Vida Dupla
20 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
Foram longos 114 dias de espera para esse capítulo...
Não acho a necessidade de explicações, só agradecimentos a todas que esperaram, cobraram e tiveram paciência.
Acreditem ganhei leitoras novas! Sejam bem vindas!
Não vou mais demorar, vamos ao capítulo!
Espero que gostem!
Beijos =]
-POV Edward-
Eu já sabia que meu dia seria terrível... Já saí de casa com essa certeza! Isabella me tira do eixo, me provoca sensações e emoções que não consigo definir ou explicar. Tinha que conversar com alguém sobre isso ou iria enlouquecer a todos ao meu redor, mais do que já acontecia. A impaciência estava comigo, estava girando na cadeira como criança quando tive a sala invadida por meus irmãos.
Bufei exasperado já esperando as cargas d’águas que se seguiriam...
- Bom dia Edward. — Emmett foi o primeiro a se pronunciar sentando-se no sofá daquela maneira que eu detestava! Resolvi não ligar levantei a cabeça como se pedindo paciência aos céus, só assim para não estourar de vez e fazer uma cena que não teria explicação depois. Jasper foi mais educado e polido como sempre, acho que até trepando ele era todo formal — dei um sorriso ante esse pensamento que logo foi substituído pela carranca habitual.
- Edward, vou direto ao ponto, sei que não gosta de rodeios e nem de perder tempo o que no seu caso é dinheiro... Muito dinheiro. A papelada está toda em ordem, todos os empresários já assinaram os contratos. A única exigência que fizeram foi que Isabella participe do projeto — Eu bem sabia quem tinha feito aquela exigência aquele porco imundo (procurar o nome do maldito).
- Sem problemas Jasper, Isabela está no projeto. Agora Emmett essa primeira parte é com você, preciso dizer o que tem que fazer? – ele se remexeu no sofá incomodado com a minha pergunta. Mesmo despojado daquele jeito Emmett era um profissional de alta classe.
- Já está tudo pronto Edward, só estava faltando a papelada. Vou mostrar a Bella o que pretendo fazer e depois ela começa a bolar como organizar o espaço. Dentro do prazo tudo estará pronto — essa confiança eu não tinha em relação à Bella. Ela saiu do meu apartamento dizendo que não trabalharia mais para mim e no momento eu não poderia me dar o luxo de perdê-la, lógico que eu estava pensando no profissional, ou não...
Iria atrás dela... Não teria outra opção.
Depois de discutirmos mais alguns detalhes os dispensei e liguei para o Jacob, apesar das sessões estarem escassas ele ainda era meu terapeuta e meu amigo.
Já estava a ponto de desistir quando ele atendeu, isso já no quinto toque.
- Porra Jacob! O que diabos você estava fazendo para não atender o telefone?
- Oi Edward — ele falava numa calma bem característica dele. – Onde é o incêndio? Não me diga que é nas suas calças novamente. A Isabella está dando trabalho amigão? — ele ria ao telefone e senti minhas orelhas esquentarem.
- Quer parar de gracinhas? Meus cheques ainda ajudam a manter sua boa vida, amigão. – E com essa ele riu mais alto. Não demorou muito ele já estava controlado e foi o profissional que eu conhecia.
- Qual o problema Edward? Quer aparecer aqui no consultório? — ele perguntou solícito. Pensei por um momento, ele já sabia a história toda, só não o fora de hoje. Esse assunto é para ser tratado com calma e não com aquele relógio marcando meu tempo e fazendo com que eu falasse rápido.
- Tem como nos encontrarmos no meu apartamento daqui à uma hora? Preciso de tempo.
Jacob concordou em me encontrar lá. Terminei de assinar alguns papéis e saí do escritório avisando que não voltaria mais hoje.
Cheguei em casa, tirei o paletó e a gravata abrindo os primeiros botões da camisa. Parecia sufocado, tentei respirar fundo algumas vezes sem sucesso. Fui ao bar e coloquei uma dose dupla de whisky e virei de uma só vez e, antes que enchesse o copo pela segunda vez, a campainha tocou. Assim que abri a porta Jacob me avaliou com seus olhos críticos e disse o óbvio, o que eu já sabia a algum tempo...
- Você não está bem, o que está acontecendo Edward? Não está conseguindo se controlar novamente?
- Antes fosse isso Jacob... Eu não consigo pensar em nenhuma mulher que não seja Isabella. Ela está me tirando a sanidade e você bem sabe que é escassa. — ele balançou a cabeça como se confirmasse o que eu dizia.
- O que de fato aconteceu? — agora o amigo tinha saído de cena para a entrada do médico.
Relatei os últimos acontecimentos desde a nossa última malfadada conversa quando ele afirmou que eu estava apaixonado por Isabela. Contei alguns detalhes do que tinha acontecido com ela, recebendo dele a oferta de conversar com ela e com a irmã dela. Contei da proposta de ficarmos juntos e da recusa dela tanto em ficarmos juntos quanto ao assunto da família dela. Jacob me interrompeu nessa parte.
- O que está te incomodando é o fato dela não aceitar sua ajuda ou o fato de não querer nada sério com você? — não titubeei na minha resposta.
- Em ela não querer ficar comigo! Não propus casamento, nem coisa parecida. Sei bem que ela não quer nada sério com ninguém. Eu só queria que aproveitássemos o momento.
- Edward acho que Isabella já percebeu como você é dominador, autoritário e mandão. Você realmente acha que ela ficaria com alguém assim? Pelo que você me contou, ela sempre viveu da forma dela, assim como você! Vou continuar repetindo... Vocês são idênticos nesse sentido. Isabella prioriza sua liberdade como você priorizava a sua até ela aparecer.
Fiquei pensando no que Jacob me disse e em nada mudou ou aliviou o que sentia. No momento eu precisava vê-la. Não me importava se ela iria gostar ou não. Levantei-me procurando as chaves do carro, celular e carteira já com a ideia formada em minha cabeça. Jacob só me observava com a cara preocupada.
- Aonde vai Edward? — ele perguntou com apreensão na voz.
Pela primeira vez na vida iria fazer algo no impulso e esperava não me arrepender.
- Vou conversar com Isabella! Preciso resolver isso logo ou irei enlouquecer. — Parei por um minuto olhando o rosto do meu terapeuta e amigo e vi em seu rosto o alívio de quem tinha alcançado o êxito em uma jornada.
- Essa é a primeira vez em anos, que vejo você tomar uma atitude correta! Boa sorte meu amigo. — Saí sem deixá-lo terminar suas palavras, tinha tomado a decisão de ir atrás de Isabella, mas minhas convicções e maneira de pensar e agir continuariam as mesmas.
- Bata a porta ao sair, se precisar de seus serviços novamente eu sei onde lhe encontrar.
O elevador parecia que tinha possuído vida própria e era daquelas bem lentas e demoradas. Demorou mais que o normal para chegar à garagem, ou era minha ansiedade que estava maior do que me lembrava... Se é que eu tive ansiedade alguma vez na vida. Como Jacob, meus irmãos, meus pais e a maioria do mundo afirmavam Edward Masen Cullen era uma rocha inabalável, pelo menos era isso que eu também achava até a bruxa de cabelos castanhos invadir minha vida!
[...]
Cheguei ao apartamento de Isabella e não tive dificuldades para convencer o porteiro que meu assunto era urgente. Algumas palavras que ele disse aguçaram minha curiosidade. Ele falava algo como “o apartamento da sra Bella nunca esteve tão movimentado” e o que mais me chamou a atenção “ela nem tinha família e do nada aparecem pai, mãe e irmã” ele sacudia a cabeça como um lunático e resolvi focar no que realmente tinha me chamado a atenção – PAI — pelo que sabia Isabella não tinha pai a não ser que o porco miserável tenha tido a coragem de colocar as caras por aqui! Isso me fez adiantar o processo de ida a seu apartamento e o elevador mais uma vez foi meu algoz – acho que não quero mais contar com elevadores — cheguei a porta do apartamento e toquei a campainha de forma contínua.
Logo a porta foi aberta pela anã do Jasper e para convencê-la a deixar que entrasse deu trabalho. Perguntei por Isabella e ela disse que estava no quarto desde que chegara pela manhã. Não esperei que dissesse mais nada, fui direto para o quarto e abri a porta de chofre parando ao vê-la deitada, emaranhada entre os lençóis com a expressão tranquila e fragilizada. Tive pena de acordá-la e me sentei em uma poltrona e fiquei aguardando que ela acordasse.
Várias coisas se passaram pela minha cabeça enquanto a observava dormir. Quando ela acordasse tentaria resolver as coisas... Teria que agir com calma, essa era a parte mais complicada para uma pessoa como eu.
[...]
-POV Bella-
Acordei com sensação de estar sendo observada... Adquiri esse instinto quando o infeliz do Phill me observava à noite. Sentei-me rapidamente e varri o quarto com os olhos, não estava enganada perto da porta sentado na poltrona estava Edward. Abri a boca para balbuciar alguma coisa, mas nada saiu. Passei as mãos pelos cabelos, mais por surpresa do que propriamente para se fazer de mais apresentável e perguntei de chofre:
- O que você está fazendo aqui? — minha voz estava um pouco esganiçada, talvez pelas horas de sono em meu quarto, meu recanto... Ele nada respondeu só continuou a me observar e eu já estava ficando nervosa.
- Não vai responder Edward? O que faz aqui? – ao invés de responder ele se aproximou da cama e sentou-se ao meu lado. Em suas feições tinha uma expressão que não defini muito bem, acho que o pouco tempo que o conheço não me deu base para ler suas expressões.
- Apesar de me deixar extremamente irritado, não poderia deixar você sozinha nesse momento — ele falava olhando em meus olhos e isso só fez com que eu me sentisse vulnerável.
- Eu já te disse que não temos nada, que não quero nada com ninguém! Você é surdo, louco ou só faz isso para me atormentar? — levantei-me da cama e abri a porta para que ele saísse. Ele bufou de forma impaciente e veio até mim com a maior naturalidade. Fechou a porta que eu segurava e me puxou de encontro a ele. Foi um puxão forte e nossos corpos se chocaram. Fechei meus olhos ao sentir seu peito rígido bem na altura dos meus olhos. Soltei o ar que estava prendendo e me arrependi por isso, o cheiro dele é inebriante e me deixa com pouca capacidade de raciocínio. Senti sua boca passando pelo meu pescoço, logo chegando à minha orelha falando baixo e me deixando arrepiada e com as pernas moles. Se não estivesse sendo segurada por ele com certeza desabaria.
- Faria isso por qualquer pessoa que tivesse passado por uma situação semelhante a sua Isabella. Não se valorize demais! — dizendo isso me soltou e foi se sentar na poltrona de antes, me deixando com um vazio inexplicável. Observar Edward no meu recanto me deixava com uma sensação estranha, indefinida... Quer dizer que ele tinha um lado solidário? Novidade para mim! Mesmo assim quis negar sua ajuda.
- Não precisa se preocupar Edward, está tudo sob controle ainda sei tomar conta da minha vida! — ele estreitou os olhos em minha direção e esse era o sinal que ele tinha chegado ao limite mais uma vez.
- Porra Isabella! Até quando você vai ficar com esse orgulho? Eu só quero ajudar, não estou pedindo que fique comigo pra sempre, nem que se case comigo e me faça feliz! Aceite pelo menos uma vez na vida que alguém queira ajudar você sem segundas intenções — ele estava exasperado. Tive vontade de rir e foi exatamente o que fiz. Enquanto uma gargalhada quase histérica saia de mim ele me fitou com a cara confusa.
- Desisto de tentar ser civilizado com você! — minha gargalhada sumiu no momento que ele me tomou nos braços e me jogou na cama prensando meu corpo no colchão com seu peso. Me remexi embaixo dele já sentindo sua excitação. Fiquei de olhos arregalados ao vê-lo descendo seu rosto em direção ao meu e sua boca muito próxima minha. Antecipei um daqueles beijos de me tirar do ar por vários minutos e, antes que o contato acontecesse, a porta do meu quarto foi aberta pelo furacão chamado Marcus.
- Que pouca vergonha é essa? — ele gritou e Edward não se mexeu um milímetro de cima de mim. Não tive tempo de responder, ele respondeu por mim pedindo que Marcus esperasse na sala enquanto resolvíamos um assunto importante. Minha boca se abriu em um “O” daqueles maiúsculos, bem grandes e ele deu aquele sorriso torto como quem sabia que era dono da situação. Ai que ódio! O pior de tudo é que ele saiu e me deixou lá a mercê do que Edward queria fazer comigo. Resolvi tentar me impor e resolvi ser grossa de verdade.
- Dá para você sair de cima de mim? Você se acha, não Sr. Arrogante? — parece que surtiu efeito, pois ele saiu de cima de mim e passou as mãos nos cabelos os deixando mais desalinhados, se isso era possível. — Ok, você sabe se fazer entender com seu jeito. Não vim aqui somente pela sua situação... Os projetos estão esperando por você, a parte burocrática está resolvida agora é com você e o Emmett — ele agora era o profissional que admirei na viagem que fizemos. Prático e objetivo resolvia tudo sem grandes complicações e isso me fez lembrar que pedi demissão. Mais uma vez abria mão dos meus planos por não querer que minha vida fosse invadida. Com muito custo falei que não trabalhava mais pra ele. Aí a coisa ficou mais séria.
- Isabella você está me comparando com esses moleques que você conhece? Temos um contrato e você me deu sua palavra que faria a decoração desses primeiros apartamentos — respirei fundo uma infinidade de vezes e resolvi voltar atrás pelo menos na minha decisão de voltar a trabalhar pra ele. Eu queria fazer parte desse projeto por saber que daria super certo.
- Lembro bem o que disse Sr. Masen, amanhã estarei na empresa no horário de sempre, agora o Sr. pode fazer o favor de sair do meu quarto? E se não for incômodo, da minha casa também! – dei-lhe as costas e entrei no banheiro batendo a porta. Chega de ceder aos meus instintos! Preciso ser racional, minha vida sempre tão controlada estava saindo dos eixos e isso não está nos meus planos, não estou sabendo administrar essa nova fase. Tirei a camisola que estava usando e entrei no chuveiro de cabeça. Dava para eu ouvir as catracas do meu cérebro funcionando... estava encrencada com todo meu passado sendo exposto e devastado. O que eu faria para ajudar minha irmã se livrar do miserável do Phil e ainda de quebra lidar com Edward.
Terminei o banho sem encontrar uma resposta, me enrolei na toalha e peguei outra para secar meus cabelos. Do jeito que as coisas estavam corria o risco de ligar o secador e ficar tostada com um choque homérico... até que não seria má ideia, resolveria meus problemas! Sai do banheiro com um meio sorriso nos lábios e pulei de susto ao ouvir a voz de Edward falando comigo.
- Achei o remédio para seu mal humor... Banho! Como não percebi antes? Agora sei de onde vem sua atração para se esconder em banheiros... Eles te acalmam! — fechei a cara e joguei a toalha que secava os cabelos nele que a pegou antes que acertasse em qualquer parte de seu corpo. Ele levou a toalha ao rosto aspirando o cheiro que estava nela.
- Morangos Isabella? Pela sua personalidade impossível achei que usaria outro aroma para seu xampu. — Dizendo isso jogou a toalha de volta pra mim e eu não fui tão ágil quanto ele, a toalha acabou acertando em cheio meu rosto. E saiu do quarto como se nada tivesse acontecido... Ainda enlouqueceria com essas facetas dele.
Coloquei uma roupa qualquer e fui enfrentar a minha realidade. Ao chegar à sala encontrei uma comitiva: Alice, Marcus, minha mãe e minha irmã abraçadas e Edward, que achei que já tinha sumido das minhas vistas. O que eu fiz Senhor, para merecer tantas provações? Respirei fundo e fui de encontro ao ponto mais importante da situação: O que fazer com minha irmã...
Notas finais
Então gostaram?
O que posso dizer sobre esse casal? Sou fã dele isso é um fato!
Edward se rendendo e aceitando essa coisa nova é encantador!
Quero saber o que acharam.
Mereço reviews?
Recomendações?
Espero que sim!
Obrigada a cada uma que deixou review no capítulo passado, começarei a respondê-los.
Beijos e nos vemos por ai =]
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