Viana - A Gazela e a Menstruada
1 Prólogo - Capítulo 1 | Começos
Notas iniciais
Prólogo
O garoto de cachos morenos bem penteados e rosto levemente rechonchudo, vestindo o inconfundível casaco azul e usando a inconfundível mochila com a marca estampada do curso de inglês que prestava, encarava o portão negro da escola, que se encontrava aberto, com alunos entrando e uma inspetora, que o olhava, esperando que entrasse, e por fim, começou a andar, passo por passo, adentrando a escola, praticamente toda pintada em verde.
Ao entrar, pôde observar a quadra, por ora vazia, enquanto virava a parte de cimento, transformados em bancos de pedra, como ele chamava; que tinha uma cobertura de telhas. Foi andando, percebendo toda a escola cheia, e duas garotas sentadas em um desses bancos, olhando para ele, que continuou andando não se atrevendo a falar com elas, que ele só conhecia de vista. Foi em direção da escada de três degraus, descendo eles, observando as crianças correndo ao lado da escada, na pequena rampa que ali havia, sorrindo com a cena, apesar de odiar aquelas pestes.
O som do seu fone de ouvido não era de muito, alto, tocando em sua orelha, ele se limitava a soltar alguns versos da música que tocava, enquanto balançava a cabeça levemente, e via o grupo de Kevin sentado encostados na parede de fora de uma das salas de aula, que era a única que tinha uma porta de saída para aquele pátio, todos os integrantes daquele grupo olhavam para ele, que passava em frente deles, desviando de uma garotinha, que quase esbarrara.
Até que enfim, deixou de prestar atenção no grupo, mais especificamente no integrante principal, e voltou seu olhar para onde sabia que elas estariam, confirmando a ideia, e dirigindo-se até o local, tirando o fone do ouvido direito, deixando o do esquerdo.
“Hey bitches, I am back!” – Disse João, se aproximando das garotas sentadas ali no grande bloco de pedra com um poste fincado no meio dele, localizado em todo aquele espaço livre, reservado para aqueles dez minutos antes de o sinal bater, anunciando que teriam de entrar para o inicio das aulas.
“Oi viado!” – A de pele morena de cabelos soltos e encaracolados disse, abraçando o amigo.
“Oi gazela” – Retribuiu o abraço da amiga, dando um beijo na bochecha da garota sentada com as pernas em volta de Ana. – “Como vai Vic?”.
“Vou bem.” – A ruiva respondeu, voltando a abraçar Ana pôr trás.
“Preparadas para mais um dia de escola?” – O menino de pele branca, um pouco bronzeada, por não passar protetor solar, ousou perguntar.
“Claro... Que não.” – Nycolas surgiu atrás de João, sussurrando no ouvido de João, fazendo com que o mesmo arrepiasse. O garoto de pele branca e dentes de castor, que João achava fofo, e com um casaco preto, sem zíper, colado a João, deixando o garoto embaraçado, que somente sabia corar, vendo Ana rir igual condenada. Nycolas era mais alto que João, não muito, mas era; mas também não era tão difícil assim de ser maior que João, ele já era baixinho mesmo, e aceitava isso. O de cabelos encaracolados decidiu dar uma reviravolta, virando-se e colocando seus braços nos ombros de Nycolas, vendo-o sorrir, descendo uma mão e apertando a bunda do mesmo, virando-se em seguida, puxando as amigas para entrar para a sala, já que o sinal batera a pouco, deixando um Nycolas aturdido para trás.
“Caralho Jota, que atitude... Mais safada, é assim que gosto.” – Disse Victoria, vendo Ana se acabando de rir.
“Vamos entrar logo, antes que alguém tenha visto e venha encher meu saco.” – João disse; corado e com um sorrisinho de canto.
“Jota, meus parabéns, da próxima, bata na bunda dele.” – Ana piscou para ele, vendo-o corar mais, se possível.
(...)
“Certo, faltei ontem, e aí... Aconteceu algo a mais entre vocês?” – João perguntou para Ana, sobre Victoria, enquanto estavam na aula de História.
“Não, nada... Só selinhos...” – A garota disse, vendo o amigo sorrir.
“Ao menos isso, já que para ter selinhos foi necessário um ano inteiro.” – Disse João, rindo, vendo a amiga semicerrar os olhos, mas sorrindo.
Afinal era verdade, estavam em novembro, e Victória sairia da escola em 4 de Dezembro, para voltar para o antigo lugar que morava, foi necessário um ano para que elas ao menos dessem um maldito selinho... E ainda queriam dar o primeiro beijo... Não, não seria o primeiro beijo da vida de ambas, e sim o primeiro beijo como um quase casal.
Capítulo 1
Provavelmente todos os alunos já haviam saído da escola, e ainda restavam somente eles ali; João, Ana, Victória, Sabrina, Michele, Flora e Jayane.
Ana havia chorado, e ainda chorava, por ser possivelmente a ultima semana em que veria a quase namorada, e sem contar que estava puta da vida por alguém ter pegado seu trabalho de ciências emprestado e não devolver, tanto que poderia ficar sem nota. Enquanto Victória abraçava Ana e ficava dando-lhe beijos na bochecha e selinhos, Sabrina, que era a melhor amiga de Victória abraçava João e ficava fazendo carinho no mesmo.
Depois que Ana sentou-se, João foi conversar com ela.
“Está doendo?” – Ele perguntou, vendo a mesma assentir.
“Você não entende...” – Ela disse.
“Ainda, mas...” – Ele podia notar as lágrimas correndo livremente pelas bochechas dela, abraçando-a por um momento.
“Dói, e eu estou pior do que com Luana.” – E nesse momento ela começou a rir, podendo chorar mais, se possível.
João somente soube abraçar ela, deixando depois ela com Victória, e voltando a falar com Sabrina, abraçando a garota, que começara a cantar para ele, deixando-o emocionado, não somente pela música, mas por talvez ser a possível ultima vez que se veriam, por ser sexta e que a próxima semana não haveria muito sentido ir para a escola, afinal era sexta e final de ano escolar.
“Meu pequeno filho de Poseidon... Seus cachos negros fofos... Jamais esquecerei sua voz... Sentirei imensas saudades...” – Sabrina cantava, deixando o garoto baixinho mais emocionado, segurando-se para não chorar. Assim que se separaram um pouco, ela pôde perceber que o garoto chorava. – “Isso é somente por eu ter cantado?” – Perguntou, voltando a abraça-lo.
“Não somente pela música, é que talvez não nos vejamos mais...” – Disse ele, sem poder controlar as lágrimas quentes, sentindo mais gente abraçar eles.
“Gente ele tá chorando, partiu abraço!” – Michele disse, abraçando os dois, Victória veio em seguida.
Depois que o garoto pôde controlar as lágrimas, sorriu, pensando em como aquele ano havia sido o melhor, por diversos motivos; incontáveis. Ele deu um abraço na outra ruiva ali presente, Flora, e recebeu um beijo na testa, ela foi logo explicando que não poderia ficar mais, teria que ir embora, e abraçou o garoto de novo, dessa vez, ela recebendo um beijo na testa.
Enquanto ele via a garota ruiva ir embora, pôde escutar Ana conversando com a rubra, Victória. As duas conversavam sobre Vic ir embora, e Ana somente a abraçava. Com o tempo passando e o portão da escola para fechar, todos começaram a se mover, Jayane com mais rapidez, por não poder ficar muito, tendo que chegar em sua casa mais cedo, dando um beijo em todos ali, e correndo.
Enquanto andavam, lentamente, até o portão, conversavam sobre tudo que já havia acontecido aquele ano, em principal, as histórias da gazela e a menstruada.
Flashback on:
“Não tenho culpa se meu pai deu essa bosta de nome, quem no inferno se chama Ana Graciela? Sim, eu odeio meu nome.” – Disse Ana, vendo João rir.
“Mas eu não acho seu nome feio, pelo contrário, acho bonito.” – Disse o menino, vendo-a olhar com descrença para ele.
“Meu cu...” – Retrucou a garota.
“Não sei se ele é bonito, nunca vi...” – Ele sorriu, vendo-a revirar os olhos.
“Mas então veja um lado bom do seu nome, eu posso te chamar de gazela, sem parecer uma ofensa. Graciela, gazela.” – Disse João, vendo-a parar de andar, e olhando para ele.
“Meu nome já é uma ofensa por si só, e nossa cara, trocadilho bosta.” – Disse ela, vendo-o rir. – “Porra, a menstruada faltou hoje...”.
“Ainda não entendo, menstruada...?” – O garoto perguntou, pela vigésima vez.
“A cor rubra do cabelo dela, me lembra sangue de menstruação.” – Disse a menina, vendo-o rir.
“Ainda acho estranho.” – Respondeu ele, vendo-a dar de ombros.
Flashback off.
Ao chegarem no portão, Ana e Victória já tinham uma ideia em mente, trocarem o primeiro beijo, aconteceria, se o pai da morena não estivesse esperando ela no portão hoje, e o máximo que ela pôde fazer, foi se despedir deles, dando um selinho em Victória, e seguir em direção ao pai.
“Eu com certeza venho segunda que vem, só para poder realizar isso!” – Disse Victória, fazendo Ana sorrir.
Flashback on:
As garotas estavam na saída de aula, que infelizmente João faltara e não presenciaria a cena mais importante do começo daquela história, deveria ser 30 de outubro, e antes de se despedirem, para Victória entrar na perua e seguir para casa, Ana foi dar um beijo na bochecha de Victória, mas a rubra virou a cabeça, quase dando um selinho na morena, mas a morena afastou-se.
“Eu ia dar um selinho, mas né; deixa para lá.” – Ana disse, virando-se, para ir embora, mas Victória a pega pelo braço, virando-a e puxando para seu lado.
“Sem problemas.” – Disse a rubra, dando um selinho na morena, e sim, aquele foi o primeiro selinho delas, de muitos.
Flashback off.
João dirigia-se para a sua casa, pensando em tudo que acontecera naquele dia, segurando o casaco azul que já não estava mais em seu corpo, e colando-o a boca, andando e pensando.
Flashback on:
Estavam sentados no banco do refeitório Ana, João e Flora; esperando Victória, Michele e Sabrina terminarem de comer.
Assim que Victória terminou de comer, foi em direção ao grande banco de madeira, sentou-se e puxou Ana para seu colo, fazendo João ter quase um “sangramento nasal de arco-íris”.
João mordia se mordia, vendo Victória levantando a camisa de Ana e massageando a costa da outra, dando-lhe beijos e mordendo os ombros da morena.
“Até eu to shippando.” – Disse Flora.
Flashback off.
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