Vices
11 Tentador.
Notas iniciais
Abriu os olhos com preguiça. Alias, com muita. Resmungou gemendo baixinho e espreguiçou levemente os braços. A janela atras de si já mostrava que o sol estava dando o seu bom dia a cidade, pelos pequenos raios que ali passavam.
Virou o rosto no fofo travesseiro e viu a figura serena e angelical de seu filho, dormindo tranquilamente no mesmo travesseiro que o seu. Sorriu terna. Acariciou levemente seus cabelos delineando sua pequena orelha. E sem saber por que, começou a se perguntar em quando Sasuke poderia ver a mesma visão que estava vendo. Seu filho ao seu lado.
Ao pensar nisso uma dor no peito lhe adornou. Colocava-se no lugar dele, sem Yuri, e se sentia muito ruim. Sentia uma dor gritante. Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo um leve bolo formando-se em sua garganta.
Por que raios estava pensando nele?
Por que raios se deixava levar tanto por ele?
E novamente sua mente relembrou tudo que o moreno dos olhos ônix lhe fizera ate agora, e concluiu que apesar de tudo, ele também poderia estar sofrendo com tudo isso assim como ela. Mas ele era orgulhoso e durão, e não mostraria isso.
E talvez, só talvez, aliviaria as coisas para ele.
Abriu os olhos novamente e voltou à visão que mais a acalmava em sua vida, que mais amava, de seu filho dormindo aos seus braços. Sorriu ao lembrar-se de que Sasuke a fazia se sentir assim também todos os dias que acordava ao lado dele, sentindo-o em seus braços, agarrado feito uma criança.
– Meu amor.. – o chamou baixinho e carinhosamente. – Você vai se atrasar de novo. – riu baixinho.
Ouviu-o respirar fundo e enrugar o rosto.
– Dorme mamãe. – disse manhoso colocando as mãozinhas embaixo de seu rosto, aninhando-se.
– Você parece um porquinho aninhadinho assim. – sorriu boba enquanto acariciava o rosto do pequeno.
Concluiu que Sasuke realmente tinha que ver isso.
Nem que fosse uma vez na vida.
– Mãe.. – reclamou sonolento.
– A aula meu amor! – o sacudiu levemente ainda sorrindo.
Ele por sua vez abriu os olhos subitamente em um susto. E a rosada também se assustou.
– Droga. – saiu correndo de cima da cama, com um pouco de dificuldade em se desvencilhar das cobertas, e pulando da alta cama Box em que estavam, indo diretamente para o banheiro.
A rosada não conseguiu segurar o riso.
Cruzou os braços e sorriu terna.
– Ele tem que ver isso mesmo. – riu. – É igualzinho ele.
...
– Achei que não iria à aula meu amor! – disse a loira peituda, vindo e lhe amassando as bochechas, logo após lhe dando um beijo na testa.
O pequeno apenas fechou a cara e massageava as bochechas agora vermelhas.
Haviam dormido na casa de Tsunade mesmo, devido o horário que a rosada chegará em casa e pelo o perigo que o Uchiha havia lhe dito quando fora a sua casa.
– Estamos apenas atrasados, não é filhão. – disse animada arrumando um café para seu filho.
– Sim. – disse emburrado ainda massageando as bochechas.
A rosada riu.
– Você vai colocar sua casa a venda hoje mesmo, não é? – a loira estava escorada no balcão da cozinha, tomando seu café preto.
– Er.. Sim. – fechou a lancheira de seu filho. Era negra com alguns carrinhos na frente.
– Você vai vender nossa casa, mamãe? – arqueou a sobrancelha negra em surpresa.
– Sim filho. – pegou a mochilinha dele e a pôs no ombro. – Mas vamos indo agora. – começou o empurrar em direção a porta. – No caminho lhe conto! Tchau Tsunade-sama, obrigada mais uma vez por tudo, de verdade! – gritava já na porta.
– Se cuidem! Qualquer coisa me ligue. – gritou também sorrindo logo após.
A rosada fechou a porta e abriu o carro, colocando as coisas do pequeno nos bancos de trás.
– Você vai vender mesmo mãe? – perguntou abrindo a porta do carro e subindo no mesmo.
– Sim meu amor. – o imitou e puxou o cinto de segurança. Estava com pressa. – Aqueles homens que estavam atras da gente, sabem onde moramos. É perigoso. – colocou a chave na ignição e logo a girou.
– E pra onde vamos então? – colocava o cinto de segurança.
– Eu vou procurar isso hoje filho. – acelerou virando a direção para entrar na estrada.
– Você vai fazer só isso hoje? – o olhou desconfiado.
Ela riu.
– Não. – o olhou rapidamente. – Eu vou à oficina do Gaara dar umas modificadas no Dodjão aqui. – sorriu marota fitando a pista. – Pra corrida, sabe.
– Então eu posso ir à aula de Karatê que vai ter hoje de tarde na escola? – a olhou esperançoso. – Termina as cinco horas.
Ela pensou por alguns segundos respirando fundo.
– Tudo bem! – sorriu fazendo-lhe um carinho em seu pescoço.
Queira mesmo é ir a oficina com a mãe, mas sabia que estava fora de cogitação. Depois daquela noite, ela não iria o expor tão facilmente.
E riu fechando os olhos, sentindo o carinho da mãe.
– Vamos ouvir um som?- perguntou retirando a mão de seus cabelos.
– Sim! – o pequeno inclinou-se para o rádio. – Eu escolho.
Ela riu.
Ele mexeu no rádio com seus dedinhos e começou a tocar Highway to Hell do ACDC, e aumentou o volume. E ela sorriu consigo mesma vendo seu filho animado.
Ela balançava a cabeça no ritmo da musica de um jeito dramático junto dele, fingiam ser rock stars, e davam muitas gargalhadas. E a fazia sentir uma enorme felicidade em seu peito, vendo seu filho sorrir junto dela.
Era a melhor coisa do mundo.
E sem perceberem, em poucos minutos já estavam a frente da escola.
– Não sabia que gostava tanto de rock. – disse parando o carro ao meio fio ainda rindo.
– Sou seu filho. Queria o que? – dizia sorrindo timidamente.
Ela sorriu terna. Aproximou-se do pequeno e lhe deu um beijo estralado na testa. Ele gostou, mas ainda sim olhou para os lados, envergonhado.
– Então vai lá, Bon Scott. – riu pegando as coisas dele nos bancos de trás. – Antes que se atrase mais. – lhe entregou suas coisas.
– Ok.
– Filho. – pegou o rosto dele com as duas mãos carinhosamente. – Não fale com estranhos e nem de informações pessoais! Não entre em carros estranhos e se pedir para alguém te buscar, eu vou ligar para a escola avisando! E não saia sozinho por ai, ok? – o olhava preocupada.
– Pode deixar, mãe. – sorriu minimamente concluindo “Super Protetora”. Sua mãe não mudaria nunca.
– E qualquer coisa que ver de errado, me ligue. Ta? – alisou seus cabelos dando um rápido e pequeno sorriso. Estava preocupada.
O pequeno acenou com a cabeça e a abraçou. Logo depois abrindo a porta do carro e descendo do mesmo.
– E você também se cuida, mãe! – gritou lá de fora, acenando, e já se virando para o portão onde o guarda o esperava.
A rosada fitou ele adentrar os portões, sorrindo.
Suspirou fortemente e engatou a primeira marcha novamente.
...
Calor infernal. Era o que sentia após andar a cidade toda atras de imobiliárias procurando um lugar simples e seguro para ela e seu filho. E claro, que cabia em seu bolso. Mas muitos ou eram muito caros ou muito precários. E apenas deu seu telefone caso soubessem de alguma oferta para ela. E numa dessas imobiliárias, colocou sua casa a venda.
E também já aproveitou a viagem à procura de novos empregos. Que era outro caso delicado.
O ronco do seu Dodge agora era ouvido na rua da oficina, onde o mesmo anunciava as reduções de marcha. E logo já estacionava a frente da mesma.
Puxou o freio de mão e retirou a chave. Saiu com uma grande má disposição do carro até chegar a grande entrada da oficina.
– Olha se não é a rainha dos v8’s. – ouviu uma voz feminina debochada, abaixo de um carro que logo se revelou. – Boa tarde testuda! – sorriu.
Ela riu.
– E ai, senhorita não me toque. – riu provocando-a e se pôs a andar ate um bebedouro que havia próximo. Encheu um copo e bebeu rapidamente.
– Credo. – ela se levantou e largou a peça que estava em sua mão. – Foi dar uma voltinha com seu carrão no Saara?
– Em toda Manhattan, você quis dizer. – limpou os lábios com a mão, colocando o copo no lixo.
– Fazendo? – arqueou a sobrancelha loira cruzando os braços e escorando-se em um dos pilares da oficina.
– Vendendo minha casa, e procurando outra. – virou-se para ela.
A loira deu um sorrisinho.
– Ouvi o morenão falar algo assim para o Naruto ontem a noite. – cruzou os braços.
– E o que ele disse? – disfarçou colocando uma das mãos na cintura. Não queria mostrar o quanto estava curiosa em relação a Sasuke.
– Que você tinha que vender a casa e ficar em outro lugar. – disse obvia. – E eu também vi o love que estavam ontem. – riu.
– Disse a loirinha que estava desesperadamente preocupada com o ruivo – cruzou os braços sorrindo vitoriosa.
Ela bufou derrotada.
– Ele me defendeu. Só isso. – virou-se voltando para o carro.
– Sei. – riu.
Ela por sua vez revirou os olhos.
Sabia o que a rosada queria dizer, e ela também achava que a rosada estava certa. Mas não queria admitir. Não mesmo.
– E então.. – se aproximou da mesma. – Tudo certo pra hoje a tarde?
– Aham. – limpou as mãos num pano já encardido de graxa, olhando para as engrenagens do carro a sua frente. – Parece que Gaara até já separou os melhores equipamentos aqui da oficina.
– Mas não ira dar prejuízos e, sei lá, incomodo a ele? – escorou-se no capo do carro que estava aberto e fitava o motor do mesmo, junto da loira.
E ela riu em escárnio.
– Gaara é rico. – jogou o pano encima da lataria do carro. – Ele pode ate esconder com aquela mascara de mão de vaca, mas eu sei. – riu de canto. – E também, acho que você não viu o premio desse tal racha, testuda. – manteve o riso.
– É alto? – a olhou de esguelha.
– Muito.
– É para atrair os corredores. – concluiu mordendo o lábio inferior, olhando para o v6 a sua frente. – Mas vão entregar a grana? – arqueou a sobrancelha.
–Não sei. Mas se não entregarem, a gente pega assim mesmo. – sorriu sapeca.
A rosada riu.
– Ok, ok. – prendeu os cabelos. – Agora deixa que eu te ajudo nesse aqui. Se não vai ficar até amanha. – provocou-a rindo.
A loira revirou os olhos rindo.
– Vai lá, princesa Xena. – disse tocando uma ferramenta a rosada, que aparou no ar.
– Liga o som, loirinha. – sorriu já manuseando a ferramenta no motor do carro.
A loira riu e começou a caminhar em direção um rádio não muito pequeno que estava encima de uma estante perto de onde manuseava os carros. Ouvia ele varias vezes quando estava sozinha ali.
Ao ouvir a musica que ela colocara, Applause da Lady Gaga, a rosada riu e balançou a cabeça, concentrada no que fazia.
– Vamos lá! – foi se aproximando do carro requebrando o quadril.
Sentia saudades da loira e suas loucuras. Confirmou-se disso a cada segundo que passava. Hora riam, hora brigavam pela razão, ou estavam fazendo palhaçada e provocando uma a outra, feito duas crianças. E sem perceber, passou a manha inteira assim.
Fazendo o que sempre gostou ao lado de uma das pessoas que mais era importante em sua vida.
Por final, a loira estava com o rabo de cavalo frouxo e bagunçado, assim como o coque improvisado da rosada. Sem contar nas roupas manchadas de graxa e o rosto também, pela breve guerrinha que as duas fizeram mais tarde.
– A culpa é sua! – a loira tentava limpar o rosto. – Como vamos almoçar agora? – esfregava. – Vão achar que somos prostitutas assaltantes!
– Relaxa porca. – estava escorada no batente da porta do banheiro, com os braços cruzados. – Parece uma criança colocando a culpa em mim. – riu.
– E foi! – olhou indignada a rosada pelo espelho.
Ela suspirou.
– Ta bem, ta bem. – desescorou-se. – Acelera aí.
Enxugou o rosto com certa pressa e ajeitou o cabelo, vendo rapidamente se estava aceitável.
– Anda! – ouviu a amiga gritar.
– To indo poxa! – saiu a passos rápidos.
Observou a loira fechar tudo e colocar a paquinha de “fechado”, correndo animada para o carro, onde a rosada já a esperava. Pelo visto ela também estava feliz por estar ao lado de sua amiga. Sorriu boba.
Viu-a entrar no carro e bater a porta com força, o que gerou uma carranca feia da parte da rosada para ela, que disse um “aff, Sakura, é só uma porta!”, para logo após ligar o som e colocar o volume no máximo.
A rosada teve que rir. E se perguntar também no por que Gaara tinha tanta confiança em deixar a oficina e ela muitas vezes sozinha. E já saindo com o carro, sorriu novamente com esse pensamento.
Tinha certeza que um dia aquela oficina amanheceria incendiada.
Mais tarde o almoço estava gostoso, numa barraquinha de hot dog, já que a Yamanaca ficou com vergonha de entrar em um restaurante devido ao seu “estado”.
– É aquele dali, Sakura? – sorria sapeca.
Era o centésimo homem que passava e a centésima vez que ela perguntava a rosada se achava bonito, pegável ou feio.
E respirou fundo. Bem fundo.
– Que infernos, Porca! – a olhou carrancuda. – Para caramba!
– O que foi? – perguntou inocente.
– Só você mesmo pra flertar numa barraquinha de hot dog. – mordeu o seu.
– E você acha que vai achar um homem pra tirar esse seu atraso onde? – riu em escárnio. – No castelo encantado?
– Numa barraquinha de hot dog que não vai ser. – disse impaciente após engolir. – E não estou com atraso nenhum. – disse irritadiça.
Ela riu debochada.
– Isso ai esta até com teia de aranha minha filha. – ria limpando a boca.
Engoliu com raiva.
– Quer um microfone, droga? E pare de me encher, caralho!
– Olha que lindinho aquele dali Sakura. – sorria sensualmente ignorando a amiga.
A mesma suspirando desistiu da mordida para seguir o olhar da amiga. Fechou os olhos e suspirou novamente. E sorriu repentinamente.
– Gaara sim é que vai ter trabalho pra apagar todo esse fogo. – disse baixo como que para si mesma, mas justamente para a loira ouvir. E teve sucesso.
–Que gracinha. Vai à merda! — emburrou ficando vermelha.
A rosada apenas riu retomando a mordida desistida.
Bufou. Odiava quando a amiga a ganhava em suas provocações particulares.
Depois do cachorro e algumas latinhas de suco, elas terminaram a refeição e voltaram para o carro. Ino encheu mais um pouco o saco da Haruno colocando Lady Gaga novamente a todo volume. Era legal, não tinha nada contra, mas com a loira berrando ao seu lado concluiu que não tinha condições físicas e nem mentais para aquilo.
Chegaram logo na oficina, onde chamou a atenção das duas, pois ela estava aberta.
– Deve ser o Gaara. – disse retirando o cinto olhando para a oficina através do vidro.
– Hun. – imitou-a olhando o carro dele estacionado. – Agora é que vai pega fogo aqui gente. – a provocou.
– Cala a boca. – disse entre dentes.
Atravessaram a rua e logo já dava-se para ver o ruivo dentro do pequeno escritório da oficina, folheando alguns papeis de pé mesmo. Aproximaram-se.
Quando ele notou as duas presenças femininas, apenas levantou o olhar e as cumprimentou com um aceno com a cabeça.
– Oi. – a rosada apertou os lábios um contra o outro.
A loira ficou quieta. Pela sua expressão poderia estar lembrando das besteiras que a amiga disse a ela. Estaria tão desesperada assim? Já que seu ultimo encontro foi totalmente fail, e não conseguia ficar muito tempo sem se relacionar com alguém. Na verdade ela dizia isso para si mesma para não admitir que era apenas para tirar o ruivo dos seus pensamentos.
– Tudo pronto? – perguntou ele, sem tirar os olhos dos papeis.
– Sim. – disse a loira sorrindo vitoriosa. – Todos os carros arrumados e entregues. Clientes felizes, dinheiro no seu caixa, e comissão pra nós. – manteve o sorriso.
Ele curvou os lábios, impressionado.
– Vocês deveriam se juntar mais vezes. – ele batia um montinho de folhas na mesa emparelhando-as, com um discreto sorriso.
– Seu interesseiro. – emburrou cruzando os braços.
Ele riu.
– Você mesmo que começou com comissões.
– Não vão começar né. – se pronunciou a rosada pensando em como ainda eles não haviam se matado ainda trabalhando junto.
– Certo. – ele disse guardando os papeis e os organizando. – Contatei meus contatos e tem gente grande envolvida nessa corrida. – ele já as olhava. – Assim como tem muita gente apostando na gente.
– Apostas? – estranhou.
– É um meio de rolar grana fora das pistas entre eles na corrida. – explicou à loira.
– Hun. — ficou pensativa.
– E essa grana do premio vem de quem? – a rosada cruzou os braços.
– Lavagem.
Os olhos da mesma se arregalaram.
– Esta me dizendo que.. – travou espantada.
O ruivo sorriu de canto pelo espanto dela.
– O que gente? – a loira revezava seu olhar no ruivo e na rosada.
– Que o grande chefão da corrida, é com quase toda certeza um pomposo político mafioso e corrupto do Japão. – disse mantendo o sorrisinho.
Os lábios da loira formavam um perfeito “o”, enquanto a rosada agora estava tensa e pensativa.
– Com isso muitas coisas se encaixam. – ela tinha a mão no queixo e andava de um lado para outro. – O fato dos capangas serem do Japão e nos conhecer. – parou. – Mas por que ele me quer morta? – as sobrancelhas pesavam em dúvida. Faltavam coisas. Muitas coisas. Mas estavam vindo, vagarosas e necessárias.
– Que legal. – a loira tombou no sofá. – Só pra melhorar as coisas. – suspirou cansada.
– Se ficarmos aqui lamentando e pensado em possíveis motivos, não vamos chegar a lugar algum. – Gaara tornou-se firme.
A rosada suspirou.
– Tem razão. – esfregou o nariz, ainda um pouco tonta com a noticia.
– Vamos aos carros.
Ele tinha toda a razão, e o seguiram ate o centro da oficina, separando o espaço de cada um para trabalhar, organizando todos os equipamentos necessários.
O Dogde, a Nissan e o Evolution já se encontravam posicionados na oficina, onde já estavam sendo trabalhados.
Estavam esperando pelos outros dois, que ainda não haviam chegado.
– Credo. – a loira limpava as mãos no pano. – O tempo não passa. São apenas um e meia. – dizia olhando no relógio de parede vermelho.
– Isso significa que estamos trabalhando bastante. – disse satisfeito o ruivo, embaixo do seu Evolution.
– Haha. – riu sem graça ainda fitando o relógio.
– Me alcança a chave 13 ai, porca. – pediu ela sem tirar os olhos do motor.
Ela largou o pano e fez o que a rosada pediu.
– O que vai fazer ai? – fitou a rosada manusear a peça habilidosamente.
– Meu v8 tem por natureza a força, então vou instalar esse sistema de turbo direcionado para velocidade. Assim como na transmissão. – disse sem retirar os olhos do que fazia. – Meu carro é mais pesado e mais forte, por isso vou ”apertar” os freios, para ele não ladear muito nas viradas de direção. E vou adicionar alguns acessórios. – sorriu sapeca.
A loira curvou os lábios, impressionada.
– Alguma dica pra mim, princesa Xena? – mantinha os lábios curvados.
– Instale um NOS potente direcionado a mais aceleração, o torque.
– Não é você que não gosta de nitro? – debochou.
– Gosto de saber usar ele. Não apelar a ele. – lhe piscou sorrindo. – Seu carro é bom em marchas longas, e lá a muitas curvas e elevações, então vai ser uma boa aposta.
– Vou ajustar a minha transmissão para maior RPM*.
– Isso. – sorriu. – E direcione seus freios para o drift, mais leves. Seu carro é pequeno, leve e veloz. Não vai querer capota-lo. – riu debochada.
A loira riu e revirou os olhos, pondo-se a caminhar.
– Então vamos animar isso aqui! – disse e ligou o rádio. E tocava I Need More, Apster feat. Eva Simons.
– Ah, qual é loira? – o ruivo saiu debaixo do carro e estava sentado encima do skate largo, indignado. É um detalhe sexy percebido pela loira; sem camisa e com graxa.
Ela logo se pegou pensando em besteiras com ele em quatro paredes, o que não foi despercebido pela rosada, que se divertia inteiramente pelo embaraço da outra.
Era ela quem estava com atrasos.
– Oras. – estava encabulada, e sentia-se corar. – É a minha Playlist. Fique quieto e contente-se coisa ruiva. – dirigiu-se para seu carro rapidamente.
– Se é assim que trabalha aqui, vou logo dar jeito de sumir com essa coisa. – referiu-se ao radio. – Vai espantar meus clientes com essas musiquinhas de patricinha. – voltava para baixo do carro. – Isso é uma oficina, não uma academia pra ter essas merdas de musicas!
– Quer que eu ouça o que? – estava irônica. – Sou negrão, gosto de prostituta e suspensão fixa?
A rosada gargalhou.
– Algo decente, pelo menos. – retrucou ele.
– Então me demita, baby. – debochou voltando a trabalhar no carro.
– Cara vocês não conseguem ficar sem discutir não é?! – a voz do loiro eufórico tomou conta do local. – Que isso? – ouviu a musica. – Viro academia isso aqui?
A loira revirou os olhos.
– Eu disse. – triunfou o ruivo.
A rosada se assustou ao olhar para atras e ver o Mazda e o Nissan estacionados a frente da oficina. Prestou tanta atenção nos dois pombinhos que nem viu o perigo se aproximando.
– Escolham uma musica melhor então, bakas! – esbravejou irritadiça.
Olhou na direção do loiro e logo viu o moreno ao lado. Estava de regata negra e calça de tactel azul marinho. E tênis, completando. Obviamente lindo. Droga. Como sempre.
Permitiu-se suspirar e voltar ao trabalho, fugindo de perigosos olhos e tentadores músculos a mostra do Uchiha.
– Yo Sakura-chan! – ele cumprimentou alegre. – Com a mão na massa? – foi indo lentamente na direção dela.
– Sim. – deu um pequeno sorriso, perdendo-se por dois segundos nos olhos ônix mais a sua frente.
– Quero só ver o resultado. – disse escorando no carro da rosada. – Poderia modificar o meu também, né – sorriu amarelo.
– Folgado. – revirou os olhos.
– É que eu tenho um encontro depois e não queria me sujar. – coçou a nuca.
– Mentira.
– Como é teme? – emburrou.
– Você não sabe é mexer no carro. – disse inexpressível.
– Eu sei, seu teme! Para de querer me humilh-
– Então por que as princesas nãos trazem os carros e ponham a mão na massa ao invés de ficarem discutindo?! – disse o ruivo irritadiço embaixo do seu carro.
Sem protestos, os carros foram posicionados completando o time. Apenas as musicas da loira eram ouvidas, alem de Gaara e Naruto trocando ideias, junto de Sasuke.
– O que aconselha Sakura-chan? – gritou o loiro do outro lado.
– NOS direcionado a torque. – gritou de volta, sem tirar os olhos no que fazia. – Gaara, tem por ai um protetor frontal? – ela limpava as mãos no pano. – tipo as das viaturas da policia.
– Lá nos fundos.
– Ok. – largou o pano encima do capo do carro.
Rumou ate os fundos, sentido olhos em suas costas, e sabia que eram os do moreno. Alias, o tempo todo estava sentido o seu olhar pesado sobre si. Lembrava-se que no passado ele dizia que adorava observa-la sujando as unhas de graxa.
Dizia que ela ficava ainda mais linda e mais sexy.
No que muitas vezes resultava em dois corpos suados e sujos de graxa rolando pelo chão da garagem.
Sacudiu espantando tais pensamentos quentes, que ainda mexiam com a sanidade dela e concentrou-se no que fora pegar ali. Pegou o que precisava e voltou.
– Vou precisar de um NOS que você tenha sobrando por ai. – disse ao ruivo novamente.
– Você usando nitro? – a loira provocou.
– Já te disse que gosto de saber usa-lo. Não se preocupe. – piscou indo na outra direção que o ruivo lhe dissera.
Durante o trabalho, seu olho corria os olhos para o Mazda a sua frente. Não ficaria para trás. Deus. Se tinha um modo de Uchiha Sasuke ficar ainda mais lindo e sedutor era com uma chave inglesa nas mãos e com um pouco de graxa sobre o corpo másculo e suado. Suspirou novamente. Estava o secando na cara dura.
Ele percebeu o olhar sobre si e olhou para ela sorrindo malicioso.
E ela logo tratou de desviar o olhar.
Ele estava adorando brincar com ela.
– Cuidado aí para não babar, testa. – ouviu uma voz sapeca. Era Ino ao seu lado, nem a percebera ali.
Suspirou e sacudiu a cabeça.
– Por que os mais cafajestes são os que nos.. – buscou a palavra certa. – prende a atenção? – disse mais baixo.
– Você quis dizer, amamos também, não é. – pensou a loira nostálgica. – Isso é um mistério de milênios. – entortou a boca.
– Droga, ele me abandonou grávida e no momento que eu mais precisava. – mantinha a voz baixa e escorou-se em seu capo levantado, fitando o motor a sua frente. – Por.. por que ele.. – fechou os olhos.
– Ainda mexe com você? – disse baixa também.
Mesmo relutando, concordou com um discreto aceno com a cabeça.
– Por que, em minha opinião, essa história esta mal resolvida. – ganhou a atenção de olhos esmeraldas confusos. – E ele e o pai do seu filho. O homem que mais amou. – adicionou. – Acho que tem muita coisa por trás de tudo isso, e seu coração ainda tem esperanças.
– Não sei – disse cabisbaixa.
– Admita Sakura! – ficou frente a frente com a rosada. – Pare de colocar essa mascara com medo de ele lhe ferir novamente, e o encare de verdade. Só assim vocês vão resolver as coisas.
Ela fechou os olhos e suspirou.
– Você esta certa. – fechou o capo olhando um ponto imaginário ali. – Eu vou conversar com ele hoje. – olhou decidida para a loira.
– Isso. – ela sorriu. – Mostre a mulher forte que se tornou.
Ela sorriu grata.
– Obrigada.
Respirou fundo enquanto olhava o moreno do outro lado da oficina, indecisa em o que dizer o que fazer e quando. Estava tomando coragem aos poucos para fazer suas pernas se moverem até a tentação em pessoa. Como dizia Ino, alem de ser uma escultura grega, era esculpido com gostosura e sedução.
Mordeu o lábio inferior.
Por que ele não se entupiu de carboidratos e coca-cola? Virasse um obeso fedorento, que teria que levantar as tetas para lavar embaixo, que amasse o McDonalds, que fosse cheio de espinhas atômicas no rosto e que gostasse de jogar Mario? Por quê? Perguntava-se.
Não! Ele tinha que vim lindo e sarado.
E Cretino.
Bufou nervosamente quando concluiu que iria falar com ele. Só faltava a coragem vim e mover suas pernas.
Credo Sakura. Ele não é um bicho de sete cabeças. Resmungou. Bem, antes fosse isso. Seria mais fácil!
Bufou novamente, iniciando a sequencia torturante de “um pé na frente do outro”, na direção do oitavo pecado capital.
No caminho apertava os lábios de forma nervosa, e também olhava para o chão. Chegando mais perto, era possível sentir o cheiro másculo vindo dele, um mistura de seu perfume inebriante com um pouco de suor que fulminava de seu corpo.
E era incrivelmente afrodisíaco
Engoliu seco.
E Tentador. Nos tentava a perdição.
– .. Sasuke – sua voz saiu um pouco tremula. E odiou isso.
Ele a viu, por cima do ombro, se aproximando e parando lago ao seu lado, onde ela se escorou na lataria do carro e agora olhava de forma nervosa o motor.
Deu um mínimo sorriso de canto.
– .. err.. – viu ele lhe olhar interrogativo, e percebeu o sorrisinho por seu embaraço. Droga. O que falaria? – ..o carro.. ele.. – fungou o nariz. – está conseguindo mexer nele mesmo com os turbos? – Isso sua tonta, reclamava, fale do carro! Por que não pergunta como esta o jardim dele também?
Ele pareceu assimilar a pergunta por alguns instantes. Ou estava rindo da cara dela pelo nervosismo que aparentava.
– Sim. – manteve o sorrisinho.
Droga! Ele tinha que ser monossílabo?
Ela bufou.
– Legal... – em nenhum momento olhava nos olhos dele. Sabia que isso pioraria. – Nós... precisamos conversar. – largou de uma vez, com a voz e a face seria.
Ele largou a chave inglesa e pegou outra.
– Eu também concordo. – lhe fitou serio.
Ela o fitou e se deixou perder-se naqueles olhos negros que a sondavam. E viu entre eles que o Uchiha também necessitava conversar.
– Vamos.. terminar com os carros e daí.. – suspirou, fugia algumas vezes dos olhos dele. – a gente conversa. – disse por fim engolindo a saliva.
Ele concordou com um mínimo aceno com a cabeça. Estava serio, mas por dentro também se sentia um pouco nervoso. Necessitava conversar com ela, sobre Yuri, sobre ela, sobre tudo.
E também, teria de fugir de algumas perguntas.
E era nessa parte que o deixava ainda mais nervoso. Não sabia se conseguiria mentir outra vez à frente dela.
Ela o imitou e se pôs a sair dali o mais rápido possível. Era torturante. Muito, alias. Soltou o ar todo de uma vez e voltou a seus afazeres. Que por incrível que pareça, parecia estar fazendo mais devagar agora. Mas nem percebeu o tempo passar.
– Nossa. – impressionou-se a loira olhando no relógio. – Terminamos em duas horas e meia.
Pareciam ter sido muitas mais.
O ruivo já finalizava, assim como o moreno. Apenas o loiro estava mais atrasado.
– Quer ajuda ai, Naruto? – a rosada batia as mãos com intuito de limpá-las.
– Não! – disse de baixo do carro. – Vou mostra pra esse teme que eu monto um carro melhor que ele, tô certo!
O outro deu apenas um discreto sorriso de canto.
– Seu carro parece com aqueles carros da corrida mortal, Sakura. – disse o ruivo olhando rapidamente e sorrindo.
E era verdade. Com o protetor frontal preto fosco ele ficou com a aparência mais agressiva e havia retirado as faixas brancas, o deixando todo negro.
– Só faltam as metralhadoras. – sorriu.
– Boa ideia, Sakura-chan! – gritou o loiro animado.
Revirou os olhos sorrindo.
Seu carro ficou perfeito. Suspirou satisfeita consigo mesma.
– Olá meu povo! – gritou uma voz animada.
A rosada virou-se para voz e sentiu seu sangue ferver. Trincou os dentes já pegando uma chave inglesa e indo a sua direção. O que o fez a olhar apavorado e recuar alguns passos. Era Michael. Com vários curativos, mas ainda dava-se para ver que era ele.
Ele dizia ser amigo e que queria ajudar. Até provou mostrando e dizendo sobre os carros dos outros competidores que passaram por sua oficina, e detalhando ainda mais a pista. Dizendo também que ajudaria eles com os carros.
A rosada não aceitou. Apenas Gaara e Naruto aceitaram a ajuda. Estava provado que ele não era inimigo, mas a rosada não facilitaria para ele. Pensava assim enquanto o olhava ajudar Naruto. Ela e Ino estavam sentadas no chão da oficina.
– Que tédio. – a loira reclamou. – Será que podemos ir embora?
– Esse lupa lupa do Willy Wonka ainda vai instalar comunicadores nos nossos carros. – referiu-se ao moreno cheio de curativos.
– Eu sinto vontade de bater nele até fazer aquele nariz se ajeitar. – disse o olhando mortal.
Então a mente da rosada se estralou. E sorriu abertamente.
Levantou-se e bateu as mãos na roupa, a fim de tirar a poeira delas.
– Levanta porca. – disse se afastando de costas, fitando a loira com um olhar divertido.
Ela a olhou confusa.
– Para que? – a imitou batendo as roupas. – Não entendi esse seu olhar ai. – arqueou a sobrancelha. – Nem esse sorrisinho.
Ela sorriu.
– Me ataca. – disse simplesmente.
Seu rosto contorceu em mais confusão ainda.
– Que? Como assim mulher, ta maluca?
– Vou te ensinar a bater e se defender. Entendeu? De uma vez por todas. – pôs as mãos na cintura. – Chega de tapinhas e puxões de cabelo. – disse debochada.
– Haha. – riu sem graça. – Esta me ofendendo assim. – cruzou os braços.
Sabia que a loira nunca brigara de verdade na vida. Nada mais do que uns tapas com alguma vadia. Sentia-se obrigada a ensina-la, para proteção dela, já que se meteria em encrencas daqui para frente. E tambem, iria se divertir muito.
– Tudo bem. – sorriu se aproximando. – Vou pegar leve. Primeiro vamos ver sua base. – disse a frente dela.
– Base? – arqueou a sobrancelha.
A rosada ameaça atacar a loira com brusquidão, e pega a loira de surpresa, fazendo-a recuar a perna direita para trás.
– Isso. – segurou a loira. – Sua base é a perna direita. – bateu ali. – É destra. – se afastou.
– Er, tudo bem. – disse confusa.
– Como somos menores, sempre espere darem o primeiro ataque. – a posicionou com os punhos erguidos e cerrados. – Quando estiver mais forte e mais experiente, poderá atacar primeiro.
– Isso é uma regra? – arqueou a sobrancelha.
– Um conselho. – sorriu pondo-se a frente dela.
– Ok. – sorriu.
– Agora me ataque.
– Como?
– Como você atacaria alguém. – disse obvia.
Ela respirou fundo e ouviu a rosada dizer para relaxar. Era obvio que ela iria reto nos cabelos, e riu com o pensamento. Percebeu que elas já tinham a atenção dos homens ali presentes, principalmente de um ruivo que se divertia mais que os outros. Sentiu seu coração acelerar quando olhou em seus olhos, e rapidamente rumou seus olhos para os verdes a sua frente.
– Vem loirinha. – provocou ela sorrindo de canto.
Ela arriscou um soco totalmente desajeitado, e como esperava a rosada desviou facilmente movendo a cabeça para o lado. Ela rapidamente segurou sua mão em punho ainda do lado de seu rosto.
– Mantenha o braço esticado acima de seus olhos. – o esticou. – se deixar flexionado seria um ganho, então teria de aplica-lo abaixo do meu queixo. O seu braço livre tem de ficar abaixo de seu nariz para se defender de um contra-ataque. – o posicionou.
– Isso é complicado. — choramingou.
– Não é não. – se afastou dela. – Vamos de novo. Agora não pare. Tente de tudo para me derrubar. – ficou a frente dela.
Ela respirou fundo novamente.
– Vamos lá loirinha. – sorriu sapeca. – Ou prefere ter aulas com um ruivo? – provocou.
– Vá pro inferno! – disse irritadiça, partindo para cima da rosada.
Ela esquivava e se defendia das tentativas de ataque da loira, e a mesma já ofegava e dizia para si mesmo que era impossível acertar Sakura. Irritou-se mais ainda.
– Mantenha a mente limpa. – desviou. – E não lute com raiva. Assim nunca vai me acertar.
E ela lembrou-se da primeira vez que fora treinada, pelo moreno, aos 16 anos, que olhava a cena familiar escorado no carro, de braços cruzados e sorria de canto.
– Qual é Sakura, é só isso? – desviava facilmente a rosada irritadiça.
Ele estava se divertindo muito, ela sabia. E isso a deixava mais irritada ainda. Parecia impossível acertar o seu rostinho de anjo perfeito, e ele jogava isso a toda hora na cara dela.
– Venha rosada. – sorria debochado.
– Cala a boca, cretino! – tentou dar dois socos em sequência, mas foi surpreendida pelo moreno, que sem nem ela saber como e quando a derrubou no chão ficando sobre ela. Imobilizando-a.
– Não entre nos joguinhos de seus oponentes. Eles querem te deixar com raiva e te desconcentrar, assim irão ganhar vantagem na luta. – se divertia. – É você é muito manipulável, rosadinha.
– Você que me tira do serio! – se debatia. — Agora me solta!
Ele manteve o sorrisinho de canto.
– Não até me pedir desculpas pelo cretino. – tinha o rosto bem próximo ao dela, e sabia que isso estava a desconcertando mais ainda. Podia ver por suas bochechas já começarem a corar.
Ela engoliu seco. Ele segurava fortemente seus braços com as mãos acima de sua cabeça, mas sem que a machucasse. Suas pernas estavam imobilizadas pelas dele, e tinha o rosto todo do corpo perfeito do Uchiha encima de si.
Deus, era tortura, choramingava em sua cabeça.
Aqueles olhos.. por que eles a prendiam tanto?
– Estou esperando.
– Nunca. – tentou manter o olhar firme.
– Então vou arriscar que esta gostando. – sorriu malicioso.
E estava. Por Deus estava! Adorava quando ele ficava no controle assim com ela. O engraçado é que ela nunca gostou de homens em seu comando. Apenas ele. Aquilo o deixava mais tentador ainda.
Seu coração batia rápido e sentia um calor crescendo dentro de si. Ainda mais quando ele começou a cerrar seus lábios finos nos dela.
Tortura. Ele era especialista nesse quesito.
Retirou umas das mãos que segurava as da rosada, e a direcionou para o rosto da mesma, fazendo um afago delicado em sua bochecha. Logo depois descendo em seu pescoço, lenta e torturantemente. Estremeceu.
Ele tomou os lábios carnudos para si de uma vez, de forma voraz e necessitada, já apertando sua cintura, a trazendo mais para si, mostrando que ela era dele. Como aquele gosto era tão viciante? Perguntava-se. Necessitava senti-la, junto de seu corpo, desesperadamente.
E ela queria o mesmo! Estava totalmente entregue aos braços daquele garoto que tanto amava, e não se envergonhava de admitir isso.
O amava mais que tudo.
Sentiu um bolo na garganta, e tentou ignora-lo.
Segurou a mão da loira, logo lhe dando uma rápida rasteira e a imobilizando abaixo de si. – Não entre nos joguinhos de seus oponentes. – ofegava olhando os olhos azuis abaixo de si, sentindo uma nostalgia boa. – Eles querem te deixar com raiva e te desconcentrar, assim irão ganhar vantagem na luta. – repetiu as palavras dele.
Ele por sua vez, alargou o sorriso de canto, sentindo a nostalgia crescer em seu peito.
– G-gente.. – Michael chamou a atenção dos homens. – É só eu que estou ficando excitado? – olhava as mulheres uma sobre a outra quase babando.
– Cara, como você é nojento! – pronunciou o loiro.
– Cadê o respeito, porra? – esbravejou o ruivo.
– Ate parece que não estão achando isso sexy. – defendeu-se.
– Precisa falar se o seu salame ta crescendo, caramba?! – indignou o loiro.
O moreno travou a mandíbula e bufou pelo nariz. Concordava que era sexy, mas ele não tinha que estar vendo. Droga era ela ali. Fechou os olhos e bufou novamente. Nunca suportou o fato de marmanjos ficarem secando e se excitarem por sua rosada. Mesmo já não sendo tanto sua assim.
– Se ficar secando de novo, eu racho essa sua cara de merda ai, ta ouvindo? – o ruivo o intimidou lhe apontando o dedo.
– Credo, que isso gente? – viu as caras feias para si. – Elas são solteiras, livres e desimpedidas. Por que toda essa violência? – levantou as mãos em defesa. – Aproveitem também! – sorriu sem jeito, recebendo mais olhares mortais.
– Ta avisado. – disse o ruivo entre dentes, rumando ao bebedor.
Já as mulheres, absortas dos assuntos dos homens, continuaram o treino, se recompondo-se e seguindo uma nova onda de golpes.
– Você ta pegando alguém? – perguntou para o ruivo, referindo-se as duas atras de si.
– Não é da sua conta. E cala essa boca, antes que eu faço isso por você. – bebeu o liquido gelado em uma virada.
– Eu hein. – deu os ombros.
Depois de alguns golpes e esquivas, a rosada já começava a sentir o cansaço querer vir a tona. Viu que a loira já estava mais confiante, e isso era um belo passo.
– Isso. – ofegava. – Esta melhorando. – esquivou dos diretos da loira.
– Melhorando? – o loiro se pronunciou. Os homens assistiam as mulheres tranquilamente, só faltava a pipoca e o refrigerante. – O Yuri luta melhor do que isso! – provocou, nem percebendo a curiosidade que brotara nos olhos do Uchiha.
– Como é, seu Baka?! – parou a luta e o encarava. – Vem aqui então! – seus olhos fulminavam.
– Não liga pra ele. – disse a rosada olhando as horas no relógio da oficina.
Estava quase na hora de pegar Yuri.
– Onde você vai? – perguntou a loira confusa vendo a rosada se distanciar.
Ela chegou próxima ao ruivo e bateu em suas costas.
– Você assume daqui. – disse divertida.
– O que? – arqueou a sobrancelha.
Escorou-se no carro atras de si ofegante.
– Ela precisa de um voluntario masculino. – disse simplesmente. – Vai lá. – sorriu sínica.
Ino apenas a olhava com uma cara nada boa. Nada mesmo. Juraria que ela a mataria em breve. O ruivo sem entender nada apenas se levantou, e sorriu se divertindo.
– Vamos lá loirinha. – disse se aproximando. – Já digo que não pego leve. – parou a frente dela.
– Eu também não. – Disse entre dentes ainda mandando uma mensagem de morte a rosada com o olhar.
Respirou fundo e se concentrou na luta. Se é que era possível com aquele ruivo sem camisa, suado e lhe olhando safadamente.
Iria matar a Sakura. Ah se iria!
A rosada apenas ria da loira do outro lado da oficina, no final ela poderia ficar brava, mas sabia que a mesma iria gostar. Iria até agradecer depois. Estava escorada no carro do ruivo, e ao seu lado estava o moreno.
– Parece que se lembra direitinho, Sakura.
A voz grossa lhe atravessou a espinha. E ainda tinha um tom malicioso.
Olhou na direção dele e viu um sorriso de canto em seus lábios, tinha os braços cruzados e olhava para frente.
E como não lembrar. Suspirou.
– Sim. – disse após um sorriso. Nós quase suamos até morrer em meio a um sexo selvagem. Terminou a resposta em sua mente.
– E Yuri? – sua voz saiu mais seria. Assim como sua face agora.
Ela tomou ar.
– Bem.. – olhava para as mãos. – Ele esta na aulinha de Karate. – sorriu.
Ele virou-se para encara-la e viu um sorriso terno em seus lábios, e em seus olhos um orgulho mantinha-se ali, enquanto uma provável lembrança do pequeno lhe passava a mente.
– Quer jantar comigo hoje a noite?
Ela engasgou e olhou diretamente para seu rosto. Estava sorrindo de canto, parecendo tirar uma com a cara dela, só podia.
– Vem cá.. – pôs as mãos na cintura virando para ele. – Não tem vergonha nessa cara não? – disse irritadiça.
Ele alargou o sorriso e descruzou os braços, virando-se tambem para ela.
Ela travou a mandíbula apertando os olhos. Estava contando até dez, para não rachar o rostinho de anjo dele rapidamente. Como se atrevia? Depois de tudo ainda queria brincar com ela?
Riu em escárnio em seus pensamentos.
O Uchiha estava errando seu pulo. E feio.
– E você ainda fica linda quando esta brava. – disse de forma terna, sorrindo e lhe olhando intensamente.
Ela rapidamente suavizou o rosto e ficou desconcertada, e engoliu seco, desviando o olhar rapidamente.
– Não me importo com o que acha. – tentou ser seca.
– Onde quer coversar, se não em um jantar? – a ignorou.
– Isso não será um encontro! – o olhou seria. – Nem de longe!
Ele suspirou.
– Tem um barzinho bem perto daqui. – ele virou-se novamente para a luta do ruivo e da loira. – é um bom lugar. – sua face estava suave.
– Ótimo. Eu conheço. – pigarreou, se recompondo. – As oito! E nem pense que as coisas vão ser moleza para você. – disse irritadiça, logo pondo-se a sair dali.
Ele permaneceu de braços cruzados fitando ela sair pisando duro até seu carro, respondendo que iria buscar Yuri. Ela estava nervosa, e ele viu isso, pois quaisquer suas provocações ainda mexiam com ela.
E nem percebera que seus lábios se puxaram em um sorriso mínimo.
Tinha quase toda a certeza e queria a teria por inteiro. Teria a certeza de que ela ainda o amava.
Precisava ter.
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