Vida Cruzada
14 Hospital
Saio da sala retornando para a recepção que além dos rapazes de olhos diferentes agora estavam Hajime, Naomi, Hideki e Hana que vem ao meu encontro dando-me um abraço.
-Então – ela diz afastando-se de mim – Tudo bem com você?
-Como Allan está? – pergunto ignorando sua preocupação comigo.
-O médico disse que ele deve ficar aqui pelo menos uma semana – ela responde – Alguns ossos do rosto foram quebrados e outros deslocados, mas ele vai ficar bem.
-Posso ir vê-lo? – indago a olhando.
-Ele está dormindo no momento – ela informa – Liguei para seu pai, ele disse que logo estará aqui também.
-Não devia tê-lo perturbado – a repreendo.
-Os dois filhos parando no hospital e não é pra perturbá-lo? – ela indaga cética – Sabe que ele ficaria furioso se não contasse.
Murmuro um xingamento antes de olhar para s demais.
-Obrigada – agradeço fazendo uma reverência.
-Não se preocupe – Hideki diz – Ele vai ficar novinho em folha.
Dou-lhe um sorriso.
Ele sempre otimista.
-Quem é aquele cara? – pergunto serena.
-Izuro Nara – Hajime responde cruzando os braços – Como pode entrar naquela briga?
-Tratando-se do meu irmão não devia perguntar isso – respondo oca.
-Que seja – ele passa a mão no cabelo – Aquele cara é um demônio. Ele poderia ter feito algo pior a você.
-Sei disso muito bem – o olho irritada – O caso é que espero que com isso parem de ir atrás dele.
-Do que está falando? – ele pergunta confuso.
-Vocês estão em Housen por culpa dele – respondo séria – Ou eu estou mentindo?
-Hideki – ele pronuncia lentamente.
-Que foi? – o loirinho diz – Não fui eu que disse.
Hana acerta um tapa na parte de trás da cabeça de Hajime que a olha surpreso igualmente ao resto de nós.
-Pare com a idiotice – ela o recrimina – Não quero ter que me envolver em outra briga como essa.
A risada proveniente de Rui toma conta de nosso ambiente.
-Nara vai querer acertar as contas com você – ele conta a olhando.
-Não importa – ela me abraça – Takada-chan cuida dele.
A olho boquiaberta.
-Hana – digo reprovativa – Pare com isso.
-Deveria puxar sua orelha por ter feito aquilo – ela replica – Deixando-o agredi-la daquela forma.
-Perdemos alguma coisa? – Ken indaga nos olhando alternadamente.
-Hana, ele me machucou de verdade...
-Porque não brigou a sério – ela me corta – Pensa que não notei que pegou leve com ele?
-Eu...
Ela aperta minhas bochechas deixando-me com vontade de chorar enquanto massageio-as.
-Da próxima vez que ele vir pra cima de você – ela diz séria – Trate de ensinar boas maneiras á ele.
Faço uma careta, ela avança na minha direção fazendo-me recuar.
-Vocês são melhores amigas – o garoto como a faixa no nariz indaga retórico.
-Acostume-se Takuya-san – Hideki diz num tom de sarcasmo – Elas ainda são piores que isso.
-Bom saber – ele diz seco.
Dou um sorriso acompanhada de Hana até Naomi bater suas mãos chamando nossa atenção e recebendo uma reprimenda de uma enfermeira.
Ela se desculpa com a funcionária antes de voltar para nós.
-Eu e Haji-san iremos comprar algo para comer – ela informa – O que irão querer?
-Acho melhor irmos todos – Takuya sugere – Quero mesmo comer algo.
-Melhor irem para casa depois – digo alternando meu olhar entre eles – Obrigada por tudo, só devem voltar para casa.
Takuya ia abrindo a boca, mas noto Hana cutucando-o nas costelas.
-Logo retornaremos – Hajime avisa solene dando um passo na minha direção.
Torno meu rosto sem expressão enquanto ele me abraça e depois se afasta com a expressão neutra que vi no momento que o reencontrei.
Despeço-me dos demais e sigo para o quarto onde Allan repousava com parte do rosto enfaixado. Ele parecia uma graça dormindo que nem me lembrava o encrenqueiro que compartilhava o mesmo sangue que o meu.
-Ele parece melhor agora – alguém diz entrando no quarto.
Volto-me para ver o mais novo visitante que não passava do meu primo Heisuke.
Continuava o mesmo de sempre, o cabelo curto, negro penteado para trás, os olhos castanhos, a pele alva no corpo mediano com boa formação física. Pelo menos isso.
Ele estende pra mim um copo.
-Comprei no caminho – ele explica aproximando-se da maca – Achei que fosse precisar.
Coloco o canudo dentro do corpo sentindo o agradável cheiro de café.
-Como veio parar aqui? – ele pergunta franzindo a testa – Não é qualquer um que pode fazer isso.
-Izuro Nara –digo o nome antes de sugar um pouco de café.
Está meio frio.
-Nara? – ele sibila surpreso – Não pode ser o irmão de Lucy-sama.
-Se ela possuir apenas um irmão – sugo um pouco mais de café – É completamente possível.
Ele dá um sorriso de surpresa.
Queria entender porque havia tanta gente que o admirava.
Tudo bem que era um gênio na área da tecnologia, estava sempre estampado na manchete de algum lugar, mas era meio seco, pouco receptivo, temperamental e raras vezes gentil, para não dizer interesseiro.
As pessoas são estranhas.
-O que veio fazer aqui? – pergunto curiosa – Suponho que deveria estar em alguma reunião.
-Não posso dar meu apoio familiar? – ele indaga retórico.
-O que você quer? – pergunto o encarando.
-Nada – ele responde franzindo a testa – Pensei que tivesse esquecido o passado.
-Quer ajuda do Allan em um novo projeto não é? – arrisco colocando o copo de lado – Sabe que ele morre de preguiça para essas coisas.
-Só que você...
-Sem chance, Heisuke – o corto serena – Use seu cérebro novamente.
-Cadê a garota voluntariosa que adoro? – ele pergunta com um sorriso.
Arqueio uma sobrancelha.
Ainda me pergunto porque gosto dele.
-Deixei seja lá o que for em casa – ele quase começa um ataque de felicidade caso não o censurasse com o olhar – e da próxima vez certifique-se de que o café esteja quente.
Notas finais
Enfim melhor partir pro próximo cap.
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