Vida Cruzada

13 Monstro


Encontro Hana acompanhada de Hideki no começo da escada e por algum milagre ela não estava jogando.

Suspeito.

-O que fazem aqui? – pergunto curiosa.

-Conversando – Hana responde – Por que não me contou sobre Ken Oshikoto?

-Ocorreu ontem – respondo cansada – E você não meu deu chance de falar.

-Tudo bem – ela faz um bico – Hideki contou que ele é amigo do Allan e Hajime.

Retorno meu olhar para Hideki que olhava para baixo.

-Genji-san – ele grita já começando a descer as escadas.

Agarro seu colarinho puxando-o para perto de mim.

-Não adianta fugir – digo no seu ouvido.

-Fugir? – ele sibila dando um sorriso – Não estava fugindo.

Murmuro um xingamento antes de puxá-lo para ficar entre mim e Hana que sorri antes de encará-lo.

-Eu tinha avisado – ela diz alegre – Takada-chan é implacável quando quer.

-Tinha me esquecido como ela é – ele satiriza evitando me olhar.

-Pode abrindo a boca, Hideki – peço por entre os dentes.

-Quer que eu conte o que? – ele indaga retórico – Aqueles dois não contam muita coisa.

-Como conhecem Ken? – pergunto séria.

-Hideki-senpai – uma garota o chama no andar de baixo – Pode me ajudar?

Ele me olha indeciso, limito-me a revirar os olhos ganhando um sorriso seu antes de se afastar.

-Esses homens estão escondendo alguma coisa – Hana reflete olhando Hideki conversando com a garota – Ken parece ser alguém legal.

-Inusitado você gostar de alguém assim – digo sorrindo levemente.

Ela dá de ombros antes de um sorriso emoldurar seus lábios.

-Ele é diferente – ela comenta – Não sei o que ele tem, mas bati o olho nele e o achei interessante.

-Talvez porque ele tenha uma aura misteriosa – sugiro olhando pra cima – Também ele é agradável.

-Não tenho idéia disso – ela diz séria – Além do que é impressionante que ele seja amigo do Allan e do Hajime.

-Hajime prometeu ao Allan que não contaria pra mim o que aconteceu pra ele sumir – conto com o olhar distante.

-Ouvi isso também – ela esfrega suas mãos – Acredito que eles tenham se metido cm gente que não deviam.

-Uh? – indago confusa.

-Pensa, Takada – ela toca minha testa com seu indicador – Não vivíamos tirando-os de encrenca com alunos de outras escolas ou mesmo de gangues de rua?

-Faz sentido – reflito mordendo o lábio inferior – Só que sumir sem dar mais noticias...

-É apenas uma possibilidade – ela diz – Tem mais coisa nessa história.

-Allan disse que escolheu Housen porque era uma forma de ficar no mesmo nível que “ele” – conto pensativa.

-Ele? – ela sibila – Hideki falou a mesma coisa, disse que Hajime veio pra cá porque tinha contas a acertar com esse cara.

-A pergunta que fica é quem é “ele” – digo vendo alguns alunos correndo para oeste – O que houve?
-Vamos ver – ela decide descendo os degraus.

A sigo par depois nos juntarmos com os demais que vibravam com algo.

-O que aconteceu? – pergunto a um garoto na minha frente.

Ele apenas me dá passagem seguido de quem está na frente que sempre desviavam o olhar quando eu avançava.

Arregalo meus olhos vendo um rapaz segurando o braço de Allan enquanto aplicava chutes consecutivos no seu rosto.

-Acho que agora sabemos quem é “ele” – Hana comenta ao meu lado.

Pisco por um segundo vendo o rosto do meu irmão antes de passar a olhar o cara que possuía o cabelo preto, curto e espetado, os olhos negros na pele alva do corpo magro e mediano.

-Pare – grito cerrando meus dentes.

O rapaz não para continua a machucá-lo.

Cerro minhas mãos antes de avançar na direção dele agarrando seu braço, mas acabo recebendo um tapa bastante forte que me faz levar minha mão a bochecha e olhá-lo surpresa.

Ele ofega antes de ajeitar seu cabelo me encarando.

-Quem pediu que se intrometesse? – ele pergunta irritado.

-E quem é você para sair batendo nos outros? – replico endireitando-me.

-Hei! – ele exclama me encarando – Não se meta nos assuntos alheios.

-Tem certeza? – indago cruzando os braços – Um bruto como você deveria saber seu lugar.

Ele avança na minha direção, agarrando-me rapidamente pelo pescoço apertando-o.

-Quer que eu corte sua língua? – ele pergunta apertando ainda mais meu pescoço.

Puxo o ar para meus pulmões antes de chutá-lo na barriga, afastando-o de mim que ofego passando a mão no pescoço.

De onde ele tirou tanta força?

Nem bem me recupero ele já vem na minha direção com a fúria latente em seu rosto, endireito-me e paro seu soco que me faz bater as costas na parede antes dele acertar seu joelho no meu estomago me fazendo tossir. Sinto suas mãos batendo violentamente no meu peito fazendo-me ajoelhar, recebendo outro chute seu.

Apoio nas minhas mãos, acabando por cuspir sangue antes de me endireitar enquanto ele vinha ao meu encontro, mas Hana fica na minha frente.

-Desculpe acabar com a diversão – ela diz séria – Mas já chega disso.

Ele a empurra para o lado, mas ela agarra a gravata que usava enrolando-a em seu pescoço levando-o ao chão.

-Cuide de Allan-kun – ela diz segurando-o – O resto pode deixar comigo.

Assento sentindo certa dor em meu peito, mas antes que pudesse chegar até Allan, ele já era pego por Ken e o garoto com a faixa no nariz.

-Podemos ajudar? – Ken indaga me olhando.

Faço que sim com a cabeça antes de examinar o rosto do meu irmão.

-Precisamos levá-lo ao hospital – informo.

-Então o que estamos fazendo aqui? – alguém pergunta por minhas costas.

-Rui empresta seu carro – o garoto com a faixa no nariz pede olhando além de mim.

Giro meu corpo para encontrar com o tal de Rui que nada mais era que o cara de olhos azuis e verdes de mais cedo.

-Prefiro ir dirigindo – ele opta me puxando pelo pulso para fora – Deve vir junto de qualquer forma.

Assento silenciosa enquanto seguíamos para seu carro que eu mesma não ligando para modelos sabia que o seu deveria ser o sonho de muitos garotos.

-Como você está? – ele pergunta enquanto saímos do carro.

-Bem – respondo amparando Allan – Você sempre me preocupa.

-Desculpe – ele murmura enquanto entravamos no hospital – Agora você sabe de quem estava falando.

-Calado – ordeno indo para a recepção – Com licença, o Dr. Ikuma...

-Katherine – alguém me chama.

Viro meu rosto para esquerda deparando-me com um senhor calvo, olhos negros na pele parda já com algumas rugas, o corpo acima do peso e baixo com seu óculos de armação quadrada.

-Ikuma-sama – digo com um sorriso – Aniki...

-Tudo bem – ele me corta com seu sorriso suave – vou mandá-lo para Ukito, não se preocupe.

Assento com a cabeça enquanto ele vai até Allan e instrui dois enfermeiros para levá-lo. Em seguida, retorna-se para mim.

-E você? – ele indaga – Também precisa de cuidados.

-Não – nego delicada – Estou bem.

-Como pode estar bem com essas marcas no pescoço? – ele me recrimina – Disseram que entrou numa briga, tem que ser examinada!

-Ele tem razão, Katherine – Ken reforça ficando ao meu lado – Precisa ter certeza que não quebrou nada.

Dou um suspiro e concordo. Tendo Ikuma já me instruindo para acompanhar uma enfermeira.

Não apresentei esse velho direito, mas ele é um amigo de nossa família já faz alguns anos e como é o diretor do hospital acaba que quebrando um galho quando trago Allan pra cá.

Somos acho que mais conhecidos aqui que sei lá mais o quê.

-Bem – a doutora diz depois de me examinar – Nada quebrado, mas vou receitar esse remédio para diminuir a dor dos machucados que teve.

Pego a receita e a agradeço.

-Estuda em Housen não é mesmo? – ela indaga enquanto abotôo meu casaco.

Faço que sim com a cabeça.

-Recebemos muitos alunos de lá, mas nunca uma garota – ela reflete – Quem fez isso deve ser um monstro.

-Começo a achar isso também – concordo – Obrigada.

Notas finais
Gostaram da mais nova criança?
Bem, hora de dar uma pausa nas brigas, mas será apenas por volta de um cap. ou dois.
Porque depois preparem porque Hiromi Suzuhara chega e mostra toda sua personalidade implacavel.
Até mais.
o/