Vices
12 Uma Ponte para um novo Começo
Notas iniciais
Droga! Droga, droga, droga, droga!
Repetia mil vezes em sua mente enquanto se encaminhava para escola de Yuri. Por que ele tinha que tentar mexer com ela? E por que ele ainda mexia?! Há seis anos a queria longe dele, e agora vem dizendo que ela ainda fica linda quando esta brava?
Apertou os lábios.
Ele só podia estar brincando com ela. Deus, só podia! E ela ainda estava caindo.
Tola!
Mas o que fazer quando o seu próprio corpo lhe traia? Seus olhos, principalmente, que começavam com a cadeia de tortura: Olhar, babar, lembrar do passado, sofrer e babar mais um pouco! Sem contar o quanto desconcertada ainda ficava perto dele. Por Deus, parecia uma adolescente.
E ela não era mais!
Parou ao meio fio da escola, olhando um pequeno moreninho conversando com alguns coleguinhas dentro do pátio da escola.
E a prova disso era seu filho!
Sorriu terna.
Ele era a solução de seus problemas. Seria pensando nele que ela tomaria forças para conversar com o seu pai.
O sinal tocou e o guarda abriu o grande portão apressadamente, pois o alvoroço das crianças querendo sair era feito em segundos.
O observou caminhando lentamente, diferente das outras crianças, e parar no portão correndo os olhinhos ônix procurando o suposto carro de sua mãe. Ela por sua vez ficou babando nele e sorria ternamente. Ele tinha os cabelos rebeldes, as mãosinhas nos bolsos da calçinha de tactel negra, que era o uniforme, assim como a blusinha cinza com o emblema da escola no lado esquerdo do peito. E por fim, com o tênis que ganhou da tia Ino, cinza com preto, e casaco canguru negro que o obrigou a colocar, alegando estar frio.
Suspirou ainda sorrindo.
E voltou a terra abaixando o vidro e o chamando.
– Aqui filho! – deu uma buzinada.
Ele correu os olhinhos rapidamente para a mãe sorridente, e deu um mínimo sorriso indo de encontro ao carro.
– Não precisava buzinar. – disse tímido entrando no carro.
Ela sorriu ainda mais.
– Ficou com vergonha? – disse já é aproximando e dando um beijo estralado em sua testa.
– Não bem isso. – olhou para os lados com vergonha. Só sua mãe poderia lhe beijar sem ele fazer caretas. – Chama a atenção. – disse por fim colocando o sinto.
– Tudo bem. – disse terna, já dando a partida no carro. – E a aulinha, como foi? – estava curiosa.
– Foi muito legal! – tinha a mochilinha negra sobre o colo. – Aprendi muitas palavras em Japonês e já passei para a faixa amarela! – disse com orgulho nos olhos.
– O que? – o olhou surpresa e animada. – Eu não acredito! – sorria enquanto parava na sinaleira.
Ele abriu a mochilinha e tirou de lá uma faixa impecavelmente amarela, logo após estendendo para a mãe com um olhar tipicamente Uchiha. Exibido.
– Viu. – sorriu de canto.
– Que legal filho! – investigava a faixa agora em suas mãos. – Meus parabéns! – virou-se para dar ais um beijo nele.
– A sinaleira, mãe! – disse sem jeito recebendo o beijo.
– Ôpa! – retomou ao volante rapidamente, e ouviu várias buzinas. – PASSA POR CIMA! – gritou, ganhando logo após um olhar assustado do pequeno.
...
– Eu to morto. – esparramou-se no sofá.
– Que isso? – sorriu. Trazia a mochilinha nas mãos e a chave do carro. – Nem é pra tanto assim, grandão.
O transito não estava tão tenso naquele dia, o que levantou as mãos para o céu e agradeceu, chegando em casa mais rápido do que os outros dias.
– Claro que sim! – se levantou e a olhou obvio. – Eu tive que provar que era bom pra ganhar a faixa amarela! – cruzou os braços emburrado.
– Ok, ok. – sorria chaveando a porta da frente. – Agora me mostre como é bom em tirar sujeira do corpo. – ele emburrou ainda mais. – Vamos! Bora pro banho! – já o empurrava carinhosamente.
– To indo. – disse derrotado.
Largou a mochilinha no quarto dele e foi rumo à sala, onde deixou seu celular.
Tinha que ligar para a loira.
Ligou, chamou, chamou, chamou, chamou.. e nada. E estranhou muito, já que ela vivia grudada no seu celular e se matava para atendê-lo. Ainda mais quando era a rosada.
Sorriu malicioso.
Ela deve estar ocupada com algum ruivo, dando uma chave de pernas nele.
Riu do próprio pensamento, mas logo tratou de engolir a risada ao olhar no relógio e lembrar-se do.. Não, se negaria a chamar de encontro!.. Da conversa programada entre ele e o Uchiha. E Yuri não poderia ficar sozinho em casa.
Discou um numero no celular, mentalizando que era a sua ultima esperança.
– Alo, Sakura-chan!! – gritou. Revirou os olhos sorrindo.
Yuri a mataria depois.
– E aí Naruto.
– O que houve? Algum problema? – sentiu sua voz ficar preocupada.
– Não, nenhum. Só queria um favor seu. – sorriu amarelo.
– Pode falar, Sakura-chan! – disse prontamente.
– Esta na oficina ainda? – mordeu a unha nervosa. Sasuke poderia estar ouvindo os berros do loiro.
– Não! Já saímos faz tempo! Só a Ino ficou lá. – lembrou. – Por quê?
Safadinha. Sorriu sapeca.
– Esta sozinho? – e antes mesmo de ele falar ela o cortou. – E só diga que sim ou não, e pare de gritar! – se irritou.
– Sim! Só eu e meu apartamento sujo. – ele riu.
– Okay. – suspirou e concentrou a voz em tom baixo. – Você poderia ficar com o Yuri por algumas horas, é que eu vou ter que sair e-
– Que? Não to ouvindo Sakura-chan!
– Argh Baka! Não posso gritar! – cochichou alto. – Você poderia ficar com o Yuri por algumas horas pra mim? – disse calmamente como se explicasse que um mais um é dois.
– Ata! Claro! – ele se animou. – Eu adoro ficar com esse pestinha!
Ela revirou os olhos sorrindo.
– Mas aonde você vai, Sakura-chan?! – parece que Sasuke não contou a ele.
– Vou.. conversar com o Sasuke. – disse relutante e mais baixo.
– aaah.. – seu tom era sapeca. – Só não façam mais Yuris ta bem? Esse aí já chega! Imagina o teme mais o temezinho e mais outro temezinho!
– Vou largar ele ai perto das oito. – disse entre dentes e desligou o telefone.
Baka!
Saiu a passos para a lavanderia.
...
– O tio Naruto mãe? – a olhava suplicante já dentro do carro. – Por quê?
– A tia Ino esta ocupada, meu amor. – sentiu vontade de rir, mas conteve-se. – E vai ser só por algumas horas!
– E onde você esta indo? – cruzou os braços emburrando. – E bonita? – as sobrancelhas negras pesavam sobre os olhinhos também negros.
E ela achou graça e não aguentou o riso.
– Filho – sorria – já disse que eu vou falar com.. com um amigo. – se recompôs – nada de mais!
– E precisa ir bonita assim? – manteve a pose brava.
Ela riu novamente. Seu filho era uma peça e tanto. E nem estava tão bonita assim, pelo menos ela achava que não. Apenas colocou um vestidinho negro, com brilho em todo ele, de tecido mole, que delineava seu corpo. Junto de um meia calça fio 40, com seus saltos também negros e de meia pata, e por finalizar, um sobretudo branco, já que fazia meio frio naquela noite. No rosto, a maquiagem era leve.
E só havia colocado saltos, por que o barzinho não era um qualquer. Era um lugar bem agradável e frequentado por muitas pessoas. Dês da classe alta a baixa.
– Não estou tudo isso não filho. – sorriu.
– Quem é esse amigo aí? – o olhar era investigativo.
Ela sentiu uma nostalgia crescer dentro do peito. Seu coração acelerou. E demorou tempo demais para responder, já que estava tomando coragem para isso. Sabia que ali não era o momento e nem a hora, mas..
– É.. – respirou fundo e olhou nos olhinhos ônix – É o seu pai, filho.
Percebeu ele desfazer a carranca emburrada instantaneamente e arregalar os olhinhos, olhando-a e procurando um sinal que fosse brincadeira.
– O-o ..papai? – seus olhinhos revelavam confusão, surpresa.
Não poderia mentir para ele, nem esconder, não mais. Alem de não conseguir. Só que agora, tudo iria mudar, e sabia disso. E o que menos queria era ver seu pequeno sofrer.
– Sim. – forçou um sorriso. Tinha de mostrar que estava tudo bem. – Você sempre quis conhecê-lo, não e?
Ele ficou a olhando ainda surpreso. Seu pai? Como poderia?
– S-sim.. – desviou o olhar surpreso para fitar um ponto imaginário no chão do carro.
Como seria ter um pai?
– Ele.. veio a pouco tempo para cá e.. – percebeu o olhar distante do pequeno.
– Ele sabe.. de mim? – olhou a mãe com a sobrancelhas pesando sobre os olhinhos. Estava temeroso quanto a resposta. Estava com muito medo.
–S-sim, filho! – molhou os lábios. – Alias.. – o olhou também temerosa. – Ele era o.. cara do capacete..
Agora os olhinhos se esbugalharam na face alva.
– Desculpe não ter lhe contado. – suspirou fechando os olhos rapidamente. – É que a mamãe teve medo. – explicou-se. – Espero que me entenda e eu juro que explico tudo quando chegar em casa. – o olho suplicante. – Seja compreensivo.
Ele a fitava ainda atordoado. Seu pai estivera a sua frente e ele não sabia. Sentia um frio na barriga lhe crescer, e sabia que era ansiedade de vê-lo, de saber quem era aquele que sua mãe dizia que teria orgulho dele.
E o frio na barriga se tornou algo ruim rapidamente, pois seu pai podia não ter orgulho e quem sabe nem gostar dele.
E no restante do caminho foi o silencio predominando o carro. O pequeno entendia o medo da mãe, e não a culpa por ter o escondido que o caro de capacete era seu pai. Ele sabia, ela podia não falar, mas ele sentia que seu pai havia a magoado. E muito. Sabia, pois muitas noites a ouvia as escondidas enquanto chorava dizendo que ainda amava alguém, e apostava ser ele.
Quando chegaram ao apartamento do loiro, ela pediu ao pequeno que não incomodasse o loiro, e pediu o mesmo ao loiro, para não incomodar o pequeno.
E também contou por cima para ele que Yuri sabia sobre o pai, por isso estava tão quieto, e teria de ter paciência. Mas ele apenas deu um largo sorriso e disse que cuidaria bem dele.
E agora estava aqui, saindo de dentro do carro, com as drogas das pernas trêmulas, tendo dificuldade de apertar a droga do alarme do carro por que suas mãos estavam suadas, e fazendo uma ioga mentalmente quando finalmente se dirigiu ao recinto. Que na verdade era muito lindo, muito romântico. Droga!
O chão era todo de madeira, assim como o próprio bar. Ele ficava ao centro, enquanto ao seu redor, havia varias mesas de madeira e tambem cadeiras, para quem quisesse curtir a harmônica folhagem verde espalhada pelas mesas e sobre o chão totalmente de madeira. No interior do bar, havia alguns lustres de tetos, muito chiques, que davam uma luz ambiente e agradável.
Era tudo rústico, lindo, harmonioso, agradável, e estupidamente romântico.
– Mas tem bebida. – disse subindo os degraus de madeira, adentrando a área do bar, rodeada de uma linda jardinagem com ênfase nas palmeiras. – Então, tudo bem. – bufou nervosamente ainda olhando para o chão.
Quando levantou o olhar, estava a procura de uma cabeleira alvorotada e negra. Levou alguns segundos procurando, dando alguns passos curtos para disfarçar que estava perdida, mas lá estava ele. Lindo, gostoso e cretino, com aquele sorrisinho nos lábios.
Engoliu seco.
Ele estava na parte não coberta, cheio de folhagens lindas na volta, aquela que era a parte para curtir a natureza e ser mais romântico ainda!
Seus olhos negros e perigosos sondavam-na, e ela ate esqueceu-se de caminhar, ficando na frente dos pobres coitados garçons que pediam licença e eram ignorados.
Por Deus Sakura, reaja! Não seja tola!
Pensava enquanto se dirigia para o caminho da tortura, pensando unicamente em seu filho, e isso realmente lhe dava forças e era calmador.
– Olá. – disse disfarçando o nervosismo, tentando ser o mais formal possível. Logo já sentando na cadeira vazia a frente dele. E a mesa não era muito grande, era apenas para dois, o que fazia ficar mais perto ainda, e com mais raiva de ter aceitado tudo isso.
Ele apenas meneou levemente com a cabeça, respondendo do jeito dele ao cumprimento, enquanto levava a boca o copo de vidro enquadrado, com um possível uísque forte. Tudo isso sem tirar os olhos dela.
Como um leão em sua presa.
E o engraçado e que ela era essas presas tontas que ficavam presas no olhar letal. E um silêncio nada agradável se instalou. Ele parecia despreocupado, e o fitou beber mais um gole e largar calmamente o copo sobre a mesa.
Ele estava de camisa social branca, e dava para ver os ombros largos juntamente dos músculos dos braços quase saltando dali. Podia ele comprar um numero maior não é?!
E o detalhe, os primeiros botões estavam aberto.. Ai olha a cadeia da tortura, olhos traidores!
– Quer pedir alguma coisa senhorita? – Salva pelo gongo! Pensou enquanto pegava desesperadamente o cardápio das mãos do garçom.
–..err.. – pensou enquanto olhava o cardápio. Olhava de forma nervosa. E o Uchiha percebeu isso, pois tinha um leve sorrisinho nos lábios. Pensou na hora em pedir uma garrafa de Jack Daniels, e sentir aquela ardência calmadora. – Um suco de pêssego, por favor. – disse derrotada, forçando um sorrisinho no final.
Não podia beber. Ainda teria que pegar Yuri em casa.
– É para já. – sorriu gentil, saindo logo após.
Ficou observando o garçom se afastar, e logo engoliu seco. Teria de encara-lo, estava na cara que ele estava se divertindo, a prova era que ele ate agora não tinha falado nada e estava olhando fixamente para ela. E o fitou por fim, com muito custo, tentando transparecer indiferença.
O que não tirou aquele sorrisinho provocante de seus lábios.
– E então.. – escorou-se no encosto confortável da cadeira atras de si, cruzando as pernas – Por que esta aqui em Manhattan? – foi direta. Não queria que aquela conversa se prolongasse por muito tempo.
Ele levava mais uma vez o copo nos lábios finos, e tomou outro gole rapidamente, suspirando logo após.
– Não posso te falar. – disse calmamente, olhando-a da mesma forma.
E ela riu em escárnio.
Fechou os olhos e respirou fundo na sequencia. Tentaria não sair do controle. Não o deixaria com este gostinho de vitória.
– E por quê? – cruzou os braços o olhando irritadiça.
Ele suspirou novamente, ainda lhe fitando. Olhou para um lado qualquer e depois voltou se às esmeraldas a sua frente irritadas.
– Também não posso. – pegou o copo novamente, ainda lhe fitando.
Ela mordeu o lábio inferior, segurando um discurso cabelo para soltar-lhe aos berros, e logo depois sair dali, pegar um uísque qualquer e se derramar em lágrimas no quarto às escuras.
– Então o que você pode falar.. – fala entre dentes. – seu cretino..?
A raiva dentro de si estava acelerando seu coração, e sentia seu rosto esquentar. Não era ela que devia estar implorando por respostas. Era ele quem deveria estar implorando.
Ele a abandonou. Ele errou.
Não devia se rebaixar a ele.
Ele engoliu o liquido rasgante, sem pressa, ainda fitando os olhos furiosos da rosada sobre si.
– Posso falar que não sou seu inimigo. – disse com o copo ainda em mãos.
– Da pra ver mesmo. – disse irônica. – Vem para Manhattan justamente quando tem um político de merda querendo me matar. – percebeu ele arregalar levemente os olhos, e ficar um pouco tenso. – Eu já sei de tudo. – jogou verde, lhe olhando firme.
Viu-o engolir a saliva e ainda continuar lhe fitar, procurando uma falha na barreira da rosada.
– Se sabe de tudo, então por que esta me perguntando o que vim fazer aqui? – investigou olhando atentamente as expressões da rosada.
– Quero ouvir da sua boca. – disse o que lhe veio na mente.
Ele por sua ver deu um sorrisinho debochado dando outro gole no uísque em seu copo, terminando-o. E logo após o largou, se aproximando mais da rosada a sua frente.
– Não vou cair no seu joguinho, Sakura. – mantinha o sorrisinho. Olhava fundo no mar verde de seus olhos.
– E eu não vou cair nos seus! – disse batendo as mãos na mesa, tomando coragem e se aproximando também. – Não venha querer brincar comigo, por que eu já não sou mais aquela tola de anos atrás! – a raiva era tanta, que ela até ignorava o fato de estar muito próximo do rosto alvo do moreno.
Seu olhar era de leoa, pronta para atacar. A presa agora era ele.
– S-seu suco.. Senhorita.. – o garçom olhava os dois feito dois cachorros prestes a se agarrarem as mordidas.
Ela recuou para trás rapidamente, desconcertada pelo garçom ter visto a pequena discussão. O garçom forçou um sorriso simpático, quando lhe entregou o suco, e ela fez o mesmo.
Tomou o suco em suas mãos vendo o garçom se retirar as pressas, e com as mãos tremendo devido a raiva, direcionou o canudo de largura média aos lábios, tomando uma grande gole em seguindo.
Droga!
Por que não pedi o Jack Daniels!
O moreno ficara no mesmo lugar, com seu olhar serio sondando a rosada. Ela estava com muita raiva, notava-se de longe. E o causador era ele. Mas o que faria?
Seria mais difícil do que pensava.
Ele relaxou os músculos e se encostou ao encosto atrás de si. Passou a mão na boca ao mesmo tempo em que suspirava. Viu-a largar o suco já pela metade encima da mesa, sem fazer barulho algum.
– Eu vou lhe contar tudo. – se pronunciou, ganhando olhos verdes e curiosos sobre si. – Só.. não posso agora. – ele estava serio. E tambem sincero.
As sobrancelhas rosas pesaram em curiosidade.
– E por que não? – perguntou mais calma.
Ele molhou os lábios com a língua e desencostou-se da cadeira, cruzando os braços sobre a mesa.
– Por que é para o seu bem. – fugiu dos olhos verdes por alguns segundos, mas logo depois voltou. – e do Yuri também.
Ela ficou o olhando confusa. Olhava no fundos dos olhos negros que mais amava e não conseguia achar respostas ali. Era indecifrável, assim como o próprio dono deles.
– Mesmo não sabendo, e ele não falando. Eu sei que ele esta desesperado. Eu.. conheço ele.
Lembrou-se das palavras do loiro, quando o visitou em seu apartamento exigindo respostas.
– Ele não quer que ninguém pague pelos erros dele. Muito menos você e Yuri, Sakura-chan.
Ligava os pontos o olhando pensativa. O que ele teria feito que ela agora provavelmente teria que pagar, sendo morta por um político do Japão? Por que ela? Ele queria impedir isso? Por quê? Do que?
– O.. que você fez.. Sasuke? – disse ainda meia tonta com seus pensamentos, vendo os olhos negros que antes estavam fitando a rua a suas costa, irem de encontro lentamente aos dela, um pouco tensos e surpresos pela pergunta.
Ele levantou a mão chamando o garçom.
– Já disse que não posso falar. – disse vendo o garçom de aproximar. – Não agora.
Em sua mente ela bufou. Droga por que ele não fala?! Agora que tinha uma pista do seu motivo ali, que era obviamente ela e Yuri. Mas por que ele voltou se ela estava com ele no Japão. Se a queria proteger, por que a mandou embora?
Viu-o pedir mais uma dose do uísque ao garçom. Pelo visto ela não era a única com necessidade de álcool por ali. E como queria.
– E Yuri..? – perguntou ele um pouco temeroso. Alias, sempre era quando fala do pequeno.
– Ah.. – lembrou-se do pequeno e deu um mínimo sorriso. – Ele.. esta com Naruto.
A resposta da rosada causou uma sobrancelha arqueada do moreno.
– Naruto? – estranhou.
– Ino estava ocupada. – justificou em fatalidade, observando e tocando “o guarda-chuvinha” que enfeitava seu suco.
– Meu Deus. – bebendo mais um gole.
– Eles estão bem. – o olhou. Sabia que ele não iria nunca confiar crianças a Naruto.
...
– Tem certeza que ninguém vai ver? – estava com vergonha e com medo.
– Claro que não! – sorriu sapeca. – Eu sempre faço isso!
Viu o loiro tirar as partes baixas para fora e começar a urinar na varanda do prédio.
– Vamos! Não tenha vergonha! – disse sorrindo enquanto se aliviava.
Ele relutou no inicio, mas depois subiu no banquinho, ficando a altura do loiro, e logo após o imitando.
– Viu que coisa mais boa! – disse ainda se aliviando. – Ao ar livre!
O pequeno tinha a cara relaxada enquanto se aliviava e soltava alguns um gemido de alivio, assim como o loiro.
– Agora da a sacudidinha.. – botou a língua para fora ao fazer, e viu que o pequeno o imitava. – E pronto! – guardou as partes baixas.
Viu o pequeno também guardar e sorrir tímido.
– Viu como é legal! – disse sorrindo e mostrando o polegar para ele.
– MAS O QUE É ISSO NA MINHA VARANDA?!! – uma voz gritou lá de baixo, fazendo o loiro e o ruivo arregalar os olhos.
– Eita! – pegou o pequeno no colo a milhão e saiu dali.
...
– E quanto a casa? – o moreno perguntava segurando o copo. – Já saiu?
Ela suspirou.
– Ainda não. – coçou a nuca – Coloquei a venda hoje. – fugia do olhar negro enquanto ia tomar mais de seu suco.
– Fique na minha casa. – disse serio.
Ela na hora se afogou e começou a tossir freneticamente.
– O que disse? – disse com o punho cerrado a frente da boca para tossir.
– Para você e Yuri ficarem na minha casa. – tinha a face suave, mas no fundo estava ansioso pela resposta da Haruno.
Que riu em escárnio.
– Não esta falando serio, não é? – disse irônica.
– Eu pareço estar brincando? – arqueou levemente a sobrancelha.
Ela ficou o fitando. E ele falava serio mesmo. O que faria? Droga, por que ele tem que fazer isso, mostrar-se preocupado e que se importa? Era para amolecer seu coração, só podia!
E ele ainda conseguia. Droga!
– Eu.. – se perdeu nos olhos negros, pigarreando logo após de voltar a terra. – Eu vou conversar com o Yuri. – disse com os olhos vacilantes.
Viu ele menear que sim com a cabeça, sem tirar os olhos de si.
– Alias.. – pegou o copo sentindo a adrenalina acelerar seu coração. – Ele já sabe sobre você. – disse e virou o copo de suco desesperadamente.
O moreno ficou tenso, e olhava intensamente para a rosada.
– Então quer diz-
– Sim. – largou o copo na mesa, causando certo barulho. – Ele é seu filho. – não o fitava.
Achou mais interessante olhar a madeira da mesa a sua frente ate ter coragem para lhe olhar nos olhos. E quando o fez viu ele um pouco pasmo, com a respiração mais acelerada.
Ele já tinha quase toda a certeza de que ele era seu filho, mas mesmo ao ouvir da boca da rosada não conteve a surpresa. Ela finalmente admitira. Tinha um filho.. e ela era a mãe de dele.
A rosada que o deixava maluco, que mexia com seus sentidos.
E sem perceber, um sorriso foi se puxando sem seus lábios.
Ela viu o sorriso nos lábios finos e acabou por sorrir tambem, desajeitada, e vacilava seu olhar do dele.
Musica: I’m Outta Time, Oasis.
– Ele.. – brincava com os dedos. – Ele é a sua cara cuspida. – sorriu terna, fazendo o Uchiha alargar seu sorriso. – E não é só isso. – o olhou ainda sorrindo. – Ele não gosta de doces, é ciumento e mandão, seu shampoo é de menta e todo dia de manha ele se atrasa. – o olhava agora rindo, lembrando-se do pequeno.
E isso fez o Uchiha gargalhar, como não fazia mais há anos.
Here's a song / Eis uma canção.
It reminds me of when we were youn / Que me lembra de quando éramos jovens
Looking back at all the things we've done / Me lembra de tudo o que fizemos
You gotta keep on keeping on / Você precisa continuar seguindo em frente
– Isso é serio? – perguntou sorrindo.
– Sim! Você tem que ver! – ria olhando para os dedos, sentindo uma vontade imensa de chorar. Mas era de felicidade. Ver Sasuke sorrindo, sorrindo por Yuri, era umas das coisas que mais queria ver a seis anos. – Ele..- mordeu o lábio inferior. – Ele é tudo pra mim.. – sentiu uma lágrima solitária delinear seu rosto.
Sasuke a olhava intensamente.
– Meu.. maior medo é perde-lo. – sentiu novas lágrimas, e logo tratou de limpá-las.
– Isso nunca vai acontecer. – disse firme, ganhando olhos verdes e curiosos.
Ele por sua vez, direcionou sua mão ao rosto delicado da rosada, limpando suas lágrimas com o polegar, ainda lhe fitando intensamente. Odiava vê-la chorar.
– Ele é nosso filho. – disse com carinho e com orgulho, fitando a rosada se banhar ainda mais em lágrimas. – E eu estou aqui agora, Sakura. – disse terno.
If I was to fall / Se for para eu fracassar
Would you be there to applaud / Você estaria lá para me aplaudir?
Or would you hide behind them all? / Ou você se esconderia atrás deles?
Cos if I had to go / Por que se eu tiver que partir
In my heart you'ld grow / No meu coração você poderia crescer
And that's where you belong / E é la que você pertence.
Ela estava abobalhada olhando para aquele homem que lhe sorria e lhe dizia que estava ali agora, do seu lado, não estava mais sozinha. O homem cujo estraçalhou seu coração, sem nem ao menos saber por que, parecia disposto a concerta-lo aos poucos, de alguma forma.
O pai de seu filho. O homem que mais amou.
E ele estava chegando perto, bem perto com aqueles lábios entreabertos, aqueles olhos letais e aquele cheiro inebriante. Deus.. aquilo era demais para ela. Até que seus narizes se roçaram, alertando a distancia perigosa.
Ele roçou seus lábios nos carnudos dela, podendo sentir ainda os rastros gelados de suas lágrimas. Queria os para si. E os tomou, sem nenhum protesto vindo dela, que agarrou o rosto do moreno com as duas mãos, afundando-as em sua nuca e cabelos.
Até que o ar foi necessário, e separaram-se, mas ela ainda tinha o nariz dele roçando ao seu. Tinha os olhos fechados, respirando fundo. Aproveitando cada sensação daquele momento. Abriu os olhos e se deparou com um par de olhos negros intensos, sedentos por mais.
– Eu.. – retomava a consciência, e engoliu a saliva. – Eu preciso ir. – se afastava aos poucos.
Ele deu um sorrisinho de canto, mantendo o olhar.
– E-eu vou conversar com o Yuri. – pigarreou levemente, e ajeitava o vestido. – Aí, nos falamos. – o olhou nervosa.
Estava completamente nervosa.
Ele meneou positivamente com a cabeça. Vendo-a logo após dizer um fraco e desajeitado adeus e sair desnorteada do bar. Não tinha pressa. Sabia que estava no caminho certo com ela.
E ele sentiu uma felicidade lhe adornar o peito, algo que não sentia há tempos, em pensar nele como pai tendo uma família com Sakura e Yuri. Sorriu consigo mesmo. Os protegeria a qualquer custo.
E realmente devia agradecer a sua rosada, por ela sempre lhe dar as coisas mais importantes de sua vida, as coisas mais valiosas, que ainda o mantinha vivo.
Como o seu amor..
E agora Yuri!
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