Vices
2 Lagrimas de dor
Notas iniciais
Capitulo dedicado a querida Dora-chan que foi a primeira a comentar a fic. Muito obrigada, me inspirou bastante e já tenho capítulos quentinhos saindo!
Enfim, Boa Leitura!
Já passara em dezenas de lugares a procura de um novo emprego, largando um currículo em todos, mas em todos visivelmente seriam um fracasso. Estava quase perto do meio dia, onde teria que buscar seu filho na escola.
– É bem simples. – disse a mulher entediada. – Você molha, passa esse sabonete para cachorro, molha de novo e seca com o secador. – mascava o chiclete descaradamente, fazendo um barulho irritante.
– ..Só isso?.. – as sobrancelhas rosada encontravam arqueadas, não gostando nada daquilo.
– Não, né querida! – disse em desdém. – Limpar coco, levar pra passear, fora um monte de coisa. – suspirou. – E nem fica animada que é menos que um salário mínimo. Carga horária de segunda a sábado. – pôs as mãos na cintura.
Já se imaginava estrangulando alguns cachorros pentelhos e aquela mulher dentro daquele Pet Shop.
– Er.. tudo bem. – sorriu amarelo – Eu ligo pra você qualquer coisa. – Pegou o folhetinho do Pet Shop e deu meia volta.
Bufou quando sentiu o ar gélido da rua. Estava quase perdendo as esperanças de achar um bom emprego. Pet Shops, Livrarias, Vendedora de brinquedos, nada disso se encaixava com ela, só iria dar problemas já que sua paciência era muito curta. Mas não iria desistir, iria ser ate garçonete do diabo se preciso.
Andou mais algumas quadras e viu uma plaquinha escrita precisa-se de segurança.
Parou e olhou bem para ela e para o local que era uma pequena boate.
Ta aí um tipo de serviço que ela se encaixaria bem. Ficar de cara feia, bater nuns imbecis e botar medo na geral. O problema é que ela sabia que o salário não era muito bom, já que trabalharia apenas nos fins de semana à noite. O que significaria que Yuri ficaria sozinho em casa no final de semana a noite, então estava fora de cogitação.
Bufou e olhou no relógio.
Faltavam ainda uma hora para buscar seu filho, e já estava cansada de vagar nas ruas feito um zumbi atras de um emprego bom, que ela não quebrasse as coisas e nem as pessoas.
Pôs se a caminhar na direção onde seu carro estava estacionado, e quando chegou ao mesmo o adentrou, ligou e já se encaminhava para sua próxima parada do dia.
Depois de adentrar e virar algumas ruas chegou ao endereço desejado.
Já fazia uma semana que não colocava os pés ali, e sabia que ouviria muito por isso. Estacionou o carro do outro lado da rua ao meio fio, e fitou a grande mecânica onde sua querida amiga loira trabalhava.
Baixou o vidro e viu a mesma com a sua grande cola loira e seu macacão cinza colado no corpo, personalização sua. E estava se assanhando para um cliente.
Riu.
Ela ainda tinha seu jeito meio vadia de ser.
Saiu de dentro do carro, olhou para os dois lados da rua e a atravessou. Viu o homem que a loira estava se assanhando entrando no seu Audi e sair pegando um papelzinho entregado por ela. Provavelmente seu telefone.
Estava à frente da grande entrada da mecânica quando a Audi passou por trás de si.
– Vadia como sempre. – cruzou os braços e sorriu, vendo a loira a olhar surpresa, logo dando espaço para um largo sorriso em seus lábios.
– Testuda como sempre! – foi ao encontro dela. – Ela cresceu mais. – referiu-se a testa.
– Cale a boca. – a abraçou. – Seu cheiro de vadia também!
As duas riram.
– Como esta o filhote? – pôs as mãos na cintura. – Estou morrendo de saudades dele! – disse manhosa.
– Ele esta ótimo. – sorriu. — Larguei ele na escola de manha mais cedo.
A loira juntou as sobrancelhas estranhando.
– Er..Vem. – gesticulou com a cabeça. – Vamos entrar! – sorriu novamente.
Passaram pela grande entrada da oficina, e ela estava do jeito que se lembrava. Paredes em tom de cinza, janelas brancas, algumas mesinhas em cor marrom espalhadas ao grande centro, mecanismos de suporte, como para levantar o carro e etc, em cor vermelha, uma pequena salinha toda bagunçada onde era o pequeno escritório.. Tudo estava como antes!
– Você não apareceu mais aqui mocinha. – cruzou os braços e lhe lançou um olhar reprovativo. – Não me diga que esta ainda naquela loucura de trabalho e se fechando para o mundo, qual é! – a rosada baixou os olhos e a loira bufou. – Onde esta sua vida Sakura? Quando foi a ultima vez que se divertiu? – as sobrancelhas pesavam sobre os olhos azuis – Já te falei Sakura, não pode fazer isso, passar sei lá quantas de pé servido brutamontes! Isso esta acabando com você cada dia mais, você não tem mais vida e-
– Me demiti. – disse normalmente, cortando-a.
– Como é testuda? – a loira se espantou.
– Isso mesmo Ino. – disse entediada suspirando. – Pedi demissão.
Achou que a loira iria pular de alegria, pelo enorme sorriso que fez. Achava que nem acreditara.
Ela riu.
– Graças a Deus! – levantou as mãos para o céu.
– Só não se esqueça de que eu estou desempregada, ta bem? – disse sarcástica fitando a loira ir de encontro a uma mesinha.
– Com esse rostinho e corpinho, logo vai achar um. – riu da amiga procurando algo em meio a inúmeras peças.
– Não vou vender o corpo não, porca. – suspirou.
A loira apenas riu.
– Mas sabe, não sei como eles já não te demitirão, afinal, todo dia você brigava com aqueles ogros. – disse pegando algumas peças e indo embaixo de um carro. – Na verdade, eu sei o motivo do por que do Jared não te demitir. – sua voz tinha um tom sapeca.
A rosada bufou, imaginando o que a amiga iria dizer.
– O que seria Ino? – perguntou entediada.
–Ah, não se faça de sonsa. – disse saindo de baixo do carro. Ela estava encima de uma espécie de Skate, só que este era maior e mais largo, para poder lidar embaixo do carro.
A rosada lhe lançou um olhar a repreendendo.
– Sakura ele ainda é caidinho por você – disse obvia. – Ta na cara!
Ela bufou.
– Já falamos sobre isso, não é Ino? – disse se escorando no carro vermelho que a loira estava mexendo.
– Ah, qual é?! – riu. – O cara faria qualquer coisa por você. – voltou para baixo do carro. – Além de ele ser uma escultura grega, esculpida com gostosura e sedução. – disse maliciosa.
– E eu tenho que ouvir isso. – revirou os olhos e riu.
A loira era uma figura e tanto. Ino Yamanaka assim como ela, amava carros. As duas dês de pequenas gostavam mais de carros do que bonecas. Sakura era mais, já que Ino ficava mais é se atirando para os garotos com quem ficavam em grupinhos na escola, quando ainda moravam no Japão.
Dês de pequena meio vadia.
Riu com seu comentário.
– Mas eu estou mentindo?
Riu novamente. E era verdade mesmo. Jared era realmente lindo. Era aquele tipo de vilão que você sempre desejou.
– Vai ficar me amolando ou me contar as novidades da área? – Cruzou os braços rindo.
– Nossa! – disse debaixo do carro manuseando algo. – Assim até parece que sou fofoqueira.
– Mas você é. – disse a rosada mais baixo, provocando-a. – New York Times esta quase perdendo pra você.
– haha, gracinha. – imaginava ela revirando os olhos teatralmente. – Mas.. já que tocou no assunto..
Não gostou quando sua voz ficou seria de repente.
– O que seria? – juntou as sobrancelhas.
A loira hesitou por um instante. E Não gostou nem um pouco daquilo.
– Para de suspenses, porca. Fala logo. – esbravejou.
Viu-a sair de baixo do carro e a olhar com receio. Ela não sabia ao certo se deveria lhe contar, mas ela era sua amiga, sua irmã, e devia saber.
– Er.. – suspirou pesadamente.
Viu-a tomar fôlego, e quando ia protestar novamente para ela falar de uma vez, ela largou tudo de uma vez.
– Sasuke esta aqui em Manhattan.
A rosada ficou sem reação diante da breve informação que seu cérebro estava digerindo com dificuldade. Por um momento tentou achar indícios na face da loira de que estava tirando uma com a sua cara, mas infelizmente não achou.
Engoliu seco e desviou os olhos. Sentiu seu coração bater mais forte e uma pequena pontada de ansiedade lhe atingiu o estômago. Praguejou-se mentalmente por ele ainda lhe causar essas reações, só de saber que ele estava mais perto dela do que imaginava.
Bufou pesadamente.
– Ele veio aqui ontem com o Gaara. – a loira notou que essas pequenas informações mexeram profundamente com a figura em sua frente, com a face dura e as mãos dos braços, cruzados, apertando forte o tecido do seu casado negro. – E-eu não tinha intenção de lembra-lo Sakura. É que eu sei que você realmente deveria saber. – explicou.
Então era por isso que tudo nesses últimos dias o lembrava. Era seu coração sentido que ele estava mais perto.
Droga!
Estava se deixando levar demais.
– O que ele veio fazer aqui? – sua voz era rouca.
– Eu não sei. – levantou-se e largou as peças novamente na mesinha. – Eles estavam quietos demais. Ate mesmo o Gaara estava meio que tenso.
– Eles não falaram nada? – a fitou receosa.
– Não. – cruzou os braços. – Sasuke apenas veio aqui dar um check-up na BMW S1000 RR dele. Era linda. – disse lembrando.
Sabia! Sua mente gritou enquanto dava bufava pesadamente. Era ele ontem a noite, conhecia muito bem aqueles movimentos.
– Era preta? – seus olhos estavam fechados.
– Sim. – a loira estranhou. – você o viu?
– Vi. Ontem a noite quando ia ate o carro. – abriu os olhos. – Tem certeza de que não ouviu nada? – a fitou suplicante. Sabia que a amiga poderia estar escondendo alguma coisa para o bem dela.
– Sim, testuda. – disse sincera.
Olhou no fundo dos olhos azuis e viu que estava falando a verdade.
– Ok. – descruzou os braços e desescorou-se do carro. – Eu vou indo lá buscar o Yuri. – fungou e passou a mão no nariz. Já se pondo a caminhar
– Você vai ficar bem? – a fitou receosa enquanto ia de encontro a saída.
A loira no fundo sentiu uma pontada de arrependimento. Sabia que aquilo mexeria com a amiga agora. Mas se não fizesse isso, sabia que ela ficaria brava consigo, e alem de que ela tinha o direito de saber.
– Ah, sim. – disse se virando meio desnorteada. – Ta tudo bem Ino. – deu um sorriso forçado, e se virou novamente. – Qualquer coisa me ligue. – fez um sinal de adeus com uma das mãos, ainda de costas.
– Tudo bem. Você tambem! – disse mais alto para a rosada ouvir.
Viu-a atravessar a rua meio apressada e entrar no carro um pouco nervosa. Cruzou os braços vendo o carro da amiga sair andando normalmente, e pela reação da mesma agora a pouco, se confirmou do que desconfiava a muito tempo. E sorriu melancolicamente.
Ela ainda o amava.
...
Depois de alguns minutos tensos dentro do carro, hora buzinando e praguejando alguns motoristas, e hora se perguntando o que ele estava fazendo ali, tão próximo dela, chegara finalmente à frente da escola. E por sinal chegou bem a tempo.
O sinal do termino das aulas soou forte em toda a escola. E logo via tanto pequenos quando os maiores atravessaram a grande porta da escola.
Pôs em sua mente que não podia se mostrar abalada para seu filho, já que ele era esperto e desconfiaria, e o que menos queria era colocar seu filho no meio de tudo isso.
Forçou um sorriso quando o fitou ao meio das outras crianças, e o mesmo lhe retribui com um pequeno sorriso. Ele estava com as mãos no bolso, lhe fitando enquanto tentava sair do meio das outras crianças. Viu uma menina de olhos verdes, assim como os seus, e cabelos castanhos claros em duas trancinhas, correr e parar ao lado do seu filho e sorrir para ele. Ele ficou sem jeito e retribuiu o sorriso olhando para o chão, envergonhado.
Sorriu com a cena, e a achou a mais linda e fofa de todas. Com certeza seu filho sentia alguma coisa por aquela menininha lindinha de tranças.
Viu os se aproximando, e notou que ainda sorria.
– O-oi mãe. – disse o pequeno sorrindo sem jeito, ainda olhando para o chão.
– Oi filho! – sua voz era terna. Se agachou para ficar do mesmo tamanho que ele. – Como foi a aula? E quem é a sua amiga? – sorriu olhando para a adorável menina.
– Essa é a May, minha colega de classe. – fitou os olhos da mãe ainda sorrindo. – E a aula tava legal.
– Olá May. – sorriu para ela. – Prazer, sou Sakura a mãe do Yuri.
– Prazer. – sua voz era doce. – Você é muito bonita Sakura. – disse meiga, juntando os indicadores.
– Obrigada! E você é a menina mais linda que eu já vi! – sorriu novamente.
–O-obrigada. – sorriu meiga. – Yuri-kun, eu vou indo lá ta bem? Tchau Sakura, Tchau Yuri-kun. Até amanha!
Ela disse balançando a mãozinha e indo de encontro a uma mulher muito bonita, de olhos verdes e cabelos negros, que sorriu para Sakura, e a mesma lhe retribuiu o sorriso.
– Kun? – ela arqueou as sobrancelhas divertida, olhando o pequeno a sua frente ficar ainda mais sem jeito.
– É. – olhou para o lado e cruzou os bracinhos, disfarçando.
A rosada riu e se levantou.
– Vamos lá Yuri-kun. – riu divertida, vendo seu filho já fazer um beiço.
Entraram dentro do carro, colocaram o sinto e o carro já estava sendo ligado.
– Tsunade-sama me ligou enquanto vinha para cá, e nos convidou para ir lá de tarde. – fitou seu filho de esguelha enquanto ligava o pisca.
– Serio? – ainda tinha os braçinhos cruzados.
– Sim. – sorriu. – Lembra que você queria treinar alguns golpes?
– Tsunade-sama tem os equipamentos! – lembrou ele eufórico.
– Sim. – riu de seu filho. – Ela disse que estava com saudades nossa e queria nos ver. Daí já aproveito e lhe ensino algumas coisas.
– Ta bem! – sorriu animado.
No caminho eles param em um restaurante e depois de meses Sakura almoçou com seu filho. Era incrível que um simples ato com ele era de tamanho valor para ela. Passara muito tempo longe dele, e isso foi um erro. Agora via.
Depois eles iriam rumo à casa da Tenente da policia civil de Manhattan, Senju Tsunade. A mulher mais temida do estado. Aquela foi uma mãe para si e lhe ensinou tudo o que sabe hoje. Isso mesmo foi ela que ensinou Sakura a ser uma mulher durona, forte e batalhadora, e sabia de tudo o que a mesma já havia passado.
...
– Você tem uma bela esquerda, garoto. – disse a mulher dos seios fartos.
– Verdade. – a rosada estava com luvas grossas em suas mãos, enquanto seu filho dava vários socos nelas. – E esta mais forte. – sorriu.
Viu o pequeno ofegante sorrir.
– Agora tente chutar aqui – pôs a mão esquerda um pouco mais alta. – e depois dê um soco na mão direita.
Ele respirou fundo e começou as tentativas.
Depois de meia hora, o pequeno estava suando e muito ofegante. A rosada apenas sorria vendo seu filho dizer que só queria um minutinho enquanto estava esparramado encima do tatame.
– Não, vamos dar uma pausa agora garotão. – ela retirava as luvas e se aproximava dele.
– Eu estou bem. – disse ofegante.
– Você esta exausto. Faz tempo que não treinamos. – sorriu.
– E minha cozinheira fez um bolo delicioso de chocolate. – a loira sorriu e cruzou os braços.
– Não gosto de doces. – olhou obvio para Tsunade.
A rosada engoliu seco e baixou o olhar. Seus lábios se formaram em um sorriso melancólico.
Assim como ele..
Seu filho havia puxado exatamente igual a ele. E isso só fazia com que as lembranças e os receios do passado que tanto tentava esquecer, com todas as forças, fosse inútil. Sabia que não era sua culpa, e sim dela e sua mente estúpida que sempre quando vê coisas relacionadas a ele, se deixa abalar.
– Er.. eu peço para ela fazer uma pizza de todos os sabores que quiser. – sorriu amarelo. – E vai por mim, é de comer rezando.
– Verdade. – a rosada sorriu fraco.
– Não quero incomoda-la. – disse sem jeito, se levantando.
Tsunade sorriu ternamente.
– Não ira. – pegou na mãozinha dele. – ela ficará feliz em fazer uma bela pizza para uma coisinha tão linda e fofinha como você.
– Tsunade.. – ela a repreendeu iniciando um pequeno bico.
Ela riu. Seu filho não gostava de apelidos fofinhos. Viu-a levar ele, supostamente para a cozinha.
Olhou para os sacos de areia e decidiu se colocar em forma tambem, tirar a ferrugem de seus ossos. Ela brigava sim quase todos os dias com os ogros, mas não era nada demais. Queria um treino mais pesado.
Pegou um dos pares de luvas de Box de cima de uma estante, e as colocou. Eram pretas e couberam direitinho. Lembrou-se instantaneamente delas, era com essas luvas que usava quando treinava com Tsunade.
Amarrou os cabelos em um rabo de cavalo alto, onde a cola rósea batia em seus ombros. Retirou o casaco, ficando apenas com uma blusa de manga comprida cinza e se posicionou a frente de um dos sacos. Segurou-o com as duas mãos e respirou fundo. Se afastou um pouco e começou com a sequencia de golpes.
Mãos, pés, pernas, braços, tudo era sincronizado em um show de movimentos combinados. Descontava toda sua raiva, toda angustia, toda a dor em cada movimento que dava. Deus, como aquilo era bom. Sentia-se mais leve e mais viva.
Por um momento lembrou-se dele, já que assim como Tsunade, ele havia lhe ensinado muitas coisas. Sorriu com as lembranças que vieram a seguir; Os dois correndo de um bêbado armado em um bairro de Osaka. Tudo por que eles beberam no bar do homem, apareceram uns caras querendo brigar e brigaram, metade do bar ficou destruído e não pagaram a bebida. Isso com apenas 16 anos.
E no final, quando despistaram o velho, estavam em um beco escondidos, e ele a prensou contra parede, tocou em seu rosto e disse em seu ouvido:
– Eu sempre vou estar com você.
– Arrhh!!
*BOOW*
Parou ofegante com as mãos nos joelhos. Levantou o rosto e viu o saco de areia do outro lado do cômodo com um rombo no meio, onde vazava areia.
Enquanto as lembranças lhe invadiram a mente, nem percebeu que seu corpo automaticamente continuou com os golpes, e o que finalizou foi um forte chute no pobre coitado do saco.
– Nossa.
Levou um leve susto e virou o rosto na direção da voz, onde viu uma loira escorada no batente da porta de braços cruzados, com a expressão em um misto de curiosidade e calma.
– Sabe.. – a viu se aproximar. – Quando atingimos o auge da nossa força, e quando nós pensamos em coisas valiosas ou coisas que odiamos. – parou a alguns metros. – E agora eu estou me perguntando, em qual dos dois estava pensando?
Fitou sua mestra por alguns segundos e virou-se novamente.
– Talvez os dois juntos. – disse retirando as luvas.
A loira da um sorrisinho de canto.
– Sasuke, não é?
Se perguntava em como sua antiga mestra sabia de tudo o que estava havendo sobre si. Era um enigma que sempre quis descobrir.
– Ele esta aqui. — disse fitando as luvas.
A loira juntou as sobrancelhas.
– Qual o motivo? – viu que sua voz tinha tom de surpresa. Ela tambem não sabia.
– Ino não sabe. Ele apenas foi à oficina e não disse nada. – colocou a luva no devido lugar.
– O que esse moleque esta aprontando? – perguntou mais para si, pensativa com uma das mãos no queixo.
– Não sei. – virou-se para a mestra. – Só o quero longe de mim e do meu filho.
– Tem certeza disso? – viu ela lhe olhar tentando captar algo em seus olhos.
– É claro. – disse obvia. Mas no fundo sabia que alguma parte, pequena, queria nem que fosse apenas olhar mais uma vez para ele.
– Sakura.. – suspirou. – Sabe que eu sempre fiquei do seu lado, concordando com tudo o que você tem feito. Mas.. – se aproximou mais. – Não acha que ele tem o direito de saber que tem um filho nesse mundo? – pôs a mão no ombro da ex-aluna.
Os olhos esmeraldas olharam para os castanhos mel da mestra, tentando achar a resposta que realmente queria responder.
– E-eu.. – suspirou e fechou os olhos. – Eu acho que ele tem todo o direito sim Tsunade-sama, só que.. só que.. – mordeu o lábio inferior. – Só que ele me abandonou no momento que eu mais precisava entende.. – apertou os olhos fortemente – e se eu ir lá e de boa vontade e falar “Olá Sasuke, nos temos um filho” eu sei, eu tenho certeza que ele vai tentar se aproximar e quem sabe ate tirar Yuri de mim.
– Isso ele nunca fará. – a advertiu pegando sua mão. – Escute Sakura, você pode apenas estar com medo da reação dele.
– E-eu sei.. – apertou a mão da mestra. – Só que eu não quero sofrer de novo. – sentiu uma grossa e solitária lágrima escorrer de seu duto lacrimal.
– Você ainda o ama. – a loira concluiu a olhando com um olhar triste.
– S-sim. – limpou o rastro da recente lágrima com a mão. – Só que esse amor só me faz sofrer. E a prova disso são as lembranças. – fungou o nariz. – Yuri é a réplica exata dele. – sorriu em meio as grossas lágrimas que começaram a delinear seus traços. – Ele me lembra de Sasuke todos os dias, em cada gesto, no modo de falar e em tudo, e vendo essas cenas ao mesmo tempo em que eu sorrio, eu tenho vontade de chorar. É torturante.
A mestra via o quanto ela tinha pra desabafar. Segurar tudo sozinha, trabalhar, cuidar de Yuri.. tudo devia estar sendo um peso para ela. E num intuito de uma mãe, a tomou nos braços, abraçando bem forte.
– Isso acontece por que Yuri te lembra das coisas boas que viveu com Sasuke.. – afagou os cabelos róseos. – E sua mente lembra os momentos ruins. – suspirou. – Mas eu sinto que você ainda o ama verdadeiramente.
– S-sim. – sua voz era embargada pelo choro. – M-mas ele deixou claro que não me amava, Tsunade-sama. – afundou-se no pescoço da loira.
Apertou ainda mais ela, tentando conforta-la.
Só que loira lá no fundo tinha uma duvida pessoal quanto a isso. Sasuke sempre foi calculista e protetor. Cheio de segredos. Ele até tinha uma fama de ser mulherengo e frio. Só que com a Sakura, ele era diferente.
Suspirou.
Seja o que for que aquele garoto estivesse aprontando, iria descobrir.
– Desculpe Tsunade-sama. – ela saiu do abraço e tentava limpar as lágrimas.
– Não se desculpe. – tirou os fios róseos de seu rosto. – Você deve desabafar sim, querida. E eu estou aqui para tudo, você sabe.
Olhou ternamente para sua mestra, e sorriu.
– Obrigada, obrigada mesmo. Por tudo.
Viu a loira sorrir terna.
– Que isso. Agora lave esse rosto e pare de pensar em coisas ruins. – se virou rumo a porta. – E depois venha, o cheiro esta delicioso. – soltou um pequeno riso.
Passaram a tarde toda na casa de sua antiga mestra. Hoje era sexta, o dia de folga dela, e a mesma decidiu passar o resto do dia com o moreninho fofinho e a querida ex-aluna.
Treinaram mais algumas vezes, brincaram com Yuri e agora já estavam comendo o jantar.
– Esta delicioso, Kurenai-san. – disse a rosada enquanto dava uma garfada.
– Obrigada Sakura-san. – sorriu meiga.
– Ainda bem que trouxe ela junto comigo do Japão. – Tsunade se pronunciou. – Não sei o que seria de mim sem essa mulher. – brincou.
Ela riu.
– Mas e então Sakura.. – olhou para a mestra. – arrumou um novo emprego?
Ótimo. Outro assunto delicado e urgente.
– Ainda não. – suspirou. – Larguei currículo na cidade.
– Nunca pensou em voltar para a policia? – parecia que sua mestra estava guardando essa pergunta dês de o inicio.
– Eu gostava muito de trabalhar lá com você.. – sorriu olhando para o prato – Mas é muito arriscado.
Sim, ela já foi da policia, junto de Tsunade. Yuri ficava na creche e ela ia trabalhar. Só que quando o mesmo tinha 4 anos, ela largou esse trabalho, já que a ameaçaram inúmeras vezes envolvendo seu filho. Ele era muito boa no que fazia, e causava certa raiva nos bandidos. Talvez Tsunade esteja com saudades dela trabalhando consigo.
– Ah.. – olhou para Yuri que estava devorando o prato com vontade. – Entendo. – sorriu.
Aquele prato estava realmente bom, se perguntava que tempero especial foi colocado ali, quando se lembrou de algo.
– Tsunade-sama.. – disse mais baixo. – Eu recebi um telefonema estranho ontem a noite. – olhava seria nos olhos cor de mel.
– Telefonema? – juntou as sobrancelhas, desistido da garfada que deu.
– Sim. Perguntou se era da minha casa e depois desligou.
– Certo. É bem estranho mesmo. – juntou as mãos sobre o prato. – Quer alguns dos meus seguranças para ir para casa?
– Não precisa. – sorriu brevemente. – Só comentei.
Terminaram de comer e ficaram mais um pouco conversando. Quando a rosada olhou no relógio já eram dez da noite e decidiu que era hora de ir embora. Tsunade agradeceu ternamente por terem passado o dia com ela, para matar a saudade. E Sakura agradeceu mais uma vez por tudo.
O caminho de volta para casa foi caótico. Sexta-feira a noite em Manhattan bombava. O transito estava infernal, mas nem se importou muito, já que seu filho ficou falante durante o caminho. E gostou.
Quando finalmente virou a esquina da sua rua, suspirou feliz. Mas quando avistou sua casa, e alguém parado a frente dela, seu humor mudou totalmente.
– Quem é mamãe?
Droga!
Notas finais
Aviso que no próximo cap havera ação no asfalto! Sorte pra nossa Sakura! (y) :D
Beijoos, até a próxima!
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