Vices
16 Em Família
Notas iniciais
Acordou com o barulho de seu telefone. Era Tsunade, perguntando como estava e onde estava. Contou todo o ocorrido da noite e ela quase engasgou quando contou onde ela e o pequeno dormiram, dizendo querer ter uma conversa definitiva com o moreno uma hora dessas. Já que ela ainda desconfiava dele.
– Filho.. – coçou os olhos. – Está na hora. – o chamou após se despedir da loira ao telefone.
Viu ele estar esparramado sobre a cama, a ocupando por inteiro, apenas deixando um micro espaço para sua mãe. Sorriu, imaginando se o homem do quarto ao lado estaria da mesma forma.
– Filho! – pôs a mão em sua testa, percebendo a febre baixar um pouco, mas inda sim um pouco quente. – Ei meu amor? – chamou carinhosamente.
– Mãe.. – gemeu absorto em seu sonho.
– Acorde meu bem! – tentou novamente.
Vendo que não teria resultados, suspirou. Ele não iria à aula hoje, concluiu. Era melhor ficar de cama e esperar se curar totalmente. Olhou no relógio e eram quase sete da manha.
Colocou uma calça moletom cinza e um casaco canguru negro. Estava frio naquela manha, o que a fez cobrir ainda mais o pequeno esparramado sobre a cama.
Dirigiu-se para o banheiro a sua frente e não se impressionou ao ver a casa toda fechada, inclusive a porta do quarto do moreno, que ficou fitando por alguns segundos.
Ele também não gostava de acordar cedo, pensou sorrindo.
Fez sua higiene matinal, sem se importar com os cabelos meio ondulados e rebeldes refletidos ao espelho, logo após terminando e guardando suas coisas de volta na mochila, indo de encontro à cozinha, com um papel nas mãos.
Pegou o telefone residencial, pendurado na cozinha ao lado dos banquinhos típicos de bar, digitando o numero anotado no papel, e logo após sentando em um dos bancos.
– Alô, Bom dia. – disse após atenderem dizendo o nome da escola. – Aqui é a mãe de Yuri Haruno, e estou ligando para avisar que ele não irá à aula hoje. – travou um bocejo que queria se manifestar.
Deu um leve pulo ao ouvir uma porta abrir, e percebera ser do moreno, que vinha pelo corredor coçando os olhos e esfregando os cabelos negros como ébanos. Sem camisa e de calça moletom, assim como ela.
Engoliu seco. Há tanto tempo não via aquele peito viril e másculo nu, e lembrava-se bem de quão quente era. E acompanhou o movimento de cada um dos músculos dele enquanto caminhava, que nem percebia a rosada o secar.
Estava frio, droga! Por que ele tinha que sair sem camisa? Ah, mas é claro, ele era Uchiha Sasuke! O gostosão febril!
Automaticamente suas bochechas começaram a corar, devido lembrar-se da cena da noite passada. Ela vendo-a completamente nua, a desejando...
Pigarreou ouvindo a mulher repetir pela terceira vez o porquê da falta.
– Ah, er.. Ele esta doente, com febre, e preferi que ele não fosse hoje! – percebeu que ele passara lhe fitando, indo para trás de si na geladeira, pegando alguma coisa. – Sim, claro, mandarei o atestado amanha mesmo!
Ele tomava algo, provavelmente água, pensou.
– Obrigada pela atenção! Ok, Tchau! – disse gentil desligando o telefone logo após, vendo o Uchiha escorar-se no barzinho ao seu lado.
– Ele piorou? – sua voz era rouca, pigarreando logo após, e emendando outro gole da garrafa d’água, olhando para frente.
– Bom dia. – ironizou. — E não. – o olhava fixamente. Ele realmente era o único homem que ficava ainda mais lindo quando acordava. –... Amenizou a febre, mas é melhor ele ficar de cama por hoje. – largou o telefone no suporte, já pulando do banco. – Te acordei? – ia de encontro a uma cafeteira, tentando disfarçar os resquícios de que estava envergonhada pela noite anterior.
Mas concluiu que devia ignorar isso.
– Mais ou menos. – largou a garrafa sobre a madeira.
– Não se importa de eu fazer um café, certo? – já procurava o café no armário.
– Segunda porta da esquerda. – fechou a garrafa, indo devolvê-la a geladeira.
Quando achou seus olhos brilharam, já pegando a lata de café, junto do coador, para depois os colocar na cafeteira junto da água. Em poucos segundos o cheirinho do café foi se alastrando pelo cômodo. Fechou os olhos sentindo o cheirinho revigorante do café.
Percebeu o moreno estar voltando para o quarto. Provavelmente iria dormir novamente. Ficou observando as gotículas negras de café cair do coador até a jarra da cafeteira, e em poucos segundos estava pronto.
Ouviu barulho de passos atras de si enquanto pegava uma xícara recém achada, e percebeu ser o moreno.
– Não vai voltar a dormir? – viu ele já estar vestido com uma blusa branca de manga curta, indo se sentar no banquinho do lado oposto.
– Não consigo. – respondeu o que lhe veio na cabeça, para depois bocejar.
Ela disse um hum, estranhando a atitude. Por final deu os ombros. Encheu uma xícara e deu diretamente a ele, que recebeu prontamente. Café forte, como sempre. Lembrou revirando os olhos, enquanto procurava o dito açúcar naquelas prateleiras.
E só o que faltava era não ter açúcar naquela casa!
– Onde esta? – arqueou a sobrancelha, vendo-o tomar calmamente aquele café forte, que logo entendeu a pergunta e deu um sorrisinho de canto.
Viu-o apontar para uma das portas dos armários e rapidamente começou a procurar, logo achando e suspirando aliviada, já colocando umas quatro colheres do seu tão precioso açúcar.
Experimentou o café, sentindo a fumacinha quente do mesmo tocando seu nariz, trazendo uma sensação boa, e ele estava no ponto. Logo sentou a frente do moreno, claro que um pouco afastada.
– Dormiram bem? – ele perguntou antes de bebericar o café, sem olhar em seus olhos.
– Sim. – largou a xícara quente sobre a madeira. – E simples e aconchegante! – disse varrendo o apartamento com os olhos.
O moreno a observou enquanto ela olhava o cômodo. Estava linda.
– Não se importa se eu e Yuri ficarmos aqui hoje? – ela disse sem jeito, percebendo que ele já a fitava.
– Claro que não. – Disse obvio, levando a xícara de café nos lábios.
– Ok. – disse batendo as unhas na xícara a sua frente, absorta em pensamentos. – Você não trabalha mesmo, Sasuke? – por fim o fitou.
E ele já suspirou disfarçadamente, imaginando que a seção de perguntas recomeçaria.
– Trabalho. – se limitou levando a xícara novamente as lábios finos.
E ela bufou, não contente com a resposta.
– Em que? – segurou firme a xícara.
Ele suspirou novamente.
– Em nada que você tenha que ficar perguntando. – disse calmo, mas estava um pouco irritado.
Apertou os lábios com raiva.
– Queria que morássemos com você, e aqui estamos. No mínimo, alguma coisa tenho que saber a seu respeito não acha? – lhe olhava firme.
– Você vai saber. – bebericou novamente o café.
Ela tinha vontade de rachar aquele rosto perfeito ao meio. Respirou fundo. Não ganharia nada ficar estressada por causa do Uchiha, em uma plena e gostosa manha fria que fazia em Manhattan.
– Tsunade lhe mandou um beijo. – disse provocativa enquanto bebia seu café, logo olhando suas reações. Ele ficara minimamente tenso.
– Hum. – largou o café sobre a madeira.
– Quer comer alguma coisa? – disse em um fraco suspiro, cruzando os braços, desistindo de tentar ter uma conversa normal com ele.
– Mais tarde. – coçou a nuca.
Ela meneou um fraco ok, levantando-se e largando a xícara na pia, lavando-a logo após. O que faria ali agora? Com ele toda hora por perto exalando perigo?
– O que Gaara descobriu ontem? – secava a xícara com um pano que achara.
Viu-o demorar um pouco a responder.
– Parece que o prêmio é entregue apenas no final, às escuras. – o ouviu levantar. – E que é nas ruas de Miami, em meio ao transito real. – viu ele largar a xícara na pia ao seu lado e começar a lavar.
– Mas e a policia? – o olhou atentamente.
– Faz parte da corrida. – largou a xícara no mármore da pia, que foi pega pela rosada para secar.
– Vou falar com Tsunade. – estava pensativa.
– Ela não vai adiantar Sakura. – disse sorrindo em escárnio, secando as mãos no pano da rosada. – Lá tem policial corrupto, pagos pelo japonês.
Ela semicerrou os olhos.
– E como você sabe? – arqueou a sobrancelha, largando a xícara na pia, sem lhe tirar os olhos.
Ele deu um mínimo sorriso de canto, se retirando dali.
– Sabendo.
...
– Você tem que tomar!
– É ruim. – disse olhando para o xarope que a rosada havia comprado na farmácia perto do apartamento do moreno, logo após de levá-lo a um postinho de saúde também ali perto, já que estava sem seu carro, e pego um atestado para o pequeno.
Ela suspirou, lhe lançando um olhar severo, para não precisar repetir que ele devida de tomar por causa da tosse que lhe deu pela manha.
Ele tomou fechando os olhos, e fazendo uma carranca de desgosto. Foi até engraçado.
– Bom garoto! – sorriu.
Ele bufou enquanto sentia o gosto ruim e amargo do xarope em sua boca.
– Onde está o... Papai? – perguntou sem jeito. Não sabia se sua mãe gostaria que chamasse ele assim. E olhava atentamente para as feições dela em seu rosto.
– Ele foi ao mercado comprar carne e mais algumas coisas. – disse com vontade de rir. Sasuke um pai de família? Com toda a certeza era estranho.
E estranhamente bom...
– Não ficou brava comigo, não é mamãe? – perguntou receoso.
E ela o olhou um pouco confusa.
– Pelo que? – arqueou a sobrancelha esquerda, enquanto rodeava a tampa do xarope, o lacrando.
Ele respirou fundo, procurando as palavras certas.
– Por só ter te desobedecido ontem à noite, e por ficar... – vacilou o olhar. – Como digo... Ficar amigo do papai assim, tão rápido...? – voltou a olhar receoso.
Ele suspirou dando um sorriso maroto.
– Bem... – procurou as palavras olhando para a janela, atras da cama. – Eu fiquei brava mesmo pelas suas atitudes, mas sei que se arrependeu e por isso já me esqueci disso. – voltou seu olhar ao pequeno. – E admito que fiquei com ciúmes de você com seu pai. – sorriu sem jeito, vendo o moreninho querer sorrir. – Mas eu sei que você é todinho meu e não irá me trocar por ele! – sorriu vitoriosa, logo fingindo um olhar severo. – Certo? – arqueou a sobrancelha, arrancando algumas risadas do pequeno.
– Sou todinho seu, mamãe! – sorriu um pouco sem jeito.
– Assim, sim! – segurou seu rosto e deu um beijo estralado em sua bochecha direita. – Agora descanse. – sorria vendo o rosto antes sorridente, já se tornar emburrado.
– Eu já estou bem mãe! – fez um biquinho engraçado.
– Aham, sei. – levantou-se, já que estava ajoelhada a beira da cama. – Vou fazer até seu prato preferido. – mudou de assunto, quase passando a porta.
– Strogonoff? – percebia a animação em sua voz.
– Exatamente! – gritou já do corredor.
Começou a ajeitar a cozinha, preparando já uma massa, enquanto o moreno não chegava com as compras e principalmente a carne.
Ele deveria comer apenas fora, pensou. Pois seus armários só guardavam poeira e vento! A sorte foi que achou aquele pacote de massa, que provavelmente era a ultima opção dele.
– Mamãe, o papai tem uma moto não é?! – ouviu a voz atrás de si.
Virou-se para o pequeno, que tentava subir em um dos altos bancos do pequeno bar.
– Por que não está deitado e abafado? – o repreendeu. – Não pode ficar zanzando por ai feito um ratinho!
E ele contorceu o cenho pelo animal usado.
– Tem ou não? – ignorou a forma utilizada de lhe caracterizar e a repreensão da mãe, já na metade do caminho para sentar no banco.
Ela suspirou.
– Sim. – disse repuxando um rápido e mínimo sorriso, voltando a mexer na massa, ainda de lado, para fitar o pequeno.
– E é daquelas Ninjas? – viu a empolgação e curiosidades naqueles olhinhos negros.
Ela soltou um riso abafado.
Esquecera que seu filho também era fissurado por motos.
– É uma BMW S1000 RR. – disse observando agora o macarrão.
– Sério?! – fitou a face empolgada dele. – A primeira moto superesportiva da BMW que o piloto Ayrton Badovini venceu nove das dez provas da temporada 2010?! – tinha os olhinhos levemente arregalados.
E ela juntou as sobrancelhas estranhando seu filho saber de tudo aquilo.
– Onde raios você vê isso? – ela parou de mexer no macarrão, fitando só a pontinha da cabeça dele e com seus olhinhos, já que ele estava de pé encima das barras para descansar os pés do banco. Ele não conseguia subir totalmente.
– Na TV! – disse obvio. – Será que o papai me deixa andar nela? – os olhos brilhavam em empolgação.
A rosada riu em escárnio.
– Mas nem pensar! – pôs a mão na cintura, vendo o pequeno se emburrar novamente. – É muito perigoso filho, e tenho certeza que ele não deixara! – disse firme.
Ele bufou.
– Eu sei que é você que não quer! – fez bico. – Pede para ele mãe, por favor! – tinha as mãozinhas o apoiando sobre a tábua de madeira do bar, para ver melhor sua mãe.
– Pedir o que? – ouviram a porta ser aberta, e um moreno alto com algumas sacolas na mão adentrar por ela.
Pronto! Agora ferrou!
Viu o pequeno descer num pulo do banco, quase caindo, e se pondo rapidamente a frente do pai, que ficara imóvel e curioso pela atitude dele, já que ele vinha com os olhos brilhando empolgação.
– Pai, me deixa andar na sua moto?! – ele tinha os punhos cerrados à frente do peito, em expectativa.
Ele ficou sem reação no começo, logo dando apenas um sorriso de canto, se orgulhando pelo filho gostar de sua moto, o mesmo gosto dele. Mas seu sorriso foi cortado ao fitar uma rosada lhe fitando com um olhar mortal, e com uma colher de pau na mão.
– Er... – pigarreou.
– Vai... – ele implorou. – Diz que sim! – ele tinha as sobrancelhas negras juntas.
Olhou para rosada. Claro que ele diria que sim, e ela sabia disso. Por isso o olhar fuzilante.
– Quando você melhorar, grandão. – fez-lhe um cafuné nos cabelos, os arrepiando ainda mais. Não queria decepciona-lo, e nem irritar a rosada. – Prometo uma volta com você nela.
– Mas eu já estou bem! – exclamou insatisfeito, cruzando os braços.
Ele riu de canto, enquanto largava as sacolas sobre a mesa, percebendo a rosada lhe olhar mais aliviada. O pequeno estava fazendo-o lembrar da rosada quando também menor, lhe implorando para andar de moto com ele.
– Ouviu seu pai. Melhore primeiro. – disse mais calma. E crescer mais um pouco, quem sabe! Pensou como toda a mãe preocupada.
– Aff. – ele emburrou.
E ela sorriu com o ato, vendo o moreno a imitar.
Logo ela já pegava a carne e picava, colocando dentro da panela junto dos temperos, enquanto ouvia a conversa do dois na sala, olhando algum programa de restauração de carros. Sorriu terna.
Até que estava tudo correndo bem. Sem tudo aquilo de ruim que ela esperava.
Ou pelo menos por enquanto.
– Pai... – cochichou para o maior ao seu lado, que tinha a mão largada no encosto do sofá, as suas costas, logo lhe fitando com os olhos ônix iguais aos dele. – A mamãe já andou de moto com você? – tinha a mão na boca, para abafar o som da rosada.
Ele soltou uma risada abafada.
– Sim. – cochichou de volta. – Várias vezes. – sorria vendo os olhinhos dele se semicerrar, os tornando especuladores.
– O que estão de cochicho aí, hein? – apareceu ela cruzando os braços, vendo os dois Uchihas disfarçarem, respondendo um simples nada... – Esta na mesa!
E em minutos, a família já fazia sua primeira refeição juntos. Detalhe no qual a rosada não deixou de perceber, sentindo algo forte no peito. Uma mistura de dor com alegria, tristeza e paixão. Não sabia explicar. Só sabia que queria gravar aquele momento, o qual acontecia em seus sonhos desiludidos.
– Vamos tirar uma foto? – ela largou espontaneamente, logo após o pequeno acabar de dizer que coisa mais boa e o moreno concordar.
Eles a olharam interrogativos.
– Foto? – o pequeno arqueou a sobrancelha negra.
– S-sim! – sorriu amarela. – Uma foto, oras! – levantou-se a procura de seu celular.
Logo que achou, sorriu. Tiraria a primeira foto deles juntos, e isso, como mãe coruja, estava a deixando com essa empolgação.
Posicionou o celular encima do mármore da pia, tendo ainda o olhar confuso dos Uchihas sobre si, ajustando o timer para o celular tirar a fotografia sozinho.
– Vem logo, vai tirar sozinho! – disse os vendo levantarem sem jeito.
– Odeio tirar foto! – o pequeno emburrou parando ao lado da mãe sorridente.
– E acha que eu não sei. – olhou objetiva para Sasuke, que também se via desconfortável para fazer aquilo. – Vamos lá, sorrindo! – disse e repuxou aquele sorriso forçado para a foto.
Ficaram parados alguns segundos, esperando algum barulho, que não deu.
– Será que já tirou? – a rosada arqueou a sobrancelha, logo indo conferir no celular, ouvindo os outros dois bufarem. – Credo! – olhou a imagem. – Vocês não sabem sorrir não? – os olhou emburrada.
O pequeno suspirou cruzando os braços, e o moreno coçou a nuca.
– Vamos tirar outra! – disse por fim, ajustando o celular novamente.
– Vamos mãe, to com fome... – fez um mínimo bico.
Ela sorriu e correu para o lado do pequeno, e refizeram a mesma posição.
– Sorriam bobões. – disse com os dentes grudados, sem atrapalhar o lindo sorriso que dava.
Esperaram alguns segundos e ela correu para checar.
– Agora sim! – sorriu vendo a linda foto em suas mãos.
Ela e o moreno ao lado do pequeno, meio abaixados para o lado dele. Ela tinha o seu melhor sorriso. O Uchiha uma mistura de um sorriso de canto com um normal. E ficou lindo, completou. E o pequeno, com um sorriso tímido nos pequenos lábios, muito fofo.
– Ficou ótima! – sorriu satisfeita.
...
Logo no inicio da tarde a rosada recebeu a noticia de que iam no dia seguinte para Miami pela loira ao telefone, e lógico, o choque veio logo após. Yuri. Apenas isso lhe vinha na mente. Não queria leva-lo, em hipótese alguma, sem choro e sem discussões, como no dia do encontro de carros. E com sorte, o moreno concordou que dessa vez era perigoso.
Sua saída foi sua mestra. E sentia-se mal por ter ligado e pedido se o pequeno poderia posar com ela até voltarem de Miami. E ela aceitou de cara! Dizendo que aproveitaria e tiraria alguns dias de folga, que tinha o direito de tirar naquele mês.
Pediu ao moreno para que a levasse em casa para que pegasse suas coisas e também as do pequeno, e pegou o necessário para o final de semana. Trancou a porta rapidamente, logo após de um breve adeus a casa, tendo a ajuda do moreno para colocar as coisas em seu carro, enquanto o pequeno esperava dentro do mesmo.
– Naruto acabou de me ligar. Um tal de Neji confirmou. – disse o moreno ao rádio, logo quando começaram a andar. E até que funcionava bem.
O pequeno olhou maravilhado o aparelho.
– É da policia. Conheço. – Respondeu, logo após pegar o aparelho. – É especialista em computadores e tudo do gênero.
Sasuke havia a informado durante o caminho de sua casa que Gaara queria um grupo completo, cada um com uma função, e explicaria o plano quando estivessem reunidos.
– Hun. – Ela sorriu com a resposta dele, vendo o carro a sua frente maravilhada tendo ele como motorista, parando na sinaleira.
Era bom saber que não estava mais sozinha.
– Pai! – viu o pequeno pegar o aparelho, esperando animada e ansiosamente a resposta do mesmo. Sorriu com a cena.
– Fala campeão! – Percebeu ele estar sorrindo.
Viu ele sorrir ainda mais quando ganhou a resposta do pai.
– Aposto que minha mãe te ganha até chegar em casa! – ele provocou, sorrindo de canto, como um Uchiha nato!
Ela o olhou um pouco repreensiva.
– Que isso filho?! Ninguém vai correr aqui não!
– Por quê? – ele juntou as sobrancelhas suplicante. – Só uma vez, por favor! Eu quero ver! – e o moreno ouvia sorrindo a breve discussão deles no outro carro.
– Yuri, por favor.. – disse se recompondo.
Não tinha necessidade daquilo. Não que ela não queria não correr com o Uchiha, na verdade sempre adorava competir com ele, fazer apostar e provocações. Suspirou lembrando dos velhos tempos. Claro que as apostas que ele sempre dera eram relacionadas a pagar com sexo. E que sexo..
Suspirou novamente.
– Está com medo, Sakura? – ouviu a voz provocativa no aparelho, e tinha certeza que ele tinha um sorriso de canto nos lábios.
A mesma tática que usava há anos atrás. Revirou os olhos.
– Você gosta mesmo de ficar olhando a traseira do meu carro, não é. – começou a se irritar, apertando o volante. -... Me mostre que é filha de Haruno Hideko...
E foi o estopim! Ela sabia que ele não falara o nome dele para apenas agravar a provocação e conseguir fazer a mente dela. Ele queria incentiva-la. Sabia, pois ele sempre fala o nome dele quando queria.
– Vai comer poeira! – disse seria ao aparelho, pisando no acelerador logo após.
Viu de relance se seu filho estava de cinto, e viu o mesmo se ajeitando e ajeitando o cinto, com um sorriso empolgado nos lábios, olhando fixamente para frente.
Ligou o rádio, e aumentou o volume.
Era hábito. Não conseguia andar sem ouvir uma musica.
E lembrou-se que isso era dês de que começou a aprender a dirigir as escondidas com o moreno, aos 15 anos, deixando aquelas lembranças, que ela julgava uma das melhores de sua vida, lhe vir a tona.
– Eu não consigo! – emburrou cruzando os braços.
O moreno ao seu lado esta todo largado ao banco do carona, tendo o braço esquerdo dele atras de sua cabeça, escorado em seu banco. Estava impaciente. Notou isso pelo bufo dele.
– Consegue sim. – olhava para frente.
– Não da! – repetiu entre dentes.
Era a quarta vez que tentava andar certinho com o carro, e sempre o apagava.
– Você só tem que soltar a embreagem devagar! – Repetiu pela quinquagésima vez.
– Eu sei! – ela bufou. – Mas eu, sei lá, eu acho que vou bater! – olhou para o vidro ao seu lado.
– Como você vai bater a 10 km/h Sakura? – ele a olhou impaciente. – E outra, já disse que se for frear, tem que pisar na embreagem primeiro! Por isso você esta apagando!
Ela bufou novamente.
Era muita coordenação motora para ela. Ele dirigia dês dos sete anos de idade, por isso era tão fácil falar!
– E eu não funciono sobre pressão, tá?! – o encarou. – E é exatamente isso que você está fazendo!
– Fico bem na minha quando você começa a andar. – defendeu-se, olhando para os olhos verdes um tanto nervosos.
– Mas sua alma emana isso de você! – gesticulou com as mãos. – E eu fico mais nervosa ainda! – jogou-se fazendo bico no encosto do banco, que estava totalmente para frente, devido ser baixinha.
Era no carro de Sasuke que estava, um Mitsubishi Eclipse 1995, negro fosco e personalizado pelo próprio moreno ao seu lado. E por justamente estar no carro dele, que para ela é um especialista em dirigir, estava quase entrando em desespero pela pressão.
Ouviu um suspiro dele logo depois de fitar seu bico por alguns segundos. Viu ele apertar o botão de play do rádio, e voltar a lhe fitar.
– Tudo bem, rosada. – ele lhe olhava serenamente. – Ouça a musica e relaxe. – já aumentava o volume.
Era uma do Nickelback, Old Enough. Com toda a certeza não era o tipo preferido de musica do moreno, mas a rosada gostava da banda canadense, então não se importou.
– Vai, relaxe. – repetiu vendo ele relaxar minimamente ouvindo a musica, ainda tendo um pouco de dificuldade. – Me mostre que é filha de Haruno Hideko. – a incentivou com um sorrisinho de canto.
E recebeu aquele sorriso que mais amava, num conjunto de seus olhos verdes e confiantes agora.
– Que depois eu lhe mostro o que me torna um Uchiha.. – disse provocante, mantendo o sorrisinho.
E ela virou o rosto rapidamente, sentindo as bochechas ficarem vermelhas quase que instantaneamente.
– Baka. – colocou a marcha, admitindo que as palavras do moreno e a musica que tocava estavam lhe dando mais confiança.
Seguiu as instruções do moreno, enquanto começava a cantar loucamente a musica, esquecendo de tudo, apenas sentindo a adrenalina boa e as gostosas risadas do moreno devido ao estado dela.
E nem percebeu que aprendera a dirigir naquele instante.
Sorriu terna enquanto seu corpo arrepiava-se com a lembrança. Com certeza estava fazia parte de sua coleção das suas melhores.
Abriu para o lado, ficando ao lado do carro cinza dele, mesmo que um pouco mais atrás.
Ele sorriu ao olhar no retrovisor.
Os carros passavam como borrões ao seu lado, deixando o pequeno extasiado com a adrenalina que começava aprender a apreciar.
Uma curva, e rapidamente os dois puxaram o freio de mão cortando a encruzilhada com vários motoristas parados e irritados na sinaleira, em um belo drift onde ficaram colados, sem ao menos se bater. E foi tudo mundo rápido, fazendo os outros motoristas ficarem sem reação.
Retomando as marchas e desviando dos carros, eles voltaram a corrida em linha reta, que nessa o moreno se via na vantagem.
– Wow! – o pequeno gritou no aparelho, seguido de uma risada da rosada.
E ouviu o moreno responder com uma risada.
– Filho, se segura! – o repreendeu ainda sorrindo.
E em poucos minutos já estavam no estacionamento do prédio do moreno, onde estacionaram em uma derrapada habilidosa, ficando exatamente no quadriculado pintado de branco.
Sua respiração estava um pouco acelerada, e sorria olhando para o volante a sua frente.
Abriu a porta do carro e escorou-se na mesma ainda aberta, fitando o carro do moreno a sua frente, que já saia e lhe sorria de canto.
– Empate. – disse ela em um sorriso maroto.
Ele continuou sorrindo e fechou a porta.
– Eu te deixei empatar. – a olhou provocativo.
Semicerrou os olhos.
– Mentiroso. – desfez o sorriso.
Ele alargou o sorriso, dando os ombros para a rosada, que ainda se perguntava seriamente se ele havia feito o que disse mesmo.
Raios! Teria uma revanche!
...
Já era noite, o que causava ainda mais agonia em seu peito. Estava chegando a hora em que teria de deixar seu filho para trás e encarar esse novo desafio em sua vida. Pensava nisso enquanto acariciava seus cabelos negros ao seu colo, enquanto ele olhava um documentário sobre os guepardos na TV de tela plana.
O moreno estava no banho, e ela e o pequeno já haviam se banhado, estando no sofá maior a frente da TV.
E se acontecesse alguma coisa? Tanto com ela ou com ele, que os separariam?
Mordeu o lábio inferior com o pensamento. Olhava para seu rosto concentrado no documentário, gravando cada linha facial, perfeitamente colocadas dele.
Fungou espantando aquele pensamento ruim, colocaria em mente que tudo ocorreria bem e que aproveitaria aquelas horas que restavam com o pequeno.
Ouviu a porta do banheiro se abrir, e viu o moreno sair de lá secando os cabelos com a toalha, sem a droga da camisa e de calca de moletom. Que provavelmente era seu pijama.
Aquelas gotículas no torso definido..
Desviou o olhar dando um suspiro longo. Ele atravessava a sala com suas roupas na mão, levando para a lavanderia, que era atras da cozinha.
Voltou a acariciar os cabelos ébanos a sua frente, se impressionando ao ver que ele dormira. Sorriu terna.
Nem jantou, pensou.
– Quer colocá-lo na cama? – ele apareceu na sala.
Ela pensou por alguns segundos. Queria o filho perto de si, mas ele devia estar cansado. Sorriu maroto.
– Pode ser. – aceitou baixinho, vendo o moreno se aproximar e pegar o pequeno cuidadosamente. E claro, o cheiro dele veio junto.
Levantou indo atras dele e logo lhe passando a frente, para arrumar a cama. Ajustou o travesseiro e puxou o edredom para dar espaço à ele. Logo o mesmo espaço sendo coberto por um pequeno sonolento já desperto.
– Pai? – coçou os olhinhos logo após ele sentir o pai o largar.
E o Uchiha contorceu o cenho por ter atrapalhado seu sono.
– Desculpe lhe acordar. – disse ameno.
– Volte a dormir, meu amor. – disse carinhosa, sentando ao seu lado. – Amanha tem que acordar um pouco mais cedo.
Viu ele lhe olhar emburrado.
– Eu ainda quero ir junto.
– Deixa para a próxima. – o moreno o viu cambalear o corpo para o lado da rosada.
– Canta mãe? – aninhou-se a mãe ao seu lado, sonolento.
E ela sorriu terna.
– Ok. – começou a alisar seus cabelos negros, tendo o olhar carinhoso e terno do Uchiha maior sobre si.
Perdeu o ar quando olhou diretamente naqueles olhos. Lhe olhavam de uma forma tão carinhosa, tão amável.. via que continha algo mais naqueles olhos, e ficou procurando enquanto se perdia ali por alguns segundos.
– Eu... vou ligar para o Naruto. – disse ele baixo, sem cortar o contato visual.
– O-ok. – disse piscando atônica.
Sim, aquele olhar, mais do que qualquer um, a deixava desnorteada e com o coração saltitando forte ao peito. Mesmo tentando, ela sabia que jamais conseguiria ficar sóbria diante dele.
Viu ele olhar rapidamente para o pequeno e depois para si, levantando-se e se retirando calmamente do cômodo, logo após de apagar a luz no interruptor.
– Qual você quer meu amor? – perguntou carinhosa.
Ele demorou alguns segundos para responder.
–... Aquela que eu gosto... – disse enrolado pelo sono.
Sorriu terna, logo sentindo um aperto no peito, começando a cantar.
– Hey, Jude, don't make it bad / Ei, Jude, não fique mal.
Take a sad song and make it better / Escolha uma música triste e fique melhor.
Acariciava seus cabelos negros.
– Remember to let her into your heart, / Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração,
Then you can start to make it better / Então você pode começar a ficar melhor.
Sentia a emoção lhe tomando conta e uma vontade imensa de derramar em lágrimas tudo o que sentia no peito lhe vir. Aquela era a música dos The Beatles, Hey Jude, a preferida de sua mãe. Que cantava para a rosada toda noite quando a mesma não conseguia dormir ou estava com medo.
Lembrava-se nitidamente de suas mãos macias, penteando seus cabelos carinhosamente com seus dedos e sua voz de veludo tocar seus ouvidos e a embalar em um sono infantilmente gostoso, livre de monstros e pesadelos.
E depois que teve seu filho, em homenagem a ela, cantava sempre que podia ao pequeno, tentando lhe passar todo aquele conforto que sua mãe um dia lhe passara.
– And anytime you feel the pain / E sempre que você sentir a dor,
Hey, Jude, refrain / Ei, Jude, contenha-se.
Don't carry the world / Não carregue o mundo
Upon your shoulders / Em seus ombros.
Uma grossa lágrima escorreu de seu olho direito, sucessivamente o olho esquerdo imitou. Sua voz prosseguiu a musica com a voz um pouco embargada agora.
Tudo o que ela lhe cantava, fazia sentido agora. Todo o sofrimento carregado em seus ombros, toda a angústia. Era disso que ela falava para si. Para olhar para frente e seguir.
Queria tanto que ela conhecesse o neto incrível que tinha.
Parou de cantar a musica. Não conseguia mais, dizia a si mesma enquanto apertava os lábios com força, abafando seus soluços, e tentando inutilmente parar de chorar, para não acordar seu filho, que por sorte já havia adormecido.
Fungou e limpou delicadamente cada lágrima.
Nem percebendo que na porta, o moreno se camuflava na escuridão. Observando toda a cena e logo após sentindo inexplicavelmente uma vontade enorme de abraça-la.
...
Olhou para o retrovisor, para certificar-se que a rosada o seguia. E lá estava o Dodge.
Ela havia se derramado em lágrimas quando se despediu do pequeno, a frente da escola. Disse para se comportar, esperar a vovó Tsunade vir lhe buscar na escola, para não sair escondido e muito menos conversar com estranhos. Sempre obedecendo ela e tomando cuidado. Prometeu ligar a todo o momento que pudesse e disse que o amava mais que tudo.
E sorriu ao lembrar-se dos dois se abraçando.
Estavam a caminho da oficina, onde todos os esperavam para falar sobre o plano e depois colocar o pé na estrada.
– Proteja a mamãe, pai. – lembrava-se das palavras cochichadas em seu abraço com o pequeno, depois o olhar suplicante dele quando se separaram.
– Eu prometo. – Foi o que respondeu, com toda a certeza que tinha no peito.
Eu devia saber o bastante, nunca cresci o bastante.
Sozinho o bastante para saber que o meu
Caminho será a estrada pela qual eu queria dirigir
Parece ser boa para mim, melhor do que morrer.
Old Enough, Nickelback.
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