Vices
1 Vida de mãe Solteira
Notas iniciais
Dês de já, obrigada!
Boa Leitura!
- Nossa. – a malicia estava em peso em sua voz. – Se beleza desse prisão você pegaria prisão perpétua. – sorriu malicioso.
Sentiu a ânsia de vomitar subir-lhe ate a garganta e descer novamente.
Já estava farta daqueles porcos e suas cantadinhas baratas. Apenas o fato de lhes olhar de longe já a ansiava a ir direto ao banheiro botar tudo para fora tudo o que tinha no estômago.
- E se feiura fosse crime, você pagaria pena de morte. – disse entre dentes após entregar-lhe sua bebida.
Já trabalhava naquele bar há um ano e meio. Se é que se pode chamar aquilo de bar.
Se desse um vento com mais de 5 km levaria tudo.
Aquilo estava mais para um abrigo pré-histórico com madeiras podres moldadas à pedra e amarradas com cipó.
Era horrivelmente horrível.
Mas agradava aqueles vermes.
O chão tambem era de madeira, cuja ringia devido o grande peso de alguns dos queridos motoqueiros que ali passavam todos os dias.
Sim. Era um bar freqüentado por motoqueiros de verdade. Aqueles que usam roupas de couro tem uma cara feia com cabelos compridos e ouvem Heavy Metal.
Tinha que admitir que alguns dos motoqueiros que ali passavam eram realmente atraentes. Ombros largos, músculos definidos onde a calça e jaqueta de couro marcavam tudo, e a cara seria que dava um ar misterioso e tentador.
O som tocava ambiente, cuja musica era Rock ‘N Roll Train, do ACDC.
Alguns dos motoqueiros estavam jogando na mesa de sinuca, que havia ao centro do bar. Outros enchendo a cara em suas mesas e outros sentados no balcão, lhe aporrinhando.
- Quero você nesse copo, bem geladinha. – riu malicioso passando a mão na barba comprida e meio grisalha.
Bufou alto e escorou-se na pequena prateleira com bebidas e com uma pequena pia onde estava lavando alguns copos.
Tinha que manter a calma e ignorar aqueles imbecis. Antes que fizesse algo bem desagradável. Outra vez.
— O docinho – bebeu a cerveja e se babou – não se faz de difícil se não o papai aqui vai arregaçar todinho esse seu traseiro gostoso que o papai e a mamãe fizeram muito bem. – gargalhou.
Se bem que falar era realmente fácil.
Pegou uma garrafa gorda de cerveja que havia na prateleira e bateu fortemente contra a cabeça do homem. Ela virou em mil pedacinhos espalhados pelo chão e pelo balcão, e o homem ficou tonto por alguns segundos. O cheiro do álcool forte se misturou com o ar.
Outros homens indignados com a cena foram para cima da mulher, que usou a mesma tática.
O homem que levou a garrafada subiu no balcão, pronto para pular encima dela, mas a mulher habilidosamente chuta fortemente seu joelho. Pela dor ele se desequilibra. Ela aproveita a situação e da um forte chute com o mesmo pé nos peitos dele, e o mesmo é jogado para trás, quebrando uma mesa e algumas cadeiras.
- Já chega!! – gritou um homem de ombros largos saindo a uma porta, acompanhado por mais três homens assustadores. A carranca seria, a altura e os músculos definidos lhe davam uma aparência intimidadora.
Sem contar o cabelo comprido prendido em um rabo de cavalo baixo.
O silencio predominou-se no local. Apenas o barulho dos homens tentando se levantarem e se contorcendo no chão era ouvido.
- Que palhaçada é esse no meu bar novamente? – olhou o estrago em volta.
O silencio prevaleceu de novo.
- Fui eu. – a voz da mulher saiu rouca, jogando um pano de prato que estava em seu ombro no balcão e bufou.
O homem assustador começou a bater palmas.
- Que lindo. – ironizou cerrando os olhos. – Há um bando de marmanjos aqui – apontou-lhes – E somente a mulher tem coragem de assumir.
Os outros homens ficaram em silencio, e alguns até baixaram a cabeça.
- O que houve Sakura? – perguntou ele suspirando.
Ela olhou nos olhos negros dele. Ele poderia ser assustador, mas sabia que era um homem de bom.
E ele ate já imaginava o motivo do tumulto.
- O que houve? – tirou o avental. – O que houve é que eu estou me demitindo. – jogou-o encima do balcão e foi na direção da saída.
- Espere ai na rua. – disse quando a mesma passou por si. Suspirou – A moça se demitiu rapazes – os olhou com deboche – Quando chegar, eu quero isso aqui num brilho. – cerrou os olhos. – Entenderam? – deu meia volta e pôs se a caminhar.
Atravessou a porta da entrada/saída que não era rústica, é sim velha, e viu uma rosada de braços cruzados e bufando pesadamente. Ela tinha olheiras fundas e a expressão em seu rosto era sem vida.
- Eles mexeram com você novamente, não foi? – suspirou e pôs as mãos nos bolsos.
Ela o encarou.
- Sim.
- Quem? – juntou as sobrancelhas.
- Isso não importa. – deu meia volta e começou a caminhar. – Apenas estou cansada disso. – Suspirou e pôs-se a caminhar.
O homem viu a silhueta da mulher caminhando rumo à escuridão da noite. Sempre que olhava seu corpo não podia deixar de admitir que era uma das mulheres mais lindas que já vira. Se não a própria. Motivo então, dos porcos lhe provocarem tanto.
Sentia saudades dela.
- Amanha passe aqui para acertarmos. – disse mais alto, para ela ouvir.
Ela apenas levantou a mão em um sinal de confirmação e de adeus.
A noite estava medonha naquele lado da cidade. O som de suas botas, que eram mais para coturnos, dava um baque surdo quando encontrava o chão, sendo o único som naquela escuridão fora os dos insetos.
Cruzou os braços a frente de seu peito, bem forte, tentando impedir que o frio tocasse sem peito. Fungou o nariz enquanto fitava seus passos ritmados, ecoando em alguns becos que passava. Estava mais frio naquela noite e sentia suas bochechas arderem quando o ar gélido as tocava, principalmente quando um vento passava por si, obrigando-a a apertar ainda mais os braços ao peito.
Havia deixado seu carro em um lugar mais movimentado do que ali, pois sabia que aquela parte da cidade era mais marginalizada do que qualquer outra, e alguém roubar o seu carro só pioraria as coisas.
Fazia o trajeto de 35 minutos todos os dias na noite, sempre a madrugada, porem como saiu do bar mais cedo, ainda não havia virado o dia. Mas ainda sim, deduziu perto das nove horas da noite.
Ela não tinha medo de se estuprada ou assaltada andando sozinha no lugar mais perigoso de Manhattan. Isso era a menor das suas preocupações, já que sempre quanto alguém tentava isso, se saia mal. Ela, definitivamente, era o diabo em mulher. Ninguém se metia com ela e saia por assim mesmo. Não antes de gemer encarecidamente para ela parar e deixar ir embora.
Era impaciente e durona.
Pôs o capuz de seu casaco negro, que ia ate um palmo acima do joelho, fechou-o e enfiou as mãos nos bolsos do mesmo.
Ouviu um barulho rouco de motor. Moto pensou. O barulho estava mais afastado as suas costas, e cada vez ficando mais alto. Era uma esportiva da pesada; seu ruído poderoso, as trocas de marchas rápidas e a velocidade com que se aproximava provavam isso.
Logo ela já passava por si numa velocidade que ela julgou uns 120 km/h. Era uma BMW S1000 RR negra, muito bonita na parte dela, que já freava para fazer a curva que tinha logo á frente.
E o que lhe chamou a atenção foi realmente isso.
Parou para observar e engoliu seco. Conhecia aquele modo de frear, na distância exata da curva e o modo perfeito de deitar o corpo junto á moto para completa-la.
Deus, só podia..
Não! Sua mente gritava. Esqueça isso, é impressão sua.
Bufando fortemente sacudiu a cabeça, espantando possíveis pensamentos, e repôs-se dando inicio aos longos passos novamente.
...
Chegou à sua humilde casa às dez e meia da noite e se jogou no sofá. Como era boa aquela sensação de descanso para suas costas, já que passava vinte horas de pé naquele bar.
Isso mesmo. Ela acordava todos os dias as seis da manha para estar as sete da manha no bar, e apenas saía as duas da madrugada. Só lhe restava quatro horas para dormir. Jared, o dono do bar, achava aquilo loucura, mas a mesma insistia em tanto horário devido ao pagamento no final do mês ser maior.
E de certa forma, estava aliviada por sair de lá. Estava cansada daquele trabalho que era forçado demais, e tambem de chegar em casa com a paciência estourada, ficando quase todos os dias de mau humor. Alem do prejuízo que causava a ele.
Esfregou os olhos e respirou fundo.
- Mamãe?
Abriu os olhos com o leve susto e avistou uma figura masculina pequena, com seu pijama branco de listras horizontais azuis e sua carinha de sono.
Sorriu ternamente.
Estava aí o motivo de tantas horas de trabalho.
- Oi meu amor. – sentou-se no sofá abrindo os braços para receber o pequeno.
Ele caminhou sonolento ate os braços da mãe, onde deitou e se aconchegou. Ao senti-lo em seus braços, esqueceu-se de todos os seus problemas, todos os anseios, de tudo. Seus músculos relaxaram e se sentiu leve, feliz.
- Você veio cedo hoje. – Seus olhinhos se mantinham fechados, afundados no peito da rosada.
- Eu sei. – alisou seus cabelos negros como ébano. – A partir de agora acho que a mamãe vai estar mais com você. – sorriu enquanto acariciava a pele alva de seu rosto, observando os pequenos olhos negros abrirem curiosos.
- Isso é serio?
- Sim. – sorriu. – Mamãe saiu do bar.
Ele deu um enorme sorriso. A felicidade em seu pequeno peito o impulsionou a enlaçar o pescoço de sua mãe fortemente afundando-se nos cabelos róseos, onde fechou os olhos.
- Isso é ótimo, mãe. – disse em um sorriso.
Ela afagou os cabelos negros e sorriu melancolicamente.
- É sim.
Mas não era. Ela estava sem emprego, na rua. Teria que arrumar um emprego o mais rápido possível, seja qual for. As despesas estavam aumentando e tinha que dar o seu melhor para garantir uma vida boa para o pequeno em seus braços.
Suspirou cansada discretamente. Não era fácil a vida de mãe solteira.
Ainda mais para ela.
- Como esta a nova escola? – saiu de seus devaneios, com quase sem emoção na voz.
- Legal.
- Só isso? – Sorriu e se afastou do pequeno, para fitar seus olhos.
- É.
Sorriu.
A herança monossílaba ainda estava intacta.
- Arranjou novos amigos? – tentou novamente.
O pequeno suspirou cansado e fechou os olhos.
- Só alguns. – cruzou os braços. – Aquela escola só tem idiotas. – viu um beiço se formando nos finos lábios dele.
Sorriu ainda mais com o beiço dele. Ficava tão fofo que tinha vontade de morder aquelas bochechinhas alvas e gordinhas.
- Eles estão lhe provocando? – arqueou a sobrancelha ainda sorrindo.
- São idiotas. – concluiu abrindo os olhinhos cerrando-os.
Ela revirou os olhos ainda sorrindo. Desistira de ter uma conversa sobre a escola com o pequeno naquele momento. Tentaria outra hora.
- Está bem. – levantou-se com ele no colo. – Agora temos que ir para cama, certo.
- Mãe.. eu sei andar. – disse meio sonolento afundando-se no pescoço da rosada.
- Estou com saudade de lhe pegar no colo. – disse manhosa. – E principalmente de você. – adentrou o corredor. – Por isso você vai dormir comigo hoje! – sorriu adentrando em seu quarto.
- Feito! – exclamou pulando do colo da rosada e se jogou na cama da mesma. – Ai bem grande. – disse espreguiçando os pequenos braços.
Sorriu ternamente com a cena.
- Vou tomar banho e já venho.
Desamarrou os cabelos, que antes estavam em um rabo de cavalo, e adentrou o banheiro. Largou a tira de cabelo encima do pequeno mármore branco da pia e olhou seu reflexo parcialmente sem vida no espelho.
Suspirou.
Sua aparência realmente não estava das melhores.
Tocou a pele de seu rosto e sentiu uma leve aspereza, assim como seus dedos. Seus olhos eram moldados pelas grossas olheiras, fazendo as belas íris esmeraldas perderem seu brilho encantador que antes a habitavam.
Olhos fundos e cansados.
Abriu a torneira branca e apanhou a água cristalina e gélida em suas mãos, levando de encontro com a pele de seu rosto ressecada. Esfregou-a levemente, massageando, como se a água lavasse todas as angustias e dores de sua alma.
Olhou novamente seu o reflexo no espelho, agora com pequenas gotículas de águas contornando as linhas delicadas de seu rosto que estavam um pouco apagadas. Sem vida, sem realce.
Suspirou novamente.
Como todas as noites, pensava como seria sua vida se tivesse tomado diferentes decisões. Como ter ficado no Japão.
Riu melancolicamente com seu pensamento.
Não teria dado certo. Não mesmo.
A situação seria pior do que estava, e não se importava com isso. Não se importava se estava como uma morta viva, um robô, dando tudo se si para apenas garantir um salário bom para dar uma vida boa para seu filho, se fosse por ele, ela faria qualquer coisa.
Mas na verdade ela tentava se convencer de que não se importava. La no fundo, bem no fundo, sentia falta de ter uma vida, de não sorrir forçadamente, de não chegar em casa e pensar apenas em deitar-se e descansar.
Ouviu o delicado barulho da água e observou o seu trajeto, escorregando levemente em redemoinho ate cair ao buraco escuro da pequena pia.
E se tivesse ficado com ele? ...
Agradeceu mentalmente pelo barulho do telefone ter lhe despertado dos possíveis e desgostosos futuros pensamentos.
Pegou a pequena toalha de rosto lilás, pendurada em um arco branco preso a parede, e se encaminhou ate a sala secando rapidamente as gotículas de água que se encontravam no seu rosto.
Quando fechou o punho ao redor do simples aparelho branco do telefone residencial, prendido a parede, prontamente disse um fraco Alo, estranhando alguém lhe ligar a essa hora.
- Alô? – repetiu já irritada.
Bufou quando apenas ouviu o pequeno ruído da linha, já que o ser vivo do outro lado nada disse. Estava pronta para desligar quando uma voz finalmente se pronunciara.
- É da casa de Haruno Sakura?
Era uma voz masculina, grossa e seria.
Apertou os olhos e endureceu a voz.
- Quem esta falando? – perguntou ríspida.
A pessoa ficou alguns segundos em silêncio e desligou o telefone, fazendo a rosada apenas ouvir os suaves tu’s.
Recolocou o telefone em seu suporte bruscamente e saindo pisando duro, rumo ao banheiro, estranhando infinitamente essa ligação.
_________..._________
06:30 AM
- Anda logo menino! – passava a manteiga no pão apressadamente.
- Calma aí mãe!
Olhou para a porta e viu uma figura em um pé só, ajeitando a calça na parte da panturrilha. A mochilinha negra já se encontrava em suas costas, desajeitada devido ele estar meio agachado. Os cabelos negros estavam bagunçados, e assim como sua face, acusava ter acabado de acordar.
- Você sempre se atrasa assim? – estava rindo com a cena.
- Não estou tão atrasado. – sentou-se a pequena mesa redonda e esfregou os olhinhos.
- Ok, ok. – desistiu, entregando-lhe um copo de suco de limão e um sanduíche.
Ele bocejou.
- O que você vai fazer hoje? – tomou um gole do suco enquanto fitava a figura de sua mãe ajeitando a cozinha.
- Vou lá acertar o meu salário com o Jared. – lavava alguns talheres.
- E depois?
Ela riu.
- Por que esta perguntando?
- Por que você é minha mãe e precisa me dizer onde vai. – disse em tom autoritário e fez bico.
Ela riu mais ainda, virando-se para encarar face seria com bico do moreno.
- Tudo bem, Sr mandão. – secou as mãos no pano de prato e cruzou os braços. – depois eu vou procurar um emprego, né. – entortou os lábios.
- Ah, é. – lembrou-se e mordeu o sanduíche.
Ela fitou seu filho tomar o café em silencio. Ele poderia ter apenas seis anos, mas já era inteligente o bastante para entender qualquer coisa ou situação.
Era inteligente demais para a sua idade.
Parecia-se com o seu tio.
Calmo e inteligente.
Claro que às vezes ele tinha os ataques neuróticos dela e tambem bastante coragem. Alem da curiosidade em alta. Mas também tinha o modo birrento, manhoso e mandão, que ela não preferiria comentar.
- Mamãe.. – saiu de seus devaneios. – Depois da escola você me ensina alguns golpes? – seus olhinhos a olharam com indicio de esperança.
Riu com o pedido do seu filho.
- Golpes? – arqueou a sobrancelha. – Não é para bater nas crianças da escola, certo?
- Não mãe. – ele suspirou. – É por que eu queria aprender a ter a autodefesa.
Curvou os lábios, impressionada.
- Tudo bem. – sorriu. Ele esta olhando series de policias demais, concluiu.
Viu um sorriso largo se formar nos carnudos lábios do pequeno.
- Mas não estou lhe prometo. Vou tentar. – concluiu.
-Ok. – ainda sorrindo, mordeu o pão.
Esperou ele terminar de tomar o café e logo estavam entrando no carro velho de Sakura, para levá-lo a escola. Já que o mesmo perdeu o transporte.
A manha estava com um ar gélido, que para ela era a melhor coisa para preencher seus pulmões. O céu era límpido em total azul e o sol estava radiante no céu, transmitindo um calor agradável.
Faria um lindo dia hoje.
Mas já o transito estava caótico, como sempre. Teve de pegar um trajeto alternativo para seu filho não chegar ainda mais atrasado na escola.
Olhou para o lado e viu a pequena figura morena imóvel, apenas observando as paisagens e os prédios gigantescos pela janela.
Sorriu.
Só de pensar que passaria mais tempo com ele, mesmo que fosse por pouco tempo, já lhe deixava realmente muito feliz.
Ele era a coisa mais importante em sua vida. Mesmo com toda dificuldade que passara nunca se arrependeu de ter feito aquela promessa. Naquele dia que viu escrito positivo no teste de farmácia, prometera a si mesma que faria de tudo para cuidar e dar uma vida feliz ao seu filho, e manteve essa promessa. Nunca desistindo. Trabalhando duro e sempre que possível dando atenção a ele. Superando tudo por ele.
Ele era a sua vida agora.
- Você me deve explicações de como esta a nova escola. – sorriu lembrando-se do assunto.
Ouviu o pequeno suspirar lentamente, e logo começou a falar.
- É mais difícil que a outra, mas estou entendendo tudo direitinho. – sorriu e fitou-a. – E tenho dois amigos. O resto é um bando de babacas riquinhos. – fitou a janela novamente.
- Aposto que eles têm inveja de você, só por que você tem um fanclub feito por dezenas de garotas apaixonadas por você. – sorriu e virou a direção.
Os olhos negros direcionaram-se para a figura rosada, levemente arregalados.
- Como você sabe?
Ela sorriu minimamente, disfarçando a melancolia que continha no pequeno sorriso, já que lembranças vieram à mente.
- Sabia que as garotas não resistiram a você.
- Mãe.. – juntou as sobrancelhas e fez bico.
- É verdade! – o olhou sorrindo. – Você deve ser o garoto mais lindo daquela escola! – parou na sinaleira. – Já tem uma namorada?
Ele bufou.
- Tudo bem, já chega. – desviou os olhos e cruzou os braços, emburrado.
Ela riu baixinho. Seu filho era uma peça e tanto.
Acelerou o carro novamente e logo viu a enorme escola mais a frente. Era umas das melhores escolas particulares de Manhattan e ela daria um futuro melhor ao seu filho.
Mas seu preço também era um pouco acima da média, o que fazia a mente de Sakura repensar ainda mais uma coisa: emprego. Rápido e já.
Estacionou no meio fio, a frente do portão da escola e destravou as portas.
- Boa aula meu amor. – agarrou o rosto dele e lhe deu um beijo estralado.
Ele ficou olhando para os lados disfarçadamente, com vergonha por sua mãe ter o beijado a frente da escola e alguém tivesse visto.
- Eu te busco depois, esta bem? – sorriu.
- Ok. – sorriu e abraçou-a rapidamente. E logo abriu a porta e desceu do carro.
Ele da um rápido aceno para sua mãe no carro, e se pôs a adentrar o pátio da escola passando pelo enorme portão.
Sorriu ternamente fitando ele adentrar superior e calmamente na escola.
Em um relance, ela viu ele quando adentrava o pátio de sua antiga escola calmamente, arrancando suspiro de todas as garotas com aquele sorrisinho de canto..
Repreendeu-se por sua mente ter se lembrado daquele que ela permitiu-se esquecer, desejando para sempre. Mas ainda depois de tantos anos vira que era mais difícil do que pensava.
Parecia até impossível.
Suspirou.
Não iria fraquejar assim por uma ou leves lembranças..
Prometera a si mesma por seu filho.
Engatou a primeira marcha e logo entrou na pista movimentada novamente.
Ligou o rádio para afastar possíveis lembranças no meio do caminho, mas o mesmo não o ajudou. Estava tocando Oasis, Stop Crying your Heart Out, justo a musica que mais o lembrava..
Por um momento o ar lhe faltou. Onde seus olhos estavam direcionados, nada via. Tudo ao seu redor desapareceu. Apenas a musica envolvia seus ouvidos enquanto sua mente lhe levava em uma viagem no tempo, há muito anos.
A imagem de um homem másculo nu sobre si com um rosto alvo, com olhos negros penetrantes direcionados a si e cabelos de ébanos balançando devido vento que vinha da janela do quarto que estavam, fixou em sua mente.
Lembrara muito bem desse quarto, desse dia. O dia em que se amaram a manha inteira e geraram um fruto mais precioso de todos, que só o amor pode criar.
Parecia que sentia o vento gélido da manha tocando em seu rosto, os pequenos raios de sol atravessando o vidro que estava aberto dando passagem ao vento que balançava a fina cortinha branca, o lençol de seda abaixo de seu corpo, o fofo travesseiro e aquele caloroso corpo sobre si. Fitando-lhe intensamente, revelando sua alma. Revelando todos os seus segredos.
Era isso que aqueles olhos lhe causavam. A deixava paralisada, sem reação, sustentando-se em apenas retribuir aquele olhar intenso, esquecendo-se de tudo.
A musica ao fundo tocada pelo rádio do moreno era a sua predileta do Oasis. Ele havia deixado o mesmo ligado, à noite inteira, já que se amaram inúmeras vezes a noite e naquela manha, o esqueceu ligado.
Ele elevou sua mão que antes estava ao lado de seu corpo, e tocou sua face delicadamente, em um afago cheio de sentimento. Fechou os olhos para sentir melhor a caricia e deu um leve suspiro.
Ate que aquela voz rouca e penetrante a estremeceu em contato dos seus ouvidos.
- Sakura..
Abriu os olhos violentamente ao ouvir o barulho alto de uma buzina.
Quando sua mente raciocinou novamente, viu que estava na contra mão da pista de mão única (uma vai e uma vem).
- Droga!
Virou a direção bruscamente entrando na pista certa e freou para não bater atras do carro a sua frente.
Ouviu o cara do outro carro passar e lhe lançar inúmeros palavrões, alguns ate novos para ela.
Ela suspirou pesadamente e apertou firme a direção. Deixou seu rosto tombar alguns segundos sobre o volante, e o ergueu novamente, esfregando sua testa com a mão.
Não queria causar outro suposto acidente.
Seu rosto tinha expressão de dor, angustia. Por mais que tentasse de tudo, nunca esqueceria aquele dia. Aquele dia foi perfeito. Ele foi perfeito. Tudo foi.
- Só não se esqueça pelo que passou depois, Sakura. – disse a si mesma, apertando os olhos com força, tentando fazer sua mente esquecer daquilo e não ter vontade mais de lembrar-se daquele momento.
Trocou a estação do rádio bruscamente e tentou relaxar os músculos tensos.
- Isso. – sorriu brevemente – O bom é velho rock n’ roll. – engatou a primeira marcha e acelerou novamente.
E depois de muito rock e transito caótico, chegara finalmente onde desejava.
Aquela rua lhe parecia abandonada. Pelo fato de ser do outro lado da cidade, em um lugar mais afastado, onde o movimento era quase que desértico.
Viu as grandes motos clássicas estacionadas na frente, e notou que havia um movimento bom para o dono.
Desceu do carro e nem se deu o luxo de olhar para os dois lados.
Empurrou a porta velha de madeira que ringiu alto, chamando a atenção de alguns dos seus queridos, e antigos, ogros. Fechou-a logo a pós.
Pôs se a caminhar calmamente com as mãos nos bolsos do seu sobretudo preto com a carranca de poucos amigos. Olhou para o balcão e viu um homem de estatura media atendendo os clientes. Parecia que seus músculos iriam saltar para fora do corpo, de tão inchados que eram.
Onde ele arruma esses monstros?
Riu com seu comentário e logo viu as costas junto dos ombros largos, e a pequena cola de cabelo, sentado em umas das mesas ao centro, conversando algo sobre algum negócio.
Viu que um dos homens o cutucou e meneou em sua direção, fazendo-o virar o tronco e a fitar se aproximando dele.
- Sakura. – sentiu alegria em sua voz.
- Oi. – deu meio sorriso, ainda com as mãos nos bolsos.
Notou que os olhos negros fitavam os sues verdes com certo afeto. Tentou pensar que fosse bobagem sua, e então desviou dos mesmos.
- Bem rapazes – direcionou-se aos homens. – Eu já volto. – levantou-se.
Viu que eles olharam para Jared e ela com um sorrisinho malicioso nos lábios, pelo fato dele se virar para a rosada e dizer um venha por aqui.
O seguiu e reconheceu o lugar assim que abriu uma porta, que ele sempre abria gritando quando o alvoroço tomava conta do bar. Atravessaram a mesma e ele lhe indicou uma cadeira, a frente de sua mesa.
Ele não era muito metido a contabilidades e essas coisas, mas ele tinha um pequeno escritório para tratar se assuntos em particular, e também, para ficar um pouco só, bebendo sua tequila.
- Viu meu novo balconista? – sentou-se a sua cadeira sorrindo.
- É, eu vi. – deu um sorriso torto. – Agora não irá dar tanta confusão. Ele é um monstro. – completou.
- Ou agora é que de mais. – riu e a fitou nos olhos.
Estava meio embaraçado os dois sozinhos ali.
- Seu filho, como esta? – perguntou enchendo um martelinho com tequila e lhe oferecendo.
- Obrigada. – recusou. – Ele está bem. – sorriu.
- Ah que ótimo então. – puxou uma das gavetas de sua modesta mesa e pegou um envelope. – Bem, — colocou-o a frente da rosada. – Aí esta Sakura. – tomou um gole. – Tudo o que você deveria receber, e pus um pouco a mais para te ajudar ate achar um novo emprego.
Ela pegou o envelope e passou o dedo por cima do monte de dinheiro, vendo que tinha bem a mais do que esperava.
- Jared, aqui tem mais do que esse seu um pouco a mais. – o olhou divertida.
Ele riu.
- Não posso aceitar. – retirou uma quantia e lhe direcionou. – Não posso mesmo.
Após olhar para ela alguns segundos ele largou o copo encima da mesa e suspirou.
- Por favor, aceite. – sua voz era calma. – Quero muito lhe ajudar. – seus olhos fixavam-na.
- Você já me ajudou muito. – deu um sorriso pequeno. – Não quero ser abusada.
Largou a quantia encima da mesa e viu que ele abrira a boca para contestar, mas ela foi mais rápida.
- Obrigada mesmo, por tudo que fez por mim. – disse calma, olhando fixamente em seus olhos. – Nunca vou me esquecer.
Viu ele suspirar e dar um sorrisinho de canto extremamente sexy.
...Assim como o dele.
Balançou discretamente a cabeça tentando afugentar possíveis pensamentos e suspirou brevemente.
- Bom eu vou indo lá. – sorriu um pouco amarelo e levantou-se. – Tenho que arranjar um novo emprego, não é. – brincou.
- Ah, é. – sorriu e imitou-a. – Espero que arranje um rápido e muito bom. Você merece. – novamente seus olhos pareciam chegar em sua alma. – Vou espalhar que você precisa de emprego, se achar algo lhe aviso. – sua voz era calma.
- Er.. Obrigada mesmo. – sorriu meio sem jeito. – Boa sorte com o bar. – disse por fim.
- Lhe desejo toda a sorte, Sakura.
Antes de atravessar a porta, olhou mais uma vez para o homem que a ajudara muito em seu caminho ate aqui. As mãos estavam nos bolsos, e o olhos penetrantes sondavam-na.
Deu um rápido sorriso e atravessou a porta rapidamente.
Quando sentiu o ar puro da rua agradeceu mentalmente, já que aquele bar fedia a suor daqueles gordos nojentos e a cerveja. E também, aquele olhar penetrante de Jared parecia que iria revelar toda a sua alma. A causando arrepios.
Atravessou a rua desértica e entrou no carro. Contou o dinheiro rapidamente e viu que tinha o bastante ate arranjar outro emprego.
Sorriu.
Ele sempre lhe ajudava. Não se esqueceria de tudo o que ele já fizera por ela.
Largou o envelope dentro do porta-luvas e ligou o carro, indo de encontro com a sua nova eminente guerra no mercado de trabalho.
- É, vamos lá de novo Sakura. – ligou o radio e colocou no último volume, engatando após a primeira marcha.
Notas finais
Expressem-se para que eu possa melhorar, okay?
Até a próxima, obrigada. :)
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