Vida Dupla
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Capítulo vinte
POV Bella
Depois de observar o ambiente por incontáveis minutos queria conhecer melhor minha “irmã”. Para isso contei com a ajuda da Alice que dispersou todos da sala inclusive o Edward. Não sei como ela conseguiu essa proeza, mas ele saiu não sem antes me intimar a estar no escritório no outro dia bem cedo. Apenas concordei com a cabeça e logo a porta foi fechada por Marcus que saiu logo atrás dele.
Restaram só minha mãe e minha irmã e o silêncio se abateu sobre a sala... Enquanto analisava a situação em minha mente se passou um filme de quando eu tinha a idade dela. Eu tinha tantos sonhos, era feliz para depois ver tudo desmoronar de uma hora para outra. Sacudi a cabeça para me tirar dessas lembranças desagradáveis e dei uma tose para livrar a garganta do nó que estava nela.
–Mãe ela sabe por que está aqui?- minha mãe que ainda chorava silenciosamente me olhou nos olhos e pude ver que ela não sabia de nada. Até que ponto minha mãe ia ser negligente? Iria deixar tudo acontecer novamente? O caso seria pior pois a garota era filha do crápula eu era só a filha de outro cara. Virei-me e resolvi falar diretamente com ela pela primeira vez depois dessa confusão toda, me lembrei que nem seu nome eu sabia e resolvi perguntar.
_Qual o seu nome?- perguntei me aproximando dela. Ela tinha olhos castanhos como os meus e os da minha mãe, o tom de pele um pouco mais escuro, cabelos lisos e bem pretos. Ela era bonita, iria se tornar uma mulher linda e com minha ajuda sem uma bagagem desnecessária e sofrida para carregar. Ela olhou pra minha mãe que fez um aceno de cabeça para que ela respondesse.
–Ellen... O timbre de voz dela era gostoso de ouvir.
–Então Ellen, não fomos apresentadas direito. Meu nome é Isabella.- aproxime-me mais a ela e estendi a mão em um cumprimento comum. Ela apertou timidamente e não falou mais nada. Ficamos nos olhando sem palavras até que fiquei incomodada com seu olhar avaliativo. Minha mãe não pronunciou uma só palavra dificultando ainda mais as coisas pra mim. Mesmo não querendo precisava conversar com minha mãe em particular. Precisava saber em que pé estavam às coisas. Chamei Alice para que ela levasse a Ellen para o quarto, tinha que saber os detalhes sórdidos. Ela apareceu rápido e a convidou para conhecer o apartamento. Não fiz muitos rodeios e fui direto ao ponto. –O que realmente aconteceu?- ouvi um suspiro cansado e logo ela começou a falar.
–Primeiro queria te pedir perdão Bella...- Bufei exasperada, não tínhamos tempo para isso!
–Me poupe desse teatro! Quando mais precisei, a Senhora simplesmente escolheu aquele maldito filho da puta!-Quero saber o que aconteceu para que você se deslocasse até aqui com a menina! Não quero que ela tenha o mesmo fim que eu.- Minha mãe tentava a todo custo segurar as lágrimas, ela já estava com os olhos inchados e muito vermelhos mas nem isso foi capaz de abrandar meu coração e meu estado de espírito. Ela fungou e limpou as lágrimas, me pareceu que a coragem tinha retornado.
–Descobri que estava grávida logo depois que você foi embora. Estava no hospital cuidando do Phi... Dele e passei mal algumas vezes pensei ser um mal estar passageiro e em um desses meus desmaios a médica que o acompanhava pediu alguns exames e lá estava eu grávida. Você não imagina o que eu senti ao receber a notícia... Tinha perdido minha filha, não queria aceitar o que estava acontecendo nem sabia como iria viver depois de tudo. Fiquei com ele por não ter escolha Bella...- a interrompi com a voz cheia de rancor.
–Sempre temos outras escolhas, eu era sua filha!- ela me respondeu da mesma forma acalorada.
–Isso não vem ao caso, tudo isso é passado! O que estou implorando pra você é que não deixe que sua irmã passe por tudo que você passou. — Ela suspirou e continuou a falar. — Depois que ele saiu do hospital ele ficou com a idéia fixa de vingança. Não teve um único dia que ele não falasse em fazer você se arrepender pelo que tinha feito a ele. Contratou algumas pessoas para te encontrar até que um dia ele conseguiu... Não me pergunte como, mas ele tinha o endereço certo quando encontrei sua mala pronta dias atrás. No meio dessa obsessão ele começou a ver o crescimento da Ellen e a dizer as mesmas coisas que dizia de você.
Ela abaixou a cabeça como se estivesse envergonhada, mas não tive pena nenhuma. Uma mãe tem que estar com os filhos em qualquer situação e ponto. Fui ríspida mais uma vez.
–Onde eu entro nessa história? Você não sabe o inferno que tive que passar para estar aqui agora! Na verdade nem quero que você saiba...
Os acontecimentos que se seguiram me deixaram sem ação. Ela se ajoelhou aos meus pés pedindo perdão e ajuda em meio a um choro descontrolado e compulsivo. Não sei quanto tempo nós ficamos assim até ela se levantar e olhar nos meus olhos me surpreendendo com suas palavras.
–Eu sempre te amarei minha filha, você é e sempre será meu tesouro. O que fiz não merece perdão mas pelo menos ajude sua irmã que não tem noção de toda essa sujeira... Eu me lembro de sua generosidade, isso nem todo sofrimento do mundo é tirado do ser humano.
Afastei-me dela e rodei pela sala do meu apartamento, minha casa, meu lar, meu porto não mais seguro. Minha vida tinha sido remexida nos últimos tempos. A vida tranquila que eu almejei durante 10 anos estava indo pelo ralo sem que eu pudesse fazer mais nada. Depois de refletir um pouco vi que tudo que ela me disse sobre a Ellen tinha fundamento e a decisão que veio a seguir a surpreendeu, mas não tanto quanto a mim.
–Eu ajudo a menina, ela ficará aqui comigo mas você pode arranjar outro lugar. Não a quero aqui.- ao falar isso vi a dor em seus olhos e isso novamente não me abalou nenhum pouco.- Esses são os meus termos, é pegar ou largar.
–Posso ao menos conversar com ela? Ela está assustada, não entende porque tivemos que viajar tão rapidamente...- assenti com a cabeça e indiquei o corredor para que ela fosse ao quarto de Alice onde sabia que elas estariam. Enquanto isso eu fui para meu quarto e fiquei de frente ao meu enorme espelho não conhecendo a mulher refletida nele...
[...]
Sai do quarto e não ouvi barulho algum, encontrei um bilhete da Alice avisando que tinha saído com a Ellen e minha mãe. Era inacreditável como a Alice era carismática.
Aproveitei o silêncio e fui repassando os acontecimentos. Primeiro o emprego dos meus sonhos, depois o Edward me tirando do eixo me deixando confusa e querendo mandar em mim, o reencontro com meu passado que veio com a bagagem extensa de amigo, padrasto, mãe e irmã... Estou bem arranjada com minha situação. Não sei quanto tempo fiquei divagando sai do meu transe por uma freada brusca na rua e algumas pessoas gritando. Não dei muita importância até ver Alice entrar em casa poucos minutos depois com Ellen a tira colo desesperada. Algo tinha acontecido de muito grave.
– O que aconteceu Alice?- já estava ficando nervosa e quem respondeu em meio às lágrimas foi a Ellen.
– A mamãe foi atropelada Bella... E agora? Se ela morrer vou ficar sozinha.- ela voltou a chorar e eu olhei com os olhos arregalados para a Alice. Estava paralisada... O que fazer agora?
Edward POV
Sai da casa de Isabella e deixá-la sozinha me oprimiu o peito. Nunca na minha vida senti tal coisa. Essa necessidade de cuidar, proteger e querer estar perto era inédita e desesperadora. Respirei fundo e soltei o ar pela boca só ai me dei conta que não estava sozinho.
–Eu entendo bem essa impotência meu amigo... Sair e deixar a Aranha lá com a cobra também me deixa de cabelos em pé!- ele massageava a nuca com cara de preocupação.
–Não se esqueça que a cobra come a aranha... -Não resisti ao trocadilho e isso arrancou uma gargalhada do Marcus.
–Ora, ora se não é o Sr° arrogante tentando desanuviar as coisas? Agora entendo porque ela está confusa.- a parte do Sr° arrogante ficou esquecida com a possibilidade de saber mais dos sentimentos de Isabela em relação a nós. Pelo que eu sabia Marcos era o mais próximo que Isabella tinha de um amigo e confidente.
– Dá para definir confusa ou não está autorizado a falar nada como os velhos e fiéis amigos?- perguntei ao chegarmos à garagem. Marcus me olhou de cima a baixo e pareceu pensar um pouco para me surpreender.
– Está disponível gostosão?- ele ria descaradamente da cara que eu com certeza tinha feito.- Não pra isso que passou na sua cabeça, o que é uma pena. Quero te falar umas coisas da Bella que talvez te ajude.
Aceitei a proposta, estava curioso para saber o que mais tinha de obscuro na vida dela embora eu achasse que as coisas que ela passou nada seria mais terrível.
Chegamos a um restaurante japonês e Marcus parecia conhecer a todos. As mesas eram separadas por biombos nos dando a privacidade necessária, nos sentamos em uma delas próximo a uma janela deixando o restaurante com um ar limpo... Gostei do lugar.
– Eu e a Paixão vivemos nesse restaurante... Ela adora um japonês- ele riu da piada sem graça. – Adora comida japonesa Gostosão.
Resolvi interromper a rodada de piadas de mau gosto dele perguntando o que mais me interessava no momento: Isabella.
– Pensei que esse almoço seria para falarmos da Isabella...- ele me encarou e novamente fomos interrompidos pela garçonete para fazer os pedidos. Minha paciência estava no limite. Escolhi qualquer coisa e deixei ao encargo dele escolher as bebidas. Depois que fomos deixados sozinhos Marcus ficou com os olhos perdidos em algum ponto do biombo e quase chamei sua atenção novamente e ele começou a falar.
– Acho que você já sabe a história da Bella, pelo menos o que ela quis que você soubesse... Ela teve sua adolescência devastada por um monstro e fez justiça com as próprias mãos.- ele balançou a cabeça e olhou para mim.- Eu não teria a força que ela teve para se reerguer e sobreviver. Sair de casa aos 18 anos, chegar em uma cidade que você não conhece ninguém, passar fome, frio, sede... Não consigo me imaginar nessa situação, mas a Bella foi uma guerreira! Passou por tudo isso sozinha fazendo o que foi preciso para seguir em frente e esquecer o passado. Eu me identifiquei com ela assim que Aro a trouxe para a boate. Dei força para que estudasse, que parasse de sair com os clientes e ela me ouviu. Hoje ela se sustenta com seu próprio talento, sem precisar de homem nenhum que dite as regras da sua vida. É ai que quero chegar Edward... — olhei fixamente pra ele, estava chegando a hora que eu iria entrar na história dela e não sabia até que ponto iria ser sincero com o Marcus.
– Antes que você continue eu vou esclarecer que não quero brincar com a Isabella. Sei da minha má fama, mas com ela é diferente... – pronto falei! Fui mais sincero do que imaginei que seria.
– Ai está o “X” da questão... Isabella não é mulher de se prender a ninguém! Eu não vou negar pra você que ela está confusa pela relação de vocês, mas quando ela se dar conta que está perdendo sua liberdade ela chuta o pau da barraca e acaba com tudo.- Marcus não sabia que ela já tinha feito isso. Sua narração foi interrompida mais uma vez pelos nossos pedidos.
Comemos em silêncio, cada um imerso nos seus próprios pensamentos. Os dele eu não sei, mas os meus era que eu não desistiria dela. Como cheguei a essa conclusão não saberia dizer, mas era uma certeza e iria precisar de um aliado e se eu quisesse contar com a ajuda do melhor amigo dela estava na hora de colocar as cartas na mesa.
– Ela já chutou o pau da barraca Marcus. Dispensou-me, meu primeiro fora acredita? – perguntei meneando a cabeça ainda não acreditando.- E ainda pediu demissão. Consegui que voltasse atrás na questão da demissão, realmente preciso dela nesse projeto e ela é bastante talentosa. Quanto a nós resolvi deixar correr, já sei que o espírito dela é livre e não gosta de amarras assim como eu então vou deixar rolar. Ela não quer ajuda em relação ao padrasto dela, isso eu não abro mão, com tantas mulheres no mundo ele escolhe as mais frágeis e vulneráveis? Eu sendo homem não aceito esse tipo de coisa.- cada vez que me lembrava inflamava de ódio.
– Então estaremos juntos nessa gostosão. Vou lhe ajudar e sei que a Bella vai surtar, mas é por uma boa causa.- aproveitei a deixa e contei meus planos pra ele.
– Primeiro vamos reunir provas, vou conversar com meu irmão que é advogado e ele nos dirá como proceder. Ele não irá se livrar de mim tão fácil Isabella gostando ou não...
Terminamos o almoço com um aperto de mão e a promessa mutua de ajudar a Isabella. Não vi razão para voltar para a empresa. O que mais me interessava só estaria lá amanhã. Resolvi ir pra casa e pensar no meu próximo passo tanto para destruir o miserável quanto para colocar Isabella na minha vida.
Minha mãe sempre me falou que quando eu me apaixonasse seria só aquela mulher e eis que esse dia chegou... Não adiantava mais negar eu estava apaixonado por ela, agora só quero saber o que fazer a respeito disso.
Jacob soltaria fogos e meus irmãos achariam que fui abduzido e devolvido diferente... Estou ferrado!
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