Vida De Monstro - Livro Três - A Guerra
7 VII - Amy
Notas iniciais
VII – Amy
-Quantas pessoas do colégio já foram pro hospital? – perguntei me abanando o máximo possível e rezando pro condicionador de ar começar a fazer efeito logo, mas algo me dizia que já estava fazendo efeito, só que o calor era grande demais
-Acho que já mais de quarenta alunos, soube que alguns da outra turma também foram embora por não suportarem mais o calor – era Julia que falava enquanto ficava apenas deitada em baixo do condicionador de ar, os alunos em questão eram Drake e os ouros vampiros, mas não era por causa do sol
-Os cientistas dizem que isso foi causado por uma mudança na orbita da Terra – disse Jennifer mexendo no computador – Mas se a Terra mudou mesmo de orbita isso não vai mudar somente a temperatura não é?
-Isso ai – respondi ainda lutando pra não morrer de calor como já aconteceu com cento e trinta pessoas na cidade – Se ela realmente mudou então a gente pode ter sérios problemas logo mais
-Mas essa nem é a pior parte – disse Kátia saindo do banheiro, ela não conseguia passar muito tempo sem se banhar ou então já teria desmaiado a mais de uma hora, as aulas até foram canceladas pelo calor – Dizem também que a Terra está ficando mais achatada
-Como é? – todas nós perguntamos juntas e Jennifer correu para pesquisar e ficou boquiaberta quando viu a noticia
-Ela ta certa,os cientistas publicaram que a distancia entre os pólos da Terra diminuiu e parece estar diminuindo mais ainda, eles ainda não sabem a explicação, mas dizem que parece que o centro da Terra parece estar sofrendo alguma influencia da nova orbita dela, a gravidade parece ter aumentando e o planeta está se achatando
-Uma desculpa bem fajuta, mas o problema não é a desculpa, o problema é que isso é de verdade, o que diabos vai acontecer com a gente se o planeta começar a se achatar?
-Ta aqui a resposta, rachaduras começaram a se abrir em algumas cidades das zonas equatoriais, as cidades parecem estar se partindo e vários protuberâncias estão nascendo no chão, pequenos morros de algumas dezenas de metros, mas dizem que no meio do deserto do Saara acaba de surgir um de mais de duzentos metros e que cuspiu vários gases nocivos com seu surgimento matando centenas de pessoas, cientistas já estão indo pra lá para averiguar se pode haver o risco dessa coisa também cuspir magma futuramente
-O mundo ta acabando só pode – disse Claudia começando a chorar
-Calma gente – disse tentando mais me acalmar do que a elas – Tudo isso vai passar logo
-Como eu queria acreditar Amy, como eu queria – mais lágrimas
Depois de mais meia hora no quarto delas eu saí para o meu, não para poder aproveitar o condicionador de ar de lá sozinha (isso também), mas eu também precisava fazer algumas pesquisas por conta própria e elas não poderiam vê-las.
Peguei um pouco de terra que tinha guardado, um pouco de suor que era o que não faltava, acendi uma vela e comecei a recitar as palavras. em poucos segundos tudo ao meu redor parecia girar formando um círculo a minha frente e então o círculo começou a brilhar revelando o rosto de Morgana:
-O que você pensa que está fazendo Amy? – Morgana perguntou tomando um susto ao me ver
-Eu preciso de informações mãe, sei que o papai me proibiu, mas isso é mais que urgente
-É sobre as mudanças no planeta?
-Isso ai, tudo ta ficando muito maluco, pensei que era só sobre a orbita da Terra, mas agora eu descubro que a Terra está se achatando também
-Deuses
-Como é que é?
-Essa é a resposta Amy, deuses, eles voltaram e já estão influenciando a matéria como fizeram no passado
-Então eles já estão aqui e com tamanha força?
-Sim, talvez seu pai também já saiba e já começou a caçá-los, mas nem mesmo todos os caçadores do mundo juntos vão conseguir vencê-los, apenas monstros tem esse poder, nós temos que fazer igual como fizemos nas guerras etéreas passadas e rápido antes que seja sem volta
-Guerras etéreas? – antes que ela pudesse me responder aquela pergunta tudo explodiu
Caí no chão e me vi coberta de entulho e cinzas, alguma coisa havia explodido a minha parede. Levantei do chão sem nenhum machucado e corri para o enorme buraco que havia na parede. Olhei para a frente a não via nada além de fumaça, alguém também havia explodido parte do dormitório dos monstros exatamente onde ficava o quarto de Will.
Corri para fora seguida de todas as meninas que gritavam de desespero, outros pontos do dormitório também tinham explodido. A única coisa que carregava comigo era minha mochila que pelo que estava sentindo seria mais do que necessária.
Quando consegui sair do dormitório vi centenas de alunos assustados, todos os dormitórios estavam com partes das paredes explodidas. Até mesmo os monstros remiam de medo, eles provavelmente estavam sentindo a mesma coisa que eu, havia algo ali na academia e ela era poderosa.
Aos poucos senti meu corpo se virando involuntariamente na direção da biblioteca e de lá vi três figuras aparecendo. Um homem sem camisa, ele usava apenas uma calça negra e um par de sapatos de couro, usava uma manopla no braço esquerdo e carregava uma lança que lembrava uma cruz. Ao seu lado havia uma mulher negra, de cabelos presos em um coque vestindo um belíssimo vestido azul com tons de dourado. E ao lado dela vinha um homem de pele amarelada, de longos cabelos negros, olhos apertados, vestia um kimono vermelho adornado com desenhos de galhos e flores e carregava uma enorme katana, ela devia ter um metro e meio e o cabo dela se resumia a apenas um pedaço simples de madeira, sem nenhuma adorno especial, mas parecia que uma aura poderosa saia da lâmina como se ela estivesse viva:
-Ola de novo caçadora – disse Gilles e como eu o odiava
-Ola de novo Gilles, essa ao seu lado deve ser Marie Laveau, só tenho duvidas de quem é esse asiático ai
-Ele se chama Sasaki Kojiro
-Sasaki Kojiro? O lendário samurai adversário de Miyamoto Musashi? – o samurai tremeu ao escutar aquele nome e chegou a abrir os olhos
-Se fosse você garota não teria dito esse nome, ele não gosta muito do adversário como você deve saber
-Claro, Musashi matou Kojiro no maior combate da vida dele e chegou a elogiar Kojiro após sua morte, o maior adversário que ele já teve
Kojiro pareceu ficar ressentido por um momento, mas novamente o olhar de ódio surgiu no seu rosto:
-Bem jovem maga – disse Gilles com um riso na cara – Eu finalmente vim pra acabar com você e gostaria que seu namorado estivesse aqui pra ver, mas soube que ele deu uma sumida não foi
-É mais logo ele volta, diferente de você que quando eu pegar vai voltar por inferno – o riso parou e Gilles ficou com os olhos cheios de ódio, a pressão do ar aumentou e todas as pessoas caíram no chão com exceção de mim e um anão eu também estava com cara de raiva
-Por que você não caiu?
-Eu aprendi algumas coisas novas – tirei da mochila minha adaga negra e dois fracos que haviam ali dentro, eles podiam ser a diferença entre a vida e a morte hoje, só espero ter acertado na criação deles
-Sinto que sim, e dessa vez ninguém vai nos atrapalhar querida, o próprio chefe me mandou aqui junto desses dois pra matar todos vocês
-Uma pena que ninguém aqui vá morrer
Senti a aura da adaga me cobrir e então avancei. Gilles também partiu na minha direção. Pensei que ele fosse tentar se defender do golpe da minha adaga, mas ele obviamente sabia que se fizesse aquilo teria a lança partida então desviou para o lado e quando vi uma parede de pedra havia aparecido na minha frente. Subi pela parede e dei um mortal no ar caindo perto de Gilles que ia me desferir um golpe direto na garganta se eu não tivesse feito uma explosão acontecer entre nós dois.
Voei para trás com alguns ferimentos, mas Gilles havia absorvido a maior parte da explosão no meu lugar e estava com queimaduras por todo o peito que as poucos começavam a sumir:
-Desde quando uma novata usa feitiços sem palavras?
-Que tal por utilização de tatuagens
-Que tatuagens? Você não tem nenhuma
-Tem certeza? – a aura negra ao meu redor começou a se fixar na minha pele formando vários símbolos mágicos – Posso condensar a aura na forma de várias tatuagens em frações de segundos e depois fazê-las desaparecer tão rápido quanto apareceram
-Então a pirralha aprendeu um truque novo e pensa que pode me vencer?
As tatuagens de Gilles começaram a brilhar e seu corpo pareceu dobrar de tamanho. Seus músculos pareciam ter inchado junto de todos os seus ossos e partes do corpo, ele era uma massa gigantesca de músculos carregando uma lança que emanava uma aura verde:
-Se prepare para morrer humana – a voz de Gilles parecia mais um rugido animal do que uma voz humana, quando ele terminou de falar o anão que continuava em pé naquela enorme pressão de aproximou, ele devia ser forte por conseguir se mover ali – O que você quer anãozinho?
-Anãozinho? O rosto do anão ficou vermelho de raiva
-Sim, anãozinho, o que você quer e qual o seu nome?
-Eu sou Deive, filho de Kili, e vi acabar com você seu gigante de merda
-Deive? – Gilles soltou algo que devia ser um riso, mas era animalesco demais pra saber a verdade – Anões e seus nomes ridículos
-Como é que é? – Deive cravou um chute no joelho de Gilles, devia dizer que tinha sido apenas um chute, mas aquilo foi tão forte que rasgou o joelho ao meio fazendo a tíbia e o fêmur se separarem jogando uma perna rumo ao chão e fazendo Gilles desabar no chão – Isso é por ter xingado meu nome e esse agora é por ter me chamado de anãozinho
Mais um chute e dessa vez direto na cabeça, Gilles poderia ter se esquivado, mas a velocidade do anão foi tão grande que ele não conseguiu. Foi um golpe certeiro na cabeça que fez com que a cabeça se partisse em duas e um enorme e deformado cérebro voasse para longe.
Sangue negro, ectoplasma, começou a se espalhar pelo chão, Gilles, uma mago tão poderoso, morreu com míseros dois chutes. Fiz uma anotação mental de jamais ofender um anão na vida, eu não gostaria de morrer daquele jeito:
-Obrigada bom anão – disse Marie se aproximando dele e passando a mão pela barba rala do anão, ele estava careca e com uma barba bem rala, mas até onde eu lembre a última vez que o vi ele não estava daquele jeito
-Pelo que?
-Por me livrar daquele empecilho maldito que era Gilles, você merece ser recompensado – Marie já ia meter sua mão dentro da sua roupa quando Sombra apareceu e mordeu seu rosto fazendo a mulher recuar – Corvo maldito!
Marie estava com um ferimento acima do olho que fazia sangue escorrer, ela tentou novamente enfiar a mão dentro da roupa, mas o fio de barba que ela tinha já havia sumido e estava na boca de Lua:
-Malditos avatares!
-Essa foi por pouco – falei me aproximando daquela bruxa maldita, Marie pelo que li era uma especialista em voodoo, mas não aquele voodoo fajuto que mexia com bonecos, mas sim o original, uma técnica obscura bem antiga onde você não fazia mal a um boneco para então ele fazer mal a pessoa a quem você selecionasse e colocasse alguma parte dentro do boneco, no voodoo original você era seu boneco, você se machucava para gerar machucados no outro, era uma técnica proibida que poucos se tornaram mestres, Marie era um desses mestres
-Não se preocupe maga, se eu falhei com o anão não vou falhar com você, eu sei muito mais do que voodoo
A bruxa começou a regurgitar seu próprio ectoplasma formando várias poças pelo chão, era tudo nojento de se assistir, mas a pior parte nem foi essa, mas sim a que veio depois. O vomito negro parecia se fundir aos poucos com o chão e também parecia se misturar ao ectoplasma de Gilles, era uma mistura maluca que aos poucos foi se misturando de uma maneira mais louca ainda.
Toda a terra onde o ectoplasma havia tocado começou a se mover sozinha e a cobrir o corpo transformado e morto de Gilles. Em poucos segundos a terra já havia coberto todo aquele monstruoso corpo e parecia estar devorando-o. aos poucos o corpo que foi “devorado” pela terra começou a se erguer, mas não era mais um corpo humana, parecia mais um monstro de pedra cheio de rachaduras de onde saia ectoplasma constantemente:
-Veja crianças meu golem – a criatura gritou ao ouvir sua criadora dizer seu nome – Agora golem acabe com todos eles
O golem avançou na nossa direção com uma expressão irreconhecível, só sabíamos que ele queria nos matar. Preparei um ataque avancei na direção do golem passando por debaixo do seu braço e rasgando parte da sua axila com a adaga.
O braço da criatura quase foi arrancado fora com o meu ataque, mas ficou faltando um pequeno pedaço que logo aumentou de tamanho, ele podia se regenerar, mas só fez isso quando começou a absorver parte da terra embaixo dos seus pés, terra era o que ele precisava e terra seria o que eu tiraria dele:
-Deive não é? – perguntei escapando por pouco de um soco que fez uma cratera no chão
-Eu – o anão disse segurando com as mãos um chute do golem e derrubando-o no chão
-Preciso que você não derrube ele, pelo contrario, arremesse ele pra cima o mais alto que puder, você acha que consegue?
-Você está subestimado minha força? – o rosto do anão pareceu ficar vermelho novamente
-Sim
Eu recomendo que você jamais ria ou subestime um anão, você pode acabar sendo morto, mas por sorte o golem se ergue na hora e Deive mando toda a sua fúria para o golem.
Pensei que Deive fosse agarrar e jogar o anão para cima, ou dar um poderoso gancho que fizesse tudo ao redor tremer, mas não, ele só mandou mais um de seus chutes. Deive se concentrou por alguns segundos, dava pra sentir uma espécie de aura marrom ao seu redor que começou a se concentrar na ponta do seu pé e então ele mandou um chute que foi direto nas partes baixas do golem e não posso negar que o ar ao redor tremeu com o golpe. O golem se ergue do chão e não foram um ou dois metros, mas sim nove metros de altura.
Peguei um dos meus frascos e usando um feitiço de ar mandei o frasco em direção ao golem antes que ele caísse. Parando pra pensar agora eu acho que não ia precisar que o golem estivesse no ar para usar aquilo já que o poder destrutivo dele devia ser maior que a regeneração do golem, mas agora tanto faz.
O frasco de fogo grego acertou o golem e fez ele ficar em poucos segundo banhado de uma chama verde que parecia comer tudo a sua frente, demorei dias pra entender o processo de formação do fogo grego e mesmo assim ainda estava insegura com o resultado, mas ele se mostrou perfeito. Em segundos não havia mais golem nenhum e sim apenas um amontoado de cinzas:
-O que tem mais pra gente Marie? – perguntei com um sorriso no rosto, a mulher já ia gritar alguma maldição quando corri na direção dela e com um simples movimento do braço arranquei a cabeça dela que rolou pelo chão até perto das cinzas do golem – Falta só você agora Sasaki Kojiro
O espadachim assentiu com a cabeça e se aproximou calmamente como se não se importasse com nada. A calma era tamanha que fiquei tensa por um momento, ele estava mais do que confiante, era como se ele tivesse certeza e que não fossemos adversários pra ele:
-Saia daqui garota – disse Deive com medo nos olhos – Ele não é alguém que nós dois podemos enfrentar sozinhos
-Como assim? – voltei a encarar Kojiro e então despenquei no chão, a pressão de Gilles já havia sumido a um bom tempo, mas dessa vez eu não cai no chão por alguma magia, mas sim de medo, meu corpo caiu de medo da aura que aquele homem e sua espada soltavam, eu estava tremendo
-Aquele espada que ele carregava é uma Masamune-to original, uma arma forjada por Masamune Okazaki, um ferreiro japonês que tinha sangue de anão e que dizem ter forjados as espadas mais poderosas do mundo, milhares de anões veneram Masamune pelas suas técnicas e pelo fato dele ter sido capaz de passar até mesmo parte de sua alma para suas forjas, era quase como se suas espadas tivessem vida própria
Vendo aquela arma eu não podia negar isso, era como se ela estivesse viva e com raiva, uma raiva sobrenatural.
Kojiro se colocou em uma posição eu nunca tinha visto antes, mas parecia ser uma posição de kenjutsu, ele ia atacar. A última coisa que vi foi uma ventania vindo na minha direção, meus reflexos agiram na hora e mesmo tendo o poder da adaga melhorando meu físico eu senti um rasgo no braço.
Rolei pelo chão com sangue escorrendo, alguma coisa quase havia arrancado meu braço fora e dava pra sentir os ossos do meu ombro esquerdo cortados, a dor era grande então peguei meu segundo frasco, Feé. Coloquei no ferimento e então me virei para encarar Kojiro que permanecia na mesma posição de antes, ele não havia se movido, ou havia se movido tão rápido que meus olhos nem mesmo sonharam em ver.
O espadachim mudou de posição, pela posição da lâmina parecia que o golpe ia vir da direita e na direção do estômago, mas não dava pra confiar, se ele fosse tão rápido quanto eu pensava que ele fosse então ele poderia mudar de posição e eu nem perceberia antes de ser morta.
Ele já ia se mover novamente quando uma corrente de ar surgiu nas minhas costas, me virei para ver o que era e vi um portal roxo se formar no ar. De dentro do portal vinha um ar quente mortal e gritos e dor e agonia além de uma figura humana vestida com apenas uma calça negra rasgada, ou pelo menos tinha forma de humano já que ele era bonito demais para ser humano:
-Que cara é essa Amy? – Will perguntou enquanto o portal se fechava nas suas costas
-Will! – pulei em cima dele e ele só soltou um riso
-Pode me largar agora só por um minuto?
-Só um minuto – disse saindo de cima dele e vi os olhos dele irem em direção a Sasaki Kojiro
-Mais um meia-vida?
-Sim, e havia outros dois, mas já me livrei deles com a ajuda de uma amigo
Will andou na direção de Deive e ofereceu a mão para ele:
-Obrigado amigo, qual seu nome bravo guerreiro?
-Não preciso falar nesse tom comigo “amigo”, só fiz o meu dever, sou Deive, filho de Kili, um anão negro conhecido como pé-de-ferro
-Algo me diz que não quero saber o porque desse titulo bravo Deive
-E não vai mesmo querer, e você quem é?
-Sou William Maquiavel, filho do lorde Byron Maquiavel, senhor do sétimo circulo do inferno, meus inimigos me chamam de dragão negro
-Algo me diz que não quero saber o porque desse titulo bravo William
Will soltou um longo riso, ele estava feliz hoje:
-E não vai mesmo querer saber, mas não vim aqui para conversar, pelo menos não agora, bravo anão eu gostaria de saber se você teria alguma arma já forjada próxima que poderia me emprestar para enfrentar esse homem que me olha com olhos tão malignos e algo me diz que ele ousou tocar na mulher que amo e jurei proteger, e ninguém toca nela e sai vivo
-Pensei que demônios não amassem
-E não amam, mas isso não significa que eu não possa ser o primeiro a fazer isso e sair vivo para contar a história
-Certo então, quero ver o quão bom você é, tenho algo comigo no dormitório, mas ele ta destruído e posso demorar um pouco
-Não se preocupe, nosso querido espadachim ali vai esperar não vai? – Will encarou Kojiro que assentiu com a cabeça e se sentou no chão
Andei na direção do meu demônio e ele sorriu:
-Você ta feliz demais hoje – disse encarando-o
-Talvez, é só que dessa vez ano vou mais precisar voltar para o inferno
-O que quer dizer?
-Eu ganhei o direito de ter um desejo realizado e o desejo foi que eu pudesse ir e voltar do inferno para a Terra quando eu quisesse
-Como conseguiu isso?
-Vou te contar assim que tivermos um tempo calmo e sem mortos-vivos no colégio que por sinal parece pior do que antes
-Longa historia
-Bom saber que não sou o único que tem uma
Deive estava demorando, já fazia mais de quinze minutos que estávamos ali então me virei para encarar os alunos que estavam calados demais, e era obvio que estavam, todos estavam dormindo. Olhei na direção da sala do diretor e ele estava lá, parado segurando um copo de whisky e nos encarando, não sabia o que dizer vendo ele ali então só me virei na direção dos dormitórios e vi Deive se aproximando:
-Aqui está demônio – disse o anão jogando uma espada bastarda na direção de Will
Meu namorado ficou rodando a espada na mão e testou o peso dela mais de uma vez, mais uma vez um sorriso surgiu no seu rosto:
-Magnífica forja senhor Deive filho de Kili, você por acaso seria um pupilo de algum mestre anão?
-Como descobriu isso príncipe do inferno?
-O estilo e qualidade da forja, o fato de não ter cabelos, tudo isso é um sinal mais do que obvio de suas habilidades e nível na sua sociedade
-Você é mais inteligente do que pensei, poucos são os que sabem disso
-E garanto que sou um dos três únicos demônios que sabem sobre isso, a maioria de meu povo é composto de ignorantes que só sabem lutar, eu sou um caso aparte
-Entendo, então me mostre o que você tem além de cérebro e músculos superficiais
-Eu irei
Will simplesmente ergue a espada na altura do corpo enquanto Kojiro fez mais uma de suas posições de Kenjutsu. Dava pra sentir a aura dos dois se chocando gerando um clima pesado antes mesmo deles pensarem em fazer qualquer tipo mínimo de movimento. Os dois ficaram parados por exatos trinta segundos até então avançarem.
As espadas dos dois se chocaram e uma onda de ar se espalhou por todo o campus, o chão se abriu revelando uma enorme cratera e então os dois recuaram e voltaram as suas posições originais, eu acho digno de nota o fato de que em nem mesmo vi quando os dois se moveram e só percebi os dois novamente quando se chocaram.
Eles se colocaram novamente nas mesmas posições de antes. A espada Masamune estava intacta, mas a de Will apresentava uma pequena rachadura na lâmina causada pelo choque deles:
-Que droga – disse Deive ao meu lado – A qualidade da espada e as habilidades de Kojiro são grandes demais para uma forja minha suportar
-O que quer dizer?
-Quero dizer que seu amado só deve ter mais duas chances antes da minha espada se partir em pedaços, e olha que aquela era minha melhor espada
Novamente os dois avançaram e mais uma cratera se formou no chão, o choque dessa vez foi mais forte do que antes, a cratera foi maior e a rajada de vento gerada quase me tirou do chão, os dois tinham forças e velocidades sobrehumanas incomparáveis com a minha usando a adaga.
Novamente eles voltaram para os seus lugares calmamente, a espada de Kojiro continuava intacta enquanto a de Will já estava totalmente rachada e com pedaços da lâmina pelo chão, próximo ataque e ela viraria pó. Dava para ouvir um anão se controlando para não chorar ao meu lado.
Mesmas posições de antes, mesmo clima tenso e o silencio mortal. Dava para escutar o barulho do meu coração batendo a mil e as lágrimas de Deive escorrendo por saber que sua espada seria destruída, na verdade ela já estava destruída desde o primeiro ataque.
Avançaram.
Ninguém viu nem ouviu nada por longos e agonizantes segundos, eles pareciam ter sumido do planeta, mas então os dois reapareceram em meio a uma potente explosão de ar e energia.
Os dois dessa vez não estavam mais um de frente para outro, na verdade Will estava a poucos metros de Kojiro e de costas para ele. Pedaços de espadas residiam aos pés de Kojiro, e não eram apenas pedaços da espada de Deive, mas também da Masamune-to, a espada havia se partido ao meio:
-Você lutou bem guerreiro japonês – disse Will antes que Kojiro caísse no chão e ectoplasma começasse a sair do seu peito partido – Mas precisaria lutar muito melhor se quisesse me separar da minha amada, já lutei com demônios e monstros dos mais diversos tipos por ela, até matei um deus, você é um bom espadachim, o melhor que já enfrentei, mas ainda precisaria melhorar muito até ser capaz de cortar o meu orgulho
Deive se aproximou dos pedaços da sua espada com lágrimas nos olhos e eu andei ate o meu demônio que estava com um sorriso no rosto:
-Eu até diria boa luta, mas eu não vi sabe – disse e ele retribuiu com mais um sorriso – Você está sorridente demais pro meu gosto
-É só porque eu finalmente consegui de ver de novo
Ele me deu um beijo e então senti tudo ao meu redor girar, e não era por culpa do beijo, era o diretor. Quando abri os olhos o mundo na tinha girado coisa nenhuma, mas tudo havia mudado. Os buracos e escombros haviam sumido e todos os alunos também, apenas eu, Will e Deive continuávamos ali, ate mesmo os mortos-vivos haviam desaparecido:
-Tenho que ir falar com o diretor agora – disse Will passando a mão no meu rosto como se testasse se aquilo era real
-Tem mesmo?
-Sabe que se pudesse passaria todo o meu tempo com você, mas estamos no meio de uma guerra
-Como eu queria que a gente vivesse em paz
-É pra isso que eu luto Amy, para termos paz e podermos viver juntos – Will olhou para Deive que analisava os pedaços da Masamune-to – O que vai fazer agora anão?
-Acho que devo saber o que está acontecendo
-Você ira saber querendo ou não, os anões também serão afetados pela guerra então acho que mais cedo ou mais tarde os sete mestres anões vão se pronunciar
-Certo então demônio, espero vê-lo novamente e garanto que da próxima vez terei uma arma bem melhor para você
-Não duvido disso futuro mestre anão, e talvez no futuro eu precise mais dos seus serviços do que você pensa meu caro
Começamos a caminhar em direção a sala do diretor. Will ficou com o braço ao meu redor o caminho todo, ele não queria me largar, algo me dizia que ele não tinha apenas sorrisos para mostrar a todos.
O diretor continuava na sua posição, com um copo de whisky observando a janela:
-Você venceu?
-Se não tivesse vencido não estaria aqui – disse Will se sentando em uma das cadeiras
-Você se encontrou com ele?
-Como acha que eu ganhei?
-Então você aprendeu aquilo?
-Não faça perguntas que você já sabe a resposta diretor, mas eu quero fazer perguntas que não tenho a resposta, como eles entraram?
-Magia, e algo me diz que eles não invadiram apenas aqui
-Mas é obvio que não, a questão é só saber quais outros grandes pontos eles atacaram, e principalmente em quais obtiveram sucesso
-Certo alguém pode me interar da conversa? – perguntei encarando aqueles dois que pareciam calmos demais para duas pessoas que estavam no meio de uma guerra
-Eu matei um deus, consegui minha passagem para cá e vim pra cá, como bônus ainda matei um excelente espadachim, mesmo que eu não tenha ganho sozinho
-Fala da espada bastarda?
-Falo da espada do próprio espadachim, era como se ela tivesse alma própria e essa alma estava com raiva por ser usada por alguém cheio de sentimentos de inveja e ganância então ela me viu como a oportunidade perfeita para ser libertada então ela mesma se enfraqueceu
-Quebrada você quis dizer?
-Ela pode ter sido quebrada agora, mas algo me diz que aquela alma ainda vai voltar na forma de uma nova espada, me arrependo de tê-la quebrado mesmo eu só tendo conseguido isso porque ela assim quis, aquela espada era tão perfeita que não duvido nada de ser capaz de rivalizar com a espada de Arvendui
-E como foi no inferno? Eu fiquei preocupado o tempo inteiro com você
-E não lhe culpo por isso, eu gostaria de falar Amy, mas deixe pra lá, é uma historia ruim, só saiba que seu namorado está de volta e ainda mais forte do que quando você o conheceu pela primeira vez, tão forte que matou um deus mesmo que só tenha conseguido isso com a ajuda dos caçadores
-O que eles tem haver com esse monte de deuses malucos que estão voltando?
-Eu só consegui matar Plutão porque não haviam mais servos para trazê-los de volta, provavelmente foram os caçadores que mataram os fieis antes que fizessem algum ritual
-Como você conseguiu matá-lo Will? Um deus?
-Deu trabalho, muito trabalho e olha que ele não estava no seu máximo de poder ainda, temos que aproveitar que os outros também ainda não estão e temos que matá-los antes que eles fiquem fortes demais
-Tem razão – disse o diretor batendo o copo vazio na mesa – Eu convocaria o rei Oberon, os mestres anões, os lideres dos lobisomens, os senhores dos vampiros e todos os outros aliados, mas na nossa situação atual poucos irão nos atender, os lobisomens e vampiros estão em um momento que pode culminar ou não em guerra, rezo para que ela não ocorra, pois se acontecer estamos perdidos, vamos perder duas grandes ajudas em um momento tão tenso
-Culpa dos the killers – falei, não precisava ser um gênio pra se tocar daquilo – Algo me diz que eles manipularam as duas raças, eles causaram as mortes e tudo, só não tenho provas e algo me diz que aqueles lideres cheios de raiva não iam me dar ouvidos
-E não iam, como também não darão ouvidos a ninguém que queira a paz
-Por isso estou aqui – disse Will se erguendo da cadeira – Vocês vão precisar de ajuda e sou o único demônio que pode ajudar porque sou o único que sabe as técnicas secretas, meu pai e os outros lordes podem barrar os outros deuses dos mortos por tempo suficiente para eu matar alguns daqui da Terra, mas depois vou ter que voltar para o inferno por um tempo para ajudá-los também
-Mais do que justo, então terá que começar sua caçada o mais rápido possível
-E por anda acha que devo começar?
-Três da elite de Babalathe já voltaram, Zeus, Odin e Rá, Rá foi visto pela ultima vez no Egito, mas sumiu e não sabemos onde se encontra, Zeus deve estar a caminho do monte olimpo na Grécia enquanto Odin deve estar nas terras do norte da Europa, dentre os três grandes Odin é atualmente o mais forte
-Então será por ele que irei começar, temos que limpar logo os fortes principalmente se for um forte da elite de Babalathe
-Tem razão, não tive a oportunidade de lutar com nenhum membro da elite, mas eles eram fortes o suficiente a ponto de morrerem, mas levarem vários demônios com eles, e demônios até melhores do que você atualmente
-Eu disso Johann Faust, eu sei disso, por isso temos que ir pegá-lo agora
-Certo, aqui estão as coordenadas – o diretor tocou na minha testa e senti todas as coordenadas necessárias surgirem na minha mente como se sempre tivessem estado ali
-Diretor só uma duvida rápida – aquele ato dele antes lá embaixo me lembrou de algo bem antigo
-Fale senhorita Winchester
-O senhor meio que manipula a realidade e as memórias não é? – o diretor assentiu com a cabeça – Então o senhor poderia apagar vídeos até mesmo da internet?
-Sim, por que a duvida?
-Porque lembro que a muito tempo atrás vi um vídeo que falava sobre uma magia aos pés das pirâmides do Egito, mas de um segundo para o outro o vídeo havia sumido e não haviam lembranças sobre ele na internet
-Sim fui eu, a magia aos pés das pirâmides foram executadas pela sua mãe se quer realmente saber, ela usou o poder das pirâmides para um ritual
-Ritual?
-Sim, mas não me pergunte qual, só ela e a cabala dela sabem, mas você realmente se lembra disso?
-Sim é claro, não deveria?
-É claro que deveria, agora podem sair e preparar para abrir o portal
-Sim senhor – respondi saindo acompanhado por Will
Assim que cruzamos a porta do colégio o demônio me deu mais um beijo de repente que quase me assustou:
-Detesto esses seus beijos de surpresa
-Detesta mesmo? – ele ergue a sobrancelha e veio me dar outro beijo que não consegui negar – Por que será que seu rosto meu diz o contrario?
-Porque meu rosto é idiota, ele fica vermelho muito fácil – e não estava mentindo, estava já ficando vermelha quando andei para o dormitório na frente dele
-Já eu acho isso fofo – fiquei ainda mais vermelha
-Que tal você parar com isso e se preparar para quando eu abrir o portal? Que tal também falar com Rubys? Ele está com saudades de você
-Eu sei, eu também estou com saudades dele
Perdi Will de vista quando entrei no dormitório, todos pareciam estar dormindo já que não havia barulho algum. Gostaria que o diretor também tivesse feito o calor sumir, mas acho que isso vai além dos poderes dele.
Peguei alguns ingredientes e coloquei na minha mochila junto da minha adaga e do meu frasco de Feé. Estava na hora de voltar a ser uma maga de verdade e ficar na ativa.
Saí do dormitório e lá estavam Will, Rubys que estava bastante feliz, Sombra, Lua e até mesmo Deive:
-O que faz aqui? – perguntei me aproximando do anão
-O diretor me mandou uma mensagem mental, ele disse que iam para a parte norte da Europa, não a guia melhor naquela região do que um bom anão negro
-Eu ainda não entendo essa de anão negro
-É pela cor dos meus cabelos garota, anões são divididos em três tipos, anões negros, anões ruivos e anões castanhos, tudo por causa da cor do cabelo
-Interessante, então já posso começar o ritual?
-Ainda não – disse a voz do diretor na minha cabeça – Espere um pouco
E esperei. Fiquei apenas com meu namorado observando um dragão dorminhoco, um anão que não parava de mexer nas suas pequenas ferramentas que tinha na mochila e duas aves que ficavam irritando tanto o dragão quanto o anão.
Já era quase fim de tarde quando duas criaturas apareceram na porta da academia e vieram na nossa direção, Oberon e a “chefe” dos elfos da noite, seu nome era Alatariel se me lembro bem, ela havia dito isso a duas semanas atrás quando conversamos um pouco na cidade em meio a algumas compras que fazia com as meninas, por falar nelas elas iriam ficar putas de raivas quando soubessem que eu sumi, mas o diretor daria um jeito naquilo:
-Não acredito no que meus olhos me revelam – disse a “chefe” Alatariel se aproximando – O príncipe do inferno está de volta. Pensei que tivesse saído fora
-Não consegui ficar longe demais do amor da minha vida – ele me abraçou com força e fiquei vermelha de vergonha
-Vocês dois são um belo casal
-Digo o mesmo de você e do rei dos elfos – o professor-rei ficou vermelho
-Não somos um casal William Maquiavel – disse Oberon com uma mochila nas costas, a “chefe” também trazia uma, o único ali que não carregava nada era Will
-É mesmo? Desculpe então, é só que senti uma boa energia entre os dois
-Não posso negar que esse pequeno elfo me atrai – disse a “chefe” dando um soco nas costas de Oberon que o fez ir pra frente – Mas ele me renega o máximo que seu corpo permiti
-Não viemos aqui para debater relacionamentos viemos? – perguntou o rei que parecia que ia explodir de tão vermelho
-Claro que não, se esta aqui foi porque informei mentalmente ao diretor que os queria, sem o irmão de Amy e o vampiro irritante aqui eu vou precisar de um novo grupo e achei que o rei dos elfos, a “chefe” dos elfos da noite e um pupilo de um mestre anão fossem as escolhas perfeitas
-Não posso negar que tem bom gosto demônio – disse Deive com um largo sorriso no rosto – Mas será que os elfos agüentam o trajeto até o destino de vocês? Garanto que não é nada fácil
-Vocês anões se acham muito – Oberon andou até Deive com um sorriso no rosto – Mas jamais mentem ao se exaltarem, são bravo guerreiros, irmãos de guerra dignos e os melhores ferreiro – Oberon retirou sua espada de dentro de um enrolado de panos – E essa espada é a prova de suas habilidades e dignidade, espero que seu povo não tenha esquecido de nosso pacto
-Meu povo jamais esqueci uma promessa seja ela feita na época do grande mestre anão negro Thorin, ou seja, feita na minha época, sempre nos lembraremos das “As Gêmeas”, as mais belas forjas já feitas, e o que elas significam, mesmo que não existam mais as duas espadas
-Na verdade meu bom anão acho que elas ainda existem sim e o senhor demônio poderia nos mostrar
-É claro – Will disse dando de ombros e se aproximando de Rubys, eu não entendi bem o que aconteceu, só vi uma luz vermelha intensa e então nas mãos de Will estavam pedaços de uma lâmina de espada, era a espada Thorin pelo que soube
-Não pode ser? – os olhos de Deive brilharam – É mesmo Thorin?
-Sim meu bom anão, é ela
Os olhos de Deive se encheram de lágrimas:
-Onde a achou demônio?
-Foi um presente de um amigo
-Nós anões estamos em divida com você e esse amigo por toda a eternidade William Maquiavel
-Eu agradeço Deive, filho de Kili
-Certo agora que acabaram podem vir aqui? – falei cortando o clima e me arrependendo um pouco por isso – Preciso abrir um portal aqui
-Eu ajudo – disse Will tocando na minha – Com o que precisar
Sorri pra ele e então comecei a preparar tudo. Deive parecia assustado, ele devia saber que aquilo era magia e era proibido, mas ele viu poucas horas atrás um combate incrível e a utilidade que magia tinha então ele só observou enquanto eu abria o portal.
Fale com o autor