança. Talvez por saber o quão difícil seja ter esse sonho realizado, para algumas até impossível.


– Isabella sempre fora uma romântica sonhadora, jóias, casas e carros nada disso lhe atraia com fervor, tudo o que ela queria era viver um grande amor, e em sua cabeça, ela já havia vivido sua cota de amor na vida, então não esperava que nada mais surpreendente lhe acontecesse. – comentou como o olhar distante.


– Imagino... Pelo o que me contou dela até agora, me pareceu ser uma mulher incrível, completamente diferente da maioria. Bem diferente de mim, devo confessar. – comentou em tom de brincadeira.


– E era... – olhou para ela – Mas você também tem seus encantos.


Ela o olhou de perfil, percebeu algo diferente em suas feições. – Você a conheceu? Perguntou, entretanto foi tida como se fosse uma afirmação.


Ele sorriu. Mas não teve a chance de responder, um raio rasgando o céu de forma estrondosa o fez reparar em com as nuvens estavam carregadas. – Adoro ficar no jardim, é uma pena que a chuva tenha resolvido aparecer, se fossem outros tempos, teria ficado e deixando que os pingos viessem de encontro ao meu corpo. Ser um velho, nos retirar alguns privilégios que na juventude ignoramos.


– Eu gosto mais quando estou em casa, protegida e bem envolvida com cobertores.


– É bom também... – sorriu divertido, com os olhos brincando, antecipando as segundas intenções contidas no comentário que iria fazer – Principalmente quando estamos acompanhados.


Karen bem que tentou ficar séria, mas, não conseguiu grande coisa.


– Venha meu galanteador favorito, vou levá-lo para o quarto, dar seu remédio de pressão e ver se o seu lanche da manhã está pronto.


Ele não disse nada, fez tudo o que ela lhe pediu, e quando por fim terminou seu suco viu que ela o olhava de forma divertida.


– Então, o que aconteceu? Ela escolheu uma empregada e os dois ficaram sem se falar por quantos dias?


Ele sorriu.


– Kate Anderson, a segunda moça das 10 que Tanya enviou para Isabella escolher. Era jovem, educada e muito tranqüila, sem falar que sabia fazer o trabalho como ninguém, tinha mãos de fada na cozinha e uma precisão ao limpar cada canto da casa que deixou o patrão impressionado. De uma forma inexplicável, ela e Isabella tiveram uma conexão, uma amizade que nasceu sem qualquer incentivo forçado, somente sorrisos cúmplices de início e confidências mais tarde.


Karen sorriu. – Sei como é. Antigamente senhoras da sociedade costumavam ter essa sorte, encontrar alguém para a vida toda. E a relação dela com o marido?


– Eles se falavam somente o necessário, até porque, ele era muitíssimo ocupado, vivia no escritório, estava resolvendo um caso complicado em que uma vitória significava 30% de sociedade na Volturi Advocacia.



–--



Isabella estava junto com Sarah na cozinha, as duas estavam guardando a louça do café. Os dois últimos dias foram mais fáceis, afinal, já fazia um mês que havia se casado com Edward, o que permitiu a ela poder falar de sua gravidez mais livremente.


– A senhora está tão empolgada, nem acredito que irei junto para poder comprarmos as primeiras coisas do bebê.


Sarah animou-se com a idéia de uma criança correndo pela casa, ficou imaginando como esse bebê seria, afinal, tanto Isabella quanto Edward tinham traços perfeitos. Entretanto ainda não entendia porque eles demoraram tanto para começarem os preparativos para a chegada do rebento – Vou adorar ter sua companhia.


– O senhor Edward tem preferência pelo sexo da criança?


Isabella abaixou a cabeça, para ela era tão difícil calar-se sobre a realidade da criança que estava esperando, queria gritar ao mundo que a criança que esperava era filho do homem mais incrível que ela já conheceu, não do irritante e arrogante de seu marido.


– Ele não disse nada sobre o assunto... – comentou querendo se esquivar do tema em pauta.


– Espero um dia encontrar alguém assim em minha vida... Sabe, ter alguém que me olha como ele olha a senhora.


Isabella sorriu envergonhada – Ora Sarah, Edward me olha como a tudo mundo.


– Não mesmo, tem algo brilhando no olhar dele quando está dirigido a senhora, uma admiração... Não sei bem o que é... Mas é lindo.


– Deixe de delírios Sarah, e vamos logo, não quero chegar muito tarde. Não gosto da idéia de ter Carlisle e Esme sozinhos.


Sarah não disse mais nada, terminou de arrumar as coisas e junto de sua senhora seguiram ao centro da cidade. Edward deixou uma grande quantia para que sua mulher pudesse comprar como assim desejasse. Sem falar no fato que ele praticamente exigiu que ela começasse a fazer as compras. Até porque, ela já havia passado da metade do período gestacional, estava agora com cinco meses.


Eram tantas as lojas, tantas roupinhas delicadas, de tecidos finos e bordados perfeitos que fora muitíssimo difícil escolher somente algumas peças.


– Seria mais fácil se soubéssemos o sexo.


– É um menino. E tenho certeza que será tão incrível como o pai! – afirmou Isabella.


Sarah sorriu boba. – Seus olhos brilharam agora quando se referiu ao senhor Cullen.


Sem graça, sorriu diante da vendedora e de sua amiga. – Vou levar o azul, algo me diz que terá olhos claros como o pai.


As compras tomaram um longo tempo, as duas vagaram por mais algumas lojas e quando estavam com os braços cheios de sacolas, foi que Sarah percebeu o quão tarde estava, e de tanto insistir, acabou fazendo com que Isabella parasse no próximo restaurante.


– Nossa, que lugar lindo. – murmurou Sarah.


Era claro com detalhes em dourado, o carpete bege parecia ser feito de pluma de tão macio e os cristais que enfeitavam o local era ainda mais encantador. – Em que posso ajudá-las. – um homem vestido com smoking fez as honras da casa.


– Queríamos almoçar. – respondeu Isabella.


– Oh, sinto muitíssimo senhora, mas estamos lotados.


As duas se entreolharam. – Ela está grávida, necessita muito comer alguma coisa. – disse Sarah em uma tentativa de conseguir alguma vaga.


– Adoraria poder ajudá-las, mas lamento, realmente não temos vaga. – penalizado pelo senhora grávida ele sugeriu uma outra alternativa – Na próxima rua tem um restaurante, não é tão fino como este, mas a comida é boa.


– Obrigada. – disseram juntas.


Quando estavam de costa, se preparando para sair algo inesperado aconteceu. Ela acaba por esbarrar em seu marido. – Isabella! – disse assustado. – O que está fazendo aqui?


Demorou alguns segundos para que ela pudesse responder, mas por sorte sua voz conseguiu sair perfeita, sem demonstrar o seu espanto em vê-lo. – Vim às compras, lembra? Para o bebê. Então Sarah achou mais apropriado almoçarmos logo, ao invés de ainda irmos para casa, ela teme pela minha alimentação, mas está lotado.


– Não me diga que finalmente irei conhecer a senhora Cullen?


Isabella olhou para o homem careca, com feições enrugadas, baixo e com barriga avantajada, com olhar questionador. Quem seria ele, ela não fazia a menor idéia.


– Desculpem-me. – disse Edward – Isabella, este é Aro Volturi, a partir de hoje meu sócio e este é John Stanley, dono do restaurante. – John era magro, alto de cabelos grisalhos, com uma aparência de uns cinqüenta anos. Edward olhou para os dois e finalmente a apresentou – Está é Isabella, minha esposa.


– Dono do restaurante e um homem mais feliz devido ao seu marido minha jovem. Edward Cullen salvou minha fortuna de ser retalhada. – gargalhou – E como contribuição, não posso deixar sua jovem senhora grávida andando pelas ruas da cidade em busca de um restaurante. É convidada a sentar-se conosco.


– Adorei, será uma honra ter uma companhia feminina tão bela. – comentou Aro.


Isabella olhou para Edward, ele somente sorriu. – Venha, almoce conosco. – pediu.


– Mas é Sarah? – perguntou para os três.


– Quem é Sarah? – perguntou Aro se esforçando para olhar à jovem logo atrás da senhora Cullen.


– É nossa empregada. – respondeu Edward.


– Oh, não vejo problema nisso. – disse John. – Paul, chamou o jovem que antes havia atendido-as. – Pegue as sacolas das senhoras e acompanhe a senhorita... – Disse apontado o dedo para Sarah – Ao local reservados aos empregados e lhe ofereça o cardápio para ela escolher o que desejar.


Isabella olhou nervosa para sua amiga, não gostaria de se afastar dela, porém Sarah deu-lhe um tapa carinhoso em seu braço tranqüilizando-a. Assim que ela se afastou, Edward lhe serviu seu braço, para que Isabella entrelaçasse o dela, tinham que manter as aparências, ainda mais diante de pessoas como Aro e John.


Foram acomodados no local mais arejado e privilegiado do local, Edward fez seu papel muito bem, escolheu o almoço de sua esposa com eximia perfeição, parecia ter nascido em berço de ouro, se portando a mesa como um verdadeiro cavalheiro.


– Agora entendo porque Edward a escondeu. – comentou Aro.


– Ora Aro! Não escondi minha esposa, somente não havia necessidade de levá-la ao escritório.


– Até ter voltado de Forks, jamais havia comentado nada sobre Isabella, e quando voltou com aliança no dedo somente acreditamos que estava realmente casado porque Tanya a viu e comentou de sua beleza e da barriginha saliente que começava a dar sinal. Isabella enrubesceu. Mas agora vejo que sua secretaria mentiu, sua esposa é muito mais bonita do que ela deixou a entender.


– Espero que a criança nasça parecida com a mãe, se for ao contrário, não será um homem de tanta sorte meu caro – Disse John sorrindo.


– Assim também espero. – comentou Edward olhando para Isabella, deixando-a ainda mais constrangida, mostrando que seria um almoço um tanto quanto interessante.


Ela perdeu as contas por quantas vezes ficou corada e sem palavras, mas também se surpreendeu com as coisas que descobriu a respeito de seu marido. Sempre achou que ele deveria ser muitíssimo bom naquilo que fazia, mas descobrir que ele era ótimo e indispensável a deixou boquiaberta.


Ao final do almoço, seu marido insistiu para que ela o esperasse, mas acabou somente a deixando em um ponto de taxi. Já havia sido exposta demais, e tudo o que não queria era voltar a ser o centro das atenções no local de trabalho de Edward.


Assim que chegou, nem ao menos tomou um gole d’água, chamou sua sogra para seu quarto e enquanto esperava por ela, espalhou tudo o que havia comprando em cima da cama, cada roupinha, cada manta e chapéu.


Entusiasmada, mostrava tudo a Esme que chorava ao ver a primeira prova que seu neto estava a caminho. – Nem acredito que logo teremos uma criança correndo entre nós. – comentou.


– Espero que ele seja parecido com Jazz.


A matriarca da família fechou os olhos, e quando os abriu uma lágrima desceu por sua face. – Ele ficaria muito feliz em ser pai.


– Eu sei...


– Você acredita ser um menino? – perguntou.


– Não sei por que, mas eu não consigo pensar nele como ela, sabe? Quando fecho os olhos eu sempre vejo um menino... Talvez seja saudade do Jazz, mas é o que sinto.


– Eu nunca acertei, sempre achei que esperava uma menina, acho que porque eu queria ter tanto meninos que tinha medo de ter esperanças.


As duas sorriram juntas.


– Não tenho preferências, o que vier me fará muitíssimo feliz.


– Tenho certeza que a todos nós – Esme se esticou e segurou as mãos de sua nora e lhe sorriu em meio às lágrimas – Tenho que descer, Carlisle deve está sentindo minha falta.


Com um rubor na face e uma rápida mordida nos lábios tomou coragem e fez uma pergunta que a muito gostaria de saber. – Esme, como você sabe? Por que... Bem ele não fala mais e nem se mexe muito, e todas as vezes que você fala dele parece que... É como se ele estivesse gritando por sua presença. – disse um pouco constrangida.


Em reposta fechou os olhos por alguns segundos, respirou fundo. – Ele é o amor da minha vida... Ele pode não ser perfeito do mesmo modo que não sou, e até ter cometido atitudes que eu reprovo da mesma forma que eu já cometi, mas eu o amo, e sei que ele me ama também, apesar de tudo pelo que passamos... E quando se ama e é amado só queremos uma coisa... Ficar junto, no final, só isso realmente importa.


Isabella abaixou a cabeça. – Entendo – murmurou.


– Não meu anjo, pode acreditar em mim, você não entende.


Isabella olhou para sua sogra curiosa e indignada, como assim ela não entende? Tudo o que mais queria na vida era poder estar perto de Jasper, é claro que ela entende da dor da distancia, de querer ficar ao lado da pessoa amada. Mas não pode dizer absolutamente nada, Esme lhe deu as costas e sumiu antes mesmo que ela pudesse dizer alguma coisa.


Suspirou.


O que afinal ela quis dizer?


A pergunta martelou em sua cabeça por vários minutos, até que ela cansada se deitou com cuidado para não amassar as roupas e fechou os olhos, suas pernas estavam latejando, andou muito. E sem nem ao menos planejar, acabou dormindo.



–--



Estava linda!


O vestido branco lhe cobria perfeitamente. Não era de um corte caro nem de nenhuma das lojas mais famosas do mundo, ele havia sido feito pela sua tia, mas mesmo assim, ela não podia imaginar noiva mais linda e mais feliz.


– O Cullen vai ficar louco! – comentou uma das amigas de sua tia eufórica.


Ela não conseguiu dizer nada, estava hipnotizada pela sua imagem que o espelho refletia. Viu pelo canto dos olhos uma a uma das pessoas que lhe rodeavam saindo da sala e deixando-a sozinha, afinal, a noiva estava tão encantada com o momento que um tempo só não faria mal algum, pelo contrário.


Olhou atentamente para o seu penteado. Nenhum fio estava fora do lugar devido à quantidade considerável de laquê, seu cabelo partido de lado fora preso em um coque elegante que era escondido pelo lindo e comprido véu que descia pela suas costas que estava sendo preso através do pequeno chapéu branco que enfeitava sua cabeça. Seus lábios estavam rosados sutilmente. Em sua delicada face somente um pouco de pó cobria suas imperfeições que não eram muitas, em seus olhos um pouco de rímel alongava seus cílios e um delineador negro assim como uma linda sombra bronze sob suas pálpebras deixavam seus pequenos olhos maiores na medida certa. Delicadamente, passou as mãos pelo tecido que lhe envolvia, era tão macio... Fechou os olhos e se deixou apreciar o momento do melhor modo que poderia. – Nem acredito que esse momento chegou! – assustada, olhou na direção da voz e não pode acreditar em quem estava a sua frente.


– Pai! – murmurou.


Era ele, Charlie. Estava lindo, com um terno bem passado e os cabelos penteados ao lado. Em seus olhos havia um brilho de fascinação que a deixou com um nó na garganta. Ela tinha tanta saudade, fazia tanto tempo que não via seu pai que sentiu como se seu coração fosse explodir. Caminhando lentamente ele se aproximou de sua menina e a envolveu em um abraço terno e carinhoso, com todo o cuidado para não amassá-la.


Embora ela quisesse apertá-lo em uma tentativa louca de compensar a falta que ele fez em sua vida, seus braços pareciam não ter força para tal ato de amor. – Você será muito feliz meu anjo, o homem que escolheu para ser seu marido é um bom homem.


Ela sorriu. Sempre soube que seu pai aprovaria sua escolha.


– Vamos, estão todos a sua espera na igreja.


Sentiu-se um pouco nervosa, entretanto seu pai lhe segurou firme nas mãos e a guiou até o carro. Como em Forks tudo era muito perto, acabou que em cinco minutos já haviam chegado ao seu destino, a igreja da cidade. Ela fechou os olhos, sentiu um beijo carinhoso sem sua bochecha antes de seu pai colocar o véu a frente de sua face para então conduzi-la para fora do carro.


Juntos se posicionariam na entrada da igreja, ouviu o sino dando o sinal, os portões se abrirem, a tão famosa macha nupcial anunciando que logo estaria desfilando pela passarela da igreja, para então Ave Maria de Schubert, musica que anunciaria sua entrada ser tocado e cantada pela voz mais amada de Forks, a voz de sua linda prima, Rosálie. Sempre sonhou com esse momento, sua mãe havia lhe falado que a única coisa que sentiu falta em seu casamento foi escutar essa linda melodia na hora de sua entrada.


Agarrou-se mais firmemente em seu pai e começou a tradicional caminhada pela igreja lotada de encontro ao seu noivo. Sentiu que lágrimas desciam por sua face até chegar ao seu sorriso, era o símbolo de sua felicidade, uma doce resposta para o tão gracioso momento que estava vivendo. Delicadamente olhou para os lados e então viu varias pessoas conhecidas, amigos e conhecidos, todos estavam ali para vê-la se unir ao homem que Deus enviou para lhe completar.


Quando se aproximou do altar ela teve uma imagem que havia dominado seus olhos de criança. Sua mãe estava na primeira fileira, agora ela podia vê-la, podia deslumbrar o sorriso e lágrimas da mulher que sempre lhe deu todo o amor do mundo. Olhou assustada para o seu pai, querendo uma resposta.


– Jamais iríamos perder um momento como esse.


Emocionada ela olhou para sua mãe novamente, que por sua vez lhe mandou um beijo, que por alguma explicação ilógica, ela o sentiu em sua face, como se ela estivesse encostado os lábios em sua bochecha. Respirou fundo e então se voltou para o altar, para finalmente vê-lo.


Devido às lágrimas ela não conseguiu vê-lo perfeitamente, seus traços estavam escondidos, mas assim que seu pai lhe entregou para ele, assim que ele pegou-a pela mão um calor gostoso dominou seu corpo, e a fez ter a certeza que havia feito a escolha certa, estava se casando com a pessoa mais especial do mundo, o homem que ela lutaria para fazer feliz.


A emoção havia lhe dominado de tal modo que mal conseguia escutar o que o padre lhe falava, mas assim que ele os declarou como marido e mulher, assim que ele autorizou que seu amado lhe beijasse, uma onde de expectativa lhe dominou, não soube ao certo porque, já havia beijado seu agora marido tantas vezes, sempre sentiu um frio na barriga, mas nunca uma expectativa. Foi então que ele lhe tirou o véu da face, e para seu total assombro não era Jasper que estava a sua frente, era Edward.


Ela tentou se mostrar revoltada, mas parecia não ter controle sobre o seu corpo, o viu se aproximando, queria fugir, correr, mas não o fez, ficou parada, o sentiu levar as mãos para a lateral de sua face e então seus lábios tocarem os dela. Ela pensou que talvez pudesse empurrá-lo, mas tudo o que fez foi fechar os olhos e permitir que tudo continuasse como se fosse normal, para que a união fosse selada. Quando o beijo terminou, quando ele olhou em seus olhos tudo o que ela fez foi sorrir em resposta.


– Amo você Isabella. – murmurou.


– Também te amo, Edward.


Não estava entendo, ela não o amava, sabia disso, mas não conseguia dizer absolutamente nada. Foi então que tudo se tornou ainda pior, assim que o padre fez a tão famosa apresentação, e eles se viraram para os convidados ela o viu, parado na entrada da igreja, olhando-a de forma acusadora.


Não, por favor, Jasper não poderia presenciar esse momento em que ela não era ela mesma.


Ele não disse nada, mas seu coração se apertou ao ver lágrimas de dor descendo por sua face, dor que ela estava causando.


Tentou gritar por ele, tentou largar tudo para ir ao seu encontro, mas nem mesmo conseguiu esticar o braço na direção de seu amado, de uma forma que ela desconhecia estava compelida a continuar com toda a cena que transcorria sem o seu real querer.


Enquanto ela queria chorar, tudo o que fazia era sorrir e acenar para as pessoas por onde passava. No momento em que chegou ao portão de entrada, quando Jasper estava tão perto dela que podia sentir seu envolvente cheiro, ele desapareceu, deixando-a sozinha, entregue ao que o destino lhe reservou.



–---



Assim que estava subindo o corredor, ele escutou, sua voz.


– Não, por favor, entenda... – o desesperou era palpável.


Sem pedir licença ele adentrou o aposento e a princípio se paralisou com a cena que se desenrolava. Isabella estava dormindo, mas lágrimas banhavam sua face, em sua volta, haviam roupinhas de bebê e sua voz saia torturante.


Por um segundo se lembrou da noite em que haviam chegado, lembrou-se de vê-la dormir tão serena que não teve coragem de acordá-la, cobriu-a, acariciou sua face delicada, fechou a janela e se retirou. Hoje ele não poderia deixá-la, por mais que quisesse seu coração não deixaria. De uma forma inexplicável, ela havia feito crescer nele um carinho desde a primeira vez que ele a tinha visto na casa de sua tia.


O que afinal tinha Isabella Swan que despertava carinho nas pessoas sem ao menos pedir licença. Resignado ao óbvio afastou as roupas da criança que ela esperava, sentou-se próximo e a cutucou delicadamente, chamando-a. Assim que ela despertou desorientada, por instinto o abraçou, soluçando alto e agarrando sua camisa com força. Ficou assustado, mas logo a acolheu, massageando suas costas.


Não soube ao certo por quanto tempo ficaram assim, mas somente se afastaram quando ela já não chorava mais. Com a face inchada pelo choro ela encarou-o envergonhada. – Obrigada. – sussurrou.


Ele olhou para cima e suspirou. – Posso parecer um grosso às vezes, e não pretendo mudar meu jeito, mas isso não quer dizer que goste de ver uma mulher chorando.


Olhou-o curiosa. – Edward...


– Shii – colocou um dedo em seus lábios a fazendo calar-se. – Não precisa me dizer nada.


Abaixou a cabeça – Sonhei com ele, fazia tanto tempo que não sonhava com ele... E nunca tinha sonhado com ele e meus pais de uma só vez.


– Desculpe-me então, deveria ter deixando-a dormir.


Ela levantou o olhar rapidamente e o agarrou pelas mãos – Não, fez bem. Eu o estava magoando.


Percebendo o ato que havia feito, ela retirou sua mão do contado da dele. – Duvido que pudesse. Respondeu de forma confiante. Ela olhou-o curiosa. O silêncio tomou conta do aposento por vários minutos, nenhum dos dois tinha nada a dizer e nem ao menos queriam se afastar. – Aro ficou muitíssimo encantado por você.


Isabella ficou grata por ele ter mudado de assunto. – Acredito que isso seja uma coisa boa.


– É sim, uma esposa tem que ser agradável na metida do possível com amigos de seu marido.


Sorriu timidamente – Acho que minha tia me ensinou muito bem o meu dever senhor meu marido.


Uma pequena gargalhada brotou de Edward, fazendo-a arrepiar-se, o que a assustou – Claro, claro. – ele se levantou e quando já estava saindo voltou-se para ela – Estava esquecendo, amanhã Tanya virá, vai ajudá-la nas compras.


Ela estranhou. – Não preciso, tenho Sarah, ela é uma ótima companhia.


– Não duvido disso quando se trata de roupas para bebês. Mas, pela noite teremos um jantar na casa de Aro para comemorarmos a sociedade, por isso, é fundamental que esteja elegante para a ocasião, e presumo que Tanya seja a pessoa ideal para ajudar-lhe na tarefa.


Ela suspirou. – Tudo bem, não tenho alternativa não é mesmo?


– Acredito que não. – disse se voltando para a porta.


– Edward! – ela o chamou.


– Sim? – voltou-se para ela novamente.


Mordendo os lábios e com a face vermelha tomou coragem e lhe perguntou o que estava atormentando-a desde que acordou do pesadelo – Se Jasper pudesse nos ver, acha que ele entenderia... Quer dizer, não temos nada de muito intimo, mas estamos casados...


– Eu e Jasper somos diferentes, pensamos diferentes. Não sei lhe dizer o que se passaria pela cabeça do meu irmão. – disse depois de alguns segundos em silêncio, para em seguida deixá-la sozinha em seu quarto, sentindo-se culpada.


A restante da noite transcorreu como sempre, eles jantaram na maior parte em silêncio, Sarah se dirigiu ao quarto dos fundos destinado a ela e Isabella logo foi para o seu aposento deixando mãe e filho a sós na sala enquanto tomavam um delicioso café.


– Como foi seu dia? – perguntou Esme como sempre fazia.


Ele sorriu. De um modo bom a inquisição durante a noite que sua mãe fazia o levava de volta a sua infância, pelo menos aos momentos que ele julgava serem os melhores. Quando ele e Jasper saiam da escola e animados corriam para ajudar o pai na carpintaria, para em seguida, suados voltarem para casa. Podia ver a cena se desenrolando em questão de minutos, sua mãe brigando, seu pai defendendo-os e os ajudado a tomarem banho e a fazer as atividades de casa, deixando a todos muito feliz, para em seguida comerem alguma sopa ou caldo feito com as sobras do almoço. Então, quando a noite já havia dominado o céu por completo, os quatro se sentavam na varanda e ao som do mar escutavam a um a um dizer como havia sido o seu dia.


– Muitíssimo proveitoso. Está acertado agora, sou sócio da Volturi Advocacia.


– Não esperava menos de você. – orgulho era visível em sua voz e seus olhos


Ele tomou um gole ainda quente do liquido preto e encarou sua mãe curioso – Me parece surpresa com a notícia, como se não soubesse.


– Sempre confiei em você, em sua capacidade, mas como poderia saber de mais essa vitória se somente agora me contou?


– Pensei que Isabella já teria lhe contado. – ela olhou-o questionadora, não precisou verbalizar uma só palavra para que seu filho entendesse sua pergunta silenciosa – Encontrei como Isabella e Sarah no restaurante, inclusive Aro e John a convidaram para sentar-se conosco, de modo que ela acabou sabendo da novidade.


– Hum... Entendo. – suspirou e sobrou mais uma vez para esfriar o liquido quente – Ela não comentou nada comigo, também encantada com as roupinhas, não conseguiu parar de me mostrar tudo o que havia comprado. – Ele acenou positivamente com a cabeça – É muito bonito de sua parte o que está fazendo.


– Tendo pensar que Jasper faria o mesmo por mim se estivesse em meu lugar. – comentou sem demonstrar qualquer emoção, ao mesmo tempo em que tentava não pensar na pergunta que Isabella havia lhe feito mais cedo.


– Não tenho duvida disso. – murmurou Esme.


Ele sorriu – Acredita que sem dizer muita coisa Isabella arrancou elogios de Aro? Ele esta encantadisimo, praticamente exigiu a presença dela amanhã no jantar em comemoração a sociedade.


– Não duvido, Isabella tem o dom de encantar a todos.


– Não posso discordar. – murmurou baixo.


Eles ainda conversaram por mais alguns minutos, Edward foi praticamente obrigado a detalhar cada passo, cada palavra e argumento que utilizou para ganhar a causa. John era um maldito racista, que possuía um caixa 2 de deixar muitos com inveja, ele sabia disso, todos sabiam disso, mas provar era algo muito complicado, ainda mais quando se tinha dinheiro para calar a principal testemunha da promotoria. Ele sabia que era errado, fez vista grossa ao saber do ato e de qualquer modo, seu trabalho que era ludibriar o juiz fora realizado com sucesso.


– Não sei como não me acusa, na maior parte do tempo defendo pessoas podres. Se fosse o pap... – quase cometia o deslize que sempre tomava o cuidado para não cair. Chamar Carlisle de pai na frente do outros era uma forma de manter o muro da falsidade que era sua relação com o patriarca da família, entretanto, quando se tratava de uma conversa íntima com sua mãe, ele não tinha qualquer necessidade de continuar fingindo, derrubava os muros e mostrava o que realmente todos eles eram. Percebeu que sua mãe fingiu não notar e agradeceu-a mentalmente por isso – Bem se ele pudesse dizer algo estaria me rebaixando agora – comentou Edward.


– Seu pai é um falso moralista. Para mim ao final o que importa é que não esteja cometendo crime algum. De uma forma um pouco turva, confesso, está seguindo os valores que lhe passei. E que mal a em você está fazendo o seu papel? Absorver aqueles que podem pagar por isso é o seu trabalho, ser iguais a eles é outro bem diferente.


Ele sorriu da praticidade de sua mãe. – Adoro a sua forma de enxergar as coisas.


– Porque simplesmente lhe convém. – respondeu sorridente. Ela virou o café de uma vez e levantou-se, caminhou de encontro ao seu filho e lhe depositou um beijo no topo da cabeça – Vou me deitar. Tenha uma boa noite e procure não ficar até muito tarde acordado.


– Não se preocupe comigo minha mãe, já deixei de ser criança há muito tempo.


– Acredite, para mim, você sempre será o bebê que embalei tantas vezes no colo. – disse antes de lhe beijar novamente e se retirar.


Assim que ela se retirou, encheu sua xícara mais uma vez. Apreciava e muito a bebida negra composta de cafeína. Por todo o período de sua faculdade ele fora obrigado a tomar litros e litros de café para poder permanecer acordado durante seu trabalho na lanchonete no período da noite, pois logo pela manhã deveria estar se preparando para mais um dia maciço de estudo.


Perdeu as contas de quantas vezes preferiu dormir na lanchonete, pois caminhar oito quarteirões até sua casa não era algo atrativo para quem gostaria de simplesmente dormir para enfrentar mais um dia com a força de um menino. Deitava-se sem reservas no chão do estabelecimento e praticamente desmaiava. Ao todo, era normal dormir cerca de cinco horas por dia.


Talvez por isso, seus colegas de curso não acreditaram quando o viram se formar com louvor e tendo a melhor proposta de emprego de todos. Edward era um exemplo de quem lutou e venceu os obstáculos da vida. Por isso, naquele momento em que somente o silêncio o acompanhava, ele se dava ao luxo de desfrutar do momento. Podiam falar, podiam lhe julgar, mas ao escolher cursar Direito, ao escolher e conseguir ser o melhor, a opção de se tornar idealista, de lutar pelos mais fracos foi parar no esgoto, ele aprendeu a duras penas que antes de se preocupar com o todo, tinha que cuidar de si mesmo.


É claro que tinha pena dos vários “inocentes” que perderam sua chance de provar a verdade porque ele não havia deixando. Mas que culpa tem? Leva quem paga mais alto, essa é a realidade.


Assim que seu café chegou ao fim, assim que pode relaxar, foi para o seu quarto, tomou um banho rápido vestiu um de seus pijamas para lhe auxiliar na noite fria. Demorou e muito antes que conseguisse dormir, e durante todo esse processo, de uma forma estranha seu pensamento não conseguia deixar que a feição triste de Isabella o abandonasse.


O que afinal ela fazia com ele?


Assim que a conheceu julgou poder saber exatamente quem ela era, chegou até mesmo a pensar no rumo previsível que seu irmão tomava em sua vida, uma mulher conservadora e submissa fazia parte do pacote, mas, assim que pode olhar nos olhos dela mais atentamente, descobriu que havia algo escondido, algo que ele não conseguia enxergar, mas que mesmo assim o atraia.


Não era de se estranhar o fato de seu irmão ter escrito pouco antes de morrer, afirmando querer volta para os braços da amada o quanto antes, ele sorriu, ao se lembrar do fato. Apesar de evitar um relacionamento mais estreito com sua família, com exceção de sua mãe pelo óbvio sentimento de amor incondicional que uni filho e mãe, seu irmão parecia não notar sua decisão. Por todo o tempo que ficaram sem se verem, ele mantinha contando, lhe escrevia sempre que possível, informando todos os passos de sua vida, mas pelo menos tinha tato suficiente para não escrever nada relacionado ao seu pai.


Edward nunca respondeu uma só carta, mas leu todas com saudosismo. E a última delas, leu no mínimo uma dúzia de vezes, tanto que já a tinha decorado. Talvez fosse pelo fato de ter recebido dois dias depois de saber da morte de seu irmão. Fora esta carta que fez com que ele tomasse coragem e fosse à procura dos pais e da amada de Jasper.



19 de novembro de 1942

Querido irmão,

Sei que apesar de ainda se recusar em falar comigo, por motivos infantis devo frisar, ainda continuo amando-o. Não há um dia em que não pense em você nesse inferno que estou vivendo. Ser um exímio atirador facilitou a minha convocação prematura. Tenho certeza de que se nosso tio soubesse disso, jamais teria nos ensinado a atirar.

É impossível estar aqui e não me lembrar dos dias de domingo quando nosso querido tio Andrew nos levava para a floresta, ensinávamos a arte que era caçar, nós camuflávamos em meio à floresta e colhíamos “louros” no mínimo louváveis. Aqui não é muito diferente, tenho que me camuflar, lutar pela vida, mas ao invés de fugir de leões da montanha ou ursos, fujo de homens como eu, sedentos em matar.

Sempre fui um idealista, um sonhador, por isso não pensei duas vezes em me alistar, lutar pela pátria, como nosso avô tinha feito anos antes... Lembra das histórias que ele nos contava? Por vezes mamãe implorava para ele parar com isso, parar de colocar caraminholas em nossa cabeça, graças aos céus, a semente que ele tentou plantar em você não floresceu... No meu caso, bem, a resposta é obvia...

Mas o mais triste de tudo é saber que nosso avô não mentiu, o que ele nos disse é totalmente verdade, entretanto devo confessar que ele omitiu detalhes, ou melhor, significativos detalhes.

Matar acaba sendo natural, depois que se faz isso uma segunda vez... Talvez, porque o primeiro tiro certeiro que deu, aquele primeiro homem, filho ou pai caído morto em sua frente fique cravado em sua alma de tal maneira que o sono tranqüilo que teve um dia passe a se tornar perturbador.

Será que nosso avô tinha sonhos tranqüilos?

De qualquer modo, saber a resposta não muda os fatos...

Estamos seguindo rumo a El Guessa, tentando enxotar os nazistas da Tunísia, para então deixar mais corpos, alemães e americanos espalhados sem vida pelas terras estrangeiras em que passamos.

Não tenho mais nada de grandioso a contar sobre minha excitante viagem... Mas adoraria lhe pedir algo...

Estou noivo, lembra que lhe contei?

Minha doce Isabella deve estar sedenta por noticiais minhas, mas é que fico com medo de escrever algo a ela, não quero deixá-la mais preocupada do que já está, sempre mando notícias por Emmett, mas ele não se encontra no mesmo batalhão que eu nesse momento, meu grande amigo sofreu um pequeno acidente e se encontra na base cuidando de seus ferimentos, por isso peço que através de nossa mãe, diga-lhe que tudo está bem e que logo, assim que esse inferno acabar voltarei para ela.

Obs: adoraria tê-lo em meu casamento, por favor, não seja um tolo em perder.

Jasper Cullen



Ele não teve sequer uma segunda chance para falar com seu irmão que ao longo de toda essa distância entre eles somente se mostrou o quanto amigo era, mas por orgulho ferido e vergonha, ele não conseguiu retribuir o carinho de seu melhor amigo. Talvez por isso, pelo sentimento de culpa, assim que soube por sua mãe sobre a gravidez já avançada de Isabella, um forte instinto protetor o tenha dominado.


Com a dor da saudade lhe cortando a alma, ele adormeceu, deixando para o mundo real suas tormentas e ao mundo dos sonhos, uma chance de talvez aliviar a dor da culpa.



FIM DO CAPITULO



Notas finais
Pronto... capitulo 3 postando....
Espero que muitas das duvidas tenham sido respondidas....
Até pq... nesse cap da pra gente entender melhor a relação entre Jasper e Edward.... ao msm tempo aguçando nossa curiosidade....
Espero q continuem comentando e recomendando (Valew Nandnha... adorei a recomendação....).... quem sabe no domingo tenha mais uma postagem extra....
bjocas