Vices
22 Os Homens de sua Vida
Notas iniciais
Sentiu a água gelada lhe envolver todo o corpo, como um manto gélido lhe abraçando, causando um choque térmico em contato de seu corpo quente. O baque foi forte, de ponta cabeça, confirmou, enquanto sentia-se afundar vagarosamente.
Sua mente estava nublada, devido ao golpe de sua cabeça contra a água. Lembrava-se da voz do moreno, enquanto caiam, dizendo para ela prender a respiração e aconteceu muito rápido. Sabia que não havia passado muitos segundos ainda.
Sentiu que havia um corpo colado ao seu, e logo o mesmo começou a se movimentar, lhe trazendo pequenas ondas gélidas por baixo d’água, e então seu pulso foi puxado fortemente.
– ahh... – buscava ar. – Você está bem? – era ele.
Puxava o ar om força, para certificar-se de que realmente estava com a cabeça acima do nível da água.
– S-sim! – disse em meio a um tossido. – E você? – lhe olhou atônita, lembrando-se de que ele é quem deveria ter se machucado. – Suas costas...
– Não temos tempo para isso. – movimentava os braços e as pernas para manter seu rosto e a rosada acima da água. – Logo chegará a polícia. – a agarrou forte na cintura. – Temos de dar o fora daqui.
Sentiu ele começar a nadar rumo à margem do rio, mas ela sabia nadar, sua mente lhe lembrou, e ele provavelmente estava machucado.
– Sasuke, eu sei nadar. – disse vendo ele rolar os olho rapidamente e lhe segurar ainda mais firme, mostrando que não a soltaria.
Suspirou.
Às vezes ele era tão cavalheiro... rolou os olhos.
Não iria discutir com ele. Se ela ainda tinha a adrenalina correndo em seu sangue, acelerando seu coração, imagine ele. E não era muito bom discutir quando o mesmo a tinha em seu corpo ou quando estava possesso de raiva.
Logo já podia sentir a terra lamacenta em seus pés, onde começou a engatinhar até sair totalmente da água, tendo a ajuda do moreno que estava a uns passos a sua frente.
– Vamos achar algum telefone, e avisar os outros que estamos bem. – disse enquanto lhe ajudava a sair da lama do rio.
– Não rola tentar falar com a polícia? – ela chegou a solo firme, tendo a respiração um pouco descompassada.
– Não. – ele coçou o nariz. – Ele tem a polícia daqui no bolso. – olhou para o carro em chamas encima da ponte, enquanto esperava a rosada apertar os cabelos e expelir um pouco da água do rio deles. Resolveu passar a mão no seu, no mesmo objetivo da rosada, e sentiu uma dor forte.
Cerrou os dentes e tentou diminuir a careta que veio automaticamente.
– Viu. Está machucado. – disse ela indo em direção as suas costas, mas ele a parou no meio do caminho, segurando-lhe o pulso.
– Esquece isso. – olhava seriamente para os olhos verdes. Ela tinha pequenas franjas caindo do seu rabo de cavalo, e estavam grudadas em seu rosto. E o verde esmeralda de seus olhos estavam ainda mais brilhantes. – Vamos achar um lugar seguro primeiro. – disse extasiado com a beleza da mulher.
Ela suspirou. Ele tinha razão.
– Ok. – sua voz deu uma falhada, e logo pigarreou.
Olhando naqueles olhos negros, sentia-se uma menina que precisava de proteção. De orientação. E estava se odiando por estar se sentindo assim, por que ela não era uma menininha fraca.
Pegou o braço dele e pôs ao redor de seu ombro, para lhe dar mais sustentação ao caminhar. Ele estava machucado.
Mas ele sempre teria aquela imagem masculina de proteção e vigor ao lado dela. Ela o via assim, ele não tinha culpa. Não tinha culpa de ter um metro e oitenta e cinco de altura, músculos fortes, tronco grosso e trincado e a presença intimidadora.
O ajudava a caminhar naquele gramado seco que o sol estava castigando, e percebeu que ele realmente machucou as costas, pois estava tendo um pouco de dificuldade ao caminhar.
Ele não tinha culpa de ser um cretino que mesmo não demonstrando, se preocupava com sua rosada... rosada... Ele sempre a chamou assim.
O olhou de canto de olho, vendo a perfeição de seu rosto em contraste com o sol escaldante acima deles. Sua respiração forte, seu olhar focado a procura de algum lugar seguro ou algum inimigo.
Estava se sentindo como a anos atrás. Segura...
– Aiêê!!
– Olha! A rosadinha sabe choramingar também! Ahahaha – a risada infantil tomou conta do parque.
Aquele menino estava lhe segurando pelos cabelos, e por ser menor, não o alcançava para lhe dar umas boas porradas!
– Me solta seu desgraçado, pra eu quebrar sua cara! – dizia tentando alcançar com seus bracinhos o menino que lhe segurava por trás.
– Você não é a testa de marquise fortona? Por que não se solta? – o outro menino se pronunciou e mais risadas se ouviu.
– Arghh!! – e continuava a tentar.
Seu pai sempre disse que nunca se deveria desistir, mesmo que na pior.
– Solta ela, agora. – outra voz infantil se pronunciou, as suas costas.
Conhecia muito bem aquela voz, só que não conseguia enxerga-lo, devido estar sendo presa pelos cabelos.
– Se não o que, Uchiha? – disse o menino em desdém.
– Eu vou acabar com vocês... – disse calmo.
Sentiu seu peito bater forte.
Sasuke-kun...
– Eu duvido!
Não poderia se mostrar fraca na frente dele...
– Eu também!
Aportou o punho.
Tinha de ser forte.
– Argh!! – juntou suas forças e foi para trás, ignorando a dor em seus cabelos róseos, e conseguiu empurrar o menino que supostamente tinha uns três anos mais velho que ela, caindo em cima dele.
Todos os meninos ficaram surpresos, e o recém-chegado se pôs a ajudar a menina que estapeava o garoto abaixo de si. Ele bateu nos outros dois, que queriam ajudar o amigo, e por fim, segurou a menina de cabelos róseos que ainda tentava se soltar enquanto estapeava o ar.
– Toma essa, seu bobalhão! Viu como é bom? – se esperneava.
– Para rosada! – o menino que a segurava resmungou. Ela era forte.
– Me deixe bater mais um pouco nesse desgrinido! – via o menino se levantar e sair correndo com os outros.
– Primeiro: é desgranido; e segundo: Quer parar de se espernear? – falava de forma contida, com a as pequenas sobrancelhas negras pesando em seus olhinhos ônix.
Ela bufou e parou. E então percebeu que estava nos braços forte do moreno. Sentiu a face toda ruborizar. Ele tinha bracinhos fininhos, mas para ela eram fortes.
– De-desculpe. – olhou para baixo, tentando disfarçar a face ruborizada.
Ouviu ele suspirar e estralar a língua em *tsk*.
– Você é bem irritante. – fez um beiço manhoso. – Por que se mete com garotos mais velhos? – disfarçou sua preocupação com a menina dos cabelos róseos.
– Bem... – ela olhou para outro lado do chão. – Na verdade foram eles que vieram se meter comigo... – o olhou confusa.
– E por que? – escondia o pulso cerrado no bolso. Estava com raiva daqueles meninos. Daria uma surra mais digna a eles depois.
Ela pensou. Não havia feito nada a eles.
– Não sei... – suspirou. – Mas eu me vinguei! – sorriu satisfeita.
– Se não fosse por mim, não teria conseguido. – disse superior, provocando a rosada, que logo fechou a cara.
– O que disse seu convencido? – tinha um beiço. – Tecnicamente você só me ajudou. – concluiu. – Um pouquinho só. – virou o rosto em superioridade cruzando os braços. – hun!
Ele revirou os olhos.
Seria irritante discutir com ela.
– Vamos. Você não pode chegar atrasada de novo. – virou-se, pondo-se a caminhar
E ela ficou parada, receosa.
Não queria admitir, mas estava com medo daqueles meninos a pegarem sozinha outra vez. Realmente, se não fosse o moreno, ele teria apanhado daqueles moleques. Ela tinha apenas sete anos, e aqueles meninos tinham provavelmente uns dez. Olhou para o chão.
– Eu não vou deixar eles encostarem em você de novo... Sakura.
Sentiu o peito bater forte, e com os olhos levemente arregalados e as bochechas coradas, levantou o olhar para o menino de oito anos a sua frente, com o olhar vacilando nela e na árvore ao seu lado, com as bochechinhas levemente coradas também.
Sua voz foi firme, e decidida. Mas seu rosto demonstrava que foi difícil de falar.
Quando cruzou seu olhar no dele, sentiu suas bochechas ferverem.
Sasuke-kun...
Por fim deu um sorriso envergonhado e correu para o lado de seu protetor, que também deu um mínimo sorriso desajeitado, e, não soube porque, mas sentiu ao lado dele o mesmo que sentia enquanto estava ao lado de seu pai.
Protegida e amada.
Um riso gostoso escapou de seus lábios, enquanto a nostalgia lhe tomava conta de seu corpo.
– O que foi? – ele perguntou lhe olhando de esguelha com a sobrancelha arqueada. – É engraçado estar no meio de nada nesse sol dos infernos? – ironizou, voltando a olhar ao seu redor.
– Não é isso... – terminou o riso, coçando o nariz. – É que eu me lembrei... daquele dia em que você me ajudou contra aqueles meninos da quinta-serie. – pôs seu olhar no horizonte, relembrando cada cena em que viveu ao lado daquele homem, sentindo seu olhar sobre ela.
– Que eu te salvei, você quis dizer. – deu o sorrisinho Uchiha de ser.
Ela revirou os olhos.
– Não. Você me ajudou só, e ponto final. – explicou sem olha-lo.
Ele rolou os olhos, como anos atrás.
– Tá, tá rosada. – virou seu rosto para trás, e viu a ponte logo ser tomada de policiais. – Vamos apressar mais o passo. – tomou a face seria, tentando aumentar o ritmo.
Ela lhe imitou olhando para trás, e logo fez o que ele tinha dito.
...
– Nós estamos bem, relaxa. – via ele falar provavelmente com o ruivo no único orelhão que encontraram depois de caminhar meia hora em um sol de trinta e dois graus, em uma comunidade pequena próxima a rodovia onde estavam. Pelo que entendia, o resto da equipe achavam que eles haviam partido dessa para uma melhor.
– Porra cara! Que susto deu em nós! – ouvia a voz dele, por estar quase que colada no moreno. Ouviu ao que parecer Ino gritar um “Sakura vadia, mais uma dessas e eu te mato com as próprias mãos!” e alguns suspiros aliviados. – Nós vimos o carro em chamas pelo helicóptero, merda! – ele suspirou. – Seus porras!
– Eu sei... – o moreno se escorava na rosada. – Nós vamos alugar um quarto aqui e amanhã daremos um jeito de voltar para casa.
– Pode confirmar o endereço de vocês, Neji confirmou que nossa linha está segura!
– Não confio muito nisso.
Ouviu ele suspirar.
– Tudo bem... – percebeu ele fungar o nariz. – Se está dizendo assim, é por que tem uma saída.... Estamos esperando vocês em Manhanttan. Cuidem-se.
– Pode deixar.
E desligaram.
– Você tem uma saída? – perguntou arqueando a sobrancelha, não muito crente que ele tinha.
– Eu penso durante a noite. – disse apenas, já pondo-se a caminhar com a rosada lhe apoiando.
Ela riu descrente.
– Tá brincando, né? – continuava a fita-lo. E viu que ele iria ignorá-la. Orgulhoso da porra! – Como estão Ino e eles? – mudou de assunto, enquanto atravessavam a rua, rumo a pequena pousada.
– Estão todos bem. Saíram ilesos.
Ela suspirou.
– Ah, que bom. – esfregou a mão no nariz. Apesar de ter sido quente durante o dia, à tardinha já estava com um clima mais fresco.
Entraram no local que anunciava em uma plaquinha precária que alugavam quartos. Aquela região poderia ser de pesca, pensou ela enquanto via vários homens saindo com os equipamentos necessários, onde quem praticava se hospedavam naquelas pousadas humildes.
– Um quarto, por favor. – o moreno se pronunciou quando chegou a pequena recepção do estabelecimento.
– O-oi, sejam bem-vindos. – A mulher tentou ser educada, e ficou meia desconcertada pela beleza do homem a sua frente. – Er... Claro! – sorriu sem jeito.
A rosada arqueou a sobrancelha a olhando entediada.
– Aqui está a chave, quarto número 12 no segundo andar. São quarenta dólares. – sorria sem desgrudar os olhos do moreno.
Ela suspirou e revirou os olhos, vendo o moreno pegar o dinheiro no bolso, que estava molhado, e largar no balcão.
– Desculpe pelo dinheiro. – guardou o restante do bolso da calça.
– Ah, não! Problema nenhum! – sorriu pegando o dinheiro. – Isso acontece seguido por aqui! – apontou com o rosto para alguns dos hospedes saindo para pescar.
O moreno agradeceu em um aceno logo pegando a chave que estava no balcão, já se encaminhando ao corredor que daria acesso aos quartos.
A rosada deu um breve sorriso e se pôs a seguir o moreno, que recusava a ajuda dela para caminhar.
– Ah, o café é servido as seis da manhã! – gritou ela sem jeito, vendo a rosada lhe lançar um sinal positivo ainda de costas.
– Droga. – resmungava ele, subindo o segundo lance de escadas. Ele tinha o braço segurando seu peito até chegar no suposto machucado ao lado das costelas esquerdas.
– Vem, vamos cuidar disso. – disse ignorando a recusa dele e o ajudando a caminhar até o quarto.
O abriu e viu que era aconchegante e bem humilde.
– Senta aí. – lhe indicou a cama, enquanto fechava a porta e se encaminhava ao banheiro, a procura de algum pano e curativos.
Quando voltou viu ele tentando retirar a caminha branca, tendo parado no meio do caminho devido a dor no lado esquerdo. Se aproximou e ajudou, retirando devagar. Viu que tinha sangue.
– Merda Sasuke! – disse ao ver o tamanho da escoriação em suas costas. – Você é um irresponsável, por que não me falou que era grave!
Ele se levantou e foi até o pequeno frigobar, achando um uísque vagabundo. Abriu e o virou em sua garganta.
Musica: Seether, Rise Above This.
– Ei! Volta aqui! – sentia ela lhe puxar de volta para a cama. – Eu preciso te remendar!
Ele virou os olhos.
– Não exagera, Sakura. – sentou na cama e virou mais uma vez.
Ela bufou de raiva, já pegando o algodão que achara no banheiro, tomando a garrafa da mão do moreno e molhando o algodão, tendo o olhar questionado dele.
– Não achei álcool. – disse e aproximou o algodão do corte mais profundo que havia, e ele imediatamente reagiu se arqueando e fazendo uma careta contida. – O que? Você sente dor? – ironizou, vendo ele lhe mandar pro inferno baixinho.
– É que você é delicada igual um coice. – Suspirou ainda sentindo dor enquanto a rosada provavelmente limpava o ferimento, já virando a garrafa mais uma vez.
Ela sorriu debochada com os lábios colados. Ele poderia ter dito que era grave, poderia ter infeccionado. Maldito teimoso...
Pensou revirando os olhos, enquanto se concentrava em limpar aquele ferimento feio. A mão livre segurava o ombro largo dele, para ter mais estabilidade ao limpar, e não ser tão indelicada como ele falava. Olhou de relance para seu rosto, calmo, com as sobrancelhas pesadas devido a dor. E então sentiu o quão quente era o calor que emanava dele.
Suspirou discretamente. Como aquelas costas largas eram lindas até com um rombo? Mordeu o lábio inferior.
Tentador, cretino.
Aquela pose de Badboy enquanto ingeria um álcool no sangue já vira várias vezes, e em todas elas o admirava em o quão bonito ele era até com raiva.
– Está com raiva? – perguntou calma.
– Sim. – ele fungou o nariz.
– Por que? – o olhou rapidamente, logo voltando para o ferimento já quase totalmente limpo.
– Aquele desgraçado fugiu. Não finja que não está com raiva também. – Virou a garrafa mais uma vez.
– É verdade. – disse em fatalidade, entortando um pouco os lábios.
Yuri... Sentiu um nó se formar em sua garganta. Aquele desgraçado não iria atrás dele, não é? Ele tinha de querer apenas ela. Suas sobrancelhas rosas pesaram em seus olhos.
– Eu não vou deixar aquele desgraçado encostar em você e nem no nosso filho.
Ouviu aquelas palavras nostálgicas e levantou o olhar levemente arregalados para a face, agora dura e madura, do homem a sua frente. Ele poderia não ter mais os olhinhos grande e o rosto fofo, mas tinha a mesma determinação e firmeza na voz.
Mordeu levemente o lábio inferior, sentindo uma imensa vontade de chorar, mas lembrou como a menininha também fez a anos atrás: Deu seu melhor sorriso, e confiou profundamente naquele garotinho de olhos negros e rostinho fofo.
– Eu sei que não vai, Sasuke-kun... – disse em um fio de voz, enquanto tentava manter o mesmo sorriso que dera a anos atrás, vendo os lábios finos se repuxarem em um discreto. Tocou o rosto de expressões masculinas e o viu fechar os olhos rapidamente, apreciando o carinho, como um gatinho, ela pensou, soltando um riso pequeno.
– Mas dessa vez... – disse se aproximando, ainda tendo os olhos negros sobre os seus. – Você não vai lutar sozinho.
Ele se perdia nos olhos verdes esmeraldas, tão opostos dos seus, mais que se encaixam perfeitamente com os dele.
Lembrou-se do dia em que teve de deixa-la...
Ele sempre lutou sozinho. Tinha medo de perde-la. E tinha se filho agora.
Sentiu ela sentar em seu colo, de frente para si. Sentiu aquele calor gostoso que seu corpo feminino emanava. Largou a garrafa no chão e agarrou sua cintura com uma mão, enquanto a outra tirava alguns fios rosa de seu rosto.
– Me disseram uma vez... que não se deve ter suas fraquezas no campo de batalha. – disse rouco, vendo os olhos verdes se tornarem curiosos.
– Eu sou sua fraqueza?... – as sobrancelhas rosas pesaram levemente em seus olhos.
Ele deu um mínimo sorriso de canto.
– Sempre foi... – desfez o sorrisinho, lhe olhando profundamente.
– Por isso... me mandou para longe...? – investigava aqueles olhos enigmáticos, tentando achar um furo na barreira impenetrável.
Viu ele desviar o olhar e engolir a saliva, dando um suspiro logo após.
– Eu só posso dizer que eu vou fazer de tudo para que vocês fiquem a salvo. – disse voltando o olhar para si. Viu que tinha angustia e dor ali.
Agarrou seu rosto com as duas mãos e tomou-lhe os lábios, com força, como se ele fosse escapar a qualquer momento. Sentiu algumas lágrimas teimosas caírem, e logo as ignorou sentindo o quanto forte ele lhe correspondia também. Sentia tudo mais forte, seus toques, seu calor. Era nos braços dele que sua alma se aquietava de todos os tormentos.
Odiava aquele destino, que os separaram. Queria saber o porquê, cada detalhe que o mesmo usou para separá-los e tudo o que aconteceu.
Mas no fundo sabia que havia um motivo, um propósito. Tinha de ter, pensava enquanto se separava por falta de ar dos lábios de seu amado, e novamente olhava naqueles olhos hipnotizantes.
– Não me interessa quem te disse isso. – o olhou decidida. – Dessa vez vamos fazer juntos. – enlaçou o pescoço dele com seus braços.
– Por que tem tanta certeza? – ele lhe agarrou na cintura com as duas mãos.
– Por que uma vez me disseram, que se você se unir a suas fraquezas, superá-las, não as esconder, você será ainda mais forte. – sorria minimamente.
O moreno sorriu.
– Ok. Termine esse curativo logo, que eu vou lhe mostrar o que é ser forte. – disse malicioso com seu sorrisinho, dando fim aquela conversa que era desconfortável para ele, já pegando a garrafa ao seu lado e a virando. Viu que ela arregalou levemente os olhos, ficando levemente rubra e emburrada, dizendo que ele sempre estragava o clima.
E depois de remendado, ele a puxou para um banho quente e bem forte, um banho Sasuke Uchiha de ser.
...
Você não confia na rede, ou em mim, Uchiha Sasuke?!
Ass: Hyuuga Neji
– Intimidador. – disse vendo o pequeno bilhete que estava em cima do painel do seu Dodge Challenger, que veio para Miami na carreta.
– Ele rastreou a ligação. – o moreno concluiu amassando o bilhete ainda em mãos. E ainda mandou o carro, concluiu.
– Exatamente. Este é o Neji! – disse ligando o carro. – Agora vamos logo que eu estou morrendo de saudade do meu filho. – disse de forma sofrida. – Nossa, nunca fiquei tanto tempo longe dele. – tinha as sobrancelhas pesadas.
Deu a arrancada no carro, contando os segundos para estar em casa, com seu filho em seus braços. Sim, era uma mãe coruja e pegajosa, mas fazer o que?
– Nunca ficou longe dele? – perguntou o moreno contido. Ainda era estranho perguntar de seu filho para a rosada.
– Bem... – entortou os lábios pensativa. – Nunca. – suspirou. – Eu nunca o deixei ficar longe de mim. – sentiu o coração apertar.
Nunca havia deixado o pequeno sair com os amiguinhos, com a escola, em nada. Apenas quando ela ia junto, o que era raríssimo, já que vivia trabalhando para dar o melhor a ele.
– Também estou com saudades. – se pronunciou um tempo depois, olhando através do vidro a geografia praiana se dissipando aos poucos.
A rosada olhou para a presença masculina, toda largada no banco ao seu lado, desajeitado ao expressar seu sentimento, e sorriu.
E em pouco tempo graças as suas rezas, já se encontrava no trânsito tumultuado de Manhattan. Ela e o moreno falaram mais de Yuri durante a viagem, e viu que como ela, ele também estava ansioso para revê-lo.
– Anda caralho! – e mais uma vez a buzina foi exprimida pela mão feminina.
O moreno a olhou com a sobrancelha arqueada, enquanto estava todo à vontade no banco do carona.
– Eles não vão avançar o sinal vermelho, Sakura.
– Eu to falando com o sinal! – rosnou. – Anda caramba!
O moreno apenas sorriu de lado e voltou a olhar para frente. Não podia julgá-la, também estava ansioso para ver o pequeno.
Quando abriu, a rosada quase atropelou todo mundo. E em poucos minutos chegaram à frente da escolinha onde o pequeno estudava.
Achou a primeira vaga que achou e enfiou o carro ali mesmo, dando uma freada brusca, fazendo o lindo pescoçinho do moreno quase desnucar. Se não fosse ter saído do carro a milhão e abraçar o pequeno que os esperava na calçada, teria rido eternamente da provável cara mortal que ele teria feito.
– Ai, meu amor! Que saudade! – apertava aquele serzinho fofinho e cheiroso, ouvindo alguns gemidos dele abafados devido ele estar espremido em seus braços. – Mamãe ficou tão preocupada! Droga... – sentia duas lágrimas caírem teimosas.
– E-eu ta-mem mamãe. – sentiu ele se apertar ainda mais a si.
– Você está bem? – se afastou olhando cada detalhe de seu rostinho alvo, seu corpo. – Está mais magrinho... – juntou as sobrancelhas em preocupação.
– Manhê... não exagera. – emburrou levemente olhando para os lados, pois mesmo gostando do carinho da mãe, não era bom seus coleguinhas verem. Até que seus olhinhos pararam numa versão maior sua. – Pai! – seus olhos brilharam.
O moreno se abaixou e abraçou o pequeno, tendo um sorriso tenro nos lábios. E se assustou com a forte emoção que lhe tomou, apertando ele ainda mais, pois lembrou da promessa que fez a rosada. Estava preocupado, com saudades e medo, admitiu.
– Que saudades, pequeno. – se afastou sorrindo, logo bagunçando ainda mais seus cabelos.
Ele fechou os olhos apreciando o carinho e ficou levemente corado.
– Que bom que estão bem. – disse envergonhado, dando um abraço duplo em seu pai e sua mãe.
– Oh, meu amor. – a rosada correspondeu, junto de Sasuke, àquele abraço em família tão gostoso que não queria mais sair dali.
...
– Prontinho! – a garçonete largou os pratos na mesa. – Mais alguma coisa? – perguntou educada em um sorriso.
– Não, obrigada! – a rosada respondeu em um sorriso também.
– Qualquer coisa, é só chamar! – se retirou.
– Huun, isso tá muito bom. – abocanhou o pedaço de carne.
– Sim, é um leãozinho carnívoro. – disse a rosada carinhosa, gerando uma careta no pequeno. Por que sua mãe tinha a mania de lhe comparar com bichinhos?
– Sim, igual o pai. – disse o moreno malicioso, enquanto enfiava o garfo cheio na boca, vendo os olhos verdes pararem nos seus surpresos nos seus, e logo se tornarem irritados, já que ela ficou levemente rubra.
Ela adorava aquele restaurante, já tinha ido ali várias vezes com a loira e o pequeno e achou que seria uma boa escolha para um almoço em família.
– Hoje vou trabalhar. – largou a rosada, fazendo o moreno parar com o garfo no ar, e lhe olhar curioso. – Eu fiz uma entrevista semana passada em um restaurante bem chique e eles me aceitaram! – disse empolgada, mandando uma garfada e esperando a reação que o moreno faria, mas ele se manteve sério, devolvendo o garfo pra o prato.
– Já disse que não precisa trabalhar. – disse contido, limpando a boca com o pequeno guardanapo. Não queria brigar na frente de Yuri.
– Eu sei, e eu já disse que eu vou igual. – sorriu com os lábios colados, desafiando o Uchiha, dando por assunto acabado, voltando a atenção para sua refeição.
Mesmo que ele fosse bilionário, o que ela não sabia nem se era e no que ele ganhava remuneração, ela não ficaria parada dependendo de homem. Jamais!
Sim, neste quesito ela era orgulhosa mesmo.
Depois da refeição, passaram na casa de Tsunade para pegar os pertences do pequeno. A loira de cara esmagou a rosada em um abraço, dizendo que estava preocupada, lhe dando logo um sermão, pois ela já tinha conhecimento de todo o ocorrido.
A loira também disse que o caso ganhou mais testemunhas e provas, e que o japonês ficaria mais cauteloso e que não iria mover seus pauzinhos tão cedo. Mas ainda assim, ela se sentia receosa. E o moreno ainda mais nervoso por cada olhar que a loira lhe lançava, já que ela sabia de toda a verdade e agradecia por ela não contar a rosada.
Ela agradeceu a loira pela quinquagésima vez, nem sabia como contar, e depois voltaram para o apartamento do moreno, que estava limpo e impecável como sempre.
Deixa eu e Yuri ficar aqui uma semana para ver, pensou ela sorrindo maleficamente em sua mente, já que ele detestava muita bagunça.
Com a ajuda do moreno, guardou os pertences do pequeno, seus e dele mesmo, que estavam no carro. E enquanto o pequeno tomava banho, ela foi trocar o curativo dele, agora com os materiais adequados.
– Aquela nossa cena deve ter sido incrível. – disse retirando a gaze antiga, já pegando um algodão e molhando da água oxigenada.
Ele rolou os olhos enquanto escorava os cotovelos nos joelhos.
– Sim, poderia ter sido uma morte incrível também.
– Não seja estraga prazeres, ok? – o olhou entediada, voltando sua atenção no que estava fazendo, aproximando o algodão de suas escoriações para limpar.
Ele suspirou, ignorando a dor.
– Você sempre acaba se machucando por minha causa... – ela pensou alto, enquanto limpava, ganhando os olhos dele para si.
Até que soltou uma risada, parando o que estava fazendo.
Ele suspirou.
– O que foi dessa vez? – perguntou calmo e meio entediado.
– Lembra quando você apanhou daquela senhorinha que queria me matar por ter quebrado a vitrine dela com a bola? – não aguentou e riu novamente, enquanto o moreno apenas voltou o olhar para o nada emburrado. – Foi hilário!
– Tá, tá rosada, termina isso logo. – fez bico, lembrando a queimação de filme que foi.
A rosada foi tirar mais sarro com a cara dele, mas foi interrompida por uma exclamação infantil de espanto. Era Yuri olhando o ferimento de Sasuke da porta.
– V-você se machucou...? – suas sobrancelhinhas negras pesavam sobre os olhos preocupados.
– Ah... – procurou uma resposta. Ainda não sabia lidar com crianças. – Isso, não é nada. – deu um sorriso de lado. E era verdade, já havia ficado em estados piores.
Ele olhou para sua mãe, em busca de uma confirmação.
– Seu pai é de ferro, meu filho! – tacou-lhe o algodão no Uchiha, que retraiu os músculos minimamente e conteve a careta de dor. Mataria ela depois. – Ele já até levou um tiro sabia? – voltou sua atenção ao ferimento.
Sakura inconveniente, ele pensou num suspiro.
– Um... tiro? – olhou para o pai abismado. – Por que? – se aproximou dos pais, sentando ao lado do moreno.
– Por que a sua mãe é uma marrentinha. – sorriu irônico de lábios colados, lhe fitando. E ela apertou mais forte o algodão, fazendo o sorriso virar uma mini careta.
– Mas somos homens, não é pai. – deu o sorriso Uchiha de ser, junto de seu progenitor que ficou orgulhoso.
A rosada revirou os olhos com um meio sorriso.
Pronto, tinha dois Uchihas agora!
Chamo seu nome todos os dias
Quando me sinto tão indefeso
Estou caído, mas vou renascer sobre isso
Rise Above This, Seether.
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