Desabo no final da escada que dava para uma área isolada do colégio.

As coisas estavam seguindo um rumo cruel para mim.

-Toma – Rui diz estendendo pra mim uma lata de refrigerante.

A pego agradecendo com um aceno de cabeça enquanto ele se encosta na proteção a minha frente.

-Não sabia que vinha aqui – ele diz olhando para o lado.

-Precisava pensar um pouco – explico antes de levar a lata à boca.

-Tem razão – ele concorda – Afinal agir como agiu é algo para pensar.

-Tenho razões para fazer isso – me defendo.

-E essas razões têm haver com Hajime? – ele conjetura retórico.

-Se conseguir o controle do colégio ele pode se casar com Kaoro e desaparecer da minha frente – conto séria.

-Ouvi muita coisa de você dele e de Allan-san – ele reflete – E uma delas é que você não demonstra com facilidade seus sentimentos.

Olho-o séria enquanto ele me encara profundamente.

-Uma garota como você não deve carregar tudo sozinha – ele recomenda gentil – Por isso que você tem amigos.

-Não devo preocupar ninguém com idiotices – explico solene.

-Sabe que Hana ainda está surpresa por saber que você massacrou alguns alunos mais cedo e parecia sombria? – ele indaga suave – Acha que sua melhor amiga não tem o direito de se preocupar como você quer fazer as coisas?

Viro meu rosto para o lado, evitando olhá-lo.

-É duro saber sobre Hajime e sei que deve ser complicado absorver isso – ele continua – Mas se fechar para si mesma não querendo preocupar seus amigos não é a melhor solução.

-Quer que eu faça o que? – explodi sentindo as lagrimas descendo dos meus olhos – Não quero que se preocupem à toa.

-Você não decide isso – ele diz sério – Não baque a infantil agora, Katherine. Afinal, você sempre sai em defesa dos seus amigos, por que não os aceita retribuírem o favor?

-Porque é um assunto meu – respondo dando ênfase em cada palavra.

-Se eu disser que é meu também – ele se nivela a mim para me olhar nos olhos – deixar-me-ia ajudar?

Pisco um pouco atordoada com aqueles olhos antes de assentir mecânica. Ele sorri antes de levar suas mãos ao meu rosto limpando-o.

-Você não fica linda chorando – ele comenta afastando-se de mim – Fica indefesa.

Encolho-me um pouco sentindo meu rosto esquentar. Isso não é muito dos meus modos, mas elogios me causam vergonha.

-Vou indo na frente – ele avisa se afastando.

Olho sua figura misteriosa que já sumia no final da escada.

Sempre gentil e amável.

Quem ele escolhesse para namorar certamente vai tirar a sorte grande.

Quando me encaminho para a enfermaria deparo com Izuro sentando com a cabeça encostada na parede dormindo, respiro fundo e passo por ele, mas acabo sendo parada por sua mão agarrando meu pulso.

-O que faz pensar que não temos algo para resolver? – ele pergunta com os olhos fechados e numa voz calma.

-Minhas desculpas pela intromissão – digo solene – Não acontecerá de novo.

-Não me importo com nada disso – ele conta sereno – Mas temos uma luta para acabar, apesar de que agora você se meteu no assunto meu com seus amigos.

-Não imagino a causa da rixa de vocês – digo soltando-me – Mas quero que saiba que não vou apenas assistir.

-Não sabe? – ele abre os olhos – Pensei ter ouvido que tinham contado a verdade, mas pelo visto não.

-Do que está falando? – pergunto séria – Você tem algo haver com a situação do Hajime?

-Hajime? – ele sibila – Primeira vez que a ouço chamando-o pelo seu primeiro nome.

Sinto meu corpo ficar tenso.

Ele falava duma forma como se me conhecesse há séculos.

-Serizawa deve ter compartilhado muitas coisas com você – ele insinua me encarando.

Fico tentada em dar-lhe um tapa, mas me seguro para não ceder a sua provocação.

-Se você pensa assim – digo recuperando a calma – é problema seu.

Afasto-me desabotoando alguns botões da minha blusa.

Sentia que estava preste a sufocar ou algo pior.

Notas finais
Por ser pequeno o próximo trago amanhã e será bem interessante também, será o último antes da maratona de surpresas que é a reta final.
See you.