Vices
23 O início de um Pai de Família
Notas iniciais
– Vamos logo! Se não vai se atrasar para a aulinha de Karatê! – apressava o pequeno que arrumava sua mochilinha desengonçadamente, olhando no seu relógio de pulso.
Viu o moreno aparecer no corredor e passar por si, provavelmente para colocar a roupa suja para lavar. E o cheiro incrivelmente bom de sabonete masculino marcaram seu rastro, fazendo a rosada suspirar inebriada com o cheiro amadeirado dele.
– É longe daqui? – apareceu ele ao seu lado, arrumando a gola de sua camisa polo negra. Referiu-se a escolinha de Karatê.
– Não. – respondeu, vendo que aquela camisa destacava os músculos grossos dos braços do moreno. Mordeu o lábio inferior desviando o olhar. Sasuke tinha veias proeminentes, a mesma adorava as delinear com os dedos, e toda certeza achava aquele detalhe incrivelmente sexy nos homens. Ainda mais naquele, como diria ino, Deus grego esculpido por anjos e talhado de gostosura e sedução.
– Pronto! – o pequeno surgiu um pouco ofegante. – Atrasei muito? – perguntou com aqueles olhões negros e fofinhos.
– Na hora. – disse sorrindo, colocando a mão em suas costas, para lhe acompanhar até a porta.
No caminho, o pequeno contava animado sobre os golpes que aprendeu e estava aprendendo, enquanto o moreno, que mesmo dirigindo, estava interessado no que o pequeno falava. Sorriu. Era incrível como os dois já se davam tão bem.
– Yuri! Meu número um! – gritava o treinador. – O fogo da juventude está querendo sair dai de dentro, estou sentindo!
Yuri sorriu amarelo. Já que sabia que seu sensei era meio louco, mas seus pais não, nem sua mãe, pela cara que ela estava fazendo, já que a mesma apenas o largava ali e saia para voltar a trabalhar.
– Oi Gai-sensei. – manteve o sorrisinho. – Estes são meus pais. – apresentou-os com satisfação, com orgulho.
– Olá progenitores deste pequeno menino! – sorria abertamente.
– O-oi. – a rosada sorriu amarelo. Aquele cara era muito estranho.
– Olá.
– Nossa, você é alto e forte! – o sensei avaliava o moreno. – Pela sua posição rígida e músculos de treinamento avançado, creio que foi do exército, soldado! – bateu continência de formal teatral.
E o moreno engoliu seco.
– Aposto que sabe umas técnicas de combate corpo a corpo incríveis! – estava animado.
A rosada o olhou desconfiada. Sua sobrancelha inclinada mostrava isso. Ela queria respostas, respostas sobre o que aquele maluco lunático estava falando, e se ele estava falando a verdade.
– Er... Não sei do que está falando. – manteve a postura rígida.
– Qual é rapaz! – segurou-lhe o ombro. – Eu conheço um soldado de longe! – e sorriu mais uma vez.
Sasuke retirou a mão dele de seu ombro, lhe olhando emburrado. Esse lunático não iria estragar seus planos.
– Cuide de meu filho! – deu um pequeno aceno para o pequeno, que até então estava ouvindo tudo calado e curioso, igual sua mãe, e girou os calcanhares para sair logo dali.
– Ahn, er... Filho se comporte! – deu um rápido beijo em sua testa. – Seu pai irá te buscar tá bem? – e saiu correndo atrás do moreno.
Abriu a porta que dava acesso a rua, e o viu encostado no carro.
– O que foi que aconteceu lá? – perguntou cruzando os braços.
– Não gostei dele. – disse simplesmente enquanto olhava a rua entediado, com as mãos nos bolsos.
– Por quê? Só por que ele disse coisas que você não queria que eu ouvisse? – arqueou a sobrancelha inquisitiva.
– Vamos logo, Sakura. – disse em um bufo. – Eles devem estar nos esperando na oficina. – disse abrindo a porta do carro.
Ela não iria deixar por acabado, mas alguém lhe chamou.
– Sakura? – ouviu uma voz feminina.
Virou o rosto no sentido da voz que lhe chamava, e viu Nikkie, a mãe de um dos coleguinhas de Karatê do seu pequeno.
– Ah, Nikkie! – a cumprimentou. – Como vai? – forçadamente.
Odiava aquela mulher. Era mesquinha, fútil e adorava jogar, mesmo que indiretamente, na cara da rosada que a mesma era mãe solteira e que não tinha sorte na cerreira profissional.
– Tudo ótimo e você? – sorriu falsamente, logo tendo a atenção prendida em um moreno incrivelmente atraente segurando a porta do carro. – Oi... – mudou para uma voz sensual. – Quem é seu amigo Sakura? – sorriu enrolando uma mecha de cabelo no dedo.
Atirada. Vadia.
– É o pai do meu filho. – Sorriu superior, achando engraçada a mínima cara de espanto dela.
– Ah. – ela disfarçou. – São idênticos mesmo. – Se aproximou do moreno lhe entendendo a mão. – Sou Nikkie Nebuss.
– Sasuke. – apertou a mão dela por apenas educação.
– Sabe eu sei como é ter um filho estando separada da pessoa. É complicado mas da certo.
Vagabunda, cramunhão de tetas! Ela sabia o caramba, era casada! Estava mais se jogando pra cima do Uchiha e mais uma vez querendo lhe jogar coisas na cara, mas era a rosada que iria jogar caminhão naquela cara azeda.
– Mas nós não estamos separados.
Toma vadia, na sua cara! Sem eu fazer nada!
– Não? – ficou confusa. – Mas Sakura era-
– Já acabou querida? – a rosada sorria falso, enquanto se aproximava do moreno. – Sabe, queria muito ir pra nossa casa ter uma noite de amor igual uma cadela no cio, com o meu lobão aqui. – forçou uma risadinha safada. Sabia que ela era mal comida pelo marido, morreria de inveja.
O moreno sacou a jogada e apenas olhou para a rosada, sorrindo malicioso, entrando no jogo dela.
– Exatamente. – se virou para ela, lhe agarrando a cintura a assustando um pouco. – Vou te pegar de quatro e vamos aprender todo o processo de reprodução dos mamíferos de uma forma bem gostosa... lenta... – apertou a cintura da rosada, lhe trazendo mais para seu corpo. – Depois eu te lambo e te chupo todinha meu amor! – sorriu com a cara rubra da rosada, e ainda mais com a cara de espanto da mulher. – Te faço ter o orgasmo do século apenas com essa linguinha nervosa aqui. – lambeu a boca dela de forma sensual. — Quer se juntar a nós, lindinha? – perguntou sem vergonha na cara nenhuma à mulher.
– Er... n-não obrigada, e-eu tenho que ir. – virou-se apressada.- T-tchau Sakura, prazer S-sasuke! – e saiu praticamente correndo.
– Você ta maluco? – disse dando um soco em seu peitoral, vendo ele apenas sorrir daquela forma cretina. – Seu, seu-
– Gostoso? Desejo de todas as vaginas femininas? – arqueou a sobrancelha convencido, indo ao ouvido da rosada. – Além dela, aposto que você também molhou toda a calcinha amor. – disse rouco.
E ganhou mais uns tapas.
– Ela é uma fofoqueira, vai dizer para as outras mães que além de mãe solteira sou uma depravada que faz suruba! – mais uns tapas. – Seu cretino! – grunhiu de raiva.
– Você que começou com “sexo selvagem da cadela no cio”! – se defendeu sorrindo sínico.
– Eu só queria esfregar na cara daquela bruaca mal comida, que o pai do meu filho é um gostosão e – se calou, vendo que elevaria ainda mais o ego daquele ser cretino e seu sorrisinho. – Argh, vai pro inferno! – o empurrou igual o Kiko, do chaves, indo bufando para o outro lado do carro.
Ele apenas sorriu ainda mais, entrando no carro.
...
– SUA, SUA.... ARGH! NÃO ACHO ARGUMENTOS PARA TE XINGAR SUA VACA DE CABELO ROSA! – Ino chorava abraçada à rosada.
– Bem, acabou de achar. – disse num suspiro. Ino estava grávida, logo sentimental, logo desabaria chorando em seu ombro por qualquer coisa como estava fazendo agora. – Agora vamos nos acalmar, ok? Estou aqui. – disse desfazendo o abraço e pegando seu delicado rosto com a mão.
– T-tá bem! – disse fungando igual uma criança. Revirou os olhos e sorriu, abraçando a amiga de lado.
– Oi pessoal. – enfim pode cumprimentar os outros, recebendo resposta de Gaara, Neji e Tenten.
– Nos deram um susto mesmo. – disse rebatendo a mão do moreno, que lhe cumprimentada daquela forma.
– Recebeu meu bilhete, Sasuke? – O cabeludo perguntou, enquanto digitava freneticamente no computador.
O moreno deu uma risada nasal.
– Respondendo sua pergunta, não confio muito nos dois. – o provocou, vendo o mesmo apenas revirar os olhos.
– Você que é um pé no saco anti-tecnologia. – respondeu com humor.
– Alguma pista do nosso político fofinho? – perguntou a rosada, vendo a loira parar de chorar.
– Ele simplesmente sumiu do mapa. – a de coques respondeu.
– Apagou todos os rastros. – explicou o cabeludo. – E eu estou aqui procurando os furos sempre deixados por esses hackers amadores. – suspirou em fatalidade.
– Você vai conseguir. – a rosada o incentivou. – É um gênio.
– Obrigado Sakura. – agradeceu simpático, lhe olhando rapidamente.
– Seu carro, está ali nos fundos.- o ruivo disse ao moreno. – Chave no pneu.
– Todo seu! – viu o ruivo lhe olhar confuso. – Tenho minha moto. – explicou.
– Valeu. – disse dando um mínimo sorriso de canto. – O que acha de tomar umas a noite, aqui na oficina? – colocou as mãos nos bolsos. – Naruto está louco pra ver vocês e disse que hoje iria conseguir uma brecha do escritório.
– Sakura vai trabalhar hoje. – disse olhando rapidamente para a rosada, que conversava serio com a loira. Provavelmente da gravidez.
– Tá, então vem você e o Yuri! – Seguiu o olhar dele. Era estranho ver as duas sérias.
– Bem, vou ver com ele. – virou-se para ele novamente, e suspirou em pensamento, o vendo admirar a loira lá atrás. Ele iria cometer o mesmo erro que ele se continuasse daquele jeito.
– Fecho então. – viu ele voltar a atenção para si.
Ficaram alguns minutos a mais conversando, e enquanto tomava uma Corona com o ruivo viu que Sakura agora não parava de falar do novo emprego para a loira. Estava animada, falando sobre sapatos, roupas, e algo que ele não soube identificar.
Mulheres. Revirou os olhos virando mais uma vez a garrafa.
Ela não precisava trabalhar. Tsk, irritante.
– Sasuke, vamos. – tirou sua atenção da garrafa para a mulher que se teletransportou para o seu lado. – Tenho que me preparar parar meu primeiro dia!
Ele suspirou a olhando.
Vê se pode: Sasuke Uchiha de coleira.
– Você tem quatro horas para se preparar ainda. – debochou, virando mais uma vez.
Ela bufou.
– Só duas vou levar fazendo uma maquiagem descente, sabe por que? – disse já agarrando o braço do moreno, o fazendo levantar do banquinho que estava sentado. – Por que eu sou Sakura Haruno e não a Paris Hilton! Anda logo! – tinha os dentes cerrados.
O ruivo, que estava a sua frente, riu da situação com sua garrafa na mão. Era engraçado o homenzarrão ali receber ordens de uma mulher. Não que fosse machista, só um pouquinho, mas era hilário ver um homem apaixonado de coleirinha. Riu mais uma vez, mas seu sorriso ficou torto ao ver uma loira.
O moreno bufou revirando os olhos, virando o resto que havia na garrafa direto para a garganta, largando a garrafa logo após numa mesinha que havia mais duas garrafas vazias.
– Eu te aviso se vier. – disse ao ruivo, e se irritou ao vê-lo rindo de sua cara.
– Pode deixar! – disse sorrindo, e virando sua garrafa.
Bufou mais uma vez, ouvindo a rosada o mandando se apressar, já ao lado do Dodge.
– Já vai Paris Hilton!
– Anda logo cretino! – já entrava no carro.
A morena de coques que também tinha uma corona na mão, apenas riu com a loira ao seu lado.
– Esses dois não existem. – disse.
...
– Casou com a privada Sakura? – perguntava do sofá, já irritado pela demora da mesma no seu banho rápido. Estava tirando algumas pluminhas que ficaram em sua camiseta preta enquanto isso. Pluminhas e roupas de Sasuke era contra natureza, e ele estava as eliminando.
– Vai a merda! – ouviu a resposta abafada. E ele olhou para a porta do banheiro entediado.
– Eu juro que se não sair daí em um minuto, eu vou colocar essa porta abaixo!
– E eu juro que se eu borrar o meu rímel por sua causa, eu vou ir aí e fazer uma aula de anatomia com o seu corpo!
Ele sorriu malicioso.
– Gostei da ideia. Comece pelo órgão sexual masculino, por favor. – a provocou.
Ouviu ela grunhir de raiva, e resmungar que a sorte dele que não borrou.
O rímel, seria a última parte da maquiagem não?
Bem ele não sabia dessas coisas. Coçou a bochecha sentindo sua barba começar a das as caras outra vez.
– Vou contar até três. – advertiu como se estivesse falando com uma criança.
Ouviu a porta ser aberta. Aleluia, pensou.
– 1,2,3 Baba seu cretino! – disse toda sensual no batente da porta.
Iria rir da cara dela, se ela não estive com uma sandália de couro, salto alto, com uma tira de couro ao meio de seus pés delicados, e por fim contornando seus belos tornozelos. Uma saia de couro de cintura alta, comportada, mas que marcavam as belas curvas que a rosada tinha, e supostamente o bumbum redondinho e durinho dela. Uma blusa de cetim cor vinho em decote V, decote perigoso ressaltou, por baixo de um blazer negro que acentuava a cintura delgada dela.
Subiu para seu rosto e viu o mesmo bem maquiado, bom não entendia de maquiagem, mas aquele preto envolto de seus olhos, que não era muito forte, ressaltou os olhos verdes. Os deixaram sexy, pensou. A boca então, ele suspirou, um batom vinho estava ali, delineando perfeitamente aquela boquinha o chamando desesperadamente para borrá-lo todinho.
Finalizando, com cabelo solto todo ondulando, dando contraste naquela cor escura do blazer, Sakura se encaixaria perfeitamente na secretária de seus sonhos eróticos.
– Vai ir trabalhar, ou fazer o papel de uma secretária gostosona em um filme pornô? – arqueou a sobrancelha divertido, a provocando. Ela estava terrivelmente gostosa. – Só faltou um óculos, amor. – gesticulou com as mãos.
– Apesar disso ser um elogio vindo de você, seu tarado duma figa, vai se ferrar Sasuke! – disse com todo ódio contido. – Preciso da sua opinião! Opinião séria! – gesticulou ao seu look mais uma vez, o olhando ansiosa.
– Gostosa. – disse simples.
Ela grunhiu em raiva revirando os olhos.
– Esquece! E eu ainda acho que você vai me ajudar!
– Não sou mulher, sou homem. Espere sempre isso de mim. – disse obvio.
– Argh! – grunhiu mais uma vez indo ao seu quarto, onde a mesma voltou com uma pequena bolsa. – Estou levando o celular, qualquer coisa mande mensagem, quando der vou responder. Em caso de emergência, coisa que eu espero não acontecer, ligue para o restaurante. Não deixe Yuri comer besteiras a noite, como sorvetes, salgadinhos, etc. – via ela colocando o celular na bolsa, a carteira. – Faço o dormir as oito, senão ele vai se atrasar no outro dia para ir à escola. E o mais importante... – o olhou acusativa, lhe apontando o dedo. – Seja um pai responsável, está me ouvindo Sasuke Uchiha!
Ele levantou as mãos em defesa, levantando-se do sofá indo de encontro a ela.
– O que acha que eu vou fazer com nosso filho?
Ela apertou ainda mais os olhos.
– Eu sei muito bem o que você poderia fazer. – socou mais algumas coisas para dentro da bolsa. – Volto à meia noite.
– Não vai rolar nenhuma selvageria antes de ir? – se aproximou ainda mais como um gato sorrateiro.
– Nem vem amorzinho. – ela lhe parou com a mão no peito. – Eu sei muito bem que o que eu levei horas para fazer, você estragaria em segundos. – ele sorriu de canto. – Então até depois. – sorriu sínica.
– Você vai ser castigada depois, amorzinho. – a acompanhou até a porta, se escorando no batente da mesma.
– Sim, você é um cretino mimado. – virou-se rapidamente para ele, e nesse tempo ele lhe tacou-lhe um beijo roubado. Ela correspondeu no susto, mas logo tratou se parar. – Meu batom, seu porra! – deu um tapa em seu braço, vendo ele sorrir satisfeito com a boca manchada de batom. – Sua sorte é que eu tenho na bolsa. – Virou-se para ir, mas sentiu ele lhe segurar o pulso. – O que foi agora?
– Tome cuidado. – ele estava serio agora. Quase suplicante.
– Pode deixar. – sorriu minimamente.
– E não me troque por um ricaço. – tomou a face sínica outra vez.
Ela revirou os olhos e lhe mandou ir a merda.
...
– Segura firme ai grandão. – disse ao pequeno que acabara de subir em sua moto, todo empolgado. Tecnicamente ele não teria culpa em ir buscar o pequeno no Karatê de moto, já que a rosada foi com seu carro para o trabalho e sobrou a moto. Então, livre de culpa.
– Nossa, que legal pai! Estou numa RR! – disse abafado devido ao capacete. – Er... a mamãe não vai ficar brava? – ele perguntou já imaginando a fúria de sua mãe.
– Bem... – ele pensou, já retirando o pezinho da moto, para começar a andar. – Um pouquinho. – sorriu para ele embaixo do capacete, já acelerando a moto, se dirigindo a oficina, já que o pequeno concordou em ir lá.
No caminho, não foi correndo, apesar do pequeno pedir para ir mais rápido! Já estava infringindo umas das regras da rosada, então seguiria a de pai responsável. Viu que ele estava empolgado, perguntando coisas sobre a moto, e se impressionou com o conhecimento que ele tinha. Sorriu de canto. Era seu garoto afinal.
Quando chegou à frente da oficina, estacionou à frente da mesma. Ajudou o pequeno descer, e gesticulou que levava seu capacete, mas ele negou com um sorriso, mostrando que levaria o seu sozinho. Sorriu mais uma vez. Há cada tempo mais que passava com o pequeno, via que ele realmente havia muito de si e da rosada, era o perfeito híbrido dos dois.
Retirou as luvas, que sempre colocava para andar de moto, ressaltando que tinha de comprar uma para o pequeno assim que fosse ao centro da cidade, e abriu a porta lateral da oficina.
– E aí seus cuzões! – viu uma cabeleira loira se levantar e sorrir abertamente, vendo o Sasuke e o Sasukezinho entrar. – Ué, cadê a Sakura-chan? – juntou as sobrancelhas em confusão.
– Trabalhando. – forçou-se a dizer largando seu capacete, mesmo que essa palavra saísse desagradável a ele. Percebeu o pequeno lhe imitar, largando a capacete no mesmo lugar.
– Mas hein? – confundiu mais ainda.
– Alguém precisa trabalhar né seu idiota. – o ruivo se pronunciou antes de ingerir mais álcool da garrafa.
– Ainda bebendo? – o moreno perguntou divertido. – Vai entrar em coma daqui a pouco. – Disse sentando-se no sofá que era do escritório, mas que provavelmente eles arrastaram até o meio da oficina.
– Sabe que eu não me entrego fácil!
– E aí temezinho! – o loiro bagunçou os cabelos do pequeno, enquanto o mesmo se sentava ao lado do pai.
– Oi. – disse emburrado pela atitude dele.
– Com saudade do tio aqui? – sorriu sentando-se novamente.
– Não. – respondeu com a sinceridade de uma criança, causando risos nos outros dois presentes.
– Sim, né. Eu fiquei em Manhattan justamente pra ficar de olho em você por que seu pai pediu, seu ingrato! – fingiu estar bravo.
O pequeno sorriu e olhos confuso para o moreno.
– Não confiava muito na Tsunade. – respondeu a pergunta silenciosa do pequeno.
– Tá, mas no tio Naruto? – perguntou um pouco surpreso.
– Hein?! Assim você tá me ofendendo! – o olhou emburrado.
– Ele pode ser um idiota, perdedor, mas não iria deixar nada te acontecer. – respondeu sincero com um sorriso de lado para o pequeno.
– Sim. – olhou para o loiro sorrindo. – Ele cuidou bem da mamãe enquanto você não voltava. – seu sorriso ficou tímido agora, e desviou o olhar.
– Ah, eu também te amo seu temezinho! – se levantou e agarrou o pequeno nos braços.
– Ai, me solta tio Naruto! – resmungava.
– Você é marrento igual seu pai, mas eu te amo do mesmo jeito! – começou a fazer cosquinhas.
– Ai! –gargalhava. – Para!
O moreno sorriu afeiçoado com a cena. De fato, tinha muito o que agradecer ao loiro. Veio do Japão com a rosada com a desculpa de abrir uma filial aqui, mas no fundo ele veio a seu pedido. Sabia que ele não negaria. Não negaria de tomar conta da rosada por ele. Logo, seu filho também.
– Eu vou te dar um golpe fatal se não parar! – disse com humor, vendo o loiro o provocar ainda mais.
– Seu filho é uma peça. – ouviu o ruivo se pronunciar, enquanto bebia sua cerveja. – Sempre foi um ótimo menino.
O moreno sorriu o agradecendo pelo elogio de alguma forma.
– Não pensa em ter filhos também? – largou para ele de surpresa, lógico, com discrição. Viu que ele parou de virar a garrafa e ficar pensativo.
– Eu... não sei. – olhou para o chão. – É... meio complicado. – deu um sorriso torto virando a garrafa mais uma vez.
– Eu também pensava que era... – olhou para o pequeno dando um mata leão em Naruto, e ele deixando, dizendo que se rendia por que seu oponente era muito forte.
– Apesar dessa conversa estar se tornando coisa de maricas... – e suspirou. – Qual é a sensação Sasuke? – olhou para ele, e viu que estava confuso. Sabia que ele se referiu à ser pai.
– Eu... não sei explicar. – sorriu minimamente de lado. – É como se você... estivesse cuidando e protegendo de... uma parte de você. – disse confuso com as próprias palavras.
– Vem cá, e fica molengão que nem você tá também? – o provocou bebendo mais.
– Vai pro inferno! – revirou os olhos.
Viu ele lhe oferecer uma corona, mas recusou.
– Ué? – o olhou confuso.
– Você vira mais responsável também. – o olhou azedo.
O ruivo riu.
– Não acredito. – guardou a cerveja no isopor. – Isso chama-se coleira, meu caro amigo. – o provocou.
O moreno bufou.
– Sabe, eu vou rir da sua cara da mesma forma que você. – sorriu sínico vendo o ruivo juntar as sobrancelhas em deboche.
– E por que? Não tenho filho nem namorada para me colocar coleirinha.
– Certeza? – apertou os olhos sínico.
– Gente, estamos com fome! – Naruto se manifestou.
– Pizza! – o pequeno exclamou.
– É assim que se fala! – fez um rebate de mãos com ele.
Depois de mandar Sasuke se foder, pegou o telefone e pediu a maior pizza da cidade.
...
Nossa! O dia foi realmente cansativo, pensava ela enquanto entrava em seu carro. A sorte era que a mulher que trabalhava com ela, na recepção, era meiga e muito simpática, a ajudando em tudo. Além de linda com aqueles olhos perolados.
Verificou mais uma vez o celular, e apenas tinha recebido uma mensagem do moreno, dizendo que eles iram na oficina. Suspirou lembrando da burrada de sair com seu carro, por que provavelmente ele foi buscar Yuri de moto.
– Ai mãe, agora entendo a senhora. – sentiu um frio na barriga. – Desculpe por achar que isso era besteira e por não acreditar quando você dizia que só quando eu fosse mãe eu entenderia!
Apesar do drama, sabia que por mais irresponsável que Sasuke fosse, ele não iria fazer alguma besteira.
Deu logo a partida no carro, pois já estava com saudades de seus dois homens.
Não demorou muito, pois era meia noite de segunda-feira. Só nos finais de semana a essa hora o trânsito era infernal.
Abriu a porta do apartamento vagarosamente, já que ouvia apenas o barulho da televisão ligada, sem nenhuma luz ligada. Olhou para a sala a sua frente e deu o sorriso mais terno que já pudera dar.
Estavam ali, seus dois homens dormindo apenas de cuecas, box como dizia o pequeno, deitados em um colchão que o moreno provavelmente colocou para olharem televisão deitados na sala. Bem juntinhos e tão fofos.
Teria que tirar uma foto, pensou ainda tocada pela cena.
Fechou a porta atrás de si, fazendo o mínimo de barulho possível, pegando seu celular rapidamente.
– Nem pense em fazer isso.
Olhou surpresa para o moreno que lhe olhava com um olhar mortal. Droga! Por que mesmo ele tinha que acordar justo agora?
– Por que você não cala a boca e volta a dormir? – Deu a sugestão sorrindo irônica.
Ouviu ele sorrir pelo nariz, e levantar minimamente apoiando-se em seu cotovelo esquerdo para lhe fitar melhor.
– E por que você não tira logo essa fantasia de secretária sexy de uma vez e vem logo se deitar com seus amores, hun? – olhando daquela forma, Sasuke parecia um ser fofo sem malicia.
Só que não! Ralhou com sua mente, sorrindo de lado enquanto revirava os olhos.
Entrou no banheiro para tomar uma ducha relaxante e se preparar para dormir. O que era aquele tronco trincado só de cueca? Jesus. Seu filho está lá, nada de gracinhas, pensava para si e pelo moreno também.
Colocou um baby doll bem comportado, o mais confortável que tinha e saiu voando do banheiro. Estava louca por uma cama, uma noite de sonhos, junto de seus dois homenzinhos que amava tanto.
– Ai, estou tão cansada! – disse deitando-se fitando seu pequeno que estava ao meio dos dois. Acariciou seus cabelinhos negros e deu-lhe um beijo casto na testa, sentido amor no peito.
– Mamãe... – viu os olhinhos dele se abrirem minimamente. – Até que enfim... – sua vozinha era rouca.
– Oi meu amor. – acariciou ainda mais seus cabelos lhe olhando terna. – Como sabia que era eu?
– Papai não tem cheirinho de morangos.
– Own meu amor... – deu mais um, não, vários beijinhos naquele serzinho que amava tanto, ouvindo ele resmungar mas sabia que ele gostava. Sasuke via tudo com um sorriso tenro nos lábios.
– Pode voltar a dormir. – disse vendo-o se aninhar entre os dois e voltar a dormir. Olhou mais acima e viu o moreno sorrindo.
– Oi. – o cumprimentou devidamente passando a mão em seus cabelos, assim como fez em Yuri. Viu ele fechar os olhos aproveitando o carinho.
– Agora sei como Yuri se sente. – Sorriu fazendo-a sorrir também, mantendo os olhos fechados. – É muito bom.
A rosada riu baixinho, vendo ele parecer um gatinho.
– Se comportaram? – arqueou as sobrancelhas.
– Sim. – disse abrindo os olhos, mesmo ainda recebendo carinho da rosada.
– O que comeram?
– Pizza.
Ela riu mais uma vez.
– Muito ou pouco?
– Muito. – suspirou sentindo seu corpo relaxando ainda mais com o carinho. Estava extasiado.
– Sabe, estamos entrando na rotina de uma família normal e estou feliz com isso, apesar dos apesares. — disse em um sorriso sincero.
– Eu também. — lhe sorriu de canto. — O que eu prometi, eu irei cumprir Sakura. — lhe olhou terno, vendo ela sorrir ainda mais. Ela continuou aquele carinho maravilhoso que somente as mãos de uma mãe poderiam fazer, e sentiu-se ronronar.
– Você parece um gatinho indefeso assim. Nada parecido com aquele que tenta me atacar o dia todo. – disse mais baixo, soltando uma risada controlada.
Ouviu ele sorrir pelo nariz.
– Seu castigo vira, meu amor. Aguarde. – disse sorrindo e virando-se para ela e Yuri, os abraçando e se aninhando a eles, sabendo que aquela seria uma das melhores noites que já dormira na vida.
Bem juntinho de suas coisas mais preciosas.
No mundo inteiro, você tem que espalhar a notícia
Diga a eles o que você ouviu
Você sabe que tudo vai estar bem
All Around the World, Oasis.
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