Vices
14 Troca de Favores?
Notas iniciais
Olhava as ruas passando feitos borrões da janela do carro, impecavelmente limpa. Tinha um sorriso nos lábios, alias um grande sorriso, acompanhado de uma forte sensação de paz, amor e felicidade.
Como era bom sentir aquilo!
– Esta tão sorridente, meu amor! – ouviu a mãe comentar ao seu lado, no volante.
Ele ficou sem reação. Não podia lhe contar que era por conta de seu pai, por ele dizer que gostava de sua mãe e dele, e queria os proteger. E viu que ele realmente não estava mentindo.
– Sim. – lhe fitou sorrindo. – Sabe.. – brincava com os dedos, agora os fitando. – Eu pensei sobre o papai.. – tinha um sorriso tímido nos lábios.
A rosada suspirou disfarçadamente. Aquele assunto era delicado ainda para ela, mas ao ver seu filho sorrir tocando o mesmo assunto, estava a deixando um tanto curiosa.
– E então? – perguntou terna, porem receosa por dentro.
– Eu acho que seria bom morar com ele.. – disse sem confiança, olhando receoso para a mãe que ficara um pouco tensa. – Acho que ele quer nos proteger, mãe.. sei lá..
Ela suspirou mais uma vez.
– Se você concorda, vou falar com ele amanha então. – sorriu por fim terna, lhe fazendo um rápido carinho no rosto.
– Mas o que a senhora acha? – lhe olhou atento. – Não vai ficar, sei lá, chateada?
Só aceitaria se ela aceitasse, só faltava isso! Pois já tinha à prova de que seu pai não queria machucá-la novamente.
Ela respirou fundo e buscou a resposta em sua mente nebulosa.
Sasuke foi sincero em tudo o que lhe dissera. Saberia se estivesse mentindo, pois o conhecia melhor que ninguém. Admitia que também queria morar com ele, mas o porem é que tinha medo disso. Os fantasmas do passado ainda lhe atormentavam a mente.
Olhou para o filho, que esperava uma resposta, e a encontrou eu seus olhos ônix, que tanto amava.
– Eu confio no seu pai. – sorriu sincera e terna, lhe afagando seus cabelos. Logo vendo o pequeno sorrir e fechar os olhos, aproveitando a carinho.
...
Chegou em casa, e foi o mesmo de sempre: Suspiro aliviado, cheiro de Jasmim, mandar Yuri tomar banho e fazer as atividades domésticas.
Havia gostado do trabalho, lembrava-se enquanto colocava a roupa para lavar, foi apenas um teste, mas havia gostando. Tinha de reservar mesas, comandar os garçons e satisfazer clientes cheios de grana que pagavam mais de mil dólares para reservar uma mesa. Se deu bem, pois sua mãe e Ino eram maníacas por organizar festas, então ela sempre estivera no meio. O que lhe garantiu o emprego que começaria semana que vem.
E o salário lhe fazia sorrir, sempre que pensava nele.
Finalmente sua vida tomava um rumo, pensava com certeza.
Mas ao lembrar-se de cabelos negros e olhos tentadores, a certeza não lhe vinha mais tão forte assim. E ficou pensando em como seria morar com ele, ficar perto dele novamente. No que só resultou um xingo para si própria para não sofrer por antecipação.
Com tudo pronto, percebeu o pequeno estar olhando TV, com uma calça de moletom negra e uma blusinha branca, escrito Fuck You, que ganhara do tio Naruto.
Para variar um pouco. Revirou os olhos.
Tomou seu banho e colocou uma roupa também confortável. Um shortinho de tactel e uma blusinha de algodão, de ombro a mostra. Logo depois se juntando ao filho no sofá.
– Ahh.. – gemeu aliviada quando se jogou no mesmo ao lado do filho. – Coisa boa.
– Mãe. – a chamou sapeca.
– Sim? – arqueou a sobrancelha, rindo da carinha sem vergonha dele.
– Eu.. – desviou os olhos mas voltou aos da mãe, que já estavam desconfiados. – Eu liguei pro papai e ele esta vindo aqui. – sorriu maroto.
E sua mãe quase engasgou, com o espanto tomando sua face.
– C-como assim ligou pra ele Yuri?! – levantou-se rapidamente. – Você nem tem o número!
– É serio. – estava serio, mas internamente ria.
– Droga. – olhou suas roupas. Não poderia ficar assim. Primeiro as roupas, depois mataria o pequeno! Pensou já se pondo a correr, mas foi parada pelo pequeno.
– E brincadeira mãe! – ria incontrolável, enquanto fitava a cara da mãe se tornar aliviada. – Ia lá ficar bonita não é? – sorriu sapeca.
– Você anda muito com a sua tia Ino, sabia!– concluiu irritadiça, mas logo tonando-se divertida, o olhando também sapeca. – E sabe qual é seu castigo? – lhe prendeu entre ela e o sofá, tendo o pequeno já tenso. – Você ira morrer de cosquinhas agora! – disse maléfica começando a tortura que arrancava gargalhadas gostosas, tanto dela quanto do pequeno!
...
Após receber a visita da loira peituda logo de manha, que conferiu se seus pequenos, assim chamava, estavam bem e seguros, levou Yuri a escola. Por alguma razão sentia-se feliz. E Ouvia o rádio sorrindo. Talvez essa felicidade seja por sua vida estar começando a tomar um rumo definitivo. Por Yuri finalmente ter um pai por perto e conhecê-lo, que estivesse ali mostrando sua postura masculina ao pequeno, não mais só a feminina dela.
Estava feliz e sorridente por Sasuke aceitar o pequeno, e se dispor a ficar do lado dele, por também finalmente arrumar um emprego bom..
E ainda mais, por não esquecer o lindo sorriso do moreno ao falar do filho.
Sorriu mais uma vez. Estava se sentindo uma retardada ali, parada na sinaleira do trânsito rindo sozinha. Quem poderia estar sorrindo em meio aquele calor dos infernos e do trânsito caótico de Manhattan?
Sim, Sakura Haruno.
E mais uma vez por causa dele. Como nos velhos tempos.
Suspirou vendo a sinaleira abrir, já fazendo o carro se mover de onde estava. Aquele cretino mais uma vez estava invadindo a vida dela.
Só lhe restava tirar a conclusão se isso era bom ou ruim para ela.
Aumentou o volume do rádio e começou a balançar a cabeça no ritmo da musica, assim como batia levemente a mão no volante.
Seu breve momento de entretenimento foi disperso quando em meio sua dancinha patética dentro do dodge, ela viu ao longe, da pista contraria, uma moto esportiva, mais precisamente uma BMW S1000 RR negra.
Ele.
E engoliu seco vendo a velocidade com que o mesmo se aproximava. Tudo bem que ele sempre correu, odiava andar devagar em meio ao trânsito, mas aquela velocidade era demais. E entendeu rapidamente o porquê da alta velocidade do moreno, logo já vendo dois Mustangues negros lhe seguindo, e com mais duas Kawasakis em seu encalço.
Droga!
O moreno estava enrascado.
Seu pescoço girou na mesma direção e velocidade com que o moreno passou por si, tendo logo os outros atrás. Sentiu um frio na barriga e pisou no acelerador. Não podia atravessar para o outro lado pois havia um muro de meio metro cortando e separando as pistas.
Ele precisava de sua ajuda. Mesmo ele sendo bom em tudo, sua mente gritava para ajudá-lo. Tinha de ajudá-lo. Não admitia, mas não suportaria se algo lhe acontecesse.
Logo avistou um retorno mais a frente, que servia para atravessar a via expressa, e sorriu.
Aumentou mais uma vez o volume do carro, que tocava She’s a Genius do Jet, vendo a pequena curva para retornar logo já estava a sua frente, e já se preparava para um belo e esplêndido drift.
Vai você mesmo!
Puxou o freio de mão virando a direção. O Dodjão americano gritava rouco pelo alto giro, completando o retorno leve e perfeitamente, logo já partindo para frente como um guepardo atras da presa. A rosada agradecia aos céus enquanto retomava as marchas habilidosamente por serem três pistas, e por não ter acertado ninguém.
My girl's ready to take control / Minha garota esta pronto para tomar o controle
She just blows my mind / Ela me deixa louco
She only listens to the radio / Ela apenas ouve o rádio
To see who's alive, yeah / Pra saber quem está vivo, yeah
Desviava dos carros com certo desespero, mas mantinha um largo sorriso nos lábios e uma adrenalina deliciosa nas veias. Como nos velhos tempos, pensava ela. Aquela nostalgia, de certa forma, era algo bom dentro de seu peito.
Os outros carros passavam como borrões por si, e focava-se agora nos Mustangues a sua frente seguido de duas Kawasakis negras.
Sorriu de canto.
– Estavam com saudades de mim? – acelerou ficando colada atras de um dos carros. – Só eu posso pegar esse cretino. – referiu-se ao moreno.
E aquele seria uma ótima hora para testar as modificações no seu Dodjão.
Bateu atrás do Mustangue de leve e logo já abriu para o lado livre, revelando-se. O rouco delicioso do seu possante intimidava.
Ficou lado a lado com o mesmo Mustangue e este começou uma guerrinha de empurrões contra a rosada. Patético, ela pensou. Mas logo viu o outro carro se posicionar a frente dela e logo frear. Estavam se comunicando.
Ela rapidamente freou o necessário para poder acertar a lateral traseira do carro ao seu lado, virando a direção fortemente e botando a prova a força de cavalo do seu carro, empurrando a lateral do Mustangue. Com isto, conseguiu virar o carro na contra mão, que deu várias derrapadas sobre a pista sem o controle do volante. O outro Mustangue se obrigou a frear fortemente para não bater no parceiro desgovernado, mas não teve sucesso. Os dois forram para o acostamento.
Contente com a vitória acelerou passando facilmente as motos, e colando atrás do moreno. Deu lhe um sinal de luz enquanto sorria. E percebeu este olhar rapidamente para trás.
Apostava que ele sorria de canto.
Pegou seu radio comunicador e colocou na radio da policia. Sim, a loira havia pedido para ela modificar seu rádio para também se comunicar com a policia, em caso de necessidade.
– Alô, câmbio. Aqui é Sakura Haruno e preciso de ajuda. Repito, aqui é Sakura Haruno! – mantinha-se colada atras do moreno.
– Sakura?! O que houve?!! – Ouviu a voz da mestra.
– Acabei de abater dois carros na via 87, e tem mais duas motos. Estavam seguindo Sasuke. – desviou de mais um carro. – Creio que viram mais. Quero pegá-los. – disse firme.
– Ok! – Ouviu ela dar ordens. – Você esta totalmente autorizada a abater qualquer veiculo e fazer apreensão! Estou mandando reforços!
– Lhe informarei a localidade para as barreiras.
– Entendido. Passo você a central, câmbio desligo.
– Câmbio. — desviou de mais um.
Mantinha-se colada a bunda da moto do moreno, que habilidosamente passava entre os carros e demais veículos. Claro que para ela era mais difícil, já que seu carro era três vezes maior.
Percebia as motos atrás de si tentarem passar a frente, e a rosada fazia zig-zag os impedindo.
Viu Sasuke fazer um sinal com a mão para frente, e seguindo seu sinal ela viu mais dois Mustangues vindo na direção contrária.
Ela lhe mandou um sinal de luz e acelerou. O moreno entendeu o sinal de luz a vendo passar. Cuidaria das motos agora.
Mas não antes de ver o que sua rosada faria.
O Dodge avançou rápido, e a rosada já podia ver um dos Mustangues a sua frente, na contra mão. E em questões de segundo o mesmo Mustangue já pairava no ar, devido a rosada bater forte na lateral dianteira dele. E como seu carro era mais forte e mais pesado, o levantou para cima.
Até que este protetor é forte!
O outro derrapou fazendo um giro de 180° graus, logo se pondo atrás da rosada e do moreno, que estavam lado a lado agora.
– Eaí! – gritou em escárnio para o moreno ao seu lado. O vento que vinha do seu vidro agora aberto fazia seu cabelo chicotear na face, parecendo ter vida própria.
– Sempre metida, Sakura! – o ouviu gritar. Sua voz era abafada devido o capacete negro.
– Aprendi com você! – disse dando meio sorriso, logo os dois se obrigaram a se separar para desviar de um carro, e depois voltaram a ficar lado a lado. – Eu chamei reforços! Acho que viram mais!
– Você é da policia agora? – Ironizou.
– Você não sabe de nada! – riu o provocando. – Por que estão te seguindo? – tentou. Mas sabia que não sabia uma resposta concreta.
– Depois conversamos rosada! – disse desviando novamente de um carro.
Babaca.
Emburrou baixando a marcha, o seguindo.
Depois de alguns minutos ela viu pelo retrovisor que havia mais dois carros, concluindo três, e as motos o moreno habilidosamente as abateu, mostrando sua habilidade sobre duas rodas. Ela ficara abismada quando o viu ficar de pé sobre a moto em alta velocidade, e também de ter uma breve luta corporal enquanto dirigia com os caras das duas motos.
É. Ele era realmente bom.
Suspirou o fitando a sua frente.
Era cretinamente perfeito.
Informou o local estratégico da barreira, que ela e Sasuke passaram habilidosamente, e conseguiram pegar os desgraçados. Claro que pelo menos um fugiu, mas já era o bastante.
Ela e Sasuke se dirigiram para outro lugar rapidamente, já que ele não queria se envolver com a polícia, e ela informou a Tsunade que daria seu depoimento depois. Claro, não citando Sasuke.
– Por que tem tanto medo da policia? – ela arqueou a sobrancelha rosada, após dar uma lambida no sorvete de chocolate.
Estavam em uma pequena sorveteria em uma rua calma de Manhattan
Ele sorriu de canto fitando os dedos sobre a mesa. Aquele que lhe arrancava suspiros e arrepios. Ele estava com aquele macacão esportivo negro com branco, que na parte dela deixava qualquer velho barrigudo gostoso, e nele então.. o deixava ainda mais tesudo do que já era, como dizia Ino.
– Não tenho medo. – pegou a garrafa de água e deu um gole, voltando os ônix para a rosada.
Ela juntou as sobrancelhas, ignorando as borboletas no estômago por ter o olhar dele sobre si, tão intenso..
– Então por que saiu correndo de lá? – lambeu mais uma vez o sorvete. Parecia uma criança, mas fazer o que? Era soverte!
Yuri puxou a ela pela preferência em sorvetes. Com certeza.
Ele deu um suspiro gostoso.
– Assim como Gaara não quer se envolver, eu também não quero. – arqueou levemente a sobrancelha.
– Então você tem rolos por ai? – investigou arqueando ainda mais a sua sobrancelha.
O moreno sorriu.
Ela e Yuri eram iguais ao quesito perguntar. Lembrou-se da conversa que tivera com ele e a semelhança com aquela que estava tendo com a rosada era incrivelmente semelhante.
– E por que você se meteu? – a ignorou e perguntou mais serio, cruzando os braços sobre a mesa.
– Fiz o mesmo que você. – disse após abocanhar o sorvete. – Troca de favores. – deu os ombros, escondendo que estava era realmente preocupada com o moreno a sua frente.
E ele sentiu um vestígio de irritação lhe tomar as veias.
Se tinha algo que lhe tirava do serio era ver a rosada irritante a sua frente se meter em assuntos e correr perigo.
Semicerrou os olhos.
– Não é brincadeira Sakura. – ganhou os olhos dela para si. – Não se meta mais em nada que envolva esses caras. – estavam serio e firme.
Ela largou o sorvete sobre a mesa e o olhava com certa indignação.
– Eu j-á e-s-t-o-u envolvida, Sasuke. – disse firme e entrelaçou as mãos sobre a mesa. – Não venha me dizer esse tipo de coisa.
– Ao menos evite, droga! – viu ele se alterar um pouco, logo apertando os lábios. – Deixe de ser criança.
Ela apertou os olhos.
Sim, não seria Sasuke e Sakura se não estivessem brigando.
– Criança? – arqueou a sobrancelha. – A única criança aqui é você que se acha o maior fodão do mundo! – elevou um pouco a voz. – Que fica com as porras de segredinhos e acha que pode resolver sabe-se lá o que diabos sozinho! – apertou os pulsos sobre a mesa. – Pare de achar que os outros não têm capacidade de ao menos ajudar! – o olhava seria.
– Você é a questão, não os outros! – ele travou a mandíbula.
– Eu não sou capaz de ajudar? É isso? – as sobrancelhas rosas pesaram sobre os olhos esmeraldas.
– Você não entende. – ele escorou-se no encosta da cadeira de madeira atras de si, cruzando os braços.
– É verdade, eu não entendo essa sua cabeça de porongo mesmo! – pegou o sorvete de forma nervosa e recomeçou as lambidas. – Como vou entender se você só julga? – outra lambida.
Ele vacilou o olhar nela e na mesa. Suspirou e decidiu falar.
– Não quero que você corra qualquer risco. – olhava-a de forma intensa agora. Engoliu a saliva, vendo os olhos verdes se direcionarem para os seus com uma leve surpresa.
Ele estaria preocupado com ela?
– Sempre fizemos as coisas juntos. – Tentou se recompor, já que parecia que seu coração iria sair de seu peito a qualquer minuto. – Não tem por que disso agora. – cavocou um pouco o sorvete com a colher de plástico.
Ele ficou a observando, admirando a beleza inevitável dela, pensando no que ela estaria pensando.
Céus.. Tinha tanta saudade dela, de tocar nela.. a pele macia e os lábios doces..
– Eu.. – ela pigarreou. – conversei com Yuri. – vacilou no olhar intenso dele, que logo se tornara um tanto curioso. – Ele concordou em morarmos com você. – por fim o fitou firme.
Não conseguiu evitar o mínimo sorriso de canto.
– E o que você acha disso? – tinha os olhos semicerrados.
O que ela achava realmente?
Ah, sim! Que seria uma péssima ideia na qual ela teria que ficar na mesma casa com aquele cretino, num mesmo cômodo, participando ativa em sua vida, como era antes.
Tinha certeza que não iria resistir caso ele tentasse lhe jogar o seu pó mágico da sedução nela, e era isso que não queria. Não se perdoaria depois se ela se entregasse aos braços Uchiha como fazia antes. Não mesmo.
Mas por outro lado, mesmo com tudo isso, ela sentia lá no fundo do seu coração traidor que queria sim. Queria estar sendo protegida por aqueles braços, estar ao lado dele como antes..
Era confuso demais.
– Eu.. estou um pouco confusa, mas.. – não o fitava. – Mas eu concordo. – forçou um rápido sorriso o olhando rapidamente.
Queria perguntar o porquê do confusa, mas preferiu ignorar sua curiosidade. Na verdade até já tinha suas apostas quanto a isso.
– Que.. ótimo. – deu um sorriso rápido também. – Se quiserem ir hoje mesmo.. podem ir. – coçou a sobrancelha.
– Temos que arrumar as coisas ainda. – suspirou cansada, lembrando-se desse detalhe.
– Amanha então. – pegou a garrafa nas mãos e tomou um gole. – Estarei o dia todo em casa.
Ela arqueou a sobrancelha, elevando o olhar para o dele.
– Você não trabalha? – não conteve a curiosidade.
E ele riu de canto.
– Eu já estou num trabalho sim. – tomou mais um gole, olhando para a rosada com um olhar significativo misturado com diversão.
Sim, ele estava se divertindo com a falta de informações dela.
Ela revirou os olhos e bufou, voltando a atenção para o sorvete.
Como sempre com aquela droga de mania de mistério. Infernos! Estava se irritando profundamente com aquilo!
– Ino já lhe falou? – tomou mais um gole despreocupadamente.
E ela lhe olhou curiosa.
– Sobre o que? – arqueou a sobrancelha rosa.
– Sobre o encontro de carros hoje a noite! – largou a garrafa d’água sobre a mesa a fitando calmamente.
Ela juntou a sobrancelha em confusão. Encontro? Onde, quando e por quê?
– Não! – ainda o olhava confusa. Por que raios aquela porca não lhe conta as novidades quando necessário.
Ele suspirou discretamente cruzando os braços sobre a mesa.
– Vai ter um encontro de carros hoje à noite, na área norte. – apertou o nariz olhando agora para a mesa.
– E pra que? – escorou-se no encosto atrás de si cruzando os braços.
– Acho que é pra investigar. – fungou e fitou a rosada. – Gaara quer ter certeza sobre a corrida, do prêmio e etc. – gesticulou.
Ela arqueou a sobrancelha, não gostando nada daquilo.
– E eu tenho que ir?
– Acho que sim. – lhe fitou calmamente.
– Não. – suspirou.
– Por quê? – levantou mais o rosto.
E ela o olhou indignada.
– Sasuke, se não se esqueceu nos temos um filho! – e essa frase com certeza foi a mais difícil de dizer. As malditas borboletas voltaram, e ainda mais ao ver o mínimo sorriso terno de canto dele. – Não vou deixá-lo mais com ninguém! Ele tem mãe e não vai mais ficar por aí que nem um pinto perdido.
Pinto perdido? Ele juntou as sobrancelhas.
Sorriu.
Era bom ouvir a sua rosada dizer que tinham um filho.
– Ele vai junto. Fico de olho nele. – disse calmo, a provocando.
Ela riu alto em escárnio.
– Mas nem pensar! – estava indignada, o que fez o Uchiha recuar um pouco. – Ele é i-g-u-a-l a você! Não vai conseguir ficar de olho nele, e em hipótese alguma meu filho vai ir a um lugar daqueles! – se encarnou na mamãe leoa.
– Ele vai se comportar. – estava achando divertido o jeito da rosada proteger o filho.
– Ele não vai frequentar aquele tipo de lugar! – concluiu firme. – Me admira você com uma ideia dessas! – ela começou a balançar o pé.
– Estou só brincando. – sorriu tomando mais um gole.
– Acho bom. – disse fitando o relógio. – Eu tenho que ir. – disse já se ajeitando para levantar, e percebeu o moreno lhe imitar. – Tenho que dar meu depoimento, pegar Yuri e acabo de me lembrar de que tenho que matar Naruto! – já estava de pé com o moreno a sua frente.
– O que ele fez? – arqueou a sobrancelha negra.
– Ensinou o menino a mijar da varanda do prédio e deu quatro sorvetes de noite para ele. – o olhou irritadiça. – Ele amanheceu com dor de garganta hoje! – suspirou. – Baka! – crispou os lábios.
O moreno não conteve o sorriso.
– Queria conversar mais, perguntar sobre seu emprego, mas teremos tempo. – ele tinha seu capacete negro nas mãos.
Ela engoliu seco. Teriam tempo sim, morariam junto. E esse pensamento lhe trouxe um frio na barriga.
– É verdade. – deu meio sorriso. Por que ele tinha de ser tão lindo e sexy com aquela droga de roupa segurando a droga do capacete?
Vão embora droga de borboletas.
Sorria amarelo agora para ele, que se divertia com o nervosismo dela.
– Você não tem o meu número ainda. – ele lembrou-se enquanto eles caminhavam rumo aos veículos.
– Ah, é verdade. – pegou o telefone e gravou o numero que ele ditara, assim como ele gravou o dela.
Chegaram ao Dodge e a BMW, tendo a moto estacionada a frente do Dodge.
O moreno parou a sua frente, ficando bem próximo, próximo demais. Ela engoliu seco.
– Sakura.. – chamou seu nome de forma calma. – Se acontecer alguma coisa, qualquer coisa.. – olhava intensamente para as esmeraldas a sua frente, sentindo o cheiro inebriante e doce dela. – Me ligue.
Ela, extasiada pelos sentimentos em seu interior e pelo cheiro másculo de Sasuke, conseguiu fazer um mínimo aceno com a cabeça, de forma repetitiva.
– Mande um beijo para Yuri. – disse provocante, roçando levemente seus lábios finos com os carnudos dela.
Ela fechou os olhos, totalmente entregue, sentindo a respiração acelerar. Mas para felicidade, ou infelicidade, ela não sabia, foi um mero roçar e nada mais. Seguido de um Uchiha com olhos brilhando em malicia com um sorrisinho provocante nos lábios.
– P-pode deixar. – engoliu seco, acalmando a respiração.
Ela tentou se recompor e deu um tchau de forma bastante nervosa e correu para o carro. Vendo-o manter o sorriso de canto nos lábios, ajeitando as luvas para depois colocar o capacete.
Droga! Droga, droga, droga! Estava tão entregue que o desgraçado podia brincar tão facilmente assim com ela. Pensava enquanto já se distanciava da tentação em ser humano.
Não poderia entregar os pontos tão facilmente assim.
Não mesmo!
...
Já havia passado na delegacia e dado se relatório, dizendo que estavam seguindo ela mais uma vez, não ele. Pediu para sua mestra lhe contar tudo o que descobriria, sem lhe esconder nada, e a mesma aceitou relutante, lhe entregando um distintivo da policia.
Sim, ela teria um distintivo agora consigo, e a missão era a corrida.
Claro que não correria atras de bandidos e empunharia a lei na cidade e etc, sua mestra lhe deu o distintivo para lhe facilitar as coisas para ela, não voltar a policia a todo fogo.
Pegou Yuri na escolinha e almoçaram em um restaurante simples da cidade. Contou ao filho todo o ocorrido da manha, que ficou extasiado ouvindo a história. E isso aumentou ainda mais a sua vontade de morar com o pai e revê-lo.
Agora estavam na oficina do ruivo, já que a rosada tinha de arrumar alguns amassões gerado da breve corrida pela manha.
– Isso mesmo porca! – lixava a lataria do carro. – Vamos morar com ele.
Ela ainda tinha a boca em um perfeito “o”.
– E como você se sente indo morar na toca do diabo gostoso? – cruzou os braços.
A rosada revirou os olhos pelo apelido.
– Eu não sei.. estou confusa. Sabe como é né. – a olhou entortando a boca.
– Sei! – entortou a boca também. – Sei exatamente como é. – deu ênfase, voltando a apertar a roda do carro em que estava trabalhando.
– O ruivão brigou com você outra vez? – a olhou de esguelha.
– Pior. – suspirou. – Finge que nada aconteceu.
Percebeu de longe o olhar triste da amiga. Gaara era um baka mesmo! Se superava às vezes.
– Não fica assim! – já começava a sentir uma leve dor no braço. – Ele é um grande baka quando quer! Aposto que está mais apaixonado do que você, por isso prefere ignorar, esconder.
– Como isso seria possível? Se gosta, não vai demonstrar? – ela a olhou confusa.
– Homens! – a olhou conclusiva vendo a mesma menear positivamente com a cabeça lhe compreendendo.
Olhou para um banco encostado na parede, logo a frente delas, o pequeno jogando um joguinho de carro no celular da rosada, absorto das conversas delas. E achava engraçado as caretas que ele fazia.
– E que historia é essa de encontro? – perguntou a loira, retomando seu trabalho.
– Ahh! – ela deu um gritinho, típico de patricinha. – Eu não lhe contei! – se aproximou da rosada animada. – É o encontro de carros mais badalados de Nova Iorque! Tem coquetel super chiquérrimo, carros de luxo, uma festa com DJ muito comentada e muito mais! – ela tinha os olhos brilhando
A rosada juntou os sobrancelhas, estranhando tudo isso.
– E quem diabos patrocina isso? – pôs uma mão na cintura.
– Calma, fique tranquila que não é o japonês louco lá. – levantou as mãos em defesa. – São aqueles filinhos de papai gostosos que não tem mais nada para fazer com o dinheiro. – sorriu conclusiva.
– Han. – murmurou com tédio, voltando-se para o carro.
– Você vai, não é? – fitava a mesma quase que lhe ignorar.
– Não posso. – não a fitou. – Vou ficar com Yuri.
Ouviu a loira soltar uma lamentação.
– Ah Sakura vamos, deixe ele com Tsunade, sei lá, ou leve ele junto.
A rosada suspirou.
– Meu filho tem mãe. – levantou-se virando para a loira, já abaixando a voz – Não vou deixar ele largado por ai. E, como já disse ao Sasuke, ele não ira a esses lugares em hipótese alguma!
Correu o olhar para o pequeno que a olhava emburrado.
Droga! Ele ouviu.
...
Era difícil ser mãe de um Uchiha. Imaginava o trabalho que dona Mikoto passara com Sasuke e Itachi, pensava sentada no sofá da casa da Yamanaca, toda maquiada e produzida com a ajuda da mesma, tendo seu filho também arrumado e com um sorriso de orelha a orelha ao seu lado.
Estar doente, ser perigoso, dizer que ficaria chateada, nada, nenhuma dessas tentativas colaboraram para tirar do pequeno que ele e sua mãe iriam. Tentou ser dura, dizendo não e pronto, mas ele é um Uchiha nato, disse que queria conhecer o pai e queria ver pelo menos uma vez a família reunida. E ainda fez aqueles olhos do gato de botas. Infernos, por que deixou ele olhar o filme do Shrek mesmo?!
– Mas que criança mais linda! – a loira saiu do quarto indo de encontro as bochechas alvas dele. Que não precisou dizer que não gostou, já que estava explicito em seu rosto.
E ele estava mesmo.
Usava uma calça social negra, com uma blusinha social cinza, um sapatênis chumbo nos pés e um casaquinho social negro. Já os cabelos mais rebeldes do que nunca.
Sorriu. Estava uma graça!
Ela usava um vestido de um ombro só vermelho e justo, já que a loira disse contrastar em seus cabelos róseos e olhos verdes, que ia um palmo acima do joelho, e o que acompanhava era uma sandália em um creme puxada para o dourado. Seus cabelos estavam em um coque com franja, que deixava algumas madeixas caírem deixando seu rosto delicado e ao mesmo tempo sexy. A maquiagem destacava suas grandes esmeraldas.
– Precisa mesmo de tudo isso? – ela arqueou a sobrancelha de forma tediosa.
– Mas é claro! – ela pôs as mãos na cintura do vestido tomara que caia roxo, que ia um palmo e meio acima do joelho. – Não vai querer ir de coturnos e calça jeans, não é? – disse irritadiça. – As mulheres e os homens lá se vestem elegantemente. Não vamos parecendo uns sem tetos! – caminhou ate a cômoda da sala, já pegando as chaves do carro.
Eles iriam com a loira.
– Eu ainda acho que Yuri não pode ir! Como vão permitir uma criança entrar num lugar como esse? – levantou-se e percebeu o pequeno também levantar.
– Relaxa! – ela abriu a porta para eles passarem duma vez. – Lá tem o coquetel que eu falei, tem sofás e puffs, tudo elegante, que ele pode ficar sem problema.
– Tem certeza? – Tinha a mão dada com a do pequeno e fitava a loira já fechar a porta.
– Tenho sim. Fui uma vez com o Gaara. – suspirou ao falar nele. – Lá e onde os ricassos ficam, sabe, os velhos e certinhos. – já adentravam a Nissan. – Confia em mim. – lhe lançou um sorriso.
Mas mesmo assim não conseguiu relaxar.
Suspirou.
Aquela noite traria muita dor de cabeça! Com toda a certeza!
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