Vices

4 Lembranças


Notas iniciais
Nyah! Desculpem a demora!

Volta as aulas e autora aqui sem criatividade, hehe :D
Bem , mas chegou!
E queria muito agradecer a Dona e a Priy Taisho pelos Reviews! Este cap é dedicado á vocês! *-*

Boa Leitura!

Sasuke..

Ele mantinha a postura rígida e também a arma em punho, que saia pequenas fumaças da mesma. O peito largo e másculo subia e descia pesadamente. Os cabelos cor de ébanos ainda eram bagunçados como lembrava. Estava mais alto, mais másculo, e ainda mais sedutor com aquele macacão de motociclista negro com cinza, que definia os largos ombros, os largos braços, o largo troco, as pernas torneadas, tudo, tudo era um conjunto de perfeição em carne e osso. A pele alva em contraste com a noite, junto dos lábios finos entreabertos, eram extremamente convidativos e tentadores.

E por fim.. os olhos. Ao vê-los seu coração falhou uma batida. O ar lhe falhou e tudo ao redor sumiu. Os olhos negros e penetrantes estavam sobre si. Sondando-a. Aprisionando-a em um negror profundo frio e ao mesmo tempo aquecedor. Aqueles que sentira tanta falta, que sondavam-na em seus sonhos, aqueles que realmente revelavam sua alma.

Sentiu vontade de chorar, de gritar, de sorrir, pular em seus braços, de dar-lhe um soco, tudo ao mesmo tempo. Seu corpo estava em um turbilhão de sentimentos, e a única coisa que conseguia fazer era manter-se na sustentação daquele intenso olhar que tanto ansiava sentir novamente.

Queria fita-los para o resto da eternidade.

Há metros de distância, ainda conseguia sentir o cheiro inebriante que emanava do corpo a sua frente. Era o mesmo que lembrava só que estava também mais másculo, mais viciante ainda. Os carros, os homens mortos, estrada, perseguição, tudo sumiu ao seu redor. Era como se apenas ele e ela estivessem ali, naquela troca de olhar intensa. Em câmera lenta.

Viu-o relaxar e baixar a arma, mas ainda sim mantendo o olhar sobre o seu, não desviando um minuto sequer.

E aquele silencio torturante predominou alguns segundos.

– Sakura. – sua voz era rouca e seus olhos fitavam as esmeraldas curiosas.

Ela engoliu seco. Aquela voz pronunciando seu nome era enlouquecedor. Piscou atônita e sentiu a raivar lhe tornar. Como ele aparecia na frente dela do nada e dizia um olá Sakura, como se nada tivesse acontecido? Deus, dentro de sua mente ela travava uma batalha com seus sentimentos, tentando não transparecer nenhum deles, e não os deixando tomar as rédeas da situação.

Mas as lembranças eram inevitáveis.


Hold on ( Aguente.)



“A imagem de um homem másculo nu sobre si com um rosto alvo, com olhos negros penetrantes direcionados a si e cabelos de ébanos balançando devido vento que vinha da janela do quarto que estavam, fixou em sua mente.”


O vento.. o quarto.. a musica..


Don’t be scared (Não tenha medo.)



“Lembrara muito bem desse quarto, desse dia. O dia em que se amaram a manha inteira e geraram um fruto mais precioso de todos, que só o amor pode criar.”


Apertou os lábios.


You’ll never change what’s been and gone (Você nunca mudará o que aconteceu e já passou.)



Sim... A ultima vez em que se amaram.


Tentou relutar. Tentou não prosseguir com a lembrança. De todas as formas, assim como fez quando acabara de largar o filho a escola. Sabia que se prosseguisse, não iria se controlar.

– Sakura...

“Aquela voz rouca e penetrante a estremeceu em contato dos seus ouvidos”

Mas aquilo era mais forte do que ela.


–... Eu te amo.



Sentiu os olhos marejarem e os fechou rapidamente, mordendo o lábio inferior tentando engolir o suposto choro que viria. Droga! Por que é tão difícil quando se trata dele?


Ficou alguns segundos em sua batalha pessoal e depois soltou um bufo forte, apertando os olhos com força, dizendo para si mesma ser forte.

– O que faz aqui? – sua voz saiu um pouco tremula, e se praguejou por isso.

Não tinha coragem de fitá-lo. Ela sabia. Sabia que ele estava observando atenciosamente a cada reação que estava dando á frente dele. De uma pausa, a uma voz tremula. A fim de tirar suas conclusões. E também sabia que a frente daqueles olhos, ela não conseguia controlar perfeitamente suas reações e emoções. Teria que tomar cuidado.

Ele ignorou sua pergunta e viu que o mesmo fez uma varredura em seu corpo, não soube ao certo se queria grava-lo ou estava procurando ferimentos, e parou o olhar encima o ferimento em seu ombro. Viu sua mandíbula endurecer.

– Esta ferida. – fitou os olhos verdes com a expressão seria.

Ignorou-o e cobriu o ombro com a mão e olhou para o chão. Aquilo estava sendo a pior tortura que já tivera. O homem que mais amou, e ama, em toda sua vida, estava ali a poucos metros de distância. Mas também era o mesmo que a humilhou, a largou no momento mais precisava. Apertou os lábios ao pensar isso.


E novas lembranças lhe invadiram..



Seis anos e meio há atrás. Era um dia chuvoso e a noite era fria. Estava chorando desesperadamente. E não era para menos. Havia acabado de ver os corpos dos seus pais mutilados encima do tapete da sala, cujo sangue que o manchava já estava coagulando, mostrando que estavam ali já alguns dias. Assim como o inicio do cheiro forte.


Lembrou detalhadamente da cena e sentiu seu coração ser rasgado lentamente.


Estava caída no chão, encolhida, ouvindo o barulho da chuva forte lá fora e soluçava e chorava desesperadamente.


Quando tomou coragem, a usou em um movimento súbito para sair logo dali, e pedir ajuda. E correu. Correu muito. Corria tanto que sentia que ia cair a qualquer minuto. Sentia seus cabelos grudando ao rosto, seu corpo ser encharcando rapidamente e suas lágrimas se misturando com as gotas da chuva.

Sem perceber, seus pés a levaram para a casa que fitava agora com receio. Mas ali era onde se sentiria mais segura de que qualquer outro lugar.

Estava com medo da reação dele. Sabia que não era o momento certo para falar da mais recente noticia de que estava grávida, e que o pai era ele, logo depois de ver seus pais mortos como animais no chão da sala.

Mas precisava, já que isso era o que iria contar aos seus pais e pedir um conselho a eles, mas no fim os viu mortos. Sentiu novas lágrimas rolarem livres de seus olhos e os apertou com força.

Correu ate a varanda e chegou à porta da frente, onde bateu com certo desespero por alguns segundos.

Mas nada.

– Sasuke! – gritou enquanto chorava. – Sasuke me ajude. – chorava mais. – Por favor, abra!

Bateu algumas vezes mais enquanto soluçava, e não entendia o porquê ele não abria.

– Sasuke! – gritou desesperada. – Por favor, meu amor.. – suplicou enquanto sua expressão era sofrida e sua voz saia em um fio. – Eu sei que você esta em casa. – sua voz era embargada.

O silêncio era torturante para ela. Seu coração se apertava cada vez que era ignorada. Bateu mais uma vez e deixou o punho cerrado sobre a porta.

– Se não abrir eu juro que eu coloco essa porta a baixo! – seu desespero era tamanho, e se irritou por ele lhe ignorar naquela hora.

Com a respiração ofegante, e com a expressão agora em um misto de angústia e raiva, ouviu novamente o silêncio.

– Você que pediu! – grito se afastando um pouco.

Tomou fôlego e juntou o resto de suas forças em um dos pés.

– Vá embora.

A voz cortante e gélida soou de dentro da casa. Ela travou e não acreditou que era ele a falar aquilo.

– Sas..

– Vá embora! – disse mais alto, e confirmou aquela voz.

Deus não podia ser. Ele não podia lhe abandonar logo agora. Não, não podia. As imagens dele com ela, em momentos de profundo amor passavam em sua mente, deixando-a mais confusa.

– Mas Sas..

– Vá Sakura!

Viu que a voz dele era impaciente e amargurada. Fechou os olhos com força e tomou fôlego.

– P-por quê?! – gritou enquanto novas lágrimas caiam. – Por que isso agora Sasuke?! – olhava indignada para a porta, pensando seriamente em derruba-la e espancar o Uchiha. – E-eu preciso de você! E agora vai me jogar fora como um lixo?!

– Você não precisa. – sua voz era fria.

Ela rosnou e trincou os dentes.

– E-eu acabei de ver meus pais mortos, mutilados feito animais, Sasuke! – sentiu um bolo na garganta. – E você vem dizer que não preciso?! – esbravejou. – Você sabe que sim, pois você precisou de mim quando aconteceu com você! E eu fiquei do seu lado! – gritou.

Seu peito subia e descia descontrolado, e ouviu satisfeita o silencio da parte dele. De alguma forma havia o atingido, já que ele sempre tinha resposta para tudo.

Engoliu seco e respirou fundo.

– Sasuke.. – sua voz era embargada, o que fazia a sair em um fio. – E-eu estou grávida.. – apertou os lábios com força e sentiu um frio enorme na barriga lhe invadir.

Encostou-se a porta, como se ela fosse um apoio para si, e chorou baixinho, esperando a resposta dele, e ao mesmo tempo com medo. Deus, ele não podia lhe largar. Não podia. Ela estava sozinha, e o único que podia lhe ajudar era ele.

Sua mente repetia várias vezes “Porque Sasuke? Porque?”.

– É mentira.

Aquilo foi como um baque forte para ela. Uma facada direto em seu coração, dolorosa e lentamente. Sua boca abrira em espanto e seus olhos estavam esbugalhados em seu rosto.

– C-como ousa dizer que estou m-mentindo?! – grossas lágrimas escorreram.

– Eu sei que esta. – ele deu uma pausa. – É apenas para você ficar.

A face de espanto ainda permaneceu. Não acreditava que era ele que estava falando. Não, não podia ser. Não podia ser aquele que sorria verdadeiramente só para ela, que gostava do seu jeito maluco e que participava satisfeito em suas loucuras, e não reclamava quando tinha que salvá-la. Aquele que dizia olhando em seus olhos que a amava como nunca antes, e que ela era sua vida.

Apertou os olhos e bateu fortemente da porta, e jurou que ouviu ela rachar um pouco.

– P-por que isso, Sasuke?! – seus olhos eram duas cachoeiras. – Por quê?!

Ela ouvia o silêncio dentro da casa e o barulho da chuva caindo rapidamente ao chão, enquanto soluçava e sentia uma dor insuportável no peito.

– Responde porra! – esbravejou enquanto batia mais uma vez com o punho cerrado na porta. – Anda! – bateu mais uma vez.

– Eu não te amo.

Congelou pela décima vez naquele dia. As órbitas mais uma vez esbugalharam-se em seu rosto tomado pelas lágrimas.

– V-você disse que sempre ficaria do m-meu lado.. – suplicou baixinho.

– E nunca te amei. – ele a ignorou e ficou alguns segundos em silencio. – Então apenas vá embora... Bem longe de mim.


Sentiu um nó na garganta se formando, e lutava para as lágrimas não caírem. Sua expressão era amargurada. Dor, raiva, angústia. Tudo se misturava no delicado rosto da rosada.


– Eu fiz o que me pediu. – sua voz era rouca e ainda fitava o chão. – Eu fui embora. Para bem longe. – cerrou o punho. – Agora a pergunta.. – levantou o rosto lentamente a fim de fitá-lo. – O que o trouxe para perto novamente?

Fitava as órbitas negras como a noite, com ódio e dor misturados. Depois de tudo, tudo o que passou, por que ele estava ali lhe olhando e agindo como se nada tivesse acontecido, como se ele não havia a abandonado?

– Eu juro.. – disse tentando manter a calma e fechando os olhos – que se não responder..- trincou os dentes. – eu vou quebrar todinha a sua cara. – cerrou o punho.

Ele segurou a vontade de sorrir com a ameaça dela. Já que se fizesse, ela definitivamente quebraria a cara dele. Ela ainda não conseguia se conter quando estava com raiva, e ainda tremia quando estava com a mesma.

– É complicado. – se limitou.

– Complicado? – ela abriu os olhos instantaneamente, indignada. – Acho que eu não ouvi direito. – o olhou com raiva.

Enquanto seus olhos verdes saiam chamas, os deles eram inexpressivos. E parecia calmo. O que a irritou mais ainda.

– Quando me abandonou, acho que não foi tão complicado assim, não é Uchiha? – cuspiu vendo que ele apenas travou a mandíbula. – Então desembucha! – esbravejou, ainda lutando contra as lágrimas.

Ele fechou os olhos e suspirou.

– Você irá saber. – disse com os olhos baixos, fitando o chão.

Droga!”

Ela havia se virado de costas quando sentiu que algumas lágrimas escorreram de seus dutos lacrimais. Prendeu a respiração para conter os soluços e esfregou os olhos disfarçadamente. Não iria chorar na frente dele. Não, outra vez não. Seria humilhante, e não queria se sentir assim a sua frente de novo.

Confirmou sua tese de que não aguentava manter a pose de forte na frente dele, mas não podia fraquejar. Não podia se mostrar como a garotinha apaixonada como antes.

– O-o que você está fazendo aqui em Manhattan..? – perguntou mais uma vez e praguejou-se por ter gaguejado, agradecendo mentalmente por estar de costas e não enxergar os olhos negros.

Quando finalmente os encarou, devido à falta de resposta, viu que os ônix estavam fitando ao final da estrada de onde estavam, mais diretamente nos giroflexos que se aproximavam.

– Até mais, Sakura.

A voz grossa, calma e penetrante cortou o silencio da calada noite, fazendo a rosada estremecer mais uma vez ao senti-las. Isso seria um adeus? Voltou os olhos verdes para os negros e os viu indecifráveis. Sentiu um frio lhe tomar a espinha, e teve raiva de si mesmo por isso, pois sabia o que era.

Era medo, medo de não vê-lo mais.

Viu-o dar alguns lentos passos ainda de costas, ainda a fitando densamente. Parecendo querer gravar cada linha facial de seu rosto, cada detalhe, todos os tons de verde de seus olhos, tudo. E mesmo se virando, deu um ultimo olhar de adeus, e ela viu, viu e confirmou, que naquele olhar havia angústia e solidão.

Já de costas para a rosada, ele caminhou superiormente até sua moto e ela ficou fitando as largas costas do moreno, desejando toca-las, senti-las, arranha-las como nunca antes. Permitiu-se soltar um suspiro e de concluir que o tempo fez muito bem para ele. Ele colocou o capacete e subiu na moto, e somente ele conseguia deixar esse simples gesto ser extremamente sexy e elegante.

Ainda de costas, ele ligou a moto, que era a mesma do outro dia, e começou a sair do lugar graciosamente, acelerando e mostrando sua habilidade excepcional em duas rodas, desviando dos carros retorcidos ao meio da estrada. Até sumir de suas vistas rapidamente.

E deixou se suspirar novamente.

Ele ainda sabia a deixar sem ar. Sem reação. Ele conseguia suprimir a maior parte da raiva em seu coração apenas lhe olhando nos olhos e soando aquela voz rouca e deliciosa para seus ouvidos.

Mesmo depois de tudo..

– Sakura!

Direcionou o rosto para a voz que lhe chamava, e viu uma loira de seios fartos correr em sua direção. E era ate engraçado já que os peitos subiam e desciam desnorteados.

– Tsunade?

– Sakura! – Disse novamente mais perto. Só agora viu as viaturas da polícia parando perto do local. – Você esta ferida! – Concluiu quando chegou perto, ate parar e tocar no ferimento da rosada.

Logo os olhos cuidadosos de sua mestra olhavam cada parte do seu corpo, procurando outro suposto ferimento.

– Eu estou bem. – sorriu fraca.

Tsunade a olhou nos olhos e deu um largo sorriso, a abraçando forte.

– Essa é minha garota! – disse orgulhosa. Afastou-se da rosada repentinamente e mudou a expressão. – E escute aqui mocinha! – seus olhos agora eram repreensivos. – Da próxima vez que eu lhe oferecer uns seguranças, você vai aceitar e ponto final! – disse autoritária.

Sakura apenas engoliu seco, e sorriu minimamente. Essa era sua mestra

– Ei, você! – a viu chamar um policial e ele tremer da cabeça aos pés. – Quero uma ambulância aqui em dois minutos.

– Não é necessário. – gritou de volta.

– Não me venha com não é necessário. – a olhou repreendendo.

– Você mesmo sabe que não é grave e o que eu mais quero e ver Yuri. – disse sincera.

A loira relutou no começo, mas depois cancelou o pedido ao policial.

Ouviu outro policial gritar a Tsunade que havia mais dois carros idênticos aos dali, abatidos em um lugar próximo. Então havia mais? Mas o que estava acontecendo afinal?

E então parou e pensou.


Sasuke.



Ouviu Tsunade mandar uma equipe ir para o local e pesquisarem o que aconteceu, e lhe relatarem o mais rápido possível.


– Foi Sasuke.

A loira lhe olhou instantaneamente.

– O que?

– Foi ele que abateu os outros dois carros. – disse, e sem perceber fitava o local onde o moreno partiu com sua moto.

– Você o viu? – ela arqueou as sobrancelhas, preocupada.

– Sim. – suspirou. – Ele ate me salvou de um provável tiro nas costas.

– Tsh.. – ela riu soltando o ar. – Esse moleque é metido mesmo. – seguiu os olhos da ex-aluna. – E você esta bem?

Ela se fazia a mesma pergunta. Várias vezes. Não sabia ao certo o que sentia, estava tudo confuso e misturado, tudo pesado demais para sua cabeça raciocinar e tirar conclusões.

– Yuri lhe ligou, não foi? — mudou de assunto.

– Ah, Sim. – sorriu e disfarçou. – Acredita que ate as placas ele me informou?

Por fim, voltou os olhos para os de sua mestra.

– Esse é o meu garoto. – sorriu feliz.

...

– Calma, Yuri. – a loira sorriu o acalmando. – Até parece que não conhece o jeito durão da sua mãe. – riu calmamente.

– Eu sei. – ele estava no colo macio da loira. – Mas é isso que me preocupa.

Todos os presentes no pequeno escritório riram. Ino estava com o pequeno no colo em um modesto sofá de dois lugares, na cor marfim, e ao seu lado estava Naruto, com os cotovelos sobre os joelhos e com um olhar preocupado. A frente deles a pequena mesa, cheia de papeis, onde o Sabaku estava escorado de braços cruzados. Ele havia chamado à amiga de Sakura, a Ino, para que o garoto se acalmasse um pouco, já que se conheciam.

– Mas não precisa, vai ficar tudo bem. – disse passando a mão nos cabelos negros bagunçados.

Um telefone tocou e Naruto avançou na frente. Atendeu e se afastou dos demais.

– Será que é a Tsunade? – ele espichou o pescoço para fitar o loiro mais afastado.

– Só saberemos quando ele voltar. – disse transparecendo calma, mas no fundo estava preocupada assim como ele. Se não mais. – Quer ouvir uma história? – perguntou sorrindo amarelo.

Houve alguns segundos de silêncio e o pequeno apenas direcionou a cabeça vagarosamente para a loira, com um com a expressão incrédula e emburrada.

– Que? – perguntou ela inocente.

– Fala sério. – cruzou os braços e fez bico.

A loira cerrou os olhos e lhe direcionou um olhar mortal.

– Pois agora eu vou contar. – manteve o olhar. – Você vai gostar! – sorriu larga e repentinamente.

O pequeno apenas deu um suspiro sofrido. Sabia que não adiantaria discutir com a loira, pois já vira sua mãe várias vezes fazendo-o e era impossível. Até para ela.

– Bom.. – ela pensou ainda sorrindo, batendo o indicador no queixo.

O ruivo fitava a loira com um olhar entediado. E o moreno em seu colo tinha a boca torta e um olhar sofrido.

O pequeno deu um mínimo sorrido do mal, pela demora que ela estava pensando, achou que iria desistir. Mas logo desfez ao ver o rosto dela parecer lembrar algo e tomar fôlego.

– Era uma vez..

– Um gato xadrez, que cagou para vocês, quer que eu lhe conte outra vez? – disse o loiro à milhão retomando ao escritório. A loira ainda tinha a boca aberta assimilando o que o loiro dissera. O pequeno olhou sinistro para ele e Gaara suspirou cansado.

– Qual é a sua hein, baka?! – exclamou a loira pondo as mãos na cintura irritada, vendo-o rir da própria piada.

– Vocês dois só estão piorando as coisas. – o ruivo disse calmo, apertando a ponte do nariz com os indicadores e olhos fechados, sendo ignorado.

– Se não parar de rir, eu juro que toco esse salto na sua cabeça!

– Qual é, é engraçado! Aprendi com a vovó! – coçou a nuca dando um sorriso largo.

O pequeno olhava para Naruto entediado.

– O que foi? – ele arqueou a sobrancelha loira. – Você é tão sem graça quanto o seu pa-

*TOC*

– CALADO!

A loira ainda estava em pé na posição de ataque, já que acabara de tocar o seu salto agulha de 15 cm na cabeça de Naruto. Ele havia caído para trás e estava ao no chão, esfregando a testa. Com um imenso sorriso amarelo.

– Você ia dizer quem? – as sobrancelhas negras pesaram em curiosidade.

Ele engoliu seco.

– Er.. bem eu.. – esfregava. – E-eu ia dizer o-o.. Papa! – impossivelmente ele alarga o sorriso. – Oh Sujeitin sem graça, hehe.

O pequeno o encarou alguns segundos.

– Hun.. — manteve a expressão de suspeita.

A loira tombou no sofá suspirando irritada.

– Vamos voltar com a história. – disse entre dentes, olhando ferozmente para o loiro que sorria ainda amarelo no chão.

E Gaara suspirou cansado novamente, ainda mantendo os olhos fechados.

...

Ela mesma havia retirado a bala, limpado e costurado o ferimento em seu ombro. Apenas com o kit de primeiro socorros que havia na viatura de sua mestra. Ela aprendera muitas coisas de medicina por si própria, já que a mesma, em todas as suas confusões, era ela quem curava seus ferimentos, devido não poder ir para o hospital. .

– Tem certeza de que ficara bem? – perguntou ela pela vigésima vez, enquanto a ajudava a enfaixar.

– Sim Tsunade-sama. – sorriu com a preocupação da loira.

Havia limpado tambem os outros ferimentos, colocado pequenos gases em alguns e pediu uma blusa emprestada a Tsunade. Não queria rever seu filho toda suja de sangue, baleada e cheia de ferimentos. Queria vê-lo e mostrar a ele que estava bem e muito orgulhosa dele.

Ate que sua mente deu um Click.

Será que Sasuke estava na oficina quando Yuri, supostamente, entrou aos berros?

Soltou o ar, receosa.

Sentiu um gelo subir na espinha só de pensar nessa possibilidade. Se concreta, Yuri veria a semelhança entre os dois que era um tanto óbvia, e iria lhe encher de perguntas. E ai seu novo inferno pessoal começaria. Não que queira esconde-lo, iria sim contar a ele quem era seu pai e também ao Uchiha de que tinham um filho. Só queria adiá-lo por agora.

– Prontinho. – disse a loira colando o ultimo esparadrapo.

– Obrigada. – sorriu gentil. – Vamos?

...

A melancolia era notável naquele pequeno escritório, e Ino tinha os olhos marejados enquanto contava a vida da pobre cinderela.

– Aquela velha decrépita, filha de Lúcifer, obrigava a nossa pobre e meiga cinderela a esfregar o chão com as mãos! – exclamou. – Nem uma vassoura aquela medíocre ofereceu. – indignou.

O pequeno segurava o rosto com a mãozinha alva, olhando para a loira, que se expressava como se estivesse num teatro, com o olhar sofrido e entediado.

Suspirou.

Naruto tinha ficado pelo chão mesmo, onde estava sentado com as pernas entrelaçadas. Olhando e ouvindo atentamente a loira.

Gaara, na mesma posição, mesma expressão e mantendo os mesmos olhos fechados do mesmo jeito.

– E vamos e viemos, não é?! – Riu em escárnio. – Se a velha fosse esperta mesmo, iria colocar a Cinderela numa agência de modelos! – disse obvia. – A menina era alta, peituda e tinha uma cinturinha de pilão.. Pelo amor de Deus né! Eu teria feito no lugar dela, ao invés de maltratar a coitadinha! – cruzou os braços superiormente e fechou os olhos. – Ganharia dinheiro e fama. Mas a coitada era gagá mesmo. – riu em escárnio novamente.

O pequeno pedia suplicantemente que alguém mandasse ela calar a boca. Um raio cair, o telefone tocar, ela desmaiar, qualquer coisa.

– Ino, por favor. – suplicou o ruivo.

– Não me interrompa! – disse autoritária.

Ela sabia ser chata. Muito chata. Concluiu ele.

– Mas como a nossa querida Fashion Star era querida pelos Deuses, ela achou uma fada-madrinha. – sorriu. – Olha só a desgraçada, né.

O ruivo bufou.

– Aí, ela lhe fez um vestido maravilhoso. – brilhou os olhos e continuou. – Branco do mais puro e requintado tecido, tecelado por anjos da classe alta. Cheio de camadas. – fazia gestos com a mão enquanto sorria. – Longo. Marcava sua belíssima cintura e realçava, com os imensos brilhos dos diamantes contidos nas camadas, seu rosto fino e delicado, exuberante. Ah, – lembrou-se – e não podemos esquecer o lindo e famoso sapatinho de cristal – suspirou. – Que podia ser um salto agulha maior, né. – adicionou fazendo um bico sugestivo. – E o vestido com um decote mais fundo ao peito. Aí sim o príncipe ia e-n-l-o-u-q-u-e-c-e-r ao vê-la, cairia em seus pés e a pediria em casamento! – sorriu sacana.

O pequeno a olhava sinistramente agora, se perguntando se ela era normal e se queria realmente levar a tortura adiante.

– A fada-madrinha, filha de mãe Diná, transformou uma abóbora em uma exuberante carruagem e os ratos em lindos cavalos.. – pensou. – Aqueles lá que tem cabelo nas patas. – explicou. – Negros e elegantes. Tudo para leva-la requintadamente ao baile. E chegando lá, ela foi a mais top da balada! – deu um gritinho. – Arrasou a filha da mãe, e ainda pegou o príncipe! – suspirou juntando os braços ao peito

– E daí veio o lobo mal e comeu os dois. – uma voz interrompeu.



Notas finais
E aí? hun? kk Quem será?

Pesso desculpas se o cap não ficou como esperavam, kk é que vou fazer o outro encontro ser mais.. quente. kk ;)

Comentem para eu melhorar!

Beijoos, até a próxima!