Vida Cruzada
20 Passado
Com o começo da manhã em Housen era como eu não esperava.
Calmo.
O que me faz cogitar que logo começara o barulho das brigas que sabia que nunca iam ter fim.
-Kath-san – Uruha me chama pondo a mão no meu ombro.
Volto meu olhar pra ela vendo seu rosto alegre.
-O que houve? – pergunto meio curiosa.
-Tayura me chamou para sair – ela responde corada.
Tayura?
Ah, o garoto com quem briguei no primeiro dia.
Surpreendente.
-Estou nervosa – ela murmura escondendo seu rosto.
-Calma – tento tranqüilizá-la – Você certamente se divertira.
Ela sorri e acabo acompanhando-a, mas perco o sorriso quando vejo na encruzilhada dos corredores alunos reunidos sendo que um deles era Serizawa.
-Brigando de novo – Uruha resmunga.
Encaro Hajime por um segundo antes de me mover para o meio daquilo.
-Kath-chan! – Hideki exclama.
Evito olhá-los, apenas fico encarando quem estava comprando briga com eles.
Deveriam ser do segundo ano.
-O que pensa que está fazendo? – Hajime pergunta calmo – Vai tentar impedir de novo?
Volto meu rosto pro lado olhando-o.
-Se você conseguir o controle do colégio – digo solene – Você desaparece, não é?
-Se eu disser que sim? – ele conjetura.
-Então – faço um rabo de cavalo – eu vou ajudar.
-Katherine! – Allan exclama acompanhado de mais alguém.
Detenho minha atenção a quem estava na minha frente que pareciam acuados.
-Estão esperando por algum convite? – os critico cruzando os braços.
E como resultado, vieram como abelhas zangadas, mas tão mal sabiam que deveriam pensar antes de agir ou mesmo medir o tamanho de suas idiotices querendo briga.
Acerto o estômago do último que restara em pé antes de ofegar e ajeitar meu cabelo rodeada de garotos caídos e gemendo como crianças.
-Tem mais alguém? – indago girando ao meu redor checando se tinha cuidado de todos.
Acabo dando de cara com os olhares opacos de Hajime, Hideki e Allan.
Deveriam estar surpresos ao verem a velha Katherine de volta.
Dou um sorriso de escárnio para eles antes de me afastar deixando que se virassem com o resto. Locomovo-me para enfermaria onde peço para Naomi cuidar dos superficiais machucados que ganhei nessa brincadeira.
-Resolveu interferir em outra briga, Katherine-san? – ela indaga enrolando a gaze no meu braço direito.
-Resolvi ajudar Serizawa na tomada de Housen – conto serena – Assim ele pode desaparecer indo ficar com aquela garota.
Ela para olhando-me, mas depois retorna seu afazer.
-Ele finalmente te contou – ela reflete passando a tratar do machucado em meu rosto – Só que ainda não podem voltar ser amigos.
-Isso não vai acontecer – declaro dura – Obrigada, Naomi-senpai.
-Katherine-san – ela diz fazendo-me parar a meio caminho da porta – Seja prudente.
Dou-lhe um rápido sorriso antes de sair da sala.
Noto Rui conversando com Hana que me faz esconder-me.
-Comportamento como o de agora era bem comum alguns anos atrás – ela conta serena – Na verdade, chegávamos ser pior que vocês juntos.
Ocorre uma pausa momentânea que acaba me fazendo relembrar sobre os dois anos atrás.
-Takada-chan não foi sempre essa defensora e eu muito menos ficava fora de tudo – Hana inicia a falar – Naquela época, apenas nos preocupávamos em causar dor no máximo de pessoas que fosse possível. Na verdade, achávamos divertido machucar as pessoas.
-Isso é difícil de acreditar – Rui conta sério.
-Parece louco que já fomos assim, mas acontece que chegou um dia em que achamos que brigar, espancar não estava nos levando a lugar algum. Pelo contrário, causávamos medo em todos ao nosso redor.
-Foi na época que conheceram Hajime? – Rui indaga.
-Foi quatro meses antes – ela conta – Takada-chan para se redimir resolveu que ajudaria na enfermaria e evitaria brigar sem necessidade, eu resolvi que era melhor ficar imersa em jogos porque já tinha causado dor demais.
Engulo em seco controlando as lágrimas que queriam descer.
Culpava-me por ela também pelo que éramos naqueles meses, mas nunca deixara que soubesse disso.
-Então em compreensível tudo que vejo ela fazer – Rui reflete – Querer se redimir pelos erros do passado.
-Ninguém possui um passado completamente limpo – Hana diz solene – Não comentamos sobre isso mais, afinal quem gosta de passado é museu.
Acabo soltando um sorriso, deixando-os terminarem sua conversa.
Parecia inútil que aquela época retornasse, mas se Serizawa pode sumir novamente caso consiga o controle da escola não terei problemas em trazer tudo de volta.
Um amor como o que sinto por ele deve desaparecer, não devo reviver aquilo novamente.
Afinal ele estava noivo.
Consegui lidar com a dor antes, posso cuidar dela novamente.
Notas finais
o/
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