Viagem para a perdição
5 Tentação perigosa
Versão – Iasmim
Eu estava muito magoada pela atitude de Michel de ter nos deixado. Eu até poderia ir junto com ele, mas não queria ser mais um problema pra turma, éramos poucos, e quanto menos gente pior seria para sobreviver. Olhei para cada um que estava ali e percebi algo. Fiquei assustada:
– Gente! Cadê a Paloma? – botei a mão na cabeça relembrando que não tinha visto Paloma nesse caminho todo. Mas como ela é sempre quieta e discreta em seus passos, achei que ela estava com a gente no fim da fila, e com certeza todos pensaram assim.
Todos olharam pra mim, depois olharam ao redor. Marcelo falou num tom baixo: — Paloma?! – depois foi aumentando o tom até finalmente gritar, botando as palmas ao redor da boca para o seu grito ir o mais longe possível – Paloma! Paloma! – Não ouvimos Paloma responder.
Todos ficamos desesperados discutindo pra onde iríamos procura-la, até ouvimos a voz de Taiane, que foi deixada por Marcelo na árvore, ela estava em pé apoiando seus braços na árvore: — Gente, eu não tô bem, eu tô muito quente – disse ela com dificuldade.
– Olha só – disse Taine que parecia que queria resolver a situação de uma vez – Lucas e eu vamos procurar a Paloma enquanto Iasmin, Marcelo e Talita vão procurar ajuda para a Taiane, se acharam alguém fale para buscar a gente viu.
– Ei eu vou chamar o Michel – disse Talita – ele falou que ia seguir o som das águas e vou até lá também.
Talita foi em direção aonde Michel tinha ido, Taine e Lucas foram para outra direção, só ficamos eu, Marcelo e Taiane naquele lugar. Ajudei Marcelo a apoiar Taiane nele e fomos adiante, sem saber se estávamos indo no caminho certo.
Versão – Michel
O som da água batendo nas pedras estava ficando mais perto. Eu andava ali sozinho meio que arrependido do que eu disse para a turma, “dane-se vocês”, pensei na minha fala. Eu disse aquilo num momento de raiva, mas que logo passou. Mas como eu sai dali, não poderia voltar do nada depois, tive que ir adiante mesmo sem querer.
Percebi que eu estava me esforçando para andar, então descobri que estava subindo uma ladeira. Vi a vista o rio e fiquei aliviado, minha sede estava perto de sumir. Quando cheguei perto soube o motivo daquele som de pancadaria: era uma cachoeira, e a correnteza era o mais forte possível, e em cima do rio tinha um tronco que atravessava para o outro lado. Me aproximei mais perto ainda, olhei para a esquerda e vi o fim da correnteza, ali era onde a água caia, olhei para o outro lado e vi um pé de Jambo, nunca vi um pé tão lindo em minha vida, aqueles jambos bem avermelhados me deixaram com muita saliva na boca e uma tentação extrema. Tinha que pegar aqueles jambos, assim passaria a sede e a fome, os dois de vez.
Botei o meu pé no tronco e fiz força para ver se mexia, mas ficou intacto, botei meu outro pé e fui no maior cuidado, fui botando um passo atrás do outro bem lentamente, qualquer descuido poderia ser levado por aquela correnteza e morrer lá embaixo caindo da cachoeira. Cheguei na metade do caminho meio que arrependido de estar indo, mas agora não podia desistir, se eu quisesse voltar teria que ir lentamente de qualquer jeito, fui adiante. Sem querer, escorreguei em algo liso, assim espatifando na água, comecei a botar a mão no tronco para tentar voltar a subir, mas foi em vão, o tronco estava infestado de limo, agora sabia no que tinha escorregado. Fiquei tentando o impossível para pegar no tronco mas a correnteza me afastou dele, comecei a nadar contra a força da água mas mesmo assim foi impossível. Fiquei sendo levado até a cachoeira, sem nada para me segurar, era o fim.
Versão –Talita
Estava andando rápido (quase que correndo) na direção onde Michel foi. Fui tão rápida seguindo aquele som de água se chocando que vi o Michel de longe no meio da mata, comecei a segui-lo me escondendo, queria ver o que iria fazer. Teve um momento que eu vi algo correndo na mata e foquei o olhar para saber o que era. Eu sou uma pessoa muito tranquila e paciente, mas quando se trata de bicho em mata me estremeço toda. O animal tinha sumido, voltei o olhar para Michel mas ele não estava mais lá, o perdi de vista, mesmo assim segui adiante.
Cheguei no fim da mata e vi que estava ao lado da queda de uma cachoeira, quase ia saindo da mata para ir em direção do rio, mas quando vi Michel que estava atravessando o tronco eu voltei a me esconder.
– Esse Michel não sei não...- disse pra mim mesma.
Distrai o meu olhar para o outro lado da mata e vi um pé delicioso de jambo, agora sabia o motivo daquela ação de Michel, voltei o meu olhar para Michel quando ouvi uma batida forte , era ele na água, estava sendo levado pela correnteza e indo em direção a cachoeira. Então deixei de me esconder:
– Michel! – gritei desesperada. Não sabia o que fazer, mas queria que ele soubesse que eu estava ali com ele.
Ele não me respondeu, só nadava pra lá e pra cá quase sem forças. Era o meu papel ter uma ideia para salvá-lo. Mas o que? Então do nada tive um plano, não sabia se iria dar certo, mas foi a única coisa que pensei.
Michel se aproximava da cachoeira.
– Michel, nade até minha direção, vamos rápido! — gritei para ele.
Ele começou a se aproximar da cachoeira e a mim ao mesmo tempo, pelo fato de eu está próximo a cachoeira. Ele chegou perto de mim e eu avisei: — Pegue minha mão — estendi meu braço em direção a ele — vamos pegue!
Ele mal conseguia falar, bebia muita água. Ele se esforçou e pegou em minha mão. Mas eu não sabia que a correnteza era tão forte, acabei caindo no rio, agora estávamos nós dois sendo puxados, não vi quase nada pois a água batia nos meus olhos.
Me esforcei para enxergar, olhei para o lado onde a água me puxava e não vi mais nada, apenas a floresta. Foi então que cai junto com Michel da cachoeira.
Segurei nas mãos de Michel no meio da queda, iríamos morrer.
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