Vida De Monstro - Livro Três - A Guerra
6 VI - Michael
Notas iniciais
VI – Michael
Como resumir tudo o que eu sentia? Raiva, frustração, tristeza, dor, decepção....... inutilidade.
Nosso grupo já caminhava rumo a cidade mais próxima em busca de voou direto para a Romênia. Estávamos em quinze, os sete chefes de vila, seus sete escolhidos, eu era um deles, e o grande líder Miakoda. Ao nosso lado também vinha Rebecca, mas ainda não tínhamos certeza se seria possível levar uma loba conosco.
Fazia dois dias desde que saímos da grande tribo, dois dias que eu parecia destruído, e no fundo estava. Saber a verdade me deixou em um estado que eu nunca pensei chegar, mas pelo menos agora eu sabia de tudo.
Tínhamos parado para fazer um rápido almoço, carne seca, frutas secas banhadas em um tipo estranho de mel, suco gaseificado, feijão enlatado e uma boa quantia de arroz integral. Estava tudo calmo e sereno no dia, menos o meu interior, o grande líder, Rebecca e meu líder sabiam o porque disso, talvez todos ali soubessem, mas ninguém ali resolveu se pronunciar, talvez pela fome que sentiam, talvez por saberem que eu não queria conversar, ou talvez pelo calor gigantesco que estava ocorrendo desde ontem e que nos fazia ficar de bico calado ou acabar com a garganta e boca toda ressecada, até os mais machistas estavam usando protetores solares e labiais fortes por culpa do calor e ninguém ali passava mais de trinta minutos sem beber uma boa dose se suco gaseificado.
O almoço já havia acabado a um bom tempo e já havíamos caminhado mais de dois quilômetros e meio, faltava pouco para chegarmos a cidade, bem pouco. Mas nem tudo na minha vida conseguia ser calmo por muito tempo. Na frente do nosso grupo sete pessoas encapuzadas apareceram, todos vestindo roupas negras e casacos com capuz, a única parte visível de seus rostos eram pequenas presas que saiam da boca reluziam pouca luz:
-Vampiros – disse Brock Stone, outro líder de tribo, um homem alto, careca, de pele negra e olhos castanho escuro – Quem enviou-os até nós?
-Saudações do mestre Ferdinand dos the killers – disse o vampiro do meio vindo na nossa direção
Senti um ódio gigantesco subindo dentro de mim ao escutar aquele nome proibido. Senti o controle sobre o meu corpo diminuir e de um momento para o outro a enorme sede por sangue retornou, e dessa vez eu iria saciá-la. A última coisa que lembro foi de avançar na garganta do vampiro e cravar meus dentes na sua jugular.
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-Lembro como se fosse ontem o dia em que um trio de jovens lobisomens chegou a grande tribo – disse Miakoda com um sorriso no rosto – Todos ali tinham treze anos e sorrisos no rosto, seus nomes eram Hector Rivers, Luna Sand e Ferdinand Snow
Senti meu corpo tremer ao ouvir aqueles nomes e próximo de mim Hector ficou com o rosto fechado como se péssimas lembranças viessem a seguir:
-Eu vi a determinação nos olhos dos três – disse Miakoda continuando a falar depois de uma curta pausa – Então mandei meu melhor aluno para ensiná-los
-Salazar Climb – disse Hector soltando um longo suspiro e podia jurar que ele quase soltou uma lágrima
-Sim, Salazar Climb, um dos meus melhores alunos e era seria o meu sucessor quando me aposentasse. Ele treinou aquele trio de pequenos gênios e em poucos anos eu não estava mais de frente para jovens lobisomens, mas sim de frente para alguns dos maiores gênios que os lobisomens jamais sonharam em ver, Luna e Ferdinand progrediram de uma forma que nunca tinha presenciado em toda a minha vida, não haviam duvidas de quais seriam os futuros lideres e talvez até mesmo o futuro grande líder após Salazar
-Mas então aquilo aconteceu – disse Hector mais uma vez com o rosto cheio de raiva
-Sim aquilo aconteceu
-O que? – perguntei querendo logo que eles pulassem essa besteira toda
-Sua mãe conheceu o seu pai e os dois começaram a ter um relacionamento, Arthur Solomon, um homem de bom coração, alguém em que se podia confiar os segredos dos lobisomens, o melhor partido possível para alguém como a sua mãe, e não posso negar o quanto se parecem
-E o que tem o fato de minha namorar o meu pai?
-Tem que foi a partir daí que tudo começou a desandar – Hector soltou um longo suspiro e apertou seu próprio punho ao falar
-Sim foi a partir daí –Miakoda disse encarando o topo da cabana – Sua mãe era uma bela mulher, e de uma personalidade forte e cativante, era uma criatura apaixonante e um jovem lobisomem não escapou de se apaixonar por ela, Ferdinand era apaixonado pela sua mãe desde que se conheceram, seu maior sonho era se casar com ela e ter filhos
-Mas minha mãe não o queria
-Exato, sua mãe não o amava, não da mesma forma como ele a amava, e quando Ferdinand descobriu sobre o namoro dele ele ficou com frustrado
-Frustrado? – Hector soltou um riso de deboche – Ele não se sentiu apenas frustrado, ele só faltou enlouquecer de ódio quando soube, ele tentou até matar o seu pai de tamanha ira, para ele sua mãe só podia ser dele e de mais ninguém, quando sua mãe deu a noticia só havíamos eu, ela e Ferdinand juntos na barraca e juro que aquilo que estava no rosto dele não era só frustração
Lembrei de um sonho, um sonho sobre uma reunião de três pessoas e por dentro eu comecei a me perguntar se não era a tal reunião:
-Depois desse dia Ferdinand não foi mais o mesmo – disse Miakoda com um olhar triste na face – Ele começou a mudar, se tornou alguém rancoroso, invejoso, cheio de raiva e que não e importava mais com a tribo, seu único objetivo agora era matar seu pai e tomar sua mãe para si, mas isso não seria uma missão fácil, seu pai não era alguém fácil de derrotar e Luna era um dos três únicos lobisomens que podiam vencer Ferdinand em um combate digno, os outros eram Salazar e eu, então Ferdinand recorreu a um ato extremo
-Que ato? – antes que Miakoda pudesse responder Hector tomou a sua frente
-Eu e sua mãe tínhamos acabado de voltar de uma missão, estávamos voltando para nossa tribo para falar com Salazar e quando chegamos ficamos sabendo de uma noticia
-Que noticia?
-Salazar Climb, nosso amado mestre, tutor e até mesmo um segundo pai tinha sido assassinado.
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Acordei sentindo alguém me batendo no rosto, meu corpo parecia mais pesado e ao mesmo tempo bem mais forte. Olhei ao meu redor, um grupo de lobisomens assustados e a alguns metros de distancia, os únicos próximos eram Rebecca e Hector.
Levantei e encarei o grande líder que era o mais distante do grupo, na verdade se fosse pelas minhas memórias o grande líder era o único que permanecia na sua posição original quando os vampiros apareceram:
-O que aconteceu? – perguntei me sentindo mais vivo, mas com o rosto molhado, passei o braço ali e ele voltou cheio de algo vermelho, sangue – O que aconteceu?
-Você matou os vampiros sozinhos, enquanto estava transformado – respondeu Hector com a voz tremendo – Nenhum de nós conseguiu de parar e mesmo quando você tinha matado os vampiros sua fúria não tinha cessado, você queria mais, mas o grande líder só assoviou e você desmaiou
-Obrigado então grande líder – disse fazendo uma reverencia – Se já sabemos o que aconteceu então temos que continuar a andar não é mesmo? Ainda vamos demorar até chegar a cidade
No fundo eu só não queria era falar mais nada e nem ficar parado, eu poderia surtar se não me movimentasse enquanto todos me olhavam com aqueles olhos, olhos de pessoas visualizando o pior dos monstros.
Finalmente havíamos chegado a cidade, era fácil de se perceber isso, de um momento para o outro a floresta sumiu dando lugar a uma estrada onde vários carros passavam constantemente, aquela era a estrada principal, a estrada que se seguida dava direto no aeroporto.
Andávamos pela cidade, um grupo de pessoas de idades diferentes, e até um velho centenário entre nós, e um lobo ao lado, não era preciso dizer que todos nos observavam com olhares assustados e curiosos, perguntando entre si se teria algum evento de fantasia ou alguma palestra sobre cultura indígena hoje. Muitos de nós se vestiam como verdadeiros índios norte americanos, mas com um pouco de modernidade, outros carregavam apenas adereços ou tatuagens representando sua origem indígena, fosse ela norte americana, brasileira, aborígene ou qualquer outra.
Não pegamos transporte algum, alguns de nos tinham problemas com carros e certos tipos de veículos, sentiam enjôos e em casos extremos até vomitavam, pegar o avião seria um grande desafio para eles, mas um desafio que eles cumpririam com todas as forças, mas somente daquela vez e não antes. Acabamos cruzando a cidade inteira a pé, chegamos ao aeroporto por volta das sete e meia da noite, só havíamos parado uma única vez e foi para fazer um lanche em uma lanchonete fedorenta e com baratas e pernilongos no banheiro impedindo qualquer um de fazer suas necessidades, a não ser que ele não sentisse nojo e suportasse o cheio de fezes e urina que saia dali.
O vôo só sairia as oito e quarenta e cinco então aproveitamos para comer novamente e se hidratar, hidratar muito já que todos estavam cansados de andar horas a fio com apenas duas curtas pausas em meio aquele sol fulminante.
Ainda não sabia como Rebecca havia agüentado tudo aquilo, era calor demais imagine para uma loba negra, ela parecia acabada quando chegou ao aeroporto e antes que levassem ela para alguma jaula e tentei hidratá-la o máximo possível ou algo me dizia que ela poderia desmaiar ali.
A única coisa que realmente me surpreendeu ao chegarmos ali, além do fato de estarmos todos vivos, era que o que parecia o menos cansado de nós todos era o grande líder, ele não suava, sua respiração não parecia mudada e nem seus batimentos, eles estava do mesmo jeito que havia começado.
Entramos no avião, o grande líder e os outros líderes foram na primeira classe enquanto eu e os outros escolhidos íamos na classe econômica e Rebecca ia enjaulada sozinha com os outros animais. O vôo demoraria bastante e com o corpo cansado do jeito que estava acabei dormindo, e como eu estava odiando dormir ultimamente.
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-Assassinado por quem? – perguntei assustado e não sabia o por que
-Ferdinand – disse Hector contendo uma lágrima – Quando voltamos da missão era lua nova então ninguém se transformaria, mas Ferdinand então roubou um item da tribo, nossa pedra lunar e se utilizando dela ele se transformou e matou o líder Salazar a sangue frio
-Por que ele faria isso?
-Agora não é momento – disse o grande líder – Depois da morte de Salazar descobrimos que além da pedra da lua outra coisa havia sumido, nesse caso duas outras coisas, duas lobas – me virei na direção de Rebecca que escondia o rosto com as patas
-Rebecca e sua irmã Rachel, ele havia capturado as duas e levado com ele junto de um bando de outros traidores, todos o seguiam como se ele fosse um messias, um salvador, quando na verdade estava maluco, sua mãe foi a primeira a tomar uma iniciativa, ela foi atrás de Ferdinand sozinha
Senti algo se espalhando pelo meu corpo, um choque estranho, e senti minha mão esquerda tremer como se quisesse enforcar alguém:
-Sua mãe perseguiu o grupo por dias a finco, nove dias para ser exato, assim que a lua estava já aparecendo no céu ela começou a persegui-los transformada e cá entre nós ninguém era mais rápido que a sua mãe – um sorriso orgulhoso apareceu no rosto triste de Hector – Ela os emboscou num ponto, atacou a alcatéia de rebeldes, mas não achou nem a pedra nem as meninas, Ferdinand havia se separado delas previamente deixando-as com dois homens de confiança dele e havia deixado a pedra com elas forçando-as a ficar transformadas o percurso todo, ela mais fácil carregar duas garotinhas do que duas pequenas lobas
-Enquanto sua mãe perseguia Ferdinand sozinho nós recorremos a ajuda – disse Miakoda com o rosto extremamente serio – Chamamos os melhores caçadores livres no momento para perseguir o traidor, jamais poderíamos imaginar o que Ferdinand faria com tamanho poder em mãos – uma longa pausa na fala – Em pouco tempo os caçadores acharam a alcatéia rebelde e um outro grupo de dois lobisomens achou os lobisomens que carregavam as gêmeas, houve uma tremenda batalha naquele dia, Luna e os caçadores contra uma alcatéia de lobisomens sedentos por sangue
Lembrei da historia que Morgana havia me contado um bom tempo atrás, sobre como minha mãe morreu confundida no meio de uma caçada, agora eu sabia qual:
-Sua mãe não morreu confundida Michael – disse o grande líder me olhando nos olhos – Foi Ferdinand que a matou mesmo que ele não saiba disso, foi ele que feriu mortalmente sua mãe, ano sei o que aconteceu depois do ferimento, mas soube que sua mãe morreu da hemorragia e seu pai e avós também
-Sim eu soube dessa parte – só que meu pai e meus avós morreram por outro motivo, eles eram magos e pagaram por praticar magia
-Você sabe como escapou da morte?
-Sei – respondi encarando os olhos brancos de Miakoda, ele sabia sobre magia, estava escrito na sua face que ele sabia sobre meu pai ser mago, ele sabia porque meu pai havia morrido
-Bom, depois da morte de sua mãe ficamos sabendo que durante a missão de recuperação das gêmeas algo havia ocorrido
-Rachel havia morrido por falha minha – disse Hector com raiva e apertando seu braço até filetes de sangue escorrerem – Eu estava no resgate, eu podia ter matado o lobisomem antes que ele agisse, mas o poder da pedra da lua deixava-o mais forte e ele se aproveitou dessa vantagem, ele acertou ela no coração e se jogou em um rio próximo carregando a pedra, procuramos por meses, mas jamais achamos a pedra ou o corpo de Rachel, apenas o corpo d lobisomem com uma escritura no peito feita por garras “Eu posso ter perdido mina missão, mas vocês perderam muito mais”, era uma mensagem de Ferdinand
-Então Ferdinand achou Rachel e a pedra antes de vocês? – a um longo tempo atrás havia enfrentado um lobisomem que tinha uma pedra da lua, agora sabia de quem ele tinha conseguido
-Sim, provavelmente Rachel estava morta pelo tempo que se passou e então entramos em luto
-A pior semana da historia dos lobisomens em cento e vinte e dois anos – respondeu Miakoda deixando uma lágrima cair de seu rosto – Enterramos o corpo da sua mãe no cemitério dos grandes lideres junto de Salazar, se eles dois não tivessem morrido ambos seriam os próximos grandes lideres após a minha aposentadoria, mas agora não a mais ninguém apto
Silencio reinou na barraca e acabei saindo, aquilo estava me sufocando. Corri sozinho para fora com lágrimas de raiva nos olhos e andei até onde deveria ficar o cemitério dos grandes lideres, no topo de uma colina próxima a grande tribo. Cheguei lá mais rápido do que pensei e também achei aquela lápide mais rápido do que pensei.
Uma grande lápide com um nome escrito “Luna Sand”. E sobre aquela lápide eu chorei de uma maneira que nenhum humano, lobo ou lobisomem jamais deve ter chorado antes. Em meio aquelas lágrimas eu prometi, Ferdinand morreria pelas minhas mãos nem que pra isso eu tivesse que morrer também.
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Acordei com uma aeromoça me cutucando, a viagem havia chegado ao fim, estávamos finalmente nas terras dos vampiros.
Todos os escolhidos pareciam tremer assim que pisamos fora do avião, naquele momento nós não estávamos apenas na Romênia, na terra dos vampiros, mas também em um país recheado de criaturas que querem nos matar e caso lutássemos estaríamos perdidos.
Cada passo para fora do aeroporto parecia ser um passo mais próximo do inferno. Na porta do aeroporto estava uma enorme limusine negra que devia ter um vinte e cinco metros de comprimento ou mais. Um homem estava na porta de trás da limusine com uma placa escrita em letras garrafais “LOBISOMENS”. Não sabia se aquilo era um bom ou um péssimo sinal, nós tínhamos uma limusine, mas em compensação todos naquele aeroporto agora sabíamos que tinham lobisomens ali acompanhados de uma loba que também era uma lobisomem, agora tanto humanos quanto monstros que vissem aquilo saberiam que nós estávamos ali, mas algo me dizia bem dentro de mim que todos ali com exceção da gente eram vampiros.
O céu estava nublado e quase nenhuma luz chegava, toda a iluminação vinha de postes de luz instalados se não aquilo ali seria uma penumbra eterna, mas mesmo com aquela luz artificial dava ma terrível sensação, era quase como se não tivéssemos a mínima noção de passagem de tempo, era quase como se sempre fosse noite:
-Sejam bem vindos meus queridos lupinos – disse o homem na porta da limusine fazendo uma reverencia
-Por favor, apague seu cinismo maldito ou eu mesmo apago sua cara – disse o grande líder entrando na limusine antes de todos nós
-O lobo também entrara? – perguntou o homem com uma cara de nojo
-É uma loba – disse passando pelo homem com Rebecca do lado – E ela vai conosco
-Que seja
O homem fechou a porta e não vimos mais nada além do ambiente interno da limusine que era fabuloso. O ambiente interno era todo acolchoado com um tipo de couro maravilhoso, a iluminação interna era no nível perfeito, garrafas de diversas bebidas, sacos com salgadinhos e doces além de muitos tipos de doces, principalmente chocolates.
Todos se controlaram por um tempo, mas aos poucos começaram a comer e não pararam mais, as únicas pessoas que não comiam éramos eu, Rebecca e o grande líder e eu controlava meu estômago vazio para me render a tentação, mas após mais de meia hora de viagem acabei cedendo e comendo um pouco. Valeu a pena. Era tudo fantástico, delicioso, era a melhor coletânea de guloseimas que eu já comi na vida.
As bebidas não se resumiam a água e refrigerantes, havia sucos e até bebidas alcoólicas. As comidas não eram somente gostosas como também não pareciam ter fim e seu estômago nunca se dava por satisfeito. Já ia enfiar um monte de pipoca na boca quando Rebecca mordeu minha mão, lobisomens pareciam ter alguma marcação com a minha marca:
-O que diabos você está fazendo? – encarei ela e depois olhei pra mim mesmo, estava todo sujo, imundo e aos poucos comecei a sentir meu corpo tremer e minha cabeça doer, olhei para todos e eles pareciam em uma hipnose maluca enquanto comiam – Parem com isso – falei, mas ninguém parecia me escutar, havia algo ali na bebida e na comida – Parem agora!
Todos pararam de comer e ficaram me encarando, olhei para o grande líder e ele sorriu como se aceitasse o meu ato:
-Onde estamos? – perguntou Paul Waters olhando para si mesmo
-A caminho da reunião que pode decidir o fim ou não de duas raças – todos começaram a se encarar e então começaram a tentar se limpar
-Crianças – disse o grande líder que simplesmente começou a assoviar, uma brisa pareceu surgir dentro da limusine e o ar foi ficando mais úmido, em poucos segundos o ar começou a levar toda a sujeira da gente e o ar úmido parecia também molhar nossas roupas e secá-las ao mesmo tempo, era inacreditável
Após o fim do assovio a misteriosa corrente de ar também sumiu. Todos ficaram apenas encarando o velho que tinha um sorriso no rosto como um professor que ensinava algo para seu aluno que fazia ele ficar estupefato por horas ou dias a fio:
-Quando vai ensinar a gente a fazer isso? – perguntou Hector ainda boquiaberto
-Todos vocês lideres já sabiam fazer isso, invocar o poder dos espíritos em seu auxilio
-Mas é necessário todo um processo, um longo processo e só era permitido se utilizar um espírito por pessoa
-Crianças – Miakota disse novamente com um sorriso no rosto
Depois de mais quarenta minutos de tentação a limusine finalmente parou. Ficamos esperando alguns minutos até o vampiro de antes reaparecer. Ele pareceu surpreso ao nos ver completamente limpos e com a mente sã, então eles realmente queriam nos derrubar:
-Nós chegamos queridos lobisomens
Aos poucos todos nós saímos e dessa vez não ficamos boquiabertos de surpresa, mas sim tremendo, aquilo era surpreendente e ao mesmo tempo tenebroso. Era o castelo de Drácula.
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