Viana - A Gazela e a Menstruada
2 Capítulo 2 - O Fim de um Ano Incrível.
Notas iniciais
Capítulo 2
Os pensamentos de Ana explodiam naquela semana, que já se passara. Não deixava de pensar que nessa última semana passada, semana em que tinha tudo para que ela e Vic dessem o primeiro beijo, foi arruinada por completo por somente Vic não ter ido, e mesmo que ela tenha avisado, ainda era decepcionante. Mais decepcionante mesmo era saber que havia acabado, chegara ao fim, aquele ano escolar, e enfrentaria o ano seguinte sem a ruiva ao seu lado, o maior problema, era que a menstruada havia se mudado, como havia falado que faria, para a Zona Leste de São Paulo, e ela morava na Zona Sul, quase Oeste, tornando mais ainda impossível de se verem novamente. Naquele momento entrava no shopping, segundos antes havia saído da escola, junto com João e estavam conversando, passeando por todos os lugares ali disponíveis. Entraram no enorme mercado contido ali dentro.
“Na verdade, eu não me sinto como achava que iria ficar.” – Disse Ana, sorrindo.
“Ahan. Mas você realmente está indiferente a isso tudo?” – Perguntou o mais baixo, mirando o olhar para a amiga, que sorria.
“Sim.” – Disse, vendo o amigo lançar para ti um olhar desconfiado.
Ao saírem pelas portas principais do shopping, se despediram, prometendo manter contato, prometendo se verem mais vezes nestas férias.
Enquanto se dirigia ao ônibus, ficou pensando na vez em que havia pegado o casaco da quase namorada e conseguira dormir, em dias conturbados em que nem comia e mal sequer podia dormir, com a morte do seu avô. Avô que foi pai, amigo e melhor pessoa que a criou, pessoa que ao pensar nele ser levado pelo ceifador, já lhe vinham lágrimas aos olhos e uma dor lancinante lhe dominava. Não havia muito tempo, devia já ter um mês... Ou um pouco menos.
Aquele casaco com o cheiro dela, que parecia muito perfume, mas a ruiva não passava nenhum perfume, e afirmava que aquele lhe era o verdadeiro cheiro, foi a única coisa que pôde lhe acalmar, relaxar seu ser.
Sentia o medo, podia mentir, mas sentia. Sentia o medo de nunca mais ver a ruiva, nunca mais poder tocá-la e nem poder compartilhar selinhos. Nem sequer poderiam dar o primeiro beijo?
Ela podia mentir, mas chorou naquela noite. Chorou muito, pela saudade que sentia dela, mas também daquele ano magnífico e destruidor, saudade dos amigos. Deitada mexia no WhatsApp, olhando a foto de sua ruiva, deixando as lágrimas quentes descerem por suas bochechas já rosadas. Enfim, se levantou e foi ao espelho, vendo seu estado, ao seu olhar, lamentável, e começou a se olhar profundamente. Olhava para a sua pele negra, pele linda que reluzia ao luar que entrava em seu quarto, os olhos castanhos cheios de lágrimas e suas bochechas rosadas, tirou sua roupa e foi direto para o banheiro, entrando no box e deixando a água cair sobre seu corpo, lavando toda a dor e raiva por aquele fim, e ao terminar o banho, se vestiu, saindo do banheiro e indo para a sala de jantar, sem sequer um sorriso no rosto.
Ao chegar naquele recinto com sua avó e sua mãe, sentadas e se servindo carne com uns pratos cheios de arroz e feijão, se viu viajando em pensamentos até sua mãe lhe chamar.
“Ana, está tudo bem?” – Pergunta a mulher.
“Sim.” – Responde.
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