Viagem para a perdição
6 Revelações
Notas iniciais
Versão – Iasmin
Eu estava muito cansada, mas principalmente o Marcelo, que levou Taiane entre os braços o tempo todo. Andamos muito, nem sei dizer por quanto tempo pois não conseguia me concentrar em nada.
– Não aguento mais – Marcelo deixou Taiane no chão e começou a alongar os braços.
– Temos que achar comida, estou morrendo de fome – olhei ao redor e não encontrei nenhuma fruta. Estava desesperada, mas tentava resolver as coisas com a maior tranquilidade.
Marcelo pegou Taiane novamente e disse com força na voz, estava pálido de fraco: — Vamos continuar, impossível a gente não achar uma saída nessa merda de floresta.
Eu já ia seguir Marcelo até conseguir avistar a ponta de alguma coisa. Apertei os olhos com força para conseguir enxergar melhor. Se eu tivesse com meus óculos as coisas seriam mais fáceis pra mim. Virei pra Marcelo e disse:
– Marcelo, aquilo ali é um teto de uma casa?
Marcelo olhou pra mim e depois focou o olhar para onde eu estava olhando: — É sim! E parece que é de uma mansão, olha o tamanho daquilo! – voltou para onde eu estava – vamos até lá!
– Lá deve ter tudo que precisamos, comida e remédio, e um telefone. Vamos pra lá agora mesmo.
Taiane apontou com o braço direito para a casa: — Olha a casinha... – ela estava muito pálida, e parecia estar delirando.
– Calma Taiane – disse Marcelo segurando-a com mais força – vamos Iasmin.
Eu, Marcelo e Taiane fomos em direção daquela misteriosa casa no meio daquela floresta.
Versão – Michel
Cai da cachoeira segurando nas mãos de Talita, achei que agora sim iria morrer. De repente me senti sendo sugado pela água e desmaiei. Minha cabeça parecia que estava girando. Quando voltei a si, consegui enxergar o fundo do rio, e fora dela via o sol reluzindo na água e a batida da queda da água, era uma coisa linda e desesperante ao mesmo tempo. Eu estava morrendo e sem forças para nadar, mas aquela beleza natural me deixava meio que “tranquilo”.
Versão – Talita
Fui levada pela cachoeira mas logo consegui me afastar dela para não ser levado para debaixo d’água. Olhei ao redor e não consegui ver mais Michel. Comecei a gritar pelo seu nome, não obtive resposta. Mergulhei e não consegui ver nada, mergulhei mais um pouco e vi ele com os olhos semiabertos, parecia que estava bêbado. O peguei pela blusa e fui levando ele para a superfície.
– Michel – parei para ouvir alguma resposta – Michel você tá bem?
– Sim...-disse com dificuldade – Me tira dessa água.
Comecei a nadar com ele no braço até a mata próxima, estava nadando com dificuldade, mas logo passou porque tinha chegado na parte rasa, depois só foi andando com ele até chegar na terra.
Parei para olhar aquela cachoeira linda, do lado onde via o sol estava bem atrás da queda da cachoeira, ficou uma paisagem linda, depois fui incomodada pela tosse de Michel, olhei pra ele e percebi que estava saindo água de sua boca.
– Nunca mais como jambo – disse ele, pelo tom de voz parecia estar ficando melhor – Eu pensava que era a maçã a fruta da tentação – rimos.
Me levantei e peguei nas mãos de Michel para ele se levantar: — Bem é melhor irmos em frente. Olhei para a mata e em cima da cachoeira – só vamos ter que subir esse caminho e voltarmos para onde fomos. Vai ser fácil encontrar a galera.
– Nossa eu vou tá com muita vergonha – disse ele com uma voz arrependida.
– Porque menino? Pelo que você disse a eles? Eles já esqueceram disso, e se não, quando acharem comida eles vão esquecer disso logo logo.
Michel fez a cara de riso e perguntou: — Por que você veio me procurar, eles mandaram você?
– Não, na verdade Paloma se perdeu então deci...
– Paloma se perdeu? Como assim?
– Não sei, desde quando saímos daquele lugar onde Taiane foi picada não vimos ela.
– Ah é mesmo...e porque você não foi com eles procurar ela?
– Na verdade, nós nos separamos completamente, Taine e Lucas foram procurar Paloma, Taiane, Marcelo e Iasmin tiveram que ir em frente para Taiane não piorar...mas só eu lembrei de você e disse que ia te procurar.
– Nossa, obrigado mesmo Talita. –
Depois nós começamos a andar e dando nossas opiniões sobre os acontecidos.
Versão – Lucas
Eu e Taine andamos por um bocado, estávamos muito cansados, mas só eu reclamava o tempo todo.
– Ai Deus que fo...
– A Lucas fica quieto! Pelo amor de Deus tu só reclama. – disse ela reclamando.
– Mas se é a verdade, tô com fome, sede, tudo. Agora entendi Michel, ele parou tudo que estava fazendo para ir no rio.
– Ahan...
Andamos por mais 15 minutos e de repente eu parei de andar.
– Está ficando louco? Vamos menino. – disse ela querendo pegar nos meus braços para me puxar.
– Taine, preciso te falar uma coisa...
– Fala ué.
– Nossa, eu querendo te contar uma coisa minha serio mesmo e você não tá nem aí...
– Lucas eu to aqui perto de comer meu braço de tanta fome e você quer que eu fique prestando atenção em segredos? Fala logo.
– É que...-parei e foquei o olhar para a floresta – quando vocês começaram a andar naquela hora, eu estava sozinho com Paloma, mesmo assim segui com vocês sabendo que ela ficaria sozinha...
Depois foquei meu olhar para Taine, ela também me olhava, estava esperando com medo sua reação.
Versão – Paloma
Estava pegando laranja que estavam no pé e pondo nas cestas que estavam instaladas no jegue.
– Pegou quantas já? – perguntou Priscila.
– Já peguei um monte – respondi.
Ela é uma mulher que parecia ter uns vinte e cinco anos, usava uma blusa vermelha-fraca, uma calça marrom e um chapéu de cowboy. Ela tem muito estilo para quem mora em zona rural.
– Olha, quero muito te agradecer por ter me ajudado, sem você não sei o que faria sozinha nessa mata.
– Não precisa agradecer – disse ela enquanto apoiava o braço na laranjeira – e onde está o resto do povo? Te largaram?
– Não sei bem...mesmo assim estou muito magoada de me deixarem sozinha, me senti um lixo.
– Tudo bem, não se preocupe, vou te levar para minha casa e lá você ficará bem.
– E onde você mora?
– Moro não muito longe daqui, lá tem uma casa enorme, mas só tem isso, não temos roça porque não gostamos disso, por isso ela fica no meio da floresta.
Isso era muito sem sentido, é loucura a pessoa ter uma casa no meio da floresta, e não ser logo uma roça. Mas não poderia dizer isso a ela, a sua ajuda era necessidade pra mim.
– Peraí...você disse “não temos roça”...você mora com alguém? – perguntei.
– Sim, moro com meu marido e ele...adora ser humano.
– Que bom né. Por isso que ele se casou com você. – respondi.
– Mas ele gosta de ser humano, em outro sentido...
– Qual sentido?
– De...- ela olhou pra mim, mudando o seu jeito de ser – de se alimentar de ser humano.
De repente ela me agarrou e comecei a gritar por socorro, ela ficou tentando me arrastar mas eu me segurei na laranjeira com maior força possível, ela me soltou e eu fiquei paralisada, minhas pernas ficaram trêmulas. Ela pegou um machado que estava na cesta e veio na minha direção. Eu só consegui fechar meus olhos e esperar a machadada em alguma parte do meu corpo.
– Vai virar almoço hoje queridinha – ouvi a voz dela se aproximando de mim.
Do nada ela parou de falar e abri meus olhos, não vi ninguém. Senti uma pancada por trás da minha cabeça e eu fiquei inconsciente no mesmo momento.
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